



Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity
Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium
Prepare-se para as provas
Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity
Prepare-se para as provas com trabalhos de outros alunos como você, aqui na Docsity
Encontra documentos específicos para os exames da tua universidade
Prepare-se com as videoaulas e exercícios resolvidos criados a partir da grade da sua Universidade
Responda perguntas de provas passadas e avalie sua preparação.
Ganhe pontos para baixar
Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium
Cidade e Modernidade – Marshall Berman
Tipologia: Notas de estudo
1 / 6
Esta página não é visível na pré-visualização
Não perca as partes importantes!




O capítulo analisado gira em torno de Baudelaire, e tem como base algumas de suas obras, ‘O Heroísmo da Vida Moderna’ e ‘ O Pintor da Vida Moderna’ são duas que podemos citar. Berman analisará a modernização da cidade de Paris com as reformas de Haussman, assim como analisará o porquê de Baudelaire escrever do jeito que ele fez. O que pode resumir esse capitulo é a frase citada de T. S. Eliot:
“Não é apenas no uso de imagem da vida comum, não apenas imagens da vida sórdida de uma grande metrópole (Paris), mas na elevação dessas imagens a uma alta sociedade – apresentando-a como ela é, e não obstante fazendo que ela represente alguma coisa além de si mesma- que Baudelaire criou uma forma de alívio e expressão para outros homens.” – T. S. Eliot, “Baudelaire”. 1930.
A análise feita foi do capítulo todo, fazendo um breve resumo de cada tópico de Berman, com o objetivo de facilitar a mensagem de Berman e dar uma maior visão do que suas críticas abrangem.
Em “O Salão de 1845” Baudelaire critica os novos pintores quando diz: “ Não obstante, heroísmo da vida moderna nos rodeia e nos pressiona. Não faltam assuntos, nem cores, para fazer epopeias. O pintor que procuramos será aquele capaz de extrair da vida de hoje sua qualidade épica, fazendo-nos sentir como somos grandiosos e poéticos em nossas gravatas de couro legítimo. No próximo ano, esperemos que os verdadeiros pesquisadores nos contemplem com a extraordinária delícia de celebrar o advento do novo.”.
Neste parágrafo Baudelaire faz uso de uma vestimenta não heroica para descrever um possível herói. Ao falar das gravatas, que não são usadas por heróis comuns que usam uma parafernália, o herói de Baudelaire busca é uma pessoa normal, que anda até com gravata, um homem moderno, mas com uma visão também moderna. E ao ‘celebrar o advento do novo’ Baudelaire faz uma crítica estupenda, tudo tem que sempre ser novo, a vida do ano que vem será nova, será diferente da deste, mas ambas farão parte da mesma era moderna.
Berman volta a comentar de “O Pintor da Vida Moderna”, e neste ponto Baudelaire descreve como este deveria ser, o artista moderno devia “ sentar praça no coração da multidão, em meio ao fluxo e refluxo de movimento, em meio ao fugidio e ao infinito”. A arte moderna deveria se tratar da vida, da vida de homens e mulheres, de pessoas comuns, pessoas que estavam ali, na multidão.
O autor, Berman, ainda cita o “ Spleen de Paris” , textos encontrados após a morte de Baudelaire que revelam o papel da cidade nesse drama da vida. São reconhecidos como seus melhores escritos, pois foram feitos no período da remodelação de Paris por Haussmann. E como para Baudelaire a ‘modernização da cidade simultaneamente inspira e força a modernização da alma dos seus cidadãos’, este era um excelente momento para escrever, os cidadãos estavam expressando sua opinião, suas forças e ele queria retratar todo esse processo. No fim de sua vida Baudelaire conseguiu o que sempre desejou, falar de experiências que brotavam da concreta vida cotidiana de Paris, a Paris de Bonaparte e de Haussmann, e transformou esse tempo e esse lugar em arquétipos da vida moderna.
A Família de Olhos mostra as novas relações íntimas e sociais que foram proporcionadas pela aberturas dos boulevares de Paris. Essas vias ganharam mais largura por meio da desapropriação dos pobres que anteriormente ocupavam essas localidades, mas ao mesmo tempo que antigos edifícios que ali existiam a séculos foram postos abaixo, possibilitou- se aos pobres conhecer a cidade a qual não tinham acesso, com o término da clausura periférica Paris era agora uma cidade unificada.
Essa unificação fez com que dois mundos que não se conheciam agora se enfrentassem frente a frente, o poema de Baudelaire relata o choque das duas realidades que acontece no ambiente de um novo café, que já reluz seu esplendor mesmo no meio dos destroços que ainda estavam presentes no recente aberto boulevar. Um casal de namorados que ali estava defrontou- se com uma pobre família que por trás da vitrine olhava com admiração todo o requinte e novidade daquele café, e daquele universo que era a eles totalmente desconhecido.
Mas não eram apenas os pobres que olhavam maravilhados, o casal também tinha um sentimento de surpresa ao se deparar com o que pra eles também era novo, já que antes os pobres estavam “guardados” em seus espaços e agora dividiam as áreas dessa nova cidade. Somente a vitrine agora separava as duas realidades, não impedindo que naquele ambiente permeasse um sentimento de admiração, de medo, se surpresa, entre outros que os cidadãos agora estavam começando a conhecer. Dessa forma além das relações de uns para com os outros, as pessoas passaram a entrar em conflito com seus próprios valores e pensamentos, ao perceber que havia uma realidade diferente da sua, e que podia ser melhor ou pior da que até então conhecia.
O poema finaliza no confronto de pensamentos do casal com relação à família de olhos, enquanto o rapaz tem o sentimento de compaixão, de querer dividir a comida que ele comia sem fome com aqueles, a moça tinha a ideia de tirá-los dali já que os mesmos eram motivo de incomodo. Ou seja, já que o casal tinha algo que eles não tinham o pensamento do rapaz foi de proporcionar-lhes algo, e a moça por sua vez pensou que se eles tinham o que a família desejava seriam então um risco à eles. O rapaz então se vê num conflito de sentimentos que mudaria a sua forma de ver a cidade, de ver a namorada e de ver a si mesmo.