Docsity
Docsity

Prepare-se para as provas
Prepare-se para as provas

Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity


Ganhe pontos para baixar
Ganhe pontos para baixar

Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium


Guias e Dicas
Guias e Dicas


Adubação no Algodão, Notas de estudo de Agronomia

A expansão da cultura do algodoeiro no Cerrado já está bem estabelecida e o cenário atual de custos altos e lucros cada vez menores aponta para a necessidade de maximizar a eficiência da adubação. Nos últimos dez anos houve uma grande evolução da pesquisa em nutrição e adubação do algodoeiro na região do Cerrado, especialmente nos estados do Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul e Oeste da Bahia. O presente trabalho tem como objetivo demostrar os diversos tipos de adubações necessárias para que

Tipologia: Notas de estudo

2011

Compartilhado em 28/11/2011

guilherme-goncalves-dos-santos-10
guilherme-goncalves-dos-santos-10 🇧🇷

5

(1)

5 documentos

1 / 23

Toggle sidebar

Esta página não é visível na pré-visualização

Não perca as partes importantes!

bg1
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL
UNIDADE UNIVERSITARIA DE AQUIDAUANA
CURSO DE AGRONOMIA
DICIPLINA DE FERTILIDADE DO SOLO
ADUBAÇÃO NA CULTURA DO ALGODÃO
AQUIDAUANAMS
JUNHO 2011
pf3
pf4
pf5
pf8
pf9
pfa
pfd
pfe
pff
pf12
pf13
pf14
pf15
pf16
pf17

Pré-visualização parcial do texto

Baixe Adubação no Algodão e outras Notas de estudo em PDF para Agronomia, somente na Docsity!

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL

UNIDADE UNIVERSITARIA DE AQUIDAUANA

CURSO DE AGRONOMIA

DICIPLINA DE FERTILIDADE DO SOLO

ADUBAÇÃO NA CULTURA DO ALGODÃO

AQUIDAUANA–MS

JUNHO – 2011

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL

UNIDADE UNIVERSITARIA DE AQUIDAUANA

CURSO DE AGRONOMIA

DICIPLINA DE FERTILIDADE DO SOLO

Adubação Na Cultura Do Algodão

Acadêmico: Guilherme Gonçalves dos Santos

AQUIDAUANA – MS

JUNHO – 2011

1.0. INTRODUÇÃO

No Brasil, a cultura do algodoeiro se estende em duas regiões distintas: Região Meridional (Centro – Sul/Oeste) e Região Setentrional (Norte/Nordeste). A produção brasileira de algodão em pluma cresceu 50% e a de algodão em caroço 60%, correspondendo a um aumento da área de plantio na safra do biênio 2002/2003 e 2003/2004 (AGRINUAL, 2005). A expansão da cultura do algodoeiro no Cerrado já está bem estabelecida e o cenário atual de custos altos e lucros cada vez menores aponta para a necessidade de maximizar a eficiência da adubação. Nos últimos dez anos houve uma grande evolução da pesquisa em nutrição e adubação do algodoeiro na região do Cerrado, especialmente nos estados do Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul e Oeste da Bahia (CARVALHO et. al, 2007). De acordo com o mesmo autor os resultados acumulados já permitem aperfeiçoar o manejo da adubação da cultura, visando ao uso racional dos fertilizantes e a manutenção dos níveis de produtividade alcançados com sustentabilidade e responsabilidade ambiental. Segundo CARVALHO (2005), para manter a produtividade em nível competitivo, associada à boa qualidade do produto, o algodoeiro deve ser cultivado em solos férteis, ou corrigidos e adubados de forma adequada. A correção da acidez do solo e a adubação mineral têm custo elevado no cultivo do algodoeiro, sobretudo nas regiões de Cerrado, atingindo valores da ordem de 20 a 30% do custo total de manejo da cultura. Nesse contexto, o manejo eficiente da adubação é essencial para se obter alta produtividade, redução de custo por arroba de algodão produzido e viabilização dos sistemas de produção vigentes (CARVALHO, 2007). Por outro lado CARVALHO (2005) cita que como o Algodoeiro exporta relativamente poucos nutrientes através da colheita (sementes e fibra), não costuma estar relacionado entre as culturas esgotantes do solo agrícola. O presente trabalho tem como objetivo demostrar os diversos tipos de adubações necessárias para que o algodoeiro tenha um bom rendimento e um aumento de produtividade favorável aos produtores.

