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Este estudo tem como objetivo analisar a percepção da identidade de idosas longevas. Trata-se de uma pesquisa qualitativa exploratório-descritiva, com a utilização da técnica da história oral temática e do software NVivo para análise dos dados. Emergiram três temas de análise: O espírito jovem: a relação corpo e mente; a aparência: imagem atual versus imagem do passado, e o cuidado com o corpo e a aparência.
Tipologia: Trabalhos
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Marinho, M. dos S., & Reis, L. A. dos. (2016, janeiro-março). Velhice e aparência: a percepção da identidade deidosas longevas. Revista Kairós Gerontologia, 19 (1), pp. 145-160. ISSNe 2176-901X. São Paulo (SP), Brasil: FACHS/NEPE/PEPGG/PUC-SP
Aging and Appearance: the perception of the identity of the oldest old
Maykon dos Santos Marinho Luciana Araújo dos Reis
RESUMO: Este estudo tem como objetivo analisar a percepção da identidade de idosas longevas. Trata-se de uma pesquisa qualitativa exploratório-descritiva, com a utilização da técnica da história oral temática e do software NVivo para análise dos dados. Emergiram três temas de análise: O espírito jovem: a relação corpo e mente; a aparência: imagem atual versus imagem do passado, e o cuidado com o corpo e a aparência. Diante dos achados desta pesquisa, é possível afirmar que nos defrontamos com um novo olhar para a velhice e para uma nova identidade dos idosos longevos. Palavras-chave: Identidade; Aparência; Velhice.
ABSTRACT: This study aims to analyze the perception of the identity of the oldest old. This is an exploratory-descriptive qualitative research, using the technique of oral history and NVivo software for data analysis. Analysis revealed three themes: The young spirit: the relationship body and mind; appearance: Current image vs image of the past and the care of the body and appearance. Given the findings of this research we can say that we are faced with a new look for old age and a new identity of the oldest old. Keywords: Identity; Appearance; Aging.
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da identidade de idosas longevas.^ Marinho, M. dos S., & Reis, L. A. dos. (2016, janeiro-março). Velhice e aparência: a percepção Revista Kairós Gerontologia, 19 (1), pp. 145-160. ISSNe 2176-901X. São Paulo (SP), Brasil: FACHS/NEPE/PEPGG/PUC-SP
Introdução
Ao longo do envelhecimento, o indivíduo assume identidades diferentes que variam de acordo com o momento vivido, pois considera as transformações definidas como um processo sociocultural e não apenas biológico. Isso permite que o indivíduo desenvolva, em diferentes momentos, uma identidade caracterizada pela individualidade inacabada e construída de forma coletiva (Freitas, Moura, Silva, Cartaxo, Silva, Carminha, & Smethurst, 2012). Desta forma, a identidade nunca pode ser vista como sendo puramente individual; ela é determinada pelas experiências singulares que têm lugar na interação com os outros numa sociedade de mudança (Silva, 2006, p. 122). De acordo com Ciampa (2006), a identidade é um processo em constante metamorfose, pois o ser humano como um ser ativo está em constante processo de transformação, ou seja, as imagens sociais e individuais da velhice são ligadas por um movimento constante de criação, que é responsável pela construção da identidade do idoso (Caldas, & Thomas, 2010). Nos tempos atuais, há uma valorização exacerbada da beleza e da juventude. Valorização esta que leva os indivíduos a experimentarem uma crescente preocupação com a própria imagem, e isso leva a grande preocupação estética e consequente consumismo, voltados para a busca do corpo perfeito e ideal, que incide diretamente na questão identitária dos idosos (Coutinho, Tomazeti, & Acosta, 2013). Uma pesquisa sobre envelhecimento, corpo e diferenças de gênero, realizada por Limoeiro (2012), apontou que os temas mais citados nas respostas dadas a um questionário estavam relacionadas às características ou mudanças na aparência que o envelhecimento pode trazer, como a própria decadência na imagem, que seria a perda das características juvenis. Desse modo, o processo de envelhecer aparece intimamente ligado às perdas no quesito da beleza. Nesse sentido, a construção da identidade depende da construção das imagens do corpo, cujas modificações físicas são marcadores identitários para delimitar quem é ou não idoso (Costa, 2012). Com isso, o corpo e o uso de artifício para arrumá-lo fazem parte de uma forma de controle de expressão da velhice (Barros, 2013). Para Costa (2004), o sentimento de identidade significa, na atualidade, dizer o que somos e o que aparentamos ser e, dessa maneira, o “corpo passa a ser visto como uma vitrine compulsória”. Assim, a marca identitária e os atributos físicos tendem a ser uma só e a mesma coisa (Pitanga, 2006).
