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7. Controle Estatístico de Processos, Notas de estudo de Engenharia Mecânica

Durante a fabricação, as peças produzidas não são exatamente iguais entre si e nem exatamente igual à especificação do projeto. As peças apresentam, assim, "erros" em relação ao desenho teórico, os quais devem ser mantidos dentro de limite de tolerâncias.

Tipologia: Notas de estudo

2014

Compartilhado em 30/07/2014

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jose-sousa-8 🇧🇷

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7. Controle Estatístico de Processos – CEP
-130-
7. CONTROLE ESTATÍSTICO DE PROCESSOS (CEP)
7.1 Introdução
Durante a fabricação, as peças produzidas não são exatamente iguais entre si e nem
exatamente igual à especificação do projeto. As peças apresentam, assim, "erros" em
relação ao desenho teórico, os quais devem ser mantidos dentro de limite de
tolerâncias.
Erros ou defeitos são as faltas de conformidades ou não conformidades de um
produto ou processo em relação aos padrões pré-estabelecidos ou às
especificações de projetos.
As não conformidades podem ser de natureza
geométrica, física, química, funcional, estética, etc..
As não conformidades podem ser de duas maneiras distintas:
Não conformidades por variáveis: Quando é possível medir a grandeza analisada
através de instrumentos de medição. Ex.: Diâmetro de um componente, Resistência
mecânica, etc..
Não conformidades por atributos: Quando é possível apenas constatar a característica
analisada. Obtém-se apenas informações qualitativas, geralmente de maneira visual ou
através de calibres passa-não-passa. Ex.: Manchas de pinturas, painéis desalinhados,
filamentos quebrados em lâMpadas.
Tipos de CEP
Tem-se dois tipos de CEP, em função das não conformidades: Controle por atributos
ou por variáveis:
Atributo: Se a característica é qualitativa, ou seja, uma grandeza que não é mensurável
mas pode ser contada. Geralmente, são contados número de defeitos ou não
conformidades com relação a um determinado padrão;
Variável: Se a característica é mensurável, quantitativa. Pode-se usar instrumento de
medição (paquímetro, micrômetro, torquímetro, balança, termômetro, etc.)
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7. CONTROLE ESTATÍSTICO DE PROCESSOS (CEP)

7.1 Introdução

Durante a fabricação, as peças produzidas não são exatamente iguais entre si e nem exatamente igual à especificação do projeto. As peças apresentam, assim, "erros" em relação ao desenho teórico, os quais devem ser mantidos dentro de limite de tolerâncias.

) Erros ou defeitos são as faltas de conformidades ou não conformidades de um

produto ou processo em relação aos padrões pré-estabelecidos ou às

especificações de projetos. As não conformidades podem ser de natureza

geométrica, física, química, funcional, estética, etc..

As não conformidades podem ser de duas maneiras distintas: Não conformidades por variáveis: Quando é possível medir a grandeza analisada através de instrumentos de medição. Ex.: Diâmetro de um componente, Resistência mecânica, etc.. Não conformidades por atributos: Quando é possível apenas constatar a característica analisada. Obtém-se apenas informações qualitativas, geralmente de maneira visual ou através de calibres passa-não-passa. Ex.: Manchas de pinturas, painéis desalinhados, filamentos quebrados em lâMpadas.

Tipos de CEP

Tem-se dois tipos de CEP, em função das não conformidades: Controle por atributos ou por variáveis: Atributo: Se a característica é qualitativa, ou seja, uma grandeza que não é mensurável mas pode ser contada. Geralmente, são contados número de defeitos ou não conformidades com relação a um determinado padrão;

Variável: Se a característica é mensurável, quantitativa. Pode-se usar instrumento de medição (paquímetro, micrômetro, torquímetro, balança, termômetro, etc.)

Para cada tipo de CEP tem-se um tipo de carta de controle: Carta de controle por

atributo ou por variáveis.

Característica Crítica: Em geral o número de características de qualidade envolvidas no processo é bastante elevado. Devem ser selecionadas aquelas características essenciais para o processo, equipamento ou produto ⇒ Características Chaves ou críticas.

Critério de seleção da(s) característica(s) crítica(s): Segurança, exigências de normas e/ou legislação, experiência anterior e outros índices de qualidade. O controle de um processo de fabricação pode ser realizado de duas maneiras distintas: Através da detecção e da prevenção.

