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Tratado da documentação, Traduções de Biblioteconomia

Sumário Traduzindo Otlet Antonio Agenor Briquet de Lemos v Organização do conhecimento e um novo sistema político mundial: ascensão e queda e ascensão das ideias de Paul Otlet W. Boyd Rayward xi Paul Otlet no Brasil: da bibliografia à documentação, uma história sendo contada Carlos Henrique Juvêncio xxix Tratado de documentação Paul Otlet 1

Tipologia: Traduções

2019

Compartilhado em 13/08/2019

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4.5

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TRATADO

DE

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PAUL OTLET

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TRATADO

DE

DOCUMENTAÇÃO

O LIVRO SOBRE O LIVRO

TEORIA E PRÁTICA

PAUL OTLET

Os livros e os documentos. – A leitura, a consulta e a documentação. – Redação, multiplicação, descrição, ordenação, conservação, utilização dos documentos.

  • Indústria editorial e comércio livreiro; bibliografia, biblioteca, enciclopédia, arquivos, museografia documentária, documentação administrativa. – Órgãos, organização, cooperação. – Repartição e Instituto Internacional de Bibliografia e Documentação. – Rede Universal de Informação e Documentação.

[002 (02)]

Organização: Antonio Agenor Briquet de Lemos

Tradução de:

Taiguara Villela Aldabalde, Letícia Alves, Virginia Arana, Silvana Arduini, Cristian Brayner, Marcilio de Brito, Magno Evangelista, Maria Yêda de Filgueiras Gomes, Guillaume Achiles Clair Marie Isnard Filho, Nair Kobashi, Ana Regina Luz Lacerda, Antonio Agenor Briquet de Lemos, Ercilia Mendonça, José Antonio Pereira do Nascimento, Martha Suzana Cabral Nunes, Regina Obata, Edmir Perrotti, Ivete Pieruccini, Alice Araújo Marques de Sá, Camila Silva, Max Evangelista da Silva, Johanna Wilhelmina Smit, Rosemeri Bernieri de Souza, Maria Carolina de Deus Vieira

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Sumário

Traduzindo Otlet Antonio Agenor Briquet de Lemos v

Organização do conhecimento e um novo sistema político mundial: ascensão e queda e ascensão das ideias de Paul Otlet W. Boyd Rayward xi

Paul Otlet no Brasil: da bibliografia à documentação, uma história sendo contada Carlos Henrique Juvêncio xxix

Tratado de documentação Paul Otlet 1

4 Pfild Oadba

vi Pfild Oadba

Editado em 1934, é de se supor que, pelo menos no início da década seguinte, estivesse disponível nas livrarias do Rio e São Paulo. Essa supo- sição baseia-se na referência feita a ele na introdução que o poeta e críti- co gaúcho Augusto Meyer, então diretor do Instituto Nacional do Livro, escreveu para a Bibliografia das bibliografias brasileiras , de Antônio Simões dos Reis, editada em 1942. A impressão deste livro foi demorada e acidentada. Com os recursos gráficos disponíveis, ainda mais na Bélgica, é inacreditável que tenham sido necessários quase dois anos para compor e imprimir uma obra de cerca de 450 páginas e sem grande complexidade gráfica. Segundo infor- mação no rodapé da segunda capa, os originais entraram em gráfica em outubro de 1932. A edição informa duas datas para o termino da impres- são: no verso da página de rosto, abril e, no verso da capa, agosto de 1934, mês do fechamento do Palais Mondial, conforme indica o posfácio. Em nota no final do capítulo 2, Otlet informa que o trabalho de impressão foi interrompido em 1934, devido ao fechamento do Palais Mondial, quando a composição havia chegado à página 328. É razoável presumir, portanto, que esta seja uma obra inconclusa. O livro se ressente dos problemas criados pela própria forma como trabalhava o autor e sua confessadamente péssima caligrafia, cuja com- preensão exigia esforço que o fazia sentir pena de quem tivesse de ler seus manuscritos. Em junho de 2018, escrevi para Stéphanie Manfroid, responsável pelos arquivos do Mundaneum, informando sobre erros tipográficos encontra- dos no texto. Ora eram coisas banais, outras vezes eram nomes próprios quase irreconhecíveis, letras trocadas; alguns eram facilmente identificá- veis outros, não. Eis a resposta de Stéphanie Manfroid:

