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Doc 64/Embrapa
Tipologia: Notas de estudo
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2 a^ edição atualizada e ampliada
Dezembro, 2006 Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Centro de Pesquisa Agroflorestal do Amapá Ministério da Agricultura, Pecuária e Ab astecimento Documentos 64 Viveiro de Mudas – Construção, Custos e Legalização 2 a^ edição atualizada e ampliada Antônio Carlos Pereira Góes Macapá, AP 2006
Autor Antônio Carlos Pereira Góes Advogado, Técnico Agrícola, Rodovia Juscelino Kubitschek, km 05, CEP. 68.906-970, Macapá, AP Fone: (96) 3241-1551, [email protected]
Apresentação O sucesso de qualquer cultivo vegetal está diretamente ligado ao perfeito desenvolvimento das plantas nele utilizadas. Alguns plantios têm seu início com o semeio direto no campo de cultivo, assim, a qualidade das sementes - potencial genético, poder de germinação, sanidade e vigor - é que irá determinar o êxito do empreendimento. Outros cultivos se dão a partir do transplantio de mudas, que são previamente produzidas e sua capacidade produtiva está associada tanto às características agronômicas exigidas para as sementes, já mencionadas, como ao ambiente em que as mesmas foram produzidas. Assim sendo, as boas práticas para produção de mudas recomendam a construção de viveiros, que propiciem às plantas expressarem todo seu potencial genético, obtendo-se assim mudas vigorosas. Um bom viveiro deve garantir aos materiais propagativos, ambiente adequado, no tocante aos fatores componentes do desenvolvimento vegetal, tais como: fornecimento de luz e água na medida certa, obtidos com a utilização de sistemas de irrigação e cobertura com telas apropriadas (os sombrites); eficiência no controle fitossanitário, propiciado por espaços adequados entre as plantas, que permitam o manuseio de equipamentos para a realização deste controle; além de substratos (solos) adequadamente esterilizados, que impeçam a disseminação de doenças e pragas. Visando a melhoria do nível tecnológico dos produtores amapaenses, a Embrapa Amapá desenvolveu e tem recomendado uma tecnologia de baixo custo de implantação e que, com certeza, poderá ajudar em muito na qualidade dos cultivos que venham a ser desenvolvidos no Estado. Esta tecnologia é a construção de viveiros, que é apresentada nesta publicação, que em linguagem simples e acessível a todos os níveis de produtores presentes em nosso Estado, apresenta as diversas etapas de construção de viveiros para produção de mudas sadias. O autor valeu-se para tal tarefa de sua vasta experiência na condução de cultivos, tanto experimentais como aqueles com interesse econômico, aliada à sua formação jurídica, com a finalidade de transmitir aos leitores, através de uma leitura agradável, os seus conhecimentos acumulados ao longo de mais de 25 anos de atuação no setor primário amapaense, tendo ao longo deste período, comprovado a contribuição positiva, que a tecnologia por ele apresentada pode trazer aos produtores amapaenses. Rogério Mauro Machado Alves. Pesquisador Embrapa Amapá.
Viveiro de Mudas – Construção, Custos e Legalização. Antônio Carlos Pereira Góes Considerações Preliminares A falta de mudas selecionadas à disposição dos produtores tem sido um dos maiores entraves para o desenvolvimento da fruticultura do Estado. O Amapá importa quase tudo o que consome, inclusive material botânico para propagação. O setor da fruticultura no Brasil é bastante promissor, notadamente se verificarmos alguns fundamentos básicos que explicam o crescimento da demanda por frutas, como os avanços da medicina, o aumento do número de consumidores e maiores preocupações com a saúde. A produção de frutas no país se realiza em diferentes áreas, mas com grande concentração nas Regiões Sudeste e Nordeste. Na Amazônia, apesar de sua biodiversidade, o negócio da fruticultura ainda é incipiente, apesar de contarmos com espécies de grande aceitação como o cupuaçu e o açaí. A proximidade do Estado do Amapá com a Comunidade Econômica Européia, através da Guiana Francesa, também abre possibilidades de negócios, contudo só é possível alcançá-los com produtos de alta qualidade e elevado valor genético. Um dos pontos que merecem destaque na solução dos problemas da fruticultura local está relacionado à adequada infra-estrutura para a produção de mudas de qualidade. Assim, a Embrapa Amapá instalou no Campo Experimental da Fazendinha dois módulos de viveiro aramado com sombrite e sistema de irrigação por nebulização elevado, proporcionando a visualização dessa tecnologia, que oferece baixo custo e elevada durabilidade. Este trabalho vem concluir o processo de transferência e adoção dessa tecnologia, trazendo aos técnicos da área um primeiro contato com a formatação e instalação de um modelo novo de viveiro de produção de mudas. Introdução Será abordada a construção de um viveiro de mudas de forma clara e simples, objetivando atender a demanda por informações de técnicos ligados ao setor, pequenos agricultores, empresários, estudantes e demais profissionais ligados ao negócio da produção de mudas frutíferas e florestais no Estado do Amapá.
