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A Carroça dos Cachorros, Notas de estudo de Literatura

Apostilas de Português sobre "A Carroça dos Cachorros" de Lima Barreto.

Tipologia: Notas de estudo

2013

Compartilhado em 25/11/2013

PorDoSol
PorDoSol 🇧🇷

4.5

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A CARROÇA DOS CACHORROS
Lima Barreto
Quando de manhã cedo, saio da minha casa, triste e saudoso da minha mocidade que se foi
infecunda, na rua eu vejo o espetáculo mais engraçado desta vida.
Amo os animais e todos eles me enchem do prazer da natureza.
Sozinho, mais ou menos esbodegado, eu, pela manhã, desço a rua e vejo.
O espetáculo mais curioso é o da carroça dos cachorros. Ela me lembra a antiga caleça dos
Ministros de Estado, no tempo do Império, quando eram seguidas por duas praças de cavalaria de
polícia.
Era no tempo da minha meninice e eu me lembro disso com as maiores saudades.
— Lá vem a carrocinha! — dizem.
E todos os homens, mulheres e crianças se agitam e tratam de avisar os outros.
Diz D. Marocas a D. Eugênia:
— Vizinha! Lá vem a carrocinha! Prenda o Jupi!
E toda a "avenida" se agita e os cachorrinhos vão presos e escondidos.
Esse espetáculo tão curioso e especial mostra bem de que forma profunda nós homens nos
ligamos aos animais.
Nada de útil, na verdade, o cão nos dá; entretanto, nós o amamos e nós o queremos.
Quem os ama mais, não somos nós os homens; mas são as mulheres e as mulheres pobres,
depositárias por excelência daquilo que faz a felicidade e infelicidade da humanidade — o Amor.
São elas que defendem os cachorros das praças de policia e dos guardas municipais; são elas
que amam os cães sem dono, os tristes e desgraçados cães que andam por aí à toa.
Todas as manhãs, quando vejo semelhante espetáculo, eu bendigo a humanidade em nome
daquelas pobres mulheres que se apiedam pelos cães.
A lei, com a sua cavalaria e guardas municipais, está no seu direito em persegui-los; elas,
porém, estão no seu dever em acoitá-los.
Careta, 20-9-1919.

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A CARROÇA DOS CACHORROS

Lima Barreto

Quando de manhã cedo, saio da minha casa, triste e saudoso da minha mocidade que se foi infecunda, na rua eu vejo o espetáculo mais engraçado desta vida. Amo os animais e todos eles me enchem do prazer da natureza. Sozinho, mais ou menos esbodegado, eu, pela manhã, desço a rua e vejo. O espetáculo mais curioso é o da carroça dos cachorros. Ela me lembra a antiga caleça dos Ministros de Estado, no tempo do Império, quando eram seguidas por duas praças de cavalaria de polícia. Era no tempo da minha meninice e eu me lembro disso com as maiores saudades. — Lá vem a carrocinha! — dizem. E todos os homens, mulheres e crianças se agitam e tratam de avisar os outros. Diz D. Marocas a D. Eugênia: — Vizinha! Lá vem a carrocinha! Prenda o Jupi! E toda a "avenida" se agita e os cachorrinhos vão presos e escondidos. Esse espetáculo tão curioso e especial mostra bem de que forma profunda nós homens nos ligamos aos animais. Nada de útil, na verdade, o cão nos dá; entretanto, nós o amamos e nós o queremos. Quem os ama mais, não somos nós os homens; mas são as mulheres e as mulheres pobres, depositárias por excelência daquilo que faz a felicidade e infelicidade da humanidade — o Amor. São elas que defendem os cachorros das praças de policia e dos guardas municipais; são elas que amam os cães sem dono, os tristes e desgraçados cães que andam por aí à toa. Todas as manhãs, quando vejo semelhante espetáculo, eu bendigo a humanidade em nome daquelas pobres mulheres que se apiedam pelos cães. A lei, com a sua cavalaria e guardas municipais, está no seu direito em persegui-los; elas, porém, estão no seu dever em acoitá-los.

Careta, 20-9-1919.