As provas corrigidas do Traité de documentation não foram encontradas entre os papéis pessoais de Paul Otlet. Encontrei, entretanto, alguns capítulos e diversas provas. Gostaria muito, se fosse possível, encontrá-las e colocá-las à disposição dos pesquisadores. Consegui identificar algumas principalmente graças à numeração sistemática adotada por Otlet. No começo, ele utilizou publicações ou comunicações feitas para profis- sionais da documentação ou do livro. Lembrando que ele dirigiu o Instituto In- ternacional de Bibliografia durante algumas décadas e depois interessou-se pelo ambiente do livro com o museu do livro. Enfim, as revistas e jornais também o interessaram por intermédio da Union de la Presse Périodique Belge. Assim, por volta de 1910, Paul Otlet possuía a estatura de um especialista em várias áreas, inclusive da pesquisa científica. Quando suas instituições se desenvolvem, depois de 1910, sendo reunidas, após a Grande Guerra, no Palais Mondial / Mundaneum, ele se encontra à frente de um centro intelectual internacional onde a CDU é o instrumento metodológico de ordenação e pesquisa. Outra informação muito útil: sua letra é ruim. Ele é vítima da impaciência de seu pensamento e de sua vivacidade. A leitura de sua escrita é bem difícil (en- vio-lhe uma amostra). Como consequência direta disso, tratamos de organizar a transcrição de seus escritos, inclusive os memorandos e as normas administra- tivas. Contamos com uma equipe que se declara impotente diante de sua letra, uma equipe que tem a incumbência de transcrever seus memorandos. Estes são então numerados e colocados no documento, como anexo, com o título de notas numeradas. Depois de inúmeras leituras, passei a conhecer melhor sua letra. No entanto, decifrá-la nem sempre permite que se apreenda e compreenda o conteúdo. Às vezes, a transcrição está errada. A organização das anotações de Paul Otlet é rigorosa quanto à numeração e contínua.

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Além disso, nos anos trinta, quando ele precisava de ajuda para enviar corres- pondência, recorria à esposa. Reitero minha mensagem de estímulo ao trabalho em curso. De meu lado a experiência acumulada durante quase 16 anos a serviço dos arquivos de Paul Otlet me permite ter uma ideia sobre a maneira como ele trabalhava e também sugerir pistas para reflexões sobre a conservação do arquivo e sobretudo o trabalho desse teórico da documentação (se nos ativermos somente a esse campo!). Se o senhor puder me passar detalhes sobre sua iniciativa, terei muito prazer em divulgá-la em nosso site na internet, caso seja de seu agrado. Aqui, cuido de velar pelo acesso adequado aos trabalhos concluídos e pelas pesquisas que o arquivo possibilita. Cordialmente Manfroid Stéphanie , Responsable des Archives

Para ajudá-lo na edição, Otlet contratou uma amiga da família, a jovem holandesa, de 20 anos, Milisa Coops (Wilhelmina Emilia Suzanna Coops) (1912–2006), que fora para a Bélgica para melhorar seu francês. No depoi- mento que prestou a Françoise Levie, diretora do documentário The man who wanted to classify the world , sobre Otlet, ela diz:

A obra [ Traité de Documentation ] estava pronta, mas precisava ser revista. O pro- fessor Otlet tinha uma letra muito pouco legível, e não era fácil para o editor de- cifrar o manuscrito. Eu corrigia as provas. Às vezes havia uma palavra que nem o tipógrafo nem eu podíamos entender e era preciso então pedir ajuda ao professor Otlet, que, na maioria das vezes, não tinha tempo! Eu fazia todo o possível para tornar o texto mais compreensível! Usava óculos especiais. Trabalhava na casa dele, na rua Fétis, e, durante seis meses sentamo-nos à mesma mesa.^1

O trabalho de Milisa, pelo que se vê nas amostras acima da letra de Otlet, não foi fácil. Mas, bem ou mal o livro aconteceu. A edição espanhola incluiu ‘notas críticas de la traductora’ que fala dos obstáculos sintáticos e linguísticos que enfrentou, chegando a atribuir alguns desses obstáculos a uma influência ‘valona’, isto é, do francês fa- lado na Bélgica. Acredito que outros motivos pesaram mais nas deficiên- cias editoriais do tratado. Levem-se em conta, além das idiossincrasias

(^1) Levie, Françoise. Filmer Paul Otlet. Cahiers de la documentation – Bladen voor documenta- tie – 2012/2, p. 74-78. Disponível em: https://www.abd-bvd.be/wp-content/uploads/2012-2_ Levie.pdf

Figura 1. À esquerda: página do diário íntimo de Paul Otlet, de 1883, quando ele tinha 15 anos. À direita, cópia de um bilhete quando ele tinha 61 aos, três anos antes de os originais do Traité serem entregues à gráfica para composição e impressão. (Com agradecimentos a Stéphanie Manfroid, do Mundaneum.)

