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a Televisão Parte2, Notas de estudo de Administração Empresarial

Apostilas de Administração sobre a Televisão, Televisão no Lar, Televisão Comercial, Televisão Estatal, Televisão Educativa , Aplicações Especiais, Produção de programas de televisão, Planejamento e preparação ,Colocação do programa no ar.

Tipologia: Notas de estudo

2013

Compartilhado em 04/11/2013

Picapal_amarelo
Picapal_amarelo 🇧🇷

4.6

(169)

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O aparelho de televisão usa esses sinais para recompor a imagem na sua tela.
O processo de varredura reconstitui a figura, parte por parte. Uma pessoa que olha para
a tela de um aparelho de tevê não percebe que isto está acontecendo. O processo de
varredura funciona tão rapidamente que o espectador só vê a imagem completa.
A emissão de imagens e sons de televisão envolve três etapas básicas:
(1) A luz e as ondas sonoras da cena que está sendo televisada devem ser
transformadas em sinais eletrônicos.
(2) Estes sinais devem ser transmitidos para o receptor de televisão.
(3) O receptor deve ordenar os sinais e transformá-los em volta em cópias da
luz e das ondas sonoras provenientes da cena original.
Geração dos Sinais de Televisão
Um sinal de televisão começa quando a luz da cena que está sendo televisada
entra em uma câmera de televisão. A câmera transforma a luz em sinais eletrônicos. Ao
mesmo tempo, um microfone capta os sons vindos da cena e transforma-os em sinais
eletrônicos. Os engenheiros de televisão dominam os sinais da câmera de vídeo e os
sinais do microfone de áudio.
Esta seção descreve como uma câmera de tevê gera os sinais de vídeo. Ela
também explica como os sinais de vídeo são produzidos por telecine (filme de televisão) e
videoteipe.. Os sinais de áudio de tevê são gerados da mesma forma que os sinais de
rádio.
Os sinais de vídeo transmitidos pela maioria das estações de televisão são
sinais a cores compatíveis. Estes sinais produzem uma imagem colorida, quando
recebidos por um aparelho a cores. Os mesmos sinais também produzem uma imagem
em preto e branco. A televisão a cores usa as três cores primárias da luz para produzir
imagens de todas as cores. Uma mistura adequada dessas três cores pode produzir
qualquer outra cor de luz. Por exemplo, uma mistura de luz verde e vermelha produz luz
amarela. Quantidades equivalentes de luzes vermelha, azul e verde produzem a luz
branca.
Câmera de Televisão
Para produzir um sinal a cores compatível, uma câmera de tevê deve:
(1) Captar a imagem da cena que está sendo irradiada;
(2) Gerar sinais de vídeo a partir da imagem;
(3) Codificar os sinais a cores para a transmissão.
Para realizar essas tarefas, uma câmera de televisão usa uma lente, um
sistema de espelhos, tubos e complexos circuitos eletrônicos. Nem todos circuitos
eletrônicos usados pela mera estão no seu interior. Eles tornariam a câmera muito
mais volumosa e pesada. Em vez disso, a maior parte desses circuitos estão localizados
em algum lugar da estação de tevê e ligam-se às câmeras através de cabos.
Captação de Imagem
A lente capta a imagem da cena em frente à câmera. Assim como as lentes de
outras câmeras e como o olho humano, a lente da câmera de tevê focaliza (reúne e
dirige) os raios de luz da cena para formar uma imagem nítida. Esta imagem contém
todas as cores da cena. Contudo, para produzir os sinais a cores, a câmera deve dividir
a imagem com todas as cores em três imagens separadas - uma para cada cor primária.
A câmera usa dois espelhos dicróicos para separar a imagem nas cores
primárias. O primeiro espelho reflete a luz azul e permite a passagem das luzes vermelha
e verde. O segundo espelho reflete a imagem vermelha, deixando apenas a luz verde.
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O aparelho de televisão usa esses sinais para recompor a imagem na sua tela. O processo de varredura reconstitui a figura, parte por parte. Uma pessoa que olha para a tela de um aparelho de tevê não percebe que isto está acontecendo. O processo de varredura funciona tão rapidamente que o espectador só vê a imagem completa.

A emissão de imagens e sons de televisão envolve três etapas básicas: (1) A luz e as ondas sonoras da cena que está sendo televisada devem ser transformadas em sinais eletrônicos. (2) Estes sinais devem ser transmitidos para o receptor de televisão. (3) O receptor deve ordenar os sinais e transformá-los em volta em cópias da luz e das ondas sonoras provenientes da cena original. Geração dos Sinais de Televisão Um sinal de televisão começa quando a luz da cena que está sendo televisada entra em uma câmera de televisão. A câmera transforma a luz em sinais eletrônicos. Ao mesmo tempo, um microfone capta os sons vindos da cena e transforma-os em sinais eletrônicos. Os engenheiros de televisão dominam os sinais da câmera de vídeo e os sinais do microfone de áudio.

