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algebra-linear UEPA
Tipologia: Notas de estudo
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ESPAÇOS VETORIAIS
Seja um conjunto V , não vazio, sobre o qual estão definidas as operações de adição e multiplicação por escalar, isto é:
O conjunto V com estas duas operações é chamado espaço vetorial real se forem verificados os seguintes axiomas:
A) Em relação à adição: A 1 ) ( + ) + = + ( + ), , , V A 2 ) + = + , , , V A 3 ) 0 V, V, + 0 = A 4 ) V, (- ) V, + (- ) = 0
M) Em relação à multiplicação por escalar: M 1 ) ( ) = ( ) M 2 ) ( + ) = + M 3 ) ( + ) = + M 4 ) 1 = para , , IR
ESPAÇOS VETORIAIS – Capítulo 1
A 4 ) = (x 1 , y 1 ) IR^2 , (- ) = (-x 1 , - y 1 ) IR^2 ,
M 2 ) ( + ) = ( + ) (x 1 , y 1 ) = (( ) x 1 , ( + ) y 1 ) = ( x 1 + x 1 , y 1 + y 1 ) = ( x 1 , y1) + ( x 1 , y 1 ) = (x 1 , y 1 ) + (x 1 , y 1 ) = +
M 3 ) ( + ) = ((x 1 , y 1 ) + (x 2 , y 2 ) = (x 1 + x 2 , y 1 + y 2 ) = ( (x 1 + x 2 , (y 1 + y 2 )) = ( x 1 + x 2 , y 1 + y 2 ) = ( x 1 , y 1 ) + ( x 2 , y 2 ) = (x 1 , y 1 ) + (x 2 , y 2 ) = + M 4 ) 1 = 1 (x 1 , y 1 ) = (1x 1 , 1y 1 ) = (x 1 , y 1 ) =
ESPAÇOS VETORIAIS – Capítulo 1
da Geometria Analítica^1 , pode-se dizer, estendendo a idéia, embora sem representação geométrica, que uma quádrupla ordenada de números reais (x 1 , x 2 , x 3 , x 4 ) é um ponto ou um vetor do IR^4 e que uma n-upla ordenada de números reais (x 1 , x 2 , x 3 , ..., xn) é um ponto ou um vetor do IRn. Analogamente, os conjuntos IR^3 , IR^4 , ..., IRn são também espaços vetoriais com as operações usuais de adição e multiplicação por escalar. A verificação dos oito axiomas para esses conjuntos é análoga à do IR^2.
O conjunto IR , em relação às operações usuais de adição e de multiplicação por escalar é um espaço vetorial. De fato, sabe-se que a adição de números reais satisfaz os axiomas A 1 , A 2 , A 3 e A 4 e que, na multiplicação, se verificam os axiomas M 1 , M 2 , M 3 e M 4.
O conjunto das matrizes M(m, n) com as operações de adição e multiplicação por escalar, definidas nos itens A.8 e A.9 do APÊNDICE, é um espaço vetorial. Em particular, o conjunto das matrizes quadradas Mn é um espaço vetorial em relação às mesmas operações.
O conjunto IR^2 = {(a, b) / a, b IR} não é um espaço vetorial em relação às operações assim definidas:
(a, b) + (c, d) = (a + c, h + d)
k (a, b) = (ka, b), k IR
Como a adição aqui definida é a usual, verificam-se os axiomas A 1 , A 2 , A 3 e A 4 de espaço vetorial, conforme se viu no Exemplo 1. Logo, não devem se verificar alguns (ou algum) dos axiomas relativos à multiplicação.
Sejam = (x 1 ,y 1 ), v = (x 2 , y 2 ) e , IR
M 1 ) ( ) = ( ) (x 1 , y 1 ) = (( ) x 1 , y 1 ) = ( ( x 1 ), y 1 ) = ( x 1 , y 1 ) = ( (x 1 , y 1 )) = ( )
(Este axioma se verifica)
(^1) Ver Geometria Analítica. Alfredo Steinbruch e Paulo Winterle, Editora McGraw-Hill.