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Com as facilidades oferecidas pela internet e a existência em formato digital de obras citadas por Otlet, foi possível corrigir muitas das defi- ciências que ocorreram entre o registro em forma manuscrita e sua con- versão para a composição em linotipo e a impressão. Quando possível, verificamos as citações e as referências bibliográficas. Muitos dos autores citados tiveram seus nomes verificados e, quando possível, corrigidos. Quando relevante, indica-se a correção feita. As notas marginais regis- tram as intervenções de responsabilidade desta tradução e são identifica- das pelas iniciais n.e.b. (nota da edição brasileira). Quando não foi pos- sível elucidar uma dúvida no original, fez-se a tradução literal seguida da ressalva sic no próprio texto. Repetições e interrupções do texto original são indicadas por meio de notas marginais. Os nomes de instituições nacionais estrangeiras foram grafados na respectiva língua. Eventualmente, diante da dificuldade de conhecer com precisão os nomes autorizados na língua do país, optou-se por não usar iniciais maiúsculas, sem prejuízo da compreensão da informação respec- tiva. Nomes russos e de outras origens que em textos de língua francesa soem ser escritos de modo ortograficamente afrancesado (ex., Roubaki- ne) foram grafados conforme os preceitos gerais de transliteração (ex., Rubakin). Não se atualizaram os topônimos (ex., Pérsia, não Irã). Foram omitidos os pontos interliterais nas siglas (ex., URSS e não U.R.S.S.). Como aconteceu com os outros clássicos que editamos, esta tradução exigia material adicional que explicasse, em grandes linhas, a importân- cia de Otlet, antes e agora. A escolha de um artigo de W. Boyd Reward, o estudioso que, de certa forma, promoveu o renascimento de Paul Otlet, explica-se por si só. Mas era preciso falar de Otlet no Brasil e seria bom que fosse alguém que, como Boyd Reward, tivesse vasculhado as fontes primárias, nossas fontes primárias. E ninguém melhor do que Carlos Henrique Juvêncio, que tanto pesquisou sobre as relações do Instituto Internacional de Bi- bliografia com a Biblioteca Nacional, para nos fazer pensar naqueles tem- pos em que começávamos a perceber que a troca de informações pode ajudar a romper fronteiras e aproximar os povos. Esta é uma tradução aberta e em progresso. Comentários quanto a alternativas mais adequadas do que as que foram registradas pelos tra- dutores serão bem-vindos. Também pretendemos ampliar a verificação dos nomes de autores e das citações junto com a elaboração do índice onomástico. Isso será incluído em versões futuras. Esta é a versão 1.0. A Stéphanie Manfroid, W. Boyd Rayward e Carlos Henrique Juvêncio os agradecimentos de toda a equipe responsável por esta tradução. Além dos tradutores mencionados na página de rosto, este trabalho contou com a ajuda de Tarcisio Zandonade na tradução de textos latinos. Maria Lucia Vilar de Lemos foi a interlocutora sempre presente com crí- ticas e sugestões. A primeira reimpressão fac-similar do Traité foi feita em 1989 pelo Centre de Lecture Publique de la Communauté Française, de Liège. Em 2015, com o título alterado para Le livre sur le livre: traité de documenta- tion , saiu nova edição fac-similar, feita pela editora belga Les Impressions Nouvellles, enriquecida com prefácios de Sylvie Fayet-Scribe, Benoît Pee- ters, Alex Wright. Digitalizações disponíveis na internet: https://lib.ugent.be/fulltxt/handle/1854/5612/Traite_de_documenta-

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tion_ocr.pdf https://fr.wikisource.org/wiki/Trait%C3%A9_de_documentation/La_ Bibliologie_ou_Documentologie https://fr.wikisource.org/wiki/Livre:Otlet_-_Trait%C3%A9_de_docu- mentation,_1934.djvu https://archive.org/details/OtletTraitDocumentationUgent

É importante citar o projeto HyperOtlet, interinstitucional e interdis- ciplinar, do Centre Maurice Halbwachs (CNRS), de Paris, em colaboração com a École Nationale Supérieure des Sciences de l’Information et des Bibliothèques (ENSSIB), de Lyon, o laboratório MICA (Médiations, In- formations, Communication, Arts) da Université Bordeaux-Montaigne, o Mundaneum, de Mons, Bélgica, e a Maison des Sciences de l’Homme (MSH-Paris Nord), que tem o objetivo de situar o Traité em sua comple- xidade contextual e pôr à disposição dos especialistas uma edição crítica, apoiada na proposta de ‘hiperdocumento’. Não apenas um texto melhora- do, mas um texto decomposto em documentos, passíveis de proporcionar novos enriquecimentos, organizações e modelagens. Teve início em 2017 com término previsto para 2020. Ver em: http://www.enssib.fr/projet-de- -recherche-anr-hyperotlet

Conferir as antecipações de Otlet é enriquecedor e divertido. Veja-se, por exemplo, como soam atuais os conceitos de ‘hiperdocumentação’ e ‘hiperinteligência’ que estão na seção 53 deste tratado. Aliás, uma reco- mendação: comecem a ler o livro pelo fim, a partir da seção 52 (‘O pro- blema da documentação’). Terão a sensação de estar dialogando com um nosso contemporâneo. E mais contemporâneo do que muitos que andam por aí...