Esta seção descreve como uma câmera de tevê gera os sinais de vídeo. Ela também explica como os sinais de vídeo são produzidos por telecine (filme de televisão) e videoteipe.. Os sinais de áudio de tevê são gerados da mesma forma que os sinais de rádio.

Os sinais de vídeo transmitidos pela maioria das estações de televisão são sinais a cores compatíveis. Estes sinais produzem uma imagem colorida, quando recebidos por um aparelho a cores. Os mesmos sinais também produzem uma imagem em preto e branco. A televisão a cores usa as três cores primárias da luz para produzir imagens de todas as cores. Uma mistura adequada dessas três cores pode produzir qualquer outra cor de luz. Por exemplo, uma mistura de luz verde e vermelha produz luz amarela. Quantidades equivalentes de luzes vermelha, azul e verde produzem a luz branca.

Câmera de Televisão Para produzir um sinal a cores compatível, uma câmera de tevê deve: (1) Captar a imagem da cena que está sendo irradiada; (2) Gerar sinais de vídeo a partir da imagem; (3) Codificar os sinais a cores para a transmissão. Para realizar essas tarefas, uma câmera de televisão usa uma lente, um sistema de espelhos, tubos e complexos circuitos eletrônicos. Nem todos circuitos eletrônicos usados pela câmera estão no seu interior. Eles tornariam a câmera muito mais volumosa e pesada. Em vez disso, a maior parte desses circuitos estão localizados em algum lugar da estação de tevê e ligam-se às câmeras através de cabos.

  • Captação de Imagem A lente capta a imagem da cena em frente à câmera. Assim como as lentes de outras câmeras e como o olho humano, a lente da câmera de tevê focaliza (reúne e dirige) os raios de luz da cena para formar uma imagem nítida. Esta imagem contém todas as cores da cena. Contudo, para produzir os sinais a cores, a câmera deve dividir a imagem com todas as cores em três imagens separadas - uma para cada cor primária.

A câmera usa dois espelhos dicróicos para separar a imagem nas cores primárias. O primeiro espelho reflete a luz azul e permite a passagem das luzes vermelha e verde. O segundo espelho reflete a imagem vermelha, deixando apenas a luz verde.

Outros espelhos dentro da câmera refletem cada uma das imagens até um tubo separado.

  • Geração de sinais de vídeo um tubo de câmera transforma a imagem luminosa em sinais de vídeo. Uma câmera preto e branco possui apenas um tubo. As câmeras a cores possuem no mínimo três desses tubos - um para cada cor primária. Esses tubos geram um sinal de vídeo separado para cada uma das cores primárias. Algumas câmeras a cores tem um quarto tubo que produz uma imagem preto e branco. Os tubos, na maioria das câmeras a cores, são tubos plumbicon , uma versão melhorada de um tubo chamado vidicon. Para maior simplicidade, esta seção descreve o funcionamento de um tubo vidicon.

Um tubo vidicon possui uma placa plana de vidro na parte da frente. Atrás do vidro está um revestimento transparente denominado placa de sinal. Uma segunda placa, chamada alvo, fica atrás da placa de sinal. O alvo consiste em uma camada de material fotocondutor que conduz eletricidade quando é exposto à luz. No fundo do tubo está um dispositivo denominado canhão de elétrons.

A luz da imagem atinge o alvo depois de passar pelo vidro e pela placa de sinal. A luz faz com que partículas de carga negativa, chamadas elétrons , do material fotocondutor movam-se em direção à placa de sinal. Este movimento deixa a parte traseira do alvo com uma carga elétrica positiva. A intensidade de carga elétrica positiva em qualquer área do alvo corresponde à intensidade da luz que iluminou aquela área. Quanto mais forte à luz, maior a carga positiva. O tubo da câmera transforma, assim, a imagem luminosa coletada pela lente em uma imagem elétrica idêntica, de cargas positivas, no fundo do alvo.

