Baixe TRAUMATOLOGIA FORENSE e outras Slides em PDF para Criminologia, somente na Docsity!
TRAUMATOLOGIA
FORENSE
Prof. Francesco Vianna Colacino
UERJ – 2025.2 – Aula V
• Introdução
• História da ML
- Peritos e Perícias
- Antropologia Forense
- Traumatologia Forense
- Balística Forense
- Sexologia Forense
SUMÁRIO
- Asfixiologia Forense
- Toxicologia Forense
- Psicologia e Psiquiatria
Forense
- Tanatologia Forense
- Invest. Crim. e Med. Leg.
147
148
- Introdução:
- Conceito: Ramo da medicina legal que estuda a ótica jurídica dos
traumas, das lesões e dos agentes vulnerantes transmissores de
energia. Também são objetos de estudo eventuais diagnósticos,
prognósticos e suas implicações legais.
- Traumatologia também é chamada de lesonologia.
- Agentes vulnerantes: São todos os instrumentos ou meios que
transmitem energias (essas energias possuem ordens - mecânica,
térmica, elétrica, química), as quais atuam no organismo produzindo
lesões.
- Energias vulnerantes: São energias de diversas ordens, produzidas
pelos agentes vulnerantes, de acordo com o mecanismo de ação
deles.
Classificação das energias vulnerantes:
- a) Energia de ordem Física:
- Mecânica: produzida por agentes mecânicos (instrumentos).
- Não mecânica: produzida por agentes térmicos, elétricos e barométricos.
- b) Energia de ordem química: substâncias cáusticas (ácidos ou
bases) e pelos venenos.
- c) Energia de ordem físico-química: asfixias.
- e) Energia de ordem bioquímica: perturbações alimentares, auto
intoxicações, infecções e castração química.
- f) Energia de ordem biodinâmica: produzida por choques, síndrome
da falência múltipla de órgãos e coagulação intravascular
disseminada.
- Hygino: apenas física, química e físico-química.
149
150
- b) Lesões de hesitação: localizadas em regiões vitais ou não vitais, normalmente no punho, na região precordial ou no pescoço. (estas lesões indicam uma espécie de preparação, “teste de dor”, antes de o indivíduo cometer suicídio)
- c) Lesões patognomônicas:
apresentam aspectos tão característicos que permitem identificar o agente
vulnerante que as causou (ex.: dentada profunda).
153
154
- Resumindo: os agentes vulnerantes
produzem energia, essa energia produz
um trauma, que por sua vez pode gerar
uma lesão.
- Existem duas formas de estudar a presente
matéria: a partir das lesões ou a partir das ações.
2. Aspectos Jurídicos das Lesões
- Introdução:
- Implicações médico-legais pertinentes ao crime de lesão corporal;
- Objeto jurídico: integridade física e mental;
- CP: Título I (dos crimes contra pessoa); Capítulo II (das lesões corporais);
- Regra: laudo de exame de corpo de delito de lesões corporais;
- Avaliar-se-á a quantidade e qualidade do dano, causa e localização;
- Espécies:
- Lesão Leve (art. 129, caput , CP):
- Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem: Pena - detenção, de três meses a um ano.
- Pequenos danos superficiais (comprometendo apenas a pele), com pouca repercussão orgânica, de recuperação rápida e sem sequelas;
155
156
- Lesões Produzidas por Ação Contundente
- Instrumentos simples (básicos/de ação simples):
- Instrumentos contundentes são aqueles que, através de pressão,
compressão, descompressão, percussão, flexão, distensão, torção,
arrastamento, deslizamento, sucção ou tração;
- Lesão: contusa;
- Ex.: martelo, soco, veículo, jato de ar, etc.).
3. Lesões Produzidas por Ação Contundente
3.1. Lesões Fechadas
- a) Rubefação:
- Trata-se de uma vasodilatação exclusivamente vital;
- Provocada por um impacto de baixa densidade;
- Causa o eritema: mancha avermelhada, efêmera e fugaz (apenas dilatação dos vasos sanguíneos); Desaparece entre 30min e 40min.
