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3. Lucas (Moody), Notas de estudo de Teologia

3. Lucas (Moody)

Tipologia: Notas de estudo

2015

Compartilhado em 14/03/2015

edson-nobre-6
edson-nobre-6 🇧🇷

4.8

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LUCAS
Introdução
Esboço
Capítulo 1 Capítulo 7 Capítulo 13 Capítulo 19
Capítulo 2 Capítulo 8 Capítulo 14 Capítulo 20
Capítulo 3 Capítulo 9 Capítulo 15 Capítulo 21
Capítulo 4 Capítulo 10 Capítulo 16 Capítulo 22
Capítulo 5 Capítulo 11 Capítulo 17 Capítulo 23
Capítulo 6 Capítulo 12 Capítulo 18 Capítulo 24
INTRODUÇÃO
O Evangelho segundo Lucas é a narrativa mais completa da vida de
Jesus que veio até nós proveniente da era apostólica. Teve a intenção de
ser uma descrição completa do curso da vida do Salvador desde o seu
nascimento até a sua ascensão, e faz parte de uma obra maior que inclui
o livro dos Atos, o qual prossegue com a história das atividades
missionárias da igreja até o estabelecimento da comunidade cristã em
Roma.
O Autor. De acordo com o testemunho uniforme da igreja, Lucas,
um médico gentio e companheiro de Paulo, foi o autor do Terceiro
Evangelho. Seu nome não foi mencionado nas suas páginas, mas as
evidências disponíveis tendem a concordar e confirmar a tradição.
A íntima relação entre o Evangelho e o livro de Atos mostra que as
duas obras têm o mesmo autor, e sejam quais forem as pistas que
identifiquem o autor de uma aplicam-se à interpretação da outra. Os dois
livros foram endereçados ao mesmo homem, Teófilo (Lc. 1:3; Atos 1:1).
O conteúdo de Lucas encaixa-se perfeitamente na descrição do "primeiro
tratado" mencionado na introdução dos Atos (Atos 1:1). A continuidade
do estilo e dos ensinamentos sobre a pessoa de Cristo, a ênfase
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LUCAS

Introdução Esboço Capítulo 1 Capítulo 7 Capítulo 13 Capítulo 19 Capítulo 2 Capítulo 8 Capítulo 14 Capítulo 20 Capítulo 3 Capítulo 9 Capítulo 15 Capítulo 21 Capítulo 4 Capítulo 10 Capítulo 16 Capítulo 22 Capítulo 5 Capítulo 11 Capítulo 17 Capítulo 23 Capítulo 6 Capítulo 12 Capítulo 18 Capítulo 24

INTRODUÇÃO

O Evangelho segundo Lucas é a narrativa mais completa da vida de Jesus que veio até nós proveniente da era apostólica. Teve a intenção de ser uma descrição completa do curso da vida do Salvador desde o seu nascimento até a sua ascensão, e faz parte de uma obra maior que inclui o livro dos Atos, o qual prossegue com a história das atividades missionárias da igreja até o estabelecimento da comunidade cristã em Roma. O Autor. De acordo com o testemunho uniforme da igreja, Lucas, um médico gentio e companheiro de Paulo, foi o autor do Terceiro Evangelho. Seu nome não foi mencionado nas suas páginas, mas as evidências disponíveis tendem a concordar e confirmar a tradição. A íntima relação entre o Evangelho e o livro de Atos mostra que as duas obras têm o mesmo autor, e sejam quais forem as pistas que identifiquem o autor de uma aplicam-se à interpretação da outra. Os dois livros foram endereçados ao mesmo homem, Teófilo (Lc. 1:3; Atos 1:1). O conteúdo de Lucas encaixa-se perfeitamente na descrição do "primeiro tratado" mencionado na introdução dos Atos (Atos 1:1). A continuidade do estilo e dos ensinamentos sobre a pessoa de Cristo, a ênfase

