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Informática Aplicada à Educação, Notas de estudo de Informática

Apostila de Informática Aplicada à Educação, das Faculdades Integradas de Jacarepaguá.

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 14/11/2009

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FACULDADES INTEGRADAS DE JACAREPAGUÁ
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APLICADA À
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FACULDADES INTEGRADAS DE JACAREPAGUÁ

INFORMÁTICA

APLICADA À

EDUCAÇÃO

SUMÁRIO

PARTE XII – A Revolução do Audiovisual foi perdida. Não percamos também a da Informática--

  • PARTE I – Histórico da Informática ----------------------------------------------------------------------
  • PARTE II – Reserva de mercado --------------------------------------------------------------------------
  • PARTE III – O uso da Informática ainda está em desenvolvimento-----------------------------------
  • PARTE IV – É preciso pensar -----------------------------------------------------------------------------
  • PARTE V – O computador dá movimento à palavra ----------------------------------------------------
  • PARTE VI – Informática & Educação --------------------------------------------------------------------
  • PARTE VII – A Era da Informática -----------------------------------------------------------------------
  • PARTE VIII - Conformar ou Transformar a Escola -----------------------------------------------------
  • PARTE IX – Do livro ao Software didático ---------------------------------------------------------------
  • PARTE X – O computador vai à escola --------------------------------------------------------------------
  • PARTE XI – Informática na pré-escola em currículos por atividades ----------------------------------
  • PARTE XIII – BIBLIOGRAFIA --------------------------------------------------------------------------

LÓGICA BINÁRIA

Os fundamentos lógicos que permitem a criação dos programas são dados por George Boole. Em 1854 publica. As leis do pensamento, estabelecendo uma forma de armazenar e processar informações utilizando relações binárias. Um sistema binário pode representar todos os números, usando apenas os algarismos 1, 2 e as potências de 2, como 4 (ou 2x2), 8 (ou 2x2x2), 16 (ou 2x2x2x2) e assim por diante. Nesse sistema de contagem, o número 13 é representado por 1101, ou seja,1 bloco de 8, 1 bloco da 4, O bloco de 2 e 1 bloco de 1 (Ver Base de contagem em C. Gerais/Matemática). George Boole (1815-1864), nasce na Inglaterra, em família sem muitos recursos, e dedica-se ao estudo de latim e grego. Torna-se professor e chega a fundar sua própria escola. Paralelamente se interessa por matemática, e começa a publicar suas idéias sobre o assunto. É considerado o pai da lógica matemática moderna por introduzir o uso de símbolos matemáticos para expressar processos lógicos de forma que estes possam ser lidos com o mesmo rigor de uma equação algébrica.

TABULADOR ESTATÍSTICO

O americano Herman Hollerith constrói, aplicando as teses de Babbage, um tabulador, usando cartões perfurados, para tornar mais rápido o processamento das estatísticas do censo de 1890 dos EUA. Seu equipamento, um computador mecânico, vence a concorrência aberta pelo governo. A empresa é bem - sucedida e depois de várias fusões e mudanças de nome se torna, em 1924, a International Business Machines Corp. (IBM).

COMPUTADOR ELÉTRICO

A partir da década de 30 são feitas várias tentativas de substituir as partes mecânicas dos equipamentos por partes elétricas com o uso dos reles. O alto custo, o tamanho imenso e a baixa velocidade de processamento são as desvantagens dessas máquinas. Na Alemanha, Konrad Zuse conclui em 1938 o primeiro modelo Z1, usando a teoria binária. Nos EUA, o matemático Howard Aiken, obtém apoio da IBM para desenvolver um computador programável, baseado em reles e em fitas perfuradas mas sem usar o sistema binário de numeração. Em 1941 ele apresenta o Mark 1, que mede 15 m x 2,5 m. É a primeira máquina capaz de efetuar cálculos complexos sem intermediação humana.

COMPUTADOR DE PRIMEIRA GERAÇÃO

A substituição dos relés por válvulas permite a criação da primeira geração de computador moderno. Na Inglaterra, em 1943, o matemático Alan Turing constrói o Colossus, um computador para missões de guerra que usava válvulas, Em 1945, nos EUA, um grupo termina a construção do Eniac (Eletronic Numerical Integrator and compuser). com a ajuda dos pesquisadores John Mauchly e J. Presper Eckert. O Eniac é duas vezes maior que o Mark 1 e mil vezes mais rápido. Na mesma época. John Von Neumann estabelece a arquitetura básica de um computador, empregada até hoje: memória, unidade central de processamento, dispositivos de entrara a saída dos dados. Chegam ao mercado os primeiros modelos de computador.

COMPUTADOR DE SEGUNDA GERAÇÃO

Em 1947 Cientistas dos Laboratórios Bell, ligados à American Telephone & Telegraph ( AT&T), criam o transistor, que faz as mesmas funções das válvulas a um custo bem menor. Mas só no final da década de 50 é que chegam ao mercado. Os primeiros modelos totalmente transistorizados, bem menores do que os a movidos a válvula e com preço acessível para as empresas privadas.

COMPUTADOR DE TERCEIRA GERAÇÃO

Em 1958 a Texas Instruments anuncia os resultados de uma pesquisa que revoluciona o mundo: O circuito integrado. Esses circuitos são um conjunto de transistores, resistores e capacitores construído sobre uma base de silício (um material semicondutor). chamado de chip. Com ele, avança a miniaturização dos equipamentos eletrônicos. A IBM é a primeira a lançar modelos com a nova tecnologia em meados da década de 60