Brasília, agosto de 2018

Ano do Sesquicentenário de Paul Otlet

xii Pfild Oadba

seu país e no exterior antes da Primeira Guerra Mundial. No entanto, passada a guerra, começou um rápido processo de perda de prestígio. Ele, que alcançara influência nacional e internacional, pelo menos em um cír- culo relativamente especializado, passou a ser visto como alguém difícil e pouco cooperativo, à medida que envelhecia. Suas ideias e os extraor- dinários esquemas institucionais por meio dos quais elas vieram a se ex- pressar — o Palais Mondial ou Mundaneum —, pareciam grandiloquen- tes, fora de foco e passadistas.^1 No início da década de 1930 foi travada, em surdina, uma luta dramática para despejar o Institut International de Bibliographie, que, finalmente, se transformara em Fédération Interna- tionale de Documentation, desse complexo institucional e do que era tido como mãos defuntas do passado — na realidade, as mãos envelheci- das do ainda bastante vivo Otlet. A partir de 1924, aproximadamente, com o primeiro despejo parcial, por um período relativamente curto, do Palais du Cinquantenaire, o outro principal componente, a Union des Associa- tions Internationales, entraria em estado agônico. Ela foi ressuscitada de- pois da Segunda Guerra Mundial quando ambos os fundadores — Otlet e seu colaborador e amigo da vida inteira, Henri La Fontaine — estavam mortos.^2 As dependências ocupadas pelo Palais Mondial no Palais du Cin- quantenaire foram fechadas por completo pelo governo, em 1934, porém, assim que a guerra se desencadeou, em 1939, as autoridades municipais de Bruxelas ofereceram a Otlet novas dependências no Parc Léopold. Ele denominou Mundaneum o local e o que sobrara das coleções e registros do Palais Mondial que ali ficariam até o início da década de 1970. Otlet morreu em 1944, com 76 anos, no momento em que Bruxelas estava sendo libertada. Deixou um legado de discípulos, Les Amis du Pa- lais Mondial, para perpetuar sua memória enquanto vivessem, uma vasta quantidade de publicações bastante repetitivas, 3 e os despojos dos arqui- vos das duas principais organizações que ele e La Fontaine, este, aos 89 anos, antecedera-o na morte por um ano, haviam criado e cuidado por mais de meio século — a União de Associações Internacionais e o que então era a Federação Internacional de Documentação. Talvez seja mais apropriado ver Otlet como uma figura de transição apanhada em meio às mudanças que transformaram o mundo inglês, de arrogante certeza cultural dos tempos vitorianos e eduardianos, e o resplandecente mundo da belle époque belga no mundo muito mais ator- mentado que emergiu da Primeira Guerra Mundial. Esse mundo novo é, evidentemente, nosso mundo moderno. Ao findar a década de 1930, po- de-se ver Otlet espiando esse mundo, com seu olhar míope, através de minúsculos óculos redondos. Um homem de idade, surpreendentemente alto, levemente encurvado, de ralos cabelos brancos e barba branca como neve, densa e bem aparada. À medida que as forças das mudanças econô- micas, sociais e políticas, ainda maiores do que aquelas que até então ele e seus contemporâneos haviam suportado, se abateram sobre ele, rumo à imensa convulsão da Segunda Guerra Mundial, é fácil imaginar que essas mudanças deixaram-no taciturno, social e intelectualmente deslocado, como se apagassem sua relevância.

(^1) Rayward, The universe ... Ch. XI L’Affaire du Palais Mondial. (^2) Rayward, The universe ... Ch. XIII Change, New directions, e ch. XLV Last decades. (^3) Ver a bibliografia em Paul Otlet: international organisation and dissemination of knowledge: selec- ted essays of Paul Otlet. Edited and translated by W. Boyd Rayward. Amsterdam: Elsevier, 1990, p. 221-248. Também disponível em https://archive.org/details/internationalorg00otle

