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Guias e Dicas
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Vestibular da UNICAMP com correções, Exercícios de Química

Caderno de respostas com correçoes comentadas da UNICAMP

Tipologia: Exercícios

2013

Compartilhado em 19/05/2013

jonkacio
jonkacio 🇧🇷

4.6

(214)

263 documentos

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COMISSÃO PERMANENTE
PARA OS VESTIBULARES
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COMISSÃO PERMANENTE PARA OS VESTIBULARES

A Unicamp

comenta

suas provas

1ª Fase

barragens no rio Tietê, para gerar energia elétrica, porém dotadas de eclusas, um investimento a longo prazo. (www.piracicaba.gov.br/portugues/hidrovia)

  1. No que concerne à concepção mesma de salubridade, é possível notar que se, na primeira metade do século XIX, os médicos continuam a ter um papel importante no desenvolvimento de uma nova sensibili- dade em relação ao urbano e às habitações em particular, são os engenheiros, contudo, aqueles que são responsáveis por trazer uma resposta prática aos problemas desencadeados pela falta de higiene. Por isso, é do saber deles que depende essencialmente o novo modo de gestão urbana que se esboça nesta época: “As grandes medidas de prevenção – a drenagem, a viabilização das ruas e das casas graças à água e à melhoria do sistema de esgotos, a adoção de um sistema mais eficaz de coleta do lixo – são operações que recorrem à ciência do engenheiro e não do médico, que tinha cumprido sua tarefa quando assinalou quais as doenças que resultaram de carências neste domínio e quando aliviou o sofrimento das vítimas”. (Fran- çois Beguin, “As maquinarias inglesas do conforto”, in: Políticas do habitat, 1800–1850)
  2. Os progressos da higiene íntima efetivamente revolucionam a vida privada. Múltiplos fatores contribuem, desde os primórdios do século [XVIII], para acentuar as antigas exigências de limpeza, que germinaram no interior do espaço dos conventos. Tanto as descobertas dos mecanismos da transpiração como o grande sucesso da teoria infeccionista levam a se acentuar os perigos da obstrução dos poros pela sujeira, porta- dora de miasmas. (...) A reconhecida influência do físico sobre o moral valoriza e recomenda o limpo. Novas exigências sensíveis rejuvenescem a civilidade; a acentuada delicadeza das elites, o desejo de manter à distância o dejeto orgânico, que lembra a animalidade, o pecado, a morte, em resumo, os cuidados de purificação aceleram o progresso. Este é estimulado igualmente pela vontade de distinguir-se do imundo zé-povinho. (...) Em contrapartida, muitas crenças incitam à prudência. A água, cujos efeitos sobre o físico e o moral são superestimados, reclama precauções. Normas extremamente estritas regulam a prática do banho conforme o sexo, a idade, o temperamento e a profissão. A preocupação de evitar a languidez, a complacência, o olhar para si (...) limita a extensão de tais práticas. A relação na época firmemente estabelecida entre água e esterilidade dificulta o avanço da higiene íntima da mulher. Entretanto, o progresso esgueira-se aos poucos, das classes superiores para a pequena burguesia. Os empregados domésticos contribuem inclusive para a iniciação de uma pequena parcela do povo; mas ainda não se trata de nada mais que uma higiene fragmentada. Lavam-se com freqüência as mãos; todos os dias o rosto e os dentes, ou pelo menos os dentes da frente; os pés, uma ou duas vezes por mês; a cabeça, jamais. O ritmo menstrual continua a regular o calendário do banho. (Alain Corbin, “O segredo do indivíduo”, in: História da vida privada (Vol. 4: Da Revolução Francesa à Primeira Guerra) [1987]. São Paulo, Companhia das Letras, pp. 443-4)
  3. A filosofia grega parece começar com uma idéia absurda, com a proposição: a água é a origem e a matriz de todas as coisas. Será mesmo necessário deter-nos nela e levá-la a sério? Sim e por três razões: em primeiro lugar, porque essa proposição enuncia algo sobre a origem das coisas; em segundo lugar, porque o faz sem imagem e fabulação; e enfim, em terceiro lugar, porque nela, embora apenas em estado de crisálida, está contido o pensamento: “Tudo é um”. (Friedrich Nietzsche, “Os filósofos trágicos”, in: Os pré- socráticos, Col. Os pensadores. São Paulo, Abril Cultural, p. 16)
  4. O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia, Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia. (...) O Tejo desce da Espanha E o Tejo entra no mar em Portugal. Toda a gente sabe isso. Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia E para onde ele vai E donde ele vem. E por isso, porque pertence a menos gente, É mais livre e maior o rio da minha aldeia. Pelo Tejo vai-se para o Mundo. Para além do Tejo há a América E a fortuna daqueles que a encontram. Ninguém nunca pensou no que há para além Do rio da minha aldeia. O rio da minha aldeia não faz pensar em nada. Quem está ao pé dele está só ao pé dele. (Alberto Caeiro, “O Guardador de Rebanhos”, in: Fernando Pessoa, Ficções de Interlúdio)

Comentários sobre o Tema A

Comentários

O Tema A-2000 exigiu dos candidatos uma dissertação em que a água deveria ser tratada como um objeto cultural ou como um fator da civilização. O enunciado orienta no sentido de comparar as maneiras como diferentes comunidades interagiram com a água, mostrando que suas diferentes experiências com este ele- mento natural estão profundamente impregnadas de cultura (representada, por exemplo, por hábitos, técnicas e valores) e também criam cultura. O candidato deveria perceber, com base na leitura do tema e da coletânea, que a relação do homem com a água sofreu mudanças ao longo do tempo, que ora significam um aprendizado (novos hábitos, novos usos que resultam em conforto e higiene, por exemplo), ora significam um retrocesso (perda de valores, degradação dos recursos hídricos), ora significaram apenas uma transformação nas relações de dominação de uma classe social por outra (por aquela que detém o acesso à água). Ele deveria, em seguida, eleger as mudanças sobre as quais pretendia dissertar e posicionar-se, critica- mente, em relação a elas.

Vejamos como a redação abaixo cumpre a tarefa^1 :

Evolução? Desde os primórdios da Antigüidade, as civilizações foram se formando próximo aos rios. O fator funda- mental para a escolha foi a presença da água, elemento fundamental para a sobrevivência dos seres vivos. Obras de irrigação, drenagem e distribuição de água foram efetivadas, salientando, portanto, a importância da água na sociedade. Os povos foram se expandindo e desenvolvendo meios adequados de manejo da água. Os solos foram se tornando mais férteis e produtivos, e, conseqüentemente, houve um grande aumento da população. Parale- lamente, acentuou-se o processo de urbanização, fruto da industrialização européia do século XVIII, o que demanda uma política ambiental específica, principalmente para o uso da água. Entretanto, o desenvolvimento industrial não foi acompanhado de um desenvolvimento do caráter huma- no. A industrialização não foi apenas uma revolução no modo de produção, mas foi, principalmente, uma grande e grave mudança ambiental. A partir de então, problemas como contaminação das águas, foram evidenciados e adquiriram dimensões gigantescas. A água, que outrora era vista como dádiva divina, passou a ser considerada mercadoria. Além disso, em detrimento de uma política ambiental, o Estado incentivou o consumismo em massa. O lixo urbano aumen- tou e passou a ser despejado na água, a mãe de nossa civilização. O desmatamento em larga escala, gerou o assoreamento dos rios. O mal está feito. Ora, ou a população é muito ingênua, ou age de má fé. Aplicando-se uma política ambiental desfavorável, como a atual, a água, mola propulsora do desenvolvimento mundano, será o fator determinante para o término da humanidade. É preciso uma revolução ambiental, através da conscientiza- ção em massa, sobre a importância da água. Desde então, a água continuará sendo a mãe da civilização, e nós, seremos os seus bons frutos.