predominante sobre a obra do Espírito Santo, o interesse penetrante pelo ministério aos gentios, e a atenção constante que o escritor dedica aos acontecimentos históricos contemporâneos apontam para uma unidade planejada. Nessa mesma base, os fatos fornecidos pelo livro de Atos relativamente ao seu autor também se aplicam ao Evangelho. O autor era um gentio convertido, possivelmente da igreja de Antioquia, onde Paulo serviu com Barnabé no começo do seu ministério (Atos 11:25, 26). O escritor juntou-se-lhe mais tarde em Troas, conforme indica o uso que faz do pronome "nós" (Atos 16:10), acompanhou-o até Filipos, e presumivelmente permaneceu lá enquanto Paulo visitava Jerusalém Quando Paulo retornou a Filipos, Lucas voltou com ele a Jerusalém (Atos 20:5 – 21:15), onde Paulo foi preso e colocado sob custódia protetora. No final da prisão de Paulo em Cesaréia, Lucas o acompanhou a Roma (Atos 27:1 – 28:15). Paulo menciona Lucas três vezes em suas epístolas, chamando-o de "médico amado" (Cl. 4:14; Fm. 24), e indicando mais tarde que foi o último amigo que permaneceu com ele na sua segunda prisão (II Tm. 4:11). A declaração de Paulo que Lucas era médico está corroborada pela linguagem que Lucas usa e pelo interesse que demonstra pelas enfermidades e a cura. Um notável exemplo dessa inclinação aparece na diferença entre a sua narrativa e a de Marcos referente à mulher que tinha uma hemorragia (Lc. 8:43; Mc. 5:26). Ele diagnostica o caso da mulher como incurável, enquanto Marcos enfatiza a incapacidade dos médicos. O ministério de Lucas foi amplo. Médico, pastor, evangelista itinerante, historiador e escritor, foi tremendamente versátil e ativo. Tinha muitas amizades entre os líderes cristãos do primeiro século, e parece que também tinha importante e especial relacionamento com as autoridades romanas.

poderia ter extraído grande parte das aplicações doutrinárias que aparecem tanto no Evangelho como no livro de Atos. A Data. Por causa da conclusão abrupta do livro de Atos, parece que Lucas concluiu o mesmo no final dos dois anos da prisão de Paulo em Roma. Se o Evangelho foi escrito anteriormente, conforme indica a introdução do livro de Atos (Atos 1:1), deve ter sido composto, o .mais tardar, antes de 62 A.D. quando terminou a prisão em Roma. Talvez Lucas colheu o material para o mesmo durante seus anos de serviço com Paulo, e então, antes de sair da Palestina na companhia deste, a caminho de Roma, enviou-o de Cesaréia para o seu amigo Teófilo. Se foi assim, o Evangelho foi escrito aproximadamente em 58 A.D. A alusão feita ao cerco e tomada de Jerusalém (Lc. 21:20-24) tem sido interpretada por alguns que o Evangelho foi escrito depois da queda da cidade em 70 A.D. Tal conclusão não é necessária se considerarmos que o conteúdo do capítulo é uma profecia, e que Lucas está apenas registrando as palavras de Jesus sobre o futuro. A afinidade entre a linguagem da narrativa de Lucas sobre a Última Ceia (22: 14-23) e o resumo de Paulo (I Co. 11:23-26) pode indicar que Lucas estivesse repetindo as palavras que o próprio Paulo usou em diversas ocasiões. Se for assim, a composição e publicação do Evangelho podem ser colocadas mais perto dos dias de Paulo do que em período de trinta ou mais anos após. O Lugar. Nenhuma indicação do lugar da publicação nos foi dada. Uma tradição relaciona o Evangelho com a Grécia, possivelmente Atenas. Outra sugere que o lugar seja a Antioquia da Síria, onde Lucas teria amigos. Cesaréia parece ser o lugar mais adequado para a sua composição, mas o Evangelho pode ter sido completado e enviado de Roma a Teófilo, se não da própria Cesaréia. O Destinatário. Teófilo, a quem o Evangelho foi endereçado, era provavelmente um gentio de alta posição social. Lucas o saúda com o titulo, "ó excelente", o qual ele reserva em outros lugares de seus escritos para autoridades romanas (Atos 24:3; 26:25.) Nada se sabe dele

