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Valores e valoração, Notas de estudo de Sociologia

Apostilas de Pedagogia sobre Valores e valoração, Bipolaridade dos valores, Hierarquia dos valores, Critérios trans-subjectivos, Critério da fundamentação consensual, Conceito de cultura.

Tipologia: Notas de estudo

2013

Compartilhado em 08/10/2013

Ipanema27
Ipanema27 🇧🇷

4.5

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Valores e valoração
Aplica-se o termo valor a propósito de objectos materiais.
Na perspectiva filosófica, valor não se refere a coisas materiais. O seu
significado ultrapassa esta interpretação materialista, referindo-se a um
certo grau de atractividade.
Se os valores não são coisas, eles também não se identificam com
qualidades das coisas. O valor não reside nos objectos, é conferido pelas
estruturas do sujeito.
Os objectos determinam nas pessoas sentimentos que as levam a rejeitar
uns, preferir outros. Esta adesão ou repulsa face às coisas e situações
significa atribuir-lhes um valor, ou seja, valorizá-las. O acto de
valorizar se exerce na presença dos objectos, dos actos ou das
situações reais. Os valores constituem, assim, certos índices que
determinam preferências ou rejeições.
Juízos de facto e juízos de valor
Estamos constantemente a formar juízos acerca do que se passa à nossa
volta. Tais juízos podem ser considerados juízos de facto ou juízos de
valor.
Quando nos referimos às coisas, aos acontecimentos, aos outros e a nós
mesmos, relatando ou descrevendo objectivamente aquilo que vemos, ouvimos
ou sabemos, estamos a formular juízos de facto. Exemplos:
- Lisboa é a capital de Portugal.
-Hoje está um dia de Sol.
Tratam-se de afirmações referentes a coisas ou acontecimentos reais, que
podem ser verificadas e que, portanto, são susceptíveis de serem aceites
pela generalidade das pessoas.
Juízos de facto afirmações que descrevem objectivamente a realidade,
sem acrescentar qualquer interpretação, comentário ou opinião pessoal.
Porém, todos assumimos uma atitude valorativa em face das coisas, o que
nos leva a formular juízos de valor. Os juízos que formulamos a seu
respeito deixam transparecer o calor da opinião, o sabor do comentário,
em suma, a preferência que temos por umas coisas em relação a outras.
Exemplos:
- Copiar nos testes é mau.
- É preferível ler um livro a ver televisão.
Juízos de valor enunciados que traduzem o que valem as coisas para
determinado sujeito, sejam em função da utilidade, da estética, da moral
ou qualquer outro critério valorativo.
Bipolaridade dos valores
O valor que atribuímos a umas coisas é que decide o sentido das nossas
escolhas. Apreciamos a benevolência, o amor e justiça, a que contrapomos
a maldade, o ódio e a injustiça.
Toda a determinação da vontade é correlativa de um juízo de valor que
explicita que o homem:
1. Se sinta atraído pelos valores positivos.
2. Sinta repulsa pelos valores negativos.
A bipolaridade é uma característica essencial dos valores.
Bipolaridade circunstância de cada valor oscilar entre dois pólos, isto
é, de um valor positivo se colocar simetricamente em relação a um valor
negativo que é o seu contrário.
Hierarquia dos valores
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Valores e valoração Aplica-se o termo valor a propósito de objectos materiais. Na perspectiva filosófica, valor não se refere a coisas materiais. O seu significado ultrapassa esta interpretação materialista, referindo-se a um certo grau de atractividade. Se os valores não são coisas, eles também não se identificam com qualidades das coisas. O valor não reside nos objectos, é conferido pelas estruturas do sujeito. Os objectos determinam nas pessoas sentimentos que as levam a rejeitar uns, preferir outros. Esta adesão ou repulsa face às coisas e situações significa atribuir-lhes um valor, ou seja, valorizá-las. O acto de valorizar só se exerce na presença dos objectos, dos actos ou das situações reais. Os valores constituem, assim, certos índices que determinam preferências ou rejeições. Juízos de facto e juízos de valor Estamos constantemente a formar juízos acerca do que se passa à nossa volta. Tais juízos podem ser considerados juízos de facto ou juízos de valor.