O candidato que fez a redação acima optou por tratar das mudanças negativas que ocorreram na relação entre a civilização e a água no decorrer do progresso da humanidade. Para isso, selecionou da coletânea os fragmentos que contribuiriam para sua opção e cuja relação era bastante imediata: os fragmentos 1 e 2. O candidato iniciou o texto com o fragmento 2, afirmando que as civilizações foram se formando próximo aos rios , introduziu, no segundo parágrafo, seu conhecimento de mundo que promove o elo entre o momento histórico tratado no 2º fragmento e o momento histórico atual, tratado no 1º fragmento e acrescentou um elemento fundamental para o seu texto: a demanda de uma política ambiental específica, principalmente para o uso da água. No 3º parágrafo o candidato passa a usar o fragmento 1. O uso desse fragmento é em grande parte óbvio, próximo do senso comum. Observe, por exemplo, a 1ª linha do 4º parágrafo: A água, que outrora era vista como dádiva divina, passou a ser considerada mercadoria. A única informação nova em relação ao trecho da coletânea (“Através dos tempos, a água foi perdendo o caráter divino ressaltado na mitologia e na religiosidade dos povos primitivos e assumindo uma face utilitarista na civilização moderna.”) é a palavra mercadoria , trazida pelo candidato. Essa noção de água como mercadoria pode ser relacionada ao eixo desse texto que, como vimos, é a necessidade de uma política ambiental específica. Essa relação, no entanto, que teria sido um ganho para o texto se tivesse sido bem desenvolvida, não foi estabelecida pelo candidato. Somos nós que estamos fazendo tal relação e, portanto, ele não pode ser premiado. No último parágrafo, o candidato continua usando o 1º fragmento, inclusive seu tom “catastrófico”, e conclui o texto demonstrando a necessidade de uma “revolução ambiental”, retomando o elemento introduzi- do no 2º parágrafo.

(^1) A reprodução de todas as redações neste texto foi fiel à escrita dos candidatos.

Exemplo de redação

Comentários

nea. Ora, a coletânea deve servir como ponto de partida, na medida em que fornece informações para o desenvolvimento da redação que, por sua vez, precisa ser compreendida por qualquer leitor, mesmo por aquele que não tenha tido acesso à coletânea. Ou seja, você deve escrever como se o seu leitor não conheces- se a coletânea; as informações dela extraídas devem ficar bem integradas e devidamente explicadas em sua redação.

A seguir, há um exemplo de redação em que a integração das informações da coletânea está acima da média:

O Espelho d´água Ao tentar apreender a origem do mundo e dos homens, filósofos gregos propuseram um enunciado simples: a água seria o cerne, literalmente a fonte de todas as coisas. Longe de ser absurdo e tomadas as devidas referências históricas, tal idéia pode metaforizar o papel simples, vital e cultural do elemento quími- co capaz de fazer florescer civilizações, ditar limites geográficos e protagonizar conflitos. Se mitologicamente, a associação da vida e da sobrevivência se fez de forma divina e fantasiosa, hoje é possível analisar essa que pode ser tida como “vulgar premonição” como premissa das mais sábias tida pelos primeiros humanos e de fundamental importância para o mundo moderno. O planeta ironicamente chamado Terra tem a maior parte de sua superfície tomada pelas águas, as quais fluíram no decorrer dos tempos estreitando os laços biológicos cotidiana e ininterruptamente, assinalando mais que divindades, problemas sociais e políticos bem pouco poéticos. A irrigação, a importância dos recursos hídricos para a economia humana foi se reforçando com o advento da tecnologia e mais que metáfora, a composição da vida (e dos meios para esta) confirmou a compleição e a complexidade da ligação homem-água. Ao galgar gradativo do aprimoramento técnico que trouxe indústrias, não só a religião de outrora remetera ao elemento cristalino a manutenção da vida. Junto ao desenvolvimento urbano (ainda sem tocar no processo de desequilíbrio e poluição do meio ambiente), à instalação de indústrias e estabelecimen- to do homem em aglomerados primordiais, virão os médicos a desconfiar do papel importante da água limpa. A estes, seguir-se-ão engenheiros e arquitetos, responsáveis pela elaboração de mecanismos facilita- dores da manutenção da limpeza e do escoamento de impurezas e dejetos. Mesmo antes destes, no século XVIII, a preocupação com a purificação, com a higiene corporal marcará a vida privada de sociedades pouco habituadas a exigências de limpeza, de cuidados pessoais, atuando como precursora dos modernos métodos preventivos e profiláxicos. Será nesse tempo que se iniciará o conhecimento mais apurado e científico em relação à umidade e sua nem tão misteriosa influência na salubridade dos meios de vida. Ora, a higiene é, pois, um pequeno, mas fundamental ponto nessa saga. Simultâneo, talvez, a isso, seja o processo que acelera o desenvolvimento econômico e faz marcar o utilitarismo. Se antes, para o Egito e a Mesopotâmia, a água já era componente cultural e econômico primor- dial, agora, as modernas vias dos meios de produção vão transmutá-la em pomo de discórdia. A poluição vem margear o alarde da tecnologia e da economia lastreada na produção industrial. O desequilíbrio natural vai crescendo paulatino, constante. E as chuvas ácidas, os rios poluídos ameaçam as sociedades higiênicas, estabelecidas nas margens de seus ternos ribeirões. O que remetia à recordação suave da queda cristalina d´água dá lugar à preocupação não mais latente de que não seja o dilúvio a última catástrofe. O mesmo ser que se constitui da água, que navega descobrindo mundos, escoando ou explorando rique- zas, começa a buscar sedento uma tábua de salvação. Seu mundo e sua sobrevivência estão sobre colunas vitais que podem soçobrar a qualquer momento. Mais que uma problemática geográfica, instaura-se um conflito sócio-econômico em que se disputa não só as vias fluviais e pluviais, mas a própria água, que, dada a destruição, torna-se rara, preciosa. É o homem semelhante ao místico que agradecia as cheias do Nilo que se conscientiza aos poucos de que, talvez, mais do que sangue, lhe seja vital o elemento primordial, a água que encantou gregos, que fez Heráclito pensar que tudo fluía, mas que também arrasou a terra e fez Noé construir a arca. Bem como benção, ela é castigo se o “predador” assim pedir, mesmo quando gentil lhe faz poemas ou odes. Elemento vivo, ela pulsa, reflete a existência e atenta para o fato de que talvez a tragédia final não seja abarcável por uma arca, tampouco plausível de filosofia.

