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Este documento discute as regras da línguagem portuguesa em relação ao uso correto de 'onde' e 'aonde', regência e colocação de pronomes oblíquos. O professor pasquale aborda confusões comuns e fornece exemplos para ajudar no entendimento.
Tipologia: Notas de estudo
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embora forrada, fedia, cheirava mal...” No caso, houve uma distração. Não pode ser abonado pela norma culta. Outro caso:
Muita gente fala “Isso posto, vamos ao que interessa.” Errado. Em português a oração reduzida começa pelo verbo. O correto
é “Posto isso, vamos ao que interessa.”
Não se diz “A questão discutida, passamos ao item seguinte”. Diz-se “Discutida a questão, passamos ao item seguinte.”
Oração reduzida sempre começa com o verbo no gerúndio, no particípio ou no infinitivo.
O professor Pasquale fala de um assunto que é muito comum em abordagens oficiais da língua, o uso da palavra onde.
É chamada a atenção para dois pontos:
1º- A palavra onde indica lugar, lugar físico e, portanto, não deve ser usada em situações em que a idéia de lugar não esteja
presente.
2º- Não se deve confundir onde com aonde. O a da palavra aonde é a preposição a que se acrescenta e que indica
movimento, destino. O aonde só pode ser usado quando na expressão existir a idéia de destino.
Ex: Ir a algum lugar. Chegar a algum lugar. Levar alguém a algum lugar. Dirigir-se a algum lugar. Não se pode usar aonde com o verbo morar. Ex: Aonde você mora? Errado. O certo é “Onde você mora ?”/ “Em que lugar você mora?” Há muita confusão entre aonde e onde. Um exemplo é uma letra de Belchior, “Divina Comédia Humana”, na qual ele diz:
“.... viver a Divina Comédia Humana onde nada é eterno....”
Em “... viver a Divina Comédia Humana ...” não existe a idéia de lugar. É, apenas, uma situação que seria vivida. Nela, na
Divina Comédia Humana, nada é eterno. Portanto, o correto seria não usar a palavra onde substituindo-a por “em que” ou “na qual”.
O autor preferiu usar essa forma do dia-a-dia, mas não admissível pela norma culta. Resumo: Não se pode usar a palavra
onde para ligar idéias que não guardem entre si a relação de lugar. Diga “A rua onde mora”, “A cidade onde vive”
“Onde” ou “aonde”? Muitas pessoas algum dia tiveram essa dúvida. E nem vale muito a pena tentarmos esclarecê-la por meio
dos textos literários, porque não é incomum que até mesmo os grandes escritores utilizem as expressões de modo diferente do
que é pregado pela gramática normativa. Preste atenção no trecho desta canção, “Domingo”, gravada pelos Titãs:
“... não é Sexta-Feira Santa, nem um outro feriado, e antes que eu esqueça aonde estou, antes que eu esqueça aonde estou, aonde estou com a cabeça?” “Aonde eu estou” ou “onde estou”? Para esta pergunta, a resposta seria: “Estou em tal lugar”, sem a preposição “a”. E as
gramáticas ensinam que, não havendo a preposição “a”, não há motivo para usar “aonde”. Assim, a forma correta na letra da
canção seria: “... e antes que eu esqueça onde estou, antes que eu esqueça onde estou, onde estou com a cabeça?” Vamos a outro exemplo, a canção “Onde você mora”, gravada pelo grupo Cidade Negra: “... Você vai chegar em casa, eu quero abrir a porta. Aonde você mora, aonde você foi morar, aonde foi? Não quero estar de fora... Aonde está você?” Quem vai, vai a algum lugar. Portanto, a expressão correta nesse caso é “aonde”. Aonde você foi? Mas quem mora, mora em algum lugar. Quem está, está em algum lugar. Nesse caso, a expressão correta é “onde”:
Onde você mora? Onde você foi morar? Onde está você? Veja agora este trecho da canção “Bete Balanço”, gravada pelo Barão Vermelho: “Pode seguir a tua estrela, o teu brinquedo de star, fantasiando um segredo, o ponto aonde quer chegar...” Ensinam as gramáticas que, na língua culta, o verbo “chegar” rege a preposição “a”. Quem chega, chega a algum lugar. A
preposição é usada quando queremos indicar movimento, deslocamento. Portanto, a letra da música está correta:
O ponto aonde você quer chegar. Eu chego ao cinema pontualmente. Eu chego a São Paulo à noite. Eu chego a Brasília amanhã. Na linguagem coloquial, no entanto, é muito comum vermos construções como “eu cheguei em São Paulo”, “eu cheguei no
cinema”. Não há grandes problemas em trocar “onde” por “aonde” na língua do dia-a-dia ou em versos de letras musicais
populares, dos quais fazem parte o ritmo, a melodia e outros fatores. Mas, pela norma culta, num texto formal, use “aonde”
sempre que houver a preposição “a” indicando movimento: ir a / dirigir-se a / levar a / chegar a
Como usar a vírgula? Seu uso está relacionado à respiração?
Não. A vírgula depende da estrutura sintática da oração.
Às pessoas, na rua, foi sugerida uma questão. Pediu-se que colocassem vírgulas no seguinte texto:
“O diretor de Recursos Humanos da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos declarou que não haverá demissões neste
mês.” A maioria acertou. Não há vírgula.