COMPUTADOR DE QUARTA GERAÇÃO

Já no final dos anos 60, a Intel inaugura uma nova fase. Projeta o microprocessador, um dispositivo que reúne num mesmo circuito integrado todas as funções do processador central. É a base para os microcomputadores. Os microprocessadores são muito pequenos - O PowerPC 2, por exemplo, tem apenas 1.2 cm. Microcomputadores - o primeiro modelo é O Altair, baseado no microprocessador 8080 da Intel, vendido na forma de kit para aficionados da eletrônica. Em 1974 o então estudante da Universidade de Havard Bill Gates, junto com o colega Paul Allen, desenvolve o sistema operacional do Altair. Um ano depois os dois fundam a Microsoft, hoje a maior companhia de Software do mundo. Bill Gates (William Henry Gates III) (1955) por nasce em Seattle. EUA. Estuda em boas escolas e desde os 12 anos é apaixonado por computadores. Desenvolve softwares junto com o colega Paul Allen a partir de 1987. Começa a universidade em Harvard. A partir da criação do sistema operacional do Altair dedica-se à informática, abandonando a universidade. Convence outras companhias, além da IBM, a utilizarem o sistema operacional MS-DOS, da Microsoft, era seus microcomputadores. Isso permite que u m mesmo programa funcione nos micros de diversos fabricantes. É um dos homens mais ricos dos EUA e já afirmou que pretende distribuir 95% da sua fortuna. Computador pessoal - Em 1976 é a vez do Apple I, o primeiro computador pessoal, criado numa garagem pelos americanos Steve Jobs e Steve Wozniac e que revoluciona o mercado. A resposta da IBM vem 5 anos depois, quando lança seu PC (personal computer) e contrata a Microsoft para desenvolver o sistema operacional, o MS-DOS. Sua arquitetura aberta - ou seja, um sistema que podia ser licenciado por outros fabricantes - determina um padrão para o mercado. Em 1983 a IBM lança o PC XT, baseado no microprocessador 8088 e com disco rígido. A arquitetura é copiada em todo o mundo e os micros tipo PC passam a ser conhecidos pelo modelo do microprocessador que utilizam - 286, 386SX, 386DX, 486SX, 486DX - e que são cada vez mais potentes. A Intel interrompe essa série, em 1993, ao lançar o Pentium. Macintosh - Em 1984 a Apple apresenta sua resposta ao PC, o Macintosh, revolucionário na utilização do ícone - símbolo gráfico que indica um comando - o do mouse, que substitui muitas das funções do teclado. Esses recursos facilitam o uso dos micros por quem não domina a linguagem tradicional da informática, O sistema operacional equivalente da Microsoft para PC, o Windows, chega ao mercado um ano depois.

Tendências atuais

Algumas tendências se fortalecem na década de 90 o downsizing, a utilização de CD-ROM para educação e entretenimento, o crescimento da área de jogos eletrônicos e das redes de informação, a pesquisa sobre realidade virtual e inteligência artificial.

DOWNSIZING

Os Estados Unidos estão empenhados num mega - projeto - Data Superhighway ou superinfovia - que pretende conectar o país inteiro através de redes de fibras ópticas que trarão imagens, voz e dados em grande volume e de forma interativa. Os computadores, as TVs e os telefones sofrerão mudanças. Uma delas prevê a ligação de um aparelho dotado de câmera de vídeo, e set - top box, e teclado de microcomputador a uma TV para transmitir e receber ligações de telefone com imagens, ter acesso a banco de dados e a outros tipos de informação, Numa segunda etapa a superinfovia deve permitir a uma pessoa fazer compras vendo as mercadorias na tela, selecionando com o controle remoto e pagando com o cartão de crédito. No futuro, essa rede poderá ser estendida para todo o mundo com o uso de satélites,

REALIDADE VIRTUAL

Uma das áreas que mais atraem atenção é a realidade virtual - a simulação de situações reais com uso de computadores e acessórios como óculos, capacetes e luvas. Ela é usada pela NASA no treinamento de astronautas para o conserto de satélites, em arquitetura, para , por exemplo, verificar se um projeto arquitetônico é adequado ao uso de deficientes físicos; em medicina, no estudo de cirurgia; e em jogos eletrônicos. As pesquisas tentam tornar a realidade virtual cada vez mais próxima da real, aperfeiçoando as sensações visuais, táteis e auditivas e buscando incluir também as olfativas e gustativas.

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

As pesquisas nessa área procuram dar aos computadores algumas habilidades tipicamente humanas. como a capacidade de reconhecer a linguagem natural, de aprender com a experiência, de dedução e de inferência a partir de informações incompletas. O segmento mais desenvolvido, com alguma aplicação comercial, são os sistemas especialistas, um tipo de programa aplicativo que resolve problemas era áreas especificas, como diagnóstico médico e análises financeiras, a partir de regras definidas por especialistas do setor. Redes neurais - São expressões matemáticas usadas para tentar reproduzir nos computadores, por meio de circuitos integrados ou softwares de simulação, o funcionamento dos neurônios.

INFORMÁTICA NO BRASIL

O desenvolvimento é marcado por três etapas. A primeira é caracterizada pela importação de tecnologia. A segunda tem início com a reserva de mercado na área de informática. O fim desta reserva marca a terceira etapa.

PRIMEIRAS PESQUISAS

De 1958 a 1975 a informática no Brasil importa , tecnologia e trabalha, principalmente, fazendo clones de modelos importados. O processamento eletrônico de dados é centrado em grandes empresas, universidades. órgãos governamentais e agências de serviços. Em 1972 surge o primeiro computador nacional, o "Patinho Feio", construído por pós- graduandos do Laboratório de Sistemas Digitais (LSD) da USP. Em seguida, vem o Projeto G-10. desenvolvido na USP e na PUC-RJ, em 1974, com incentivo da Marinha, que queria nacionalizar os equipamentos eletrônicos de bordo. No mesmo ano é criada a Computadores Brasileiros S.A. (Cobra), primeira empresa brasileira no ramo, para transformar em realidade o projeto G.10. Dois anos mais tarde e criada a Comissão de Coordenação das Atividades de Processamento Eletrônico (Capre), um organismo interministerial responsável por traçar uma política para o setor. Parte II - RESERVA DE MERCADO