2.0. REVISÃO DE LITERATURA

Dentro do sistema de classificação da botânica sistemática, o algodoeiro herbáceo pertence à classe das dicotiledôneas, à ordem Malvales, família Malvaceae, tribo Hibisceae , gênero Gossypium e espécie Gossypium hirsutum L. r_. latifolium Hutch_. (LAGIÉRE, 1969). O algodoeiro é uma das plantas mais cultivadas pelo homem, tendo em vista a exploração da fibra, seu principal produto de consumo generalizado em todo o mundo, o óleo bruto, a torta que é quase metade da semente, o línter, além da casca e do resíduo (ARAÚJO, 2006). O algodoeiro é uma planta originária do Sul do México, evoluída sobre um solo calcário rico em nutrientes. Melhorado para maximizar sua produtividade, o algodoeiro tem alta demanda de nutrientes para que possa obter produções rentáveis (DANTAS et. al, 2005). A planta extrai do solo 156 a 212 kg de N, 32 a 61 kg de P 2 O 5 , 118 a 197 kg de K 2 O, 62 a 168 kg de CaO, 32 a 47 kg de MgO, 10 a 64 kg de S, 320 g de B, 18 a 120 g de Cu, 123 a 2.960 g de Fe, 47 a 250 g de Mn, 2 g de Mo e 3, a 116 g de Zn para produzir 2.500 kg/ha de algodão em caroço (ou aproximadamente 1.000 kg/ha de pluma), porém essa quantidade varia intensamente na dependência das condições de clima, solo, manejo, variedade utilizada e produtividade alcançada (STAUT & KURIAHARA, 1998). É uma planta exigente em termos de clima e solo. Para produzir satisfatoriamente, requer clima com período de 140-160 dias predominantemente ensolarados, com média de temperatura superior a 20 °C e precipitação de 700 mm (GRID-PAPP et. al, 1992). Os solos devem ser mediamente profundos e de média a alta fertilidade (BELTRÃO et. al, 1993). A cultura do algodoeiro necessita dos nutrientes essenciais (N, P, K, B) para seu completo desenvolvimento e normal produção (PASSOS, 1977). Entretanto o algodoeiro conforme AZEVEDO et. al (1998) exige relativamente grandes quantidades de nitrogênio, quando comparado com a demanda por outros elementos, para obtenção do rendimento máximo. Mesmo considerando o fato de que a fibra é quase destituída de nitrogênio, as sementes o contêm em grandes quantidades, sendo ele responsável por muitas funções da planta do algodão, que podem afetar seu crescimento e desenvolvimento.

Para o algodoeiro, mais importante que elevar a saturação por bases da camada superficial do solo para valores acima de 50-60% é favorecer o aprofundamento do sistema radicular nas camadas subsuperficiais, buscando- se aumentar a saturação por bases nas camadas de 20-40 a 40-60 cm de profundidade (CARVALHO et. al, 2007). Para isso, a melhor opção é o uso do gesso, que por ser mais solúvel e mais móvel no solo que o calcário, apresenta a capacidade de aumentar os teores de cálcio e enxofre e diminuir a saturação por alumínio trocável nas camadas subsuperficiais do solo. Com isso, criam-se condições químicas mais favoráveis para o aprofundamento do sistema radicular, permitindo a exploração de maior volume de solo e maior absorção de água e nutrientes pelas plantas. Assim, as plantas superam com maior facilidade a deficiência de água durante a ocorrência de "veranicos”, como os que frequentemente ocorrem no Cerrado (CARVALHO et. al, 2007). Embora os efeitos benéficos do gesso como melhorador do ambiente radicular, em subsolos ácidos e pobres em cálcio, sejam reconhecidos e disseminados no Brasil, particularmente na região do Cerrado, há evidências de excessiva lixiviação de Mg e K com a utilização de doses elevadas de gesso, principalmente em solos de textura média e arenosa (ZANCANARO & TESSARO, 2006).

2.2. Métodos de aplicação de Fertilizantes Para o algodoeiro herbáceo, a eficiência de um determinado método de aplicação de adubo depende de como ele afeta as relações solo-fertilizante (HODGES, 1992). As quantidades de fertilizantes a serem fornecidos ao algodoeiro variam em função da necessidade e do modo de aplicação. No caso da aplicação de misturas de adubos no sulco de semeadura, tal sistema tem-se mostrado eficiente no fornecimento de nutrientes para o algodoeiro, na forma tradicional de cultivo. Os riscos de possíveis danos à germinação das sementes pela proximidade dos produtos salinos foram contornados com o ajuste das fórmulas que hoje contêm pouco adubo nitrogenado e com a aplicação lateral na linha de semeadura e em um nível mais profundo (FURLANI, 2005).

