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A Bela e a Fera, Notas de estudo de Cultura

Rá rá rá rá rá rá rá o lepo lepo

Tipologia: Notas de estudo

2014

Compartilhado em 11/03/2014

eliziel-goncalves-6
eliziel-goncalves-6 🇧🇷

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A marca FSC® é a garantia de que a madeira utilizada
na fabricação do papel deste livro provém de florestas
que foram gerenciadas de maneira ambientalmente
correta, socialmente justa e economicamente viável,
além de outras fontes de origem controlada.
Esta obra foi composta em Minion Pro e impressa pela RR Donnelley em ofsete sobre papel
Couché Reflex Matte da Suzano Papel e Celulose para a Editora Schwarcz em setembro de 2013
Europa • Ásia • américa do sul
Versões
Adele M. Fielde, doMingA Fuentes de norAMbuenA
e JeAnne-MArie le Prince de beAuMont
Seleção de textos
betsy HeArne
Ilustrações
AliciA bAdAlAn, MAriAnA cHiesA, dAvid ÁlvArez e clAudiA legnAzzi
Tradutor
eduArdo brAndão
A
bela
e a
fera
ao redor do globo
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A marca FSCna fabricação do papel deste livro provém de florestas®^ é a garantia de que a madeira utilizada que foram gerenciadas de maneira ambientalmentecorreta, socialmente justa e economicamente viável, além de outras fontes de origem controlada.

Couché Reflex Matte da Suzano Papel e Celulose para a Editora Schwarcz em setembro de 2013^ Esta obra foi composta em Minion Pro e impressa pela RR Donnelley em ofsete sobre papel

Europa • Ásia • américa do sul

Versões A dele M. F ielde , doMingA F uentes de norAMbuenA e J eAnne -MArie le P rince de beAuMont Seleção de textos betsy H eArne Ilustrações AliciA bAdAlAn, MAriAnA cHiesA, dAvid Á lvArez e clAudiA legnAzzi Tradutor eduArdo brAndão

A bela e a fera

ao r e d o r d o g lo bo

A Bela e a Fera

F rança Jeanne-Marie Le Prince de Beaumont (adaptação de Betsy Hearne)

E ra uma vez um rico comerciante que tinha três filhas, cada uma mais encantadora que a outra. A mais moça era tão linda — de mente, corpo e coração — que a chamavam de Bela. O pai dava às filhas tudo o que que riam, e também uma boa educação. As duas irmãs mais velhas não ligavam muito para essa parte, gostavam mesmo era de se vestir elegantemente e dançar a noite inteira. Já Bela adorava livros, achava uma maravilha ler e tocar cravo. E quando

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altas árvores. O cavalo avançava aos trancos e barrancos, contra o ven to, a chuva e a neve, em direção àquela luz que estava a cada passo mais bri lhante. Chegou então a um jardim que rodeava um grande castelo. O lugar tinha um ar diferente do clima gelado do bosque. Parecia mais quente, quase como se nele reinasse a primavera. O comerciante apeou e levou sua montaria para o estábulo, que estava vazio. Deu os grãos que en controu em um balde a seu cavalo, penteouo e foi bater na porta do cas telo. Ninguém atendeu. A porta não estava trancada. O comerciante entrou e andou por um corredor comprido até uma lareira, que produ zia chamas brilhantes. Diante da lareira havia uma mesa posta, com frango assado, pão fresco e uma garrafa de vi nho. Ele chamou por alguém, mas não teve respos ta. Passado um tempo, não pôde mais resistir. Sentou diante do fogo nu ma cadeira confortável e comeu o frango inteiro. Depois de uns copos de vinho, adormeceu ali mesmo. Dormiu a noite inteira. Quando acordou, a mesa estava limpa e posta com chocolate quente, pãezinhos frescos e frutas. Depois de comer, sentiuse bem e resolveu ir embora. Sua capa

esfarrapada tinha desaparecido, e em seu lugar havia outra de lã grossa. Ele se levantou, vestiua e saiu para enfrentar o novo dia. Ninguém apare ceu quando foi buscar o cavalo, então selou o e estava pronto para deixar o castelo. Ao passar pelo último trecho do jardim, o comerciante viu uma roseira e se lembrou da promessa que havia feito a Bela. Quando pegou a rosa mais formosa, ouviu um rugido: uma fera furiosa pulou em cima de le, que caiu de joelhos. A Fera — um ser coberto de pelos — olhava o ho mem do alto. — Como se atreve a roubar minhas rosas? — rosnou a Fera. — Meu senhor, eu não pretendia roubar... — Não me chame de “senhor”. Sou uma fera. — Fera — disse o comerciante —, não quis roubar você. — Então por que está levando o que mais aprecio? — Só cortei uma rosa para minha filha. É tudo o que ela queria. — Eu sempre mato quem rouba minhas rosas — disse a Fera —, mas se sua filha estiver disposta a vir ao castelo em seu lugar, não tirarei sua vida. — Oh, não! Eu jamais permitiria!

