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Tipologia: Notas de estudo
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1.1 Introdu¸c˜ao e Exemplos
este captulo introduziremos o conceito de espaco vetorial que sera usado em todo o decorrer do curso. Porem, antes de apresentarmos a de nic~ao de espaco vetorial, passe- mos a analisar em paralelo dois objetos: o conjunto formado pelas func~oes f : R → R, denotado por F (R; R) e o conjunto das matrizes quadra- das de ordem n com coe cientes reais que denotaremos por Mn(R), ou simplesmente, por Mn. A soma de duas func~oes f e g de F (R; R) e de nida como sendo a func~ao f + g ∈ F (R; R) dada por (f + g)(x) = f(x) + g(x). Note tambem que se λ ∈ R podemos multiplicar a func~ao f pelo escalar λ, da seguinte forma (λf)(x) = λ(f(x)), resultando num elemento de F (R). Com relac~ao a Mn podemos somar duas matrizes quadradas de ordem n, A = (aij)n×n e B = (bij)n×n, colocando A + B = (aij + bij)n×n, que e um elemento de Mn. Com a relac~ao a multiplicac~ao de A = (aij)n×n por um escalar λ ∈ R, e natural de nirmos λA = (λaij)n×n, o qual tambem pertence a Mn. O que estes dois conjuntos acima, com estas estruturas de adic~ao de
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seus elementos e multiplicac~ao de seus elementos por escalares, t^em co- mum? Vejamos: Veri ca-se facilmente a partir das propriedades dos numeros reais que, com relac~ao a quaisquer func~oes f, g e h em F (R; R) e para todo λ, μ ∈ R, s~ao validos os seguintes resultados:
Agora, com relac~ao a quaisquer matrizes A, B e C em Mn e para todo λ, μ ∈ R, tambem s~ao validos os seguintes resultados:
(ev7) λ(u + v) = λu + λv para todo u, v ∈ V e λ ∈ R;
(ev8) 1u = u para todo u ∈ V.
Observa¸c˜ao 1.2 E comum chamarmos os elementos de um espa co ve- torial de vetores, independentemente da natureza dos mesmos. Tam- bem chamamos de escalares os numeros reais quando estes desempe- nham o seu papel na ac~ao de multiplicar um vetor.
Observa¸c˜ao 1.3 O elemento 0 na propriedade ev3 e unico, pois qual- quer outro 0 ′^ ∈ V satisfazendo a mesma propriedade ev3 ent~ao, pelas propriedades ev3 e ev1 teramos 0 ′^ = 0 + 0 ′^ = 0 ′^ + 0 = 0, isto e, 0 = 0 ′.
Observa¸c˜ao 1.4 Em um espaco vetorial, pela propriedade ev4, para cada u ∈ V existe v ∈ V tal que u + v = 0. Na verdade, para cada u ∈ V existe somente um elemento v ∈ V com esta propriedade. De fato, dado u ∈ V se v e v′^ em V s~ao tais que u + v = 0 e u + v′^ = 0 ent~ao, combinando estas equac~oes com as propriedades ev1,ev2 e ev3, obtemos v = v + 0 = v + (u + v′) = (v + u) + v′^ = (u + v) + v′^ = 0 + v′^ = v′, isto e v = v′. Denotaremos v por −u e u − v por u + (−v).
Observa¸c˜ao 1.5 As quatro primeiras propriedades referem-se apenas a operac~ao de adic~ao e s~ao conhecidas, respectivamente, por proprie- dade comutativa, propriedade associatividade, exist^encia do elemento neutro e exist^encia do elemento inverso. A quinta e a oitava propriedades s~ao exclusivas da multiplicac~ao por escalar e tambem podem ser chamadas de associatividade e ele- mento neutro da multiplicac~ao, respectivamente. A sexta e a setima propriedades relacionam as duas operac~oes e s~ao ambas conhecidas por distributividade.
Observa¸c˜ao 1.6 A rigor, a de nic~ao de espaco vetorial que demos acima se refere a espacos vetoriais reais visto que estamos permitindo
que os escalares sejam apenas numeros reais. A noc~ao de espaco vetorial complexo pode ser feita naturalmente a partir da de nic~ao acima com as devidas mudancas. Mais precisamente, pedimos que seja satisfeitas as propriedades ev1 a ev4 e ev8 enquanto que as propriedades ev5 a ev7 devem valer para todo λ, μ ∈ C. No entanto, embora importante, n~ao usaremos o conceito de espaco vetorial complexo.
Um outro exemplo de espaco vetorial, alem dos dois apresentados no incio do texto, e o conjunto dos vetores como apresentados em Geometria Analtica munido da adic~ao e da multiplicac~ao por escalar. Dessa forma, o adjetivo vetorial utilizado na de nic~ao acima deve ser entendido de uma forma mais ampla, sendo uma refer^encia aos elementos de V independen- temente de serem ou n~ao vetores. Talvez o exemplo mais simples de espaco vetorial seja o conjunto dos numeros reais com a adic~ao e multiplicac~ao usuais. Mais geralmente, para cada n ∈ N, podemos transformar o conjunto das n-uplas ordenadas de numeros reais, Rn, em um espaco vetorial de nindo a adic~ao de duas n-uplas ordenadas, x = (x 1 ,... , xn) e y = (y 1 ,... , yn), adicionando-se coordenada a coordenada, isto e,
x + y = (x 1 + y 1 ,... , xn + yn)
e o produto de uma n-upla x = (x 1 ,... , xn) por um escalar λ ∈ R por
λx = (λx 1 ,... , λxn).