Sistema Detectivo: Neste sistema constata-se um acontecimento somente após a ocorrência. Somente após a peça ser produzida, a não conformidade é detectada. Este sistema provoca perdas e tem um custo elevado;

Sistema Preventivo: Neste sistema analisa-se previamente uma situação prestes a ocorrer. Para esta análise deve-se usar ferramentas estatísticas. As não conformidades são analisadas estatísticamente e, como consequência, tem-se condições de fazer as correções necessárias, antes que produtos ruins sejam fabricados.

CEP: É uma metodologia de controle de processos de fabricação (ou máquinas) através do uso de estatística aplicada. O CEP utiliza o sistema preventivo de análise. Esta metodologia usa várias ferramentas que possibilitam acompanhar o processo durante a fabricação e se antecipar à ocorrência de falhas que podem inutilizar o produto.

OBJETIVOS do CEP: Obter informações confiáveis sobre comportamento temporal de um processo (ou uma máquina), a fim de prever a ocorrência de não conformidades e propiciar condições de realizar os ajustes necessários. O CEP também tem como objetivo a otimização de processos.

P re v is ã o

T e m p o

T a m a n h o Fig. 7.1: Processo com apenas variações aleatórias

Quando além de variações aleatórias existirem variações sistemáticas, o processo não apresenta distribuições estáveis ao longo do tempo, não sendo possível fazer análises preventivas (Fig. 7.2).

P re v isã o

T e m p o

T a m a n h o

?? ?

? ? ??

?

Fig. 7.2: Processo com variações aleatórias e sistemáticas

) O CEP só pode ser aplicado em processos sob controle estatístico!

7.2 Conceitos Básicos

CARTA DE CONTROLE: São ferramentas utilizadas para se analisar os dados passados e servem para controlar o processo continuamente. Nesta carta são colocados os valores das dimensões analisadas nas ordenadas e o número de amostras nas

abscissas. Os limites superiores e inferiores de controle também devem ser colocados nesta carta. (Fig. 7.3)

Dmáx

x

LSC

LIC

Dmin

Dimensões

Nº de Amostras Fig. 7.3: Carta de controle

LIMITE INFERIOR DE CONTROLE (LIC) e LIMITE SUPERIOR DE CONTROLE (LSC): São os limites do processo de fabricação. Eles indicam a região de variação do processo de fabricação. LIC e LSC refletem aquilo que o processo de fabricação é capaz de realizar. Estes limites são calculados pelas equações:

LSC = x + 3 σ/ n = x^ +^3 σ x (7.1)

LIC = x − 3 σ/ n = x −^3 σ x (7.2)

onde σ^ x =^ σ/ n (7.3)

x (^) é a média das amostras, σ é o desvio padrão da população e σ^ x é o desvio

padrão experimental. Os dois parâmetros x^ e σ referem-se à população total. Este

x (^) é o valor médio das n amostras e x é Valor medido (mm).

Influência do Desvio Padrão: O desvio padrão determina a largura da Curva de

distribuição normal. Maiores valores de σ significa maior largura da curva de

distribuição normal, ou seja, maior dispersão do processo. Fisicamente, o desvio padrão é a distância entre a média e o ponto de inflexão da curvatura da curva de distribuição normal (Fig.7.4)

x

σ2 > σ

Fig. 7.4: Influência do desvio padrão na curva de Gauss

Para uma determinada curva de distribuição normal, pode-se determinar várias porcentagens de peças, em torno da média, que devem ser abrangidas pela curva de distribuição normal, em função do desvio padrão (Tab. 7.1).

Tab. 7. 1 : Porcentagem de peças abrangidas em função do desvio padrão. Intervalo Porcentagem das Peças (%)

x±0,67σ 50,

x±1σ 68,

x±1,96σ 95,

x±2σ 95,

x±3σ 99,

x±3,09σ 99,

x±4σ 99,

Assim, se se traçar uma área sob a curva com variação de x±3σ, isto englobaria

99,73% de todas as peças produzidas, como mostra a Fig. 7.5.

