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VIDAS SECAS __________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
Tipologia: Slides
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Compartilhado em 02/08/2020
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Juliana Chagas
“Pelo Brasil afora se tem a ideia apressada e simplista de que o fenômeno da fome no Nordeste é produto exclusivo da irregularidade e inclemência de seu clima. De que tudo é causado pelas secas que periodicamente desorganizam a economia da região. Nada mais longe da verdade. Nem todo o Nordeste é seco, nem a seca é tudo, mesmo nas áreas do sertão. Há tempos que nos batemos para demonstrar, para incutir na consciência nacional o fato de que a seca não é o principal fator da pobreza ou da fome nordestinas. Que é apenas um fator de agravamento agudo desta situação cujas causas são outras. São causas mais ligadas ao arcabouço social do que aos acidentes naturais, ás condições ou bases físicas da região.” Josué de Castro, no livro “Geografia da Fome”. 8ª ed., Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008. “A literatura, afinal, não é a solução para nenhum problema, mas a própria problematização da realidade.” Janilto Andrade, no livro “Da beleza à poética”. Rio de Janeiro: Imago, 2001
VIDAS SECAS – “O MUNDO COBERTO DE PENAS” “A estúpida realidade de miséria vivida por milhares de nordestinos está contundentemente problematizada nessa poderosa indignação formalizada por Graciliano Ramos em linguagem poética, na quase ausência de linguagem das suas personagens .” Janilto Andrade
VIDAS SECAS - ENREDO
VIDAS SECAS – ENREDO
ANÁLISE – “O MUNDO COBERTO DE PENAS” (^) Aridez do cenário se expande e atinge o comportamento das personagens (^) Animalização das personagens (zoomorfização) e humanização de Baleia (^) Fabiano vivia longe dos homens; só se dava bem com os animais (^) Linguagem escassa, reflexo das escassezes vivenciadas (^) Falas monossilábicas e gestos voltados para a sobrevivência imediata (^) Ao flagelo das secas, acrescenta-se as injustiças socias (governo, fazendeiro, Soldado Amarelo) (^) Tomas da bolandeira e a cultura (^) Indivíduo e sociedade (^) Fabiano “vence” a seca por ser “bicho”. Difícil é “vencer “o fazendeiro e o Soldado Amarelo. (^) Relação de identificação entre personagens e sua realidade espacial (Fabiano ia acabar-se numa beira de caminho, assando no calor / O sertão ia pegar fogo) “Dizer que Fabiano está no sertão é dizer pouco. O sertão está nele” Janilto Andrade. (^) Universalização (achar-se isolado no mundo é achar-se sozinho consigo mesmo) (^) Uma via crucis que não termina nunca (^) Penas – provações, privações, sofrimentos, lamentos, penalização (^) O trágico sem a culpa – penalizados sem ser culpados O mundo coberto de penas
CONTEXTO LITERÁRIO Retomada de um olhar realista (relações sociais) e do regionalismo romântico (seres e espaço) Abandona o idealismo romântico e a impessoalidade realista Apresentação crítica da realidade brasileira Condição de subdesenvolvimento de regiões de nosso país, como a nordestina Contexto socioeconômico e espaço geográfico O impacto do meio sobre os indivíduos Caracterização da vida sacrificada e desumana do sertanejo, além de seu perfil social e psicológico. Estrutura socioeconômica que alimentava a política do coronelismo nordestino Determinismo Memórias pessoais Alagoas – novo eixo da ficção brasileira Linguagem – cor local e termos regionais 1930 – 1945 (1928 – A bagaceira, José América de Almeida)
CONTEXTO HISTÓRICO
AUTOR “ Autorretrato aos 56 anos (*) Nasceu em 1892, em Quebrangulo, Alagoas. Casado duas vezes, tem sete filhos. Altura 1,75. Sapato n.º 41.Colarinho n.º 39. Prefere não andar. Não gosta de vizinhos. Detesta rádio, telefone e campainhas. Tem horror às pessoas que falam alto. Usa óculos. Meio calvo. Não tem preferência por nenhuma comida. Não gosta de frutas nem de doces. Indiferente à música. Sua leitura predileta: a Bíblia. Escreveu “Caetés” com 34 anos de idade. Não dá preferência a nenhum dos seus livros publicados. Gosta de beber aguardente. É ateu. Indiferente à Academia. Odeia a burguesia. Adora crianças. Romancistas brasileiros que mais lhe agradam: Manoel Antônio de Almeida, Machado de Assis, Jorge Amado, José Lins do Rego e Rachel de Queiroz. Gosta de palavrões escritos e falados. Deseja a morte do capitalismo Escreveu seus livros pela manhã Fuma cigarros “Selma” (três maços por dia). É inspetor de ensino, trabalha no “Correio do Manhã”. Apesar de o acharem pessimista, discorda de tudo. Só tem cinco ternos de roupa, estragados. Refaz seus romances várias vezes. Esteve preso duas vezes. É-lhe indiferente estar preso ou solto. Escreve à mão. Seus maiores amigos: Capitão Lobo, Cubano, José Lins do Rego e José Olympio. Tem poucas dívidas. Quando prefeito de uma
ANEXOS
DIFERENÇAS DE DISCURSO "Os juazeiros aproximaram-se, recuaram, sumiram-se. O menino mais velho pôs-se a chorar, sentou-se no chão. - Anda, condenado do diabo, gritou-lhe o pai." (DIRETO) O pai gritou-lhe que andasse, chamando-o de condenado do diabo." Há ainda, uma terceira forma de conhecer o que as personagens dizem. (INDIRETO) "Sinha Vitória desejava possuir uma cama igual à de seu Tomás da bolandeira. Doidice. Não dizia nada para não contrariá-la, mas sabia que era doidice. Cambembes podiam ter luxo? E estavam ali de passagem. Qualquer dia o patrão os botaria fora, e eles ganhariam o mundo, sem rumo, nem teriam meio de conduzir os cacarecos. Viviam de trouxa arrumada, dormiriam bem debaixo de um pau.” (INDIRETO LIVRE)
FUTURO DO PRETÉRITO
TRECHOS