A Comissão de Coordenação das Atividades de Processamento. Eletrônico (Capre) estabelece, em 1976, que a faixa de mercado ocupada por minicomputadores e seus periféricos seria reservada para os produtos , fabricados com tecnologia nacional. Ela é extinta em 1979, no governo de João Figueiredo. Em seu lugar surge a Secretaria Especial de Informática (SFI), subordinada ao Conselho de Segurança Nacional. A reserva é estendida, então, aos microcomputadores e seus periféricos. Em 1984 o Congresso Nacional aprova a lei 7.232, mais conhecida por Lei de informática, determinando que a SEI controlaria as importações até outubro de 1992.. A indústria nacional cresce 30% ao ano, em meados da década da 80. Em 1988, é sancionada a lei 7.646, que dispõe sobre a proteção de propriedade intelectual dos softwares, baseada na lei de direitos autorais, e sua comercialização no pais. Fim da reserva - O governa de Fernando Collor acelera o fim da reserva de mercado. No final de 1991 é sancionada a lei 8.248, em substituição à 7.232, que formaliza o fim da reserva e cria incentivos para as empresas que queiram produzir suas linhas no país. Facilita também a associação entre empresas nacionais e estrangeiras. Com isso, os principais fabricantes formam joint ventures com parceiros estrangeiros. Na mesma época, um novo projeto de lei para a área de software é enviado para apreciação do Congresso Nacional. Ainda no governo Collor, a SEI transforma-se em departamento e perde muito de seu poder. No governo de Itamar Franco é transformada em Secretaria de Política de Informática e Automação (Sepin). Em 16 anos de reserva de mercado, as indústrias nacionais, com raras exceções, não conseguem criar tecnologia capaz de competir com os produtos estrangeiros. O aumento da concorrência após o fim da reserva, faz os preços caírem cerca de 50%, em 1992, e o faturamento do setor cresce cerca de 20%. Era 1993 as vendas atingem US$ 10 bilhões. Fonte: Almanaque - Abril Cultural 1996.

Parte III - O USO DA INFORMÁTICA AINDA ESTÁ EM DESENVOLVIMENTO

Um computador portátil (notebook) disponível no mercado, pode ter em sua memória o conteúdo de enciclopédias, de livros didáticos e de tudo o que qualquer estudante produzirá em sua vida escolar, pesa menos que a mochila que uma criança leva normalmente à escola e, sobre a carteira, representa um obstáculo entre ela e o professor, menor que o colega sentado a sua frente ou que um caderno aberto. É o sonho de todo adolescente que já viu um, até porque serve para muitas outras coisas, além de estudar, O preço, superior a RS 4.000,00, se contar com CD-ROM, não é, contudo, o único obstáculo a sua conversão em equipamento padrão do estudante, como o jeans e os tênis, “As pessoas têm estilos individuais de aprendizado e o uso do computador na pedagogia, na alfabetização e no estímulo à leitura pode não dar o resultado esperado, pois não existem panacéias", adverte Frederic Michael Litto, diretor da Escola do Futuro, da Universidade de São Paulo. Que o computador é útil, ninguém dúvida. Mas ainda não se sabe como utiliza-lo da melhor forma. "No papel, tudo funciona. Nos projetos experimentais também costuma funcionar direito... mas quando chega a hora da implementação em larga escala, a coisa é diferente", observa Cláudio Moura Castro em seu Livro "Educação Brasileira, Consertos e Remendos. Para o dono da Microsoft, Bill Gates, antes que os benefícios dos avanços tecnológicos se materializam. "será preciso mudar a maneira de encarar os computadores nas salas de aula". Ele lembra que, mesmo nos Estados Unidos, "muitos dos micros em uso hoje nas escolas não são suficientemente potentes para serem fáceis de usar e não têm a capacidade de armazenamento ou conexões de rede para que possam responder à curiosidade de uma criança bem informada. Uma coisa é ter o computador, outra é saber o que fazer com ele. "Uma grande parte das escolas está reavaliando seus projetos porque estão com o equipamento ocioso ou sem produzir o resultado aguardado", comenta a consultora Silvia Fichmann, coordenadora técnica do Centro de Capacitação e Treinamento da Escola do Futuro. Uma das dificuldades principais é obter programas (softwares) educativos adequados ao ensino informatizado e aos estudantes que o

O computador libera o aluno das limitações de espaço e tempo. A aquisição de conhecimentos, o seu aprofundamento e a sua aferição podem ser feitos onde e quando o computador estiver disponível. Se o equipamento for portátil, poderá ocorrer nas situações mais diversas. Isso significa um avanço na democratização do ensino já que torna possível a um aluno que esteja impossibilitado pela distância, pela falta de equipamentos, instalações ou professores no local ou no momento em que se encontra "acessar" esses recursos a distância e a qualquer tempo. Ao ampliar as possibilidades de aquisição transmissão e armazenagem de conhecimentos, a informática estimula o desenvolvimento da capacidade de raciocínio e de expressão das pessoas, No atual estágio de desenvolvimento tecnológico, esse processo dá essencialmente pela linguagem escrita. Ao contrário do que muitas vezes se afirma, os Computadores e as redes não conduzem ao isolamento prejudicando a socialização dos indivíduos. Ao invés disso, geram novas formas e oportunidades de socialização superando, também neste aspecto, as limitações de espaço e tempo.

A ESCOLA DO FUTURO

Como será a vida daqui a cem anos? A pergunta foi feita, em 1899, por uma indústria de fumo que encomendou a um artista francês, Jean Marc Côte, uma série de ilustrações sobre o assunto. Os desenhos seriam reproduzidos em "figurinhas" que acompanhariam os maços de cigarros numa promoção alusiva às festividades de início do novo século. Na concepção do desenhista, dentro de três anos - a partir de agora, naturalmente a escola que as crianças estariam freqüentando não seria muita diferente do que era então ou do que é hoje, exceto quanto a um equipamento revolucionário: movida a manivela por um menino, uma máquina tritura os livros didáticos colocados num funil pelo professor, gerando lições que são transmitidas por fios até fones de ouvidos usados por meninos compenetrados no estudo.

