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Trabalho sobre a influência da Radiação UV apresentado à disciplina optativa "efeitos biológicos da radiação ionizante e não ionizante"
Tipologia: Trabalhos
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Gabriela Dias da Silva Melina Mayumi Ogawa Priscila Castro de Souza
A energia liberada sob a forma de radiações, ou emissão de partículas, se propaga no vácuo sob a forma de ondas eletromagnéticas, com velocidade constante de 300. km/s, e freqüência e comprimento de onda variável. O processo de absorção da radiação solar pela atmosfera se dá através da dissociação, fotoionização, vibração e transição rotacional de moléculas na alta atmosfera. Esta energia absorvida é capaz de alterar a temperatura, composição química e inúmeras outras propriedades da partícula. De acordo com os postulados da teoria desenvolvida por Einstein, em 1905, a energia eletromagnética é emitida em feixes constituídos de fótons, sendo que cada fóton (quantum) possui uma energia E dada por:
E = h. f
em que h é a constante de Plank, com o valor de (6,63 x 10 -34^ J.s) e f a freqüência da radiação, que está intimamente relacionada ao comprimento de onda (λ) expressa por:
onde c é velocidade da luz no vácuo. A radiação ultravioleta (RUV), compreendida na faixa espectral de 100 a 400 nm é definida como não-ionizante, pois sua capacidade de penetração na matéria é menor que a luz visível, atuando no nível atômico e molecular. A energia solar ao interagir com a atmosfera terrestre sofre processos de atenuação, a partir da absorção seletiva, de difusão e reflexão por alguns constituintes atmosféricos. Dependendo das características físico-químicas destes constituintes, a radiação global que chega à superfície terrestre poderá ser intensamente atenuada. Como exemplo, temos o vapor d’água (H (^) 2O), que além de atuar como termorregulador absorvendo a radiação infravermelha, também é responsável pela formação das nuvens e transporte de calor na atmosfera. O dióxido de carbono (CO2), assim como o vapor d’água, atua como um eficiente absorvedor de radiação de ondas longas. Notadamente, o uso generalizado de combustíveis fósseis é responsável pelo incremento nos totais de CO 2 na atmosfera e o conseqüente desequilíbrio climático global.
Vários fatores podem atenuar a intensidade de radiação ultravioleta que chega à terra, são eles: Elevação solar : o fluxo de radiação UV varia de acordo com a latitude, estação do ano e hora do dia. Quanto maior a distância do Equador menor será a irradiância espectral da RUV, ou seja, próximo à linha do Equador o fluxo de RUV é direto e mais intenso. No verão a radiação UVB aumenta em torno de 25% próximo ao Equador e no inverno ocorre um decréscimo de 30% em relação à primavera e outono. No verão, entre as 11 e 13 horas, aproximadamente 25% da radiação UV atinge a superfície terrestre, e entre as 9 e 15 horas a irradiância total fica em torno de 75%. Altitude da superfície : em geral, a cada 1000 m acima do nível do mar, ocorre decréscimo de 1% de conteúdo de ozônio, provocando um aumento em torno de 6 a 8% no fluxo de RUV. Albedo da superfície : Mesmo em áreas sombreadas a intensidade da RUV pode ser elevada em decorrência da radiação refletida. Superfícies como areia e neve possuem uma capacidade de reflexão da RUV, respectivamente, em cerca de 30% e
80% enquanto que em superfícies urbanas o percentual médio de reflexão da RUV varia entre 3 a 5%. Cobertura nebulosa : a RUV também poderá ser atenuada pelas nuvens em até 50%; mas o grau de atenuação dependerá da espessura e tipo de nuvem. Ozônio : o ozônio estratosférico (O (^) 3) é a principal fonte absorvedora da RUV, compreendida na faixa espectral 100 a 315 nm, ou seja, radiação UVC e UVB. A concentração de O 3 varia em função da latitude e estação do ano, com maiores níveis observados no início da primavera e os menores no outono.
O ozônio (O3), desempenha um importante papel para os seres vivos, dada as suas
características peculiares, pois na troposfera ele é considerado um poluente, em virtude do seu poder oxidante. Na camada estratosférica, em torno de 15 a 30 km de altitude, ele absorve a radiação ultravioleta, compreendida na faixa de 280 a 320 nm, como pode ser visto na figura 1. Esta radiação UV é responsável pela morte de organismos unicelulares, além de danificar o DNA das células e deflagrar diversas patologias. No processo de espalhamento ocorre a obstrução da radiação solar por partículas presente na atmosfera terrestre. A direção e intensidade do espalhamento dependerá do tamanho das partículas e do comprimento de onda eletromagnética incidente.
