Pré-visualização parcial do texto
Baixe volvo0001 e outras Trabalhos em PDF para Engenharia de Produção, somente na Docsity!
XXIX ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO A Engenharia de Produção e 0 Desenvolvimento Sustentável: Integrando Tecnologia e Gestão. SISTEMA VOLVO DE PRODUÇÃO: UMA EVOLUÇÃO NA MANUFATURA AUTOMOBILÍSTICA OU UMA TENTATIVA FRACASSADA DE PRODUÇÃO SOCIOTÉCNICA? Adauto Farias Bueno (UNEMAT) E a-bueno2007(Mhotmail. com Rodrigo Alessandro de Oliveira (UNEMAT) rodrigoalessandroalessandro() yahoo.com.br enegep . Bona Uddewala foi projetada para ser e fábrica do futuro onde pessoas e sistema produtivo convergiam para O desenvolvimento continuo da organização inteligente, o caráter experimenta! com que a produção sociotécnica foi implantada na Folva comprrometeu sua produtividade, mais baixa em relação a média com os outros concorrentes mundiais. O mundo da mamiatura industrial com um todo é altamente competitivo e em especifico da menufatura cantomobilística ainda mais, nesse contexto as empresas da Europa nas décadas de 70 com a crise do petróleo e queda na demanda por automóveis, assim como à criação de fortes sindicatos € operários politizados se viram cercadas por problemas potencias de competitividade e mão-de-obra, elevado pedido de demissão, constrangimentos públicos, absenteismo e greves radicais fizeram Os pi odutores europeus a repensarem suas relações produtivas e reorganizarem suas relações trabalhistas com vistas à manutenção de pessoal capacitado e de alta produção nas. plantas de fabricação automotiva. Nessa perspectiva a Volvo Company, lança sua inovadora planta de Kalmar com características médias de inovação sociolécnica, ou seja, o projeto trabalho na unidade fabril adaptado às necessidades humanas e não o trabalhador adaptando-se ao status quo fabril. Contudo a evolução extrema do projeto de engenharia e projeto dos métodos produtivos veio com à planta de Uddewalla citada em muitos artigos como à Jábrica do futuro, uma evolução da inovação média de Kalmar, Uddewalla foi a evolução máxima que qualquer modelo de produção já conseguiu atingir e operar, em termos organizacionais. Udelewalla fechada em 1992 encerra seu formato produtivo sociotécnico volvista por motivos de orientação estratégica e pressão de acionistas, o grupo acabou concentrando-se mais adiante na produção de caminhões somente, mas & experiência sóciotécnica é destacada como. inovadora, positiva, eficiente dando margem a um novo sistema de produção: O sistema Volvo de Produção. Palavras-chaves: Produtividade, organização do trabalho, volvo XXIX ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO - A Engenharia de Produção e q Desenvolvimento Susfentável: Integrando Tecnologia = Gestão eneger 1. Introdução Desde o surgimento do vapor a industria vem se desenvolvendo num processo dinâmico de adaptações e repostas aos mercados aos quais atendem. Em praticamente um século foi constituido várias transformações e avanços tecnológicos que determinaram o desenvolvimento de novas formas de gestão da produção, assim como a concepção de diferentes sistemas produtivos e organizacionais. Os conhecimentos de gestão desenvolvidos por Taylor, Ford e Sloan trouxeram, desde o início do século XX até essa data, avanços sem precedentes à produtividade das empresas dos EUA O ano de 1955 marca O início do sistema produtivo de produção em massa”, em sua forma amadurecida. Alguns dos fatores foram: produção em grande escala e em grandes lotes com correspondente redução dos custos unitários; elevada especialização do trabalho no chão- de- fábrica; inexistência de envolvimento do trabalhador com qualidade, sugestões ou melhoria das operações; o máximo possível em termos de verticalização da produção, etc. Os princípios-e - condições ambientais que haviam sustentado o paradigma da produtividade em massa, porém, já não eram suficientes para garantir a competitividade de que as empresas precisavam (CELLL, 2008). Sob a liderança de Taichi Ohno a Toyota Motor Company, buscava uma forma alternativa à produção em massa para gerenciar o sistema de produção. Surge, então, à produção enxuta. Algumas das bases desse novo modo de produção era O Just-in-time, a automação (automação com um toque humano), a polivalência des trabalhadores, o defeito zero, O Kaizen, a produção em pequenos lotes, entre ouros. A década de 1970 possibilitou o seu amadurecimento e, durante os anos de 1980, o Japão, com a adoção parcial ou integral da nova forma de produção, alcançou indices de crescimento fantásticos em vários setores econômicos, lançando o pais numa época de prosperidade jamais alcançada antes. A Volvo Company desenvolveu na Suécia nas décadas de 1970 e 1980 em relação à criação de alternativas à forma baseada nã produção em massa. Tais experiências tiveram origem nos estudos realizados pelo Instituto Tavistock, em Londres, ainda nas décadas de 1940 e 1950, e visavam compatibilizar os aspectos humanos e tecnológices presentes no sistema produtivo, como alternativa ao fordismo. Na olvo os trabalhadores, organizados através de sindicatos fortes, manifestavam insatisfação com as práticas da produção em massa, O que levou a empresa a testar alternativas para a organização do trabalho chão-de-fábrica, de modo que este se tornasse menos repetitivo, com maior conteúdo e, portanto, com maior significado e motivação para o trabalhador. No entanto, muitas de suas inovações são hoje utilizadas em fábricas de ônibus e caminhões — inclusive no Brasil — como kits de peças enviados à linha de montagem, elevação do grau de autonomia das equipes, redução de níveis hierárquicos, etc. Tais experiências representam uma proposta relevante de quebra do paradigma fordista, constituindo-se, talvez, em um sistema de produção avançado demais para a época(CELLI, 2008). 2. A perspectiva de produção e trabalho no sistema Taylorista — Fordista (Produção em Massa) Quando em 1911 Taylor publicou sua ilustre obra “The Principles of Scientific Management” deu início à chamada Administração Cientifica que marcou a expansão industrial americana sob a lógica de separação do trabalho mental do físico e pela fragmentação de tarefas e/ou especialização. O efeito real da aplicação dos princípios da Administração científica foi a XXIX ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO A Engenharia de Produção e o Desenwalvimento Sustentável: Integrando Tecnologia e Gestão JA eneger inauguraram algumas variantes de sistemas produtivos como o SPT (Sistema Toyota de Produção) com a filosofia enxuta/flexivel e os neo-sistemas europeus como NUMMI e o SVP (Sistema Volvo de Produção ou Produção Sociotécnica). 3. A perspectiva de produção e trabalho no produção no Sistema Toyota de Produção (Enxuto) ; Na produção em massa o aspecto de que funcionários eram agentes produtivos com necessidades especiais que devem ser percebidas para otimizar desempenho no trabalho não era nada obvia (Wood Jr., 1992), dentro dessa perspectiva Mitzberg coloca que a burocracia mecânica do sistema de produção em massa só é eficiente em ambiente estáveis e executando tarefas simples, numa visita de Eiji Tovoda as instalações da Ford em Detroit em 1955 ele constatou bem essa realidade é juntamente com Ohno no Japão examinaram o momento histórico em que viviam levantando fatores como cultura, mão de obra e mercado doméstico pequeno que exigia grande variedade, constituindo elementos que não vingaria a produção em massa no Japão, logo surge para o mundo a mânufitura flexível, alicerçando a Toyota como a empresa automobilística mais eficiente no mundo. ; A crise do petróleo de 1970 foi crucial para debilitar ainda mais as indústrias de produção em massa americana e européia, com essa mesma crise a Toyota foi buscar nos revendedores parcerias e estratégias para flexibilizar a produção via capitalização das necessidades do mercado consumidor e adaptação as mudanças