





































































Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity
Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium
Prepare-se para as provas
Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity
Prepare-se para as provas com trabalhos de outros alunos como você, aqui na Docsity
Encontra documentos específicos para os exames da tua universidade
Prepare-se com as videoaulas e exercícios resolvidos criados a partir da grade da sua Universidade
Responda perguntas de provas passadas e avalie sua preparação.
Ganhe pontos para baixar
Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium
6. Juízes (Moody)
Tipologia: Notas de estudo
Oferta por tempo limitado
Compartilhado em 14/03/2015
4.8
(218)478 documentos
1 / 77
Esta página não é visível na pré-visualização
Não perca as partes importantes!






































































Em oferta
Introdução Esboço Capítulo 1 Capítulo 7 Capítulo 13 Capítulo 19 Capítulo 2 Capítulo 8 Capítulo 14 Capítulo 20 Capítulo 3 Capítulo 9 Capítulo 15 Capítulo 21 Capítulo 4 Capítulo 10 Capítulo 16 Capítulo 5 Capítulo 11 Capítulo 17 Capítulo 6 Capítulo 12 Capítulo 18
INTRODUÇÃO
Título. O livro de Juízes recebeu o seu nome dos líderes ( shopetim ) que libertaram Israel de uma série de opressores estrangeiros durante o período compreendido entre a morte de Josué e o começo da monarquia. O termo shopet tem uma conotação mais ampla do que o termo "juiz" pode transmitir. Na antiga Cartago e Ugarit era usado para descrever magistrados civis, ou chefes de estado. A literatura cananita da antiga Ugarit usa a expressão shptn , "nosso juiz", paralelamente relacionada com mlkn, "nosso rei". (Ba'al V, v, 32). O período bíblico dos shopetim deve ser, contudo, separada do período dos reis. Durante o período dos Juízes, existia um sentimento definidamente antimonárquico (cons. Jz. 9:8-15), embora pressões externas de invasores em perspectiva levassem o povo finalmente a pedir um rei (I Sm. 8). Os juizes eram homens dotados com o Espírito, chamados por Deus e capacitados por Ele a resolver crises especificas na história de Israel. O próprio Deus era considerado o Rei de Israel (I Sm. 8:7), embora o pecado do povo freqüentemente reduzisse este ideal a um estado de anarquia (Jz. 21: 25). Os juizes exerciam autoridade sob orientação divina tanto em questões militares como em civis, tomando decisões legais quando chamados para fazê-lo (4:4,5).
Em Juízes 11:27 o Deus de Israel foi chamado de hashshopet "O Juiz". Os "julgamentos" ( mishpatim ) de Deus formam uma parte dessa instrução que se conhece como a lei (tora) de Jeová (cons. Sl. 19:9; 119:7). Data e Autoria. Como outros livros históricos do Velho Testamento, o livro de Juizes é anônimo. Provas internas, contudo, ajudam-nos a determinar a data aproximada de sua composição. Dá-se a entender a destruição de Silo (18:31). As palavras. "Naqueles dias irão havia rei em Israel" (17:6), sugere unta data durante a monarquia. O fato dos jebusitas ainda serem mencionados estando em Jerusalém (1:21) implica em uma data antes da tornada de Jebus, durante o reinado de Davi. Semelhantemente a menção de Gezer (1:29 ) implica em uma data antes de Faraó dar esta cidade como presente de casamento a Salomão (I Reis 9:16). Evidências internas dão a entender, assim, uma data durante os primeiros dias da monarquia (cerca de 1050-1000 A.C.), ou durante os dias de Saul ou logo no começo do reinado de Davi. O Talmude ( Baba Bathra , 14b) e a antiga tradição cristã concedem sua autoria a Samuel. Embora as evidências não autorizem uma conclusão positiva em relação ao escritor do livro dos Juízes, elas indicam que o livro foi escrito por um contemporâneo de Samuel. O autor provavelmente fez uso de material escrito e oral, mas o livro, na forma que hoje temos, exibe uma unidade que argumenta contra qualquer esquema complexo de compilação. Antecedentes Históricos. A geração que entrou em Canaã durante a liderança de Josué tinha realizado muito por ;meio da ocupação dos sítios estratégicos e estabelecimento das tribos em suas porções específicas. A tarefa da conquista e ocupação, contudo, estava longe de se poder considerar terminada. Importantes fontes cananitas foram ignorados por Josué. e assim as tribos tiveram de lutar individualmente para ocuparem os territórios a que tinham direito (Js. 13:1-7).
