Docsity
Docsity

Prepare-se para as provas
Prepare-se para as provas

Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity


Ganhe pontos para baixar
Ganhe pontos para baixar

Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium


Guias e Dicas
Guias e Dicas


trabalho sobre bacterias, Manuais, Projetos, Pesquisas de Microbiologia

trabalho sobre bacterias pra disciplina de microbiologia

Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas

2021

Compartilhado em 24/05/2021

veronica-carvalho-felix-5
veronica-carvalho-felix-5 🇧🇷

5

(1)

13 documentos

1 / 30

Toggle sidebar

Esta página não é visível na pré-visualização

Não perca as partes importantes!

bg1
FACULDADE SULAMÉRICA
CURSO DE BIOMEDICINA
LUCIANA RIBEIRO MARIOTTO
PRINCIPAIS HELMINTOS QUE PARASITAM O HOMEM
LUIS EDUARDO MAGALHÃES
2021
pf3
pf4
pf5
pf8
pf9
pfa
pfd
pfe
pff
pf12
pf13
pf14
pf15
pf16
pf17
pf18
pf19
pf1a
pf1b
pf1c
pf1d
pf1e

Pré-visualização parcial do texto

Baixe trabalho sobre bacterias e outras Manuais, Projetos, Pesquisas em PDF para Microbiologia, somente na Docsity!

FACULDADE SULAMÉRICA

CURSO DE BIOMEDICINA

LUCIANA RIBEIRO MARIOTTO

PRINCIPAIS HELMINTOS QUE PARASITAM O HOMEM

LUIS EDUARDO MAGALHÃES

LUCIANA RIBEIRO MARIOTTO

PRINCIPAIS HELMINTOS QUE PARASITAM O HOMEM

Trabalho apresentado como requisito para obtenção parcial de nota para o curso de Biomedicina na Faculdade Sulamérica. LUIS EDUARDO MAGALHÃES 2021

2. ASPECTOS GERAIS

Os helmintos compreendem três filos do reino animal:  Platyhelminthes : vermes achatados, em forma de folha ou fita, com tubo digestivo ausente ou rudimentar.  Nemathelminthes : vermes cilíndricos, com tubo digestivo completo  Annelida : Não são parasitas O homem é o hospedeiro definitivo e especifico de várias, espécies de helmintos possibilitando que estes se desenvolvam e atinjam a maturidade, e se instalem em localizações anatômicas características, comumente o intestino. Os Platyhelminthes têm simetria bilateral, corpo achatado dorsoventralmente e um tegumento formado por um sincício anucleado, limitado externamente por uma dupla membrana. Os Nemathelminthes são vermes cilíndricos, com extremidades afiladas ou filiformes, na maioria são de vida livre, aproximadamente 50 espécies foram identificadas como parasitas do homem, das quais umas poucas espécies merecem destaque por serem importantes causadores de doença. Os helmintos podem penetrar em seu hospedeiro, passivamente (sendo seus ovos ingeridos com alimentos, água, ou através de mãos sujas), ou ativamente, como larvas, através da pele. Em algumas espécies, as larvas são veiculadas a insetos hematófagos. Os helmintos podem ser divididos em dois grupos: bio-helmintos e geo- helmintos. Os bio-helmintos são aqueles cujo o ciclo evolutivo exige habitualmente a participação sequencial de dois ou mais hospedeiros além do homem; os geo- helmintos são aqueles cujo o ciclo evolutivo pode ocorrer parte no solo, que é a fonte de infecção, contendo larvas infectantes ou ovos, prescindindo de outro hospedeiro além do homem. Os Platyhelminthes são em geral bio-helmintos, enquanto os Nemathelminthes são geo-helmintos.