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da identidade de idosas longevas.^ Marinho, M. dos S., & Reis, L. A. dos. (2016, janeiro-março). Velhice e aparência: a percepção Revista Kairós Gerontologia, 19 (1), pp. 145-160. ISSNe 2176-901X. São Paulo (SP), Brasil: FACHS/NEPE/PEPGG/PUC-SP
Neste estudo, o campo de investigação foi uma Unidade de Saúde da Família (USF) do município de Vitória da Conquista, Bahia. Essa USF possui 3.392 famílias cadastradas, oferecendo atendimento para 13.146 usuários, dos quais 1.320 são idosos. Os participantes da pesquisa foram 10 idosos longevos que atendiam aos seguintes critérios de inclusão: idade igual ou superior a 80 anos, ser independente funcionalmente e ser usuário da USF escolhida. Foram utilizados dois instrumentos para a coleta de dados: um formulário semiestruturado, com questões de caracterização sociodemográfica dos idosos longevos e uma entrevista semiestruturada com as sete questões voltadas para os significados atribuídos ao processo de envelhecimento, antes e após o envelhecer. Após a transcrição integral das entrevistas, as informações foram analisadas utilizando-se a técnica de análise de conteúdo de Bardin (2011). Contudo, devido à grande quantidade de informações utilizou-se o software de tratamento de dados qualitativos QSR NVivo®, versão 10.0, doravante escrito como NVivo. O processo de análise de conteúdo foi operacionalizado em três etapas: pré- análise, exploração do material e tratamento dos resultados obtidos, inferência e interpretação (Bardin, 2011). Na etapa de pré-análise , as transcrições foram introduzidos no NVivo com o recurso de importação de fontes de informação, compondo, assim, o corpus da pesquisa. Após a criação do banco de dados no NVivo, foi iniciada a etapa seguinte: a de exploração do material. Nesta etapa foi realizada a leitura exaustiva das transcrições e o processo de codificação com a decomposição dos conteúdos em unidades de registro, com base nas expressões com sentidos equivalentes que surgiram ao longo do corpus da pesquisa, as quais foram agrupadas nas categorias analíticas emergentes dos dados empíricos. Nessa etapa, foi utilizada a técnica nuvens de palavras do Nvivo para análise do material empírico. Esta técnica pode ser compreendida como uma forma de visualização de dados linguísticos, que mostra a frequência com que as palavras aparecem em um dado contexto. A técnica de construção desta nuvem consiste em usar tamanhos e fontes de letras diferentes, de acordo com as ocorrências das palavras na categoria analisada, o que gera uma imagem que apresenta um conjunto de palavras coletadas do corpo do texto e agregadas de acordo com sua frequência, sendo que as palavras mais frequentes aparecem, de modo decrescente, no centro da imagem e as demais em seu entorno (QRS internacional, 2014). Dessa maneira, a aplicabilidade desta técnica contribui para a visualização do que é mais relevante nas falas dos participantes desse presente estudo.
Marinho, M. dos S., & Reis, L. A. dos. (2016, janeiro-março). Velhice e aparência: a percepção da identidade deidosas longevas. Revista Kairós Gerontologia, 19 (1), pp. 145-160. ISSNe 2176-901X. São Paulo (SP), Brasil: FACHS/NEPE/PEPGG/PUC-SP
De posse da nuvem de palavras e dos dados codificados, foi iniciada a terceira e última etapa: a do tratamento dos resultados. Buscou-se a articulação entre o material empírico e o referencial teórico, possibilitando a ocorrência de outras contribuições teóricas sugeridas pela leitura do material empírico. O desenvolvimento desta pesquisa respeitou a Resolução n.° 466 de 2012 do Conselho Nacional de Saúde (CNS). Assim, o projeto desta pesquisa foi encaminhado ao Núcleo de educação permanente da Secretaria Municipal de Saúde do município de Vitória da Conquista, BA, e ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Faculdade Independente do Nordeste (FAINOR) e foi obtido o parecer de aprovação (Protocolo n.° 759479). Os participantes deste estudo assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) e, com vistas a garantir o anonimato dos participantes e facilitar a compreensão do leitor, foram atribuídos aleatoriamente nomes de flores aos idosos longevos, a saber: Cravo, Margarida, Camélia, Angélica, Rosa, Lírio, Hortência, Violeta, Girassol e Jasmim.
