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Reportagem sobre Algoritmo
Tipologia: Notas de estudo
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m setembro, três rapazes de Manaus passaram pelo lob- by do Windsor Barra Hotel, no Rio de Janeiro; o lobby impres- siona pelas paredes laranja, as mesas de mármore, as poltronas desenhadas para conversas sobre o melhor bistrô de Paris. Do lob- by, os rapazes seguiram para as salas de convenções, onde numa delas ocorria a Olimpíada de Al- goritmo 2011. Na cabeça dos lei- gos, algoritmos estão associados a computadores: quem escreve algoritmos na verdade programa computadores. Contudo, na sala em que os três rapazes tiveram quatro horas para produzir um algoritmo, não havia nenhum computador ou calculadora: ti- veram de usar papel, caneta e cérebro. Entregaram o algorit- mo uns poucos minutos antes do prazo. "Não dava para testar se o programa funcionava", diz um deles. No Rio de Janeiro, pela primeira vez viram o mar. Gos- taram da vista, mas não da sen- sação. "A água é muito salgada", diz um deles. "Prefiro o rio."
José Alberto Morais, de 18 anos, Luiz Rodrigo Silva, de 16 anos, e Tyller Jor el, de 16 anos, são os três rapazes de Manaus; eles formaram um time e venceram a olimpíada deste ano. Os três es- tudam no terceiro ano do curso técnico de informática do Institu- to Nokia de Ensino. Não se inco- modaram de escrever o algoritmo vencedor só com papel, caneta e cabeça, pois gostam de matemá- tica. "A programação", ensina Rodrigo, "é só uma parte da mate- mática." Mesmo assim, adoraram o presente da Hostnet, a empresa responsável pela olimpíada: um notebook novo em folha para cada um. Fora as medalhas.
Os três querem concluir o en- sino médio, fazer um estágio no ano que vem, prestar vestibular e entrar no curso de ciência da com- putação na Unicamp. Antes disso, ' contudo, precisam passar nas pro- vas de português. Os três reconhe- cem: são campeões olímpicos de algoritmos, são especialistas na linguagem de programação portu- gol, e são péssimos de português. "Essa matéria é um grande proble- ma", diz Tyller Jor'el.
Na parede da sala José passa horas na frente do computador, tão concentrado que não ouve o telefone nem percebe que choveu. "Nem sei por que ele tem aquele telefone", diz a mãe. Quando amigos e parentes lhe perguntam o que tanto ele faz ao computador, José responde pro- nunciando as palavras a uns 2 0 0 quilômetros por hora: "Tento en- sinar ao computador como fazer uma tarefa." Numa olimpíada, cada equipe escreve seu algoritmo numa lin- guagem de programação genérica, conhecida como pseudocódigo. Cada linguagem de programação (C, C#, Java, Visual Basic, Python, Perl, PHP, entre tantas outras) tem suas características técnicas; os programadores escrevem algorit- mos em pseudocódigo para ter um texto comum sobre o qual conver- sar com colegas especializados em linguagens diferentes. Livros sobre aspectos genéricos dos algoritmos mostram exemplos em pseudocó- digo. Na olimpíada, José, Rodrigo e Tyller usaram portugol, que é um pseudocódigo em português. "Os organizadores queriam um códi- go limpo", explica Rodrigo, "um código que pudesse ser atualizado depois."
A primeira etapa da olimpí- ada foi realizada em agosto, via internet; 51 escolas do Brasil in- teiro disputaram. Em Manaus, os três rapazes usaram uma sala de aula só para eles. Puderam usar o quadro-negro e andar pela sala para fazer o pensamento "pegar no tranco", como diz um deles. Dia 28 de agosto, eles receberam a notícia de que disputariam a medalha de ouro no Rio de Ja- neiro; competiriam com outras quatro escolas: de Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Santa Ca- tarina e Espírito Santo. Tinham um mês para se preparar. Tyller, o mais tímido dos três, ajudou o time a ficar calmo. "Se a gente mantiver o que fizemos até agora", repetia sempre, como um mantra, "a gente garante."
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Concepção artística de uma máquina de Turing
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