3. PARASITOSES DETERMINADAS POR Platyhelminthes .1 Esquistossomose mansônica, ou barriga-d’água A esquistossomose mansônica é uma parasitose grave que atinge 200 milhões de pessoas no mundo, quase quatro milhões no Brasil, e provoca cerca de 200 mil mortes por ano, segundo a OMS, que tem como meta a sua erradicação. Sabe-se que foi trazida da África, por onde se disseminou, após o desenvolvimento da navegação, que transportou portadores do parasito para outros continentes. O parasito encontrou no continente americano moluscos hospedeiros aos quais se adaptou, originando novos focos. Está diretamente relacionada à pobreza, onde o saneamento é precário Agente etiológico : Família: Schistosomatidae Espécie: Schistosoma mansoni Morfologia : Os vermes adultos têm dimorfismo sexual, o macho tem cerca de um centímetro de comprimento, corpo em forma de folha, dobrado nas laterais, com uma fenda longitudinal (schisto = fenda; soma = corpo) e o canal ginecóforo que abriga a fêmea; esta possui o corpo cilíndrico e tem cerca de um centímetro e meio de comprimento. Ambos possuem duas ventosas (oral e ventral) para fixação no hospedeiro. Os ovos medem cerca de 150 μm por 60 μm, têm formato oval, apresentam espícula lateral e contêm o miracídio, larva ciliada infectiva para o vetor. A cercária, larva com duas ventosas e cauda bifurcada, possui cerca de 500 μm de comprimento e é infectiva para o homem. O vetor é o caramujo do gênero Biomphalaria que pertence à família Planorbidae , apresentando concha enrolada em espiral plana e compreende moluscos pulmonados de água doce. No Brasil, as espécies hospedeiras são: Biomphalaria glabrata, B. tenagophila e B. straminea. Habitat : Os vermes adultos vivem acasalados no sistema porta-hepático. Transmissão : As cercárias penetram na pele íntegra do homem quando ele entra em contato com água contaminada. Ciclo biológico O ciclo do S. mansoni é heteroxênico, iniciando pela penetração de cercárias na pele do homem, hospedeiro definitivo. Quando penetram, perdem a cauda, entrando somente o corpo, que passa a se denominar esquistossômulo. Ele cai na corrente circulatória e é levado ao sistema

los, formando depois uma fibrose como tentativa de cicatrização da área. A reação inflamatória e a fibrose intestinal são acompanhadas de distúrbios intestinais, como a diarreia. A fibrose hepática pode dificultar a passagem do sangue pelo fígado, ocasionando circulação colateral, hipertensão portal, esplenomegalia e ascite. A hipertensão portal pode culminar com a morte do paciente. Diagnóstico : O diagnóstico clínico da esquistossomose pode ser confundido com o de outras doenças que causam hepato e esplenomegalia. A história do paciente é muito importante para saber se ele procede de área endêmica. O diagnóstico conclusivo é feito pelo exame parasitológico de fezes para pesquisa de ovos do parasito, utilizando um método qualitativo: a técnica de Hoffman, Pons e Janer, ou técnica da sedimentação por gravidade. Nas áreas endêmicas, é importante a adoção de método qualitativo para se conhecer o grau de endemicidade da região, e também de método quantitativo para se estimar a carga parasitária do indivíduo, que está relacionada à forma clínica da doença. No caso da esquistossomose, usa-se o método de Kato-Katz, que é qualitativo e quantitativo. Dependendo da fase da doença e da carga parasitária, o exame de fezes pode ser negativo. Quando a carga parasitária é muito baixa, o exame pode não ter sensibilidade suficiente para o encontro de ovos. Por isso, antes de se emitir um diagnóstico negativo, é importante a repetição dos exames. Pode-se, ainda, recorrer a métodos imunológicos (RIFI e ELISA) para detecção de anticorpos anti-S. mansoni no soro do paciente. Outras técnicas como detecção de antígenos parasitários ou de DNA do parasito nas fezes podem ser feitas, como ELISA e PCR respectivamente. Tratamento: Existem drogas disponíveis no mercado, como a oxamniquina e o praziquantel. Quanto mais cedo forem feitos o diagnóstico e o tratamento, melhor será o prognóstico. É importante instituir para o paciente uma dieta leve e rica em proteínas e de fácil assimilação. Para o controle de cura, é importante repetir o exame parasitológico de fezes três meses após o tratamento e depois, mensalmente, durante no mínimo seis meses. Profilaxia : A profilaxia da esquistossomose é tarefa difícil devido a vários fatores: os moluscos hospedeiros são difíceis de combater, apresentam ampla distribuição geográfica e ocorrem nas regiões quentes, fazendo com que as pessoas