SILVA et. al (1982) efetuaram um estudo com a aplicação de fósforo à lanço, com o objetivo de corrigir a deficiência desse nutriente a curto prazo e de facilitar a operação de semeadura, sendo que os estudos revelaram superioridade do método de adubação no sulco sobre a adubação à lanço. No entanto os autores verificaram que, à medida que se reaplicou o fósforo à lanço, ocorreu um aumento de produtividade das plantas de algodão. Da mesma forma, IBRAGIMOV et. al (1984) obtiveram, durante quatro anos agrícolas, produtividades de 3,92, 3,45 e 3,34 t/ha para a aplicação de NPK em faixas e 3,66; 3,26 e 2,81 t/há com aplicação à lanço. Os autores verificaram que a temperatura do solo e o acúmulo de nitrato foram maiores nos tratamentos com adubação no sulco quando comparados à distribuição superficial. Não somente a abordagem técnica merece destaque, mas também o aspecto econômico, no que se refere à redução do custo de produção da cultura, como forma de viabilização para grandes áreas de produção. Embora os implementos agrícolas atuais possibilitem a execução simultânea dessas operações com relativa eficiência no aspecto técnico, na prática, alguns problemas persistem, como é o caso dos reabastecimentos de adubo e de sementes, que não ocorrem concomitantemente e que, devido às paradas frequentes, reduzem da velocidade de plantio (FURLANI, 2005).

2.3. Influência da adubação mineral no comportamento do algodoeiro O fornecimento adequado de nutrientes contribui, de forma significativa, tanto no aumento da produtividade como no aumento do custo da produção. Nesta situação, a otimização de eficiência nutricional é fundamental para ampliar a produtividade e reduzir o custo de produção. Vários fatores, como clima, solo, planta e suas interações, afetam a absorção e a utilização de nutrientes pelas plantas (ARAÚJO, 2006). FRYE & KAIRUZ (1990) destacam que há no algodoeiro, durante a fase de estabelecimento das plantas, maior absorção de fósforo, magnésio, enxofre e ferro. Na fase dos primeiros botões florais e formação das primeiras flores, o nitrogênio, o potássio, o cálcio e o enxofre são absorvidos com maior intensidade.

FIGURA 2. Marcha de absorção de nitrogênio, fósforo e potássio pelas cultivares BRS Araçá e BRS Cedro cultivadas no campo, em Dourados, MS. FONTE: Staut, L.A. - Embrapa A. O. (Carvalho et. al, 2007).

Em seu trabalho DANTAS et. al (2005) utilizaram no plantio os adubos: Sulfato de Amônia (S.A., 20% de N); Superfosfato Simples (SSP, 18% de

P2O5); e Cloreto de Potássio (KCl, 60% de K2O). Para alcançar os níveis desejados de micronutrientes, foram utilizadas 1, 2 e 3 vezes a mistura de 9, kg de Bórax + 4,0 kg de Sulfato de Cobre + 5,0 kg de Sulfato de Ferro + 4,0 kg de Sulfato de Manganês + 5,0 kg de Sulfato de Zinco. Os adubos utilizados em cobertura foram Uréia (45% de N) e KCl. Para a distribuição dos adubos de plantio, no campo, fez-se uma medida de cada adubo utilizado e aplicou-se diretamente na cova de plantio aberta a 10 cm de profundidade. Fechou-se a cova e dispôs-se a semente de algodão 5-10 cm ao lado e acima do adubo, evitando-se o contato do mesmo com a semente, que foi coberta com aproximadamente 3-5 cm de terra. Na adubação de cobertura, aplicou-se o adubo em linha cavada a 5 cm de profundidade, distanciada 30 cm do caule das plantas. Os resultados encontram-se nas Tabelas 1 e 2.

TABELA 1. Análise de variância (valores de quadrados médios) dos dados referentes ao efeito da adubação mineral com NPK + micronutrientes no município de Salgado de São Félix - PB sobre a qualidade da fibra do algodão cv. BRS 8H.

PMC: Peso médio de capulho, em g; UHM: Comprimento da fibra, em mm; UNF: Uniformidade da fibra, em %; SFI: Índice de fibras curtas, em %; STR: Resistência, em gf/tex; ELG: Alongamento à ruptura, em %; MIC: Índice micronaire, em μg/in; MAT: Maturidade, em %; Rd: Reflectância, em %; +b: Grau de amarelo; e CSP: Índice de fiabilidade.