O projeto de texto deste candidato é o de analisar a existência do homem através do espelho da água. Baseando-se nos fragmentos 6, 1 e 2, o candidato inicia sua redação introduzindo os papéis da água com que vai trabalhar no decorrer do texto: a água não será avaliada somente como origem , tendo em vista sua importância para o desenvolvimento das civilizações, mas também como portadora de uma possível destrui- ção, se o predador assim pedir. É interessante destacar o trabalho de leitura e articulação dos fragmentos (6 e 2) efetuado pelo candidato: ele trata da questão da água como origem de todas as coisas afirmando que ela fez florescer civilizações e acrescenta, tendo em vista o desenvolvimento que quer dar ao tema, que a água também é capaz de ditar

Exemplo de redação

limites geográficos e protagonizar conflitos , apontando a análise que fará da relação entre Água, Cultura e Civilização. Ainda no 1 o^ parágrafo, além de negar o caráter divino do surgimento da vida e da sobrevivência, o candi- dato destaca a importância da água para a vida – deixando claro que a afirmação dos gregos não deve ser considerada um absurdo – e, no 2o^ parágrafo, esclarece: os recursos hídricos e a irrigação são fundamentais na evolução da vida. Perceba que, à medida que o texto progride, ele retoma e desenvolve conceitos já mencio- nados na introdução: a idéia de que a água poderá protagonizar conflitos – ainda genérica no 1o^ parágrafo – é retomada e especificada quando ele aponta, no 2o^ parágrafo, que a água assinala problemas sociais e políti- cos. Ainda não podemos dizer claramente qual a avaliação do candidato, mas perceba que ele está nos preparando para expor seu ponto de vista. Vejamos como, nesse momento, o conteúdo do fragmento 4 é integrado ao texto. Ao descrever o progresso da humanidade e o desenvolvimento urbano, o candidato destaca o papel do médico e dos engenheiros e arquitetos na construção do que, em seguida, será retomado como sociedades higiênicas , dadas as preocupa- ções com a limpeza e o escoamento dos dejetos. Ainda na perspectiva de progresso, ele apresenta o conteúdo do fragmento 5 – a vida privada da sociedade começa a ser alterada por hábitos de higiene – ressaltando ainda mais a importância da água. E é justamente pensando na importância da água para a sociedade que o candidato esclarece os motivos que poderão fazer dela pomo de discórdia. É importante destacar o uso que ele faz do fragmento 1, nesse momento do texto. O utilitarismo mencionado nesse fragmento aparece avaliado pelo candidato na mesma perspectiva de progresso e desenvolvimento econômico que vinha descrevendo: o homem, preocupado com a tecnologia e a economia lastreada na produção industrial , assume uma postura utilitarista diante da água, já que não tem se preocupado com o desequilíbrio que vem crescendo paulatino, constante. Veja que a avaliação do candidato de que a água poderá protagonizar conflitos fica clara agora: os rios poluídos ameaçam as sociedades higiênicas e talvez o dilúvio não seja a última catástrofe. Mais que uma problemática geográfica, instaura-se um conflito sócio-econômico em que se disputa não só as vias fluviais e pluviais, mas a própria água, que, dada a destruição, torna-se rara, preciosa. A avaliação que o candidato faz revela o quanto soube articular as idéias apresentadas na coletânea de forma a desenvolver o tema proposto. A conclusão de seu texto – Elemento vivo, ela pulsa, reflete a existência e atenta para o fato de que talvez a tragédia final não seja abarcável por uma arca, tampouco plausível de filosofia – mostra a maturidade com que articulou tais idéias, além de explicitar, com a palavra reflete, a razão do título atribuído à redação. Ainda quanto à qualidade das relações estabelecidas pelo candidato, veja como é interessante a menção que faz à chuva ácida – elemento que, na coletânea, aparece como um simples dado e, no texto, aparece como um significativo exemplo da mudança sofrida pela água: O que remetia à recordação suave da queda cristalina d´água dá lugar à preocupação não mais latente de que não seja o dilúvio a última catástrofe. Cabe frisar que este texto está bastante acima da média no desenvolvimento do tema e da coletânea, dadas a leitura e articulação tão boas dos fragmentos da coletânea. Isso não significa, no entanto, que este seja um texto exemplar como um todo, na medida em que, em alguns momentos, não se sabe exatamente o que o autor pretendia dizer. Vejamos dois momentos significativos: o primeiro está na 6ª linha do 1º parágrafo. O que significa dizer que os “primeiros humanos” tiveram uma “vulgar premonição” ao dar tanto valor à água? Não é certo que, pelo fato de valorizar a água, eles estavam tendo uma premonição^2 de que hoje estaríamos sofrendo por não a valorizarmos. Por sinal, essa relação com os efeitos negativos que estamos vivenciando hoje não foi feita pelo candidato; nós estamos fazendo isso por ele. Ou será que não era premonição que ele pretendia dizer, mas algo como “uma atitude sábia”? O segundo momento em que não fica claro o que o candidato pretendia está na 2ª linha do 2º parágrafo. O que significaria, no texto, estreitando os laços biológicos? Se você, ao ler o texto, tiver sentido dificuldade de interpretar este trecho, saiba que o problema não é seu! O que queremos dizer aqui é que, apesar de, na maioria das vezes, o candidato demonstrar ter domínio da escrita suficiente para dizer exatamente o que quer, em alguns outros, deu umas “deslizadas”, provavelmente por tentar sofisticar demais sua escrita, desnecessariamente.

A seguir, há dois exemplos de redações que foram anuladas no tema A. Antes de comentá-las, gostaríamos de esclarecer o que significa anular uma redação no Vestibular Unicamp. Em primeiro lugar, a prova de redação propõe uma tarefa específica para o desenvolvimento do tema que, não sendo cumprida, acarreta a anulação da redação. Portanto, se o candidato fugir ao tema proposto, ainda que escreva muito bem sobre outro tema qualquer, terá sua redação anulada. Em segundo lugar, há uma coletânea de textos que devem ser utilizados. Caso o candidato desconsidere todos os textos, sua redação será anulada, mesmo que ele escreva sobre o tema proposto.

(^2) Premonição: sensação ou advertência antecipada do que vai acontecer; pressentimento. cf. Novo Aurélio Século XXI: o dicionário da língua portuguesa , 1999.

Comentários sobre o Tema B

Comentários

A Terra se tornará um verdadeiro caos, onde todos brigarão por comida e um lugar para morar, a vida perderá o valor. Não tem solução, todos nós morreremos na miséria e sem dignidade.

A redação acima é outro caso de anulação por Tema. O candidato redefiniu o tema ao tratar do apocalipse que seria gerado pelo derretimento das calotas polares que fariam com que as cidades litorâneas e até mesmo países inteiros fossem inundados. Tal derretimento deverá acontecer, segundo o candidato, por causa do efeito estufa e do “buraco” na camada de ozônio. Mesmo que se reconheça que as conseqüências do efeito estufa e do buraco na camada de ozônio para o homem passem pela água (através do derretimento das calotas polares), o texto do candidato não estabelece a relação exigida entre a água e homem, mas apenas entre o meio ambiente e o homem. O tema desenvolvido pelo candidato é, portanto, outro.

T E M A B

No dia 5 de outubro de 1999, terça-feira, o jornal Correio Popular, de Campinas, SP, publicou a seguinte manchete de primeira página, acompanhada de breve texto:

100 mil ficam sem água em Sumaré Um crime ambiental provocou a suspensão do abastecimento de água de cerca de 100 mil moradores de Sumaré. A medida foi tomada na sexta-feira, quando uma mancha de óleo de aproximadamente 3 quilômetros de extensão surgiu nas águas do rio Atibaia. Anteontem, uma nova mancha apareceu nas proximidades da Estação de Tratamento de Água I, na divisa entre o bairro Nova Veneza e o município de Paulínia. A situação somente será normalizada na quinta-feira. A Cetesb investiga o caso e os técnicos acreditam que o produto (óleo diesel ou gasolina) foi despejado em esgoto doméstico em Paulínia.