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Sobre ideias Isso, porém, é muito simplista. O que Otlet nos legou foi, de fato, mui- to mais do que os caóticos despojos de suas várias organizações. Sepul- tadas na montanha de seus escritos e de toda a documentação que a ele sobreviveram encontram-se importantes ideias e relações intelectuais. A passagem do tempo permite-nos agora escavar e desenredar essas ideias e relações da expressão institucional que lhes foi dada durante sua vida. A ironia daqueles últimos anos tão deprimidos e depressivos da vida de Otlet está em que ele havia previsto muitas das mudanças que se abatiam sobre a sociedade e tinha alguma percepção da natureza do mundo novo que estava em gestação. Estava profundamente preocupado sobre como, com novas tecnologias e novas formas de organização, o conhecimento poderia ser mobilizado para administrar as mudanças sociais de modo mais eficaz do que antes. La Fontaine era senador do parlamento belga fazia quase 40 anos. Figura de destaque do movimento pacifista internacional, conquistou o prêmio Nobel da Paz de 1913. Ironicamente, o desencadeamento da guer- ra impediu que ele fizesse o tradicional discurso de aceitação pronun- ciado pelos laureados com esse prêmio. Sua colaboração com Otlet teve início no começo da década de 1890 e perdurou até sua morte em 1943. Otlet, contudo, ao contrário de La Fontaine, pouco trabalhava no terreno da política ou da ação social direta. Isso foi particularmente verdadeiro depois da guerra, embora ele também, como La Fontaine, tivesse partici- pado incansavelmente do movimento que levou à criação, após a Primei- ra Guerra Mundial, de uma Liga de Nações, aquela fantasia de esperança que garantiria paz universal e duradoura. 1 Com todo o autocontrole de um herdeiro das classes altas, embora, talvez, de natureza mais reservada e introvertida do que La Fontaine, Otlet esforçou-se por imaginar e dar feição institucional a novas formas de organização e disseminação do co- nhecimento. Desse modo, com um movimento que hoje nos parece saltar de uma varinha de condão organizacional, tanto ele quanto La Fontaine alimentavam a esperança de que chegaria o dia em que seria possível eri- gir uma nova ordem internacional estável e justa. Portanto, a história de Otlet não é simplesmente a narrativa do ciclo de vida da fundação de organizações que, durante meio século, cresce- ram, floresceram, decaíram e lutaram pela sobrevivência em meio a cir- cunstâncias políticas e econômicas em processo de mudança no diminu- to reino europeu da Bélgica, embora seja também tudo isso. Na realidade, a luta e seu inevitável desfecho alcançaram finalmente uma espécie de qualidade épica que foi até mesmo reconhecida nas reportagens sarcásti- cas da época à medida que a guerra chegava ao fim. 2 A história de Otlet é, em última análise, uma história de ideias, de uma crença que se sustenta, apaixonada e resolutamente, na importância da vida intelectual, na possi- bilidade de sua transformação por meio de novos tipos de instrumentos e máquinas para administrar e comunicar conhecimentos e na necessidade de concretizar finalmente uma sociedade mundial nova e pacífica. O documento. No coração, no cerne dessas ideias e crenças, encon- tra-se o conceito de Otlet sobre documento. Para ele, o conhecimento achava-se engastado em documentos que o objetificavam e lhe davam uma espécie de status público. Os documentos, entretanto, consistiam

(^1) Rayward, The universe ... Ch. IX The war and its aftermath. (^2) Ver, por exemplo, Rayward, The universe of information ... 1975 (nota 3 na p. xii), p. 245 e 266-267.

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conteúdo de alguma forma fosse reproduzível, numa rede documentária universal. Todas as associações e sociedades que reunissem pessoas, com base em interesses especializados, e por intermédio das quais conheci- mentos de todos os tipos, desde os triviais e práticos até os eruditos e científicos, estivessem representados teriam de se acomodar também nessa rede. A necessária interligação teria de ser centralizada, segundo Otlet, em um arranjo hierárquico que levasse, por intermédio da rede, de um nível local, passando por várias formas de organização nacional e internacional, até o núcleo de uma central mundial. Aí, em um grande palácio mundial, o Mundaneum, estaria localizado o centro nervoso para administrar a aquisição e disseminação dos conhecimentos em escala global. À sua volta seria desenvolvida uma cidade mundial representando simbolicamente uma nova organização política em que relações interna- cionais de todos os tipos poderiam ser ordenadas racionalmente em be- nefício da humanidade. O Mundaneum : Nas páginas finais de Monde , sua última obra impor- tante, é como se Otlet destilasse as décadas de evolução de seu pensa- mento até chegar ao que se tornou agora uma noção intrincadamente multifacetada do Mundaneum. Ele apresenta, em dez páginas, uma suma das crenças e ideias que se encontram atrás da obra de sua vida. O Mun- daneum, conta-nos ele, é uma ideia de universalismo. É uma instituição em que são reunidos “o museu para ver, o cinema para assistir, a bibliote- ca, enciclopédias e arquivos para ler, o catálogo para consultar, a palestra, o rádio e os discos para ouvir, e a conferência para debater (Ad mundum, vivendum et legendum, et audiendum et discutiendum)”. * O latim, com seus matizes clássicos e litúrgicos, talvez se preste para acentuar a impor- tância dessa litania de funções. O Mundaneum, porém, é mais do que isso. É um método que impli- ca, entre outras coisas, “pesquisa e previsão, unificação e padronização, ordenação e classificação, cooperação, planejamento e regulação, por fim, expressão, apresentação e reprodução”. É um edifício físico a ser realizado arquitetonicamente. É, afinal, uma rede. Idealmente, o Munda- neum existiria como um protótipo central com uma escala descendente de exemplos derivados: em nível nacional (o Mundaneum–França ou o Mundaneum–Itália) e níveis regionais e locais. Estaria representado em nível pessoal por um Studium–Mundaneum, um gabinete pessoal tecno- logicamente sofisticado no qual as pessoas poderiam utilizar novos mé- todos de documentação que antecipavam “possibilidades tecnicamente ilimitadas” de “repertórios analíticos e tabelas sintéticas que listassem e visualizassem fatos”. 1 O novo imperativo global do Mundaneum, l’idée mondiale et universel- le , que estimulará as tecnologias e sistemas documentários do Studium– Mundaneum de cada pessoa terá efeitos de amplo alcance. Otlet acredita que isso teria impacto na “própria vida, nas ocupações, no trabalho e nas relações pessoais, familiares e sociais (Otlet emprega a palavra ‘ aspira- tions ’).” Seria possível pensar nessa afirmação como um resumo das ques- tões acerca da natureza dinâmica da comunidade, de práticas baseadas no trabalho e relações sociais que depertaram tantos comentários e pesqui- sas em relação com a internet e com a World Wide Web. 2 Por intermédio