  • Quando nos referimos às coisas, aos acontecimentos, aos outros e a nós mesmos, relatando ou descrevendo objectivamente aquilo que vemos, ouvimos ou sabemos, estamos a formular juízos de facto. Exemplos:
  • Lisboa é a capital de Portugal. -Hoje está um dia de Sol. Tratam-se de afirmações referentes a coisas ou acontecimentos reais, que podem ser verificadas e que, portanto, são susceptíveis de serem aceites pela generalidade das pessoas. Juízos de facto – afirmações que descrevem objectivamente a realidade, sem acrescentar qualquer interpretação, comentário ou opinião pessoal.
  • Porém, todos assumimos uma atitude valorativa em face das coisas, o que nos leva a formular juízos de valor. Os juízos que formulamos a seu respeito deixam transparecer o calor da opinião, o sabor do comentário, em suma, a preferência que temos por umas coisas em relação a outras. Exemplos:
  • Copiar nos testes é mau.
  • É preferível ler um livro a ver televisão.

Juízos de valor – enunciados que traduzem o que valem as coisas para determinado sujeito, sejam em função da utilidade, da estética, da moral ou qualquer outro critério valorativo.

Bipolaridade dos valores

O valor que atribuímos a umas coisas é que decide o sentido das nossas escolhas. Apreciamos a benevolência, o amor e justiça, a que contrapomos a maldade, o ódio e a injustiça. Toda a determinação da vontade é correlativa de um juízo de valor que explicita que o homem:

  1. Se sinta atraído pelos valores positivos.
  2. Sinta repulsa pelos valores negativos.

A bipolaridade é uma característica essencial dos valores.

Bipolaridade – circunstância de cada valor oscilar entre dois pólos, isto é, de um valor positivo se colocar simetricamente em relação a um valor negativo que é o seu contrário.

Hierarquia dos valores

Os valores apresentam-se com valências diferentes, o que permite colocá- los numa escala hierarquizada de preferências. Cada pessoas estabelece a sua própria escala de valores em função das suas prioridades, pelo que a organização hierarquizada dos valores pode mudar ao longo da vida e de acordo com as circunstâncias.

Hierarquia – propriedade dos valores segundo a qual se subordinam uns aos outros em função da valiosidade que cada um tem para o sujeito.

A questão dos critérios valorativos

A hierarquização dos valores pode ser efectuada de diferentes maneiras, conforme as pessoas e as circunstâncias. Preferir uns valores a outros implica a definição de critérios orientadores dos parâmetros por que temos que nos reger.

As preferências e os valores variam em função da pessoa

Pode-se dizer que nas nossas escolhas e valorações são estritamente pessoais, sendo o reflexo das necessidades, gostos e aspirações de cada um. Na perspectiva de Abraham Maslow, diremos que tem valor, para cada homem, aquilo que satisfaz as suas necessidades. Podemos dizer que cada um de nós possui uma personalidade ou identidade própria que determina as preferências e os valores por que se rege. As experiências afectivas da infância, as amizades construídas na adolescência, viver num meio rural ou urbano, são exemplos de factores individuais que condicionam a forma própria de o ser humano se situar no muno, de encarar os acontecimentos e os valorar.

Os valores variam em função do grupo social e da cultura

Cada pessoa vive com outros indivíduos, todos integrados em grupos sociais com regras e padrões que determinam gostos e preferências semelhantes. Estas semelhanças derivadas da existência de valores colectivos traduzem-se numa partilha intersubjectiva no que respeita a práticas religiosas, a estilos educativos, a conceitos de justiça e ao modo de as pessoas se comportarem. Os critérios de valoração trazem a marca dos valores e das normas adoptados pela comunidade.

Culturas diferentes

A diversidade explica que, quando nos questionamos sobre o que é o bem e sobre as normas que devemos seguir para o realizar, deparemos com uma infinidade de condutas. Esta variabilidade de condutas salienta a não- uniformidade de valores nas diversas culturas e variam de região para região, de comunidade para comunidade, de cultura para cultura.

Épocas diferentes

A relatividade dos critérios colectivos de valoração reflecte também as diferenças culturais verificadas em diferentes épocas históricas. As sociedades evoluem e o trânsito de um época para outra leva a que o modo de encarar o mundo e a vida passe por flutuações. Em consequência, os valores vão-se relativizando em função de critérios que não são indiferentes à passagem do tempo.

  • A cultura é um conjunto de respostas para melhor satisfazer as necessidades e os desejos humanos.
  • A cultura é a informação, isto é, um conjunto de conhecimentos teóricos e práticos que se aprende e transmite aos contemporâneos e aos vindouros.
  • A cultura é um factor de humanização. O homem só se torna homem porque vive no seio de um grupo cultural.