busquem contato frequente com águas contaminadas. Pode-se empregar: métodos físicos (construção de redes de esgoto, canalização de córregos, soterramento de áreas alagadas, etc.), métodos químicos (combate ao hospedeiro por meio de molusquicidas) e métodos biológicos (através do emprego de predadores das desovas dos caramujos). Uma vez que o homem é a principal fonte de contaminação, o tratamento dos parasitados também é medida preventiva. Cabe salientar que o controle da infecção é composto pelo controle da morbidade, obtido com sucesso com o uso de quimioterápicos eficazes, e pelo controle da transmissão, ainda não atingido, e, por essa razão, a infecção segue em expansão em nosso país. Vacina : Desde o início de 1990, vêm sendo desenvolvidos estudos na Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) do Rio de Janeiro, com a finalidade de definir o antígeno para a produção de vacina contra a esquistossomose. A proteína Sm 14, obtida do verme, foi selecionada pela OMS entre os seis antígenos mais promissores para a produção de vacina. A licença para a sua produção utilizando a Sm14 foi comprada pela empresa paulista Ourofino Agronegócio, segundo a qual, os testes em seres humanos estão em andamento com autorização da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), e as vacinas teriam previsão para sua chegada ao mercado em

  1. A taxa de imunização em camundongos foi de 70%, índice considerado bom. 3.2 Complexo teníase-cisticercose O complexo teníase-cisticercose constitui duas diferentes enfermidades que possuem o mesmo agente causal, porém, em fases distintas do seu ciclo biológico. A teníase é a presença de Taenia Saginata ou Taenia solium na fase adulta no intestino humano, e a cisticercose é a presença das formas larvárias desses parasitos, que se alojam, respectivamente, nos tecidos de bovinos e suínos. Acidentalmente o homem pode ser parasitado pela forma larvária de T. solium , adquirindo a cisticercose. Quando o cisticerco se aloja no SNC (sistema nervoso central), causa a neurocisticercose, doença grave que pode ocasionar a morte, como veremos adiante. É muito comum a confusão que se faz com a etiologia e os

nos tecidos dos bovinos e suínos. O cisticerco é uma larva de cerca de um centímetro de diâmetro em média, formada por uma vesícula contendo o escólex invaginado e um líquido no seu interior denominado líquido vesicular, com propriedades imunogênicas. Habitat: O habitat dos vermes adultos de T. solium e de T. saginata é o intestino delgado humano. Transmissão O homem adquire teníase quando ingere carne suína ou bovina crua ou malcozida contendo cisticercos, respectivamente, de T. solium e de T. saginata. Ciclo biológico: O ciclo de Taenia spp. é heteroxênico, envolvendo um hospedeiro definitivo, o homem, que alberga a forma adulta do parasito, e um hospedeiro intermediário, o suíno ou o bovino, que albergam as formas larvárias (cisticercos) de T. solium e T. saginata , respectivamente. Quando o homem ingere carne suína ou bovina, crua ou malcozida, contaminada com cisticerco, o escólex se desenvagina por estímulo do suco gástrico e se fixa na mucosa intestinal por meio das ventosas e, no caso de T. solium , por meio também dos acúleos. Em seguida, inicia seu crescimento formando os proglotes jovens, que depois se tornam maduros e finalmente grávidos. Os proglotes grávidos, à medida que se enchem de ovos, vão se destacando no momento do esforço da defecação e são eliminados com as fezes para o meio exterior. No caso de T. saginata , podem ser destacados espontaneamente, sendo eliminados em qualquer momento e visualizados nas roupas íntimas. Os proglotes eliminados para o exterior se rompem no solo espalhando no pasto os ovos, que também poderão atingir a água e os alimentos, podendo ser posteriormente ingeridos pelos animais e pelo homem. Cada proglote grávido produz cerca de 60.000 ovos. Bovinos e suínos quando ingerem ovos de T. saginata e T. solium , respectivamente, adquirirem a cisticercose, que é a presença dos cisticercos nos tecidos. Os ovos sofrem digestão pela bile e se rompem quando alcançam o intestino delgado, liberando o embrião hexacanto (oncosfera), que atravessa a parede intestinal e cai na corrente sanguínea, indo se localizar nos tecidos, principalmente nos músculos de maior movimentação, como os dos membros e os mastigadores e sublinguais, razão pela qual o comprador de gado levanta a língua do animal para certificar-se da presença ou ausência das larvas, ou canjiquinhas, como são conhecidas no meio rural.