tecnológicas da época. Os japoneses inovaram de montante a jusante na cadeia produtiva, fizeram alianças com fornecedores numa bem montada rede de suprimentos coisa nunca conseguida pelos produtores em massa, assim como alianças com redes de vendas aonde vinha a orientação de produção puxada pelo mercado por isso a sincronia e coordenação de informações deviam ser rigorosamente simétricas para que o processo de Just-in-time seja suave e nivele a produção “ reduzindo estoques intermediários e antecipando a ocorrência de falhas e problemas. A TRF (Troca rápida de ferramentas) foi à base para sustentação do JET no modelo flexível da Toyota, com ele houve significativa redução do setup tanto para pequenos lotes heterogêneos quanto pra grandes lotes homogêneos. ) O novo sistema produtivo foi um marco na manufatura moderna, mas a forma com que o fator trabalho era útilizado mudou pouca coisa em relação à produção em massa como cita (SANTOS, 2003). “Com a Jean production, o trabalho de montagem continuou a ser especializado e pareclarizado, os postos de trabalho individualizados & os ciclos bperatórios muto curtos (ou seja, com fortes constrangimentos de tempo). Isto.era visto como uma vantagem em termos de aprendizagem. A rotação de tarefas cra incentivada, sobretudo como forma de suprir eventuais falhas de mão-de-obra. Rotação e flexibilidade não significam, no entanto, enriquecimento de tarefas. O novo samurai é flexível e polivalente, mas luta sozinho. As regras do jogo, não estão sob seu controle. Gestão do tempo, nem pensar nisso, O método operatório bem como o” titmo de trabalho são-lhe impostos e são uniformes.” (SANTOS, 20083. p. 77) O tumover do pessoal no modelo japonês era um problema crônico assim como na produção . em massa, sobretudo dos mais jovens que, tal como os suecos no final dos anos 60 e princípios de 70, dificilmente: se identificavam com o trabalho taylorizado, isto é, individualizado, especializado, parcelarizado, penoso, repetitivo e monótono. Outro fator problemático era o elevado nível de stress no trabalho, em grande parte resultante do ritmo de produção e da sub-carga mental ligada à monotonia e repetividade, das tarefas. Os seres Es ABEPRO i XXIX ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO A Engenharia ce Produção e o Desenvolvimento Sustentável Integrando Tecnologia e Gestão humanos que participam do sistema “enxuto” são empurrados para seus limites é aumentam, assustadoramente, os casos de hipertensão e de suicídio nas cidades japonesas, bem como a alta incidência: de outros riscos profissionais, nomeadamente os de aspecto de doenças ocupacionais, em consequência das posturas corporais de elevado risco, exigidas pelo ao de montagem. Com o final da 2º Guerra a Toyota para enfrentar a crise pela queda da demanda demitiu 4 da sua força de trabalho, fato este que gerou enorme insatisfação e culminou numa crise institucional que levou a ao que conhecemos hoje de modelo japonês de trabalho com empregos vitalícios, participação nos lucros e promoção por critérios de tempo de serviço. Wood Jr. (1992) ainda chama atenção a um fator pouco mencionado quando falamos do sistema japonês de produção, baseado nos trabalhos de Kuniyasu Sakay (The feudal world japanese of manufacturing) e Bob King ( Hoshin Planning: The development aproach) o autor afirma que os grandes grupos industriais japoneses tem uma configuração piramidal, sendo a base constituída por milhares de pequenas empresas que emprega a grande parte da mão de ” obra e que sofre com a transferência de custos e margem de lucros mínimas, fatores que afetam a sustentabilidade econômica dessas empresas assim como o nível de satisfação de seus empregados, a queda relativa da devoção dos empregados dessas pequenas empresas é um exemplo que reflete esse esgotamento além de uma mudança sensível aos padrões comportamentais e culturais no trabalho. 