






Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity
Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium
Prepare-se para as provas
Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity
Prepare-se para as provas com trabalhos de outros alunos como você, aqui na Docsity
Encontra documentos específicos para os exames da tua universidade
Prepare-se com as videoaulas e exercícios resolvidos criados a partir da grade da sua Universidade
Responda perguntas de provas passadas e avalie sua preparação.
Ganhe pontos para baixar
Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium
Reflexão sobre as prática docente nas aulas de matemática analisando as contribuições da escola para uma sociedade mais justa e como a matemática pode ser parte fundamental nesse processo.
Tipologia: Notas de aula
1 / 11
Esta página não é visível na pré-visualização
Não perca as partes importantes!







Dariela Santos Passos (UFS/NPGED/Mestrado em Educação/EduCon/[email protected]) Clésia Maria dos Santos Lapa (UFS/NPGED/Mestrado em Educação/EduCon/[email protected])
Resumo
Este artigo configura-se na reflexão sobre a prática docente nas aulas de Matemática analisando as contribuições da escola para uma sociedade mais justa e como a Matemática pode ser parte fundamental nesse processo. Por entender as dificuldades que os alunos apresentam nesta disciplina buscamos formas que pudessem amenizar os problemas com isso nos propomos desenvolver atividades em grupo, jogos, resolução de problemas e História da Matemática, entre outros. Verificamos como a aplicação das diferentes abordagens metodológicas pode possibilitar melhores rendimentos no sistema educacional e o professor pode atuar como facilitador no processo ensino-aprendizagem, já que as práticas educacionais devem ser feitas com observações, reflexões e aprimoramentos. O presente artigo está fundamentado em Bicudo (2005), D’Ambrósio (1996), Lara (2003) e Mendes (2006).
Palavras-chave: Prática docente - Abordagens metodológicas - Interação.
Abstract
This article it configures in the reflection on the educational practice in the classes of Mathematical analyzing the school contributions for a more fair society and as the Mathematics can be fundamental part in this process. Understand the difficulties that the students present in this discipline seek form that could soothe the problems with that propose us to develop activities in group, games, mathematics problems and History Resolution, among others. We verify as the application of the different methodological approaches can possiblitar best revenues in the educational system and the teacher can act as facilitator in the process teaching-learning, since the educational practices should be done with observations, reflections and refinements. The present article is based in Beaked (2005), D'Ambrósio (1996), Lara (2003) and Mendes (2006).
Keywords: Educational practice - Methodological approaches - Interaction
Introdução
O referido artigo é fruto do projeto realizado no segundo semestre de 2007 no Colégio Municipal “Leniza Menezes de Jesus”, situado na cidade de Ribeirópolis/SE, em uma turma do 9º ano do Ensino Fundamental, no turno matutino. Essa turma era composta por alunos na faixa-etária de 15 a 23 anos, salientando não ser da modalidade da Educação de jovens e Adultos.
O Colégio Municipal “Leniza Menezes de Jesus” integra-se à rede municipal da cidade de Ribeirópolis/SE atendendo alunos do 1.º ao 9.º ano do Ensino Fundamental, em dois turnos (matutino e vespertino). Atualmente, conta com um quadro de funcionários, composto por 26 (vinte e seis) profissionais entre corpo administrativo e auxiliares gerais; 25 (vinte e cinco) docentes e 490 (quatrocentos e noventa) discentes.
O projeto teve como principal objetivo despertar nos discentes o gosto pela Matemática, visando desenvolver o processo ensino-aprendizagem de maneira dinâmica e criativa, promovendo maior interação entre os alunos, criando condições para o preparo e avanço ao final do Ensino Fundamental.
Na tentativa de amenizar os problemas e as dificuldades vivenciadas pelos alunos buscamos utilizar resolução de problemas, História da Matemática e atividades lúdicas que proporcionassem uma maior interação entre os alunos.
Segundo LARA (2003, p. 09) existe estudos que afirmam o ensino da Matemática está em “crise” e que atribuem aos problemas de metodologia, formação de professores, inadequação dos livros didáticos, falta de recursos e conteúdos programáticos.