Fig. 1. Viveiro ao ar livre Rústico suspenso Estrutura precária, é utilizado somente em locais impróprios para instalação permanente de viveiro, como em regiões ribeirinhas e várzeas. (Fig. 2.). Fig. 2. Viveiro rústico suspenso. De palha Estruturado com madeira e palha de palmeiras da região, permite a meia-sombra e um ambiente adequado para várias espécies. (Fig. 3)
Fig. 3. Viveiro de palha Ripado Mais durável que o de palha, utiliza esteios, frechais, pernas-mancas e ripas de madeira em sua construção. (Fig. 4). Fig. 4. Viveiro ripado Metálico De aço galvanizado, com diversos tipos de cobertura, é encontrado no mercado em módulos ou fabricado sob encomenda, oferecendo uma gama de aplicabilidade. (Fig. 5).
Fig. 7. Viveiro de sombrite. O viveiro aramado com sombrite apresenta as seguintes vantagens em relação aos demais tipos: Cobertura Pode ser feita com diversos materiais como palhas, madeiras e materiais sintéticos. Contudo, a utilização de madeiras e palhas acarreta a desuniformidade lumínica no interior do viveiro, sendo difícil o controle da percentagem de entrada de luz, podendo trazer prejuízos para o desenvolvimento de determinadas espécies. Ao contrário, o sombrite regula a intensidade de luz homogeneamente através de toda a área do viveiro; seu custo de instalação pode ser inicialmente um pouco maior, porém compensa por sua utilização a longo prazo (durabilidade) e pela facilidade de instalação. Estrutura Os pilares em madeira-de-lei, oferecem a sustentação necessária, são de fácil aquisição no mercado local, além de boa durabilidade. A cobertura é assentada sobre arame liso (galvanizado), que substitui muito bem a madeira, pois esta, além de ser irregular, com o tempo empena, apodrece e deforma a cobertura. Instalação É mais prática e rápida pois o arame é apenas esticado sobre os pilares, não sendo necessários maiores conhecimentos. Construção do viveiro O primeiro passo para a construção do viveiro de mudas é a escolha do local adequado, que dependendo dos fatores elencados, em ordem de prioridade, pode dar a exata medida do êxito ou do fracasso do empreendimento.
Água É o recurso mais importante que deve ser observado para o funcionamento do viveiro, em todas as etapas de produção (Trujillo Navarrete,198-). Quanto mais próximo da fonte de água estiver, menores serão os custos de implantação, manutenção e funcionamento. As fontes poderão ser rios, lagos, poços, etc. Declividade do terreno A inclinação deve ser a menor possível, sendo a ideal de 1% a 3%, segundo Arco-Verde & Moreira (1998). Deve-se evitar a instalação do viveiro em locais irregulares, o que dificultaria a execução dos tratos culturais e o acesso e trânsito de máquinas, veículos e pessoas. Solos Deve-se dar preferência a solos de textura solta, com boa drenagem, evitando-se o acúmulo de água, o que pode acarretar o excesso de umidade e, por conseqüência, o aparecimento de pragas ou doenças no viveiro. Proteção do vento A ação direta dos ventos sobre as plantas pode acarretar torção e inclinação, trazendo prejuízos no desenvolvimento das mudas (Trujillo Navarrete,198-). O modelo em estudo já oferece essa barreira. Porém, não sendo possível a sua instalação, deve-se plantar uma cortina quebra-vento com espécies de crescimento rápido [ Parkia multijuga (paricá), Inga edulis (ingá), Acacia mangium (acácia mangium)], etc., ou manter a vegetação existente no local. A proteção vegetal deve ficar a uma distância razoável, para evitar o sombreamento excessivo. O tamanho do viveiro a ser construído vai depender da quantidade de mudas a produzir, do tamanho dos recipientes, da forma de distribuição das mudas no espaço interno e do tempo que as mudas permanecerão no viveiro. O projeto apresentado neste trabalho detalha a instalação de um módulo com capacidade aproximada de 30.000 mudas, que poderá ser ampliado com outros módulos, de acordo com a necessidade de produção. As plantas encontram-se disponíveis ao final deste trabalho. Dimensões O módulo apresenta a dimensão de 24 x 24 m, perfazendo uma área de 576 m². Os esteios estão dispostos a uma distância regular de 4 x 4 m, exceto nas duas faces que podem servir para ampliação, em que a distância cai para 2 m na linha (vide planta); têm 0,10 x 0,10 m de espessura, com 2 m de pé-direito e comprimento total de 2,50 m. O viveiro está dividido em quatro submódulos, com áreas de circulação pavimentadas com brita, para facilitar o acesso de máquinas, veículos e pessoas, e permitir uma melhor drenagem das águas; limitadas com meio-fio, que pode ser de qualquer material disponível no local (madeira, tijolos, blocos de cimento, etc.). Esses submódulos deverão ser nivelados com areia, que além de oferecer uma melhor condição para a sustentação dos sacos e outros recipientes, funcionará como controladora de plantas invasoras.