Leve em conta esta notícia e privilegie a hipótese dos técnicos, apresentada no final do texto. A partir desses elementos, escreva uma narração em terceira pessoa, caracterizando adequadamente persona- gens e ambiente. Crie um detetive ou um repórter investigativo que, quando tenta resolver o “crime ambiental”, descobre que o ocorrido é parte de uma conspiração maior.

Neste tema, esperava-se que, a partir de uma breve notícia de jornal, o candidato produzisse uma narra- tiva, em terceira pessoa, construindo necessariamente uma personagem – o detetive ou um repórter investiga- tivo – que, ao tentar resolver um crime ambiental, descobre uma conspiração maior. O candidato poderia introduzir outras personagens, a depender das ações que fariam parte de sua narrativa. Pedia-se ainda que o candidato caracterizasse adequadamente tais personagens e o ambiente em que a história se desenrola. O final do texto do jornal (ao qual se pedia particular atenção) induzia o candidato a encaminhar-se para uma narrativa cujo eixo fosse um crime ambiental/ecológico. Esperava-se, então, que o candidato desenvol- vesse uma narrativa que privilegiasse alguns aspectos: quem é o criminoso (ou quem são os criminosos), por que comete(m) esse crime e qual é o plano maior/ a conspiração de que esse crime é parte. As possibilidades para a construção de personagem(ns) eram muitas. O(s) criminoso(s) poderia(m) ser, por exemplo, desafeto(s) político(s), alguém ou algum grupo ligado a uma organização terrorista ou criminosa, gente interessada em desvalorizar as terras banhadas pelo rio Atibaia etc. Obviamente, trata-se apenas de alguns exemplos entre outros possíveis. Também podiam ser vários os motivos do crime. Podem servir como exemplos: interesses financeiros, políticos, vingança, disputa de poder ou de terras. Na verdade, a motivação poderia ser qualquer uma, desde que coerente com a história contada. Você deve ter observado que todas as expectativas acima envolvem o trabalho com algum dos elementos constitutivos do tipo de texto narrativo. Não basta, portanto, relatar algum acontecimento, alguma “histori- nha”, é necessário construir uma narrativa a partir das instruções presentes na proposta.

Vejamos como alguns candidatos realizaram a tarefa.

O mistério da mancha de óleo. Trim... — Delegacia de Polícia de Sumaré, cabo Jonas falando. Sim. Claro. Infelizmente não podemos fazer nada. Não é nosso departamento. Sinto muito. Até logo! Cabo Jonas, irritado, se dirige à sala do detetive Hércules Leão. Entra sem bater e já despeja sua ira: — Assim não dá, Leão! Já é a vigésima pessoa que liga reclamando da falta d’água desde a suspensão do abastecimento por causa daquela mancha de óleo no rio Atibaia. E nós não temos nada com isso.





Exemplo de redação

Comentários

Leão alisando seu bigode responde calmamente: — Aí é que você se engana. Eu estou indo agora mesmo em Paulínia colher informações. Parece que o departamento de lá recebeu um telefonema da Ceteb insinuando que essa mancha de óleo não é oriunda de vazamento de petróleo e sim da rede de esgoto. Eles agora suspeitam que tenha sido proposital. Ligue para o chefe e o ponha a par de tudo. Jonas sai mais irritado do que entrou, afinal, falar com o chefe não é fácil. Com a mesma calma que lhe é característica, Leão parte para Paulínia. A idéia de que o derramamento de óleo não foi um acidente o intriga. Afinal, não é algo comum. À medida que se aproxima de Paulínia, ele vê uma multidão na beira do rio. Parando o carro, ele abre espaço até conseguir enxergar o motivo da aglomeração: outra mancha de óleo. E esta se encontra nas proximidades da Estação de tratamento de Água I. Mais do que depressa, ele se dirige à delegacia de Paulínia para saber como anda o inquérito. Quem o recebe é seu grande amigo, delegado Gerson Maia, que vai logo dizendo: — Oh, você está aqui! Eu tenho uma reunião importante, mas se você quiser dar uma olhadinha no caso... Até mais! Leão fica paralisado. Nunca havia visto seu amigo tão displicente assim. Largar um caso de crime ambiental deste jeito! “O que será que está havendo com Maia. Parece que me evitou, que está com medo.”

  • pensou consigo mesmo. Entrou em uma viatura e rumou para a Estação de Tratamento, munido de todas as informações sobre o caso. Nada lhe tirava da cabeça que Maia estava escondendo algo. Mas o quê? Ordenou que o cabo que o acompanhava fosse investigar e sentou-se na recepção. Agora seria a hora do trabalho mental, que tanto o fascina. Pegou o inquérito e começou a lê-lo. Examinou o nome do fundador da Estação de Tratamento e lembrou que se tratava do prefeito. Lembrou também que estavam em época de eleição devido aos cartazes que tinha visto do lado de fora.... Levantou-se aturdido e gritando para o cabo: — Leve-me à casa do Maia agora! Chegando à casa de Maia foi direto à garagem e confirmou suas suspeitas: barris e mais barris de óleo, vazios. Nesse instante Maia chega em casa. Ao ver Leão perto da garagem fica pálido. Tenta fugir, mas já é tarde. Leão já o tinha alcançado. Algemando-o, diz: — Delegado Gerson Maia, você está preso acusado de poluir o rio Atibaia para denegrir o nome do atual prefeito de Paulínia, candidato à reeleição. Maia, vendo-se sem saída, interroga-o com o olhar. Leão sorri e diz: — Vi os cartazes de sua campanha eleitoral. Você com medo de perder, apelou para a sabotagem. No outro dia, os principais jornais da região estampavam na primeira página a cara apalermada de Maia no camburão. E na delegacia de Sumaré o detetive Hércules Leão lendo o jornal, sente mais uma vez a sensação do dever cumprido.

O candidato cumpre o que foi pedido. Podemos observar, em primeiro lugar, que lança mão de alguns recursos característicos da narrativa (faz alguma caracterização dos personagens, usa o discurso indireto livre); em segundo lugar, que seleciona os elementos da coletânea necessários para desenvolver o tema, contemplando todas as informações contidas na proposta (considera o crime ambiental, a hipótese dos técni- cos, o personagem do detetive e a existência de algo por trás do crime ambiental). Vejamos como o candidato usou a coletânea. Na segunda linha, situa os fatos ocorridos na cidade de Sumaré, um uso bastante óbvio da coletânea (outros dados da coletânea serão usados com a mesma função em vários momentos do texto: rio Atibaia , na 6ª linha, Estou indo... em Paulínia , na 8ª linha etc.). No 4º parágrafo, é de uma maneira interessante que outro dado da coletânea é introduzido: uma grande quantidade de pessoas atingidas pela falta d’água aparece através da freqüência dos telefonemas; essa grande quantidade de pessoas é retomada como multidão no 9º parágrafo, em que o detetive abre espaço até conseguir enxergar o motivo da aglomeração. No 6º parágrafo, o candidato faz uso do elemento da coletânea cujo uso é exigência da proposta: a hipótese dos técnicos, que aparece como uma denúncia feita à delegacia de Paulínia. É no 9º parágrafo que um elemento da coletânea central para o texto do candidato é introduzido – a Estação de Tratamento de Água I – perto da qual está uma das manchas de óleo. Esse elemento será retomado no 13º parágrafo, em que ficamos sabendo que foi o atual prefeito de Paulínia, candidato à reeleição, que fundou essa estação. No 12º parágrafo, o candidato usa a gravidade de um crime ambiental como um elemento para justificar o estranhamento de Leão frente ao comportamento de Maia. No 15º parágrafo, o óleo, também mencionado