O canhão de elétrons atira um feixe de elétrons através da parte traseira do alvo. O feixe move-se através do alvo segundo um modelo ordenado denominado padrão de varredura. Quando o feixe se move através do alvo, ele atinge áreas com diferentes quantidades de carga positiva. As áreas do alvo que têm uma carga mais forte atraem mais elétrons do feixe. Isto ocorre assim porque as partículas de carga elétrica desigual atraem-se mutuamente. As outras áreas do alvo e fazem com que uma corrente elétrica flua na placa de sinal. A voltagem dessa corrente varia a toda instante, conforme o feixe esteja sobre uma parte clara ou escura da imagem. Essa voltagem variável é o sinal de vídeo.

O canhão de elétrons varre o alvo de modo semelhante ao de uma pessoa que lê - da esquerda para a direita, de cima para baixo. Contudo, ao contrário do que faz uma pessoa quando lê o feixe eletrônico salta uma linha sim, outra não, sobre o alvo. Após varrer a linha superior, o feixe volta rapidamente para a esquerda. Depois varre a terceira linha, a quinta linha, e assim por diante. Quando o feixe chega à parte inferior do alvo, volta rapidamente para cima e então varre a segunda linha, a quarta linha, e assim por diante.

Cada um dos três tubos vidicon converte sua cor primária particular em um sinal de vídeo através do processo de varredura. Os sinais são levados por meio de fios a circuitos eletrônicos da câmera, os quais os amplificam (aumentam). Os três sinais passam, então, ao codificador.

  • Codificação dos sinais a cores No codificador, os três sinais de vídeo são combinados com outros sinais para produzir um sinal a cores compatível. A primeira etapa desse processo envolve a combinação dos três sinais de vídeo em dois sinais a cores codificados são denominados sinais de luminância. Um circuito do codificador, denominado matriz, realiza essa função.

Um outro circuito do codificador, chamado somador combina os sinais de crominância e de luminância e, neste processo, adiciona um pulso de cor e um sinal de

conforme o projeto da antena, a potência de transmissão e as condições topográficas da região.

As estações de televisão da mesma área transmitem em freqüência diferentes, para que os seus sinais não interfiram uns nos outros. O grupo de freqüência sobre as quais uma estação irradia é conhecido como canal.

Cabo Coaxial O cabo coaxial é usado para levar sinais de televisão a grandes distâncias ou para áreas que têm dificuldade de recepção de sinais. As cadeias de televisão muitas vezes enviam programas às suas estações filiadas então irradiam os programas a seus telespectadores.

Microondas São ondas eletromagnéticas, similares aos sinais de televisão. Torres restransmissoras elevadas, espaçadas por cerca de 50 km de distância, levam os programas das redes para as estações filiadas, usando essas ondas. O equipamento de uma torre recebe, amplifica e retransmite automaticamente o sinal de microonda até a torre seguinte. As estações filiadas devem transformar de volta os sinais de microondas em sinais de tevê, antes que eles possam ser recebidos por um aparelho ordinário de televisão.

Satélites Os satélites transmitem os sinais de televisão entre estações onde não podem ser colocados cabos ou torres de microondas. Por exemplo, os satélites retransmitem sinais através dos oceanos e conectam estações de continentes diferentes. Os satélites funcionam como torres de retransmissão instaladas no espaço. Eles recebem sinais de televisão codificadas de uma estação terrestre especial, amplificando-os e emitindo-os para uma outra estação terrestre. As duas estações podem estar afastadas por milhares de quilômetros.

No Brasil, a transmissão por satélite é feita através da Embratel 2 , que construiu em Itaboraí (RJ) a estação de Tanguá. Esta começou a operar comercialmente em 1969 e, em 1971, estava ligada a nove estações da Europa e da América. Programas de tevê produzidos em qualquer cidade brasileira podem ser transmitidos para o resto do mundo, via Intelsat. Para isso, em 1971, a Embratel instalou 26 centros de tevê, onde se realizam o controle e a distribuição dos sinais de vídeo.

  • Recepção dos Sinais de Televisão O sinal de um transmissor é introduzido em um receptor de televisão por meio de uma antena de recepção. O aparelho usa o sinal para fazer cópias das imagens e dos sons provenientes da cena televisada. Ma reprodução de um programa, um aparelho de televisão usa um setor de canais, amplificadores e separadores, e um tubo de imagem.

Antena de Recepção Uma boa antena capta um sinal suficientemente forte para que o rceprtor produza uma imagem. O tipo de antena necessária depende da distância entre ela e a antena transmissora. Um dipolo, (antena em forma de V) coleta sinal suficiente dentro de uns poucos quilômetros de distância do transmissor. À distâncias maiores, pode ser necessário uma antena mais elaborada, montada sobre o telhado. A melhor recepção ocorre quando a antena está apontada em direção à estação desejada.

