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1 Fiabilidade e Validade, Provas de Desvio

Validade concorrente é o grau com que um novo método se correlaciona com outro já existente e tido como válido. 2. A validade conceptual relaciona-se com o ...

Tipologia: Provas

2023

Compartilhado em 16/01/2023

Jandiara62
Jandiara62 🇵🇹

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1 Fiabilidade e Validade
Muitos estudos na ´area das ciˆencias da sa´ude (incluindo fala e audi¸ao) envolvem a realiza¸ao
de testes (question´arios) e/ou medi¸ao de caracter´ısticas fisiol´ogicas. Associados a estes testes
e medi¸oes encontramos dois aspectos de relevo: a fiabilidade e a validade.
Fiabilidade significa precis˜ao do etodo de medi¸ao e pode ser averiguada atrav´es da
an´alise da consistˆencia ou estabilidade desse etodo. Um etodo (teste ou instrumento de
medida) fi´avel ao deve produzir resultados significativamente diferentes se for repetido sobre
o mesmo indiv´ıduo.
Um teste ou instrumento de medida dizem-se alidos se conseguirem traduzir de forma
correcta a grandeza que pretendem medir. Por exemplo o umero de anos e meses de vida de
uma pessoa constitui uma medida alida da sua idade, o mesmo a ao acontece se usarmos
a sua estatura para medir a idade.
Enquanto a fiabilidade diz respeito `a consistˆencia ou estabilidade de uma medida, a vali-
dade diz respeito `a sua veracidade. Uma medida pode ser muito fi´avel (precisa) mas pode estar
errada e portanto ser inv´alida. Portanto fiabilidade ao implica validade mas ´e um requisito
para avaliar a validade. Ou seja, uma medida para ser alida deve antes de mais ser fi´avel.
Consequentemente devemos primeiro avaliar a fiabilidade dos instrumentos (ou etodos) de
medida e o depois avaliar a validade dos mesmos.
1.1 Fiabilidade
Existem diversos factores que influenciam a fiabilidade de um etodo. Por exemplo, a pessoa
sobre a qual se est´a a efectuar as medi¸oes pode ter reac¸oes diferentes de dia para dia. Por
outro lado o etodo pode apenas medir uma parte do fen´omeno de interesse e ao servir para
caracterizar de forma global esse fen´omeno.
Existem arias formas de averiguar a fiabilidade de um etodo (teste ou medi¸ao):
1. Pode-se repetir exactamente o mesmo teste ou medi¸ao sobre os mesmos indiv´ıduos e
comparar os resultados. Este processo ´e designado por test-retest.
2. Podem-se aplicar dois testes ou medi¸oes supostamente equivalentes e comparar os re-
sultados.
3. Podem-se subdividir os testes ou medi¸oes em duas partes equivalentes (nem sempre isto
´e poss´ıvel) e examinar a consistˆencia dos resultados nessas duas partes. Este processo ´e
designado por split-half reliability.
Existem basicamente dois processos para quantificar a fiabilidade de um teste ou medi¸ao:
1. o primeiro consiste em avaliar a variabilidade das medidas ap´os sua repeti¸ao sobre os
mesmos indiv´ıduos. A medida de variabilidade mais utilizada ´e o desvio padr˜ao. No en-
tanto, ´e raro podermos aplicar o mesmo teste ou medi¸ao aos mesmos indiv´ıduos repeti-
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1 Fiabilidade e Validade

Muitos estudos na ´area das ciˆencias da sa´ude (incluindo fala e audi¸c˜ao) envolvem a realiza¸c˜ao de testes (question´arios) e/ou medi¸c˜ao de caracter´ısticas fisiol´ogicas. Associados a estes testes e medi¸c˜oes encontramos dois aspectos de relevo: a fiabilidade e a validade. Fiabilidade significa precis˜ao do m´etodo de medi¸c˜ao e pode ser averiguada atrav´es da an´alise da consistˆencia ou estabilidade desse m´etodo. Um m´etodo (teste ou instrumento de medida) fi´avel n˜ao deve produzir resultados significativamente diferentes se for repetido sobre o mesmo indiv´ıduo. Um teste ou instrumento de medida dizem-se v´alidos se conseguirem traduzir de forma correcta a grandeza que pretendem medir. Por exemplo o n´umero de anos e meses de vida de uma pessoa constitui uma medida v´alida da sua idade, o mesmo j´a n˜ao acontece se usarmos a sua estatura para medir a idade. Enquanto a fiabilidade diz respeito a consistˆencia ou estabilidade de uma medida, a vali- dade diz respeitoa sua veracidade. Uma medida pode ser muito fi´avel (precisa) mas pode estar errada e portanto ser inv´alida. Portanto fiabilidade n˜ao implica validade mas ´e um requisito para avaliar a validade. Ou seja, uma medida para ser v´alida deve antes de mais ser fi´avel. Consequentemente devemos primeiro avaliar a fiabilidade dos instrumentos (ou m´etodos) de medida e s´o depois avaliar a validade dos mesmos.

1.1 Fiabilidade

Existem diversos factores que influenciam a fiabilidade de um m´etodo. Por exemplo, a pessoa sobre a qual se est´a a efectuar as medi¸c˜oes pode ter reac¸c˜oes diferentes de dia para dia. Por outro lado o m´etodo pode apenas medir uma parte do fen´omeno de interesse e n˜ao servir para caracterizar de forma global esse fen´omeno.