Diante disso, procuramos desenvolver um trabalho metodológico buscando respostas à seguinte questão: Será que trabalhando a Matemática a partir de aulas práticas com dinâmicas e atividades lúdicas, poderemos proporcionar melhores índices de aproveitamento no processo ensino-aprendizagem?
Neste artigo, temos o objetivo de apresentar uma síntese do que foi a problemática, conforme os resultados encontrados, finalizando com as considerações sobre o trabalho realizado, com possibilidades de novas pesquisas na área da Educação Matemática.
interessante, atrativo, útil e atual, ou seja: uma Matemática integrada ao mundo contemporâneo. Assim, na tentativa de buscar desenvolver a Matemática numa visão crítica e criativa, possibilita-se que os professores venham inserir em suas aulas, tecnologias e novos recursos para que possam atrair a atenção de seus alunos nas aulas. É uma forma de evitar a evasão escolar e, consequentemente, obter maiores resultados na Educação.
As necessidades cotidianas fazem com que os alunos desenvolvam capacidades de natureza prática para lidar com a matemática, o que lhes permite reconhecer problemas, buscar e selecionar informações, tomar decisões. Quando essa capacidade é potencializada pela escola, a aprendizagem apresenta melhor resultado (BRASIL, 1998, p. 37).
Além de recursos tecnológicos, outros recursos também serão necessários. Confecção e utilização de jogos, trabalhando a História da Matemática e a Resolução de Problemas nas aulas de Matemática, são alguns dos meios de abordagem metodológica na prática docente. Essas abordagens correspondem às linhas de investigação da Educação Matemática, uma área de estudos e pesquisas que vem avançando desde o início do século XX. Mais precisamente por volta das últimas três décadas, esses estudos se consolidaram, constituindo-se num conjunto de atividades bastante diversificadas, cujos princípios básicos firmam o propósito em desenvolver, analisar e divulgar novos métodos de ensino. E, por conseguinte, resultando na inovação do uso de técnicas e recursos didáticos com apoio e fomento às mudanças de práticas docentes e implementação das propostas curriculares. Segundo Mendes (2006, p. 15), “a Educação Matemática também se empenha na formação de professores”, qualquer que seja o nível, desde as licenciaturas à formação continuada, através dos cursos de aperfeiçoamento e de pós- graduação ( em latu e stritu sensu ). Com o objetivo de tornar o ensino de Matemática mais eficaz possível, visando que a aprendizagem seja significativa, o campo de investigação da Educação Matemática avança na busca de oferecer subsídios nos fundamentos teórico- metodológicos aos professores, viabilizando a superação de dificuldades e barreiras encontradas no cotidiano da prática pedagógica.
Na utilização de jogos, por exemplo, a aprendizagem matemática acontece pelo lúdico. A partir dele, o aluno desempenha papel ativo na construção de seu
conhecimento, desenvolvendo o raciocínio lógico, além de interagir com seus colegas. Lara (2003, p. 22) acredita que através dos jogos é possível desenvolvermos no/a aluno/a, além de habilidades matemáticas, a sua concentração, a sua curiosidade, a consciência de grupo, o coleguismo, o companheirismo, aumentando sua autoconfiança e sua auto-estima.
Outra abordagem é a Resolução de Problemas que permite motivar os alunos a buscarem respostas a partir dos conceitos anteriormente experienciados por eles. Como afirmam os Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 1998, p. 40), essa opção traz implícita a convicção de que o conhecimento matemático ganha significado quando os alunos têm situações desafiadoras para resolver e trabalhando para desenvolver estratégias de resolução.
Com a História da Matemática procura-se contribuir para o conhecimento e descoberta sobre as origens de determinados conceitos e conteúdos. Como no decorrer dos tempos, os estudos avançaram, chegando-se aos conhecimentos que hoje adquirimos.