4. A perspectiva de produção é trabalho no sistema Volvo de produção (Sociotécnico) A Volvo Company fundada em 1926 por Assar Gabrielsson e Gustaf Larson tinha como objetivo produzir veículos que fossem seguros, resistentes e adequados ao clima frio do país, somava-se a isso ainda, a falta de estradas adequadas ao trafego de veículos: na Suécia. A Volvo voltou sua produção até 1970 apenas para o mercado intemo sueco quando em 1974 adquiriu a DAF uma montadora holandesa, iniciando a internacionalização de mercado e produção (BONDARIK & PILATTI, 2007a). Wood Jr. (1992) destaca que a evolução produtiva da Volvo se deu guiada por um alto grau de experimentalismo com introduções gradativas de inovações tecnológicas e conceituais, nas plantas de Kalmar em 1974, Torslanda 1980/1981 e a mais revolucionaria de todas as plantas que foi Uddevala inaugurada em 1989, Moniz & Machado (2001) relata que à inovação foi resposta à crise com mão-de-obra que surgiu com a rejeição ao modelo fordista de trabalho especializado e parcelarizado que a companhia operava desde 1960. 4.1 A primeira parte da inovação sociotécnica Volvista: Planta de Kalmar Em 1973, a Volvo inaugura em Kalmar na Suécia um pioneiro projeto Sociotécnico em sua nova unidade fabril automotiva, que possuia a meta de fabricar 30000 unidades por ano. Especificações como forma dos prédios, o layout de distribuição do pessoal, as condições de meio ambiente (temperatura, iluminação, ruídos, etc..), foram concebidos visando proporcionar uma organização das condições de trabalho da maneira mais otimizada possivel! em conjunto com o projeto de engenharia da instalação industrial (SANTOS, 2003). “Bondarike & Pilatti (2007a) ressalta que Kalmar pode ser considerada como, provavelmente, o primeiro exemplo de uma planta para manufatura automobilística, onde a técnica é planejada às necessidades dos homens, em contraposto a prática até então praticada pelos sistemas de produção em massa é japonês, dando assim um passo decisivo na concepção de uma nova tecnologia para a organização do trabalho. de! ABEPRO XIX ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO: A Engénhiana de Produção e o Desenvolvimento Sustentável: intégrando Tecnologia é Gestão 4.2 A segunda parte da experiência sociotécnica Volvista: Planta de Uddewalla A nova planta da Volvo foi projetada para ser uma evolução da experiência em Kalmar, fazendo de Uddevalia um projeto antropocênirico (Modelo “centrado no homem”) ; (SANTOS, 2003). O governo forçou à à empresa para que os sindicatos de trabalhadores fossem envolvidos com o desenvolvimento do projeto desde o seu início e a participação dos trabalhadores ocorreu inclusive na organização da produção. O objetivo do sindicato, além de garantir empregos, era inicialmente garantir a qualidade do trabalho a ser desenvolvido na nova planta. Segundo Bondarik & Pillati (2007b) na negociação e participação do sindicato junto ao projeto antropocêntrico de Uddewala os sindicato colocou quatro condições fundamentais para uma otimização da produção fabril: ciclo de trabalho com máximo de 20 minutos cada, - ritmo de trabalho não fixados pela maquina, montagem estacionaria sem a presença de esteiras rolantes ou móveis e que o processo de montagem do veiculo não excederia 60% do tempo de trabalho, todas as condições foram exccutadas satisfatoriamente com exceção do padrão de 60% da carga de trabalho na montagem. As equipes participavam efetivamente na seleção e na formação de pessoal. O líder de cada grupo: era eleito. Em Uddewalla, cada equipe auto dirigida, construía um carro completamente, dentro de uma área pré-estabelecida, permitindo, assim, a participação de todos em-todas as etapas da montagem de um veículo. A organização do trabalho era guiada por grupós autodirigidos; Nas equipes de trabalho não existiam as tradicionais chefias diretas, sendo os próprios membros da equipe quem fazia a gestão da qualidade, dos custos, da manutenção, etc. Além disso, incentivava-se a polivalência. O objetivo