(^1) Otlet, Paul. Monde. Bruxelles: Editiones Mundaneum; Van Keerberghen & Fils, 1935, p. 124. (^2) Ver, por exemplo, para uma discussão recente deles: The Internet in everyday life , edited by Barry Wellman and Caroline Haythornthwaite. Oxford: Blackwell, 2002.

  • Para o mundo, ele tem de viver e ler e ouvir e discutir. [n.e.b.]

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do Réseau Universel e a teia de interações que ele propicia (Otlet não emprega este termo), a pessoa consegue transitar ao longo de seus vá- rios níveis a fim de participar da Cidade Mundial, a ‘Civitas Mundaneum’. Otlet de novo recorre ao latim e a seus ecos litúrgicos, e talvez possa- mos também ouvir ecos ainda mais remotos de Agostinho e Campanella: “A Cidade Mundial que as nações construirão juntas e em que o espírito da humanidade habitará — a Beata Pacis Civitas, a Venturosa Cidade da Paz.”^1 Existe uma reciprocidade fascinante e em contínuo desdobramento, através da longa vida de Otlet, entre abstração e realidade, entre o utó- pico e o banal, entre a imponência retórica e os fatos, entre um forte positivismo racionalista e uma apreensão quase mística do espiritual.^2 De um lado encontram-se suas ideias abstratas e utópicas, prescritiva e repetitivamente (muitas vezes cansativamente) expostas em uma massa monumental de escritos publicados e inéditos. Por outro lado essas ideias estão imperfeitamente exemplificadas em sistemas que empregam uma tecnologia primitiva embutida em organizações administradas de modo ineficiente. Contudo, a despeito de sua extrema inadequação, nesses ar- ranjos, tanto então quanto agora, cintila algo esplêndido e inspirador da visão que está por trás deles.

Por uma historiografia otletiana É fácil afirmar que Otlet e suas ideias foram rapidamente esquecidos após sua morte, dada a atual vitalidade do interesse interdisciplinar por ele e sua obra. Talvez ele tenha sido esquecido no passado, mas, na histó- ria das ideias e da ciência o transcurso de mais de cinquenta anos não pa- rece ser um período indevidamente longo antes que comecemos a perce- ber por completo uma figura tão complexa e multifacetada quanto Otlet, por assim dizer. Ele se coloca na confluência de tantas correntes de expe- riência histórica — de ideias, de guerras, de cultura literária e impressa, de estruturas institucionais da sociedade e de mudança social, da Bélgica e da Europa. Por tudo isso, em retrospecto, pode-se ver que pelo menos uma consciência residual dele nos vários mundos que habitou jamais de fato se dissipou. O que se segue não pretende ser um estudo completo do que foi escrito sobre Otlet ou dos enfoques com que ele e sua obra foram examinados. É, reconheço e lamento, quase totalmente eurocên- trico. A intenção é simplesmente sugerir uma continuidade de interesse e a crescente complexidade da discussão que assinala o longo período de cinquenta anos que nos traz ao presente. FID e UIA : A Federação Internacional de Documentação (FID), em Haia, que foi à falência em 2001, e a União de Associações Internacionais (UIA), ainda muito atuante em Bruxelas, sempre incluíram em seu tra- balho uma sombra da memória de seus fundadores. Ambas as organiza- ções foram cedo responsáveis por bibliografias relativas à sua história que se tornaram comprovadamente indispensáveis. 3 Um volume de ensaios comemorativos do 60º aniversário da UIA trata de uma ampla gama de assuntos. De particular interesse, neste contexto, é o levantamento feito

(^1) Ver de Otlet “Conception du Mundaneum” e “Les types du Mundaneum” in Monde ... (nota 1 na p. xv), p. 448-458. 2 Ver, por exemplo, a seção 7 de Monde , “L’inconnu. Le mystère. Le secret (X+Y)”, p. 393-400. (^3) FID Publications: an 80-year bibliography, 1895-1975. FID 532; The Hague: FID, 1975 e Georges Speeckaert, Bibliographie sélective sur l’organisation internationale, 1885-1965. FID Publication 361; UIA publication 191; Bruxelles, UIA, 1965.

