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Neste documento, aprenda sobre as variações linguísticas, incluindo históricas, geográficas, sociais e estilísticas, e o impacto do preconceito linguístico na sociedade. Explore o mito da língua única, o círculo vicioso do preconceito e como desconstruir este preconceito.
Tipologia: Notas de estudo
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Variações linguísticas Quando falamos em variação linguística , analisamos os diferentes modos em que é possível expressar-se em uma língua , levando-se em conta a escolha de palavras, a construção do enunciado e até o tom da fala. A língua é a nossa expressão básica, e, por isso, ela muda de acordo com a cultura, a região, a época, o contexto, as experiências e as necessidades do indivíduo e do grupo que se expressa. Veja quantos fatores empregamos para adequar a nossa fala à situação e ao grupo em que nos encontramos. Tipos de variações linguísticas Variações históricas (diacrônicas) As variações históricas tratam das mudanças ocorridas na língua com o decorrer do tempo. Algumas expressões deixaram de existir, outras novas surgiram e outras se transformaram com a ação do tempo. Um clássico exemplo da língua portuguesa é o termo “você”: no português arcaico, a forma usual desse pronome de tratamento era “vossa mercê”, que, devido a variações inicialmente sociais, passou a ser mais usada frequentemente como “vosmecê”. Com o passar dos séculos, essa expressão reduziu-se ao que hoje falamos como “você”, que é a forma incorporada pela norma- padrão (visto que a língua se adapta ao uso de seus falantes) e aceita pelas regras gramaticais. Em contextos informais, é comum ainda o uso da abreviação “cê” ou, na escrita informal, “vc” (lembrando que estas últimas formas não foram incorporadas pela norma-padrão, então não são utilizadas na linguagem formal). Vossa mercê → Vosmecê → Você → Cê Outras mudanças comuns são as de grafia, as quais as reformas ortográficas costumam regular. Assim, a partir de 2016, a palavra “consequência” passou a ser escrita sem trema, sendo que antes era escrita desta forma: “conseqüência”. Do mesmo modo, a palavra “fase” é hoje escrita com a letra f devido à reforma ortográfica de 1911, sendo que antes era escrita com ph: “phase”. Conseqüência → Consequência Phase → Fase Vale, ainda, comentar a respeito de palavras que deixam de existir ou passam a existir. Isso acontece frequentemente com as gírias: se antes jovens costumavam dizer que algo era “supimpa” ou que “aquele broto é um pão”, hoje é mais comum ouvir deles que algo é “da hora” ou que “aquela mina é mó gata”. Variações geográficas (diatópicas) As variações geográficas naturalmente falam da diferença de linguagem devido à região. Essas diferenças tornam-se óbvias quando ouvimos um falante brasileiro , um angolano e um português conversando: nos três países, fala-se português, mas há diferenças imensas entre cada fala. Não é preciso que a distância seja tão grande: dentro do próprio Brasil, vemos diferenças de léxico (palavras) ou de fonemas (sons, sotaques). Há diferenças entre a capital e as cidades do interior do mesmo estado. Observemos alguns exemplos de diferenças regionais: “Mandioca”, “aipim” ou “macaxeira”? Os três nomes estão corretos, mas, dependendo da região do Brasil, você ouvirá com mais frequência um ou outro. O mesmo vale para a polêmica disputa entre “biscoito” e “bolacha”, que se estende para todo o território nacional. As gírias também variam bastante regionalmente: cerveja pode ser conhecida como “bera” em regiões do Paraná, “breja” em São Paulo e “cerva” no Rio de Janeiro.