Informática não , dispensa o professor

Os computadores com os programas educativos não vão substituir o professor ou boa parte do material didático. O papel mais importante continua e sempre continuará a ser o do professor ou do mediador. Quem faz essa previsão não é um mestre nostálgico e viciado em pó de giz, mas Melanie Grunkraut. da empresa Byte & Brothers, responsável pela introdução no Brasil de diversos softwares voltados para a área educacional. Lançado pela IBM, em o 1983, o computador pessoal, mais conhecido por PC, tem a idade de um aluno que esteja concluindo ensino fundamental e pode ser considerado um prodígio, Sua capacidade dobra a cada 18 meses e o custo desse crescimento, ao contrário do que acontece com os adolescentes, é cada vez menor para quem o sustenta. O computador é versátil. Pode ser utilizado nas mais diversas atividades e já é difícil para qualquer pessoa passar um dia sequer sem entrar em contato com algum membro de sua turma. Mas se há uma área em que sua capacidade esta sendo superestimada, é no ensino. Segundo os maiores especialistas em informática, o PC definitivamente não tem vocação para substituir o professor, o texto em papel ou a experiência prática, pelo menos num futuro previsível. "Posso dizer enfática e inequivocamente que NÃO". Essa afirmação veemente é do homem que mais ganhou dinheiro até hoje com os computadores pessoal, Bill Gales - dono da Microsoft - e surge em seu livro "A Estrada do Futuro" quando levanta a possibilidade de substituição dos mestres de carne e osso. Para ele, "ao contrário de outras profissões, o futuro do magistério parece extremamente promissor", mas apenas "os educadores que trouxerem energia e criatividade para a sala de aula prosperarão'. O professor Seymour Papert, do Media Lab no Massachussetts Institute of Technology (MIT), um dos mais importantes centros de pesquisa tecnológica aplicada, foi o criados, no final da década de 80, do Lego/Logo - um projeto que até hoje serve como referência na utilização da informática no ensino. "Ontem, alguém do Departamento (Ministério) da Educação veio ao MIT trocar impressões acerca dos computadores na educação. Queria saber poderíamos utilizar os

computadores para não haver necessidade de professores. Tinha a seguinte idéia: vamos reunir os melhores professores do mundo e integrar num programa tudo o que sabem e como ensinam..."Papert respondeu que na escola Hennigan, onde seu projeto era desenvolvido do jardim da infância à 61 série, "estamos fazendo precisamente o contrário". Embora o professor não seja uma espécie em extinção, como gostariam alguns estudantes, nem por isso a escola e os mestres serão os mesmos na escola do futuro. O que o computador permite e exige dos responsáveis pelo ensino é uma nova atitude em relação aos alunos, aos conteúdos ensinados e ao processo pedagógico. Como descobriu Piaget, cujo centenário é comemorado neste ano, a maior parte do que uma pessoa aprende é por iniciativa própria e em interação com a realidade que a cerca. Ela constrói o seu conhecimento (dai a expressão construtivismo), não o recebe passivamente. Mas é preciso motivá-la e orientá-la. Orientar e motivar são as novas funções do professor, mais que a de um fornecedor de informações. "A mera introdução dos computadores na sala de aula não explica a razão da falta de motivação. Converte um problema social num problema tecnológico, e tenta resolvê-lo por meios técnicos. Nesse sentido, o computador serve de obstáculo a questões importantes acerca de como nossa sociedade educa e instrui as suas crianças". A critica é de outro profundo conhecedor da informática, o professor de Ciências da Computação do MIT. Joseph Weizenbam. Para a coordenadora técnica do Centro de Capacitação e Treinamento da Escola do Futuro, da Universidade de São Paulo, Silvia Fichmann, há uma mitificação do uso do computador na educação. "Nos meus projeto, o computador entra como uma ferramenta auxiliar e não como uma finalidade em si", afirma. A informática não exclui o uso do jornal na educação. Partindo dessa premissa, o jornal O Estado de S. Paulo implantou, há dois anos, o "Estado na Escola", que envolve mais de 11 mil alunos de 120 escolas. Inicialmente, o programa funcionava através de um Bulletin Board System (BBS), que apenas permitia a transmissão de textos. Em junho último, iniciou a adaptação para o sistema da Internet que torna possível a transmissão de fotos e amplia a interatividade entre os alunos, os professores e o banco de dados do jornal.

Parte IV - É PRECISO PENSAR

"Uma escola que não ensina como assistir à televisão é uma escola que não educa". Esta frase polêmica apresenta o professor Joan Ferrés Prats, doutor em Ciências da Informação pela Universidade Autônoma de Barcelona e autor do livro "Televisão e Educação", lançado no Brasil pela editora Artes Médicas. A seguir trechos principais da entrevista que ele concedeu a LER por fax: P- Seu livro é bastante crítico em relação à TV. Mas o senhor diz que a televisão só é nociva quando não se está preparado para assisti-la e propõe uma educação para o meio. Quanto ao emprego do meio para a educação, qual sua opinião? R. Creio que não se deveria dar uma educação só para o meio, mas também utilizar o meio para a educação. Esse enfoque tem duas vantagens: 1) A educação se torna mais motivadora. Normalmente os materiais extraídos da televisão são gratificantes, espetaculares, bem feitos. 2) Se prolongará a aprendizagem fora da sala de aula. Supõe-se que esses materiais extraídos da televisão se integrarão, na aula no marco de um processo de reflexão crítica de maneira que na próxima vez em que o aluno estiver em contato com imagens similares surgirão espontaneamente em sua mente, as reflexões feitas em classe. Por exemplo: se para facilitar a compreensão das figuras retóricas utilizo um fragmento extraído de um clássico da literatura, na próxima vez em que os alunos lerem esse clássico - isto é, nunca - se lembrarão da figura retórica. Se, em troca utilizo como exemplo um spot publicitário, na próxima vez em que virem um facilmente se darão conta do recurso retórico utilizado.

P-0 senhor faz uma dura crítica à escola. A escola tem futuro? Pode competir com a mídia e sobretudo com os novos meios?