As variáveis relacionadas à qualidade das fibras foram consideradas adequadas pela indústria têxtil de algodão.

2.3.1. Nitrogênio (N) O nitrogênio é o nutriente que o algodoeiro retira do solo em maior quantidade. É fundamental no desenvolvimento da planta, sobretudo dos órgãos vegetativos (STAUT & KURIHARA, 2001). Tradicionalmente, consideram-se as perdas por lixiviação como a principal perda de nitrogênio disponível às plantas (ARAÚJO, 2006). De acordo com FERREIRA (2003), a deficiência de nitrogênio causa redução na velocidade de floração e na duração do florescimento mais intenso, nos períodos iniciais de crescimento reduz o tamanho da planta. Por outro lado, em quantidade excessiva estimula o crescimento vegetativo com prolongamento do ciclo do algodoeiro. O excesso de nitrogênio produz plantas vigorosas, porém com pouca frutificação e abertura tardia e irregular dos capulhos (FRYE & KAIRUZ, 1990). A adubação nitrogenada em cobertura deve ser realizada até 55-60 dias após a emergência das plantas de cultivares de ciclo tardio, dividida em, no máximo, duas aplicações. Aplicações mais tardias, além de não resultarem em maior produtividade, podem induzir maior crescimento vegetativo e alongar o ciclo da planta (ROSOLEM, 2001). Em suas pesquisas OLIVEIRA & BALBINO (1995) observaram que em Palotina - PR, os tratamentos com sulfato de amônio nas doses maiores ou iguais a 50 kg/ha de N tiveram produtividade de algodão em caroço significativamente maior que a testemunha. Já em Goioerê - PR, observaram- se efeitos significativos na produtividade de algodão com 75 kg/ha de N, na forma de sulfato de amônio.

2.3.2. Fosforo (P) O fósforo tem importante função no crescimento inicial da raiz e, em consequência, sobre o enraizamento, o vigor da planta e a precocidade da cultura. É um dos nutrientes menos absorvidos pelo algodoeiro, mas quando está deficiente na planta a produção cai substancialmente. A ação do potássio é pouco conhecida, porém, sabe-se que a folha aumenta sua atividade

assimilatória e, particularmente, a síntese do carbono. A absorção de nutrientes é variável de acordo com a idade da planta (ARAÚJO, 2006). Em função do seu conhecido efeito residual e do baixo aproveitamento pelas culturas, o fósforo tende a se acumular no solo em áreas continuamente adubadas, sendo possível diminuir as quantidades aplicadas com o tempo. Na maioria dos solos cultivados com algodoeiro, na região do Cerrado, os teores de P encontram-se em níveis considerados médios, bons/adequados ou altos. Nesse caso, deve-se fazer adubação de manutenção apenas o suficiente repor a quantidade extraída pela cultura (CARVALHO et. al, 2007). Quanto ao modo de aplicação, em solos com baixos teores desse nutriente, a eficiência de uso do fertilizante pela planta é maior quando este é aplicado no sulco de semeadura, abaixo e ao lado da semente, sobretudo se for utilizada apenas a adubação de manutenção. Por outro lado, a aplicação de parte dos fertilizantes em pré-plantio é desejável, pois aumenta o rendimento da semeadora-adubadora (FERREIRA & CARVALHO, 2005).

2.3.3. Potássio (K) O K é requerido pelo algodoeiro em quantidade semelhante à de nitrogênio, podendo ser extraído do solo a taxas de até 5,6 kg/há dia-1^ durante as fases de florescimento e frutificação (CASSMAN, 1993), assim, uma lavoura de algodão de alta produtividade pode retirar mais de 250 kg ha-1 de K do solo. Na planta o K atua principalmente nos processos de fotossíntese, respiração, translocação de carboidratos, mecanismo de abertura estomática e eficiência enzimática (MALAVOLTA et. al, 1997). Dentre as fontes de fertilizantes minerais potássicos disponíveis no mercado, o cloreto de potássio (KCl) predomina na agricultura brasileira, resultado da maior disponibilidade no mercado de fertilizantes e da alta concentração de K nesse fertilizante (ECHER, 2008). Na tabela 1, tem-se os fertilizantes potássicos disponíveis e suas respectivas formulações.