Patogenia : A teníase pode ser totalmente assintomática, o que acontece com a maioria das pessoas parasitadas. O parasito consome grande quantidade de nutrientes do hospedeiro, que são absorvidos por meio de protuberâncias existentes ao longo do corpo, denominadas microtríqueas. Sintomas : Os sintomas que podem ocorrer são: indisposição abdominal, náuseas, vômitos, bulimia e desnutrição, especialmente quando há mais de um exemplar do parasito. Diagnóstico : O diagnóstico da teníase é feito pelo exame parasitológico de fezes para pesquisa de proglotes e ovos do parasito. Os ovos podem ser encontrados pelo método de HPJ, ou sedimentação por gravidade, porém, se os proglotes não forem rompidos nas fezes, o exame será negativo. Por isso, recomenda-se o método da tamização, que é o mais indicado para o diagnóstico da teníase e consiste na lavagem de todo o bolo fecal em peneira à procura de proglotes. Os ovos de T. saginata e T. solium são idênticos morfologicamente, não sendo possível estabelecer a espécie pelo exame microscópico das fezes, devendo o laudo referir o encontro de ovos de Taenia sp. É possível identificar a espécie através de técnicas de detecção de DNA do parasito, como a PCR. Ela, porém, tem custo elevado e requer equipamento especializado, não sendo utilizada rotineiramente nos laboratórios públicos. O exame morfológico do escólex e dos proglotes grávidos, após tratamento, coloração e exame microscópico, permite a diferenciação entre as espécies. Cisticercose Humana : A cisticercose humana, assim como as demais parasitoses de transmissão fecal-oral, é típica de países pobres com deficiência no saneamento. O complexo teníase-cisticercose ocorre em todos os países onde o saneamento é precário e a população consome carne de porco ou de boi crua ou malcozida. A prevalência da cisticercose, antes quase ausente nos países desenvolvidos, vem aumentando devido às migrações, cada vez mais frequentes, de pessoas procedentes de áreas endêmicas que chegam parasitadas, especialmente quando têm como atividade o preparo de alimentos em restaurantes ou lanchonetes e maus hábitos de higiene, servindo como fontes de infecção.