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presságio. Lembrara da conversa com os técnicos da Cetesb, da dúvida em colocar ou não a hipótese criminosa na reportagem. Os técnicos falavam com certa reserva, mas bastante convicção. Temiam represá- lias, mas sabiam o que estavam dizendo. Ao perceberem o interesse do jornalista, todos emudeceram unâ- nimes. Ao sair, recebeu sinal para subir. Falando com o engenheiro-chefe, entendeu que nunca se deve dizer tudo o que se sabe. É sensato saber calar. O jornal sairia na manhã seguinte e ele, arrasado, sentia-se vencido. O telefone tocou. Terça-feira, 05 de outubro. O “foca” chegava ao lugar marcado com quinze minutos de antecedência. Pelo telefone, a pessoa apenas informou a hora e o local em que deveriam se encontrar. Não se identificou e não disse como estaria. Aparentemente um boteco, como qualquer outro; adentrou o local, relutante entre a curiosidade e a cautela. Sabia que ter insinuado a hipótese criminosa em sua matéria havia irritado imensamente as autoridades locais, que temiam que a população imaginasse que pudesse estar havendo perda de controle. Quem mais ele teria irritado? Ao sentar-se à mesa recebeu um bilhete que o mandava subir. Obedeceu cauteloso. No andar superior, conversou com uma pessoa que, por sua vez, conduziu-o a outra sala. Estava começando a assustar-se. A sala estava escura, e ele não podia ver quem lá estava. Apenas ouvia uma voz que o advertia a não fazer perguntas. A voz o informou de que um grupo, politicamente oposto ao governo vigente, tentava sabotá-lo poluindo criminosamente o rio, o que, além de indispor a simpatia da população contra as autori- dades, traria um grande prejuízo econômico à cidade. Falou mais, e o jornalista ouvia eufórico, entendendo a dimensão do que ouvia. Ao sair do prédio, uma bala atingiu-o pelas costas. Seu corpo, por ali mesmo, desapareceu. Quarta-feira, 06 de outubro. O rapaz afrouxava a gravata. Apenas cumpria ordens. O “tal do jornalista” bem que havia provocado. É assim. Hoje se obedece; amanhã se manda. Cada um no seu lugar.

Provavelmente, lendo esta redação, você tenha percebido como são acima da média as relações estabele- cidas entre os elementos trazidos pelo seu autor. Observe que não há diferenças substantivas de enredo entre as duas redações acima: nas duas, além de haver alguém interessado em desvendar o crime ambiental – tarefa exigida pela proposta – há um interessado em denegrir a imagem de um político. O que diferencia as duas redações são o trabalho com os elementos da narrativa e a relação estabelecida entre os elementos do texto; observe, no segundo texto, a profundidade com que os dois personagens principais – o executor dos dois crimes, que cumpre ordens de derramar óleo no rio e de matar o jornalista e o foca – foram construídos, o trabalho com o cenário e como todos elementos estão relacionados entre si. Atente para a preparação que o candidato faz para cada ato dos personagens criados: as coisas não acontecem por acontecer neste texto; o criminoso não comete os crimes como quem vai ao bar da esquina, ele se questiona e tem a necessidade de se justificar. O foca não vai até aquele beco ao encontro do seu assassinato por mera coincidência, ele foi construído pelo candidato como um jovem ingênuo e ambicioso cujo sonho era fazer um furo de reportagem. A chance era aquela. Mesmo tendo suspeitado de que poderia estar caindo numa cilada – adentrou o local, relutante entre a curiosidade e a cautela,... Quem mais teria irritado? ... Obedeceu cauteloso... Estava começando a assustar-se – prosseguiu; a curiosidade – caracterís- tica de um grande repórter – foi maior! Veja como o dado de coletânea exigido pela proposta – a hipótese dos técnicos, como você já sabe – é totalmente integrado à trama: é essa hipótese geralmente sussurrada e dita de modo sorrateiro que faz com que o foca deixe de olhar para a matéria com a mesma solicitude de sempre e passe a se envolver com o caso. Releia o texto pensando em cada elemento utilizado pelo candidato. Você verá que tudo tem uma função no texto. Procure observar como os elementos se relacionam. Veja, por exemplo, o paralelismo na constituição dos dois personagens – o foca e o criminoso : embora ninguém ouse ver no foca um criminoso, é bastante importante vê-lo como alguém cujo caráter é bastante semelhante ao do vilão da história. O que move o foca também é a ambição: atente para a euforia com que ele ouvia a explicação para o crime. Alguém preocupado com a saúde pública, com a preservação da natureza, ou com alguma outra questão “nobre” se indignaria com aquelas declarações, mas o foca, não. A sua reação foi de euforia pois entendia a dimensão do que ouvia , sabia que alcançaria a tão almejada fama ao publicar tudo o que lhe fora desvendado sobre o crime ambiental.

Crime no Bairro Sumaré Todo dia acordo, pontualmente, às sete horas da manhã. Trabalho, como detetive, em um escritório lá na rua dos Bandeirantes. Entretanto um telefonema me acordou às seis e quinze. Era meu chefe. Ele perguntara se havia lido o jornal desta manhã. Respondi, obviamente, que não e disse que iria ler e ligaria para ele depois. Com muito esforço, levantei e caminhei em direção à porta da frente para pegar o jornal. Não me pareceu nada demais, os mesmos assuntos de sempre, mortes, roubos; entretanto, uma reportagem sobre a falta de água em Sumaré me chamou atenção. Não pelo fato de faltar água, mas sim pelo motivo da falta.



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Liguei para o meu chefe e recebi ordens para ir ao local checar uma possível contaminação planejada. Chegando ao local, o belo bairro Sumaré, me dirigi a um dos moradores, um homem velho porém forte de uns 60 anos, e lhe perguntei o que estava acontecendo. Ele me disse que em dias recentes manchas de óleo ou gasolina estariam contaminando a água. Indagado, perguntei a ele, como os moradores do bairro estavam suprindo a falta de água. Ele me disse que tinham de comprar água em um armazém recém- aberto a duas quadras dali. Antes de ir para tal armazém, passei na Estação I de Tratamento de Água para ouvir a opinião de um dos técnicos. José Crivaldo, o técnico que me recebeu, me explicou que tal contaminação teria sido causa- da por alguém. Quando me disse isto, comecei a ligar os fatos. Essa onda de contaminação e a recém- abertura do armazém seriam mera coincidência? Entrei no meu carro, um Gol 1992, liguei para o meu chefe, Ricardo, e lhe contei a história. Recebi a orientação para ir investigar o tal armazém. Chegando lá me deparei com um armazém velho, enferrujado, mas que tinha uma grande freguezia. Entrei pelos fundos. Lá pude observar que havia uma meia dúzia de “bacanas”, todos bem vestidos e bem armados. Cheguei mais perto e pude escutar que a contaminação e o armazém não eram mera coincidên- cia. Liguei para a central e contei a situação. Depois de algum tempo, a polícia chegou com um mandato. Verificaram o local. Encontraram dinhei- ro, muito por sinal, e uns três ou quatro barris. Ao abrirem encontraram um líquido de mesma coloração ao líquido suspeito encontrado na água. Resultado disso tudo é que foi parabenizado pelo meu bom trabalho e os “bacanas” foram presos. Ao sair do armazém me deparei com uma pequena manifestação. Era o responsável da Cetesb avisando, que devido ao feriado, a água só ia voltar na outra semana.