I. Introdução. 1:1 - 2 5,
A. Antecedentes Políticos do Período dos Juizes. 1:1-36. Durante o período da vida de Josué, Canaã foi ocupada e dividida entre as tribos de Israel. Contudo, fortes grupos de resistência permaneceram. A presença de povos inimigos no meio do território de Israel e a força da oposição vinda de fora produziu a situação política descrita no livro de Juízes. Depois da morte de Josué. Cons. Js. 1:1. Assim como a morte de Moisés marcou o fim da peregrinação de Israel no deserto, a morte de Josué marcou o final da primeira fase da conquista de Canaã. Quem... subirá? Dentro das porções distribuídas pur Josué havia ainda muito território por conquistar. As tribos deviam ocupar os territórios que lhes tinham sido concedidos. Os cananeus. O termo é às vezes usado em relação a todos os habitantes de Canaã sem considerar sua origem. A região ocupada pelos cananeus nessa ocasião está delineada em Jz. 1:9.
2. Judá recebera o território a oeste do Mar Morto e ao sul de Jerusalém (Jebus), região conhecida por Judéia no período neotestamentário (Jos. 15:1-63). Eis que nas suas mãos lhe entreguei a terra. O propósito divino está declarado como fato realizado. A certeza de sucesso foi declarada como induzimento à atividade. 3. Disse, pois, Judá a Simeão, seu irmão. Jacó declarara que as tribos de Simeão e Levi seriam dispersas entre Israel (Gn. 49:5-7). Josué não designou um território específico a Simeão, mas permitiu que os simeonitas se estabelecessem na porção designada a Judá (Js. 19:9). Assim Simeão foi virtualmente incorporado na tribo de Judá. 4. Fereseus. Pensa-se que tenham sido um povo aborígine de raça diferente dos cananeus. Tinham se estabelecido em Canaã antes que Abraão chegasse (Gn. 13:7).
5. Adoni-Bezeque significa "senhor de Bezeque". Ele subjugara setenta reis fantoches e lhes cortara os polegares e os artelhos (1:7). Mutilação física desqualificava uma pessoa de ocupar cargo religioso ou civil ( Lv. 11:16-24; compare com I Sm. 9:2; 16:12). Adoni-Bezeque foi do mesmo modo mutilado por seus capturadores israelitas (Jz. 1:6). 8. Pelejaram contra Jerusalém. Embora temporariamente tomada, Jerusalém não foi permanentemente mantida por Israel até os dias de Davi (cons. 1:21; II Sm. 5:6-9 ). Durante o Período de Amarna (cerca de 1400-1360 A.C.) a cidade foi conhecida como Urusalim , e era uma das mais importantes cidades-estado dos cananeus. 9. Nas montanhas, no Neguebe e nas planícies. Estes termos explicam muito da geografia e história da Palestina. As montanhas, ou "região montanhosa", foram a primeira região tomada e mais tempo mantida por Israel. Cidades importantes das montanhas da Judéia incluíam Jerusalém (790,35ms acima da nível do mar) e Hebrom (92b,16ms acima do nível do mar ). O Neguebe é a região do sul. Este território semideserto começa a algumas milhas ao sul de Hebrom. Berseba constitui a principal cidade do Neguebe atualmente e na antiguidade. Planícies se refere às terras baixas, ou, transliterando, o Sefelá. É o termo usado para com os contrafortes entre a planície costeira e o maciço das montanhas da Judéia. Durante o período dos Juízes, os filisteus ocupavam a planície costeira, os israelitas ocupavam a maior parte das montanhas da Judéia, e o Sefelá era cenário constante de lutas entre os dois grupos. Quando as tribos israelitas se estabeleceram em Canaã, ficaram sujeitas às tentações da religião cananita. A prostituição religiosa e o sacrifício de crianças a Moloque constituíam algumas das práticas degradantes que tiveram de enfrentar em seu novo lar. Freqüentemente esqueceram-se de sua aliança curti Deus no Monte Sinai. Quando escorregavam para a idolatria, Deus os castigava entregando-os aos seus inimigos. Quando, em espírito de arrependimento. oravam clamando por misericórdia, a ajuda vinha na pessoa de um "Juiz" que era chamado por
relacionado coma raiz hebraica que significa dizer. Com toda probabilidade a antiga Quiriate-Sefer era uma cidade notável pai seu oráculo.