Seletor de Canais Os sinais da antena são introduzidos no seletor de canais do aparelho. Ele seleciona apenas o sinal da estação que a pessoa deseja receber, eliminando os outros.

(^2) Embratel: Empresa Brasileira de Telecomunicações

Amplificadores e Separadores Vindo do seletor, o sinal de televisão passa para um grupo de complicados circuitos eletrônicos do aparelho. Estes circuitos amplificam o sinal e separam as partes do áudio e de vídeo. Os sinais de áudio são transformados em ondas sonoras por meio de um alto-falante. Os sinais de vídeo vão até o tubo de imagem , ou cinescópio , onde são usados para recompor a imagem.

Legislação no Brasil A televisão brasileira é objeto de uma série de leis, cuja não observação acarreta multa, suspensão até 30 dias, cassação de concessão e detenção dos responsáveis. São proibidas transmissões de filmes não-dublados, com exceção de reportagens jornalísticas, desenhos animados e musicais. Para cada oito filmes estrangeiros, deve ser transmitido um nacional de longa-metragem. Todos os programas sofrem censura prévia, e qualquer modificação no programa, depois de censurado, é responsabilidade do artista.

O Contel (Conselho Nacional de Telecomunicações) fiscaliza o cumprimento do Código Nacional de Telecomunicações. Ele autoriza concessões ou permissões, que podem ser revistas a qualquer momento; revê ou substitui freqüências; e autoriza contratos com empresas estrangeiras. Compete exclusivamente ao governo federal dispor sobre qualquer assunto de radiodifusão. No interesse nacional, as emissoras podem ser convocadas para a formação de redes.

Televisão em Outros Países

A televisão desenvolveu-se com maior lentidão nas outras partes do mundo, em comparação com os EUA Durante a década de 1950, existiam mais aparelhos de televisão nesse país do que em todos os outros juntos. Mas, por volta de 1960, houve uma grande expansão da televisão em muitas nações.

Hoje em dia, os programas de televisão atingem quase todas as partes do mundo onde existe eletricidade. A programação de televisão varia de país a país. Contudo, em todas as nações, os programas consistem em diversão, enriquecimento cultural, educação, notícias e acontecimentos especiais.

Os governos de todos os países controlam as emissoras de alguma forma. Contudo, de uma maneira geral, os governos democráticos concedem às emissoras muita liberdade. Os governos antidemocráticos controlam rigidamente a teledifusão, usando-a como um instrumento para promover as crenças e a política governamentais.

História

Desenvolvimento Inicial Muitos cientistas contribuíram para o desenvolvimento da televisão, de maneira que não se pode dizer que alguém foi o seu inventor. A televisão tornou-se possível no século XIX, quando o homem aprendeu a enviar sinais de comunicações através do ar, na forma de ondas eletromagnéticas. Este processo é chamado radiocomunicação , ou radiodifusão.

Os primeiros operadores de rádio enviavam sinais em código através do ar. No início do século XX, os operadores já podiam transmitir palavras. Entretanto, muitos cientistas tinham realizado experiências que envolviam a transmissão de imagens. Em 1884, o alemão Paul Gottlieb Nipkow já havia inventado um dispositivo de varredura que enviava imagens a curtas distâncias. Seu sistema funciona eletronicamente. Em 1922, o norte americano Philo T. Farnsworth aperfeiçoou um sistema de varredura.

preconceito racial e sexo. Em alguns países, isso acontecia por medo de uma queda de audiência; em outros, pelo rigor da censura. Mas, do fim da década de 1960 em diante, algumas emissoras passaram a lidar cada vez mais com esses temas, nem sempre de maneira séria e esclarecedora. A quantidade de violência ou de sexo na tevê tem atraído um grande número de críticas, assim como a superficialidade no tratamento de assuntos importantes.

A Torre do Silêncio

Deslocadora de traços culturais de valor tradicionalmente estabelecidos, a TV é um elemento que perturba e intriga.

Tem sido objeto de preocupações, ora atribuídas ao conteúdo de suas mensagens, ora localizadas na massa que a recebe.

Devido à contradições que encerra, as televisão tem impressionado mais pelo lado do reforço do status quo , a serviço do qual existe, do que pelo lado transformador que também apresenta.

O jornal A Folha de São Paulo , de 31 de janeiro de 1984, publicou, de Fortuna^4 , uma montagem fotográfica em que apareciam lado a lado a Catedral da Sé da cidade de São Paulo e a Torre da TV Globo, localizada sobre o edifício da Gazeta, na Av. Paulista.

De bonito efeito visual, acompanhava a montagem a seguinte legenda: As Torres da Sé e da Catedral do Silêncio.

