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aula 04 da aula de produção de sementes
Tipologia: Notas de aula
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Na época em que teve início a intensificação do comércio de sementes, começou a surgir problemas relacionados com a avaliação da qualidade das mesmas. As adulterações para venda eram de ocorrência bastante comum. As boas sementes eram misturadas com as sementes de outras espécies de menor valor comercial e com material inerte de características tão semelhantes, que tornava praticamente impossível a distinção entre elas. Na Europa, alguns comerciantes misturavam areia cujos grânulos eram de tamanho e cor semelhantes às sementes de trevo e, desta forma, logravam os compradores. As sementes caras, como as de couve-flor, eram adulteradas, misturando-as com espécies mais baratas, difíceis de serem identificadas por apresentarem características morfológicas muito semelhantes. Na Inglaterra existiam estabelecimentos que usavam processos para desvitalizar as sementes que iriam servir como impurezas, evitando desta forma a futura detecção. Nos U.S.A. nos anos de 1890 a 1915 houve muitos casos de adulterações de sementes. Os mais comuns compreendiam a mistura de trevo doce e trevo amarelo em alfafa e trevo roxo; também eram comuns misturas de grama azul de Canadá com grama azul de Kentucky e de azevém com festuca, e vice-versa, dependendo do preço do mercado. As sementes de cuscuta, uma planta silvestre nociva, constituíam impurezas tão comuns em lotes de sementes de forrageiras que, em países da Europa Ocidental, Canadá e Argentina, foram expedidas leis com a finalidade de se resolver este problema. Em 1906, um exame de 873 amostras de trevo roxo e alfafa, realizado por um laboratório Federal dos U.S.A., mostrou que em 30,6% das amostras havia sementes de cuscuta. Análises realizadas em 61 amostras de trevo roxo importadas pelos U.S.A., em 1905 e 1906, mostraram a existência, em média, de 30 espécies de sementes de ervas daninhas por amostra e somente 74% de sementes puras; constataram também, a presença de sementes de cuscuta em 75% das amostras. Estas e outras práticas inescrupulosas estimularam em muitos países, um estudo mais aprimorado da Tecnologia de Sementes e a criação de laboratórios onde as sementes pudessem ser analisadas. Assim, a Análise de Sementes teve sua origem determinada pela necessidade de regulamentar o comércio de sementes. Os primeiros laboratórios de análise de sementes surgiram em 1869 na Alemanha e em 1871 na Dinamarca. Nos U.S.A, isto só veio ocorrer em 1876, sendo que em 1904 havia, excluindo-se os U.S.A., mais de 130 laboratórios para análise de sementes. Atualmente, em praticamente todo o mundo existem laboratórios bem equipados e com pessoal treinado para analisar as sementes quanto às suas principais características de qualidade. Como se sabe, a utilização de sementes de boa qualidade é um fator importantíssimo para o sucesso de culturas de interesse econômico, pois possibilita a obtenção de uma boa emergência no campo e de plantas vigorosas e uniformes, com reflexos diretos na produtividade. De que maneira pode-se saber se a semente que pretendemos utilizar para a semeadura é de boa qualidade? A análise dessa semente pode perfeitamente nos responder a essa pergunta. Depois de colhida, beneficiada, embalada e convenientemente armazenada, uma determinada quantidade de sementes irá constituir um lote. Por simples intuição não se pode afirmar que tal lote é bom ou ruim e freqüentemente acontece o fato de um determinado lote não preencher as condições
mínimas necessárias para que possa ser utilizado para semeadura. Por outro lado, ao se retirar uma amostra destinada às análises de pureza física, germinação, teor de água, peso hectolítrico, etc., pode- se com segurança determinar a qualidade de um lote de sementes. Através do exame visual de uma amostra, um técnico experiente poderá ter uma idéia a respeito da pureza física; no entanto, um lote de sementes fisicamente puras poderá apresentar baixa porcentagem de germinação, grau de umidade elevado, baixo peso volumétrico, etc., e estas informações só serão conhecidas após o encerramento dos testes realizados em laboratório. Portanto, a única maneira segura para se conhecer a real qualidade de um lote de sementes é efetuar a análise e interpretar corretamente os resultados. Isto representa garantia para produtores, comerciantes e agricultores, permitindo a redução dos riscos provenientes da aquisição de materiais de qualidade desconhecida e o pagamento de preços irreais; há possibilidade, assim, da recusa de lotes com probabilidade elevada de apresentar desempenho deficiente. Após a interpretação dos resultados da