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vantagens - softwarelivres, Notas de estudo de Informática

Saiba quais as vantagens do software livre

Tipologia: Notas de estudo

2015

Compartilhado em 30/08/2015

jose-luis-barudi-meza-7
jose-luis-barudi-meza-7 🇧🇷

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Vantagens Estratégicas do
Software Livre para o
Ambiente Corporativo
Nelson Corrêa de Toledo Ferraz
Orientador: Geraldo Coen
Monografia apresentada para a conclusão de curso
Master Business Information Systems
MBIS / PUC-SP
São Paulo / 2002
Nelson Corrêa de Toledo Ferraz MBIS / PUC-SP
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Vantagens Estratégicas do

Software Livre para o

Ambiente Corporativo

Nelson Corrêa de Toledo Ferraz

Orientador: Geraldo Coen

Monografia apresentada para a conclusão de curso

Master Business Information Systems

MBIS / PUC-SP

São Paulo / 2002

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A cada ano que passa, o software livre ganha mais força, movido pela paixão de milhares de desenvolvedores e milhões de usuários que acreditam em uma ética segundo a qual o conhecimento não deve permanecer oculto, mas ser compartilhado.

Este trabalho tem como objetivo mostrar, através de estudos de casos, que o software livre é uma fonte de vantagem estratégica para as empresas, trazendo benefícios práticos, independentemente de posições filosóficas ou princípios morais.

O trabalho começa apresentando alguns conceitos fundamentais relacionados ao tema, conta um pouco da história do software, e passa a apresentar os casos que servirão para demonstrar que as vantagens estratégicas oferecidas pelo software livre são um padrão constante, e não apenas casos isolados. Tentaremos também rebater algumas críticas, que sob a luz dos casos apresentados se revelarão como simples mitos^1.

1 Ou parte de uma estratégia para disseminar medo, incerteza e dúvida (Fear, Uncertainity, Doubt – FUD): http://www.geocities.com/SiliconValley/Hills/9267/fuddef.html

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Curiosamente houve uma época em que essas características foram a regra, e não a exceção. Entre os anos 50 e 60, por exemplo, praticamente ninguém considerava a hipótese de “vender” softwares. O motivo era simples: haviam tão poucos computadores no mundo, que o valor real estava na máquina em si, e não nos programas, que eram distribuídos gratuitamente, melhorados e compartilhados.

Essa foi a época dos computadores de milhões de dólares, que ocupavam salas inteiras, dos cartões perfurados, e dos primeiros hackers^5.

A década de 70 viu o surgimento de diversas tecnologias que formam a base da chamada Era da Informação: o microprocessador, a fibra ótica, o protocolo TCP/IP e, finalmente, o microcomputador^6.

O microcomputador, em especial, permitiu que pessoas comuns, entusiastas de microinformática (ou “hobbistas”), fizessem o que antes só era permitido a poucos: criar, modificar e trocar programas entre si.

No entanto, esse método de desenvolvimento, baseado na liberdade e na cooperação, não foi suficiente para atender toda a demanda que surgiu com a massificação da informática, até mesmo por que o contato entre estas pessoas era

5 Para duas definições do termo “hacker”, consulte: http://www.tuxedo.org/~esr/faqs/hacker-howto.html#what_is http://www.tuxedo.org/~esr/jargon/html/entry/hacker.html 6 Castells, Manuel. “A Sociedade em Rede”, pp. 64

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dificultado por barreiras físicas e geográficas – limitações estas que a internet resolveu, muitos anos depois.

De qualquer forma, é importante dizer que o modelo comercial surgiu para preencher uma legítima necessidade do mercado e que uma das primeiras pessoas a perceber o valor deste mercado foi um jovem chamado Bill Gates, que em 1975 desenvolveu um interpretador BASIC para o Altair, um micro com apenas 4kb de memória.

Diferentemente de outros programas disponíveis na época, o Altair BASIC estava disponível apenas para venda, sem código-fonte. Para desgosto de seu criador, porém, a comunidade de programadores continuou trocando cópias desse programa entre si.

Gates considerou isso um “roubo”, e expressou sua insatisfação em uma carta aberta aos hobbistas, escrita em 1976:

...As the majority of hobbyists must be aware, most of you steal your software. Hardware must be paid for, but software is something to share. Who cares if the people who worked on it get paid? Is this fair? One thing you don't do by stealing software is get back at MITS for some problem you may have had. MITS doesn't make money selling software. The royalty paid to us, the manual, the tape and the overhead make it a break-even operation. One thing you do do is prevent good software from being written. Who can afford to do professional work for nothing? What hobbyist can put 3- man years into programming, finding all bugs, documenting his product and distribute for free? The fact is, no one besides us has invested a lot of money in

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que faltavam ao projeto GNU, vem sendo aprimorado desde 1991, por Linus Torvalds e uma equipe de desenvolvedores espalhados pelo mundo.

A cada ano o software livre ganha novos adeptos e mais força. A maioria dos servidores web do mundo rodam em Apache, a maior parte dos e-mails transmitidos passam pelo sendmail, e o GNU/Linux é o sistema operacional com maior crescimento no servidor.