era fazer rodar estas tarefas todos os meses (BONDARIK & PILLATI, 2007b). Em 1991 Uddevalla detinha a todos esses fatores de projeto de instalação e ergonomia voltado para atender necessidades do trabalho humano, logo resultaram no índice de qualidade mais , alta das três fábricas suecas da Volvo: E depois de certa estagnação em 1990, a produtividade continuava a melhorar. De qualquer modo, esta experiência era considerada como importante pata o desenvolvimento organizacional e o crescimento estratégico da Volvo que lutava então com problemas de produtividade e competitividade, se bem que esses problemas fossem comuns a outros fabricantes de automóveis, seus concorrentes (principalmente os europeus e os norte-americanos). Quando projetada a fábrica de Uddevalla tinha como objetivo ser tão rápida quanto às outras duas (em território sueco). Os melhores resultados em relação à mudança de séries ou de modelos sugeriam que os métodos de trabalho em Uddevalla eram mais vantajosos e racionais do que o trabalho em cadeia, na medida em que a produção era mais flexível e prestava-se melhor a mudanças técnicas e organizacionais, a flutuações do mercado, etc. Por outro lado; e uma vez que o futuro na indústria do automóvel apontava no sentido de serem cada vez mais fregiêntes as variedades de modelos, e haver uma maior exigência do mercado em relação à novos modelos e à qualidade dos produtos, esperava-se que a forma de organização do trabalho em Uddevalla passasse a ser devidamente valorizada (SANTOS, 2003). O layout produtivo é construído com um armazém no centro da fabrica que distribui material para seis centros dé produção totalmente independentes, com capacidade de produção de 40.000 carros ao ano em um turno de trabalho normal, instalação que tinha configuração de centros de produção semelhantes à planta de Kalmhar. A montagem é estacionaria e não com tinha móvel como no sistema-de produção em massa, eliminou-se esteiras, os ciclos de st Ft Tra 2 XXIX ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO. A Engenharia de Produção e o Desenvolvimento Sustentável: Integrando Tecnologias Gestão aneger : : Ses DÓ TB de pomaBroate Sen trabalho possuem limite máximo de 20 minutos, as maquinas não podem fixar o ritmo de produção. O layout e forma orgânizacional e de produção em Uddevala buscava flexibilidade com alto grau de automação e informatização (SANTOS, 2003). A experiência sueca de construção (montagem) de um carro pôr inteiro, tendo pôr base os princípios sociotécnicos e as equipes autodirigidas tinham algumas vantagens em relação ao modelo convencional como, por exemplo, o japonês conforme representado na figura 1: ( Ny e é á í eqrehs = E É x ada E e RR Gsi EN “Tempo para o operador pegare | | manusear as ferramentas e : | materiais mais o tempo necessário 135 40 para controlar e ajustar o próprio a | Ng trabalho x x nb Rear 6 Na , Sai EA ad Espaço em metros quadrados | | * necessário para a montagem cum dé dá a carro-ano — E ? | RES Sar do AN É É Pla | Espaço em metros quadrados | necessários para reajustamentos | E o nas ER nda Nº de máquinas e unidades de E | equipamentos mecanizados por |" | | | unidade de produção | 18. os | Nº de diferentes componentes Rr ma fabrica dementagem soe | 1500 Seta dades Rea Rs PERES ON en AE | Edite de aumento percentual da | | cadência individual na Ea caem fico Fonte: Adaptado Santos (2003) Tigura 1: Vantagens do modelo de prodição sociolécnico A planta no final de 1989 possui cerca de mil empregados e era dividida em três partes: oficina de materiais, de montagem e administração. Em cada um dos seis centros de montagem trabalhavam cerca de 80 a 100 operários divididos em grupos de 8 a 10 pessoas, todo o transporte de materiais é automatizado. Cada grupo possui todas as peças para montar três veículos simultaneamente, as competências que regem as tarefas a serem realizadas e à supervisão de todos os grupos é feita por um único gerente, 45 % da