micronutrientes. Embora exigidos em menores quantidades, sua carência no solo pode ser uma das causas da menor produtividade em nossas condições, pois representaria fator limitante (BELTRÃO et. al, 2010). O boro é um micronutriente importante para o algodoeiro, em virtudes de grande parte dos solos cultivados com esta malvácea apresentarem baixos teores de matéria orgânica, principal fonte de boro no solo e, também, pelo fato de sua disponibilidade ser reduzida com a elevação de pH após a calagem. Por isso, a manutenção da matéria orgânica do solo, a aplicação de uma calagem adequada e a utilização de adubos contendo boro, se torna essenciais no cultivo do algodão no Brasil (STAUT & KURIHARA, 2001). Entretanto de acordo com BELTRÃO et. al (2010), o manejo inadequado de adubos contendo boro, com uso muitas vezes utilizando dosagens superiores as exigidas pela cultura podem prejudicar mais que auxiliar na produtividade do algodoeiro. Ressaltando a importância de se conhecer as doses, fontes e os modos de aplicação deste micronutriente, a ser usado nesta cultura tão importante para economia brasileira. ROWELL & GRANT (1975) observaram que a colemanita e o borato fertilizante foram igualmente eficientes para algodão, quando incorporados aos fertilizantes NPK. Já MORTVEDT (1991) analisou que tanto a colemanita (solubilidade moderada) quanto às “fritas” (baixa solubilidade) com B foram superiores aos boratos fertilizantes (solubilidade total em água) para algodoeiro em solos arenosos sob condições de alta pluviosidade. O boro é um elemento químico essencial para o algodoeiro, sendo o principal dos micronutrientes desta espécie e, em solos com deficiência deste elemento, adubações boratadas podem elevar significativamente os níveis de produtividade. A adubação com boro deve ser feita preferencialmente no solo, na fundação ou em cobertura, devendo-se evitar a adubação foliar. A dose a ser usada e a fonte devem ser cuidadosamente determinadas, para não ocorrer problemas de excesso do produto e, assim, efeitos de toxidade. Por fim, as doses recomendadas dependendo do tipo de solo, variam entre 0,5 a 2,0 Kg de B ha-1^ (ZANCANARO et. al, 2005).

SILVA & CARVALHO (1994) apresentam uma tabela para a interpretação das análises de solo quanto ao boro extraídos por água quente, método utilizado no Mato Grosso. Teores de boro no solo extraídos com água quente de <0, 2, 0,2-0,4, 0,4-0,6 e >0,6 mg/dm^3 e teores de boro na folha de <20, 20-35, 35-50 e >50 mg/kg foram classificadas como níveis muito baixos, baixos, médio e alto, respectivamente. Na classe de disponibilidade muito baixa, a quantidade de boro recomendada foi de 1,0 a 1,2 kg/ha. Na recomendação oficial de Minas Gerais de acordo com PEDROSO NETO et. al (1999) é de aplicar 1 kg/ha de boro no sulco de plantio, em solos corrigidos, com uso generalizado de adubos contendo NPK, arenosos e, ou, com baixos teores de matéria orgânica. Quanto aos micronutrientes zinco, cobre e manganês na cultura do algodão as informações de pesquisa são escassas. Segundo SILVA (1996) a aplicação de micronutrientes para a cultura do algodão tem a seguinte recomendação: Zinco, aplicar 3 kg/ha se o teor no solo for inferior a 0, mg/dm³. SILVA (1999) comenta que o zinco foi estudado em diversas oportunidades, porém raramente mostrou resultados significativos. ROSOLEM (2001) comenta que na literatura são poucas as referências quanto a adubação de zinco na cultura do algodão. Em seu experimento sobre a Resposta da Cultura do Algodão a Adubação com Zinco, Cobre, Manganês e Boro em Solos com Textura Média e Solos com Textura Arenosa ZANCANARO et. al (2005) concluiu que as adubações corretivas com zinco, manganês, cobre e boro, não influenciaram na produtividade do algodão e que adubação corretiva de zinco, cobre e boro é uma estratégia eficiente de corrigir deficiências destes nutrientes, tendo a vantagem de apresentar efeito residual. Concluiu-se também que o rendimento de fibra e as características da fibra produzida não são influenciados pelos micronutrientes zinco, manganês, cobre e boro, nas lavouras de algodão do estado do Mato Grosso cultivadas em solos adubados a vários anos e com fertilidade corrigida, os produtores e técnicos estão utilizando micronutrientes via adubação de solo em quantidades superiores as necessárias, já que nestas condições de solo há baixa