Olhando para o passado, nós vemos que as liberdades defendidas por Stallman nada mais são do que direitos que por muito tempo havíamos esquecido, e que durante este período a indústria de softwares conseguiu prosperar erguendo barreiras artificiais, dividindo e conquistando usuários, duplicando esforços e criando produtos de baixa qualidade, que causam perdas de bilhões de dólares todos os anos^9.

9 O custo da baixa qualidade dos softwares será discutida em diversos capítulos deste trabalho

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Existem duas expressões em inglês para designar o que chamamos, nesse trabalho, de software livre: Free Software e Open Source Software.

O termo Free Software costuma causar alguma confusão em inglês, pois a palavra Free é frequentemente associada a “preço igual a zero”, ou “grátis”. Por causa desta confusão, é comum encontrar o seguinte comentário em textos que falam sobre software livre em inglês:

'Free software' is a matter of liberty, not price. To understand the concept, you should think of 'free'as in 'free speech', not as in 'free beer'.^10 A Free Software Foundation define que um software pode ser considerado “livre” quando oferece quatro liberdades fundamentais: d The freedom to run the program, for any purpose (freedom 0).

10 The Free Software Definition http://www.gnu.org/philosophy/free-sw.html

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em diversos outros idiomas, como o espanhol e o francês^14 , de forma que usaremos esta expressão, e não “código aberto”, para designar os programas que oferecem liberdade de uso, modificação e distribuição.

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Softwares proprietários são aqueles que não oferecem qualquer uma das três liberdades fundamentais (uso, modificação ou distribuição).

Muitos softwares disponíveis comercialmente são proprietários, pois impõem restrições ao uso, distribuição e modificação; mas isso não significa que softwares livres não possam ser comercializados^15. Portanto, é conveniente não dizer “software comercial” quando se quer dizer “proprietário”.

Por outro lado, nem todo programa disponível gratuitamente é um software livre, pois nem sempre o código-fonte está disponível, e às vezes existem restrições para o uso (por exemplo, comercial ou governamental). Por essa razão, não se deve dizer “software gratuito” quando se quer dizer “software livre”.

Finalmente, mesmo um programa com código-fonte aberto pode ser um software proprietário. Um bom exemplo disso é a iniciativa shared source , da Microsoft: 14 Software Libre e Logiciel Libre, respectivamente 15 As “distribuições Linux”, que veremos a seguir, são exemplos de softwares livres que também são comercializados

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The Shared Source initiative is a balanced approach that allows Microsoft to share source code with various communities while maintaining the intellectual property rights needed to support a strong software business.^16 É importante lembrar que as principais licenças de software livre têm como objetivo manter a propriedade intelectual dos autores originais, sem que, para isso, seja preciso restringir os direitos dos usuários. No caso da licença shared source , porém, “manter a propriedade intelectual” significa que as instituições selecionadas para receber esse código-fonte não têm liberdade para usá-lo, modificá-lo ou distribuí-lo, e, portanto, shared source não é software livre. Como já dissemos, esta é uma das razões pelas quais preferimos adotar a expressão software livre, ao invés de código aberto, ou open source.

     

Vantagem estratégica, segundo Porter, é toda aquela vantagem que possa reduzir o poder de um fornecedor, reduzir custos, diferenciar seus produtos ou serviços com relação à concorrência, ou oferecer maior segurança e confiabilidade na execução de processos.

16 The Microsoft Shared Source Philosophy http://www.microsoft.com/licensing/sharedsource/philosophy.asp

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software (and charge for this service if you wish), that you receive source code or can get it if you want it, that you can change the software or use pieces of it in new free programs; and that you know you can do these things. To protect your rights, we need to make restrictions that forbid anyone to deny you these rights or to ask you to surrender the rights. These restrictions translate to certain responsibilities for you if you distribute copies of the software, or if you modify it. For example, if you distribute copies of such a program, whether gratis or for a fee, you must give the recipients all the rights that you have. You must make sure that they, too, receive or can get the source code. And you must show them these terms so they know their rights.^18 Em outras palavras, a licença GPL procura oferecer ao usuário as quatro liberdades fundamentais do software livre, ao mesmo tempo em que impõe a obrigação de que essas liberdades sejam mantidas.

Existem outras licenças de software livre menos restritivas, o que significa dizer que elas não procuram garantir a liberdade de uso de programas derivados.

Um exemplo de licença menos restritiva é a licença do FreeBSD^19 , que permite a redistribuição sem o código-fonte, efetivamente permitindo que um usuário (ou corporação) utilize partes do software (ou o software completo) em um produto proprietário.

18 Idem 19 O FreeBSD é um sistema operacional livre, derivado do BSD UNIX. http://www.freebsd.org/

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Como de fato ocorreu: a Microsoft utilizou partes do código do FreeBSD em seus produtos, como mostrou o Wall Street Journal:

...[S]everal FreeBSD volunteers combing through Microsoft products, including the new Windows 2000 operating system, found numerous instances where Microsoft had made use of their software – something perfectly legal for it to do^20. É interessante notar que a Microsoft não se opõe a licenças desse tipo, mas somente àquelas que procuram garantir que um software e seus derivados permaneçam livres. Possivelmente por esta razão, Bill Gates afirmou que a licença GPL teria uma “natureza Pac-man”, enquanto Steve Ballmer classificou-a como um “câncer”^21.