diretamente além das duas menções feitas em Lucas 1:3 e Atos 1:1. Era um cristão convertido, interessado em saber mais sobre a nova fé do que poderia obter da simples instrução de rotina. Os dois tratados de Lucas tinham a intenção de transformá-lo em um crente inteligente. O Desenvolvimento das Idéias. O Evangelho de Lucas apresenta o curso da vida de Jesus como se alguém apresentasse seus pontos altos a um auditório por meio de um filme. Começa com sua genealogia e nascimento, continua através do seu ministério terreno até a Paixão, e atinge o clímax na Ressurreição. Atos continua sua operação na igreja através do Espírito Santo até a chegada de Paulo em Roma. O Evangelho, então, foi dedicado à primeira metade dessa apresentação progressiva da pessoa de Cristo. A estrutura de Lucas segue de modo geral a ordem de Mateus e Marcos, uma vez que foi determinada pela vida de Cristo propriamente dita. A apresentação dos fatos é mais completa em diversos aspectos, mas é menos apegada aos tópicos do que Mateus e mais fluente que a de Marcos. Resumo da Mensagem. A mensagem do Evangelho de Lucas pode ser resumida nas palavras de Jesus a Zaqueu, conforme Lucas as registra: "Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido" (19:10). O caráter e propósito de Jesus como Salvador é o tema principal deste livro. As atividades e os ensinamentos de Jesus em Lucas são focalizados no ato de tirar os homens dos seus pecados e de trazê-los de volta à vida e à esperança. Os milagres, as parábolas, os ensinamentos e as atitudes de Jesus exemplificam seu poder e vontade redentores. O conceito de Jesus como Filho do homem enfatiza a sua humanidade e a sua compaixão sentida por todos os homens. Ele tinha de ser a "Luz para alumiar as nações, e para glória de... Israel" (2:32). Lucas escreve como cristão gentio, com profunda apreciação pela revelação de Deus através do povo hebreu, revelando contudo uma grande simpatia por aqueles que não foram incluídos no primeiro

A. A ida a Jerusalém. 18:31 – 19:27. B. A entrada em Jerusalém. 19:28-44. C. O ensino em Jerusalém. 19:45 – 21:4. D. O discurso no Jardim das Oliveiras. 21:5-38. E. A última ceia. 22:1-38. F. A traição. 22:39-53. G. A prisão e o julgamento. 22:54 – 23:25. H. A crucificação. 23:26-49. I. O sepultamento. 23:50-56. VII. A ressurreição. 24:1-53. A. A sepultura vazia. 24:1-12. B. A caminhada a Emaús. 24: 13-35. C. O aparecimento aos discípulos. 24: 36-43. D. A última comissão. 24:44-49. E. A ascensão. 24:50-53.

COMENTÁRIO

Lucas 1

I. Introdução. 1:1-4.

O Evangelho de Lucas é o único que conta qual o método que o autor usou na sua composição. O conteúdo da introdução tem a intenção de fortalecer a confiança do leitor naquilo que o Evangelho contará a respeito de Cristo.

1. Houve... empreenderam. Uma tradução literal do verbo grego, quer dizer, "tentaram" ou "iniciaram". A narração. A palavra implica em uma narrativa formal que é um sumário conciso dos fatos. Fatos que ... se realizaram tem o sentido de "as coisas que foram aceitas por certas ou verdadeiras", ou "os reconhecidos fatos do caso".

2. Transmitiram. Paulo usa esta mesma palavra com referência à transmissão oral do conteúdo do Evangelho (I Co. 11:23; 15:3). Os que ... foram deles testemunhas oculares ... e ministros da palavra. Os que ... foram deles testemunhas oculares, implica em que os informantes de Lucas viram Jesus em pessoa e por causa de seu compromisso com ele tornaram-se ministros da palavra. Ministros não tem um significado profissional no sentido atual da palavra; usava-se em relação aos que prestavam serviços na sinagoga (Lc. 4:20). 3. Também a mim. Lucas estava tão bem qualificado a escrever um Evangelho quanto qualquer outro. Acurada investigação. Paulo usa a mesma expressão para dizer que Timóteo "seguia de perto" as experiências da sua carreira (II Tm. 3:10). Esse conhecimento é a familiaridade que um homem tem com os fatos contemporâneos seus. Desde sua origem (gr., anothen ). Em um outro lugar Lucas usa a mesma palavra (Atos 26:5). Lucas declara-se completamente familiarizado com a vida de Jesus. Excelentíssimo. Um título que Lucas usa em outros lugares apenas com referência à autoridades ou à nobreza (Atos 23:26; 24:3; 26:25). 4. Tenhas plena certeza. A palavra grega significa ter conhecimento perfeito. Instruído pode subentender-se informação oral geral ou instrução formal. Lucas estava escrevendo para confirmar o que Teófilo tinha aprendido através da palavra falada.