159
160
3. Lesões Produzidas por Ação Contundente
3.1. Lesões Fechadas
- b) Equimose:
- Extravasamento e dispersão de sangue nas malhas dos tecidos superficiais ou profundos. Trata-de se uma infiltração de sangue nas malhas dos tecidos (infiltração hemática – hemorrágica);
- Provocada por um impacto de maior densidade, que produz dilatação e rompimento de vasos de pequeno calibre, deixando no local do choque uma mancha sanguínea embaixo da pele, que muda de coloração ao longo do tempo.
- Índice de Verderau: resultado da divisão do número de glóbulos vermelhos pelos brancos, havendo reação inflamatória (sinal intra vitam). Nas equimoses post mortem (falsas) esse índice não se altera.
3. Lesões Produzidas por Ação Contundente
3.1. Lesões Fechadas
- Espectro equimótico de Legrand Du
Saulle:
- Variação cromática das equimoses ao passar do tempo, em virtude da progressiva reabsorção hemorrágica.
161
162
3. Lesões Produzidas por Ação Contundente
3.1. Lesões Fechadas
- Espécies de equimoses:
- b.iii) Sugilação:
- Equimose em forma de pequenos grãos, é um conjunto (aglomerado) de petéquias numa área de maior pressão;
- Podem surgir intra vitam (chupão) ou post mortem (no caso de um cadáver que ficou muito tempo suspenso);
- b.iv) Equimona:
- Equimose de grandes proporções;
- Hemorragia decorrente de sangramento mais intenso;
- Hygino: chama de Sufusão (equimose mais extensa, se comparada com petéquias ou sugilação).
3. Lesões Produzidas por Ação Contundente
3.1. Lesões Fechadas
- Espécies de equimoses:
- b.v) Manchas subpleurais de Paltauf:
- Equimoses de ordem físico-química;
- Surgem com o afogamento (mais extensas que as de Tardieu).
- b.vii) Equimoses perianais ou
vulvovaginais:
- Localizadas na região anal ou vaginal, em decorrência de violência exercida em atos sexuais não consetidos.
165
166
3. Lesões Produzidas por Ação Contundente
3.1. Lesões Fechadas
- Espécies de equimoses:
- b.viii) Equimose retrofaringeana de Brouardel:
- Porção posterior da faringe, na projeção do local onde ocorreu a lesão externa por compressão;
- Por trás da faringe está a coluna cervical, que serve como anteparo para a produção desta equimose;
- b.ix) Equimoses resultantes de enforcamentos:
- Tecidos moles subjacentes à pele do pescoço, na região pressionada pelo laço da corda.
- b.x) Equimoses a distância:
- Mancha roxa na pele causada pelo acúmulo de sangue sob a superfície, em que aparece em local diferente ao do trauma;
3. Lesões Produzidas por Ação Contundente
3.1. Lesões Fechadas
- c) Bossa:
- Aumento de volume nos tecidos por
coleção de líquido que infiltra
intensamente, decorre de distúrbio
circulatório localizado.
- Mais comuns em recém-nascidos,
apresenta-se sobre um plano ósseo,
sendo conhecida popularmente por
“galo”.
167
168
3. Lesões Produzidas por Ação Contundente
3.1. Lesões Fechadas
- f) Entorse:
- Estiramento da cápsula de
uma articulação, cura-se de 10
a 15 dias;
- Deslocamento temporário da
articulação, com ou sem
rotura de ligamentos
(estiramento da cápsula
articular).
3. Lesões Produzidas por Ação Contundente
3.1. Lesões Fechadas
- g) Luxação:
- Deslocamento permanente das superfícies articulares (Hygino);
- Deslocamento de dois ossos, com ausência de relação de contato comum entre suas superfícies de articulação (França);
- Mais grave que a entrose.
- h) Fratura:
- Solução de continuidade (ruptura) total ou parcial dos ossos, podendo ser ocasionada por mecanismos de compressão, flexão, torção, entre outros.
- h.1) Fratura direta: se verifica no próprio local do impacto.
- h.2) Fratura indireta: se verifica em local afastado da zona de impacto.
- h.3) Fratura completa: ocorre separação total de uma parte do osso ou a sua divisão em mais de um segmento.
- h.4) Fratura incompleta (galho verde): ocorre uma mera rachadura do osso (ruptura parcial).