Figura 1. Esquema da absorção da radiação ultravioleta
Os clorofluorocarbonos (CFC’s) são substâncias químicas sintéticas utilizadas pelo homem moderno na fabricação de aparelhos de refrigeração, ar condicionado, propelentes (desodorantes, tintas, etc.), entre outros. Os CFC’s estão listados entre as
Figura 3. Foto do instrumento Piranógrafo
Em uma escala de 0 a 16, a média do índice UV em Presidente Prudente, tanto em condições de céu claro quanto com a presença de nuvens, ficou acima de 8 durante nove meses do ano. No inverno, a média foi 4,6, sendo, no verão, 9,8, com picos de 14,9.
O aumento da intensidade da Radiação Ultra Violeta (R-UV) que atinge a Terra, tende alterar o complexo sistema ecológico em vigor, provocando um desequilíbrio na biosfera, onde a flora e a fauna, aquática e marinha, de alguma forma, sofrerão influências diretas ou indiretas. Alguns efeitos já conhecidos, que podemos citar são: Efeitos aos Materiais, as Plantas, aos Ecossistemas Marinhos e principalmente a Saúde Humana (este tem sido um dos efeitos mais estudados entre os cientistas).
Materiais de interesse comercial como os biopolímeros de ocorrência natural, polímeros sintéticos, assim como outros materiais são adversamente afetados pela R- UV solar. Desta forma, qualquer aumento nos níveis de R-UVB irá, portanto acelerar sua degradação limitando o seu tempo de vida útil ao ar livre. Neste sentido, vários materiais recebem aditivos especiais para terem alguma proteção contra a R-UVB.
Processos fisiológicos e de desenvolvimento das plantas são afetados pela Radiação ultravioleta B (R-UVB), mesmo nas quantidades presentes habitualmente. Independente dos mecanismos para reduzir ou reparar esses efeitos, a limitada capacidade de adaptação das plantas ao aumento nos níveis de R-UVB e o crescimento das plantas podem ser diretamente afetados. Em geral plantas de crescimento rápido, são mais sensíveis a radiação e tendem a ter menores concentrações de clorofila.
Um dos indicadores confiáveis da sensibilidade das plantas aos efeitos negativos e acumulativos da radiação UV-B sobre as funções fisiológicas é a redução da biomassa. O enrolamento das margens pode ser considerado como um mecanismo fotoprotetor das folhas para minimizar o efeito da radiação UV-B, uma vez que a área foliar exposta é menor. Consequentemente, o déficit hídrico também é afetado ao se reduzir a área foliar e o estresse térmico, aumentando-se a densidade estomática, ou seja, a folha diminui a área exposta, mas aumenta a espessura da lâmina, devido ao incremento dos tecidos fotossintéticos e dos espaços intercelulares, garantindo assim o volume da folha. O maior valor médio da espessura das folhas expostas ao UV-B parece ser um importante elemento para diminuir a penetração da radiação no interior da folha. Estas modificações indiretas causadas pela R-UVB, tais como modificações na forma das plantas, relacionado ao fato dos nutrientes estarem distribuídos dentro das plantas, o tempo de desenvolvimento e metabolismo secundário, pode ser igualmente, ou muitas vezes mais, importantes que o efeito danoso da R-UVB. Logo estas modificações podem ter implicações importantes para a competitividade da planta, resistência a doenças e a pragas, etc.
São inúmeros os efeitos que o aumento dos níveis da R-UVB pode ocasionar ao ecossistema marinho, entretanto um dos efeitos mais severos é a diminuição da capacidade de reprodução e impedimento de desenvolvimento durante a fase de larva e/ou estado inicial dos aos peixes, camarões e caranguejo, anfíbios e outros animais. Estudos também revelam que a exposição dos fitoplanctons, que constituem a base da cadeia alimentar nos oceanos, altera os seus mecanismos de orientação e mobilidade, resultando numa diminuição da taxa de sobrevivência destes organismos. Portanto, os níveis de R-UVB já constituem um fator limitante, e mesmo um pequeno aumento nesses níveis poderia resultar em uma redução significativa no tamanho da população dos animais que comem estas pequenas criaturas.
