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Pesquisa feita sobre as civilizações pré-colombianas: Maias e Incas
Tipologia: Trabalhos
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Seminário apresentado no curso de
graduação de Arquitetura da FINAC,
para a disciplina Teoria e História da
Arquitetura e Urbanização.
Orientador: Professor Luiz Marcello
3.12. ....................................................................................................................................... ARQUI TETURA................................................................................................ 25
É objetivo deste trabalho e/ou pesquisa abordar o desenvolvimento arquitetônico das sociedades pré-colombiana dos Maias e dos Incas.
Os maias habitavam o sul da Península do Yucatán. Começaram a formar sua civilização por volta de 1000 a.C.. Tiveram a influência de outros povos mesoamericanos, formando uma das mais ricas civilizações pré-colombianas de que se tem registro. Expandiram-se para as regiões vizinhas onde hoje se encontra a Guatemala e Honduras.
Os maias organizavam governos autônomos em cada uma das cidades-estados fixadas no território. Esse período de desenvolvimento territorial e urbano, conhecido como período clássico, continuou durante o período pós-clássico.
Foram os mais desenvolvidos cientifica e intelectualmente. Possuíam um sistema de escrita hieroglífica, atingiram grandes avanços na astronomia e na matemática. Seu calendário de 365 dias foi mais exato do que o utilizado na época na Europa. Além disso, já conheciam o zero. Sua grandeza em obras arquitetônicas colossais, foram representadas por templos e palácios e pirâmides, e ainda em relevos e esculturas decoradas e suas pinturas e objetos suntuosos.
Nos séculos VIII e IX, a cultura maia começou a entrar em decadência. Uma série de guerras, juntamente com uma sucessão de secas, grandes desastres naturais e doenças, foram responsáveis pelo enfraquecimento da civilização. Em 1519, o espanhol Hernán Cortez iniciou a conquista do território asteca, incluindo as regiões pertencentes aos maias.
A civilização inca foi resultado de culturas andinas pré-colombianas. Eram originários das montanhas do Peru. O império inca existiu na América do Sul de cerca de 1200 até a invasão dos espanhóis.
Entre as suas realizações culturais, estão a arquitetura, a construção de estradas, pontes e engenhosos sistemas de irrigação, seu trabalho com a pedra e sua sociedade muito organizada.
A maioria da população rural Guatemala e Belize é maia por descendência e idioma e, em áreas rurais do México ainda existe a cultura maia.
Os maias tinham economia predominantemente agrícola embora praticassem o comércio em toda a Mesoamérica e possivelmente para além desta. Entre os principais produtos do comércio estavam o jade, o cacau, e o sal.
Figura SEQ Figura * ARABIC 2: Escultura em pedra de Chaac, Deus Maia da Chuva
Acreditavam na contagem cíclica natural do tempo. Os rituais e cerimônias eram associados a ciclos terrestres e celestiais e eram observados e registrados em calendários separados. Os sacerdotes interpretavam esses ciclos e faziam um panorama profético sobre o futuro ou passado. A purificação incluía jejum, abstenção sexual e confissão. Acreditavam na existência de três planos no cosmo: a Terra, o céu e o submundo.
Os maias sacrificavam humanos e animais como forma de renovar ou estabelecer relações com o mundo dos deuses. Normalmente, sacrificavam pequenos animais, mas em ocasiões muito especiais tais como: adesão ao trono, falecimento do monarca, enterro de algum membro da família real ou períodos de seca, sacrificavam humanos. Acredita-se que crianças eram muitas vezes oferecidas como vítimas sacrificiais por acreditarem que eram mais puras.
Havia a adoração de vários deuses conforme a época e situação que melhor se aplicava para aquele deus.
Figura SEQ Figura * ARABIC 3: Glifos maias em estuque no museu de Palenque, México
O sistema de escrita maia é chamada hieroglífica por uma vaga semelhança com a escrita do antigo Egito, é uma combinação de símbolos fonéticos e ideogramas.
Decifrar a escrita maia tem sido um longo e trabalhoso processo. Está relacionada com números, calendário e astronomia. As traduções avançaram nas décadas de 1960 e 1970 e atualmente a maioria dos textos maia podem ser lidos quase completamente em seus idiomas originais. Lamentavelmente, os sacerdotes espanhóis, em sua luta pela conversão religiosa, ordenaram a queima de todos os códices maias (textos cósmicos dos deuses e permitem estabelecer calendários e rituais), logo após a conquista.