3.0. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Diante do que pode ser observado o algodoeiro se estende em duas regiões distintas do Brasil: Região Meridional (Centro – Sul/Oeste) e Região Setentrional (Norte/Nordeste). A correção da acidez do solo e a adubação mineral têm custo elevado no cultivo do algodoeiro, sobretudo nas regiões de Cerrado, atingindo valores da ordem de 20 a 30% do custo total de manejo da cultura. Apesar disso sabe-se que se à necessidade do uso de uma adubação equilibrada, na qual se incluem não apenas os macros nutrientes primários e secundários, mas, também, os micronutrientes. O algodoeiro exige relativamente grandes quantidades de nitrogênio, quando comparado com a demanda por outros elementos, para obtenção do rendimento máximo, o problema com micronutrientes que ocorre com maior frequência é a deficiência de boro, em solos arenosos, pobres em matéria orgânica, que recebem calagem e são bem adubados com macro nutrientes, existe a possibilidade de ocorrência de deficiência de zinco, e com menor probabilidade, de manganês e de cobre que devem ser corrigidos.

4.0. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AGRINUAL. Anuário da Agricultura Brasileira. 2005. Disponível em: <www. fnp.com.br>. Acesso em: 02 de junho de 2011.

ARAÚJO, L. R. de. Resposta do algodoeiro herbáceo cultivar BRS Rubi a adubação nitrogenada e alteração do regime hídrico no solo. Areia, PB: PPGA/CCA/UFPB, 2006. 70f.: il. Tese (Doutorado em Agronomia) pelo Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal da Paraíba.

AZEVEDO, D. M. P. de; VIEIRA, D. J.; BELTRÃO, N. E. de M.; NÓBREGA, L. B. da. Efeito da adubação nitrogenada crescimento e algodoeiro irrigado. Campina Grande: EMBRAPA-CNPA, 1998. 4p. (EMBRAPA-CNPA. Documento, 81).

AZEVÊDO, D.M.P. et al. Efeito da adubação nitrogenada e do regulador de BELTRÃO et al. Fontes e Modos de Aplicação de Boro no Algodoeiro herbáceo. Revista Verde , Mossoró, Brasil, v.5, n.5, (Nº Especial) p. 01 – 07, dezembro de 2010.

BELTRÃO, N.E. de M. et al. Recomendações técnicas para o cultivo do algodoeiro herbáceo de sequeiro e irrigado nas regiões Nordeste e Norte do Brasil. Campina Grande: EMBRAPA-CNPA, 1993. 72p. (Circular Técnica, 17).

CARVALHO, G. E.; RODRIGUES, E. F.; RODRIGUES FILHO, F. S. O. Aplicação de Biossólidos na Cultura do Algodão ( Gossypium hirsutum L.) Variedade DELTA OPAL, em Condições de Casa de Vegetação. In: Congresso Brasileiro de Resíduos Orgânicos. São Luiz, MA: 2005, 15 p.

CARVALHO, M. C. S. Adubação de Cobertura do Algodoeiro Cultivado em Condições de Sequeiro na Região do Cerrado. Campina Grande, PB: Embrapa Algodão, 2007. 5p. (Embrapa Algodão. Comunicado Técnico, 347).

CARVALHO, M. C. S.; FERREIRA, G. B.; SANTOS, F. C. dos. Manejo de Solo e Respostas do Algodoeiro à Calagem e Adubação na Região de Cerrados de Goiás e Bahia. 2007. Goiânia. Disponível em: <http://www.cnpa.embrapa. br/produtos/algodao/publicacoes/cba6/palestras/1425.pdf.>. Acesso em: 02 de julho de 2011.

CASSMAN, K.G. Cotton. In: BENNETT, W.F. (Ed). Nutrient deficiencies & toxicities in crop plants. Saint Paul: APS Press, 1993. Cap. 10, p. 111-119.

DANTAS, J. P.; FERREIRA, M. M. M.; FERREIRA, G. B. Efeito Da Adubação Mineral Com NPK + Micronutrientes No Município De Salgado De São Félix - PB Sobre A Qualidade Da Fibra Do Algodão. In: V CONGRESSO BRASILEIRO DE ALGODÃO. Embrapa Algodão, 2005. Disponível em: <http://www.cnpa.embrapa.br/produtos/algodao/publicacoes/trabalhos_cba5/ 3.pdf.> Acesso em: 02 de julho de 2011.