Catedrais de diferente épocas, marcos simbólicos de momentos históricos diferentes, como que postos em confronto. À Catedral do Silêncio como que corresponderiam as torres da Sé. Estas, caberia perguntar, como Catedral da Comunicação? E se tanto, comunicação de quê, entre quem? Aquela, Catedral do Silêncio, de quem? Entre o púlpito e a câmera, que pontos comuns, que diferenças?

Situemo-las na época atual em sua coexistência. Que caracteriza cada uma delas? Um trabalho de bens simbólicos, para serem distribuídos a uma público seguidor, através de seus respectivos discursos.

A Igreja produz, com base em uma doutrina preestabelecida e inquestionada, enquanto tal, orientações de conduta, que pretendem ser mobilizadoras da ação de seus fiéis.

A TV, por sua vez, enquanto canal de notícia, a informação, o entretenimento e campanhas que visam mobilizar a ação do público. Sua produção encontra-se a serviço do sistema social em que se localiza. Portanto, também a sua produção baseia-se na doutrina social, ou na ideologia do sistema, que não é posta em questão.

Promove a difusão dos bens simbólicos que produz através de uma programação que, apesar de variada, apresenta uma constância estrutural trazida nos tipos de apresentações levadas ao ar: comerciais, jornais, novelas, shows, documentários, programas de auditório, entrevistas, reportagens, transmissões de eventos.

Inserida numa sociedade de capitalismo dependente, terceiro-mundista, organizada com base em princípios de liberdade de pensamento e de crença, traduzidos em normas constitucionais, orientada pela ética capitalista correspondente à ideologia dominante, visa antes e acima de tudo o lucro, a partir do qual tudo se justifica. Veicula, ao longo de todo o tempo de transmissão, valores e princípios da ética

(^4) Pseudônimo de colaborador eventual do jornal citado. Este tem por norma não revelar o nome, por isso deixamos de indicá-lo.

capitalistas, como o individualismo, a competição, o materialismo, virtuosamente concretizados nas cenas do comercial, da novela ou do jornal.

Silenciam ambas as torres, catedral e TV, sobre suas doutrinas. Desenvolvem as duas um trabalho que se pode qualificar de “cataquético”, junto a seus seguidores.

Divergem entre si nos seguintes aspectos:

 A TV utiliza apenas a comunicação eletrônica, que no momento em que se processa inviabiliza o questionamento ou o aparte entre emissor/receptor, enquanto a Igreja utiliza também os trabalhos de grupo;  A TV expressa a fragmentação de ações, valores, características da organização da sociedade capitalista, quando através de suas diferentes transmissões representa as contradições do real, enquanto a Igreja busca alcançar, através de seu trabalho de base, a unidade ou coerência de ações de seus fiéis;  A igreja constitui, portanto, um dos inúmeros fragmentos desse tipo de sociedade e que busca a sua coerência interna através da tentativa de superação das contradições a que estão sujeitas todas as instituições, na ordem social vigente;  A TV, enquanto canal de comunicação da sociedade em que se insere. Apreendendo a questão focalizada por esse ângulo de compreensão e análise, torna-se no mínimo inadequado identificar a TV com a Catedral do Silêncio.

Ela é o único canal social a funcionar como espelho da realidade em que se encontra, pelo qual veiculam “despudorosamente” as contradições e fragmentações existentes. Isso, seguramente, não é sinônimo de silêncio; antes, trata-se da “quebra do silêncio”.

O silêncio existe sim, como já vimos. As suas raízes, porém, encontram-se em outro local.

É preciso descobrir-lhe com precisão a matriz geradora. A verdadeira Torre do Silêncio impõe um silêncio tão grande que recai sobre si mesma, no sentido de nunca revelar-se. Enquanto o meio de televisão constitui o bode expiatório de graves problemas sociais que por ele transitam, a importante matriz, em torno da qual gravitam, permanece inabalável ou inquestionável.

A real Torre do Silêncio é a Torre Ausente, que preenche a lacuna entre as apresentadas por Fortuna e marca de maneira significativa os modos de vida das sociedades atuais.

Descobri-la implica buscar no processo histórico que engendrou a organização atual dessa sociedade a sua origem. Num corte histórico, poderíamos localizar o seu início na Revolução Industrial, cujos desdobramentos sedimentaram em torno da indústria o modo de produção calcado no modelo capitalista, tal como conhecemos hoje.

Interpõe-se, pois entre a Torre da Sé e a Torre do Silêncio, um terceira, a alterar s imagem de Fortuna.