Os livros maias tinham páginas semelhantes a um cartão, feitas de um tecido sobre o qual aplicavam uma película de cal branca e sobre ela eram pintados os caracteres e desenhadas ilustrações. Atualmente restam apenas três destes livros, sendo que foram registrados milhares deles. A maioria das inscrições que sobreviveram são as que foram gravadas em pedra.
isolados, a outra é não posicional e liga cada algarismo à indicação da unidade que ele determina. Os dois tipos de numeração possuem zeros, tanto na posição final como na posição interior. O único uso amplamente atestado das numerações maias é a notação das datas e durações. Desse ponto de vista, os maias se distinguem dos incas, que tinham registros da administração. Os monumentos e os códices maias mostram esses conhecimentos numéricos aplicados aos calendários e às efemérides dos principais planetas vistos a olho nu.
A arte maia tinha suma importância na preservação das tradições religiosas. Ao mesmo tempo em que contava e reproduzia as feições de suas principais divindades, a arte maia também envolvia uma importante questão política. Os murais e as esculturas relatavam a grandeza das dinastias que controlavam uma determinada cidade-estado. Sendo indicada como uma família abençoada pelos deuses, as expressões artísticas maias eram importantes na legitimação do poder político.
Os maias trabalhavam com pedras, matérias em madeira e cerâmica para construírem estátuas e figuras em baixo relevo que adornavam os templos e demais construções urbanas. Na cidade de Bonampak encontram-se várias construções e pinturas da civilização maia. No chamado Templo das Pinturas existem câmaras que relatam a história política, cultural e militar dos povos que se fixaram naquela região.
Figura SEQ Figura * ARABIC 6: Mural com afresco em Bonampak
Em 1517, a flotilha comandada por Francisco Hernandes de Córdoba, estava à cata de índios para escravizá-los em Cuba e, fugindo de uma tempestade, foi assediada por canoas repletas de maias.
As sólidas e grandiosas construções que podiam ser vistas do mar, inspiraram o nome que os espanhóis deram ao lugar: "Gran Cairo". Tratava-se do primeiro contato entre as duas civilizações.
Entendendo-se por sinais, os espanhóis aceitaram o convite e desembarcaram no dia seguinte. Foram surpreendidos pelo ataque dos maias. Sucumbiram todos e, pelo uso dos mosquetes, puseram os atacantes em fuga. Um sacerdote acabara de praticar um sacrifício, e as paredes assim como os cabelos do sacerdote, estavam ensopados de sangue (e era preceito rigoroso que não se podia limpar). Os espanhóis entenderem que não eram bem-vindos.
Na fuga, os barcos emborcaram e os espanhóis seguiram a nado. Centenas de homens do início da expedição foram mortos e os que não tiveram suas gargantas cortadas com espadas de madeira foram capturados para servirem a futuros sacrifícios. O chefe da expedição, Hernandes de Córdoba, morreu no ataque.
Figura SEQ Figura * ARABIC 7: Pintura representando o encontro dos maias com os espanhóis
Figura SEQ Figura * ARABIC 9: Mascara Maia
Na arte e na arquitetura Maia, podemos encontrar muitas influências externas. Os povos maias nunca desapareceram, nem com a chegada dos espanhóis, que gerou a colonização espanhola das Américas. Hoje, os maias e seus descendentes formam populações consideráveis em toda a área antiga maia e mantém um conjunto de tradições e crenças que são resultado da fusão das ideologias pré-colombianas e pós-conquista. Muitas línguas maias continuam a ser faladas como línguas primárias ainda hoje; o Rabinal Achí, uma obra literária na língua Achí, declarada uma obra- prima do Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade pela UNESCO em 2005.
Os maias construíram as famosas cidades de Tikal, Palenque, Copán e Calakmul, e também Dos Pilas, Uaxactún, Altún Ha, e muitos outros centros habitacionais na área. Jamais desenvolveram um império.
As evidências mostram que os maias começaram a edificar sua arquitetura há 3000 anos. Há um desacordo entre os estudiosos sobre os limites e diferenças entre a civilização maia e a cultura mesoamericana vizinha dos olmecas. Os olmecas e os maias antigos parecem ter-se influenciado mutuamente.
Os monumentos mais antigos consistem em montículos remanescentes de tumbas, precursoras das pirâmides que foram erguidas mais tarde. Os mais notáveis são as pirâmides que construíram em seus centros religiosos, junto aos palácios dos governantes. Outros restos arqueológicos muito importantes são as chamadas estelas (os maias as chamam de tetún, ou "três pedras"), monólitos de proporções consideráveis que descrevem os governantes da época, sua genealogia, seus feitos de guerra e outros grandes eventos, gravados em caracteres hieroglíficos.