Embora esta redação contenha grande parte das exigências, como o crime ambiental, a construção de um detetive e o plano maior (a conspiração) por trás do crime, ela foi feita em 1ª pessoa. Conforme consta no Manual do Candidato, a utilização do foco narrativo exigido é condição para que a redação seja considerada e, portanto, a redação acima foi anulada em Tipo de Texto.

Ambientalistas descobrem que está sumindo aves da floresta e resolveram avisar a polícia ambiental e eles nada fiseram. Com a icopetencia da policia ambiental, os ambientalistas resolveram contratar um detetive para solucionar o caso. O detetive começando as investigações que aves rarissimas que so existe no Brasil estão ficando extintas, e a preocupação dos ambientalistas aumentou. Com o decorrer das investigações o detetive des- cobre que não era só aves que estavam sumindo, mas também aranhas caranguejeiras. Quando o detetive descobriu sobre as aranhas, começou a suspeita sobre que a policia ambiental estava envolvida no desaparecimento das aves e aranhas, que eles estavam exportando para o exterior que comprava que comprava por um preço alto. Mas profundo nas investigações descobriu que tinha governadores envolvidos no sumiço das aves e aranhas. Após essas descobertas o detetive relata tudo o que havia descoberto para os ambientalistas, e mais, sugeriu que eles escrevessem uma carta para o presidente relatando tudo que havia descoberto. Assim feito o presidente respondeu sua carta agradecendo por ter avisado e pedindo que o detetive saisse do caso que ele iria mandar a policia federal investigar, meses depois o detetive foi morto e o caso não foi solucionado.

O autor deste texto desconsiderou totalmente o crime ambiental, exigência do tema. A tarefa exigida não era a de imaginar “um” crime ambiental, mas a de usar “o” crime ambiental da proposta. Essa desconsidera- ção é gravíssima e acarreta a anulação da redação em Tema. Além do Tema, a redação foi anulada em Coletânea. Veja que nenhum dos elementos da proposta foi usado: onde estão a mancha de óleo, a hipótese dos técnicos, o rio Atibaia, o jornal?! Nem a falta d’água aparece no texto...

Além de muitos crimes que ocorre no país, o crime ambiental que é o que causa mais prejuízos tanto para a empresa como para o consumidor, um rio pode distribuir águas para uma cidade inteira, se qualquer empresa ou fábrica vizinhas do rio causar um crime ambiental que é causar uma poluição no rio causa um grande problema para a cidade que depende da água do rio para utilizar. A água é um dos itens fundamen- tais para a população, que não tem como substitui-lá. Se fosse com a energia elétrica o homem conseguiria substitui-lá com a energia solar e a eólica. O que causam crimes ambientais são geralmente as grandes empresas. Investigam mas quando descobrem que são as grandes empresas que causam este crime, os empre- sários acabam oferecendo muito dinheiro, assim acabam não sendo punidos. Para causar um dano tão grande como este só pode ser causado por uma grande empresa.



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Comentários sobre o Tema C

Redija uma carta a um deputado ou senador contrário à criação da Agência Nacional da Água (ANA). A carta deverá argumentar a favor da criação do novo órgão que, como a ANP, a ANATEL e a ANEEL, terá a finalidade de definir e supervisionar as políticas de um setor vital para a sociedade. Nessa carta, você deverá sugerir ao congressista pontos de um programa, a ser executado pela Agência Nacional da Água, programa que deverá incluir novas formas de controle.

ANP: Agência Nacional do Petróleo; ANATEL: Agência Nacional das Telecomunicações; ANEEL: Agência Na- cional de Energia Elétrica Atenção: ao assinar a carta, use iniciais apenas, de forma a não se identificar.

No Tema C-2000, o candidato deveria escrever uma carta argumentativa a um congressista contrário à criação da Agência Nacional da Água, procurando convencê-lo da importância de tal agência. Para isso, a proposta temática fornecia uma coletânea de textos que abordavam a questão do gerenciamento da água sob vários aspectos. Havia informações e fatos relacionados a algum tipo de controle da água, a partir dos quais o candidato poderia argumentar para convencer o congressista da necessidade da ANA, além de poder extrair dali pontos de uma possível proposta de programa para a ANA, já que parte da tarefa pedida era justamente propor os pontos de um programa para a nova agência. Um bom leitor poderia encontrar ali argumentos para redigir seu texto persuasivo, como o fizeram alguns candidatos. Gostaríamos de esclarecer que o que se espera como resposta a esta tarefa específica não é simplesmente uma carta, mas uma carta argumentativa dirigida a um interlocutor definido, que deverá ser convencido (ou persuadido) de determinada questão. Para fazer isso, você deve identificar, em primeiro lugar, quem é o seu interlocutor e, em segundo lugar, a questão que está sendo abordada, bem como os argumentos, opiniões ou pontos de vista sobre essa questão que aparecem na coletânea. Em seguida, você deve selecionar, dentre os argumentos, opiniões ou pontos de vista identificados, aqueles que melhor se prestam à análise que você pretende fazer da questão, e trazer outros argumentos do seu conhecimento que sejam pertinentes à questão discutida e integrá-los ao seu texto. Além disso, escrever uma carta argumentativa não significa apenas argumentar defendendo um ponto de vista, mas, sobretudo, é preciso direcionar a argumentação ao interlocutor definido pela prova. No Vestibular 2000, a carta argumentativa deveria ser endereçada a um congressista; você poderia se perguntar: mas que congressista? a que partido político pertencia? qual sua posição ideológica com relação aos diversos proble- mas do Brasil? por que ele era contrário à criação da ANA? quais as razões concretas para tal postura? E, pensando em cada uma das possíveis respostas às perguntas acima, você deveria construir a imagem do “seu” congressista. Veja que a tarefa argumentativa seria outra se você tivesse que escrever para: (1) um ambientalista, ligado a causas ecológicas; (2) um amigo que precisasse ser convencido a assinar um abaixo-assinado em favor da nova agência; (3) um gerente de uma indústria que estivesse poluindo rios; (4) o presidente do Departamento de Água e Esgoto de sua cidade. O que queremos enfatizar é que a construção de uma carta argumentativa é mais facilmente bem sucedida quando você, além de relacionar bem os argumentos extraídos da coletânea e do seu conhecimento de mundo, explora as características que conhece do seu interlocutor. Foi uma estratégia inteligente a daqueles candidatos que, de antemão, definiram seu interlocutor – seja tendo escolhido um que conhecessem, seja “criando” um deputado ou senador com determinadas caracterís- ticas, desde que coerentes com a única informação dada na prova: a de que o congressista era contrário à criação da ANA. A seguir, há três exemplos de redações em que os candidatos, apesar de cumprirem a tarefa pedida, exploraram a imagem de seu interlocutor em graus diferentes.