Para a compreensão do fenômeno em causa, que exigências a Torre Oculta introduz no quadro de Fortuna?

A primeira delas é a análise das relações desta com a TV e suas implicações. Uma fábrica é uma unidade de produção de bens. Criada e mantida pelos proprietários dos meios de produção, reúne em seu interior um grande contingente humano, que vende a sua força de trabalho. Trabalhadores qualificados e não qualificados distribuem-se pelas diferentes tarefas da produção.

diferentes doses o prestígio, ou seja, o seu valor, no mundo das trocas sócio-econômicas, no mercado de trabalho.

O que se percebe é uma relação harmoniosa entre unidades produtoras de bens diversos, que compõe o atual parque industrial.

Uma diferença básica entre os produtos da TV e das demais indústrias de bens de consumo põe em risco esta harmonia: enquanto a indústria colocam nas mãos do consumidor o seu produto, a TV coloca o consumidor diante de si próprio, como consumidor. Apesar do efeito reforçador que tal situação possa ter, fica como possibilidade o efeito revelador que o “espelho” encerra sempre.

Aqui surge uma significativa contradição de possibilidades da indústria da TV: fazer do ser humano uma mercadoria, e ao mesmo tempo, colocá-lo diante desta mesma realidade.

Assim, a indústria TV tanto está a serviço das demais indústrias quanto, pelo menos em termos de possibilidade, a seu desserviço.

Como compreender tal impasse? É a primeira vez que ocorre? Ou podemos encontrá-los em outros momentos?

Breves considerações Históricas

Um breve recuo histórico é revelador de que o conflito e a contradição integram sempre a própria dinâmica social da história do mundo ocidental.

Já vimos que os valores sobre os quais se apóia o modo de produção industrial opõem-se os valores da igreja. Coexistem, em contradição permanente. Pontificam diferentes períodos históricos. Também a Igreja, nos seus primórdios, por cerca de cinco séculos, até impor-se como marco de um período (Idade Média, séc. V a séc. XV) contrapôs-se aos valores preconizados pela Torre dos Castelos Romanos. E durante os dez séculos da Idade Média, quando se constituiu em marco de período, não deixou de enfrentar tradições. Nos primórdios dessa época, é para os bárbaros invasores que a Igreja se volta no afã de convertê-los ao Cristianismo. Uma vez reconstituídos os Novos Impérios (após o esfacelamento do Império Romano), com o apoio que a Igreja prestou aos reis bárbaros, ao longo da primeira fase da Idade Média, passam a coexistir a Torre da igreja e a Torre do Palácio. Experimentam, daí para diante, nobreza e clero, uma situação de equilíbrio instável.

O desenvolvimento da vida urbana, do comércio, o rompimento do isolamento geográfico (cruzadas, grandes navegações) são acontecimentos da segunda metade da Idade Média que vão acentuar a instabilidade entre as instituições poderosas.

As grandes navegações dos séculos XV e XVI, inicialmente financiadas, são apoiadas e estimuladas pelos nobres, dão origem a um novo segmento social, o dos burgueses, comerciantes rapidamente enriquecidos, mas despojados do Poder.

Interpõe-se às Torres da igreja e do Castelo uma terceira: o mastro dos navios, redefinindo o equilíbrio das forças sociais e imprimindo suas marcas na Idade Moderna, o novo período histórico decorrente.

Hábeis manobras políticas, nesse novo jogo de forças da Idade Moderna, fazem o equilíbrio pender para o lado da nobreza, através da consolidação do Absolutismo e da configuração das monarquias nacionais, abalando progressivamente o poder da Igreja.

Se a Idade Moderna é o período em que o poder da nobreza se consolida perante o poder do clero, ela é também o período em que aquela se defronta com a ascensão do povo ao poder. Ainda que dele estivessem excluídas as camadas populares que apenas circunstancialmente se uniram à grande burguesia enriquecida, na luta

contra os privilégios dos nobres, isso significou que a nobreza, embora vitoriosa sobre o clero, já enfrentava os germes ameaçadores da sua hegemonia, representados por uma outra soberania que principiava sua história.

A sua extensão às camadas populares era apenas uma questão de tempo, uma vez que o excedente econômico gerado pelas ações dos burgueses já vinha de algum tempo propiciando descobertas e invenções que alteravam profundamente os modos de produção. Esse período de transformações gerado pelas grandes invenções, iniciado na Idade Moderna e que se convencionou chamar Revolução Industrial, com características tão radicais e transformadoras do processo de produção, teve repercussões inevitáveis na vida social.