II. A Anunciação do Salvador. 1: 5 – 2:52. Os dois primeiros capítulos do Evangelho preocupam-se com as circunstâncias do nascimento de Jesus e indicam claramente que a vinda do Salvador foi uma intervenção direta de Deus nos negócios humanos.

A. A Anunciação a Zacarias. 1:5-25.

5. Herodes, rei. Herodes, o Grande, edomita pelo sangue e judeu de religião, era rei da Judéia desde 37 A.C. até 4 A.C. Era um governante capaz, mas cruel e corrupto. Turno de Abias. Havia vinte e quatro

casa. A casa de Zacarias ficava na região montanhosa, provavelmente não muito longe de Jerusalém (1:39).

B. A Anunciação à Maria. 1:26-56.

27. A uma virgem desposada com certo homem... cujo nome era José. A lei judaica considerava o compromisso do noivado tão válido quanto o casamento. O noivado era completado depois de negociações realizadas pelo representante do noivo e depois de pago o dote ao pai da moça. Depois de assumido o noivado, o noivo podia reclamar a noiva a qualquer momento. O aspecto legal do casamento estava incluído no compromisso de casamento; o casamento propriamente dito era apenas um reconhecimento do compromisso que já fora estabelecido. José tinha todo o direito de viajar com Maria a Belém. Da casa de Davi. Pelos direitos de adoção, considerado como filho de José, Jesus podia reclamar a herança real da casa de Davi. 28. Favorecida. A palavra pode ser traduzida para cheia de graça, mas refere-se a quem é o recipiente da graça e não a fonte da mesma. 29. Que significaria esta saudação. Ser escolhida dentre todas as outras mulheres para receber uma bênção era perturbador. Maria não entendeu por que ela fora escolhida para esta honra. 31. A quem chamarás pelo nome de Jesus. Jesus é a forma grega para o Josué hebreu, que significa Jeová é salvação. Compare a narrativa de Mateus da anunciação feita a José (Mt. 1:21). 32. O trono de Davi, seu pai. Os descendentes de Davi reinaram sobre Judá desde o Reino Unido até o Exílio numa dinastia ininterrupta. O anjo predisse que Jesus completaria essa sucessão. 33. Reinará para sempre sobre a casa de Jacó. Esse reino será tanto temporal quanto espiritual. 34. Como será isto, pois não tenho relação com homem algum? A pergunta de Maria confirma a declaração de sua virgindade no versículo 27. José ainda não a tomara por mulher.

35. Descerá sobre ti o Espírito Santo. Em contraste com as lendas pagãs da antiguidade relacionadas com reputada descendência de deuses e homens, não houve nenhuma intervenção física. O Espírito Santo, por meio de um ato criador no corpo de Maria, providenciou os meios físicos para a Encarnação. 36. Isabel, tua parenta. Se Maria e Isabel eram primas em primeiro grau, Jesus e João Batista eram em segundo grau. 38. Aqui está a serva do Senhor. A pronta aceitação de Maria demonstrou seu caráter devoto e obediente. Ela estava pronta para se arriscar a cair em desgraça e divórcio para cumprir a ordem de Deus. 43. A mãe do meu Senhor. A saudação de Isabel mostra que ela estava pronta a reconhecer o Filho de Maria como o seu Senhor. 46. A minha alma engrandece ao Senhor. Os versículos de 46 a 56 são chamados O Magnificat, que tem origem na primeira palavra da tradução latina. Compare à oração de Ana (I Sm. 2:1-10). 47. Deus, meu Salvador. Maria não era sem pecado; ela reconhecia a sua necessidade de um Salvador. 48. Serva (gr. doulê ). Literalmente, uma escrava. 49. Porque... me fez grandes coisas. Melhor: fez grandes coisas em meu favor. 51. No coração alimentam pensamentos soberbos. Pensamento (cons. I Cr. 29:18) tem o significado de "presunção" ou as perspectivas jactanciosas de que se orgulhavam.