Nosso organismo percebe a presença das radiações do espectro solar de diferentes formas. A radiação infravermelha (IV) é percebida sob a forma de calor, a radiação visível (Vis) através das diferentes cores detectadas pelo sistema óptico e a radiação ultravioleta (UV) através de reações fotoquímicas. Tais reações podem estimular a produção de melanina cuja manifestação é visível sob a forma de bronzeamento da pele, ou pode levar desde a produção de simples inflamações até graves queimaduras. Também, há a possibilidade de ocorrerem mutações genéticas e comportamentos anormais das células, cuja freqüência tem aumentado nos últimos anos. A Figura 4 mostra uma representação das radiações do espectro solar.
Figura. 4. Radiações predominantes que compõem o espectro solar.
A energia da radiação solar aumenta com a redução do comprimento de onda, assim a radiação UV é a de menor comprimento de onda e, conseqüentemente, a mais energética, ou seja, a mais propensa a induzir reações fotoquímicas. Na prática, é comum separarmos a radiação UV em três partes: UVC (100- nm), UVB (280-320 nm) e UVA (320-400 nm). Radiação UVC (faixa de comprimento de onda entre 100 e 280 nm): A radiação UVC é portadora de elevadas energias, ou seja, é altamente penetrante, característica que a torna extremamente lesiva aos seres vivos. É absorvida em sua maioria pela
na estrutura do DNA em virtude de uma superexposição à RUV, o gene p-53 por meio da apoptose, controla a morte programada das células danificadas para que o organismo mantenha o equilíbrio. Contudo, quando o próprio gene p-53 é danificado pela RUV, as alterações desencadeadas no seu código genético fazem com que este perca a capacidade de controlar o ciclo celular induzindo ao crescimento desordenado das células e consequentemente à carcinogênese.
A radiação e a relação com a estrutura do DNA
DNA é a abreviatura de Desoxyribonucleic Acid, também designado por ADN (Ácido Desoxirribonucleico). É responsável pela transmissão das características hereditárias de cada espécie de todos os seres vivos. O DNA é uma macromolécula orgânica em forma de dupla-hélice que instrui o desenvolvimento e funcionamento de todos os organismos vivos. Seus segmentos são responsáveis por carregar a informação genética são denominados genes. A restante sequência de DNA tem importância estrutural ou está envolvida na regulação do uso da informação genética. A Figura 5 mostra a representação da molécula de DNA.
Figura 5: Representação esquemática da molécula de DNA.
Do ponto de vista químico, o DNA é um longo polímero de unidades simples (monómeros) de nucleotídos compostos por uma base azotada, um açúcar e um fosfato. A sequência das quatro bases (Adenina (A), Citosina (C), Guanina (G) e Timina (T)) determina a informação genética enquanto os açúcares e os fosfatos desempenham um papel estrutural. O código genético é justamente a leitura destas sequências, a qual especifica a sequência linear dos aminoácidos das proteínas. Dependendo do tipo da alteração ou mutação no código genético, a mesma poderá ser letal caso seja afectada a produção de enzimas e proteínas essenciais à sobrevivência do organismo (por exemplo, desenvolvimento de cancro). A UVC é basicamente germicida, pelo fato de ser absorvida por proteínas aminoácido, mas contem o pico de absorção da molécula do DNA (260 nm) e só não causa maior prejuízo a pele pelo fato de ter curta penetração. A UVB é a mais eficiente em produzir danos diretos ao DNA, foto-imunossupressão,eritema, espessamento da camada córnea e melanogênese, sendo, por isso, considerada o maior etiológico das teres formas de câncer cutâneo. A UVA, apesar de causar efeitos semelhantes aos da UVB, não o faz uniformemente ao longo de seu espectro e, por esse motivo foi divido em duas regiões: UVA-1, compreendendo a faixa de absorção de 340 nm a 400nm, e a