Variações sociais (diastráticas) As variações sociais são as diferenças de acordo com o grupo social do falante. Embora tenhamos visto como as gírias variam histórica e geograficamente, no caso da variação social, a gíria está mais ligada à faixa etária do falante, sendo tida como linguagem informal dos mais jovens (ou seja, as gírias atuais tendem a ser faladas pelos mais novos). Há, ainda, expressões informais ligadas a grupos sociais específicos. Um grupo de futebolistas, por exemplo, pode usar a expressão “carrinho” com significado específico, que pode não ser entendido por um falante que não goste de futebol ou que será entendido de modo distinto por crianças, por exemplo. Um grupo de capoeiristas pode facilmente falar de uma “meia-lua”, enquanto pessoas de fora desse grupo talvez não entendam imediatamente o conceito específico na capoeira. Do mesmo modo, capoeiristas e instrumentistas provavelmente terão mais familiaridade com o conceito de “atabaque” do que outras pessoas. Como vimos, as profissões também influenciam bastante nas variações sociais por meio dos termos técnicos ( jargões ): contadores falam dos termos “ativo” e “passivo” para remeter a conceitos diferentes daqueles usados por linguistas. No entanto, em ambos os casos, ativo e passivo são conceitos muito mais específicos do que seu uso geral em outros grupos. Variações estilísticas (diafásicas) As variações estilísticas remetem ao contexto que exige a adaptação da fala ou ao estilo dela. Aqui entram as questões de linguagem formal e informal, adequação à norma-padrão ou despreocupação com seu uso. O uso de expressões rebuscadas e o respeito às normas-padrão do idioma remetem à linguagem tida como culta, que se opõe àquela linguagem mais coloquial e familiar. Na fala, o tom de voz acaba tendo papel importante também. Assim, o vocabulário e a maneira de falar com amigos provavelmente não serão os mesmos que em uma entrevista de emprego, e também serão diferentes daqueles usados para falar com pais e avós. As variações estilísticas respeitam a situação da interação social , levando-se em conta ambiente e expectativas dos interlocutores. Preconceito linguístico Tendo tantas variações e nuances, pudemos ver que cada contexto social traz naturalmente um modo mais ou menos adequado de expressão, sendo importante entender que as variações linguísticas existem para estabelecer uma comunicação adequada ao contexto pedido. Apesar disso, as diversas maneiras de expressar-se ganham status de maior ou menor prestígio social baseado em uma série de preconceitos sociais: as variações linguísticas ligadas a grupos de maior poder aquisitivo, com algum tipo de status social, ou a regiões tidas como “desenvolvidas” tendem a ganhar maior destaque e preferência em relação às variedades linguísticas ligadas a grupos de menor poder aquisitivo, marginalizados, que sofrem preconceitos ou que são estigmatizados. Desenvolve-se, assim, o preconceito linguístico , que se baseia em um sistema de valores que afirma que determinadas variedades linguísticas são “mais corretas” do que outras, gerando um juízo de valor negativo ao modo de falar diferente daqueles que se configuram como os “melhores”. O preconceito linguístico nada mais é do que a reprodução, no campo linguístico, de um sistema de valores sociais, econômicos e culturais. No entanto, ao estudarmos as variações linguísticas, percebemos que não há uma única maneira de expressar-se e que, portanto, não há apenas um modo certo. A língua e sua expressão variam de acordo com uma série de fatores. Antes de tudo, ela deve cumprir seu papel de expressão , sendo compreendida pelos falantes e estando adequada aos contextos e às expectativas no ato da fala. Dessa forma, o ideal do preconceito linguístico, que gera juízo de valor às diferentes variações linguísticas, não deve ser alimentado. As variações linguísticas são determinadas pelos mais variados fatores. Linguagem formal e informal Uma diferença importante é aquela entre linguagem formal e linguagem informal. A situação em que nos encontramos define o tipo de linguagem que usaremos. Primeiro, pensemos no conceito de norma-padrão : as convenções da língua criam regras gramaticais que buscam nortear seu uso, de modo que falantes de uma mesma língua, apesar das variações existentes, consigam entender-se por um padrão comum a todos. Assim, um jovem nascido no Acre conseguirá comunicar-se com uma senhora que viveu em Santa Catarina baseado nas regras comuns da norma-padrão da língua portuguesa. Do mesmo modo, grandes veículos de comunicação, como emissoras de TV ou mesmo youtubers , podem produzir mensagens que serão basicamente compreendidas por qualquer falante do idioma utilizado.