C. O Nascimento de João. 1:57-80.

59. Circuncidar o menino. Os meninos judeus eram circundados oito dias após o nascimento, ocasião em que costumavam receber o seu nome. 60. Chamado João. João, do hebreu Yohanan , que significa "Deus é gracioso". 61. Ninguém há na tua parentela que se chama por este nome. As crianças costumavam ter nomes de família. Neste caso a escolha de

Lucas 2

D. O Nascimento de Jesus. 2:1-20.

1. Um decreto de César Augusto. Lucas é o único autor dos Evangelhos que data o seu material relacionando-o com o imperador reinante (veja também 3:1). Decreto (gr. dogma ). Uma ordem imperial. César Augusto. O primeiro imperador de Roma que reinou de 27 A. C. até 14 A. D. Toda a população. Isto significa todo o império, não todo o mundo conhecido. Recensear-se. Augusto ordenou que se fizesse um recenseamento do império, o qual serviria de base para o lançamento dos impostos. O decreto foi assinado cerca de 8 A.C., mas provavelmente não entrou em vigor senão alguns anos mais tarde. 2. Quirino era governador da Síria. P. Sulpicius Quirinius foi eleito governador da Síria em 6 A. D., e realizou um recenseamento na Judéia naquela ocasião. Há boas evidências de que ele foi governador duas vezes, e que o seu primeiro governo foi de 4 A. C. a 1 A. D. O recenseamento anterior devia estar terminando quando ele assumiu o governo pela primeira vez. 3. À sua própria cidade. Na Judéia cada homem voltava à cidade dos seus ancestrais onde ficavam guardados os registros de sua família. 4. Galiléia era a região à volta do Lago de Genesaré, ou mar da Galiléia. Tinha uma grande população gentia, e desde o tempo dos profetas era conhecida como "Galiléia dos Gentios" (Is. 9:1). Nazaré. Uma cidade nas colinas da Galiléia, localizada sobre a estrada comercial que ia das planícies costeiras até Damasco e o Oriente. Judéia. A província ao sul da Samaria e ao norte de Edom e do deserto, limitada ao oeste pelo Mediterrâneo e a leste pelo Rio Jordão e Mar Morto, Belém. O lar de origem da família de Davi. 5. Sua esposa. Veja 1:27. 7. Seu filho primogênito. Subentende-se que Maria teve outros filhos mais tarde (cons. Mc. 6:3). Manjedoura. Um coxo onde o gado comia. José e Maria deviam ter se abrigado no estábulo. A tradição diz que foi numa caverna na encosta da montanha atrás da hospedaria.

8. Guardavam o seu rebanho durante as vigílias da noite. A data exata do nascimento de Jesus é desconhecida; a lendária data de 25 de dezembro não pode ser confirmada além do quarto século. 9. A visita celestial foi assessorada com a radiância da glória divina que estava presente quando Deus se manifestou (Êx. 16:10; 20:18; 40:34; II Cr. 7:1; Ez. 1:27, 28). 10. Não temais. As palavras do anjo foram as costumeiras palavras de saudação diante de homens que ficariam aterrorizados com tal aparição (cons. 1:13, 30). Todo o povo, Israel. 11. Salvador. No V. T. Deus foi o Salvador do seu povo (Is. 25:9; 33:22). Enquanto os profetas o consideravam principalmente como um salvador da opressão política, Lucas alarga o conceito apresentando Jesus como o Salvador do pecado. Cristo, o Senhor. Cristo significa ungido , o Messias de Israel que era o Libertador prometido. Senhor. Um título que os pagãos gregos aplicavam aos seus reis, os quais eles saudavam como se fossem deuses. Um cristão só pode aplicar esse título a Cristo (I Co. 8:6). 12. E isto vos será por sinal. Literalmente, o sinal. 14. Paz... entre os homens a quem ele quer bem. A paz não foi dada aos homens que têm boa vontade para com Deus, mas aos homens que Ele está inclinado a favorecer. 15. Nos deu a conhecer. Os pastores não duvidaram da realidade da proclamação do anjo, mas aceitaram-na ao pé da letra. 19. Maria... guardava em seu coração. O aparecimento dos visitantes celestiais aos pastores confirmou o segredo misterioso da Anunciação.