Fig. 9. Vista lateral. Fig. 10. Detalhe do esticador. Sistema de Irrigação A irrigação de um viveiro pode ser realizada de diversas formas, desde a irrigação por inundação (sulcos), passando-se pelo uso de mangueiras, regadores, aspersores, nebulizadores, etc. Todos esses sistemas apresentam as suas vantagens e desvantagens. Contudo, quando a irrigação pode ser detalhadamente monitorada, quantificada e uniformizada, as vantagens são muitas. Isso é o que propõe o sistema de irrigação elevado por nebulização. A começar pela forma prática e rápida da instalação, pelos custos dos materiais e pela economia de água e energia elétrica. Por ser um sistema elevado, a distribuição da água será mais uniforme, fazendo com que as mudas recebam a mesma quantidade, evitando-se o desperdício. O sistema é composto de uma linha de alimentação principal de 50 mm de diâmetro (Fig. 11), da qual derivam 18 linhas secundárias de 20 mm, sendo 9 de um lado e 9 do outro (Fig. 12). Em cada linha secundária há um registro e 6 nebulizadores distantes 1,80 m entre si. Os nebulizadores utilizados neste projeto são do modelo cônico (Fig. 13), mas existem no mercado outros tipos e modelos que poderão ser utilizados, e até outros materiais para as Antônio Carlos Pereira Góes Antônio Carlos Pereira Góes
linhas de distribuição. O importante é que o sistema seja elevado para garantir todas as qualidades buscadas na distribuição da água no viveiro. Fig. 11. Linha principal Fig. 12. Linha secundária Antônio Carlos Pereira Góes Antônio Carlos Pereira Góes
Tabela 2. Materiais para o sistema de irrigação. Discriminação Unid. Quant. Valor (R$) Nebulizador Unid. 108 864, Adesivo plástico tubo com 75 g Tubo 05 9, Fita veda rosca rolo 25 m Rolo 04 9, Tubo pvc marrom soldável 50mm x 6m Unid. 06 174, Tubo pvc marrom soldável 20mm x 6m Unid. 36 232, Curva pvc marrom soldável 50mm Unid. 02 14, Cruzeta pvc marrom soldável 50mm Unid. 08 88, Tê pvc marrom soldável 50mm Unid. 01 5, Tê pvc marrom soldável 20mm Unid. 108 59, Registro pvc marrom roscável 50mm Unid. 01 29, Registro pvc marrom soldável 20mm Unid. 18 154, Adaptador pvc marrom SR 50mm x 1 ½” Unid. 02 4, Adaptador pvc marrom SR 20mm Unid. 108 37, Bolsa redução pvc marrom soldável 50 x 20mm Unid. 18 72, Luva pvc roscável ½” Unid. 108 64, Cap pvc marrom soldável 20mm Unid. 18 10, Sub Total 1.829, Tabela 1 + Tabela 2 T o t a l 11.258, Tabela 3. Equipamentos. Discriminação Unid. Quant. Valor (R$) Bomba d’água centrífuga (5 CV)* Unid. 01 1.865, *A potência e o tipo da bomba dependerão da distância da fonte de água até o viveiro e da vazão do nebulizador a ser utilizado. Tabela 4. Mão-de-obra. Quantidade Unid. Valor Total (R$) 120 h/dia 25,00 3.000, Total Custo total aproximado do projeto: R$ 16.123,
Legalização do Viveiro O negócio agrícola está cada vez mais profissionalizado. Para se adequar aos novos tempos, o produtor deverá zelar pela qualidade de seu material, obtendo propágulos de boa procedência e utilizando as técnicas adequadas de semeio, plantio e condução das mudas. Porém, a atividade é disciplinada por lei, e os produtores deverão procurar a Superintendência do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento, para efetuarem a competente regularização. Com o advento da Lei nº 10.711, de 05 de agosto de 2003, muita coisa mudou em relação ao regulamento da inspeção e fiscalização da produção e do comércio de sementes e mudas. Dessa forma, apresentamos a seguir, os passos necessários para se efetuar os registros exigidos pela legislação federal. Registro de Produtor de mudas Para produção, beneficiamento, reembalagem, armazenamento, análise, comércio, importação ou exportação de muda, fica a pessoa física ou jurídica obrigada a se inscrever no Registro Nacional de Sementes e Mudas (Renasem): Requerimento, por meio de formulário próprio, assinado pelo interessado ou representante legal, constando as atividades para as quais requer a inscrição; Comprovante do pagamento da taxa correspondente; Relação das espécies com que trabalha; Cópia do contrato social registrado na junta comercial ou equivalente, quando pessoa jurídica, constando dentre as atividades da empresa aquelas as quais requer a inscrição; Cópia do CNPJ ou CPF, quando pessoa física; Cópia da inscrição estadual ou equivalente, quando for o caso; Declaração do interessado de que está adimplente junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; Relação de instalações e equipamentos para produção, da qual conste a capacidade operacional, própria ou de terceiros; e Termo de compromisso firmado pelo responsável técnico. A inscrição no Renasem terá a validade de três anos, podendo ser renovada por iguais períodos, desde que solicitada e atendida as exigências legais.