UVA-2, entre 315 e 340 nm, que é a mais eritrogênica. A UVA-1 devido a sua maior capacidade de penetração reagem com o oxigênio molecular, produzindo espécies reativas capazes de induzir reações inflamatórias na pele e danos no DNA, do que derivam aumento da pigmentação, fotossensibilização e câncer cutâneo, efeitos que são potencializados pela atuação sinérgica com a UVB. Os radicais livres, produto da ação UVA-1, parecem promover alterações nos fibroplastos dérmicos, os quais sintetizam maior quantidade de enzimas. Por ação dessas enzimas, a estrutura protéica do tecido conjuntivo se altera, ocorrendo acúmulo maciço de fibras elásticas anormais, perda de colágeno, aumento de glicosaminoglicanas e formação de vasos telangiectásicos. Essas alterações culminam com a degeneração do tecido fibroso num amassa elastótica, amorfa, associada à destruição da matriz dérmica extracelular. Esta afirmação é muito convincente uma vez que os cânceres de células escamosas ocorrem quase que exclusivamente em áreas expostas ao sol, como fase, pescoço e braços, e sua incidência esta comprovadamente correlacionada á latitude geográfica, sendo maior nas áreas mais ensolaradas do mundo. Algumas considerações
O câncer de pele está ligado aos hábitos e fatores culturais, ocorrendo em indivíduos que se expõem ao sol; daí sua alta freqüência em pescadores, fazendeiros e desportistas. Os imigrantes britânicos na Austrália, ao chegarem ao novo continente, modificaram seus hábitos de vida, passando a adotar uma vida ao ar livre, não permitida pelo clima do Reino Unido, mas possível e desejável no clima tropical da Austrália. Sendo indivíduos de pele clara, desprotegida, o resultado foi uma alta morbidade para o câncer de pele naquele continente. Já no continente Africano, onde a população é predominantemente negra nota-se índices extremamente baixos de câncer de pele. Esses exemplos mostram a interdependência entre raça, fatores ambientais e culturais. Ao fazer uma avaliação entre o índice de UV (IUV) e os casos de câncer de pele no Brasil afirma, que no contexto brasileiro, devido a localização geográfica, o IUV sob condições de céu claro, apresentou valores considerados altos em todo território nacional durante boa parte do ano, o que poderia contribuir para a alta incidência dos casos de câncer de pele não melanoma no Brasil. Contudo, a distribuição dos casos de câncer de pele está mais relacionada com a cor da pele e hábitos de exposição ao sol, uma vez que na região nordeste, com predominância de indivíduos negros e mulatos, a incidência de casos é quase 85% menor que nas regiões sul e sudeste.
Assim sendo, o tipo de câncer a ser desenvolvido parece ser função não somente do tipo de pele e fenótipo e do histórico familiar (se constatado em parentes do 1º, aumenta em até 50% o risco). Hábitos de vida e proteção ao Sol podem contribuir de forma diferenciada para os níveis cumulativos de exposição ao Sol e sua relação sucessiva com determinados tipos de câncer. Como o número de episódios de queimadura por exposição solar na infância ou na adolescência parece ser um fator de risco tanto para o câncer de pele melanoma quanto para o não melanoma esse grupo etário deveria ser alvo de prevenção primária com relação a esses tipos de câncer. Outros fatores que não devem ser esquecidos são: presença de nevus (sinais de pintas), o histórico pessoal de câncer de pele (existem grandes riscos de recorrência em pessoas onde a doença já se manifestou), deficiência imunológica (portadores de doenças que alteram as defesas do organismo – HIV, linfomas, etc).
3.5.2. Efeitos biológicos da radiação solar sobre a pele humana
Indubitavelmente, a ação sistemática da radiação ultravioleta solar (RUV) na pele
Embora a sensibilidade da pele humana à RUV esteja associada ao fenótipo e ao tempo de exposição individual. No entanto, a sensibilidade biológica é muito variável na faixa espectral entre 280 e 320 nm. A esta variação da sensibilidade eritêmica, definiu-se como Espectro de Ação Eritêmica , que corresponde à resposta biológica da pele humana mais sensível exposta a certa dose de RUV, necessária para produzir eritema, conforme mostra a Figura 7.
Sensibilidade Biológica e os Tipos de Pele:
A sensibilidade biológica está associada ao fenótipo e ao tempo de exposição solar. Fatores como cor da pele, cor dos cabelos e dos olhos, são elementos determinantes para análise da suscetibilidade eritêmica individual, como mostra a Tabela I.