x

σ σ σ σ σ σ

Fig. 7.5: Distribuição normal com processo dentro de ±3σ

PADRÕES DO PROCESSO: O processo de fabricação é avaliado através da aptidão do processo ou da máquina em se fabricar componentes dentro dos limites especificados. Convencionou-se que um processo ou equipamento é capaz, quando 99,73% das

x

x

x

x

x

(dDmín mín ) D(d^ máx^ máx^ )^ D(d^ mín mín )

D(d mín mín ) D(d mín mín )

D(d mín mín )

(a) (b)

(c) (d)

(e)

D(d máx máx )

D(d máx máx )

D(d máx máx )

D(d máx máx )

Fig. 7.6: Comparação entre as especificações do projeto e o processo de fabricação

7.2.1 Análise das Cartas de Controle

PROCESSO SOB CONTROLE OU ESTÁVEL: Quando todos os pontos estão em torno da média. Isto significa uma estabilidade do processo e que o processo está produzindo componentes de boa qualidade (Fig. 7.7a)

PROCESSO FORA DE CONTROLE OU INSTÁVEL: Quando existirem pontos acima do LSC e/ou pontos inferiores ao LIC. Isto significa que o processo está produzindo componentes fora de especificações (Fig. 7.7b).

Média

LSC

LIC Tempo (a) - Estável (b) - Instável

Tempo

LIC

Média

LSC

Fig. 7.7: Estabilidade e instabilidade do processo

REGRAS DE INSTABILIDADES: Servem para verificar se existem variações sistemáticas atuando no processo. As variações sistemáticas existirão se ocorrer pelo menos uma das seguintes regras:

1ª. Regra: Existência de pelo menos um ponto acima do LSC ou abaixo do LIC.(Fig.

LIC

Média

LSC

Fig. 7.8: 1ª. Regra de instabilidade

4ª. Regra: Existência de uma sequência de 8 ou mais pontos consecutivos fora do

intervalo de 1/3 em torno da média e de qualquer lado (Fig. 7.11);

x

LSC

1 LIC

1/

1/

Fig. 7.11: 4ª. Regra de instabilidade

5ª. Regra: Considere 5 pontos consecutivos. A existência de 4 pontos (dos 5

considerados) situados no mesmo lado em relação à linha média e fora do intervalo de

1/3 em torno da linha média (Fig. 7.12);

x

LSC

LIC

1/

1/

Fig. 7.12: 5ª. Regra de instabilidade

6ª. Regra: Considere 3 pontos consecutivos. A existência de 2 pontos (dos 3

considerados) situados no mesmo lado em relação à linha média e fora do intervalo de

2/3 em torno da linha média (Fig. 7.13);

x

LSC

LIC

2/

2/

Fig. 7.13: 6ª. Regra de instabilidade

7ª. Regra: Existência de oscilações cíclicas, normalmente devido à interferência de

outro processo (Fig. 7.14);

x

LSC

LIC

Fig. 7.14: 7ª. Regra de instabilidade

8ª. Regra: Existência de 15 ou mais pontos consecutivos contidos em um intervalo de

1/3 em relação à média. (Fig. 7.15). Esta regra indica que houve uma melhoria no

) Exemplo: Deve-se retirar 5 peças de um processo de fabricação de hora em hora,

durante 24 horas, perfazendo k= 24 amostras de 5 elementos cada!

Estimativa da Média : A estimativa da média x^ deve ser calculada pela média geral

ou pela média das médias. Calcula-se a média para cada amostra x 1^ , x^ 2 , ..., x^ k ,

onde x^ 1 é a média da primeira amostra, x^ 2 da segunda amostra e assim por diante.

Calcula-se então a média das médias x^ , que é a média aritméticas das k-médias x^ i.

Estimativa do Desvio Padrão: Deve-se calcular o desvio padrão para cada amostra

s 1 , s 2 ,...sk. Calcula-se então o desvio padrão médio ( s )

K

s s s s s K

= 1 2 3 ... (7.5)

Onde s 1 é o desvio padrão da primeira amostra, s 2 da segunda e assim por diante.

Os limites de controle baseados no desvio padrão (s) ficam

LSC = x + A 1 s (7.5a)

LIC = xA 1 s (7.5b)

O parâmetro A 1 é determinado na Tab. 7.2, Pág. 149, em função do tamanho da amostra n.