12. Disse Calebe: A quem derrotar a Quiriate-Sefer e a tomar, darei minha filha Acsa por mulher. A promessa de dar uma filha em casamento como recompensa por uru ato de bravura era costume comum na Bíblia (cons. I Sm. 17:25) e também na literatura secular. Aqui ficou implícito que a cidade tomada, além da filha, também seria dada ao vencedor. 13. Otniel, filho de Quenaz, o irmão de Calebe. Gramaticalmente as palavras podem significar que Otniel era sobrinho ou irmão mais jovem de Calebe. Tomou-a , isto é, Debir. 14. Insistiu com ele para que pedisse um campo ao pai dela. Depois do casamento, Acsa persuadiu seu marido a que lhe desse permissão de pedir um campo a seu pai. 15. Dá-me um presente (cons. Gn. 33:11; Js. 15:19; lI Reis 5:15). Deste-me terra seca poderia ser traduzido assim: Puseste-me na região do Neguebe. Ela queria um presente para compensá-la das redondezas áridas do Neguebe de Judá. Então Calebe lhe deu as fontes superiores e as fontes inferiores. Acsa pediu Gullot-mayim , talvez nome de um lugar traduzido pala "fontes de águas". Calebe file deu Gullot-'illit e Gullot-tahtit , sem dúvida também nomes de lugares comumente traduzidos para "fontes superiores" e "fontes inferiores". As escavações de Tell Beit Mirsim dão a entender que os "poços" eram buracos que davam acesso á água do sub-solo, alguns dos quais foram encontrados nessa região. A 1,6 kms abaixo e 3,2kms acima de Tell Beit Mirsim foram descobertos esses poços. Outros, contudo, identificam os poços dados a Acsa com as fontes acima e abaixo da estrada de Seil ed-Dilbeh, 9,25 kms a sudoeste de Hebrom, no caminho de Berseba. Este é um dos vales mais bem regados de água no sul da Palestina. A posse dessas fontes era de grande importância, e o registro feito aqui indicaria a todos os interessados o direito que ela e seus descendentes tinham sobre os
poços. J. Simons ( The Geographical and Topographical Texts of the Old Testament , pág. 382) rejeita a localização da antiga Debir em Tell Beit Mirsim, sugerindo antes Khirbet Terrameh por causa de sua proximidade com estes poços.
16. Os filhos do queneu, sogro de Moisés. Os queneus eram patentes dos israelitas através do casamento de Moisés com Zípora (Êx. 2:21; Jz. 4:11). Preservaram sua identidade, mas continuaram amigos dos israelitas até o período de Davi (1 Sm. 30:29). Subiram da cidade das palmeiras, isto é, Jericó, ao deserto de Judá, que está ao Sul de Arade. Tell’Arad é um monte de aspecto estéril a 27,35 kms ao sul de Hebrom. O texto massorético continua, foram e habitaram com este povo. Ficamos sabendo mais tarde que os queneus se estabeleceram entre os amalequitas (1Sm.15:6). Sugeriu-se que as palavras este povo – ha-'am – resultaram da perda da última parte da palavra amalequita na história do manuscrito pré-massorético. O original seria, "foram e habitaram entre os amalequitas". 17. Foi-se, pois Judá com Simeão, seu irmão. A tribo de Judá cooperou com a tribo de Simeão na destruição de Zefate, possivelmente Tell es-Sab'a. Hormá. Nesta passagem há um interessante jogo de palavras com dois diferentes significados de uma só raiz hebraica. A mesma raiz que produz a palavra herem , que significa tudo aquilo que era dedicado ou consagrado aos deuses dos não-israelitas e portanto ofensivos ao Deus de Israel, também produz a forma verbal haram, que significa "destruído". Deus dissera que as cidades dos cananeus tinham de ser "totalmente destruídas" (Dt. 7:2). Zefate fora uma cidade pagã "dedicada" ( herem ) aos deuses pagãos. Pela ordem do Senhor ela foi "dedicada" a Ele; isto é, dedicada à destruição, destruída ( haram ). Seu nome foi mudado pala Hormá , que significa destruição total. 18. Tomou ainda Judá a Gaza, a Ascalom e a Ecrom. Estas eram as principais cidades filistéias ao sul de Jope. O historiador prossegue declarando que a tribo de Judá foi capaz de expulsar os habitantes das montanhas, mas que os carros de ferro usados pelos habitantes do vale
fugitivo de Betel edificou uma cidade que chamou de Luz, o antigo nome de Betel (cons. Gn. 28:19).