Tabela I – Fotótipos cutâneos e sensibilidade à radiação UVB. TIPO COR DA PELE NÃO EXPOSTA
COR DOS OLHOS
COR DOS CABELOS
REAÇÕES DA PELE
EXEMPLO I Branca (alva) Azuis ou verdes
Loiros ou ruivos
Sempre se queima de maneira severa (queimadura dolorosa); nunca se bronzeia; a pele sempre descasca.
II Branca Azuis, castanhos claros ou escuros
Loiros ou ruivos
Geralmente se queima de maneira severa (queimadura dolorosa); bronzeamento muito fraco; a pele também descasca.
III Branca (média dos caucasianos)
Castanhos claros
Loiros escuros ou castanhos
Queima moderadamente e apresenta bronzeamento médio
IV Morena (moderada)
Castanhos escuros
Castanhos escuros
Mínima queimadura bronzeia-se facilmente e acima da média em cada exposição; geralmente exibe reações de IPD ( Immediate Pigment Darkening ).
V Mulata (morena escura)
Castanhos escuros ou negros
Castanhos escuros ou negros Raramente se queima, bronzeia-se facilmente e substancialmente; sempre exibe IPD.
VI Negra Negros Negros Nunca queima e se bronzeia abundantemente; sempre exibe IPD.
** Existem 6 fototipos de pele. Eles não são baseados na cor da pele, mas sim na maneira como ela reage à Radiação ultravioleta (UV).
Algumas medidas preventivas evitam o efeito nocivo causado pelo sol. A Tabela I lista as os riscos de acordo com o tipo de pele para distintos índices de UV.
Tabela II – Medidas preventivas em função do Tipo de Pele e do índice de Radiação UV.
Figura 8: Estrutura da pele humana e componentes.
A Epiderme
A epiderme é uma forte barreira coberta por uma parede tridimensional, auto- sustentada, de corneócitos embebidos num envelope rico em lipídios, formada por diversas camadas de queratinócitos, firmemente conectados por meio de desmossomais transmembranosos de cúlulas vizinhas, as desmogleínas e desmoe colinas se intercalam e formam pontes de adesão conectadas a moléculas intracelulares das placas desmossomais, que interagem com componentes do citoesqueleto. A parede cutânea tem seu limite mais interno formado pela zona de membrana basal dermoepidérmica. A epiderme protege contra danos mecânicos, físicos, biológicos e química, quer por sua estrutura molecular, quer por apresentar terminações nervosas sensitivas. Ela também pode ser defender, até um determinado, grau, por ser equipada com um sistema eficaz de defesa primária denominado sistema imunológico inato, mas o principal mecanismo de defesa é formado por citocinas multifuncionais que acessam a derme pelos vasos sanguíneos. Isto é fundamental, porque a pele esta exposta a uma quantidade grande de agentes potencialmente prejudiciais, que aguardam apenas a ruptura da barreira, para entrar no organismo.
A Derme
A Derme é o tecido que se situa logo abaixo da Epiderme. Sua estrutura é constituída de vasos sangüíneos, células nervosas e órgãos anexais da pele, tais como: glândulas sebáceas, sudoríparas e folículos pilosos. A Derme possui espessura variável ao longo do organismo, sendo constituída por fibras colágenas, que compreendem 95% do tecido conectivo da Derme; fibras elásticas, rica em elastina, que se orientam perpendicularmente à Epiderme e; fibras reticulares, dispostas paralelamente à Epiderme, que são compostas por feixes colágenos mais espessos, responsáveis pela absorção dos impactos produzidos na pele.
A Hipoderme
A Hipoderme é a camada mais profunda da pele. Também de espessura variável, é
constituída de tecido adiposo, ou seja, células de gordura. Além de servir como depósito nutritivo de reserva, a Hipoderme participa do processo de isolamento térmico e proteção mecânica do organismo aos traumatismos externos. A função protetora da pele e sua eficiência na manutenção de vários processos físicos e químicos dependerão, basicamente, de fatores genéticos e da interação desse organismo ao meio ambiental.
Os efeitos imediatos na pele humana
Eritema ou queimadura solar
A queimadura solar é uma reação inflamatória da pele exposta excessivamente à RUV. Consiste na dilatação e no aumento do fluxo sangüíneo dos vasos dermais superficiais, que desencadeiam processos de avermelhamento da pele. Nos casos mais intensos a pele fica dolorida, ocorrem edemas, formação de bolhas e descascamento da pele, como mostrado na Figura 9. Após a exposição à RUV inicia-se um período de latência de 2 a 4 horas antes do desenvolvimento do eritema. O principal agente desencadeante do eritema é a radiação UVB, uma vez que este comprimento de onda eletromagnética possui propriedades que lesam as células epiteliais e o DNA, promovendo a liberação de substâncias vasodilatadoras. Os indivíduos de pele clara, tipo I e II, são os mais acometidos pelas queimaduras solares.