ESPAÇOS VETORIAIS – Capítulo 1
multiplicação por escalar. Entretanto, como S é parte de V (que é espaço vetorial), não é necessária essa verificação. Para citar só um exemplo, o axioma A 2 ( + = + ) não precisa ser examinado porque se a comutatividade da adição é valida para todos vetores de V , ela valerá para todos vetores de S. A seguir, as condições para um subconjunto S ser subespaço vetorial de V.
I) Para quaisquer , S, + S.
II) Para quaisquer IR, S, S.
De fato: se é um vetor qualquer de S , pela condição II , S para todo IR. Fazendo = 0, vem 0 S , ou seja, 0 S (axioma A 3 ); fazendo = -1, tem-se (-1) = - S (axioma A 4 ). Os outros axiomas A 1 , M 1 , M 2 , M 3 e M 4 de espaço vetorial são verificados em S por ser S um subconjunto não-vazio deV.
ESPAÇOS VETORIAIS – Capítulo 1
I) + = (x 1 + x 2 , 2x 1 + 2x 2 ) = (x 1 + x 2 , 2(x 1 + x,)) S pois a segunda componente de + é igual ao dobro da primeira.
II) = (x 1 , 2x 1 ) = (ax 1 , 2ax 1 ) S pois a segunda componente de é igual ao dobro da primeira.
Portanto, S é um subespaço vetorial do IR^2_._ Esse subespaço S repre- senta geometricamente uma reta que passa pela origem do sistema de referência (Fig. 1.3).
ESPAÇOS VETORIAIS – Capítulo 1
= (x 2 , y 2 , z 2 ) S implica 2x 2 + 3y 2 - 4z 2 = 0
I) Somando, membro a membro, as duas igualdades, vem: 2(x 1 + x 2 ,) + 3(y 1 + y 2 ) – 4(z 1 + z 2 ) = 0
Essa igualdade mostra que:
pois as coordenadas de + satisfazem a equação 2x + 3y - 4z = 0.
II) Por outra parte, = (ax 1 , ay 1 , az 1 ) S,
pois, se
2x 1 + 3y 1 - 4z 1 = 0, então
(2x 1 + 3y 1 - 4z 1 ) = 0
ou
2( x 1 ) + 3 ( y 1 ) - 4( z 1 ) = 0,
o que demonstra que as componentes de satisfazem a equação 2x + 3y - 4z = 0. Logo, S é um subespaço vetorial do IR^3. Esse subespaço S representa um plano passando pela origem do sistema de referência.
x y z
x y z
x y z
Fazendo:
e z
y
x A X
o sistema, em notação matricial, será dado por AX = 0, sendo X elemento do conjunto- solução S. Se
2
2
2 2 1
1
1 1 z
y
x e X z
y
x X
são soluções do sistema, então:
ESPAÇOS VETORIAIS – Capítulo 1
AX 1 = 0 e AX 2 = 0
I) Somando, membro a membro, as duas igualdades, vem:
A (X 1 + X 2 ) = 0, o que implica X 1 + X 2 S,
isto é, a soma de duas soluções é ainda uma solução do sistema.
II) Por outra parte, multiplicando por a a primeira igualdade, vem:
(AX 1 ) = 0 ou A( X 1 ) = 0, o que implica X 1 S, isto é, o produto de uma constante por uma solução é ainda uma solução do sistema. Logo, o conjunto-solução S do sistema linear homogêneo é um sub-espaço vetorial de M(3, 1). AX=O. O subespaço S é também chamado espaço-solução do sistema AX = 0. Se um sistema linear é não-homogêneo, o seu conjunto solução S não é um subespaço vetorial (verificação a cargo do leitor).
abcd IR c c
a b V M 2 ; , , , e ; , , 0
a c IR c
a S
isto é, S é o conjunto das matrizes quadradas de ordem 2, cujos elementos da segunda coluna são nulos.