27. Manassés não expulsou os habitantes de Bete-Seã ... Taanaque ... Dor ... Ibleã ... Megido. Uma linha de cidades cananitas fortificadas dividia o norte de Israel em duas partes. Bete-Seã fica no extremo leste do Vale de Esdrelom, onde se junta ao Vale do Jordão. Era ocupada por guarnições egípcias até o tempo de Ramessés III (1198- 1167 A.C.). Ibleã, Taanaque e Megido descortinavam a Planície de Esdrelom ao sul. Dor ficava no litoral mediterrâneo, ao sul do Monte Carmelo. 28. Quando, porém, Israel se tomou mais forte, sujeitou os cananeus a trabalhos forçados. A história de Israel durante o período dos Juizes alternou-se entre períodos de força e períodos de fraqueza. Os cananeus nunca chegaram a ser expulsos, mas ficaram reduzidos à condição de escravos durante os períodos de força dos israelitas. 29. Efraim não expulsou os cananeus, habitantes de Gezer. Gezer fica localizada a 28,96kms a noroeste de Jerusalém, onde protege uma passagem de Jope a Jerusalém. Entrincheirados por trás de muros de 4,27ms de espessura, os gezeritas foram capazes de resistir aos israelitas. A cidade tornou-se parte do reino de Salomão só depois que a recebeu como presente de casamento pelo Faraó do Egito (1 Reis 9:16). 30. Zebulom não expulsou os habitantes de Quitrom, nem os de Naalol. Estas cidades em Zebulom não foram positivamente identificadas. 31. Aser não expulsou os habitantes de Aco, ... Sidom ... Alabe ... Aczibe ... Helba ... Afeca ... Reobe. Aco é atualmente conhecida como Acre. Está localizada ao norte do Maciço do Carmelo, do lado oposto à cidade de Haifa na Baia de Acre. Sidom era a cidade fenícia famosa na literatura homérica como centro de arte e cultura. Mais tarde foi sobrepujada por Tiro. Alabe não tem sido identificada, mas Aczibe foi localizada cerca de 16kms ao norte de Aco. Helba foi identificada como a Nahalliba dos monumentos assírios, localizada a nordeste de Tiro.
Meca pode ser Tell Kurdaneh, cerca de 9,65 kms a sudeste de Aco. Reobe foi identificada como Tell Berweh, um local bem provido de água, a 11,26kms partindo de Aco na direção do interior. Os fenícios nunca foram desapossados pelos israelitas. Tanto Davi como Salomão tiveram relações amistosas com Hirão de Tiro.
