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Durante a fabricação, as peças produzidas não são exatamente iguais entre si e nem exatamente igual à especificação do projeto. As peças apresentam, assim, "erros" em relação ao desenho teórico, os quais devem ser mantidos dentro de limite de tolerâncias.
Tipologia: Notas de estudo
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7.1 Introdução
Durante a fabricação, as peças produzidas não são exatamente iguais entre si e nem exatamente igual à especificação do projeto. As peças apresentam, assim, "erros" em relação ao desenho teórico, os quais devem ser mantidos dentro de limite de tolerâncias.
geométrica, física, química, funcional, estética, etc..
As não conformidades podem ser de duas maneiras distintas: Não conformidades por variáveis: Quando é possível medir a grandeza analisada através de instrumentos de medição. Ex.: Diâmetro de um componente, Resistência mecânica, etc.. Não conformidades por atributos: Quando é possível apenas constatar a característica analisada. Obtém-se apenas informações qualitativas, geralmente de maneira visual ou através de calibres passa-não-passa. Ex.: Manchas de pinturas, painéis desalinhados, filamentos quebrados em lâMpadas.
Tipos de CEP
Tem-se dois tipos de CEP, em função das não conformidades: Controle por atributos ou por variáveis: Atributo: Se a característica é qualitativa, ou seja, uma grandeza que não é mensurável mas pode ser contada. Geralmente, são contados número de defeitos ou não conformidades com relação a um determinado padrão;
Variável: Se a característica é mensurável, quantitativa. Pode-se usar instrumento de medição (paquímetro, micrômetro, torquímetro, balança, termômetro, etc.)
Característica Crítica: Em geral o número de características de qualidade envolvidas no processo é bastante elevado. Devem ser selecionadas aquelas características essenciais para o processo, equipamento ou produto ⇒ Características Chaves ou críticas.
Critério de seleção da(s) característica(s) crítica(s): Segurança, exigências de normas e/ou legislação, experiência anterior e outros índices de qualidade. O controle de um processo de fabricação pode ser realizado de duas maneiras distintas: Através da detecção e da prevenção.
Sistema Detectivo: Neste sistema constata-se um acontecimento somente após a ocorrência. Somente após a peça ser produzida, a não conformidade é detectada. Este sistema provoca perdas e tem um custo elevado;
Sistema Preventivo: Neste sistema analisa-se previamente uma situação prestes a ocorrer. Para esta análise deve-se usar ferramentas estatísticas. As não conformidades são analisadas estatísticamente e, como consequência, tem-se condições de fazer as correções necessárias, antes que produtos ruins sejam fabricados.
CEP: É uma metodologia de controle de processos de fabricação (ou máquinas) através do uso de estatística aplicada. O CEP utiliza o sistema preventivo de análise. Esta metodologia usa várias ferramentas que possibilitam acompanhar o processo durante a fabricação e se antecipar à ocorrência de falhas que podem inutilizar o produto.
OBJETIVOS do CEP: Obter informações confiáveis sobre comportamento temporal de um processo (ou uma máquina), a fim de prever a ocorrência de não conformidades e propiciar condições de realizar os ajustes necessários. O CEP também tem como objetivo a otimização de processos.
P re v is ã o
T e m p o
T a m a n h o Fig. 7.1: Processo com apenas variações aleatórias
Quando além de variações aleatórias existirem variações sistemáticas, o processo não apresenta distribuições estáveis ao longo do tempo, não sendo possível fazer análises preventivas (Fig. 7.2).
P re v isã o
T e m p o
T a m a n h o
?? ?
? ? ??
?
Fig. 7.2: Processo com variações aleatórias e sistemáticas
7.2 Conceitos Básicos
CARTA DE CONTROLE: São ferramentas utilizadas para se analisar os dados passados e servem para controlar o processo continuamente. Nesta carta são colocados os valores das dimensões analisadas nas ordenadas e o número de amostras nas
abscissas. Os limites superiores e inferiores de controle também devem ser colocados nesta carta. (Fig. 7.3)
Dmáx
x
LSC
LIC
Dmin
Dimensões
Nº de Amostras Fig. 7.3: Carta de controle
LIMITE INFERIOR DE CONTROLE (LIC) e LIMITE SUPERIOR DE CONTROLE (LSC): São os limites do processo de fabricação. Eles indicam a região de variação do processo de fabricação. LIC e LSC refletem aquilo que o processo de fabricação é capaz de realizar. Estes limites são calculados pelas equações:
LSC = x + 3 σ/ n = x^ +^3 σ x (7.1)
LIC = x − 3 σ/ n = x −^3 σ x (7.2)
onde σ^ x =^ σ/ n (7.3)
x (^) é a média das amostras, σ é o desvio padrão da população e σ^ x é o desvio
padrão experimental. Os dois parâmetros x^ e σ referem-se à população total. Este
x (^) é o valor médio das n amostras e x é Valor medido (mm).
Influência do Desvio Padrão: O desvio padrão determina a largura da Curva de
distribuição normal, ou seja, maior dispersão do processo. Fisicamente, o desvio padrão é a distância entre a média e o ponto de inflexão da curvatura da curva de distribuição normal (Fig.7.4)
x
σ2 > σ
Fig. 7.4: Influência do desvio padrão na curva de Gauss
Para uma determinada curva de distribuição normal, pode-se determinar várias porcentagens de peças, em torno da média, que devem ser abrangidas pela curva de distribuição normal, em função do desvio padrão (Tab. 7.1).