Para quaisquer
S c
a S c
a 0
2
2 1
(^1) e IR ,tem-se:
Logo, S é um subespaço vetorial de M 2.
Sejam os vetores v 1 , v 2 , ..., vn do espaço vetorial V e os escalares a 1 , a 2 an. Qualquer vetor v V da forma = a 1 1 + a 2 v 2 + ... + an n
é uma combinaçao linear dos vetores v 1 , v 2 , .., vn.
ESPAÇOS VETORIAIS – Capítulo 1
Solução
Deve-se mostrar que não existem escalares a 1 e a 2 , tais que: v = a 1 v 1 + a 2 v 2
Utilizando procedimento análogo ao do problema anterior, vem:
(4, 3, -6) = a 1 (l, -3, 2) + a 2 (2, 4, -1) (4, 3, -6) = (a 1 , -3 a 1 , 2 a 1 ) + (2a 2 , 4a 2 , -a 2 )
(4, 3, -6) = (a 1 + 2a 2 , -3 a 1 + 4a 2 , 2 a 1 - a 2 )
Desta última igualdade, resulta o sistema:
sistema esse que é incompatível, o que comprova não poder o vetor v ser escrito como combinação linear de v 1 e v 2.
Solução: Deve-se ter: =a 1 v 1 + a 2 v 2
(-l, k , -7) = a 1 (1,-3,2) + a 2 (2, 4, -1) (-1, k , -7) = (a 1 , -3 a 1 , 2 a 1 ) + (2a 2 , 4a 2 , -a 2 ) (-1, k , -7) = (a 1 + 2a 2 , -3 a 1 + 4a 2 , 2 a 1 -a 2 )
Dessa igualdade, vem o sistema
do qual resulta, como solução do problema proposto, k = 13 (a 1 = - 3 e a 2 = 1). De fato:
(-1, 13, - 7) = - 3 (1, - 3, 2) + 1 (2, 4, - 1) = (-3, 9, - 6) + (2, 4, - 1) = (-1, 13, -7)
ESPAÇOS VETORIAIS – Capítulo 1
Solução
(5,2) = a 1 v 1 + a 2 v 2 + a 3 v 3 (5,2) = a 1 (1,0) + a 2 (0, 1) + a 3 (3, 1) (5,2) = (a 1 , 0) + (0, a 2 ) + (3a 3 , a) (5,2)=(a 1 +3a 3 , a 2 + a 3 ).
Dessa igualdade resulta o sistema
ou
e, portanto, para cada valor arbitrário atribuído a a 3 se obtém um valor para a 1 e outro para a 2. Assim, o vetor v pode ser escrito de infinitas maneiras como combinação linear dos vetores v 1 , v 2 e v 3.
Sejam V um espaço vetorial e A = { v 1 , v 2 , ..., v n} V, A. O conjunto S de todos os vetores de V que são combinações lineares dos vetores de A é um subespaço vetorial de V. De fato, se
= a 1 v 1 + a 2 v 2 + ... anvn
e
v = b 1 v 1 + b 2 v 2 + ... + bnvn
são dois quaisquer vetores de S, pode-se escrever:
I) + v = (a 1 + b 1 ) v 1 + (a 2 + b 2 ) v 2 + ... + (an + bn) v n
II) = ( a 1 ) v 1 + ( a 2 ) v 2 + ... + ( an) v n,
isto é, + v S e S por serem combinações lineares de v 1 , v 2 , ..., v n_._ Logo, S é um subespaço vetprial de V. O subespaço S diz-se gerado pelos vetores v 1 , v 2 , ..., v n , ou gerado pelo conjunto A e se representa por S = [ v 1 , v 2 , ..., v n] ou S = G(A). Os vetores v 1 , v 2 , ..., v n são chamados geradores do subespaço S, e A é o conjunto gerador de S.