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VERMICOMPOSTAGEM E SUSTENTABILIDADE
Tipologia: Notas de estudo
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Renata Bicudo Molinari^1
Hoje em dia, no Brasil, os resíduos domiciliares coletados contam com mais de 50%, em peso, de matéria orgânica a qual, se tratada indevidamente ou disposta no solo incorretamente, geram efluentes líquidos (chorume) e gasosos (biogás) que poluem corpos hídricos e a atmosfera, respectivamente. A coleta desse resíduo orgânico é muito onerosa e a falta de opções para seu descarte o que acaba resultando no acúmulo indevido desses materiais em aterros sanitários, os quais poluem as águas subterrâneas e geram diversas patologias em moradores próximos dessas regiões. O objetivo desse artigo é apresentar uma opção prática e econômica para reduzir a quantidade de resíduos orgânicos residenciais através da pesquisa e aplicação de minhocas na decomposição desse lixo, visando, como resultado, uma diminuição de, pelo menos, 80% do descarte dessas substâncias.
Palavras-chave : lixo; orgânico; minhocas.
(^1) Faculdades Espírita. E-mail: [email protected]
A finalidade desse artigo é mostrar a importância de se diminuir o lixo orgânico residencial e apresentar, como solução, a vermicompostagem. A compostagem é um processo natural de decomposição biológica de materiais que possuem carbono em sua estrutura (materiais orgânicos de origem animal ou vegetal) através da ação de microorganismos. Como não necessita da adição de componentes físicos ou químicos à massa de lixo, a compostagem nos oferece o melhor adubo para plantações de frutas, verduras e ervas que consumimos no nosso dia-a-dia. Recomenda-se, para ambientes internos ou com pouco espaço, a utilização de vermicomposteiras feitas em compartimentos de plástico duro. Não se aconselha o depósito de fezes de animais, alimentos com temperos e carnes pois liberam odores e atraem animais. A redução do resíduo orgânico é, hoje em dia, essencial para o bem estar do planeta pois, segundo Francisco C. Scarlato e Joel A. Pontin, “os aterros favorecem a contaminação das Bacias Hidrográficas situadas em suas proximidades”, isso se dá através do chorume resultante da decomposição de matéria orgânica que é jogada fora e que, por falta de melhores opções, são acumuladas em aterros sanitários, muitas vezes precários. Além disso, existem muitas pessoas que reaproveitam alimentos encontrados neles ou os vasculham a procura de materiais recicláveis que possam vender, isso gera a marginalização dos indivíduos em questão e aumenta a proliferação de doenças.
Vermicompostagem é um sistema de reciclagem onde a matéria orgânica é digerida por minhocas e excretada em forma de húmus. Uma minhoca chega a comer o equivalente ao próprio peso e pode ficar até três meses sem se alimentar, podendo, assim, reduzir em até dois terços o lixo orgânico doméstico de um dia. Podemos definir esse procedimento como sendo ecologicamente correto, economi- camente viável e socialmente justo uma vez que diminui sensivelmente o descarte de lixo orgânico no ambiente, tem baixo custo, não exige pessoas treinadas para sua manutenção e pode ser implantado em casas, apartamentos e terrenos pois não precisa ocupar muito espaço.
Um dos maiores problemas enfrentados hoje por governos do mundo inteiro é o que se fazer com o lixo orgânico. Além de a coleta ser muito cara, cada dia se torna mais difícil achar onde descartá-lo.
Esses animais aproveitam os nutrientes que encontram nos resíduos que consomem e excretam o excesso. Dentre as substâncias defecadas, encontramos terra, hidrogênio, fósforo, potássio, cálcio e outros compostos que são fundamentais para se manter o ph do solo adequado e para o bom desenvolvimento das plantas. Sendo o volume da matéria excretada pela minhoca muito inferior ao ingerido, dá-se um aumento acentuado da concentração por volume de cada um dos nutrientes. Por ser um produto natural, não agride o ambiente, ajudando a manter em equilíbrio a microfauna dos solos. Outro benefício da utilização do húmus é o fato de evitar a compactação de solos argilosos e promover a agregação de solos arenosos, além de reter, com mais eficiência, os nutrientes e a água no solo. Diferente dos fertilizantes químicos convencionais, esse produto não oferece risco de superdosagem, pois as plantas só irão absorver o que lhes for necessário. O líquido gerado no processo, chamado de biofertilizante, também pode ser usado para adubo ou para regar as plantas (uma parte para 10 de água não clorada - de chuva, de poço ou de torneira após uma noite de repouso).
Três caixas de plástico sendo que, duas devem ter furos em seus fundos (o tamanho e a forma irão variar de acordo com o espaço disponível para alojar o sistema). Húmus ou terra (a quantidade irá variar de acordo com o tamanho das caixas, deve ser suficiente para forrar com quatro dedos de altura o fundo da caixa e cobrir totalmente a matéria orgânica depositada). Minhocas da espécie Eisenia faetida (cerca de um litro de minhoca). Folhas secas e papel. Resíduo orgânico.
1° Passo:
Colocar as três caixas, uma sobre a outra, sendo que a primeira deve conter um furo ou torneira para que o líquido resultante do processo (Biofertilizante) possa sair e a última deve conter tampa com furos para manter a caixa escura, mas arejada. Caso seja apenas um furo, colocar uma bandeja sob os recipientes para que o líquido possa ser armazenado. Escolher um lugar abrigado do sol e da chuva.
2° Passo: Caixa 2
Forrar a caixa do meio com húmus e minhocas; cavar um buraco e depositar o lixo úmido. Juntar folhas secas e papel (nunca colocar só papel) e depois cobrir com húmus.
3° Passo: Caixa 3
Quando a caixa do meio estiver cheia, colocar o lixo orgânico na última caixa, a de cima - cerca de 50 dias depois do início. À procura de alimento, as minhocas do compartimento do meio irão colonizar a caixa 3 através dos furos em seu fundo. Retirar o húmus da caixa 2 e por esse compartimento vazio, na parte superior, deixando a caixa 3 no meio.
4° Passo: Caixa 1:
A caixa 1 é responsável pela coleta do excesso de umidade, um biofertilizante de pH neutro usado para regar plantas. Nessa etapa, o processo volta ao 3° Passo. Ao final de 50 dias, o sistema pode produzir de 7 a 15 kg de húmus de acordo com o tamanho da caixa. Quanto mais variado for o resíduo, mais fértil será o adubo.
A deteriorização do planeta em decorrência da ação antrópica é cada dia mais perceptível e alarmante. É necessário, portanto, ações que minimizem essas pegadas ambientais que são deixadas desde que nascemos e, para isso, as mudanças devem começar em nossas casas, em nosso dia-a-dia. A vermicompostagem é um método fácil, prático e barato de se diminuir os impactos causados pelo resíduo orgânico descartado por nós, e ainda nos traz benefícios como, por exemplo, um adubo e um fertilizante totalmente naturais. É como disse Charles Darwin: "É pouco provável que algum animal tenha desempenhado um papel tão importante na história do nosso planeta como o destas pequenas criaturas." Ainda há tempo para salvarmos nosso planeta e o futuro de nossos filhos.