171
172
3. Lesões Produzidas por Ação Contundente
3.2. Lesões Abertas
- a) Escoriação:
- Remoção da epiderme (escoriação típica), expondo a derme (se também a remover - escoriação atípica), por meio de ação tangencial;
- Em 24h seca, gerando uma crosta;
- Crosta serosa: típica, só linfa (apenas a epiderme);
- Crosa sero-hemática: linfa + sangue;
- Crosa hemática: ressecamento do sangue na derme reticular.
3. Lesões Produzidas por Ação Contundente
3.2. Lesões Abertas
- b) Ferida contusa:
- Lesões abertas, cuja ação contundente foi capaz de vencer a resistência e elasticidade dos tecidos moles;
- Consolidará por cicatrização: modificação que resulta da substituição do tecido local (que era funcional) por um tecido fibroso;
- Difere-se da escoriação pela profundidade (é maior que a escoriação);
- Bordas escoriadas e irregulares, de forma estrelada ou sinuosa;
173
174
177
178
3. Lesões Produzidas por Ação Contundente
3.2. Lesões Abertas
- f) Encravamento:
- Penetração de objeto consistente e afiado em qqr. parte do corpo.
- g) Empalamento: Encravamento pela penetr. de objet. consist. e afiado na
região anal ou região perineal.
3. Lesões Produzidas por Ação Contundente
- Características:
- a) Forma estrelada, sinuosa ou retilínea;
- b) Bordas irregulares, escoriadas e equimosadas;
- c) Fundo irregular;
- d) Vertentes irregulares;
- e) Presença de pontes de tecido íntegro ligando as vertentes;
- f) Retração das bordas da ferida;
- g) Integridade dos vasos, nervos e tendões no fundo da lesão.
179
180
4. Lesões Produzidas por Instrumentos Cortantes:
- Outras nomenclaturas das lesões
incisas:
- a) Esquartejamento: lesões que produzem a divisão do corpo em quatro partes regulares.
- b) Espostejamento: lesões que produzem a divisão do corpo em várias partes irregulares.
- c) Castração: lesão que produz a retirada do órgão sexual masculino.
4. Lesões Produzidas por Instrumentos Cortantes:
- Características das lesões
- a) Bordas afastadas, regulares, paralelas, lisas e sem escoriações;
- b) Centro da ferida incisa é mais profundo do que as extremidades pela ação em arco desenvolvida pelo braço do agressor;
- c) Regularidade do fundo da lesão;
- d) Sangramento abundante, pois os vasos são seccionados / cortados;
- ausência de traumatismos ao redor da ferida;
183
184
4. Lesões Produzidas por Instrumentos Cortantes:
- Características das lesões
- e) São mais extensas do que profundas (extensão > profundidade);
- f) As vertentes serão verticais se o instrumento agiu perpendicularmente e em forma de bisel se o instrumento agiu inclinadamente (oblíquo);
- g) Profundidade maior na porção correspondente ao terço inicial, e a partir daí superficializa se gradativamente até uma escoriação linear indicativa da saída do instrumento (Sinal de Romanese, cauda de escoriação ou cauda de rato), que é voltada para o lado que terminou a lesão. - Hygino: feridas provocadas por médicos em incisões cirúrgicas não apresentam cauda de escoriação. - Sinal de Lacassagne ou romanese: também é chamado assim o último ponto de contato do instrumento cortante com a pele da vítima.
4. Lesões Produzidas por Instrumentos Cortantes:
- Nas feridas incisas, quando existem duas lesões cruzadas, é possível determinar qual a primeira e qual a segunda. Na lesão secundária, vai haver um degrau chamado de sinal de Chavigny, com bordas desalinhadas, enquanto na lesão primária, as bordas se apresentam alinhadas.
- Lesões de defesa e de hesitação:
- Úteis para identificar a causa jurídica do evento;
- Lesões de defesa: situadas na região do antebraço e na palma ou na parte externa das mãos (utiliza seu corpo para defender-se de um agressor).
- Lesões de hesitação: geralmente são múltiplas e nem sempre profundas;
- Hesitação diante um cenário de suicídio.
185
186