Ora, pensando bem, o computador toma a palavra escrita e faz o mesmo, isto é, dá movimento à palavra. A palavra deixa de ser estática e imobilizada para sempre com tinta indelével. Ela adquire a mesma mobilidade que o vídeo dá à imagem. O computador tanto pergunta quanto responde. Nada mais é permanente. A volatilidade passa a ser a sua essência (que o digam todos os usuários que perderam arquivos por falta de luz ou por apertar uma tecia errada). E ao ser volátil e plástica, torna-se mais atraente e mais útil. A começar, o computador tem uma superborracha. Tudo se apaga, tudo se modifica. E o trabalho de fazê-lo é tão modesto que o desânimo de reescrever é atenuado. Como dizia... escrever é reescrever. Outra modesta mas relevante característica do computador é que tem uma excelente caligrafia. Para os que se assustam com a própria letra (como o autor desta nota) é uma mão na roda. E de quebra, lucram os leitores. Ademais, para crianças que não chegaram na idade da destreza motriz nos dedos, mas cuja cabeça já permite as operações de escrita e leitura passa a ser possível alfabetizar-se mais cedo. Isso se passou com minha filha que aprendeu a escrever antes de completar cinco anos e antes de sequer garranchar o próprio nome. Sentadinha no computador escrevia cartas e mais cartas para toda a família. Aliás, a IBM tem um belíssimo programa que ensina a ler crianças pobres que cronicamente encontram dificuldades invencíveis na escola. Os corretores de ortografia de tanto trocar "ç" por "ss" e de adicionar o acento no "há", acabam par nas ensinar à escrever melhor. Os corretores de gramática ainda estão nos cueiros. Acham alguns erros, deixam outras passar. No geral, chateiam mais do que ajudam. Mas isso tudo é o prefácio, pois os computadores aprendem a oferecer explicações, fazer perguntas e indicar se as respostas estão corretas. Em alguns casos, aprendem mesmo a modificar a pergunta seguinte de acordo com a resposta - mais difícil se acerta, repetitiva se erra. E sua paciência é infinita, o que não é o caso dos mestres em carne e osso. Esses talentos, naturalmente, podem ser usados de forma criativa ou burra e monótona. Afinal, o computador não fala e nem pensa, apenas vomita de volta o que aprendeu de alguém. Em um nível mais elevado, aprendem a conversar com os seus clientes. Há mesmo um programa antigão e famosa chamado Eliza que supostamente conduz uma seção de psicoterapia com o seu operador. Muitos se equivocam, pensando ser uma terapia de verdade. Mas isto tanto diz sobre os talentos de quem o programou quanto sobre as ambigüidades da psicoterapia, Daí para cá, multiplicam-se os jogos onde o usuário conversa com o computador e nesse diálogo vai descobrindo as dicas que lhe permitem vencer as sucessivas etapas. Finalmente, há o hipertexto, que é a primeira alternativa à narrativa linear do livro, tal como o conhecemos. Isso muda o conceito de, por exemplo, enciclopédias. No texto convencional, se procurarmos baleia, dá baleia e nada mais. Mamífero é outro verbete. No hipertexto, baleia liga com mamífero, que liga com classificação de Lineu e assim por diante. Entra-se por um lado e um assunto vai emendando com outro. A própria literatura de ficção aparece no CD-ROM com uma narrativa não linear, oferecendo ao leitor muitas formas alternativas de ler e, até mesmo, desfechos diferentes. Nisso tudo está o denominador comum da leitura. A custos cada vez mais modestos, o computador põe a palavra escrita no mundo vibrante da cibernética. Em outras palavras, o computador tem um extraordinário potencial para estimular, ensinar, decifrar, entender, aperfeiçoar e praticar as artes da leitura. Depois de Gutemberg, pode ser o grande avanço tecnológico, contrapondo-se aos insinuantes atrativos da imagem móvel e colorida - que tão bem navega pelas vias eletrônicas. Mas, melhor dito, uns poucos desfrutam desse potencial. Para a maioria, permanece um potencial não realizado, pois as coisas encrencam no meio do caminho. A começar, escola e computador não rimam. São mundos antagônicos. As barreiras culturais e institucionais teimosamente persistem. A maneira de conduzir o ensino travou-se na fórmula sacrossanta da sala de aula tradicional e o comutador não se entrega nessa liturgia. Ou muda-se sala de aula ou domestica-se o computador para não atrapalhe muito - a custo de que tampouco ajudará muito. Mas, obviamente estamos diante de uma ferramenta demasiado preciosa para ser jogada fora se nos

conformamos com tal impasse. Mas resolvê-lo seria assunto para outro artigo. (*) Economista, técnico do Banco Mundial.