A estimativa do desvio padrão de toda a população σ é feita por:

c 2

σ = s (7.6)

onde c 2 é um fator de correção da estimativa, determinado em função do tamanho n da amostra (Tab. 7.2, Pág. 149).

Estimativa da Amplitude: Deve-se calcular a amplitude R para cada amostra R 1 ,

R 2 ,...Rk. Calcula-se então a amplitude média R

K

R R R R R K

= 1 2 3 ... (7.7)

Onde R 1 é a amplitude da primeira amostra, R 2 da segunda e assim por diante.

Os limites de controle baseados na amplitude R ficam

LSC = x + A 2 R (7.8a)

LIC = xA 2 R (7.8b)

O parâmetro A 2 é determinado na Tab. 7.2, Pág. 149, em função do tamanho da amostra n.

Se n ≤ 10, a estimativa do desvio padrão de toda a população σ pode ser feita por

d 2

σ = R (7.9)

onde d 2 é um fator de correção da estimativa, determinado em função do tamanho n da amostra (Tab. 7.2, Pág. 149).

) Esta estimativa do σ pelo R só deve ser realizada com, no máximo, n = 10

elementos.

RESUMO: Para estabelecer a carta de controle das médias, quando os parâmetros

x (^) e σ são desconhecidos, deve-se observar os seguintes passos:

  1. Medir n elementos de de hora em hora. Obtem-se k amostras com n itens. Geralmente n= 4 ou 5 e k = 20 ou 25. 2. Calcular x^ e marcar a linha média LM=LC= x^. 3. Calcular R se n10, determinar os limites de controle x^ ±A 2 R

Se n>10, calcular s e determinar os limites de controle x^ ±A 1 s

Os coeficientes B 3 e B 4 estão mostrados na Tab. 7.2 Pág. 149, em função do número de elementos n

Controle da dispersão pela Amplitude:

a carta de controle da dispersão pela amplitude é a mais utilizada pela sua simplicidade. Além disto, tem-se resultados satisfatórios se n≤10.

Caso I: A norma de controle é conhecida, ou seja conhece-se o parâmetro σ.

A linha média é calculada pela equação

LM=μR = d 2 σ (7.14)

Os limites de controle são calculados pelas equações

LIC = D 1 σ (7.15a)

LSC = D 2 σ (7.15b)

Os coeficientes d 2 , D 1 e D 2 estão mostrados na Tab. 7.2, Pág. 149, em função do número de elementos n

Caso II: A norma de controle não é conhecida, ou seja o parâmetro σ deve ser

estimado. A linha média é calculada pela equação

LM=μR = R (7.16)

Os limites de controle são calculados pelas equações

LIC = D 3 R (7.17a)

LSC = D 4 R (7.17b)

Os coeficientes D 3 e D 4 estão mostrados na Tab. 7.2, Pág. 149, em função do número de elementos n

Tab. 7.2: Constantes estatísticas – (n = Número de elementos da amostra)

(n) A 1 A 2 d 2 c 2 B 1 B 2 B#^ B4^ D 3 D 4

2 3,760 1,880 1,128^ 0,564^0 1,843^0 3,267^0 3,

3 2,394 1,023 1,693^ 0,724^0 1,858^0 2,568^0 2,

4 1,880 0,729 2,059^ 0,798^0 1,808^0 2,266^0 2,

5 1,596 0,577 2,326^ 0,841^0 1,756^0 2,089^0 2,

6 1,410 0,483 2,534^ 0,869^ 0,026^ 1,711^ 0,030^ 1,970^0 2,

7 1,277 0,419 2,704^ 0,888^ 0,105^ 1,672^ 0,118^ 1,882^ 0,076^ 1,

8 1,175 0,373 2,847^ 0,903^ 0,167^ 1,638^ 0,185^ 1,815^ 0,136^ 1,

9 1,094 0,337 2,970^ 0,914^ 0,219^ 1,609^ 0,239^ 1,761^ 0,184^ 1,

10 1,028 0,308 3,078^ 0,923^ 0,262^ 1,584^ 0,284^ 1,716^ 0,223^ 1,

Exemplo:

  1. Deve ser controlada a resistência mecânica de um componente. Durante a sua fabricação mediu-se a resistência de 5 componentes (n=5), de hora em hora, perfazendo um total de 20 amostras (k=20). A Tabela 7.3 mostram os resultados. Analise o processo.