Quando se localizam nos ventrículos, impedindo a circulação do LCR (líquido cefalorraquidiano), pode haver hipertensão intracraniana e morte do paciente. A localização no globo ocular pode ocasionar desde o embaçamento da visão até cegueira parcial ou total. A larva permanece viva nos tecidos por cerca de quatro meses, sem provocar manifestações clínicas. Quando morre, inicia o processo de destruição e degeneração do cisticerco, expondo antígenos parasitários e o líquido vesicular, estimulando resposta imune que, dependendo da intensidade, poderá ocasionar dor forte de cabeça, convulsão, epilepsia, coma e até a morte. Diagnóstico : O diagnóstico da cisticercose é feito por exames de imagem, como a TC (Tomografia Computadorizada), que revela com nitidez os cistos já calcificados, e a RMN, (Ressonância Magnética Nuclear) que é mais eficiente para revelar os cisticercos vivos. A RMN pode inclusive evidenciar o escólex invaginado, o que permite um diagnóstico conclusivo. Quando isso não ocorre, os exames laboratoriais irão complementar os de imagem, como a pesquisa de anticorpos ou de antígenos parasitários no soro ou LCR do paciente, por meio do ELISA. Dependendo do antígeno utilizado no ELISA, se possui componentes antigênicos pouco específicos (antígeno bruto, por exemplo), o exame pode resultar em falso positivo devido ao compartilhamento de antígenos de diferentes parasitos cestodas que podem ser encontrados no homem, como, por exemplo, o Echinococcus granulosus , que estudaremos a seguir. Por isso, estudos constantes são feitos para o aprimoramento das técnicas de diagnóstico. Outra técnica utilizada para pesquisa de anticorpos ou antígenos parasitários é o Immunoblot (Enzymelinked immunoelectrotransfer blot) que, por ser mais específica que o ELISA, pode ser empregada para a confirmação dos exames positivos após triagem feita pelo ELISA, de menor custo. Tratamento da teníase e cisticercose : Na teníase é importante identificar previamente a espécie para melhor orientar tanto o tratamento quanto a prevenção da cisticercose, pois a pessoa com T. solium pode adquirir a cisticercose por mecanismo de autoinfecção, como já discutido anteriormente. Outro motivo para a escolha de terapêutica bem orientada é que há drogas que atuam contra o verme adulto e também

contra as formas larvárias, os cisticercos. No caso de um paciente possuir as duas formas, os cisticercos poderão desencadear reação de hipersensibilidade, tornando o quadro clínico grave. O tratamento da teníase é bem-sucedido com várias drogas disponíveis, como niclosamida, praziquantel e mebendazol, esse último com a vantagem de não atuar contra o cisticerco. O controle de cura é feito pelo exame parasitológico de fezes, durante ao menos três meses, e só é assegurado pelo encontro do escólex. O tratamento da neurocisticercose emprega drogas antiepilépticas e corticoides, além da específica que atua contra o cisticerco. Profilaxia : Considera-se que no Brasil o ser humano seja o único hospedeiro das tênias, fato que o torna foco de atenção para as medidas profiláticas. O tratamento dos parasitados previne a contaminação do meio ambiente. Outras medidas igualmente importantes são: ingerir somente carnes bem cozidas de boi e porco; inspeção eficiente nos criadouros para evitar contato dos suínos com esgoto sanitário; e controle nos matadouros para descarte das carnes contaminadas. A principal medida para a prevenção da cisticercose humana é lavar bem as verduras e frutas ingeridas cruas e beber somente água tratada, filtrada ou fervida. Na verdade, a teníase e a cisticercose são interdependentes, e, por isso, todas as medidas devem ser adotadas conjuntamente, além da educação sanitária e obras de saneamento.

4. Parasitoses determinadas por Nemathelminthes 4.1 Ascaridíase No mundo todo a ascaridíase é a mais frequente das helmintoses: atinge 30% da população mundial e de 70 a 90% das crianças entre um e dez anos. A sua prevalência tem relação com clima quente e condições precárias de saneamento. Cada fêmea produz diariamente cerca de 200.000 ovos causando grande contaminação do meio ambiente, especialmente o peridomiciliar. Os ovos de Ascaris são bastante resistentes no meio exterior quando a temperatura e a umidade são elevadas, mantendo-se viáveis por vários meses. Agente etiológico : Família : Ascarididae