Uma percepção da história da matemática é essencial em qualquer discussão sobre a matemática e o seu ensino. Ter uma idéia, embora imprecisa e incompleta, sobre por que e quando se resolveu levar o ensino da matemática à importância que tem hoje são elementos fundamentais para se fazer qualquer proposta de inovação em educação matemática e educação em geral. Isso é particularmente notado no que se refere a conteúdos. A maior parte dos programas consiste de coisas acabadas, mortas e absolutamente fora do contexto moderno. Torna-se cada vez mais difícil motivar alunos para uma ciência cristalizada. Não é sem razão que a história vem aparecendo como um elemento motivador de grande importância. (D’AMBROSIO, 2006, p. 29).
A importância da interação entre os educandos
Ao constatarmos a falta de interação entre os meninos e meninas, percebemos que havia interferência no processo ensino-aprendizagem, no relacionamento escolar e na vida social do aluno. Para melhorar essa situação, proporcionamos um ensino de Matemática voltado para o coletivo, à cooperação e a solidariedade. Buscamos mostrar aos nossos alunos que essa disciplina não é apenas a capacidade de fazer cálculos, decorar fórmulas e exercícios repetitivos, ela vai além desses pressupostos.
meio circundante natural e social”. Então, a gente constrói um conhecimento que pode ser transformado em um conhecimento novo.
As relações sociais podem ser mantidas durante certo tempo e em um dado contexto, ou pode se transformar progressivamente. Existem, então, mudanças internas e externas que podem afetar o movimento dinâmico das relações: o ambiente físico social e cultural. Há também, outras relações entre os indivíduos que acontecem frente às diferentes atitudes e emoções evocadas no desempenho de seus papéis e funções no convívio social. Seja de meio familiar, escolar ou com amigos, colegas e vizinhos.
Estudar o desenvolvimento humano a partir da análise das relações pode contribuir para modificar muitas práticas sociais que geram dificuldades nos relacionamentos interpessoais. Essas dificuldades estão ficando cada vez mais presentes no contexto escolar, influenciando nosso trabalho com a Matemática e nossa forma de entender os nossos alunos.
Na escola, temos exemplos de muitas relações. Utilizar a interação e o conteúdo matemático é muito importante para compreendermos como os indivíduos estão se conhecendo, se comunicando e trocando experiências.
É essencial que o professor compreenda como surgem as relações de poder, e saiba modificá-las, para provocar novas condições de aprendizagem. “Quando nós desenvolvemos estratégias específicas para uma educação emancipadora, é vital que incluamos tal alfabetização matemática” (BICUDO, 2005, p.102).
O trabalho em grupo deve ser considerado um elemento fundamental no processo de educação e ensino. No que se refere à aprendizagem matemática, deve estar intimamente associado à metodologia de resolução de problema, desenvolvendo-se um ambiente de trabalho desafiador e que promova a aprendizagem significativa.
A participação ativa dos alunos na rede de interações presentes na escola faz com que eles experimentem papéis e ações promovendo uma construção de conhecimento, de forma compartilhada e coletiva. A Matemática pode ser parte integrante e fundamental na socialização propiciando cooperação e interação para a construção do saber. É o que os Parâmetros Curriculares Nacionais abordam que através da Matemática:
Além da interação professor e aluno, a interação entre alunos desempenham papel fundamental na formação das capacidades cognitivas e afetivas. Em geral, exploram-se mais o aspecto afetivo dessas interações e menos sua potencialidade em termos de construção do conhecimento (BRASIL, 1997, p. 41).
Uma das formas dessa abordagem é quando utilizarmos a Matemática para promover a socialização e a integração entre os alunos, com o trabalho em grupo. Este propicia aos alunos, cooperação e consenso para resolver as situações propostas, pois além de expor seus pensamentos e dúvidas, os alunos passam a entender o pensamento dos outros, construindo suas idéias com soluções alternativas. O que os leva a aprenderem conjuntamente.
A aprendizagem só será possível com um ambiente de trabalho estimulante. Deve-se está atento para o fato de que as interações que ocorrem em sala de aula devem ser regulamentadas por um acordo, no qual todas as partes sejam cientes de seu papel e suas responsabilidades diante do outro. Seguindo o pensamento de Bicudo (2005, p. 30), “é preciso, principalmente, que o ato educativo em Matemática se transforme em um ato de comunicação entre professor e aluno”.