Figura SEQ Figura * ARABIC 10: Montículo de um Observatório Astronômico Maia
As construções existentes eram frequentemente reconstruídas ou remodeladas.
A cidade era disposta no terreno na forma em que a natureza ditara com atenção à orientação dos templos e observatórios que eram construídos de acordo com a interpretação maia das órbitas das estrelas. As praças públicas eram os lugares de reunião para as pessoas. Por esta razão, o enfoque no desenho urbano tornava o espaço interior das construções secundárias.
Figura SEQ Figura * ARABIC 12: Pirâmide de Kukulcán, em Chichén Itzá
A arquitetura maia engloba vários milênios. Dentre as construções mais fantásticas, estão as pirâmides escalonadas do final do período pré-clássico em diante.
Um aspecto surpreendente das grandes estruturas maias é a carência de muitas das tecnologias incas avançadas que poderiam parecer necessárias a tais construções. Não há notícia do uso de ferramentas de metal, polias ou veículos com rodas. A construção maia requeria muita força humana.
Toda a pedra usada nas construções maias era extraída de pedreiras locais. Com maior frequência usava-se pedra calcária, adequada para ser trabalhada e polida com ferramentas de pedra. Era usada uma argamassa feita do calcário queimado e moído, com propriedades muito semelhantes as do atual cimento. Geralmente usavam-se também para revestimentos, tetos, acabamentos e para unir as pedras. Com o passar do tempo houve a melhoria do acabamento das pedras e que reduziu o uso desta última técnica, já que as pedras passaram a se encaixar quase perfeitamente. Ainda assim o uso da argamassa permaneceu crucial em tetos de postes e vergas sobre portas e janelas.
Em casas comuns, os materiais mais usados eram as estruturas de madeira, adobe nas paredes e cobertura de palha, embora tenham sido descobertas casas comuns feitas de pedra calcária. Embora não muito comum, na cidade de Comalcalco, foram encontrados ladrilhos de barro cozido, possivelmente solução encontrada para o acabamento.
Figura SEQ Figura * ARABIC 13: Palácio de Palenque
Figura SEQ Figura * ARABIC 16: Ruínas de Palenque
A maioria dos edifícios foi construída sobre plataformas aterradas cuja altura variava de menos de um metro, no caso de terraços e estruturas menores, até quarenta e cinco metros, no caso de grandes templos e pirâmides.
Os relevos maias que os adornavam, se relacionavam com o propósito da estrutura a que se destinavam. Em tais construções, sempre erguidas sobre plataformas, podemos destacar o privilégio dado ao aspecto estético exterior em contra-ponto à pouca atenção à utilidade e funcionalidade do interior.
Figura SEQ Figura * ARABIC 17: Imagem 3D do grupo de templos de Palenque ao qual se integra o Templo da Cruz
Quanto aos vãos das construções nos quais os arcos como curvas são raros. Frequentemente são retos, angulados ou imbricados. Como eram necessárias grossas paredes para sustentar o teto, alguns edifícios de épocas mais posteriores utilizaram arcos repetidos ou uma abóbada arqueada para construir o que os maias denominavam pinbal, ou saunas, como a do Templo da Cruz em Palenque.
Usavam extensos trabalhos de relevo ou reboco para aplainar quaisquer imperfeições. Sob tais rebocos foram encontrados outros trabalhos de entalhes e dintéis e até mesmo pedras de fachadas.
Comumente a decoração com faixas de relevos era feita ao redor de toda a estrutura, provendo uma grande variedade de obras de arte relativas aos habitantes. Nos interiores, era comum o uso de revestimentos em reboco primorosamente pintado com cenas do uso cotidiano ou cerimonial.
Há evidências de que as reconstruções e remodelações ocorriam em virtude do encerramento de um ciclo completo do calendário maia. Atualmente, pensa-se que as reconstruções eram mais instigadas por razões políticas do que pelo encerramento do ciclo do calendário. Reconstrução em cima de estruturas velhas era uma prática comum. A acrópole de Tikal, é uma a síntese de um total de 1500 anos de modificações arquitetônicas.
Eram plataformas de pedra calcária com muros de menos de quatro metros de altura onde se realizavam cerimônias públicas e ritos religiosos. Tinham figuras talhadas em pedra e às vezes tzompantli ou uma estaca usada para exibir as cabeças das vítimas geralmente os derrotados nos jogos de bola mesoamericanos.