E. A Apresentação no Templo. 2:21-40.

21. Completados oito dias. Assim como João, Jesus recebeu o seu nome de acordo com a mensagem de Gabriel (1:13, 59-63). A circuncisão deve ter acontecido em Belém.

37. Era viúva, de oitenta e quatro anos. Ana convivera com o seu marido sete anos antes da morte deste. Se ela tivesse se casado com a idade de doze anos, teria então mais de cem anos de idade, a não ser que Lucas mencionasse o total de sua idade. Assim como Simeão, ela fazia parte do remanescente piedoso do judaísmo. 38. A redenção de Jerusalém. A grandeza da fé de Ana está comprovada por sua confiança em que essa criança era o instrumento prometido para a redenção nacional. 40. Crescia o menino, e se fortalecia. Lucas é a única fonte de informação sobre a infância de Jesus. Todo o tipo de lendas fantásticas sobre a juventude de nosso Senhor têm sido escritas e publicadas nos Evangelhos apócrifos, mas nenhuma delas aparece nas Escritura.

F. A Visita a Jerusalém. 2:41-52.

42. Subiram, segundo o costume da festa. Judeus devotos costumavam assistir a Páscoa em Jerusalém. Jesus, tendo doze anos de idade, estava se aproximando da idade normal para ser aceito no judaísmo como um "filho da lei", que o tornaria um membro efetivo da comunidade religiosa. 43. Permaneceu o menino Jesus em Jerusalém. Como qualquer menino normal, deve ter ficado fascinado com as vistas da cidade; é mais provável que ele tenha se interessado particularmente pelo ensinamento dos rabis. 46... o acharam no templo. Seu interesse mostra que ele despertou para a necessidade de compreender a Lei. Ele estava prestando atenção aos mestres, que ficaram espantados com a clareza e discernimento de suas respostas. 48. Filho, por que fizeste assim conosco? Como qualquer mãe de verdade, Maria sentiu a falta dele quando a caravana parou no fim do dia. Obviamente ela ficou preocupada. 49. Casa de meu Pai. Dá a entender que o jovem tinha uma percepção clara do seu relacionamento com Deus. Ele ficou admirado

porque Maria e José não tinham compreendido esse relacionamento, e fê-los lembrar que, sendo Deus o seu verdadeiro Pai, ele pertencia à casa de Deus.

50. Não compreenderam. José e Maria não compreenderam o significado completo das palavras de Jesus, que foram o primeiro sinal registrado de sua crescente independência (cons. Jo. 2:4). 51. E era-lhes sujeito. A independência de Jesus não era rebeldia. Ele voltou a Nazaré e ficou com a família até o começo do seu ministério público. Guardava todas estas coisas no coração. Embora não compreendesse o que ele quería dizer, Maria não se esqueceu de suas palavras. Talvez Lucas fosse informado diretamente por ela. 52. E crescia Jesus em sabedoria, estatura, e graça diante de Deus e dos homens. Ele não foi um prodígio no sentido de ser anormal. Crescia (gr. lit. "avançar abrindo caminho") significa que havia crescimento no seu tamanho, consciência e compreensão dos acontecimentos. Ele foi perfeito em cada estágio da vida. Ele estava livre das imperfeições que desfiguram o restante dos homens em cada estágio do crescimento.

III. O Aparecimento do Salvador. 3:1 – 4:15.

A narrativa do ministério de João Batista, a genealogia e a tentação de Jesus tem o propósito de fornecer os antecedentes do Salvador que Lucas está apresentando. O batismo relaciona-o com a vida espiritual contemporânea sua; a genealogia confirma seu relacionamento com a raça humana; e a tentação prova sua competência em lidar com os problemas morais que a humanidade enfrenta.

