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Apostilas de Pedagogia sobre Valores e valoração, Bipolaridade dos valores, Hierarquia dos valores, Critérios trans-subjectivos, Critério da fundamentação consensual, Conceito de cultura.
Tipologia: Notas de estudo
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Valores e valoração Aplica-se o termo valor a propósito de objectos materiais. Na perspectiva filosófica, valor não se refere a coisas materiais. O seu significado ultrapassa esta interpretação materialista, referindo-se a um certo grau de atractividade. Se os valores não são coisas, eles também não se identificam com qualidades das coisas. O valor não reside nos objectos, é conferido pelas estruturas do sujeito. Os objectos determinam nas pessoas sentimentos que as levam a rejeitar uns, preferir outros. Esta adesão ou repulsa face às coisas e situações significa atribuir-lhes um valor, ou seja, valorizá-las. O acto de valorizar só se exerce na presença dos objectos, dos actos ou das situações reais. Os valores constituem, assim, certos índices que determinam preferências ou rejeições. Juízos de facto e juízos de valor Estamos constantemente a formar juízos acerca do que se passa à nossa volta. Tais juízos podem ser considerados juízos de facto ou juízos de valor.
Juízos de valor – enunciados que traduzem o que valem as coisas para determinado sujeito, sejam em função da utilidade, da estética, da moral ou qualquer outro critério valorativo.
Bipolaridade dos valores
O valor que atribuímos a umas coisas é que decide o sentido das nossas escolhas. Apreciamos a benevolência, o amor e justiça, a que contrapomos a maldade, o ódio e a injustiça. Toda a determinação da vontade é correlativa de um juízo de valor que explicita que o homem:
A bipolaridade é uma característica essencial dos valores.
Bipolaridade – circunstância de cada valor oscilar entre dois pólos, isto é, de um valor positivo se colocar simetricamente em relação a um valor negativo que é o seu contrário.
Hierarquia dos valores
Os valores apresentam-se com valências diferentes, o que permite colocá- los numa escala hierarquizada de preferências. Cada pessoas estabelece a sua própria escala de valores em função das suas prioridades, pelo que a organização hierarquizada dos valores pode mudar ao longo da vida e de acordo com as circunstâncias.
Hierarquia – propriedade dos valores segundo a qual se subordinam uns aos outros em função da valiosidade que cada um tem para o sujeito.
A questão dos critérios valorativos
A hierarquização dos valores pode ser efectuada de diferentes maneiras, conforme as pessoas e as circunstâncias. Preferir uns valores a outros implica a definição de critérios orientadores dos parâmetros por que temos que nos reger.
As preferências e os valores variam em função da pessoa
Pode-se dizer que nas nossas escolhas e valorações são estritamente pessoais, sendo o reflexo das necessidades, gostos e aspirações de cada um. Na perspectiva de Abraham Maslow, diremos que tem valor, para cada homem, aquilo que satisfaz as suas necessidades. Podemos dizer que cada um de nós possui uma personalidade ou identidade própria que determina as preferências e os valores por que se rege. As experiências afectivas da infância, as amizades construídas na adolescência, viver num meio rural ou urbano, são exemplos de factores individuais que condicionam a forma própria de o ser humano se situar no muno, de encarar os acontecimentos e os valorar.
Os valores variam em função do grupo social e da cultura
Cada pessoa vive com outros indivíduos, todos integrados em grupos sociais com regras e padrões que determinam gostos e preferências semelhantes. Estas semelhanças derivadas da existência de valores colectivos traduzem-se numa partilha intersubjectiva no que respeita a práticas religiosas, a estilos educativos, a conceitos de justiça e ao modo de as pessoas se comportarem. Os critérios de valoração trazem a marca dos valores e das normas adoptados pela comunidade.
Culturas diferentes
A diversidade explica que, quando nos questionamos sobre o que é o bem e sobre as normas que devemos seguir para o realizar, deparemos com uma infinidade de condutas. Esta variabilidade de condutas salienta a não- uniformidade de valores nas diversas culturas e variam de região para região, de comunidade para comunidade, de cultura para cultura.
Épocas diferentes
A relatividade dos critérios colectivos de valoração reflecte também as diferenças culturais verificadas em diferentes épocas históricas. As sociedades evoluem e o trânsito de um época para outra leva a que o modo de encarar o mundo e a vida passe por flutuações. Em consequência, os valores vão-se relativizando em função de critérios que não são indiferentes à passagem do tempo.
Elementos de cultura
Por elementos de cultura entendemos toda uma diversidade de valores, padrões, instrumentos, símbolos, conhecimentos, etc., que contribuem para a resolução de problemas dos indivíduos e dos grupos, para fomentar a coesão social e para a determinação da sua identidade própria. Existem duas categorias de elementos culturais: os instrumentais e os ideológicos. Elementos instrumentais
São de carácter físico e visam satisfazer as necessidades básicas dos indivíduos. Entre eles, contam-se:
Elementos ideológicos
São de carácter imaterial e procuram dar coerência e organização ao pensamento e comportamento humano. Entre eles, podem-se apontar:
Diversidade cultural
Acontece que pessoas de espaços culturais diversos são muitas vezes obrigadas a relacionar-se e a ter de conviver. Designa-se por diversidade cultural ou por multiculturalismo esta situação de coexistência de culturas diversas. Perante a existência de seres humanos com normas e hábitos diferentes, as pessoas podem assumir atitudes e condutas variadas. Três dessas atitudes poderão ser: o etnocentrismo, o relativismo cultural ou o interculturalismo. Etnocentrismo
Incluem-se nesta atitude as pessoas que observam as outras culturas em função da sua própria cultura.
Relativismo cultural
Os defensores do relativismo cultural perspectivam as culturas a partir dos valores por que se regem e não dos valores das culturas em causa.
Interculturalismo e diálogo de culturas
Este movimento está aberto às outras culturas e permite integrar na sua própria cultura outras culturas diferentes. O interculturalismo propõe-se promover os seguintes objectivos:
Moral e Ética
Enquanto nos decidimos e agimos, somos seres morais; quando pensamos nas nossas determinações e acções, estamos no campo da ética.
Moral – corpo de normas ou de regras que regem os comportamentos dos indivíduos de modo a procederem de harmonia com o que numa sociedade é tido como dever ou como bem.
Ética – reflexão sobre os actos humanos e sobre as regras morais que os norteiam para lhes determinar o fundamento que permite avaliá-los em termos de bem e de mal.
A heteronomia da norma
As sociedades vão estruturando normas que constituem os códigos morais. Os códigos vigentes numa comunidade exprimem as crenças sobre o modo como se deve viver a vida, o que se deve fazer e o que se deve evitar, o que é socialmente correcto e o que é condenável. Na medida em que são definidas exterior, prévia e independentemente de cada ser humano, as leis ou normas morais são heterónomas.
Norma moral – regra de carácter social que permite ao ser humano, na sua relação com os outros, discriminar o que é bem e o que é o mal. Implica o cumprimento das normas dos outros códigos. Autonomia do sujeito moral