MÍDIA ELETRÔNICA É POUCO USADA

Cinema, rádio e televisão não são Tecnologias "novas", O primeiro está comemorando seu centenário. O rádio chegou ao Brasil em 1923 e a televisão, em 1950. Embora desde o início todos fossem vistos como algo que poderia auxiliar na solução dos problemas educacionais do país por pedagogos de visão e por produtores preocupados com as questões sociais, a utilização dessas mídias com objetivos pedagógicos sempre foi descontínua e restrita a projetos específicos. De acordo com o Censo de 1991, dos 25,2 milhões de domicílios brasileiros, 19,2 milhões tinham rádio e 14,1 milhões televisão, enquanto apenas 17,3 milhões contavam com iluminação elétrica 13,8 milhões com abastecimento público de água e 12,7 milhões com geladeira. Os motivos da não-utilização intensiva com finalidades educacionais tias mídias audiovisuais e do rádio são muitos, segundo os especialistas. Os mais críticos em relação aos meios de comunicação os atribuem à natureza dessas mídias, que tenderia à frivolidade e ao entretenimento, mais que à concentração e ao raciocínio, e às características do sistema brasileiro de comunicações predominantemente privado. A pouca utilização da mídia na educação com resultados positivos em larga escala não é um fenômeno brasileiro. "Os historiadores das tecnologias de educação documentaram essa evolução desde o rádio, cinema, e diapositivos até a televisão, instrução programada e computadores. Em cada um dos casos, afirmava-se que a nova tecnologia substituiria os livros de texto, seria uma extensão da sala de aula ou um complemento de algumas funções de educação. Contudo, não há "indícios significativos da utilização revolucionária das várias tecnologias de educação ". concluíram de forma desalentadora Donald Ely e Tjeerd Plomp num artigo incluído na coletânea "Informática e Sociedade I", organizada por Tom Forester. O sociólogo alemão Teodor W. Adorno, criador da expressão "Indústria Cultural" e freqüentemente citado nas críticas à mídia eletrônica, tinha na verdade, uma visão favorável da televisão como instrumento de modernização das relações sociais e dos costumes. Ele era implacável com os moralistas que defenderiam que defendiam a TV deveria mostrar "uma vida familiar positiva". "Considero esta frase... tão horrenda que, se precisasse caracterizá-la, me faltariam os termos diplomáticos exigidos pelo código vigente das telecomunicações", afirmou durante um antológico debate transmitido pelo rádio, em 1969. "Se, em regiões tão atrasadas em meio à países de resto altamente desenvolvidos, a televisão - possa induzir os trogloditas a abandonarem suas cavernas, eu me alegraria ... mesmo que por essa via aprendam certos costumes eróticos", afirmou naquela ocasião. A maior dificuldade, até hoje, na utilização pedagógica da mídia eletrônica é a adaptação dos conteúdos à linguagem dos meios. "A tarefa que se coloca seria encontrar conteúdos e produzir programas apropriados em seu conteúdo para esse veículo, e não impostos ao mesmo a partir de seu exterior", observou Adorno no mesmo debate. Usar a televisão convencional para dar aulas, segundo o ex-presidente da Fundação Anchieta (TV Cultura) Roberto Muylaert, é ineficaz, desperdício. "Educação a distância é gerar programação e entrar na escola via satélite. As escolas gravariam e criariam videotecas", afirmou numa entrevista antes de assumir o cargo de Secretário da Comunicação Social no Governo Fernando Henrique Cardoso, Para Nelson Pretto, professor da Universidade Federal da Bahia é autor do livro "Uma Escola Sem/Com Futuro - Educação e Multimídia", é a escola que até hoje se manteve de costas para os meios de comunicação. Ele considera que é a escola que tem que ser repensada. O ensino com professor e turma em sala de aula durante 50 minutos é incompatível com as novas tecnologias, diz ele acrescentando que a televisão e a informática tomaram o lugar da escola como fonte de informação. O novo papel do ensino público é dar oportunidade a todos de acesso a essas tecnologias de forma crítica, com o professor atuando como mediador. Mas para isso é preciso formar esse novo profissional.

Em segundo lugar, é de nosso conhecimento que grande pane do material relatando os resultados deste projeto só se encontra em atas de congressos sobre informática educativa, tendo portanto divulgação restrita ou quase nenhuma. É importante acrescentarmos que a introdução da informática na educação ainda é, no Brasil, um processo muito incipiente, retardado pelos altos custos que o envolvem em contraste com nossa critica disponibilidade de recursos para a educação pública, Desta forma, salvo exceções como o Projeto EDUCOM, informática e educação têm se encontrado mais no âmbito do ensino privado, muitas vezes através do trabalho de empresas ou profissionais especializados em vender este tipo de produto educativo. Estas condições têm afastado a temática da universidade e da reflexão acadêmica. Dentre as principais aplicações da informática na educação, acessíveis aos educadores brasileiros, a linguagem LOGO tem se destacado e está por trás de muitas das referências estudadas nos artigos. Outras experiências e recursos, de alcance mais restrito, são pouco ciadas, embora não sejam menos importantes. O LOGO é uma linguagem de programação bastante acessível as crianças e jovens, criada a partir de conceitos construtivistas, com o objetivo de auxiliar no desenvolvimento do raciocínio lógico e matemático. Por sua simplicidade técnica, flexibilidade e potencial de desenvolvimento para a geração de outros softwares educacionais, o LOGO vem sendo de grande aceitação em muitos países. Aliás, alguns grupos de educadores envolvidos com o Projeto EDUCOM pesquisam os recursos educacionais desta linguagem, como é o caso de Cysneiros (1991), Falcão (1989), Moreira (1986) e Santarosa (1988). Em termos de linha psicopedagógica, os autores tendem mais para o construtivismo, o que aparece textualmente através de referências a Piaqet e outros teóricos, e reforçado quando se recortam ao LOGO. Já artigos como o de Leffa (1991) e o de Machado (1988) sugerem uma linha behaviorista. apesar disso não ser assumido textualmente. O projeto EDUCOM foi uma iniciativa do governo brasileiro de promover pesquisa em informática educativa. Foram escolhidas cinco universidades brasileiras (UFRJ, UFMG, UFPR, UNICAMP e UFRGS) onde foram desenvolvidos trabalhos nesta área a partir de 1984.

PRINCIPAIS QUESTÕES DISCUTIDAS NOS ARTIGOS

A informática da educação ainda é, no Brasil, um processo muito incipiente, retardado pelos altos custos que o envolvem em contraste com nossa crítica disponibilidade de recursos para a educação pública.

1. Informática Educativa e Sociedade Alguns autores admitem que os problemas da relação escolar nascem na sociedade, do próprio protejo de sociedade e de escola que se pretende, e que, portanto, os grandes problemas da educação são de natureza política. E por isso que Vitale (1991) e Cysneiros (1991) não acreditam nos computadores como a solução milagrosa para os problemas educacionais, o que não implica, segundo eles, rejeitar o uso do computador. Cysneiros (1991) acredita que a preocupação com aspectos sociológicos de um modelo brasileiro de uso da informática na educação esteve presente desde as primeiras ações na área - através do Projeto EDUCOM. Na opinião de Moreira (1986), a utilização do computador deve levar em conta a análise dos valores culturais, sócio-políticos e pedagógicos da realidade brasileira. Mas é o artigo de Candau (1991) que oferece uma visão mais ampla e critica quanto aos aspectos sociológicos da informática educativa: a autora defende a idéia de que a tecnologia deve sofrer um tratamento educacional partindo da natureza específica do processo pedagógico para somente então contribuir com a solução dos graves problemas que enfrenta o nosso sistema de ensino. Outro aspecto que relaciona informática educativa e sociedade levantado por alguns autores como Machado (1987), Moura(1977) e Leffa (1991), é o de que sendo inconteste a presença dos computadores nos mais varia dos setores sociais, é "natural" que haja uma corrida por essa

tecnologia nos meios educacionais. Este argumento parece estar presente no restante dos artigos, mesmo que não de forma explícita: ao serem discutidos vários outros aspectos da relação entre informática e educação os autores assumem que a sua introdução na educação é inevitável.