estádio (L2) e depois 3º estádio (L3) quando então o ovo se torna infectante. Devido à passagem de larvas pelos pulmões, o ciclo do A. lumbricoides é conhecido como ciclo pulmonar, ou ciclo de Looss, em homenagem ao seu descobridor. Patogenia : Na patogenia da ascaridíase temos a fase pulmonar, quando as larvas passam pelos pulmões podendo causar febre baixa, falta de ar e tosse; e a fase intestinal, quando os vermes adultos poderão causar: ação espoliadora, consumindo nutrientes, como proteínas, carboidratos, lipídios e vitaminas A e C, podendo causar desnutrição, com prejuízo do desenvolvimento físico e mental de crianças. Poderão ocorrer: cólicas abdominais, mal-estar, diarreia ou, ainda, prisão de ventre; ação tóxica, devido às reações entre antígenos do parasito e anticorpos do hospedeiro, podendo ocasionar urticária e até convulsão; localizações ectópicas, que são o deslocamento dos vermes do seu habitat para outros órgãos, como vesícula biliar, canal colédoco, pâncreas, ou eliminação pela boca, narinas ou ânus. Isso ocorre quando a carga parasitária é grande ou por alguma irritação dos parasitos. Poderá ainda haver o seu enovelamento no intestino impedindo o trânsito alimentar. Não havendo resolução por meio de tratamento, pode ser necessária a cirurgia para retirada dos vermes, o que pode constituir causa de óbito quando há complicação. Diagnóstico : O diagnóstico da ascaridíase é feito pelo exame parasitológico de fezes para pesquisa de ovos do parasito à microscopia comum. O método utilizado é o HPJ, ou sedimentação por gravidade. Tratamento : A ascaridíase pode ser tratada com mebendazol, albendazol e tetramisol. É importante associar uma dieta rica, para reposição de nutrientes como proteínas e vitaminas, especialmente A e C. No caso de obstrução intestinal pelos vermes enovelados, é necessário inserir no paciente em jejum medicação e óleo mineral através de sonda nasogástrica. Em caso de insucesso, é necessário o tratamento cirúrgico para a remoção do bolo de vermes. Profilaxia : As medidas profiláticas são: educação em saúde, construção de redes de esgoto com tratamento e/ou fossas sépticas, higiene adequada de frutas e verduras ingeridas cruas; hábitos de higiene e proteção dos alimentos contra poeira e

insetos. O tratamento dos parasitados também é medida preventiva, uma vez que o homem é praticamente a única fonte de infecção. 4.2 Tricuríase A tricuríase, assim como a ascaridíase, ocorre no mundo todo e é mais prevalente entre as crianças. É comum a concomitância das duas parasitoses em um mesmo indivíduo devido à igualdade de condições necessárias para a transmissão e o desenvolvimento dos seus agentes. Agente etiológico : Família: Trichuridae Espécie: Trichuris trichiura Morfologia : Os vermes adultos possuem o corpo em forma de chicote, sendo a região anterior correspondente à parte mais afilada, e a posterior, a mais grossa. Apresentam dimorfismo sexual. A fêmea tem cauda afilada e cerca de quatro centímetros de comprimento, enquanto o macho tem a cauda encurvada ventralmente e cerca de três centímetros de comprimento. Os ovos medem cerca de 50μm por 20μm e possuem duas membranas que envolvem as células germinativas. O formato é típico de um barril com duas rolhas nas extremidades, formadas por massa mucoide Habitat : O T. trichiura vive no intestino grosso, principalmente na região cecal, com a cabeça mergulhada na mucosa. Transmissão : A transmissão da tricuríase ocorre pela ingestão de ovos larvados do parasito através da água ou alimentos contaminados. Ciclo biológico : O ciclo do T. trichiura é direto, ou seja, sem passagem pulmonar, e monoxênico. O ovo larvado, quando ingerido, libera no intestino delgado a larva que migra para o ceco, onde sofre mudas e transforma-se em verme adulto. Machos e fêmeas copulam, e ovos são liberados nas fezes cerca de um mês após a infecção. O T. trichiura é parasito encontrado no homem e em macacos. Patogenia : O T. trichiura mergulha a cabeça na mucosa do ceco e secreta substância lítica produzida pelas glândulas esofagianas, causando úlceras e sangramento. Quando a carga parasitária é grande, os vermes podem atingir o reto e, nesse caso, observa-se edema e sangramento da mucosa local. Ocorre tenesmo e,