Tab. 7. 1 : Porcentagem de peças abrangidas em função do desvio padrão. Intervalo Porcentagem das Peças (%)
99,73% de todas as peças produzidas, como mostra a Fig. 7.5.
x
σ σ σ σ σ σ
PADRÕES DO PROCESSO: O processo de fabricação é avaliado através da aptidão do processo ou da máquina em se fabricar componentes dentro dos limites especificados. Convencionou-se que um processo ou equipamento é capaz, quando 99,73% das
x
x
x
x
x
(dDmín mín ) D(d^ máx^ máx^ )^ D(d^ mín mín )
D(d mín mín ) D(d mín mín )
D(d mín mín )
(a) (b)
(c) (d)
(e)
D(d máx máx )
D(d máx máx )
D(d máx máx )
D(d máx máx )
Fig. 7.6: Comparação entre as especificações do projeto e o processo de fabricação
7.2.1 Análise das Cartas de Controle
PROCESSO SOB CONTROLE OU ESTÁVEL: Quando todos os pontos estão em torno da média. Isto significa uma estabilidade do processo e que o processo está produzindo componentes de boa qualidade (Fig. 7.7a)
PROCESSO FORA DE CONTROLE OU INSTÁVEL: Quando existirem pontos acima do LSC e/ou pontos inferiores ao LIC. Isto significa que o processo está produzindo componentes fora de especificações (Fig. 7.7b).
Média
LSC
LIC Tempo (a) - Estável (b) - Instável
Tempo
LIC
Média
LSC
Fig. 7.7: Estabilidade e instabilidade do processo
REGRAS DE INSTABILIDADES: Servem para verificar se existem variações sistemáticas atuando no processo. As variações sistemáticas existirão se ocorrer pelo menos uma das seguintes regras:
LIC
Média
LSC
Fig. 7.8: 1ª. Regra de instabilidade
1/
1/
Fig. 7.11: 4ª. Regra de instabilidade
1/
1/
Fig. 7.12: 5ª. Regra de instabilidade
2/
2/
Fig. 7.13: 6ª. Regra de instabilidade
x
Fig. 7.14: 7ª. Regra de instabilidade
Estimativa da Média : A estimativa da média x^ deve ser calculada pela média geral
ou pela média das médias. Calcula-se a média para cada amostra x 1^ , x^ 2 , ..., x^ k ,
onde x^ 1 é a média da primeira amostra, x^ 2 da segunda amostra e assim por diante.
Calcula-se então a média das médias x^ , que é a média aritméticas das k-médias x^ i.
Estimativa do Desvio Padrão: Deve-se calcular o desvio padrão para cada amostra
s 1 , s 2 ,...sk. Calcula-se então o desvio padrão médio ( s )
K
s s s s s K
= 1 2 3 ... (7.5)
Onde s 1 é o desvio padrão da primeira amostra, s 2 da segunda e assim por diante.
Os limites de controle baseados no desvio padrão (s) ficam
LSC = x + A 1 s (7.5a)
LIC = x − A 1 s (7.5b)
O parâmetro A 1 é determinado na Tab. 7.2, Pág. 149, em função do tamanho da amostra n.
c 2
σ = s (7.6)
onde c 2 é um fator de correção da estimativa, determinado em função do tamanho n da amostra (Tab. 7.2, Pág. 149).
Estimativa da Amplitude: Deve-se calcular a amplitude R para cada amostra R 1 ,
R 2 ,...Rk. Calcula-se então a amplitude média R
K
R R R R R K
= 1 2 3 ... (7.7)
Onde R 1 é a amplitude da primeira amostra, R 2 da segunda e assim por diante.
Os limites de controle baseados na amplitude R ficam
LSC = x + A 2 R (7.8a)
LIC = x − A 2 R (7.8b)
O parâmetro A 2 é determinado na Tab. 7.2, Pág. 149, em função do tamanho da amostra n.
d 2
σ = R (7.9)
onde d 2 é um fator de correção da estimativa, determinado em função do tamanho n da amostra (Tab. 7.2, Pág. 149).
) Esta estimativa do σ pelo R só deve ser realizada com, no máximo, n = 10
RESUMO: Para estabelecer a carta de controle das médias, quando os parâmetros
x (^) e σ são desconhecidos, deve-se observar os seguintes passos:
Se n>10, calcular s e determinar os limites de controle x^ ±A 1 s
Os coeficientes B 3 e B 4 estão mostrados na Tab. 7.2 Pág. 149, em função do número de elementos n
Controle da dispersão pela Amplitude:
a carta de controle da dispersão pela amplitude é a mais utilizada pela sua simplicidade. Além disto, tem-se resultados satisfatórios se n≤10.
A linha média é calculada pela equação
Os limites de controle são calculados pelas equações
Os coeficientes d 2 , D 1 e D 2 estão mostrados na Tab. 7.2, Pág. 149, em função do número de elementos n
estimado. A linha média é calculada pela equação
Os limites de controle são calculados pelas equações
Os coeficientes D 3 e D 4 estão mostrados na Tab. 7.2, Pág. 149, em função do número de elementos n
Tab. 7.2: Constantes estatísticas – (n = Número de elementos da amostra)
Exemplo: