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Treinamento funcional e neuromuscular
Tipologia: Esquemas
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Revista Interação Interdisciplinar v. 0 3 , nº. 0 2 , p. 131 - 143 , Jul - Dez., 2019
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Adriana Kochhann^1 Luan Galvão^2 Rafael Ribeiro Alves^3
Resumo: Atualmente, a falta de tempo é um dos fatores utilizados como justificativa para a não realização de exercícios físicos. Contudo, o treinamento supervisionado pode ser uma estratégia interessante, visto que é possível obter resultados positivos com baixo volume de treino, melhorando a qualidade de vida no contexto geral. Portanto, o objetivo do presente estudo foi evidenciar os benefícios do treinamento funcional nos aspectos motores e biopsicossociais. Foi realizada uma revisão narrativa com as seguintes palavras-chave: “treinamento funcional”, “exercício físico” e “qualidade de vida”. A pesquisa foi realizada nas seguintes bases de dados: Google Acadêmico, Periódicos Capes e Scielo. Os artigos foram selecionados de acordo com a relevância inerente a temática. As pesquisas sugerem que o treinamento funcional consiste na utilização de vários exercícios prescritos de forma sistematizada com a finalidade de melhorar valências da aptidão física relacionada a saúde como a coordenação motora, bem como outras variáveis como a qualidade de vida. Sendo assim, a utilização do treinamento funcional pode ser eficiente para indivíduos com limitações motoras devido a causas morfofuncionais, bem como procedimentos cirúrgicos. Além disso, a prática dessa modalidade pode melhorar a qualidade de vida em diferentes domínios. Palavras-chave: Treinamento funcional. Exercício físico. Qualidade de vida.
Introdução
A falta de tempo e a monotonia são as justificativas mais usadas para que as pessoas não pratiquem exercícios físicos. Mas com a supervisão do treinamento é possível obter benefícios
(^1) Graduada em Licenciatura em Educação Física pela Universidade Estadual de Goiás. Graduada em Bacharelado em Educação Física pela Faculdade União de Goyazes. Pós-Graduanda em Musculação, Biomecânica e Fisiologia do Exercício pela INSAUDE/UFG. 2 Graduado em Educação Física pela Universidade Estadual de Goiás (UEG - ESEFFEGO). Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás (UFG). Doutorando pela mesmo programa de Pós-Graduação. 3 Graduado em Educação física Licenciatura pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás; Graduado em Educação física bacharelado pela Faculdade União de Goyazes; Pós-graduado em docência do ensino superior; Pós-Gradução em Musculação, Biomecânica e Fisiologia do exercício; Mestre pelo programa stricto sensu em nutrição e Saúde pela Universidade Federal de Goiás.
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significativos com uma sessão de treino com menor duração, melhorando a qualidade de vida e a funcionalidade dos praticantes. Os exercícios com pesos desenvolvem importantes qualidades que podem melhorar as aptidões físicas constituindo uma das mais completas formas de preparação física. Sendo o treinamento funcional um tipo de treino bem amplo à escolha e necessidades de cada indivíduo, proporcionando melhora da autoestima pelo contato com outras pessoas envolvidas nas mesmas atividades, que buscam um estilo de vida saudável prevenindo e controlando doenças, controlando níveis de gordura corporal almejando mais qualidade de vida. O treinamento funcional promove adaptações fisiológicas tanto em idosos quanto em jovens retardando o processo de envelhecimento obtendo resultados e benéficos ao organismo através do treinamento cardiovascular, resistido e de flexibilidade. (CORDEIRO; LÁCIO, 2008). Para um treinamento eficiente e seguro é necessário uma prescrição coerente de exercícios, os quais possibilitam um estímulo de qualidade ao corpo humano para que seja capaz de atingir todos os objetivos esperados pelo treinamento incluindo todas as qualidades do sistema musculoesquelético e também motivação. O treinamento funcional consiste em harmonizar vários exercícios em sequência lógica para adquirir ou recuperar as valências físicas e manter a condição motora mais desenvolvida. (RIBEIRO; TRAVALON; RIBEIRO, 2017). Portanto, o objetivo do presente estudo foi investigar os benefícios do treinamento funcional nos aspectos motores e biopsicossociais. Nessa perspectiva, foi realizada uma revisão narrativa, utilizando com palavras-chave: “treinamento funcional”, “exercício físico” e “qualidade de vida” nas seguintes bases de dados: Google Acadêmico, Periódicos Capes e Scielo, afim de evidenciar os benefícios do treinamento funcional, tais como o fortalecimento muscular, correção de postura, relação tempo-eficiência e dinamismo em mulheres sobreviventes do câncer de mama.