Ribeirão Preto, 28 de novembro de 1999.

Deputado Sílvio Golveia. Leio sempre revistas e jornais e li sobre o seu posicionamento contrário a criação da Agência Nacional da Água (A.N.A.). Sou estudante e sempre procuro saber sobre os problemas ambientais e seus reflexos na natureza e nas sociedades futuras; fico profundamente decepcionado com atitudes como a do senhor, que me parece não se preocupar com os problemas que poderiam ser evitados num futuro próximo com a implantação da A.N.A. A sua integridade é posta em questionamento quando se volta contra um projeto tão nobre. Não há justificativas nem argumentos para esse seu posicionamento e a única alternativa que resta à população é 

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desconfiar que por trás dessa decisão, há relações políticas ou algum interesse financeiro pressionando o senhor. Se o senhor quer projeção política, imagine o marketing que o senhor não teria se ajudasse e desse idéia a esse projeto de controlar e inspecionar o uso da água, a qual terá grande problema de escassez se nada for feito nesse sentido de controle. Como idéia, o senhor poderia propor não a taxação, mas a conscientização da população para não desperdiçá-la, o que seria muito mais eficiente, uma vez que cobrar água num país de maioria pobre e que em algumas áreas a população nem tem acesso a ela é inviável, além de que, informar e conscientizar é uma medida que servirá não só para a preservação da água, mas para qualquer outro recurso ambiental e ecológico. O senhor seria visto com muito mais respeito, aderindo-se à esse projeto, e estaria assim respondendo à duas ambições suas; a de se ver bem quisto pelas pessoas e a de atender à sua consciência que, tenho certeza, quer um mundo melhor para seus descendentes e que se preocupa com o destino desse bem vital que é a água. Desculpe pela minha franqueza, mas é que eu me preocupo muito com os recursos ambientais e sei da sua importância para a manutenção da vida. Respeitosamente, J.G.J.N.

O candidato que escreveu essa redação sabia muito bem que estava escrevendo uma carta a um congres- sista. Daí ter “criado” um deputado – Sílvio Golveia – e ter construído uma imagem de um político envolvido em interesses financeiros e buscando projeção política. Na opinião do candidato, seriam essas as prováveis justificativas pelas quais o deputado seria contrário à criação da ANA. Veja que a primeira parte da construção de uma carta argumentativa foi feita corretamente pelo candidato. Vejamos, então, se ele conseguiu explorar bem essa imagem do deputado e quais foram os argumentos por ele utilizados para convencer Sílvio Golveia a mudar de idéia com relação à criação da ANA, já que a tarefa pedida não é somente uma carta, mas uma carta argumentativa! Primeiramente, a ANA poderia evitar problemas ambientais no futuro, se fosse implantada (1º parágrafo). Tendo em mente a projeção política almejada pelo deputado, o candidato aponta o marketing que poderia alcançar se apoiasse o projeto de controlar e inspecionar o uso e a poluição da água (3º parágrafo). Em seguida, sugere que seria melhor propor a conscientização da população do que a cobrança de taxas para evitar o desperdício da água (4º parágrafo). E conclui que, fazendo isso, o deputado será visto com muito mais respeito. Perceba que, embora o candidato não tenha apresentado nenhuma informação errada a respeito do super- visionamento da água, sua carta não tem força argumentativa, na medida em que os argumentos utilizados são ingênuos; observe que até mesmo no único momento do texto em que ele efetivamente sugere pontos para o programa da ANA, momento que exige argumentos extremamente consistentes, ele é ingênuo: ao justificar a conscientização e não a taxação (cobrança pelo uso da água) com base no fato de o Brasil ser um país de maioria pobre, o candidato desconsidera o fato de que, em grande parte, é a minoria – rica – que mais utiliza água e, muitas vezes, a desperdiça e a polui, com suas indústrias, por exemplo e que poderia haver cobrança de acordo com a quantidade de água utilizada. Outro momento de ingenuidade ocorre quando, diante da imagem do político que deseja projeção política, o candidato apresenta o marketing político como tentativa de convencimento, não especificando, porém, como tal projeto colaboraria na formação de uma imagem mais positiva do deputado. Não estamos querendo dizer que isso seja uma razão para penalizar a redação: trata-se de um desempe- nho apenas razoável. O candidato cumpriu a tarefa: escreveu a um congressista; procurou argumentar no sentido de convencê-lo a mudar de idéia e propôs algumas atividades a serem executadas pela ANA. O que questionamos é se o deputado ficaria convencido com esse tipo de argumentação, baseada no senso comum e, até certo ponto, um pouco apelativa. Se ele tivesse fundamentado melhor sua argumentação, ou se tivesse escolhido outros argumentos não tão próximos do senso comum, ou ainda, se tivesse explorado a imagem que fez de seu interlocutor, provavelmente sua redação teria um desempenho melhor.

São Paulo, 28 de novembro de 1999.

Senhor deputado Cézar Campos,

Soube, por meio de jornais e revistas, que o senhor é contrário à criação da ANA (Agência Nacional de Água), alegando que seria mais um dos “onerosos e espalhafatosos órgãos do governo”. Como cidadã, concor- do com o senhor: há inúmeros órgãos governamentais ineficientes e burocráticos. Porém, como Engenheira Sanitária, vejo a necessidade de intensificar as políticas de proteção ambiental de todas as maneiras possíveis.





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diretos de vários setores da sociedade. Perceba que ela procura “dialogar” com o deputado, levando em consideração o fato de que ele é contrário à criação da ANA e que tem motivos razoáveis para assumir tal postura. Nesse diálogo, a candidata procura persuadi-lo a mudar de idéia – ela que, “sendo” Engenheira Sanitária, sabe tão bem o quanto a questão do gerenciamento da água é importante para evitar desperdícios! Tendo em vista a argumentação construída em função do posicionamento do deputado, posicionamento esse que caracteriza a imagem que a candidata fez de seu interlocutor, pode-se dizer que este texto está acima da média.