II. O círculo vicioso do preconceito linguístico O linguista fala, nessa segunda parte do livro, que os mitos são propagados pela gramática tradicional, pelos livros didáticos e pelo próprio ensino nas escolas , em um círculo vicioso difícil de ser quebrado. Dessa forma, perpetuam-se os mitos, e a população mais carente, que, muitas vezes, não têm acesso à educação, é discriminada por não falar a variante padrão da língua. III. A desconstrução do preconceito linguístico Para quebrar essa corrente, Bagno propõe atacar três problemas básicos: o alto índice de analfabetismo; o pouco contato com a norma culta (na leitura e na escrita) mesmo para os alfabetizados; a idealização de uma norma culta. A partir do momento em que reconhecermos que existe uma crise nesse setor, teremos mais “ autoestima linguística ” e saberemos valorizar, por exemplo, a fala de habitantes da zona rural como uma variante, nem certa nem errada. Exemplos de preconceito linguístico Quer ver, na prática, como ocorre o preconceito linguístico em diferentes aspectos? Na pronúncia Em Minas Gerais e na Bahia, verbos no gerúndio costumam ser pronunciados sem o “d” final e substituindo o som de “o” pelo de “u”: pensanu , sentinu , fazenu , por exemplo. Sem alteração na grafia, essa forma de comunicação é facilmente entendida pela comunidade e não há por que humilhar quem fala assim. Outro caso ocorre com o “r”: ele pode ser pronunciado mais seco, como o dos cariocas, ou mais “puxado”, como o dos goianos. Ambas as formas estão corretas e configuram uma variação fônica. Na gramática Um dos pontos que mais são notados com relação a erros gramaticais é a concordância, tanto verbal como nominal. Falar “menas” gente, “nós vai” e “os livro”, por exemplo, é motivo de desmerecimento da pessoa, principalmente se ela estiver ocupando cargo de responsabilidade. Outra questão refere-se ao uso da preposição com pronome relativo, que, na fala, quase nem existe mais, mas é cobrado na escrita: O carro (de) que eu gosto é azul. O shopping (em) que eu estava pegou fogo. Portanto, antes de ridicularizar alguém pela forma como fala ou escreve, procure entender o que houve linguisticamente para que aquela palavra ou expressão fosse utilizada, por que uma variante foi escolhida e não outra… Enfim, há uma razão para aquilo que chamamos de “erro”. Preconceito linguístico redação: como fazer? Como esse é um tema que deixa os ânimos alterados, é bem provável que uma redação sobre preconceito linguístico seja cobrada no Enem. Por isso, trouxemos um esboço de redação com essa proposta para que você possa desenvolvê-la. Preconceito linguístico: redação Introdução É importante começar o texto demonstrando que você compreendeu o tema. Fale sobre a presença e a manifestação do preconceito linguístico no Brasil e posicione-se de forma a combatê-lo. Desenvolvimento
Apresente exemplos de preconceito mostrados pela mídia (programas humorísticos), dados referentes à educação e comprove a existência do preconceito. Fale também de causas históricas e socioculturais. Este é o momento de você exibir seu repertório (seus conhecimentos) de forma coesa e articulada, com argumentos hierarquizados. Conclusão Além de fechar a discussão, a conclusão traz uma proposta solução para o problema. Indique quem, como, por que e de que forma o preconceito pode ser amenizado ou, até mesmo, extirpado da sociedade. Desenvolva cada tópico em um parágrafo, mantendo conexão entre eles. É claro que o enfoque da proposta pode sofrer alterações, por isso é importante ler as instruções completas para fazer o texto da forma como foi pedido, certo? Agora, você amadureceu sua reflexão sobre o tema e aprendeu mais sobre preconceito linguístico , coloque em prática essa ideia!