Crescimento fenomenal da população ocorreu nos séculos XIX e XX ligados mesmo à melhoria da qualidade devida, propiciado por todo o avanço tecnológico.

Um espantoso aumento na produção teve como conseqüência a popularização de produtos antes destinados a uma elite, e o complementar surto de expansão imperialista, em busca de novos mercados consumidores, responsável pelo surgimento do neocolonialismo.

Alterações no próprio processo produtivo, com a introdução das linhas de montagem e da fabricação em série, condenam o trabalhador a repetir rotineiramente, durante todo o dia, uma tarefa simples e monótona, em etapas estanques e compartimentadas.

Dessa forma, a fábrica neutraliza as situações se contato que propiciou, pela reunião dos trabalhadores nesse estabelecimento, ao criar um modo de trabalho que se traduz numa ação simples e padronizada, cuja importância ou significação no produto final pode ser perdida de vista.

Em meio a todas essas alterações surge a TV, canal de comunicação cujo uso se populariza em pouco menos de um quarto de século e através de outras formas de vida social, especialmente da classe média (pela própria organização da TV). A população em geral toma conhecimento de fatos, ocorrências, eventos culturais e políticos, movimentos sociais e políticos, idéias em debate, polêmicas da atualidade de seu país e de outras partes do mundo.

Ainda que toda essa informação seja crivada pela própria forma de organização da TV e pelo caráter seletivo de consumo, de novo é a possibilidade de rompimento de isolamento que se instaura, a partir dessa Nova Torre.

Enquanto as outras torres pontificadoras dos períodos da história da civilização ocidental introduziram impasses e conflitos que lentamente gestaram-se e difundiram-se (a Igreja levou cinco séculos até se instaurar como marco histórico; durante dez séculos disputou com o Castelo a supremacia, os Mastros dos Navios despenderam quatro séculos na disputa com os Castelos até conseguirem desembocar na Torre da Indústria, que contraditoriamente os reforça ao mesmo tempo que os ultrapassa), ocasionando ajustes que adequaram ao longo do tempo as modificações decorrentes dos limites desejados e suportáveis, a TV:

 Irrompe nas histórias das Torres da Humanidade, como e enquanto indústria;

 em menos de 25 anos difunde-se de maneira praticamente universal;  espelha para a humanidade as contradições e conflitos das e entre as instituições que reflete;

 revela conflitos e tensões num ritmo mais acelerado do que as expectativas supunham;

 introduz mudanças de comportamento que superam as expectativas;

passasse por alto certas conotações ideológicas não correspondentes a seu próprio estereótipo. (Miranda, 1978:120)”.

Um outro aspecto importante a ser considerado no estudo do pólo emissor diz respeito à representação fragmentada da realidade que o meio é freqüentemente acusado de fazer.

A respeito desta fragmentação, cumpre indagar se o meio é seu promotor ou a espelha, desvelando-a. Pondera-se que ao fazê-lo sem críticas, referenda este estado das coisas. Cogita-se também do provável efeito da fragmentação da consciência de seus consumidores, pelas características do produto que apresenta.

Argumenta Miranda (1978) que a produção industrial da cultura distingue-se das demais produções culturais, em termos de qualidade, pela sua multissignificação e pela conseqüente leitura polissêmica que possibilita.

É justamente essa característica - que decorre da incorporação dos conflitos experimentados pelos fragmentos sociais antagônicos participantes do processo de produção; da consciência que têm deste fato; dos recursos de que dispõem para expressá-lo através do meio - que faz com que tal produto cultural possa ser recebido por diferentes camadas sociais, obtendo respostas diversas de cada uma delas.

Como bem coloca Milanesi (1978): “Através de sondagens, pesquisas de opinião, as respostas vindas de baixo para cima serão meticulosamente qualificadas e analisadas, sendo possível assim encontrar as respostas do mercado consumidor, as suas preferências e, a partir daí, estabelecer correções de trajetórias de todos os programas da indústria cultural”.

Não se trata, pois, de o indivíduo ser eliminado do circuito, mas de tomar-se como referencial um outro modelo de comunicação, tido como de mão dupla de direção, emissor-receptor, diferente dos já conhecidos modelos de comunicação interpessoal ou intergrupal.

No caso da TV, trata-se antes de um circuito mais complexo do que os últimos referidos e que só tem o alcance que se sabe, por não eliminar o indivíduo do circuito; apenas relaciona-se com ele por uma via indireta, porém muito segura.

Na comunicação de massa, via TV, ocorre uma alteração do processo interpessoal e intragrupal de comunicação, devido ao número de participantes envolvidos, o que modifica a própria natureza do processo, tornando-o complexo. Continua, contudo, sendo de mão dupla, sem o que a própria “Comunicação” não se efetivaria e a TV não realizaria os seus intentos.