Existem v´arias formas de averiguar a fiabilidade de um m´etodo (teste ou medi¸c˜ao):

  1. Pode-se repetir exactamente o mesmo teste ou medi¸c˜ao sobre os mesmos indiv´ıduos e comparar os resultados. Este processo ´e designado por test-retest.
  2. Podem-se aplicar dois testes ou medi¸c˜oes supostamente equivalentes e comparar os re- sultados.
  3. Podem-se subdividir os testes ou medi¸c˜oes em duas partes equivalentes (nem sempre isto ´e poss´ıvel) e examinar a consistˆencia dos resultados nessas duas partes. Este processo ´e designado por split-half reliability. Existem basicamente dois processos para quantificar a fiabilidade de um teste ou medi¸c˜ao:
  4. o primeiro consiste em avaliar a variabilidade das medidas ap´os sua repeti¸c˜ao sobre os mesmos indiv´ıduos. A medida de variabilidade mais utilizada ´e o desvio padr˜ao. No en- tanto, ´e raro podermos aplicar o mesmo teste ou medi¸c˜ao aos mesmos indiv´ıduos repeti-

das vezes para podermos obter uma estimativa do desvio padr˜ao. Assim, desenvolveram- se m´etodos para obter estas estimativas sem ter que se repetir os testes ou medi¸c˜oes sobre os mesmos indiv´ıduos;

  1. o segundo e o mais comum consiste no c´alculo de coeficientes de fiabilidade a partir de medi¸c˜oes repetidas ou de compara¸c˜oes split-half. Tipicamente, com base em dois conjuntos de medidas (ou porque o mesmo teste foi aplicado duas vezes sobre o mesmo indiv´ıduo ou porque o teste foi dividido em duas partes) calcula-se um coeficiente de correla¸c˜ao adequado ao tipo de medidas em causa. Uma medida pode ent˜ao dizer-se fi´avel se o desvio padr˜ao for reduzido ou se o coeficiente de fiabilidade (correla¸c˜ao) for elevado. Uma forma de fiabilidade que muitas vezes ´e avaliada ´e a chamada fiabilidade inter- observador (inter-observer reliability ou inter-judge reliability). Neste caso pretende-se averiguar se diferentes observadores (avaliadores) ao utilizarem os mesmos m´etodos de medi¸c˜ao (testes ou medi¸c˜oes) obtˆem resultados consistentes. Trata-se de um caso particular de fiabilidade descrita acima. As medidas de associa¸c˜ao (correla¸c˜ao) mais utilizadas para medir a fiabilidade de um teste ou medi¸c˜ao encontram-se descritas no cap´ıtulo da Associa¸c˜ao entre vari´aveis.

1.2 Validade

A validade de um teste (ou instrumento de medida) n˜ao ´e simples de averiguar na maioria das situa¸c˜oes. Duma forma geral podemos dizer que quanto mais directa for a forma de medir o fen´omeno em causa mais v´alido ser´a o m´etodo utilizado. Por exemplo, se observarmos o que uma pessoa come durante uma refei¸c˜ao temos uma medida mais v´alida do seu consumo de calorias do que se lhe perguntarmos `a posteriori o que comeu. Para termos medidas v´alidas ´e portanto conveniente considerar diferentes m´etodos de medi¸c˜ao e procurar avaliar a sua validade comparativa. Infelizmente, porque ´e dif´ıcil avaliar a validade dos m´etodos, muitas vezes assume-se a validade at´e que algu´em afirme em contr´ario.

Schweigert (1994) distingue trˆes tipos de validade: validade de crit´erio (criterion valid- ity), conceptual (construct validity) e facial (face validity). Note-se no entanto que esta classifica¸c˜ao n˜ao ´e ´unica e existem ouras formas de categorizar os tipos de validade de um m´etodo (ver por exemplo Ventri & Schiavetti (1986).

  1. A validade de crit´erio ´e o grau com que um m´etodo de medi¸c˜ao se correlaciona com outros m´etodos j´a estabelecidos para o mesmo fen´omeno. Existem dois tipos de validade de crit´erio: preditiva (predictive validity) e concorrente (concurrent validity).

1.1. Validade preditiva ´e o grau com que o resultado de um teste (ou medida) prevˆe o comportamento futuro do indiv´ıduo.Por exemplo o resultado de um teste `a in- teligˆencia (IQ) pode predizer o sucesso escolar de uma crian¸ca. Se guardarmos os

Um estudo pode ter validade interna mas n˜ao ter validade externa. J´a um estudo que n˜ao tenha validade interna nunca poder´a ter validade externa.

2 Sensibilidade e especificidade

Para terminar iremos referir dois conceitos que surgem por vezes na literatura das ciˆencias da sa´ude incluindo as da fala e da audi¸c˜ao: sensibilidade e especificidade. Muitas vezes aplica-se um teste de diagn´ostico para averiguar a presen¸ca de determinada patologia num paciente. Quando o teste produz um resultado positivo conclui-se a favor da presen¸ca e quando produz um resultado negativo a favor da ausˆencia. Estas conclus˜oes podem obviamente estar erradas e interessa avaliar a probabilidade de estes erros ocorrerem. A sensibilidade de um teste mede a sua capacidade de detectar a presen¸ca da doen¸ca correc- tamente. Chama-se positive predictive value a percentagem de resultados positivos verdadeiros que o teste fornece. A especificidade de um teste ´a a capacidade de este detectar a ausˆencia da patologia. Chama-se negative predictive valuea percentagem de resultados negativos verdadeiros que o teste fornece.

Bibliografia

Schweigert, W. (1994) Research methods and statistics for psychology, Brooks/Cole Publish- ing Company.

Ventri, I. & Schiavetti, N. (1986) Evaluating Research in Speech Pathology and Audiology, Macmillan.

Marks, R. (1994) Designing a Research Project: the art of doing Science, unpublished (Prof. Ana Mendes).

Schavelson, R. (1988) Statistical Reasoning for the Behavioral Sciences, Allyn and Bacon.