Elementos de cultura

Por elementos de cultura entendemos toda uma diversidade de valores, padrões, instrumentos, símbolos, conhecimentos, etc., que contribuem para a resolução de problemas dos indivíduos e dos grupos, para fomentar a coesão social e para a determinação da sua identidade própria. Existem duas categorias de elementos culturais: os instrumentais e os ideológicos. Elementos instrumentais

São de carácter físico e visam satisfazer as necessidades básicas dos indivíduos. Entre eles, contam-se:

  • Objectos naturais (árvores, terra, rios, etc.)
  • Objectos técnicos (roda, avião, aspirador, etc.)
  • Bens móveis e imóveis (vestuário, habitações, adereços, etc.)

Elementos ideológicos

São de carácter imaterial e procuram dar coerência e organização ao pensamento e comportamento humano. Entre eles, podem-se apontar:

  • Princípios éticos e morais (conceitos de bem e de mal, teorias e normas)
  • Ideias e crenças (políticas, religiosas, económicas e sociais)
  • Instituições sociais (estado, direito, justiça, casamento)
  • Ciências, teorias e conceitos (matemática, física, gravidade)
  • Tradições e costumes (hábitos e modos)
  • Preconceitos, preferências, fobias, gostos e sentimentos
  • Sistemas de símbolos (linguagem, bandeiras, emblemas)

Diversidade cultural

Acontece que pessoas de espaços culturais diversos são muitas vezes obrigadas a relacionar-se e a ter de conviver. Designa-se por diversidade cultural ou por multiculturalismo esta situação de coexistência de culturas diversas. Perante a existência de seres humanos com normas e hábitos diferentes, as pessoas podem assumir atitudes e condutas variadas. Três dessas atitudes poderão ser: o etnocentrismo, o relativismo cultural ou o interculturalismo. Etnocentrismo

Incluem-se nesta atitude as pessoas que observam as outras culturas em função da sua própria cultura.

  • Defendem e promovem apenas os seus próprios valores afastando os que não os adoptam;
  • Auto-valorizam a sua própria cultura;
  • Não estão abertos a culturas diferentes nem à diversidade cultural

Relativismo cultural

Os defensores do relativismo cultural perspectivam as culturas a partir dos valores por que se regem e não dos valores das culturas em causa.

  • Estes são tolerantes face a outras expressões culturais
  • Aceitam as outras culturas e que todas as culturas são iguais relativamente mas evitam qualquer hipótese de diálogo ou contacto, tendo como algumas consequências: o racismo, o isolamento e a estagnação.

Interculturalismo e diálogo de culturas

Este movimento está aberto às outras culturas e permite integrar na sua própria cultura outras culturas diferentes. O interculturalismo propõe-se promover os seguintes objectivos:

  • Compreender a natureza pluralista
  • Compreender a complexidade e riqueza da relação entre as diferentes culturas
  • Colaborar na busca de respostas aos problemas mundiais
  • Promover o diálogo entre as culturas. O interculturalismo propõe, assim, que se aprenda a conviver num mundo pluralista e se respeite e defenda a humanidade no seu conjunto.

Moral e Ética

Enquanto nos decidimos e agimos, somos seres morais; quando pensamos nas nossas determinações e acções, estamos no campo da ética.

  • O termo moral, de acordo com a etimologia, diz respeito ao conjunto de regras que exprimem os modos de ver, pensas e sentir normalizados de uma sociedade e que orientam os indivíduos na prática do que se considera ser bom ou desejável.

Moral – corpo de normas ou de regras que regem os comportamentos dos indivíduos de modo a procederem de harmonia com o que numa sociedade é tido como dever ou como bem.

  • O termo ética está também relacionado com os costumes. Remetendo igualmente para a acção apresenta um significado mais conotado com a intenção ou com a finalidade dos actos do homem. Centrando-se nas intenções de um sujeito moral, a ética procura a razão de ser das acções humanas e das normas.

Ética – reflexão sobre os actos humanos e sobre as regras morais que os norteiam para lhes determinar o fundamento que permite avaliá-los em termos de bem e de mal.

A heteronomia da norma

As sociedades vão estruturando normas que constituem os códigos morais. Os códigos vigentes numa comunidade exprimem as crenças sobre o modo como se deve viver a vida, o que se deve fazer e o que se deve evitar, o que é socialmente correcto e o que é condenável. Na medida em que são definidas exterior, prévia e independentemente de cada ser humano, as leis ou normas morais são heterónomas.

Norma moral – regra de carácter social que permite ao ser humano, na sua relação com os outros, discriminar o que é bem e o que é o mal. Implica o cumprimento das normas dos outros códigos. Autonomia do sujeito moral

  • Éticas deontológicas – consideram que o valor das acções se avalia pela intenção do sujeito (exemplo: Kant).