análise pode-se determinar o valor das sementes para a semeadura. Por exemplo, conhecendo-se as porcentagens de pureza física e de germinação de um determinado lote de sementes, é possível determinar o seu valor cultural (V.C.), que permitirá o cálculo da quantidade de sementes que se deve utilizar na semeadura; com isto teremos no campo, um número de plantas por área (população) que possibilite a obtenção de boa produção. Outros testes são igualmente importantes e, na medida do possível, devem ser realizados: por exemplo, o teste de infestação, o teste de uniformidade etc. Muitas vezes a utilização de sementes de baixa qualidade tem como conseqüência a necessidade de ressemeadura; esta operação é extremamente prejudicial porque além da operação de semeadura, da aquisição de nova quantidade de sementes e de se proceder ao novo preparo do solo, pode haver a perda da época mais recomendada para a semeadura. Os dados de germinação e de pureza física são também importantes como base para regulagem adequada da semeadora, procurando-se distribuir corretamente o número de sementes desejado por metro linear. Por outro lado, um lote portador de sementes silvestres nocivas também tem baixo ou nenhum valor para a semeadura. Toda semente comercializada deve ser convenientemente embalada e etiquetada. Na etiqueta devem constar, de maneira clara e completa, os atributos das sementes contidas naquela embalagem. Assim, por exemplo, as sementes de arroz são comercializadas em sacos de 40 kg, aonde vem especificado: o nome do cultivar, o número do lote, a origem ou a procedência do lote, a porcentagem de pureza física, a porcentagem de germinação, o grau de umidade, o tratamento fungicida, etc. É a análise de sementes que fornece esses dados para etiquetar as embalagens e permitir a execução da lei de sementes. Uma vez embaladas e convenientemente etiquetadas, as sementes são postas à venda de acordo com os padrões pré-determinados. Durante este período, tais sementes estão sujeitas à fiscalização do comércio por parte dos órgãos oficiais, que retiram amostras dos diferentes lotes e as analisam. Caso os resultados não correspondam aos que estão especificados na etiqueta ou não preencham os padrões mínimos para a comercialização, as sementes podem ser retiradas do comércio e o responsável estará sujeito as sanções impostas por lei. Conforme foi comentado anteriormente, um lote de sementes para ser comercializado precisa satisfazer certas exigências quanto à porcentagem de pureza física, de germinação, etc. Uma vez
Os objetivos de um programa de controle de qualidade são os de prevenir contra problemas, descobrir suas causas e desenvolver ou sugerir métodos para corrigi-los. A complexidade de um programa de controle de qualidade de sementes varia de acordo com a organização do sistema de produção de sementes. Em se tratando de pequenos produtores, o próprio produtor pode ser o analista; por outro lado, grandes companhias possuem um departamento especial com essa finalidade. A organização do programa depende das espécies produzidas, sua quantidade e dos métodos de produção. Em muitos casos, as perdas de qualidade podem ser diminuídas ou evitadas sem que haja acréscimo no custo de produção (exemplo: regulagem de máquinas). Por outro lado, outras podem ser corrigidas com acréscimo no custo, como modificações em máquinas, alterações no sistema de transporte. De um modo geral, no entanto, os custos de amostragem e de análise são muito menores que o retorno obtido, com a adoção do sistema de controle de qualidade. As perdas de qualidade podem ser classificadas em crônicas ou esporádicas. As primeiras ocorrem regularmente, em pequena quantidade, durante diversas fases de produção (exemplo: danos mecânicos); as esporádicas (danos pelo frio, aquecimento durante o armazenamento, etc.) nem sempre são previsíveis e controláveis. A acumulação de perdas crônicas durante a produção geralmente resulta em maior prejuízo financeiro do que as esporádicas, mas nem sempre são possíveis de identificação sem que se proceda a análise. Em geral, uma companhia que possua um sistema de controle de qualidade pode esperar redução nos custos de operação e aumento do número de compradores, pois o material comercializado pode ser cuidadosamente produzido e controlado. A necessidade do estabelecimento de programas de controle de qualidade pós-maturidade das sementes é, cada vez mais, determinada pelo constante aumento das áreas cultivadas e dos custos de produção, bem como a elevação do grau tecnológico do agricultor. Assim, as pressões de mercado tendem a favorecer as empresas que consideram, com maior ênfase, a produção de sementes com atributos genéticos, físicos, fisiológicos e sanitários comprovados.