33. Naftali não expulsou os habitantes de Bete-Semes, nem... Bete-Anate. Esses dois lugares eram ao que parece santuários de divindades cananitas. o primeiro do deus-sol e o segundo da popular deusa cananita da fertilidade e da guerra, irmã e consorte de Baal. Tem- se sugerido que Bete-Semes é um outro nome para Cades-Naftali. Bete- Anate talvez seja a moderna el-Ba'neh, 19, 32kms a leste do Acre. 34. Os amorreus arredaram os filhos de Dã até às montanhas – Amorreu aqui é sinônimo de cananita. O termo aparece em documentos assírios descrevendo um povo do oeste (da Mesopotâmia). Os danitas parecem ter fugido para as terras baixas, onde furam repelidos para um pequeno distrito perto de Zorá e Estaol (Jz. 13-16). Sendo este território pequeno demais, a parte principal da tribo migrou para Lais, perto das nascentes do Jordão, cujo nome eles trocaram para Dã (Jz. 18). 35. Porém os amorreus lograram habitar nas montanhas de Heres, em Aijalom e em Saalbim. Heres significa "Montanha do Sol" e sem dúvida é equivalente a Bete-Semes (Js. 15:10) e Ir-Semes (Js. 19:41). O local, conhecido hoje como ‘Ain-shems, está localizado ao sul do Wadi Surar, oposto a Zorá. Aijalom estava situada no vale que leva o mesmo nome, 22,53kms de Jerusalém. Aparece nas Cartas de Amarna (século quatorze A.C.) como Aialuna. Saalbim aparece em Js. 19: como Saalabim. Pode-se experimentalmente identificá-la com Selbit, 4,8kms a noroeste de Aijalom. As tribos de José não expulsaram os amorreus desses setores, mas obtiveram o controle do seu território. 36. O termo dos amorreus foi desde a subida de Acrabim e desde Sela para cima. A Subida de Acrabim ( escorpiões ) leva do plano do extremo sul do Mar Morto ao da região montanhosa ao sul de Judá. Forma a fronteira setentrional do Deserto de Zim, e nos tempos bíblicos
Os deuses de Canaã serviram de tentação para levar as tribos a se esquecerem do Deus de Israel.
4. Levantou o povo a sua voz e chorou. A mensagem do Anjo do Senhor foi de julgamento. História subseqüente indica que aquele choro foi superficial, pois Israel não foi dissuadido de suas práticas idólatras. 5. Daí chamarem a erre lugar Boquim (os que choram). As Escrituras associam freqüentemente nomes de lugares com episódios significativos (cons. Betel, Gn. 28:16-19; Maanaim, Gn. 32:2; Gilgal, Js. 5:9).
II. A História dos Juízes. 2:6 – 16: 31.
A. O Fracasso de Israel em Subjugar as Nações Inimigas. 2:6 - 3:6. Sob a liderança de Josué realizou-se a fase inicial da conquista da terra. A terra foi dividida entre as tribos, mas era necessário que os israelitas ocupassem o território que lhes fora destinado.
7. Serviu o povo ao Senhor todos os dias de Josué, e todos os dias dos anciãos que ainda sobreviveram por muito tempo depois de Josué. A geração de Josué e seus sucessores imediatos permaneceu fiel ao Senhor por causa de sua associação com todas as grandes obras, feitas pelo Senhor a Israel. Estas palavras formam uma transição da narrativa da conquista de Canaã feita por Josué para a história dos Juizes. Fazem um paralelo com as palavras de Js. 24:28-31. 8. Faleceu Josué ... com a idade de cento e dez anos. Cento e dez anos é a duração ideal da vida, de acordo com os papiros e estelas egípcias. Diz-se que José morreu com essa mesma idade (Gn. 50:26). Moisés viveu uma década mais (Dt. 34:7). 9. Sepultaram-no no termo da sua herança, em Timnate-Heres. Timnate-Heres, porção do sol , também traduzido para "Timnate-Será", porção dupla (Js. 19:50; 24:30). O local tradicional é Tibneh, 27, 35 kms a noroeste de Jerusalém.
10b. E outra geração após deles se levantou, que não conhecia o Senhor. A nova geração esqueceu-se das misericórdias do Deus de Israel e da aliança da nação de obedecer á Lei do Senhor.
11. Os filhos de Israel ... serviram aos Baalins. Baal era um deus da fertilidade, cuja adoração, segundo se acreditava, concedia fertilidade aos homens, animais e campos. Uma vez que Baal era adorado em manifestações locais (Baal-Peor, Baal-Gade, Baal-Zeboul, etc.), era usado o plural, Baalins. 13. Deixaram o Senhor, e serviram a Baal e a Astarote. Astarote era o correlativo feminino dos Baalins. Astarte era o equivalente cananita da Ishtar babilônica, a deusa do amor e da fertilidade. 14. A ira do Senhor se acendeu contra Israel. A idolatria era considerada um rompimento da aliança, envolvendo ritos imorais incompatíveis com a santidade que Deus exigia do Seu povo. Não mais puderam resistir a eles (aos inimigos). O Deus de Israel não era incapaz de proteger o Seu povo dos seus saqueadores. No exercício do Seu governo, contudo. Ele escolheu usar os inimigos de Israel como meio de castigar o povo rebelde. 16. Suscitou o Senhor juízes. O castigo para a idolatria fora planejado para levar Israel de volta a Deus. O Senhor respondeu às orações penitentes do Seu povo na hora de sua angústia, e levantou juízos, isto é, salvadores ou libertadores. 17. Contudo não obedeceram aos seus juízes, antes se prostituíram após outros deuses. O ministério dos Juízes não tinha efeito duradouro sobre Israel. O Livro de Juízes registro um ciclo invariável no qual Israel repetidamente retornou à idolatria. O culto à fertilidade fornecia a linguagem usada para descrever a apostasia. Infidelidade a Deus é chamada de adultério. 18. Quando o Senhor lhes suscitava juízes, era com o juiz. O Senhor capacitava os Juízes a liderar o povo de Israel vitoriosamente contra seus inimigos. Tanto as vitórias como as derrotas registradas no livro das Juízes são interpretadas como atos de Deus.