mão de obra-era feminina (BERGGREN, 2003). A fábrica de Uddevalla (que era apenas de montagem, não de fabricação) tinha vantagens em termos de custo/benefício. Uma das suas vantagens era a flexibilidade: — Lidava-se melhor com os reajustamentos da produção, o que foi testado quando, no verão de 1990, foi lançada uma nova série de carros; XXIX ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO A Engenharia de Produção e o Desemvolvimento Sustentável Integrando Tecnologia e Gestão grupo perdeu em produtividade, e a literatura japonesa usa certas desvantagens competitivas como a queda na produtividade que surgiram com a produção sociotécnica para diminuir sua importância enquanto evolução em sistema produtivo e elevar o a sociedade e sistema japonês como um modelo mais eficaz de pessoas e produção, a eficácia produtiva alcançada durante o século XX pelas empresas japonesás é inegável, mas aspectos de alto índice de suicídio e descontrole psicológico são algumas dos efeitos colaterais do sistema enxuto que possibilita a geração de indústrias excepcionalmente competitivas mas, ao mesmo tempo, exige muito de toda a sociedade em todos os setores. Ainda nessa perspectiva de validação do sistema Volvo como uma das maiores evoluções nos paradigmas da organização do trabalho na era industrial o MIT sob a liderança de Johnes P. Womack lança uma série de trabalhos sobre a produção enxuta (lean production) popularizando o conceito de produção. flexivel/ puxada para o mundo industrial ocidental, influenciando decisivamente a orientação de produção das empresas, logo a crítica ao sistema sociotécnico foi rapidamente exposto nos trabalhos do mentores “lean”, Womack autor da obra “ A maquina que mudou o mundo” um dos livros específicos em manufatura automotiva mais comentados na atualidade, declarou que'o sistema Volvo era o “Dead Horse” da industria automobilística, ou seja, apenas um cavalo morto, uma experiência fracassada que refletiu a falta de competitividade pela falta de produtividade em padrões com seus maiores concorrentes, talvez Womack estaria em parte certo com sua afirmação quando por motivos de orientação e fusão fracassada com a Renault à Volvo fechou as fabricas de Kalmar e Uddewala. O acordo de fusão com a Renault, anunciado em 1993, acabou por fracassar. Houve então mudanças de orientação estratégica no grupo Volvo com recentragem nas actividades de base (core business), prioridade aos interesses dos acionistas e fim das experiências de reorganização do trabalho, cessando a consolidação da produção sociotécnica no grupo e o possível kaizen em sua trajetória como sistema produtivo, mas a afirmação de Womack do Dead Horse num ponto de vista global é errônea no sentido de que a experiência de Kalmar e Uddewala não fracassou em termos de inovação, aprendizagem e evolução de paradigmas técnicos, trabalhistas/produtivos, isso pode ser comprovado pela orientação das plantas da Toyota no oriente as chamadas worker friendly plantas, os próprios japoneses aproveitaram algumas das lições das intervenções sociotécnicas na Suécia. Pelo menos, foram obrigados a ter em conta aspectos do ambiente psicossocial de trabalho e problemas de natureza ergonómica completamente ignorados ou escamoteados até meados da década de 1980 e inovaram suas plantas que mesmo em menor grau levavam o fator trabalho humano no projeto de engenharia e produção. E 6. O surgimento do trabalhador reflexivo no sistema Volvo de produção A evolução do homem enquanto sujeito “da criação de um produto e parte componente da produção passou por varias transformações na industria automotiva mundial desde a sua criação, visto com diferentes maneiras de integração com a produção foi identificado como homem Operacinal no sistema de produção em massa, Homem Reativo no sistema de produção enxuta e Homem reflexivo no sistema de produção sociotécnico, homem é o mesmo que trabalhador ou uma unidade de força de trabalho. O Homem