Lucas 3

A. A Introdução de João Batista. 3:1-20.

1. No ano décimo quinto do reinado de Tibério César. Lucas, sendo um historiador cuidadoso, data o começo da vida pública do

salvação de Deus. Citando as palavras do profeta (Is. 40:3), "Preparai o caminho do Senhor (Jeová)", em relação à missão de João, Lucas mostra que reconhece a divindade de Cristo.

6. E toda a carne verá a salvação de Deus. O escritor esclarece no começo do ministério de Jesus que Ele tinha uma mensagem universal. 7. Raça de víboras. Como seus antepassados proféticos, João denunciava os pecados do povo com rigorosa linguagem. 8. Temos por pai a Abraão. Os judeus se orgulhavam de maneira especial de Abraão como o cabeça de sua raça, com o qual Deus fizera o seu convênio. Crendo que herdaram a bênção de Deus através de Abraão, confiavam na sua ascendência para obter salvação (Jo. 8:33). João Batista advertiu-os de que Deus poderia transformar as próprias pedras em descendentes de Abraão. 9. Já está posto o machado à raiz das árvores. Árvores infrutíferas eram cortadas para lenha. A nação não produzira os frutos que Deus tinha esperado, e o juízo era iminente. 12. Publicanos eram cobradores de impostos, conhecidos por sua rapacidade. Uma certa parte do salário era exigida em pagamento de impostos, mas os publicanos costumavam pedir mais, e enriqueciam com a diferença. Eram odiados pelo povo, que os considerava traidores porque trabalhavam para Roma. 14. Também soldados. Os soldados costumavam ser brutais com os civis, e praticavam a extorsão às custas destes. A ninguém maltrateis. A palavra grega para tratar mal ( diaseisete ) significa "derrubar". 15. Se não seria ele, porventura, o próprio Cristo. Cristo é um termo geral significando "Messias". É um título, não um nome próprio. 16. As correias das sandálias. O amarrilho. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo. Assim como o batismo com água significa arrependimento, a vinda do Espírito Santo é a prova da presença de Deus. O fogo é um símbolo de purificação e poder.

17. A sua pá ele a tem na mão. A "pá" servia para joeirar, isto é, jogar os grãos ao ar de modo que a palha era levada pelo vento, enquanto as sementes limpas caíam de volta ao chão da eira. 19. Herodes, o tetrarca. Herodes era casado com Herodias, a esposa de seu irmão Filipe. Quando João o repreendeu publicamente, Herodias ficou enraivecida e exigiu que João fosse aprisionado. Herodes mandou prendê-lo e finalmente, a pedido de sua esposa, ordenou a execução do Batista.

B. O Batismo de Jesus. 3:21, 22.

21. Ao ser todo o povo batizado. Submetendo-se ao batismo de João, ele se colocou na categoria dos pecadores, embora não tivesse pecado, e começou a sua missão redentora. Os céus se abrindo foram o reconhecimento divino da filiação de Jesus. 22. E o Espírito Santo desceu. A pomba era o símbolo da inocência e da ausência do mal, um mensageiro da paz (cons. Gn. 8:8, 9). Uma voz do céu. Compare com Lucas 9:35; João 12:28.

C. A Genealogia. 3:23-38.

23. Ora, tinha Jesus cerca de trinta anos ao começar o seu ministério. Era como se cuidava, filho de José. A genealogia de Jesus não concorda com a de Mateus, que fornece a linhagem legítima de descendência real. Lucas dá a linhagem humana, possivelmente ao lado de Maria, se José foi reconhecido como filho de seu pai através do casamento. Lucas leva a genealogia até Adão para enfatizar que Jesus descendia do primeiro pai da raça humana, enquanto Mateus começa com os primeiros da aliança: Abraão, a quem Deus prometeu a terra (Gn. 12:7), e Davi, a quem Ele garantiu um reino eterno (II Sm. 7:12, 13, 16). Os nomes da genealogia, diferem quanto à ortografia dos nomes do V. T, porque foram dados na forma grega.