2. Informática Educativa e Ensino Público Vários autores discutem a relação entre informática educativa e ensino público. Cysneiros (1991) procura justificar o investimento em informática educativa na escola pública chamando a atenção para a crescente discriminação entre escola do povo e das elites, uma vez que a escola particular de boa qualidade vem utilizando há algum tempo o microcomputador no ensino da informática. Há ainda, em sua opinião, a demanda da população pelo domínio do computador, a visão de pais de alunos associando cursos de computação a melhores oportunidades de emprego e a facilidade proporcionada pelo computador para se lidar com grandes volumes de dados da escola, Falcão (1989) também defende a. introdução do computador na escola pública e para isso argumenta com o relato de uma experiência feita em Recife, que embora não conte comum a avaliação formal, lhe possibilitou algumas conclusões que derrubam o mito de que computador e escola pública brasileira não combinam. O artigo de Peixoto (1984) acentua a separação apontada por Cysneiros (1991) entre a escola pública e a particular quanto ao uso da informática, considerando que a falta de projetos voltados para as escolas públicas pode ampliar a distância entre a população carente e os alunos da escola particular. Esta também é a visão de Chaves (1983), que acredita que, se o poder público não intervier, somente as escolas que atendem ás elites terão acesso ao uso do computador, o que poderá acentuar as diferenças entre as classes sociais. Há também o problema do desnivelamento com relação aos países desenvolvidos. Chaves(1983) acredita que deveríamos fazer um esforço maciço para nos capacitar na área da informática aplicada à educação, para evitar o aumento da distância entre nós e os países desenvolvidos. Dentro desta perspectiva, parece haver consenso entre especialistas - segundo entrevista realizada por Peixoto (1984) com educadores, antropólogos, sociólogos, psicólogos e especialistas em informática - ao considerarem que a área de informática é de importância estratégica por estar provocando no mundo uma "nova revolução industrial". Os especialistas entrevistados defendem que o meio acadêmico se preocupe em tornar-se competente em todos os setores desta área, e portanto também na aplicação da informática na educação. Embora haja consenso entre os entrevistados por Peixoto (1984) a autora destaca críticas que foram feitas por alguns deles no sentido de que existem problemas na escola pública muito mais sérios e que necessitam ser atacados prioritariamente, tais como a falta de telhas, de carteiras, a merenda escolar etc. Só depois que isto estiver solucionado é que se poderá falar em uso do computador nas escolas públicas brasileiras. Falcão(1989),no entanto, aponta esta "teoria da ordem de aquisição necessária" como um argumento que corrobora o mito de que computador e escola pública não combinam contrariando o consenso sobre a importância estratégica da informática. Além disso, como chama atenção um dos entrevistados de Peixoto (1984) os recursos que seriam investidos nesta área, através de programas como o EDUCOM, dificilmente seriam investidos em telhas, merenda escolar, etc. De fato, há algo de, no mínimo, bizarro na imagem de uma escola equipada com computadores mas sem janelas e carteiras, com infiltrações pelas paredes e com goteiras no texto. Mas há escolas públicas onde há mais condições e recursos disponíveis e onde experiências positivas como o EDUCOM podem ser realizadas. O que autores como Falcão e Peixoto estão defendendo é que a preocupação coma informática educativa no âmbito da escola pública chegue a tempo de diminuir a distância entre ela e a escola particular, além da defasagem com relação ao ensino dos países desenvolvidos, e acenam com essas experiências como uma possibilidade. 3. Aspectos técnicos da Informática Educativa Alguns autores se preocupam em discutir os aspectos técnicos relacionados ao universo da informática aplicada a educação. Há mesmo o cuidado de alguns artigos em apresentar de forma

programas construídos para e pelos alunos, e argumenta que deve-se evitar que a informática se torne uma disciplina isolada na escola e no currículo escolar. É oportuno lembrar que o artigo de Vitale (1991) foi publicado numa revista um tanto distante da categoria de periódico educacional - a Ciência Hoje - e que o autor escreve a partir de experiências desenvolvidas no ensino europeu. Isso deixa entrever que a consideração da informática no planejamento pedagógico e sua integração ao currículo no ensino brasileiro, como aparece nos artigos, ainda é um problema tratado de forma periférica e pouco sistematizada.