Figura 9: queimaduras resultantes da radiação UV na pele humana.
Muitas vezes, salvo situações extremas, a queimadura não é percebida durante a exposição ao sol, ela geralmente é sentida somente após o período de latência (4 horas) e seu efeito se prolonga por até 12 horas, desaparecendo gradualmente em poucos dias. Um efeito adaptativo mais específico, porém menos óbvio é o espessamento da camada mais superficial da pele atenuando desta forma a penetração da radiação UV nas camadas mais profundas. Ambas modificações são um sinal de dano à pele.
Miliária solar
É causada pelo suor profuso, aliado a glândulas sudoríparas obstruídas e inflamadas. Devido à obstrução e a inflamação, o suor não chega à superfície da pele, ficando retido e causando irritação, freqüentemente com coceira. A brotoeja é comum após a queimadura de sol, em um dia quente e úmido, com febre, ou como resultado de calor excessivo proveniente do excesso de roupas ou de um ambiente superaquecido. A erupção cutânea é caracterizada por áreas vermelhas, com pequenas vesículas no centro. Essa erupção cutânea pode aparecer no rosto, pescoço, ombro, barriga ou peito. Pode coçar e pinicar, a Figura 10 mostra a brotoeja.
Figura 12: Fotoenvelhecimento, devido a exposição prolongada ao sol.
Melanose solar
Popularmente conhecida como mancha senil é causada pela proliferação e aumento progressivo das atividades dos melanócitos. Apresenta-se na forma de manchas de cor castanha com tonalidades variadas, em áreas diretamente expostas ao sol. O seu aparecimento também está relacionado ao tipo de pele e hábitos individuais de exposição solar. A Figura 13 mostra algumas imagens de melanose solar.
Figura 13: Melanose solar, devido a exposição prolongada ao sol.
Queratose actínica ou solar
Caracterizam-se por apresentar lesões queratósitas rugosas palpáveis, com escamas de cores variadas, finas e secas, que eclodem na pele exposta à RUV. Surgem da produção exagerada de queratina na epiderme, em células danificadas pela ação cumulativa da RUV. Alguns especialistas classificam a queratose actínica como um carcinoma espinocelular “in situ”, cujo tratamento requer maior atenção para evitar progressão dessa enfermidade para uma forma invasiva. Trata-se de uma alteração pré- maligna, ou seja, se não for tratada pode vir a se transformar em câncer de pele. É considerada por alguns dermatologistas como um carcinoma de células escamosas (CCE) in situ. Estudos revelam que uma Mutação específica no gene P53, induzida pela Radiação ultravioleta (R-UV), tem sido demosntrada nesse tipo de lesão. A queratose actínica tem três possíveis modelos de comportamento: Regressão Espontânea, Persistência ou Progressão para um Carcinoma de células escamosas (CCE) evasivos. A Figura 14 mostra imagens da queratose actínica.
Figura 14: Queratose Actínica ou SolarMelanose solar.
Elastose solar
É causada pela degeneração de fibras elásticas e colágenas da pele exposta à RUV. Caracteriza-se pelo espessamento e cor amarelada da superfície epidérmica. Na região do pescoço apresenta-se na forma de sulcos configurando losangos e na face há predominância de cistos e comedões. A Figura 15 mostra situações de elastose solar.
Figura 15: Situações de Elastose solar.
Xeroderma pigmentoso
De origem genética, sua principal característica é a evolução de epiteliomas na pele durante a infância e adolescência. A pele exposta à radiação solar apresenta degeneração crônica acelerada, com potencial de desenvolvimento de câncer cutâneo na fase adulta. A Figura 16 mostra as condições de Xeroderma.
Figura 16: Condições de Xeroderma.
Lupus erimatoso
A manifestação dessa enfermidade consiste em lesões de placas cobertas por escamas secas e duras de cor vermelho-escura, com diâmetro variável em torno de 5 a 20 mm. A radiação UV é o principal agente desencadeante ou agravante do lupus erimatoso. Há