Resultados e Discussão
Ao analisar os resultados obtidos no presente estudo, pôde-se perceber a maior participação de mulheres, posto que, dos dez (10) participantes da pesquisa, oito (8) pertencem ao sexo feminino, o que mostra uma maior tendência das mulheres em alcançar a longevidade. Essa vantagem em relação ao sexo é coerente com o registro na literatura e decorre de inúmeros fatores, entre eles, a tendência do sexo feminino se cuidar mais e melhor, buscar assistência médica ou apoio social (Santos, Moreira, & Cerveny, 2014). Em relação ao estado civil dos idosos longevos, os dois (2) homens são casados, e das oito (8) mulheres entrevistadas, três (3) são casadas, uma (1) vive em união estável e quatro (4) são viúvas. Um dado interessante é que o gênero feminino enquanto mais longevo, tende a viver a viuvez mais frequente que o masculino (Brasil, 2010). Em relação ao número de filhos, os idosos longevos entrevistados tiveram uma média de cinco (5) filhos. Esses dados apontam para uma transição entre famílias extensas com grande número de descendentes para famílias menores com um ou dois filhos por mulher na atualidade (Brasil, 2010).
Marinho, M. dos S., & Reis, L. A. dos. (2016, janeiro-março). Velhice e aparência: a percepção da identidade deidosas longevas. Revista Kairós Gerontologia, 19 (1), pp. 145-160. ISSNe 2176-901X. São Paulo (SP), Brasil: FACHS/NEPE/PEPGG/PUC-SP
Considera autonomia como a capacidade de tomar decisões e de executá-las, enquanto independência relaciona-se com a conformação física, mental e social para realizar atividades cotidianas (Moura, & Souza, 2012). Na perspectiva de uma construção e afirmação de uma identidade social positiva do idoso(a), Minayo, e Coimbra Júnior (2002) afirmam que, do ponto de vista econômico, os idosos (especialmente os mais ativos e independentes) representam um mercado promissor no mundo dos bens de consumo, da cultura, do lazer, da estética e dos serviços de saúde. Nessa direção, garantir uma existência mais saudável ao idoso é admitir novas formas de pertencimento social, seja através das novas possibilidades de comunicação, de participação grupal ou, ainda, seja através do cultivo de diferentes (ou novas) formas de lazer (Moura, & Souza, 2012). O resultado gerado pela técnica nuvem de palavras (Figura 1), apontou que as palavras mais frequentes nos depoimentos dos idosos longevos foram: sinto , jovem , maravilhosa , oitenta , estou linda , cabelo , arrumo , bonita , creme , batom e cuidar.
Figura 1 - Nuvem de palavras gerada pelo NVivo com base nas narrativas dos idosos longevos
Fonte: Dados da pesquisa “Narrativas sobre o envelhecer: memórias, vivências e identidades de idosos longevos”. Vitória da Conquista, BA, 2015
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da identidade de idosas longevas.^ Marinho, M. dos S., & Reis, L. A. dos. (2016, janeiro-março). Velhice e aparência: a percepção Revista Kairós Gerontologia, 19 (1), pp. 145-160. ISSNe 2176-901X. São Paulo (SP), Brasil: FACHS/NEPE/PEPGG/PUC-SP
Percebe-se, na nuvem de palavras, que os termos em destaque estão relacionados com a aparência e a necessidade de desvinculação da sua imagem atual. Essa característica ocorre, pois as idosas longevas utilizam a ideia de espírito jovem para dissociar o corpo velho da maneira em que vivem. Foi a partir das palavras mais frequentes na nuvem que emergiram três temas de análise: O espírito jovem: a relação corpo e mente; a aparência: imagem atual versus imagem do passado e o cuidado com o corpo e a aparência.