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formaram uma plataforma para trabalhos teóricos posteriores que con- tribuíram para avanços na ciência da informação. Uma bibliografia de seus trabalhos foi publicada em International Classification.^1 Em 1968, um número da revista da Association Belge de Documentation foi dedicado como festschrift a Otlet por ocasião de seu centenário de nascimento.^2 Durante muitos anos, o cabeçalho do papel de carta usado pelo Ame- rican Documentation Institute (fundado em 1937) e hoje American So- ciety for Information Science,^3 levava impressa (sem dar crédito à auto- ria) uma definição de documentação de Otlet, a qual também aparecia no cabeçalho de sua revista, American Documentation (atualmente Journal of the American Society for Information Science ). No final dos anos de 1960 e 1970 o campo de estudo e prática profissional que era designado, em geral, pelo termo ‘documentação’, cunhado por Otlet, passou a ser rotu- lado cada vez mais como ‘ciência da informação’. Mas, para mim e outros que estudam as mudanças representadas pela evolução terminológica, as ideias de Otlet sobre tecnologia, informação e comunicação eram muito mais relevantes e estimulantes do que hoje. Mostrei que o Traité de do- cumentation , de Otlet, era de fato um dos primeiros grandes tratados de ciência da informação. 4 Outros trabalhos das décadas de 1950 e 1960 : Nos decênios poste- riores à Segunda Guerra Mundial, relatos sobre o movimento pacifista, a Liga das Nações e sobre organização internacional fazem referência mais genérica à obra de Otlet e La Fontaine e à UIA. 5 Dele se encontram tam- bém menções de passagem em outros trabalhos, como os estudos iniciais dedicados ao amigo de longa data de Otlet, o sociólogo e urbanista esco- cês Patrick Geddes. 6 Na Bélgica longos verbetes sobre Otlet e também sobre La Fontaine foram elaborados para o dicionário biográfico nacional editado pela Académie Royale des Sciences, des Lettres et des Beaux Arts de Belgique, o que mostra um certo reconhecimento pelo menos para quem foi profeta em sua própria terra.^7 Meus estudos de doutorado, ba- seados em pesquisas feitas em 1967–1968 no Mundaneum, quando estava sediado no Parc Léopold, em Bruxelas, talvez tenham sido a primeira ten- tativa de fazer um relato abrangente sobre a vida e a obra de Otlet, embo- ra deixando explícito que a vida ali se subordinava ao trabalho.^8 Essa pes- (^1) Eric de Grolier: selected bibliography. International Classification , v. 18, n. 2, p. 71-72, 1991. (^2) Festschrift for Paul Otlet. Cahiers de la Documentation , v. 22, n. 4, p. 95-116, 1968. (^3) Farkas-Conn, Irene. From documentation to information science: the beginnings and early development of the American Documentation Institute–American Society for Information Science. New York: Greenwordd Press, 1990. 4 Rayward, W. Boyd. Library and information science: an historical perspective. Journal of Library History , v. 20, p. 120-136, 1985, e Visions of Xanadu: Paul Otlet (1868–1944) and hypertext. Journal of the American Society for Information Science , v. 45, p. 235, 1994. (^5) Por exemplo, F.P. Walters refere-se aos “dois elegantes belgas Henri La Fontaine e Paul Otlet” e faz um breve relato sobre a UIA no livro clássico A history of the League of Nations. London: Oxford University Press, 1969 (reimpressão), p. 190. (^6) Defries, Amelia. Interpreter Geddes, the man and his gospel. New York: Boni & Liveright, 1928; Board- man, Philip. Patrick Geddes, maker of the future , with an introduction by Lewis Mumford. Chapel Hill: University of North Carolina Press, 1944; revisto como The worlds of Patrick Geddes: biologist, town planner, re-educator, peace-warrior. London: Routledge and K. Paul, 1978; Kitchen, Paddy. A most un- settling person: the life and ideas of Patrick Geddes, founding father of city planning and environmentalism. New York: Saturday Review Press, 1975. (^7) Lorphèvre, Georges. Otlet, Paul. In Biographie nationale. Bruxelles: Académie Royale des Sciences, des Lettres et des Beaux Arts de Belgique, 1964, t. 32, col. 545-558; Abs, Robert. Fontaine (Henri-Marie la). In Biographie nationale. Bruxelles: Académie Royale des Sciences, des Lettres et des Beaux Arts de Belgique, 1973–1974, t. 38 (suppl. 10), col. 215- (^8) Rayward, W. Boyd. The universe of information: the work of Paul Otlet for documentation and interna- tional organization ... 1975 (ver nota 2 acima). (Trad. para o russo como Universum informatsii Zhizn’ i deiatl’ nost’ Polia Otle. Trad. de R.S. Giliarevsky. Moskva: VINITI, 1976, 402 p., e posteriormente para