São Paulo, 28 de novembro de 1999. Caro deputado Inocêncio de Oliveira, Decidi escrever esta carta para o senhor após ler algumas declarações suas contrárias à criação da Agência Nacional da Água (ANA), idéia que, defendida pelos inúmeros grupos de proteção dos recursos hídricos e do meio ambiente, faz parte de um movimento mundial para melhor gerenciamento das fontes de água doce e seu aproveitamento racional. A oposição movida no Congresso Nacional pelo senhor e por inúmeros de seus colegas parlamentares a um projeto que está conseguindo agregar grande parcela da opinião pública parece advir de uma aliança entre interesses próprios e falta de noção do valor que sempre representa e que, especialmente no próximo século, representará a posse de água. Um primeiro aspecto que move a oposição à criação da agência é a perda das vantagens que a posse da água sempre lhes garantiu. Em seu caso, por exemplo, a posse da água na sua cidade de origem, em meio ao sertão pernambucano, sempre possibilitou que a divulgação de idéias demagógicas de combate à seca garantisse os votos de sua região e sua cadeira no congresso nacional. Outros congressistas, por outro lado, aproveitam-se da falta de controle sobre mananciais de rios para criar projetos de ocupação irregulares, com baixo custos, possibilitando fraudes. Enfim, dentro de uma perspectiva de pequeno alcance, a oposição da qual o senhor faz parte permanece presa à manutenção de antigos privilégios, sem atender a um projeto mundial, algo além de sua visão. A perspectiva de que se reveste o projeto é mais global, faz parte de uma idéia que valoriza a importância histórica da água e seu poder num mundo em que as reservas de água diminuem constantemente. A posse da água, que moveu civilizações inteiras no decorrer dos séculos, sempre agregou valores; não só econômi- cos quanto culturais. Faz parte da cultura egípcia, por exemplo, agradecer aos deuses a posse do Nilo. Trata- se de uma dimensão que seus valores ideológicos podem não perceber, mas que já está movendo uma discussão mundial sobre o gerenciamento dos recursos hídricos. A Agência Nacional da Água (ANA) viria a corroborar essa tendência mundial. Representaria um meio de controlar o uso da água no Brasil, asseguran- do a punição de indústrias e setores responsáveis pela poluição de rios e pela ocupação indevida de manan- ciais; a cobrança de taxas sobre grandes usuários de água; uma política de uso racional dos rios na produção de energia elétrica. Além disso, a agência deve zelar pela distribuição eqüitativa da água, tanto em cidades, quanto no meio rural, promovendo até a perfuração de poços artesianos na sua cidade natal, acabando com a falta de água. Não há, também, como esquecer-se de uma campanha de conscientização pública do adequado uso da água. Atrelado ao poder público, a ANA deveria promover, também um panorama de nossos recursos hídricos, para que toda uma política possa se realizar em sua plenitude. O senhor, portanto, atento à importância da água no mundo de hoje, deve pensar mais cuidadosamente sobre o projeto, algo que nos prepararia melhor para o próximo milênio, um período que reserva, para países que agem com uma mentalidade como a sua, uma realidade onde a posse da água terá maior valor que a posse do dinheiro, quando as guerras serão promovidas pela posse de rios e mananciais. Espero não estar nesses países. Nem o senhor. Atenciosamente, TSA

No caso desta redação, a imagem que o candidato faz de seu interlocutor é baseada em conhecimentos prévios que ele tem a respeito do deputado que escolheu para ser seu interlocutor na carta argumentativa. O candidato sabe que Inocêncio de Oliveira é proveniente de Pernambuco, de uma região onde falta água, e constrói, a partir dessa informação, uma imagem carregada de uma avaliação pessoal que o caracteriza como um parlamentar que leva vantagem com a situação de seca da região que o elege e o mantém no poder. O candidato justifica a imagem de demagogo que faz de Inocêncio de Oliveira, ao afirmar: a posse da água na sua cidade de origem, em meio ao sertão pernambucano, sempre possibilitou que a divulgação de idéias demagógicas de combate à seca garantisse os votos de sua região e sua cadeira no congresso nacional. Veja que se o candidato somente chamasse Inocêncio de Oliveira de demagogo, sem fundamentar sua opinião, correria o risco de estar estabelecendo um juízo de valor, que não tem força argumentativa. O que ele fez, no entanto, foi vincular o fato de o deputado não ser favorável à criação da ANA ao privilégio de manter-

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se no poder graças aos votos angariados em sua seca região, através de promessas demagógicas a respeito do problema da seca. Trata-se, segundo o candidato, de interesses próprios que fariam Inocêncio de Oliveira ser contrário à criação de uma agência nacional da água. Aos interesses particulares do deputado do PFL, o candidato contrapõe a iniciativa da criação da ANA, relacionada a um movimento mundial que visa ao melhor gerenci- amento das fontes de água doce e seu aproveitamento racional , ligada, portanto, a interesses gerais da população. Nesse sentido, o candidato aponta a falta de noção do valor da água de Inocêncio de Oliveira, que não a estaria valorizando em virtude de valores ideológicos próprios e não estaria percebendo que o que move a iniciativa da criação da ANA faz parte de um projeto global de valorização da importância da água: trata-se de uma dimensão que seus valores ideológicos podem não perceber, mas que já está movendo uma discussão mundial sobre o gerenciamento dos recursos hídricos. A Agência Nacional da Água (ANA) viria a corroborar essa tendência mundial. E nesse momento do texto (3 o^ parágrafo), o candidato apresenta os pontos do programa que seria executado pela ANA, integrando várias informações extraídas da coletânea. Pode-se dizer que o desempenho deste candidato está bem acima da média, se comparado com o universo dos candidatos. O fato de ele construir uma imagem de seu interlocutor e explorá-la argumentativamente, isto é, o fato de construir a imagem de um deputado demagogo, eleito a partir de uma região de seca do Nordeste, torna verossímil que tal deputado seja contrário a políticas que visem a um melhor aproveitamento das fontes de água existentes no país, dado que isso poderia ameaçar a manutenção de seus privilégios. Ora, a postura ideal de um político sério seria a de procurar representar os interesses da população que o elegeu e não é isso o que o deputado faz, ao negar a criação da ANA. Na argumentação do candidato, fica claro que a criação da ANA estaria vinculada diretamente, como apontamos acima, aos interesses gerais da população, tendo em vista os diferentes benefícios que tal agência poderia gerar.

Campinas, 28 de novembro de 1999. Deputado Carlos, Li com muita atenção algumas notícias públicadas em vários jornais sobre a falta de água no país, mais já estão discutindo sobre a criação da Agência Nacional da Água, isso não é tão importante. O que deveria ser feito é a criação de um novo órgão como a Agência Nacional do Petróleo, porque observamos que no século em que estamos existem muitos automóveis circulando e gastando petróleo. Sabemos que daqui à alguns anos não terá mais petróleo para todos esses carros. Devido este fato o Senhor deveria organizar uma reunião com os outros políticos para discutir sobre esse novo órgão, para que daqui à alguns anos não correr perigo dos automóveis ficarem parados sem ter combustíveis. Deputado o Senhor já imaginou tendo um carro em casa e não poder usá-lo por falta de petróleo. Deputado a criação da Agência Nacional da Água não é importante pois à água cai do céu e o petróleo não. Gostaria que o Senhor batalhasse para a criação da Agência Nacional do Petróleo seja feita. Atenciosamente, M.O.S.

Uma surpresa para a Banca foi a recorrência de um equívoco de leitura do enunciado da prova que fez com que alguns candidatos se confundissem e escrevessem contrariamente à criação da ANA. O enunciado dizia: Redija uma carta a um deputado ou senador contrário à criação da Agência Nacional da Água... (grifo nosso) Os candidatos que cometeram o equívoco leram “contrário” como “contrariamente” e associaram tal “ad- vérbio” ao verbo “redija”; daí redigirem uma carta argumentando contrariamente à criação da ANA. O que se espera, no entanto, é que os candidatos sejam capazes de reconhecer os diversos registros da língua portugue- sa e que tenham domínio da linguagem padrão utilizada na escrita. Perceba que a redação acima reflete bem a leitura equivocada do enunciado, na medida em que o candi- dato, além de negar a criação da Agência Nacional da Água, propõe a criação de um “novo órgão”: a ANP. Nesse momento o candidato revela um novo equívoco de leitura, decorrente daquele. No enunciado da prova, a Agência Nacional da Água é retomada por “novo órgão”; o candidato, porém, lê “novo órgão” não como expressão que se referia à ANA e, portanto, propõe um novo órgão.

Campinas, 28 de novembro de 1999 Ilmo. Raimundo José Garrido, Atualmente a criação da Agência Nacional da Água é de fundamental importância para o país, já que 

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