E uma rotina bem simples veri car que desse modo^ Rn^ e um espaco ve- torial. Deixamos como exerccio esta tarefa. Veri que tambem que os seguintes exemplos s~ao espacos vetoriais.
do que os anteriores e por isso mostraremos as oito propriedades. Como conjunto tomaremos V = (0, ∞), o semi-eixo positivo da reta real. Este conjunto quando agregado as operac~oes usuais de soma e multiplicac~ao n~ao e um espaco vetorial, visto que n~ao possui elemento neutro para a adic~ao. No entanto, se para x, y ∈ V e λ ∈ R, de nirmos a soma entre x e y por x ¢ y = xy, (o produto usual entre x e y) e o produto de x pelo escalar λ como λ ° x = xλ, ent~ao V se torna um espaco vetorial. De fato, veri quemos uma a uma as oito propriedades:
1.2 Propriedades
Das oito propriedades que de nem um espaco vetorial podemos concluir varias outras. Listaremos algumas destas propriedades na seguinte
Proposi¸c˜ao 1.7 Seja V um espaco vetorial. Temos
Prova:
(x, y, z, w) ∈ R^4 ; y = x, z = w^2
, operac~oes usuais de R^4.
Ex. 1.10 Termine a demonstrac~ao da proposic~ao 1.7.
2.1 Introdu¸c˜ao e Exemplos
uitas vezes nos depararemos com certos subconjuntos de um espaco vetorial que possuem a propriedade de que a soma de dois de seus elementos e um elemento do proprio subconjunto bem como quando mul- tiplicamos um elemento do subconjunto por um escalar, o resultado con- tinua pertencendo ao subconjunto.
Defini¸c˜ao 2.1 Seja V um espaco vetorial. Dizemos que W ⊂ V e um subespaco vetorial de V se forem satisfeitas as seguintes condic~oes:
(sv1) 0 ∈ W;
(sv2) Se u, v ∈ W ent~ao u + v ∈ W;
(sv3) Se u ∈ W ent~ao λu ∈ W para todo λ ∈ R.
Observa¸c˜ao 2.2 Note que todo subespaco vetorial W de um espaco vetorial V e ele proprio um espaco vetorial. As propriedades comuta- tiva, associativa, distributivas e ev8 s~ao herdadas do proprio espaco vetorial V. O elemento neutro da adic~ao e um elemento de W por
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Exemplo 2.7 Considere o seguinte conjunto S = {y ∈ C^2 (R; R); y′′^ − y = 0 } onde y′′^ representa a derivada de segunda ordem de y. Veri - quemos que S e um subespaco vetorial de C^2 (R; R).
Deixamos como exerccio a veri cac~ao de que os seguintes exemplos s~ao subespacos vetoriais dos respectivos espacos vetoriais.
Exemplo 2.8 Sejam a 1 ,... , an ∈ R e S = {(x 1 ,... , xn) ∈ Rn; a 1 x 1 +· · ·+ anxn = 0 }. Mostre que S e um subespaco vetorial de Rn.
Exemplo 2.9 O conjunto das func~oes contnuas da reta na reta, de- notado por C(R; R), e um subespaco vetorial de F (R; R).
Exemplo 2.10 O conjunto das func~oes f ∈ C([a, b]; R) tais que ∫ (^) b
a
f(x)dx = 0
e um subespaco vetorial de C([a, b]; R).
Exemplo 2.11 O conjunto das matrizes simetricas quadradas de ordem n com coe cientes reais e um subespaco vetorial de Mn(R).
Exemplo 2.12 Sejam m, n ∈ N com m ≤ n. Ent~ao Pm e um su- bespaco de Pn.
2.2 Interse¸c˜ao e Soma de Subespa¸cos
Proposi¸c˜ao 2.13 (Interse¸c˜ao de subespa¸cos) Sejam U e W subespa- cos vetoriais de V. Ent~ao U ∩ W e subespaco vetorial de V.
Prova:
Quest˜ao: Com a notac~ao da proposic~ao acima, podemos a rmar que U ∪ W e subespaco vetorial de V? Resposta : N~ao. Basta considerar V = R^2 , U = {(x, y) ∈ R^2 ; x + y = 0 } e W = {(x, y) ∈ R^2 ; x − y = 0 }. Note que (1, − 1 ) ∈ U ⊂ U ∪ W e (1, 1) ∈ W ⊂ U ∪ W mas (1, − 1 ) + (1, 1) = (2, 0) 6 ∈ U ∪ W. Se U e W s~ao subespacos vetoriais de um espaco vetorial V e V ′^ e um subespaco de V que contenha U e W, isto e, U ∪ W ⊂ V ′^ ent~ao V ′^ tera que conter todos os vetores da forma u + w, u ∈ U e w ∈ W. Isto motiva a seguinte
Defini¸c˜ao 2.14 Sejam U e W subespacos vetoriais de um espaco ve- torial V. De nimos a soma de U e W como U+W = {u+w; u ∈ U, w ∈ W}.
Proposi¸c˜ao 2.15 (Soma de subespa¸cos) Sejam U, W e V como na de nic~ao acima. Ent~ao U + W e um subespaco vetorial de V. Alem do mais, U ∪ W ⊂ U + W.
Prova: Veri quemos que U + W e subespaco vetorial de V.