A prática docente
Diante da problemática observada na turma, resolvemos trabalhar o conteúdo Geometria, visto que constitui parte importante do currículo de Matemática no Ensino Fundamental. Por meio desse conteúdo, o aluno pode desenvolver uma nova forma de pensamento que lhe permite compreender, descrever e representar de forma organizada, o mundo em que vive. (BRASIL, 1997)
Entendemos que a Geometria é um campo fértil para se trabalhar com situações-problema e envolver os alunos nos trabalhos coletivos. É um tema pelo qual os alunos costumam se interessar, naturalmente. Dessa forma, buscamos trabalhar explorando objetos do mundo físico, no sentido de possibilitar ao aluno estabelecer conexões entre a Matemática e o seu cotidiano.
Ernesto Rosa Neto enfatiza que:
O ensino da Geometria possui três grandes objetivos: conteúdo, formação e demonstração. O conteúdo é de grande utilidade prática e presente em nosso cotidiano de forma intensa; a formação de um adulto com visão de espaço e suas propriedades é muito importante; mas, talvez, o objetivo maior seja a formação de um ser racional,
Considerações finais
O período de execução deste trabalho foi muito importante, pois o conhecimento adquirido e as experiências vividas contribuíram para a formação docente. Esse processo permitiu um olhar mais crítico em relação a nossa prática e ao comportamento dos alunos.
No cotidiano da prática educativa, destaca-se a relação professor-aluno que foi essencial para execução das atividades propostas durante o processo que serviu de estímulo para explorarmos nossa competência enquanto educadores, sob a visão da Educação Matemática, potencializando a criatividade dos alunos na construção de jogos e estímulo ao interesse aos vídeos com temas matemáticos.
Os alunos passaram a ver a importância de estudar a Matemática, havendo mais interesse nas aulas e, por conseguinte, obterem melhores rendimentos nesta disciplina. Na apuração das notas, houve significativo acréscimo para aqueles alunos que estavam com baixo rendimento na média.
BICUDO, Maria Aparecida Viggiani. Educação Matemática. 2ª ed. São Paulo: Centauro, 2005.
BRASIL, Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais :Ensino Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1997.
BRASIL, Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: Matemática / Secretaria de Educação Fundamental. - Brasília: MEC / SEF, 1998;
BRASIL. Lei de diretrizes e bases da educação / Lei nº 9394/96 edição atualizada 2007;
CUNHA, Maria Isabel da. O bom professor e sua prática. (Coleção Magistério: Formação e Trabalho Pedagógico). 12ª ed. São Paulo: Papirus, 1989.
D’AMBRÓSIO, Ubiratan. Educação matemática: da teoria à prática. (Coleção Perspectivas em Educação Matemática). Campinas, SP: Papirus, 1996.
DELIZOICOV, Démétrio; ANGOTTI, José André; PERNAMBUCO, Marta Maria. Ensino de Ciências : fundamentos e métodos. São Paulo: Cortez, 2002.
LARA, Isabel Cristina Machado de. Jogando com a matemática de 5ª a 8ª série. São Paulo: Rêspel, 2003;
MENDES, Iran Abreu. (^) Matemática e investigação em sala de aula: tecendo redes cognitivas na aprendizagem. Natal: Flecha do Tempo, 2006.
MENEZES, Mindé Badauy de; RAMOS, Wilsa Maria. Programa de Formação de Professores em Exercício. (Coleção Magistério). Brasília: MEC. FUNDESCOLA,
MOYSÉS, Lucia. Aplicação de Vygotsky à Educação Matemática. (Coleção Magistério: Formação e Trabalho Pedagógico). 7ª ed. São Paulo: Papirus, 1997.
NETO, Ernesto Rosa. Didática da Matemática. 11ª ed. São Paulo: Ática, 2001.
ZARO, Milton; HILLEBRAND, Vicente. Matemática instrumental e experimental. Porto Alegre: Fundação para o Desenvolvimento de Recursos Humanos, 1984.