A Importância do Treinamento Funcional
Treinamento funcional refere-se a todo programa de treino que deixa o indivíduo mais capaz fisiologicamente e mais funcional, ou seja, melhor preparado para desempenhar tarefas da vida diária promovendo um resgate da aptidão pessoal do indivíduo. A busca por uma melhor qualidade de vida e saúde é cada vez mais procurada pela população de forma geral. Sendo o treinamento funcional uma atividade que proporciona ao indivíduo uma série de possibilidades
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como qualidade de vida, saúde, aperfeiçoamento de alguma capacidade e até mesmo por estética, uma aparência física mais harmonizada e emagrecimento. Neste último objetivo sendo bem procurado pelas mulheres. (RIBEIRO ET AL, 2017). Quando corretamente aplicado, o treinamento funcional fornece uma variedade de estímulos e benefícios maior que outras modalidades por realizar movimentos complexos do cotidiano ou de gestos esportivos envolvendo ações dinâmicas que necessitam transferência de forças entre as extremidades superiores e inferiores do corpo. (FRANCISCO; VIEIRA; SANTOS, 2012).
Benefícios do Treinamento Funcional
O treinamento funcional tem o grande poder de resgatar a funcionalidade da capacidade humana de forma individualizada e específica independente do seu nível de condição física. Visto que, a funcionalidade esteve presente em todos os momentos da evolução humana. Usando exercícios que se relacionam com a atividade específica do indivíduo e que transferem seus ganhos de forma efetiva para o seu dia-a-dia para que se tenha uma independência funcional e resistência de movimentação. (COREZOLA, 2015). Temos que ter em mente que exercício funcional se refere a reprodução sistemática de movimentos que possuem alguma função para determinada modalidade esportiva ou tarefa diária do ser humano. Portanto, todo exercício deveria ser funcional. A capacidade funcional é a habilidade para realizar as atividades simples do cotidiano com eficiência, autonomia, independência e saúde. Sabendo o quanto se tem expandido as informações e estudos sobre os benefícios relacionados entre exercício físico e saúde, de uma forma geral, tem se diminuído o sedentarismo. Existindo uma relação positiva e mútua entre saúde e qualidade de vida gerada pela prática da atividade física que influencia em hábitos saudáveis. Dessa forma, há uma comunicação direta entre uma melhora alimentar com estilo de vida fisicamente ativo. (COELHO E BURINI, 2009). O fato de não ser monótono e estar sempre em variações, o treinamento funcional tornou-se uma escolha bem aceita para amenizar o estresse e sair da rotina, pois sua abordagem ampla de execução global e interligada proporciona bem-estar e satisfação em todos os ambientes pela diminuição do estresse. Visto que muitos trabalhos científicos destacam o
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sedentarismo e o estresse como responsáveis por doenças hipocinéticas, como o câncer e por reduções na qualidade de vida. Existem várias literaturas que demonstram a participação do exercício físico associado positivamente com a saúde mental. (ARAÚJO; ARAÚJO, 2000). Muitos adeptos do treinamento funcional buscam este tipo de exercício por sua abrangência em resultados para as funcionalidades naturais do ser humano. Uma das grandes vantagens é que os movimentos são mais completos e naturais sem necessariamente ir à academia. Entender os movimentos que o corpo executa, aumenta a capacidade de realizá-los com mais eficiência, uma questão que vai muito além de uma questão de performance no exercício físico, promovendo benefícios na musculatura estabilizadora e na propriocepção. Dessa forma, preparando o organismo de maneira íntegra através do fortalecimento do centro corporal, chamado por core e da coluna lombar. (RIBAS; MEJIA, 2016). De forma geral o treinamento funcional fortalece os músculos abdominais que são essenciais para que haja melhora da consciência corporal e fortalecimento da coluna pela melhora postural. Mantendo bons hábitos que geram estabilidade no alinhamento do quadril, ombros e pescoço. A prática de exercício físico é fundamental para a estabilização e fortalecimento muscular tanto para prevenção como para tratamentos mais eficientes para as disfunções na coluna. (OLIVEIRA; BRAZ, 2013). O correr fortalecido mantem o corpo firme e alinhado, dessa forma, os movimentos são bem executados mantendo a qualidade na estabilidade, na potência, na amplitude e no controle geral da consciência da realização dos exercícios. A estimulação corporal global é bem trabalhada no treinamento funcional, potencializando a melhora no desempenho das atividades diárias sendo benéfica também aos idosos para realizar suas tarefas com mais qualidade. (ALBINO, ET AL 2012). O treinamento funcional entre tantos outros benefícios também favorece para a melhora da postura, desenvolvendo o equilíbrio muscular e corporal, assim como a coordenação motora e lateralidade. Trabalha o corpo todo e é adaptável a muitos objetivos, sendo que essas ações contribuem positivamente para uma qualidade globalizada. Assim, o treinamento funcional entra como uma ferramenta para alcançar esses objetivos. Uma das grandes vantagens é que pode ser feito em vários lugares, até mesmo em casa. Dessa forma, apresentaremos os benefícios do treinamento funcional tanto para o
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Treinamento Para Ganho de Força em Mulheres Sobreviventes do Câncer de Mama