Habitat : O habitat do E. vermicularis é o ceco e apêndice cecal. As fêmeas grávidas, após a maturação dos ovos, com larvas de 2º estádio, migram para a região perianal. Transmissão : A transmissão da enterobiose ocorre pela ingestão de água ou alimentos contaminados com ovos larvados do parasito, pela inalação de ovos presentes na poeira e também pelos mecanismos de autoinfecção interna e autoinfecção externa, que serão explicados a seguir, no ciclo biológico. Ciclo biológico: O ciclo do parasito é monoxênico, envolvendo um único hospedeiro, o homem. Os ovos ingeridos atravessam o trato digestório, indo se localizar no intestino delgado, onde liberam as larvas que migram até o ceco e se desenvolvem até adultos. Após a cópula, os machos são eliminados; as fêmeas, grávidas, enchem-se de ovos e migram para a região perianal, especialmente à noite devido ao calor das cobertas. Aí as fêmeas se rompem liberando ovos que se tornam infectivos em poucas horas. A possibilidade de eclosão dos ovos e liberação de larvas infectivas ainda no reto pode ocasionar a autoinfecção interna, com migração das larvas até o ceco, onde se transformam em adultos. Quando a criança coça a região anal e em seguida leva a mão à boca, pode ocasionar a autoinfecção externa, com ingestão dos próprios ovos eliminados. Patogenia : Em geral, o parasitismo pelo E. vermicularis é assintomático. Se houver grande número de parasitas, pode haver desconforto abdominal e dor na região do ceco. O sinal mais característico da parasitose é o prurido anal devido à migração das fêmeas na região, impedindo o sono da criança e causando irritação e nervosismo. O ato de coçar com as unhas pode ocasionar lesão da mucosa anal e possibilidade de contaminação secundária por bactérias. A migração das fêmeas pode levar à sua penetração na vulva das meninas, resultando em vaginite. Diagnóstico : O diagnóstico da enterobiose é feito pela pesquisa de ovos do parasito e/ou das fêmeas na região perianal, por meio do método de Graham (ou método da fita adesiva, ou da fita gomada), como é conhecido. Consiste em colocar um pedaço de fita adesiva colada a um tubo com a parte colante para fora e apor algumas

vezes a fita na região anal. Em seguida, a fita é aderida a uma lâmina de vidro e examinada na microscopia comum, à procura de fêmeas e/ou ovos característicos. Tratamento : O tratamento da enterobiose é muito fácil devido à sensibilidade do parasito às drogas como albendazol e revectina. Entretanto, concomitantemente ao tratamento, são necessárias medidas profiláticas devido ao caráter perpétuo dessa parasitose. Profilaxia : As várias possibilidades de transmissão da enterobiose ocasionam frequentemente a perpetuação e cronicidade do parasitismo e tornam difícil a sua profilaxia. As medidas que devem ser tomadas incluem o tratamento de todos os parasitados; não sacudir as roupas de cama, mas sim dobrá-las cuidadosamente e fervê-las; utilizar aspirador de pó ou pano molhado ao invés de vassoura para evitar a flutuação dos ovos, que são muito leves; manter cortadas as unhas das crianças de forma rente; proteger os alimentos de poeira e insetos; educar as crianças para lavar as mãos antes de ingerir alimentos. 4.4 Ancilostomose e necatorose, ou amarelão A ancilostomose e a necatorose são conhecidas popularmente como amarelão por ocasionarem anemia intensa e crônica no hospedeiro. Também são denominadas de ancilostomatidoses, em referência à família Ancylostomatidae, devido à não possibilidade de diferenciação das espécies pela morfologia dos ovos no exame parasitológico das fezes. Ocorrem nas áreas onde há condições geoclimáticas favoráveis e precariedade de saneamento, fazendo com que as fezes humanas sejam despejadas na natureza ou direcionadas para as redes fluviais, contaminando o solo, as hortas e a água de abastecimento das cidades. A prevalência é maior nas regiões costeiras devido ao solo argiloarenoso e temperatura e umidade elevadas. A espécie A. ceylanicum , encontrada recentemente no homem, tem como hospedeiros mais apropriados os cães e gatos. Há outras espécies de Ancylostoma que parasitam o cão e o gato, cujas larvas podem penetrar no homem. Agentes etiológicos : Família: Ancylostomatidae (Alguns autores referem-se à família como Ancylostomidae )