Heveus, que habitavam as montanhas do Líbano. Os heveus eram provavelmente um ramo de horreus, ou hurrianos, que estabeleceram o reino de Mitani na Mesopotâmia superior em cerca de 1500 A.C. Os horreus espalharam-se rapidamente em Canaã durante os séculos quinze e quatorze. Um dos nomes que os egípcios davam á Canaã era Hurulândia. Desde o monte de Baal-Hermom, até à entrada de Hamate. Baal-Hermom pode ser identificado com Baal-Gade ao pé do monte Hermom (Js. 11:17; 12:7). Era o limite setentrional das conquistas de Josué e pensa-se que estivesse localizado a oeste do Monte Hermom. Hamate era uma cidade sobre o Rio Orontes, cerca de 241,35kms ao norte de Dã. A palavra traduzida à entrada de ( lebo ) talvez esconda o nome de uma cidade, Lebo de Hamate , que pode ser identificada com a moderna Lebweh no Vale de Beqa'a, que separa as montanhas do Líbano do maciço do Anti-Líbano. Era território heveu durante o período dos Juízes.
6. Tomaram de suas filhas para si por mulheres. Não só os israelitas partilharam a terra com as tribos que não foram desapossadas por Josué, como também realizaram casamentos com seus membros e adotaram seus costumes e crenças religiosas.
B. Os Opressores e os Libertadores de Israel. 3 : 7 – 16: 31. Depois de uma introdução geral que descreve a vida durante o período dos Juizes, temos uma série de episódios específicos. Em cada exemplo lemos sobre a idolatria de Israel, com seu castigo subseqüente.
II. A Opressão de Cusã-Risataim e a Libertação Efetuada por Otniel. 3:8-11.
8. Ele os entregou nas mãos de Cusã-Risataim. O primeiro opressor tinha um nome que significa duplamente perverso Cusã. Este poderia ser um epíteto dado ao homem por seus inimigos. Também é possível que a palavra risataim seja uma forma hebraicizada de uma palavra estrangeira, talvez o nome de um lugar. Cusã veio da
Mesopotâmia, ou, como a Sociedade de Publicações Hebraicas transliterou, Aram-Naharaim. Durante o período dos Juízes, os hititas alastraram-se por Mitani, o estado que serviu de pára-choque na Mesopotâmia setentrional entre os impérios heteu e assírio. Durante esse período Canaã esteve nominalmente sujeita ao Egito. Cusã poderia ser um obscuro príncipe heteu que desejava desafiar o poder egípcio em Canaã. Um outro ponto de vista sugere que Cusã era de Edom e não de Aram. As duas palavras são muito parecidas no hebraico, e a proximidade de Edom à tribo de Judá é um ponto a favor desta interpretação. De acordo com aqueles que traduzem Edom em vez de Aram, a designação Naharaim é uma interpolação posterior. Extensivas campanhas militares foram levadas a efeito através de todo o Crescente Fértil no período de Sargão de Acade (cerca de 2400 A.C.), de modo que uma origem mesopotâmica para Cusã não pode ser ignorada com base nos antecedentes. Ele não é mencionado em nenhum outro lugar da Bíblia, nem em fontes extrabíblicas.
9. E o Senhor lhes suscitou... a Otniel, filho de Quenaz. Otniel já foi apresentado anteriormente (1:13-15). Aqui ele é chamado de salvador, que é sinônimo de "juiz". Ele salvou o seu povo da opressão de Cusã. 11. Então a terra ficou em paz durante quarenta anos. Desde a vitória sobre Cusã até a morte de Otniel, Israel ficou livre de domínio estrangeiro. O termo quarenta anos é um número redondo. Muitos mestres sugerem que represente uma geração.