5. Informática educativa e desenvolvimento cognitivo Cysneiros(1991)encara como mito a crença de que o uso do computador desenvolve a inteligência e afirma ainda não ter encontrado evidências significativas a favor do uso do computador como gerador de inteligência geral. Entretanto, Moreira (1986) acredita que as possibilidades de ensino e aprendizagem viabilizadas pelo microcomputador dentro de uma perspectiva construtivista podem se converter em um instrumento fundamental para a emergência de certos níveis de desenvolvimento da inteligência, Falcão (1989), por sua vez, considera que apesar de muitas das propostas atuais para o uso do computador em sala de aula terem eficácia duvidosa quanto ao desenvolvimento cognitvo, isto não deveria implicar no abandono dessas experiências, mas na busca do seu refinamento. As possibilidades da aprendizagem da linguagem LOGO como algo capaz de promover o desenvolvimento da inteligência são discutidas por diversos autores. Chaves (1983) acredita que o pleno potencial pedagógico dos computadores só será explorado se o aluno aprender a programar em LOGO, pois estarão aprendendo princípios, técnicas e habilidades que o ajudarão no aprendizado subseqüente e farão dele um melhor solucionador de problemas. Vitale (1991) lembra que a programação simples - para a qual ele considera a linguagem LOGO adequada - permite descobrir as estruturas do pensamento que foram acionadas para enfrentar o problema e aprender a expressar problemas e suas soluções como um todo orgânico. O trabalho de Santarosa e outros (1988) considera, a partir de dados experimentais, que a metodologia LOGO é de grande ajuda no desenvolvimento intelectual de deficientes mentais educáveis. Nos artigos, quando há referência ao LOGO, existe uma quase unanimidade a seu favor. O único autor a questionar de forma consistente o LOGO é Santos (1989b), contrapondo que esta filosofia ignora a passagem, na criança, da intuição a inteligência, super - valorizando o pensamento analítico em detrimento da intuição. Santos argumenta que o intelecto deve estar a serviço da intuição e não o contrário, como supõe o LOGO. A falta de uma maior quantidade de experiências concretas de utilização de informática na educação dificulta o estudo de sua relação com o desenvolvimento cognitivo. Uma solução seria os autores recorrerem mais a literatura estrangeira com experiências de outros países, mas isto não ocorre nos artigos. Portanto, a questão do computador como instrumento capaz de desenvolver a inteligência, segundo os artigos pesquisados, fica em aberto. 6. Aspectos Filosóficos e Informática Educativa Moura (1977) é praticamente o único autor a colocar a questão da informática educativa no campo da filosofia. Para ele, o computador não é capaz de abranger a totalidade dos aspectos da educação e da vida humana. Por trás de uma aparente neutralidade, o computador é expressão em forma de máquina da consciência objetiva. Moura ainda levanta questões sobre a nova ordem escolar: que aluno? que escola? que mestre surgirá nesta nova ordem educacional inaugurada pelo computador? O autor apresenta, contudo, uma visão por demais apocalíptica de uma escola totalmente automatizada, refletindo sobre a sociedade sem escola de lllich. Pergunta, por fim, se não estamos testemunhando o surgimento de uma antropologia feita sem o homem. Chaves (1983) também faz uma breve referência aos aspectos filosóficos do computador na educação. Segundo este autor, experiências como o LOGO estão configurando uma nova opção

filosófica em educação em que o computador, se propriamente utilizado, permitirá alcançar de uma forma nunca antes possível a metade uma educação que ocorre através do fazer, do explorar, do descobrir. A discussão filosófica, embora seja de grande relevância para o tema da informática educativa, contribui pouco para a área, pela forma pouco consistente e sem profundidade com que aparece tratada nos artigos.

7. Resultados de Pesquisas e Experiências Como já colocamos anteriormente, este importante aspecto é especialmente pobre nos artigos, o que limita a discussão. Muitos autores se referem ao projeto EDUCOM, ao qual estão relacionadas muitas pesquisas, mas somente alguns o aprofundam. Apenas três dos artigos estão centrados no relato de experiências concretas: Santarosa e outros (1988), Cysneiros (1991) e Valente (1988). O artigo de Santarosa apresenta os resultados de uma experiência realizada com deficientes mentais educáveis, oferecendo uma ampla reflexão sobre aspectos cognitivo se muitos dados estatísticos do grupo pesquisado. O objetivo da pesquisa foi a busca de uma alternativa metodológica para trabalho com deficientes. O trabalho com o LOGO demonstrou favorecer o desenvolvimento afetivo e contribuiu para as realizações pessoais e o comportamento emocional dos sujeitos estudados; as interações com o microcomputador favoreceram ainda o desenvolvimento cognitivo e o desempenho escolar, melhorando a conduta social e individual. Cysneiros (1991), escrevendo sobre os aspectos sociológicos da informática educativa, refere- se a pesquisa de seu grupo da UFPE sobre atitudes dos professores frente ao computador. O trabalho apresentou como resultado que, apesar de muitos revelarem desconhecimento do assunto, existe uma atitude bastante positiva dos mestres com relação ao computador e uma expectativa positiva quanto a sua utilização em educação.. Já o trabalho de Valente(1988) apresenta as conclusões de uma pesquisa feita com um grupo de adultos, utilizando o LOGO, com o objetivo de estudar o tipo de lógica por eles utilizada na interação com o computador. O trabalho, apesar de estudar um grupo de apenas seis mulheres de 25 a 35 anos, apresenta conclusões interessantes, como a de que os adultos, frente à experiência, demonstraram raciocínio inferior a sua capacidade em outras áreas, sugerindo explicações alternativas ao estado de equilibração postulado por Piaget. Além desses, há o artigo de Falcão (1989), que recorre a experiência do EDUCOM de Pernambuco para refletir sobre possibilidades da introdução do computador na escola pública. Este ponto é tratado dentro de uma discussão mais geral do artigo a respeito dos vários mitos que envolvem o uso do computador em educação. A pequena quantidade de artigos relatando estudos experimentais está, a nosso ver, impedindo posturas mais consistentes na área da informática na educação. Como sabemos, a maior parte das experiências está ocorrendo nas escolas particulares, o que contribui pouco para o conhecimento sobre a área, De fato, há pouco interesse dessas educação: Candau (1991). Cysneiros (1991). Valente (1988) e Vitale (1991). Sem tirar mérito aos demais, nestes textos são levantadas as questões mais agudas do tema. No entanto, entre os artigos pesquisados, não há aquele que ofereça ao leitor um cruzamento simultâneo dos aspectos técnicos, educacionais, cognitivos e sociológicos, numa visão não fragmentada, Também é de se notar que, com freqüência, os autores resvalam nas principais questões por eles mesmos levantadas - embora esgota-las possa ser uma pretensão em artigos tão curtos. Em muitos textos, é comum a expectativa do leitor ser provocada por propostas instigantes de reflexão, para em seguida se concluir a leitura com a sensação frustrante de que muito pouco do proposto foi aprofundado, Como motivo para isso, podemos levantar o problema da relativa novidade do assunto no campo educacional brasileiro e a conseqüente escassez de elementos empíricos, o que leva a discussão para um campo mais teórico e especulativo, deixando muitas questões ainda sem resposta.