A análise de sementes é realizada com a principal finalidade de avaliar a qualidade das sementes de um determinado lote. Porém, para que os objetivos esperados sejam atingidos, é necessário que se tenham instalações adequadas, pessoal convenientemente treinado, métodos e procedimentos uniformes e um programa de pesquisas em análise de sementes que procure desenvolver novos métodos e aperfeiçoar os existentes. É de fundamental importância que métodos padronizados forneçam dados precisos nos quais possamos ter toda a confiança. Os resultados das análises somente terão o valor necessário e indispensável, se houver disponibilidade de métodos mediante os quais possam ser obtidos resultados uniformes e comparáveis entre diferentes análises e diferentes analistas, dentro de uma determinada tolerância. Assim, por exemplo, a análise das sementes de uma amostra representativa de um determinado lote, realizada por diferentes analistas de um mesmo laboratório, deve mostrar dados semelhantes entre si e aos obtidos por analistas de outros laboratórios, de diferentes regiões e de outros países. Este fato contribui para a menor probabilidade de ocorrência de transtornos aos produtores, comerciantes e agricultores. A comercialização de sementes dentro do país, a importação, a exportação, a fiscalização do comércio e a aplicação das leis de sementes encontrariam grandes obstáculos caso não se pudesse confiar nos resultados das análises e com eles realizar comparações diretas. Por outro lado, os métodos devem ser práticos; o grau de precisão e de uniformidade dos resultados, bem como o número de amostras que possam ser analisadas, é limitado pelo equipamento disponível, pela espécie cultivada, pela eficiência, pelo número de dias necessários para se obter os resultados e pela habilidade do analista. Os métodos para análise de sementes têm sido publicados por várias instituições e organizações, sob a denominação de REGRAS PARA ANALISE DE SEMENTES (R.A.S.). 0 primeiro trabalho editado contendo especificação de procedimentos para análise de sementes foi realizado por NOBBE (1876), com o titulo "Handbuch der Samenkund". Nos U.S.A., as primeiras R.A.S. foram elaboradas e publicadas em 1897, pelo Departamento de Agricultura em uma circular denominada "Regras e Métodos para Análise de Sementes", como um guia não oficial para analistas de sementes, sob coordenação de JENKINS. Aquelas regras especificavam o tamanho mínimo da amostra para a análise de pureza e continham instruções gerais para a realização do teste de germinação e, também, descreviam e ilustravam os equipamentos, de análise que eram utilizados naquela época. Em 1904, a publicação foi revisada e ampliada para: incluir métodos de amostragem de sementes; indicar métodos mais específicos para a análise de pureza e germinação; definir os componentes da análise de pureza; especificar as condições para a análise de germinação de 63 espécies de hortícolas e de grandes culturas. Em 1908, um grupo de técnicos, dos Departamentos de Agricultura dos U.S.A. e do Canadá, se reuniu em Washington para discutir métodos uniformes para a análise e uma lei-modelo para sementes. Esses técnicos formaram uma organização que denominaram Associação de Analistas Oficiais de Sementes da América do Norte (este nome foi mudado em 1939 para Associação de Analistas Oficiais de Sementes). Uma das principais funções da associação foi a da preparação e adoção das regras para análise de sementes oficiais, publicadas em 1917. Desde então, a Estação Agrícola Experimental de
fornecimento de resultados ou emissão de boletins. As "recomendações" deverão ser aplicadas sempre que possível, podendo, no entanto, utilizarem-se outros processos que conduzam a resultados compatíveis. De qualquer maneira, os métodos incluídos nas R.A.S. podem ser baseados tanto em pesquisas com objetivos específicos, como no acúmulo de experiências e observações efetuadas em análises de rotina. Ambos os caminhos tem sua importância e devem continuar a ser seguidos; no entanto, programas de pesquisa destinados ao aperfeiçoamento da metodologia devem ser considerados como prioritários.
Fonte: MARCOS FILHO, J.; CÍCERO, S.M.; SILVA, W.R. da. Avaliação da qualidade das sementes. Piracicaba: FEALQ, 1987. 230p.