20. Numa sala de verão. Eglom se encontrava em sua 'aliya quando Eúde chegou. A 'aliya era um andar adicional levantado em cima do telhado achatado da casa, num de seus cantos. Costumava ter apenas um aposento, cujas janelas com treliça forneciam ventilação. A 'aliya era o aposento mais fresco de toda a casa. Tenho a dizer-te uma palavra de Deus. As palavras de Eúde implicavam em que era mensageiro do Deus de Israel para o rei moabita. Alguns comentadores parafraseiam esta mensagem assim: "Tenho um negócio divino a resolver contigo, uma ordem divina de executá-lo". E Eglom se levantou da cadeira. O rei moabita presumivelmente levantou-se em sinal de reverência diante do oráculo divino. Isto devia ter sido planejado por Eúde para que ele pudesse aproximar-se de Eglom o suficiente para desferir o golpe. 21. Então Eúde, estendendo a mão esquerda puxou o seu punhal do lado direito e lho cravou no ventre. O plano de Eúde teve sucesso. Sem despertar suspeitas, aproximou-se do rei, então subitamente arrancou sua arma e assassinou o opressor de Israel. 22. De tal maneira que entrou também o cabo com a lâmina. O golpe foi rápido e forte. Eúde deixou a arma dentro do ferimento. E a imundície saiu. Tal ferimento no abdome forçou a saída dos excrementos. Esta é a interpretação mais natural, e é fisiologicamente correta. 23. Eúde... passou para o vestíbulo. O misderon , traduzido para vestíbulo, através do qual Eúde escapou, não pode ser positivamente identificado. A palavra só aparece esta única vez nas Escrituras. 24. Sem dúvida está ele aliviando o ventre na privada da sala de verão. Os servos de Eglom, evidentemente viram Eúde saindo. Como não perceberam nada de anormal, não tinham razões de suspeitar de algo. Não queriam intrometer-se no isolamento de Eglom, presumindo que estivesse tratando de suas necessidades fisiológicas. "Cobrir os pés" é um eufemismo pala "aliviar-se". 25. Aborreceram-se de esperar. Esperaram até que se convenceram que estavam enganados. Tomaram da chave e a abriram. O tipo de
fechadura usado nos tempos bíblicos era comum na Palestina até há pouco tempo. O trinco era fechado manualmente. Um certo número de pinos eram colocados nos buracos correspondentes do trinco que o trancavam. A chave pala abri-la era geralmente um pedaço de madeira chata com pinos numa das pontas correspondendo ao número e posição dos pinos da fechadura. O comprimento correspondia á profundidade do trinco. O trinco era recortado de modo que a chave pudesse escorregar ao longo do seu comprimento e sob o mesmo até que os pinos fossem levantados, permitindo que o trinco fosse empurrado para trás.
26. Eúde escapou... foi para Seirá. Quando os servos de Eglom descobriam seu corpo inerte, Eúde já tinha alcançado a fronteira das montanhas de Efraim. A localização exata de Seirá não se conhece. 27. Tocou a trombeta nas montanhas de Efraim. A trombeta convocava os homens á guerra (cons. I Sm. 13:3, 4). As montanhas de Efraim compreendiam a cadeia central de montanhas da Palestina desde a Planície de Esdrelom ao sul até as circunvizinhanças de Jerusalém. 28. E desceram após ele, e tomaram os vaus do Jordão contra os moabitas. Os israelitas atenderam ao chamado de Eúde. Tomaram os vaus do Jordão que seriam usados pelos moabitas pala fugir (cons. Js. 2:7; II Sm. 19:15). 29. Naquele tempo feriram dos moabitas uns dez mil homens. Embora seja apropriadamente considerado um número redondo, os dez mi homens deviam constituir uma séria perda pala Moabe. O poder moabita sobre Israel foi realmente quebrado. 30. E a terra ficou em paz oitenta anos. Cons. 3:11. Nada se diz do juizado de Eúde depois de sua vitória sobre os moabitas. Lemos, entretanto, sobre oitenta anos (duas gerações) durante os quais a terra ficou livre de invasores.