8 A Bela e a Fera A Bela e a Fera 9

O comerciante chorou, chorou, mas estava claro que a Fera não muda ria de ideia. Para ganhar tempo e poder se despedir da família, o comer ciante disse que ia buscar sua filha, a mais moça das três. Com um peso no coração, montou no cavalo e voltou para casa. Quando chegou à sua casinha, Bela foi ao seu encontro, toda feliz por ver o pai. Viu na mão dele a rosa que tinha trazido para ela. O pai contou às três filhas a história da Fera. Bela ficou em silêncio. As duas mais velhas, no entanto, se queixaram e protestaram furiosas: Bela, como sempre, ti nha cri ado problema com mais um de seus estranhos pedidos. Ela quebrou o silêncio e disse ao pai: — Pai, não se preocupe. Nunca tive medo das feras dos bosques. Por que haveria de temer uma fera que vive em um castelo? Amanhã vou lá com você conhecer essa Fera. O pai protestou, mas na manhã seguinte atravessaram o bosque em dire ção ao castelo. Seu cavalo se dirigia para lá sem hesitar, como se conhecesse o caminho. Enquanto Bela ajudava o pai a deixar os cavalos no estábulo, ninguém apareceu. Eles abriram a porta do castelo e seguiram pelo corredor

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tinha de ir, as irmãs esfregavam cebola nos olhos e choravam falsamente, rogando que não fosse embora. Então ela ficava um pouco mais, e uma coi sa ia levando à outra. Bela via que seu pai melhorava e deixava os dias pas sarem sem contá los. Uma noite, ela teve um sonho. Viu a Fera diante da fonte do jardim, morrendo. Bela acordou sentindo tanta saudade da Fera que achou que seu coração ia arrebentar. Pegou o anel na mesa, girouo em seu dedo e desejou voltar para o castelo. Uma vez lá, correu para seu quarto e pôs o melhor ves tido a fim de esperar a Fera para jantar. Mas esperou em vão, porque ele não apareceu. Bela procurou o por todo o castelo até que, finalmente, encon trou o no chão junto da fonte do jardim, onde o tinha visto em seu sonho. Deitou a cabeça em seu peito e pôs se a chorar: — Minha Fera, eu não sabia o quanto te amava. Encheu o rosto da Fera de lágrimas e beijos. A Fera se agitou, tentou se levantar e acabou conseguindo ficar de pé... depois de ter se transformado num belo homem! — Quem é você? — gritou Bela.

— Vá olhar no espelho do seu quarto. No quarto, Bela viu seu pai no espelho, doente, com péssima aparência. No dia seguinte, suplicou à Fera que a deixasse ir até sua casa. — Você está livre para ir e vir quando quiser — disse a Fera. — Tome este anel. Ponhao no dedo, vireo, faça o pedido e estará na sua casa. Mas lembrese: se ficar tempo demais, você despedaçará meu coração. Quan do chegar a hora de voltar, ponha o anel no dedo novamente e vire o outra vez. Naquela noite, depois de jantar, Bela girou o anel no dedo. De repente, viuse na porta do quarto de seu pai. Ele pulou da cama, como se tivesse se recuperado no instante em que a viu. Bela contou a seu pai sobre o castelo, mostrou as roupas delicadas e as joias que a Fera lhe dera. As irmãs mais velhas ouviam a caçula mortas de inveja. Quando Bela tentou dar a elas tudo o que a Fera tinha lhe dado, as roupas e joias desapa receram das mãos das irmãs. Então, elas confabularam contra Bela: fingi riam ficar tristes cada vez que Bela falasse que iria embora. Quem sabe se, conseguindo segurála bastante, a Fera se irritaria e a atacaria quando ela voltasse para o castelo. E assim fizeram. Toda vez que Bela anunciava que

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— Sou a sua Fera — respondeu o homem —, um príncipe aprisionado no corpo de um animal até que uma mulher me amasse pelo que sou, apesar da minha aparência. Bela, você se casaria comigo? — Sim! Não perderia você de modo nenhum, pouco me importa a for ma que tenha! Ao pronunciar essas palavras, o castelo na penumbra se iluminou por completo e as roseiras murchas floresceram de novo. Pouco tempo depois, eles se casaram na presença das irmãs e do pai de Bela. O bondoso pai estava muito alegre, mas os corações de suas irmãs es tavam tão endurecidos pela inveja que seus corpos se converteram em pe dra. Elas viraram duas estátuas, que ficaram para sempre observando a felicidade de Bela e de seu esposo.

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