operacional característico do sistema mecanicista e burocratico da produção em massa tem sido considerado ao longo do século XX e em especial nas plantas da Ford como um recurso organizacional a ser maximizado em termos de produto físico mensurável. De fato; as implicações desse modelo de homem para o formato organizacional podem ser XXIX ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO A Engenharia de Produção e o Desenvolvimento Sustentável. Integrando Tecnologia e Gestão Sustentado no crescimento e aprendizagem individual surge o crescimento organizacional na produção sociotécnica, os conceitos de single loop (aprendizado) e double loop (apredizado- do-aprendizado). são a filosofia para tornar as organizações mais inteligentes com quatro princípios elementares: capacidade de sentir ou monitorar o ambiente, relacionamento de informações colhidas com normas pré-definidas, detecção das variações, início da correção - (WOOD JR, 1992). : 7. Conclusões A concepção de diferentes tipos de trabalhadores nos diferentes sistemas produtivos e organizacionais nos leva à compreensao de qual a importância ea dimensão das inovações do sistema Volvo de produção, deixando claro que a experiencia sociotécnica foi efetivamente positiva, e que resultados mais sólidos seriam explicitos com a melhoria continua da chamada fábrica do futuro O sistema Volvo equacionou em partes mas com resultados nunca vistos antes o problema. da organização do trabalho que era latente desde os primordios da manufatura automobilistica, ou seja, de aproveitamento das potencialidades da tecnologia e das capacidades humanas (GRAÇA, 2002), Como afirma Bondaraki & Pillati (2007a) os. principios produtivos adotados na produção sociotecnica da Volvo estavam além de seu tempo, mesmo com o fechamentos das fabricas a experiencia serviu de modelo para diversas outras no mundo como os projetos das worker frienfly planis abertas em 1992 pela Nissan e Toyota com caracteristicas de influencia sóciotecnica, isso foi um claro resultado da rejeição imediata ao trabalho especializado que - essas empresas enfrentaram na Europa quando instalaram as chamadas iransplants que eram plantas automotivas de empresas japonesas de produção enxuta em operação no continente europeu. O fechamento das fábricas de Kalmar e Uddevalla nao significou a morte do sistema Volvo de Produção que foi concebido nas plantas de Kalmar e Uddewalla, sigmficou o êxito de um sistema que projeta sua produção conforme a necessidade e enriquecimento do trabalho humano, numa perspectiva de dotar a organização ds inteligencia e aprendizado sustentando a - melhoria continua, O trabalhador reflexivo mais do que o resultado de um projeto voltado as necessidades humanas representou a validação de que foi positivo os projetos de produção sociotécnica e que.a fábrica do futuro pode existir e que para isso é necessario, novas experiências que otimizem e conciliem produtividade/flexibilidade com vistas à satisfação do trabalho humano. a Referências BERGGREN, €. Volvo Uddevalla a dead horse or a car dealer's dream? An evaluation of the economic performance of Volvo's Unique Assembly Plant 1989-1992. In: Actes da GERPISA Nº9, 2003, pp. 129-143 Disponível em < http://www univevry. frlabos/gerpisa/actes/9/9-5.pdf > Acesso em 06 de Maio de 2009. BONDARIK, R. & PILATTI, L. A. Implantação da fábrica em Uddewalla: o modelo Volvo de produção industrial. Programa de Empreendedorismo: e" Inovação. Anais 2007. Disponível em < www.pg.ccfetpr br/incubadora/wp-content'hemes/4o cpegcfimplantacao-da-fabrica-cm-Uddevália pdf > acesso em 10/05/2009 BONDARIK, R.; PILATTI, L. A. Os modelos de homem de Alherio Guerreiro Ramos e os paradigmas produtivos, do século XX. kr Anais do Congresso Internacional de Administração ADM-2007: "Gestão a para o Desenvolvimento Sustentávei", Ponta Grossa, Editora UDPG, 2007. 254p. Disponível em < pg.com bricadastro/ver. artigo.php?sid=1 17 > Acesso em 23 Abril de 2009b.