O espírito jovem: a relação corpo e mente
A publicidade e a mídia transformaram os jovens em modelos desejáveis, que influenciam no imaginário de indivíduos de todas as idades (Pereira, & Penalva, 2011). Assim, esse modelo de juventude atual transpõe os limites e a natureza etária, tornando- se um estado de ser, relacionar e perceber a vida, denominado pelos idosos de espírito jovem (Silva, Cachioni, & Lopes, 2012). De acordo com Blessman (2004), isso ocorre porque a imagem corporal da velhice é representada pelo declínio físico perceptível, e a dificuldade em aceitar este fato induz à existência de um eu visível, que envelhece, e um eu invisível que se mantém jovem. Possuir o espírito jovem resulta do cultivo de uma postura considerada ativa e produtiva diante da vida. Significa também adotar e alimentar determinados estilos de vida (Silva, Cachioni, & Lopes, 2012). Essa lógica, já observada entre os idosos jovens (idade média de 65 anos), pode também ser percebida com os idosos longevos. As idosas longevas pesquisadas se sentem jovens, mesmo com mais de oitenta anos de idade, e assim como os idosos jovens, elas adotam um estilo de vida ativo, alegre, engajadas em diversas atividades como academia, lazer, semelhante às características privilegiadas daqueles que são cronologicamente jovens, como se pode observar nas narrativas a seguir:
“Eu me sinto linda, me sinto jovem, eu me sinto linda e maravilhosa, me cuido, faço academia.” (Margarida, 82 anos).
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da identidade de idosas longevas.^ Marinho, M. dos S., & Reis, L. A. dos. (2016, janeiro-março). Velhice e aparência: a percepção Revista Kairós Gerontologia, 19 (1), pp. 145-160. ISSNe 2176-901X. São Paulo (SP), Brasil: FACHS/NEPE/PEPGG/PUC-SP
“Quando eu me olho no espelho eu vejo muitas mudanças, né?! Quando a gente é jovem a gente é linda e maravilhosa, quando a gente é jovem é uma uva, quando velha é um abacaxi (risos), mas eu me sinto bem, eu aceito a velhice e encaro numa boa.” (Camélia, 83 anos).
“Aí, é duro (risos), eu vejo uma grande diferença (risos), vixe!, eu não gosto de me ver no espelho, porque quando eu me olho no espelho eu vejo que estou ficando velha, porque aquela beleza que eu tinha eu não tenho mais, eu sinto saudade do tempo que quando eu era jovem, ontem eu não tinha uma ruga e hoje eu tenho, mas eu me sinto velha só por fora, porque por dentro eu ainda me sinto jovem, eu vejo uma grande diferença de quando eu era nova, na velhice eu não sou mais aquilo que eu era, eu vejo uma grande diferença.” (Violeta, 82 anos).
“Eu não me acho tão feia, não, eu não sou bonita, mas hoje eu estou feia porque estou desarrumada, tô um pouco gripada porque essa vacina me derrubou.” (Jasmim, 80 anos).
“Eu percebo as rugas que aparece.” (Rosa, 81 anos).
“[...] já completei oitenta e três anos, tô muito satisfeita pela idade que eu tenho, eu não me envergonho de nada, eu também já fui jovem, eu não nasci com essa pele, com essas rugas, eu não nasci com cabelos brancos, eu nasci jovem, bonita, né?! Maravilhosa! Eu lembro muito daquela época que era jovem, quando eu tinha vinte anos, eu era bonita, né?! Maravilhosa! Meu Deus!, a diferença é muito grande, viu!. Mas eu estou lúcida, me sinto jovem ainda, glória Deus, glória Deus, pela vida, né?! Tem coisa melhor do que a vida?” (Camélia, 83 anos).
Percebe-se, nas narrativas das idosas longevas, que o envelhecer implica em mudanças na aparência. A imagem atual não corresponde mais à imagem que elas têm na memória.
Marinho, M. dos S., & Reis, L. A. dos. (2016, janeiro-março). Velhice e aparência: a percepção da identidade deidosas longevas. Revista Kairós Gerontologia, 19 (1), pp. 145-160. ISSNe 2176-901X. São Paulo (SP), Brasil: FACHS/NEPE/PEPGG/PUC-SP
Nesse sentido, o contraste entre as imagens do jovem e do idoso reflete a beleza da juventude, enquanto, após a passagem do tempo, evidencia os aspectos biopsíquicos do envelhecimento (Santos, Moreira, & Cerveny, 2014). No entanto, apesar das transformações causadas pela inscrição da passagem do tempo no corpo ao mostrar os sinais do envelhecimento, isso não abala a autoestima, a vontade de viver e encarar a velhice, pois ainda estão “lúcidas” e “aceitam velhice numa boa”. Estes são sinais de que a longevidade vale a pena.