Ousaríamos mesmo dizer que é por considerar o indivíduo em seu circuito que a TV desperta tanto interesse.

A etapa do social não é queimada no processo de comunicação televisiva. Siupor isso é pensar o indivíduo como uma tábula rasa, na qual vão ser imprimidos, mecanicamente, todos os estímulos que recebe.

Sabemos hoje que o consumo de TV é seletivo. E são canais de seleção os grupos primários, as classes sociais, o nível de escolaridade, as crenças religiosas; em resumo, as experiências de vida do consumidor. Em outras palavras, é a sua vida social, a sua experiência grupal que orienta essa seleção (que acontece a despeito de nossa vontade consciente) e que também “processa” os dados selecionados.

A respeito disso diz Pfromm Netto (1972):

“Hoje predomina entre os especialistas a concepção segundo a qual o indivíduo exposto aos meios de comunicação de massa é, em primeiro lugar, um seletor ativo de matéria de meios de comunicação de massa que se vai expor e mesmo durante a exposição presta atenção seletivamente, variando em função disto o que o indivíduo é capaz de

lembrar. Além disso, o que o sujeito assimila tem diferentes efeitos em função das necessidades do indivíduo e a qualidade do seu ajustamento à sua situação de vida(...)”

Portanto, o ato de consumir TV começa antes dele próprio, na vida social do sujeito, e acaba depois dele, na mesma vida social.

É nos grupos que o indivíduo vai trabalhando as impressões, idéias, informações recebidas via TV; é aí no embate de pontos de vista discrepantes, no confronto de semelhantes visões e no encontro delas, que se vai apropriando da imagem que recebeu, a partir da qual elabora a sua imagem própria.

Como McLuhan considera que “a ‘mensagem’ de qualquer meio (por ele também chamado de tecnologia) é a mudança da escala, de andamento ou de padrão por ele introduzida nas relações sociais” (apud Coelho, 1985: 50-51), talvez se possa mesmo concluir, por essa ótica, que a mensagem da TV seja essa mudança de escala do modelo de comunicação.

Se a intenção entre os agentes sociais, sejam eles duas pessoas, um grupo ou um grande número diferenciado de indivíduos, realizar-se dentro de uma ordem autoritária, o uso possível das mensagens produzidas será muito diverso daquele que pode ocorrer, por exemplo, em uma ordem democrática.

Como a TV permeia as relações sociais, é importante explicitar a natureza da comunicação visual. Compreender o processo de significação encaminha-nos necessariamente apara a análise de como operar os signos empregados pela TV, na aproximação possível entre telespectador e a realidade representada.

O que ocorre é uma relação entre o próprio signo (tudo o que representa ou está no lugar de outra coisa, um representante), o referente (aquilo a que o signo se refere e é por ele representado) e o interpretante (conceito, imagem mental ou representação construídos na mente do receptor do signo).

A respeito desse assunto, Teixeira Coelho (1981) faz clarificantes colocações em seus trabalhos. Sigamos a trilha de seu pensamento.

Os signos não são todos do mesmo tipo, e sucede que a cada tipo tende a ocorrer uma alteração na qualidade do relacionamento entre ele próprio e o seu receptor.

Os interpretantes transmitidos pela palavra “caveira”, pela fotografia de uma caveira ou pelo desenho de uma caveira afixada numa tabuleta num cruzamento com ferrovia dão margem a diferentes aproximações da realidade apresentada.

Para a compreensão de cada um deles, um tipo de solicitação ao receptor. Um ícone (foto) possibilita ao seu receptor conhecer o objeto representado ou reconhecê-lo, caso já seja seu familiar. Trata-se, portanto, de um signo que pode ser revelador de novo, do desconhecido.

Já um índice (tabuleta) nada significa, se o seu receptor ainda não tiver conhecimento do objeto representado e das relações entre ambos (morte e caveira, no caso considerado). Trata-se, portanto, de um signo repetidor.

Finalmente o símbolo (palavra) possibilita ao receptor conhecer o objeto representado através dele; não exige o conhecimento prévio do mesmo, embora não garanta o conhecimento da coisa representada, tal como ela é. Encerra, portanto, um certo potencial revelador.

A cada tipo de signo, a possibilidade de um tipo de consciência denominada pelo autor considerado, respectivamente, de consciência icônica, indicial e simbólica. É a seguinte topologia por ele elaborada:

A consciência icônica

 opera basicamente com o sentir e com o sentimento;