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quisa e sua continuação sustentaram vários trabalhos durante cerca de vinte anos, alguns dos quais incidiram sobre aspectos da documentação.^1 A documentação nos anos de 1980 e 1990 : O interesse pelas contri- buições de Otlet à documentação e à história da ciência da informação tiveram continuidade nas décadas de 1980 e 1990. Na universidade de Amsterdã, Paul Schneiders defendeu tese de doutorado que trata essen- cialmente de Otlet.^2 Um importante acontecimento para os estudiosos de Otlet ocorreu na Bélgica, nos anos de 1980, quando André Canonne passou a defender a ideia de ressuscitar o Mundaneum como museu e arquivo que seria instalado em Liège. 3 Ele conseguiu com que o Traité de documentation de Otlet fosse reimpresso, em 1989, em reconhecimento a sua importância e raridade. 4 Em 1990, publiquei uma tradução para o inglês de uma seleção de trabalhos de Otlet, tanto sobre documentação quanto sobre organização internacional, abrangendo o período desde seu primeiro trabalho teórico sobre bibliografia de 1893 até sua comovente homenagem a Henri La Fontaine em 1934. A introdução a essa obra pro- curou destacar a natureza pioneira de suas ideias acerca da organização do conhecimento e o emprego de novas espécies de equipamentos, até então existentes só em teoria, com essa finalidade. A bibliografia constan- te desse trabalho talvez seja ainda a mais abrangente (embora incomple- ta) dos trabalhos de autoria de Otlet até então. 5 Em 2003 apareceu uma tradução russa, feita por Ruggero Giliarevskii, de alguns dos trabalhos de Otlet sobre bibliografia, bibliotecas e documentação.^6 Giliarevskii há muito tem se interessado por Otlet. Ele traduziu para o russo meu livro anterior sobre Otlet e também tem estudado as mudanças terminológi- cas que assinalaram novas abordagens do campo que Otlet chamou de ‘documentação’ e que atualmente é amiúde chamado de ‘informática’ na Europa.^7 Espanha : Nas últimas décadas registrou-se um histórico de grande interesse por Otlet e a documentação na Espanha. Entre as principais figuras ligadas a isso estão José López Yepes, Félix Sagredo e José María

o espanhol, ver nota 5 na p. xx). (^1) Entre outros estudos houve: UDC and FID: a historical perspective. Library Quarterly , v. 37(1967): 259-278; Paul Otlet, a centennial tribute. International Associations , v. 20, p. 55-58, 1968; The Interna- tional Institute for Bibliography and Pierre Nenkoff, a Bulgarian librarian: an attempt at international co-operation. Libri , v. 24, p. 209-228, 1974; IFLA-FID - Is it time for Federation? IFLA Journal 3, p. 278-280, 1977; Paul Otlet. In World encyclopedia of library and information services. 1st ed: Chicago: American Library Association, 1980, p. 418-420 (e edições subsequentes); The International Exposi- tion and the World Documentation Congress, Paris, 1937. Library Quarterly , v. 53, p. 254-268, Jul. 1983; The case of Paul Otlet, pioneer of information science, internationalist, visionary: reflection on bio- graphy. Journal of Librarianship and Information Science , v. 23, p. 135-145, Sept. 1991; Visions of Xanadu: Paul Otlet (1868-1944) and hypertext (ver nota 3 na p. xiv); e The origins of information science... (ver nota 3 na p. xiv). Este último artigo foi reimpresso na revista da FID International Forum for In- formation and Documentation , v. 22, p. 3-15, 1997, na edição russa deste periódico, in Historical studies in information science , edited by Trudi Bellardo Hahn and Michael Buckland. Medford, NJ: Information Today, for ASIS, 1998, e em Otle Pol’. Biblioteka, bibliogafiya, dokumentatsya ... 2003 (ver nota 6 abaixo). (^2) Schneiders, P. De bibliotheek- en documentatiebeweging 1880–1914: bibliographische ondernemingen rond 1900. Universiteit van Amsterdam, 1982. Tese de doutorado inédita. (^3) Cannone, André. Regards sur ‘Mundaneum’, Classification Décimale et C.L.P.C.F. [Centre de la Lec- ture Publique de la Communauté Française]. Lectures , 5, p. 2-20, mai-juin 1982, (^4) Otlet, Paul. Traité de documentation; le livre sur le livre: théorie et pratique (reimpressão da ed. de 1934). Liège: Centre de la Lecture Publique de la Communauté Française, 1989. (^5) Paul Otlet: International organization and dissemination of knowledge ... 1990 (ver nota 3 na p. xii). A bibliografia está disponível em http://alexia.lis.uiuc.edu/-wrayward/otlet/otbib.htm 6 Otle Pol’. Biblioteka, bibliografiya, dokumentatsya: izbrannye trudy pionera informatiki. [Trad. de Rugge- ro Giliarevski.] Moskva: Pashkov Dom, 2003. (^7) Para sua tradução ver a nota 8, na página anterior; também R.S. Gilyarevskii, Chto takoe informa- tika? [O que é informática?] Nauchno-Tekhnicheskaya Informatsiya ; Series 1, v. 11, p. 18-21, 1989.