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GNU^22 é o nome de um sistema operacional iniciado por Richard Stallman nos anos 80, parte fundamental do que muitos conhecem simplesmente como “Linux”.

Linux é o kernel (ou núcleo) atualmente utilizado pelo sistema operacional GNU, e foi iniciado por Linus Torvalds, então estudante da Universidade de Helsinki, na Finlândia, em 1991.

20 Wall Street Journal: Microsoft uses Open Source code http://public.wsj.com/news/hmc/sb992819157437237260.htm 21 ZDNet UK: Gates wades into open source debate http://news.zdnet.co.uk/story/0,,t269-s2089446,00.html 22 O nome GNU é uma sigla recursiva, que significa “GNU is Not Unix”. Curiosamente, esta sigla não explica o que é GNU, mas somente o que não é.

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Utilizaremos a expressão “distribuições Linux”, e não “distribuições GNU/Linux”, por este ser o nome efetivamente adotado pela maioria das distribuições^25.

É importante lembrar que o projeto GNU compõe uma parte significativa de qualquer distribuição Linux.

25 Naturalmente existem exceções, como a distribuição Debian que se auto-denomina GNU/Linux http://www.debian.org/

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De acordo com Porter, “uma empresa diferencia-se da concorrência quando oferece alguma coisa singular valiosa para os compradores”^26.

A liberdade de uso, modificação e distribuição favorecem a inovação. O software livre permite que pessoas ou empresas retomem o trabalho a partir do ponto onde outra pessoa ou empresa parou, ou continue o trabalho de maneiras imprevistas:

Open Source is the best way of leveraging outside talent. (...) The project could expand to become far bigger than it would have been at a single company. Outside resources make for a cheaper, more complete, and more balanced system, but there'sthis flip side: The expanded system no longer takes only the company needs into account. It actually might consider the needs of customers^27. Nas próximas páginas nós veremos como a diferenciação é facilitada pelo software livre, e estudaremos alguns casos que demonstram como a liberdade de modificação se traduz em vantagens para todos os usuários, através do aumento da

26 Porter (2), pp. 111 27 Linus Torvalds: Just for Fun – The Story of an Accidental Revolutionary, pg. 232

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De acordo com Lawrence Lessig^28 , as leis de propriedade intelectual foram criadas para estimular a difusão do conhecimento, e não simplesmente para recompensar os autores.

Portanto, os direitos sobre as obras deveriam valer pelo menor período possível, o mínimo necessário para motivar a publicação do conhecimento.

As leis de copyright criadas em 1710 previam um período de 14 anos após a publicação da obra, durante os quais o autor teria direitos de reprodução exclusivos. Ao final deste período a obra cairia em domínio público, permitindo a completa disseminação do conhecimento.

No entanto, o período desta proteção tem sido constantemente expandido, especialmente durante o século XX, quando os interesses de grandes corporações detentoras de propriedade intelectual entraram em jogo.

Somente nos últimos 40 anos o período do monopólio foi modificado 11 vezes: hoje, a duração é de 70 anos após a morte do autor, ou 95 anos para corporações.

Eleven times in the last 40 years it has been extended for existing works--not just for new works that are going to be created, but existing works. The most recent is the Sonny Bono copyright term extension act. Those of us who love it know it as the Mickey Mouse protection act, which of course [means] every time Mickey is about to

28 Lessig, Lawrence. The Future of Ideas: The Fate of the Commons in a Connected World.

pass through the public domain, copyright terms are extended. The meaning of this pattern is absolutely clear to those who pay to produce it. The meaning is: No one can do to the Disney Corporation what Walt Disney did to the Brothers Grimm. That though we had a culture where people could take and build upon what went before, that'sover. There is no such thing as the public domain in the minds of those who have produced these 11 extensions these last 40 years because now culture is owned.^29

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A espiral do conhecimento, de acordo com Nonaka, é o processo pelo qual o conhecimento é criado.

A transformação de conhecimento explícito em tácito é onde começa a espiral do conhecimento. Esta é uma atividade que exige empenho pessoal, e existem inúmeras razões que podem levar uma pessoa a realizar esta articulação: uma necessidade de expressão, a crença em um ideal, ou uma recompensa financeira.

Tanto o modelo proprietário quanto o software livre dependem fortemente da motivação financeira, mas o movimento do software livre também depende, em grande parte, da curiosidade e interesse pessoal dos desenvolvedores^30.

29 Lawrence Lessig: Free Culture http://www.eff.org/IP/freeculture/ 30 De acordo com Eric S. Raymond: “Every good work of software starts by scratching a developer's personal itch”. http://www.free-soft.org/literature/papers/esr/cathedral-bazaar/cathedral-bazaar-2.html