O correto seria: “A gente nunca esquece o aniversário de um amigo” ou “A gente nunca se esquece do aniversário de um
amigo.” Vale o mesmo esquema para o verbo lembrar. Quem lembra, lembra algo Quem se lembra, lembra-se de algo Ex: Eu não lembro o seu nome. Eu não me lembro do seu nome.
Como você pode notar, esses erros de regência são muito comuns. É necessário redobrar a atenção para não cometê-los
mais.
Regência é a relação que se verifica entre as palavras. Por exemplo: quem gosta, gosta de alguma coisa. Assim, o verbo
“gostar” rege a preposição “de”. Existe, entre o verbo e a preposição, um mecanismo, uma relação.
A regência se ocupa de estudar essa relação entre as palavras. Na língua falada, no entanto, regência é algo que se aprende
intuitivamente. Ninguém precisou ensinar para nós que quem gosta, gosta de alguém. Ou que quem concorda, concorda com
alguma coisa. Ou que quem confia, confia em algo. E assim por diante.
A língua culta, por seu lado, tem suas regras de regência, que levam em conta o significado do verbo. Um verbo com mais de
um sentido, por exemplo, pode ter duas regências diferentes. Vamos ver o que acontece na canção “O Nome Dela”, gravada
pelo goleiro Ronaldo & Os Impedidos: “Eu não lembro nem do lugar ela me diz que eu paguei o jantar ela me diz que eu prometi o mundo eu não me lembro de nenhum segundo...” As gramáticas dizem que quem lembra, lembra alguma coisa. E que quem se lembra, lembra-se de alguma coisa.
Quem lembra, lembra algo Quem se lembra, lembra-se de algo. Será que essa regra na língua efetiva vale sempre? Vamos ver o que acontece na canção “Lembra de Mim”, cantada por Ivan
Lins. A letra é de Vítor Martins:
“Lembra de mim dos beijos que escrevi nos muros a giz Os mais bonitos continuam opor lá documentando que alguém foi feliz Lembra de mim nós dois nas ruas provocando os casais...”
De acordo com a gramática normativa, o título da canção e a letra estariam errados. Deveria ser “Lembra-se de mim...”
Acontece que no dia-a-dia as pessoas não falam assim, com todo esse rigor, com essa consciência do sistema de regência.
Dessa forma, nós podemos dizer “lembra de mim”, sem problema. A língua falada permite essas licenças, e a poesia musical
também, já que não deixa de ser um tipo de língua oral. Mas na hora de escrever, de adotar outro padrão, é conveniente
obedecermos àquilo que está nos livros de regência. No texto formal, lembra-se de mim é o exigível, é o correto.
Regência, em gramática, é o conjunto de relações que existem entre as palavras. Por exemplo: quem gosta, gosta de alguém.
O verbo “gostar” rege a preposição “de”. Nós aprendemos a regência naturalmente, no dia-a-dia. Só que a gramática, muitas
vezes, estabelece formas diferentes das que utilizamos na linguagem cotidiana. Costumamos, por exemplo, dizer que chegamos
em algum lugar, quando a norma culta indica que chegamos a algum lugar. INCORRETO: “A caravana chegou hoje em Brasília.” CORRETO: “A caravana chegou hoje a Brasília.” Da mesma forma, o correto é dizer “chegou a Manaus”, “chegou ao Brasil”. Outro exemplo é o verbo “esquecer”. Vamos ver o trecho da canção “As Canções que você Fez pra mim”, de Roberto e
Erasmo Carlos: “... Esqueceu de tanta coisa que um dia me falou, tanta coisa que somente entre nós dois ficou...” É muito comum que se fale “esqueceu de tanta coisa”, mas quem esquece, esquece algo. Quem se esquece, esquece-se de
algo. Portanto, as formas corretas são: “Esqueceu tanta coisa.” “Esqueceu-se de tanta coisa.” A mesma coisa vale para o verbo “lembrar”. Vamos ver um trecho da canção “Tempo Perdido”, gravada por Paulo Ricardo:
“...Temos todo o tempo do mundo. Todos os dias, antes de dormir, lembro e esqueço como foi o dia, sempre em frente, não temos tempo a perder...” O uso está correto. Poderia ser também “Lembro-me e esqueço-me de como foi...” Quem lembra, lembra algo. Quem se lembra, lembra-se de algo.
Discute-se na letra da música - “ EU SEI QUE VOU TE AMAR “( Tom Jobim e Vivícius de Moraes ) a melhor colocação do
promome TE no trecho:
Por toda minha vida eu vou te amar ...”
O correto seria que o pronome viesse após a conjunção integrante que, já que esta conjunção é palavra atrativa. Ficaria : Eu
sei que te vou amar. A outra forma é colocar o pronome TE após o verbo. Ficaria : Eu sei que vou amar-te.
No entanto, o professor Pasquale acha que ficaria estranho Tom Jobim e Vinícius cantarem:
“Eu sei que te vou amar Por toda a minha vida Eu sei que vou amar-te ...” , Na colocação do pronome muitas vezes vale a eufonia apesar de a eufonia apesar de a norma culta nem sempre abonar essas