O cuidado com o corpo e a aparência
As idosas longevas entrevistadas relataram a dedicação em cuidar do corpo para não ficar com má aparência. Elas consideram esse cuidado como algo positivo, sinal de bom envelhecimento. Assim, os dados obtidos, na presente pesquisa com idosas longevas, corroboram com a pesquisa realizada por Silva, Cachioni, & Lopes (2012), com idosos jovens, apontando uma melhor aceitação da velhice pela mulher, e a maior dedicação dela em cuidar do corpo, da aparência, da saúde, do convívio, da alimentação e do bem-estar. Os cuidados em relação ao corpo e a aparência podem ser verificados nas narrativas abaixo:
“[...] eu me arrumo, vou na cabelereira, arrumo meus cabelos... meu cabelo é bem grandão, gosto de me arrumar, vixe maria!, passou batom, nossa... eu me sinto linda, eu me sinto linda e maravilhosa.” (Margarida, 82 anos)
“Não é porque a gente tá ficando velho que tem que se entregar, e que não vai usar um creme, tem que se cuidar mesmo né?!, aí é que precisa se cuidar pra não se acabar, porque se você se entregar porque tá velho... tem gente que não usa nenhum creme, não faz nada, não tira uma sobrancelha, não tinge o cabelo, esse tempo já passou, a gente tem que ir pra frente, porque eu quero chegar aos cem, e vou chegar.” (Girassol, 81 anos)
Marinho, M. dos S., & Reis, L. A. dos. (2016, janeiro-março). Velhice e aparência: a percepção da identidade deidosas longevas. Revista Kairós Gerontologia, 19 (1), pp. 145-160. ISSNe 2176-901X. São Paulo (SP), Brasil: FACHS/NEPE/PEPGG/PUC-SP
Por outro lado, embora pese a idade avançada, os idosos longevos, especialmente no caso das longevas desta pesquisa, continuam a cuidar do corpo e da aparência, buscando apresentar uma imagem cuidada, aproximando-se de uma imagem jovem. Esse cuidado com o corpo traz benefícios, e ajuda na formação da identidade das idosas longevas, haja vista que o cuidado com o corpo e a aparência foi identificado como um carinho que elas têm consigo mesmas, como sensação de bem-estar e, por sua vez, manifestam uma boa autoestima. Assim, a percepção da identidade das idosas longevas ajuda a desmistificar ideias preconceituosas e negativas de que pessoas com mais de oitenta anos não se preocupam em cuidar do corpo e da aparência, dado que este estudo apontou que idosas longevas também se preocupam com sua aparência e investem nesse sentido. Assim, esta pesquisa mostra-se relevante para que novas concepções sejam construídas sustentando as práticas profissionais, com a finalidade de evitar generalizações perniciosas sobre a velhice e reduzir os sujeitos a aspectos biológicos apenas, haja vista que a velhice é uma etapa complexa, inserida numa sociedade em constante transformação e que deve ser compreendida em seus múltiplos aspectos: psicológicos, sociais, econômicos e culturais. Uma limitação do presente estudo foi o número reduzido de participantes do sexo masculino, o que acarretou na não representatividade de suas narrativas na nuvem de palavras. Assim, sugere-se que novos estudos envolvendo mais homens sejam realizados, abordando a aparência, o cuidado com o corpo, e as diferenças de gênero. Limitadora também foi a falta de outras pesquisas com idosos longevos para possível comparação. Observou-se, no entanto, que muitos dos estudos são realizados com idosos jovens, o que comprova a escassez na literatura nacional de investigações mais aprofundadas sobre as questões aqui tratadas envolvendo homens idosos longevos.
Agradecimentos
À Capes, pela Bolsa, crucial para o desenvolvimento deste estudo. Um agradecimento mais do que especial aos participantes desta pesquisa: os idosos longevos, que nos acolheram em suas casas, permitindo o desenvolvimento deste trabalho. O aprendizado que tivemos não foi só acadêmico, foi também pessoal; levaremos para toda a nossa vida esta experiência que foi única.
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Referências
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Recebido em 08/03/ Aceito em 30/03/
Maykon dos Santos Marinho – Enfermeiro. Doutorando do Programa de Pós- Graduação em Memória: Linguagem e Sociedade (PPGMLS), da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB); Bolsista de Doutorado da CAPES. Membro do Núcleo Interdisciplinar de Estudos e Pesquisa sobre Envelhecimento Humano (UESB). E-mail: [email protected]
Luciana Araújo dos Reis - Fisioterapeuta. Doutora em Ciências da Saúde (UFRN); Professora dos Programas de Pós-Graduação Stricto Sensu em Memória: Linguagem e Sociedade da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (PPGM/UESB); Professora do Curso de Fisioterapia da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), Departamento de Saúde 1; Grupo de Pesquisa: Núcleo de Estudos e Pesquisa sobre o Envelhecimento e Obesidade (UESB, CNPq). E-mail: [email protected]