O câncer é uma das doenças que mais assustam a sociedade, pelo seu fator de mortalidade e dor. A definição científica de câncer refere-se ao termo neoplasia, especificamente aos tumores malignos como sendo uma doença caracterizada e definida pelo crescimento descontrolado e anormal de células no organismo. (ALMEIDA ET AL, 2005). Existem três tipos principais de tratamento para o câncer: cirurgia, radioterapia e quimioterapia, sendo que o objetivo de cada um destes tratamentos é erradicar o câncer, normalmente por meio da terapia combinada, onde é associado mais que um tipo de tratamento. Entretanto, apesar dessas intervenções aumentarem a chance de sobrevivência das pacientes, esses procedimentos causam também impactos negativos na qualidade de vida delas. Em decorrência do tratamento a maioria dos pacientes apresenta uma série de sintomas e efeitos colaterais secundários, como, por exemplo, náuseas, vômitos, dores, perda de apetite, fadiga e insônia. A insônia acontece por eventos estressantes, tais como diagnóstico inicial, sintomas da doença como dor, tratamento oncológico (cirurgia, radioterapia, quimioterapia, tratamento hormonal), efeitos colaterais decorrentes do tratamento (náusea, vômito, calores), cuidados paliativos e em alguns casos, os estágios terminais. (FERREIRA; SOARES, 2012). Esta doença é considerada multifatorial, já que é decorrente da combinação de vários fatores, sendo que não possui um único fator causador. Além disso, o sedentarismo e a falta de exercício físico são considerados agentes de risco para o desenvolvimento do câncer. Por este motivo a comunidade científica tem discutido a aplicação do exercício físico como estratégia não farmacológica para prevenção da doença e reabilitação de indivíduos durante e após o tratamento. (NASCIMENTO; LEITE; PRETES, 2011). A neoplasia de mama está entre as principais causas de morte por câncer, causando alterações motoras e biopsicossociais que afetam diretamente a qualidade de vida das mulheres sobreviventes do câncer de mama. Sendo que a perda da força dificulta o desempenho de tarefas funcionais diárias, necessitando de diminuir seus esforços físicos, mantendo o descanso. Entretanto, descanso excessivo e diminuição das atividades podem agravar ainda mais a situação, pois diminui o esforço físico mantido nas atividades do cotidiano. Prejudicando a capacidade física reduzindo as reservas fisiológicas do corpo, o que gera vários riscos para a saúde. (FIMS, 1991).
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O metabolismo de mulheres sobreviventes do câncer de mama fica muito afetado sofrendo modificações criado pela própria doença. Estresse e outros efeitos colaterais causados pelo tratamento (cirurgia, quimioterapia ou radiação) geram modificações metabólicas podendo estar associadas à depressão psicológica e à perda do apetite, sendo fatores que causam perda de massa muscular. Período em que a portadora do câncer de mama entra em um estado de fraqueza generalizada diminuindo e até abandonando o exercício físico. Entretanto, uma boa escolha de exercício físico, como o treinamento funcional produz alterações metabólicas e morfológicas crônicas que podem torná-la uma opção importante no tratamento e no processo de recuperação das mulheres com câncer de mama. (BATTAGLINI ET AL, 2004). O treinamento funcional bem orientado e projetado exclusivamente a esse período lhe trará resultados benéficos. Controlar volume, intensidade e métodos são os principais fatores que devem ser levados em consideração no sucesso da prescrição de exercícios específicos para pacientes com câncer de mama diminuindo e estresse aumento o bem-estar físico e mental para as tarefas do dia a dia. Considera-se que a prática de exercícios como treinamento funcional associada a uma boa dieta são fundamentais para a melhora da qualidade de vida, Portanto, as adaptações crônicas induzidas pelo exercício e suas relações com o nível de fadiga precisam ser melhor estabelecidas e avaliadas evitando níveis de fadiga. (BATTAGLINI ET AL, 2004). Apesar da relação entre exercício e câncer ser ainda pouco investigada, a maioria dos autores concorda que é importante à prática desse tipo de exercício na reabilitação das pacientes. Visto que o exercício físico auxilia na recuperação mantendo o bom funcionamento do sistema músculo esquelético ajudando na manutenção de posturas corporais pelo fato que o tratamento dessa patologia causa enfraquecimento. Os níveis adequados de força afetam diretamente a qualidade de vida e sua redução progressiva pode por muitas vezes ocasionar perda antecipada da autonomia funcional. Dessa forma o exercício funcional, por ser um método de treino integrado é capaz de promover melhoras na força, condicionamento para a melhora da aptidão física. (HAWERROTH; KULKAMP; WENTZ, 2010).
Considerações Finais
O treinamento funcional é um método de trabalho ainda mais dinâmico que os treinos convencionais. De uma forma integrada apresenta benefícios significativos e agregados,
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with low training volume, improving quality of life in the general context. Therefore, the aim of the present study was to highlight the benefits of functional training in motor and biopsychosocial aspects. A narrative review was carried out with the following keywords: "functional training", "physical exercise" and "quality of life". The research was carried out in the following databases: Google Scholar, Periodicals Capes and Scielo. The articles were selected according to the relevance inherent in the theme. Research suggests that functional training consists of using several exercises prescribed in a systematic way in order to improve valences of physical fitness related to health such as motor coordination, as well as other variables such as quality of life. Thus, the use of functional training can be efficient for individuals with motor limitations due to morphofunctional causes, as well as surgical procedures. In addition, the practice of this modality can improve the quality of life in different domains. Keywords: Functional training. Physical exercise. Quality of life.
Referências
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