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ANESTESICOS E VASOCONSTRITORES, Resumos de Anestesiologia

Resumo do livro Terapêutica medicamentosa em Odontologia

Tipologia: Resumos

2020

Compartilhado em 31/03/2020

who-is-wennys
who-is-wennys 🇧🇷

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@whoiswennys
Quando há um estímulo de origem qualquer,
os receptores da periferia irão passar o sinal
de perturbação do meio pelas fibras
nervosas desde sua origem até o cérebro,
na forma de potencial de ação. Essa
condução acontecerá por despolarizações
transitórias das células nervosas, devido à
entrada do íon sódio no axoplasma através
dos canais de sódio, e impossibilitando a
saída de potássio (diminuindo a
eletronegatividade).
Em certo ponto, os receptores de sódio do
axolema irão abrir, favorecendo um influxo
maciço no axoplasma (causando a
inversão de polaridade - > +). Durante a
fase de repolarização, o sódio é impedido de
entrar e o potássio é bombeado para fora da
célula (+ > -).
Os anestésicos locais, na sua
forma não ionizada, atravessam a
membrana do axônio e penetram na
célula nervosa. No interior da célula
nervosa, as moléculas ionizadas de
anestésico local se ligam a
receptores específicos nos canais
de sódio, reduzindo ou impedindo a
entrada do íon na célula. Isso
resulta no bloqueio da condução
nervosa e, consequentemente, na
percepção da dor.
Ou seja, os anestésicos irão diminuir a taxa
de despolarização do neurônio através do
fechamento dos canais de sódio. Eles agem
no axolema (onde encontram-se os canais
de sódio), ligando-se internamente nos
canais por um receptor especifico.
Os anestésicos locais são bases fracas,
pouco solúveis em água e instáveis quando
expostos ao ar. Para uso clínico, são
adicionados ao ácido clorídrico, formando
um sal, o cloridrato, que apresenta maior
solubilidade e estabilidade na solução. Na
forma de cloridrato, apresentam pH ácido,
variando de 5,5 (soluções anestésicas sem
vasoconstritor) a 3,3 (soluções com
vasoconstritor).
Quanto à configuração química, os
anestésicos locais exibem três porções em
sua estrutura:
Porção hidrofílica, que permite sua
injeção nos tecidos;
Porção lipofílica, responsável pela
difusão do anestésico através da
bainha nervosa;
Cadeia intermediária, que une as
porções hidrofílica e lipofílica e, de
acordo com sua estrutura química,
permite classificar os anestésicos
locais em ésteres ou amidas.
Os ésteres foram os primeiros anestésicos
locais a serem sintetizados, tendo como
precursor a cocaína. Desses, a benzocaína
é o único atualmente empregado em
odontologia, apenas como anestésico de
superfície em mucosas, na forma de
pomadas ou géis (pois são muito
alergênicos).
As amidas surgiram a partir de 1948, com a
síntese da lidocaína. A menor capacidade
de produzir reações alérgicas foi
determinante para o sucesso desse grupo
de anestésicos. Além da lidocaína, fazem
parte do grupo: mepivacaína, prilocaína,
articaína, bupivacaína, ropivacaína e
etidocaína.
Anestésico local mais empregado em todo o
mundo, com início de ação (tempo de
latência) entre 2-4 min.
Devido a sua ação vasodilatadora, o que
promove sua rápida eliminação do local da
injeção, a duração da anestesia pulpar é
limitada a apenas 5-10 min. Quando
associada a um agente vasoconstritor,
proporciona entre 40-60 min de anestesia
pulpar. Em tecidos moles, sua ação
anestésica pode permanecer em torno de
120-150 min.
É metabolizada no fígado e eliminada
pelos rins. Sua meia-vida plasmática é de
1,6 h. Toxicidade: os níveis plasmáticos
para o início de reações tóxicas são de 4,5
μg/mL no SNC e de 7,5 μg/mL no sistema
cardiovascular. A sobredosagem promove
a estimulação inicial do SNC, seguida de
depressão, convulsão e coma.
A mepivacaína tem potência anestésica
similar à da lidocaína, com início de ação
entre 1,5-2 min.
Produz discreta ação vasodilatadora. Por
isso, quando empregada na forma pura,
sem vasoconstritor (na concentração de
3%), promove anestesia pulpar mais
duradoura do que a lidocaína (por até 20 min
na técnica infiltrativa e por 40 min na técnica
de bloqueio regional).
ANESTÉSICOS LIVRO
LIDOCAÍNA
MEPIVACAÍNA
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Quando há um estímulo de origem qualquer, os receptores da periferia irão passar o sinal de perturbação do meio pelas fibras nervosas desde sua origem até o cérebro, na forma de potencial de ação. Essa condução acontecerá por despolarizações transitórias das células nervosas, devido à entrada do íon sódio no axoplasma através dos canais de sódio, e impossibilitando a saída de potássio (diminuindo a eletronegatividade). Em certo ponto, os receptores de sódio do axolema irão abrir, favorecendo um influxo maciço no axoplasma (causando a inversão de polaridade - > + ). Durante a fase de repolarização, o sódio é impedido de entrar e o potássio é bombeado para fora da célula (+ > -).

 Os anestésicos locais , na sua forma não ionizada, atravessam a membrana do axônio e penetram na célula nervosa. No interior da célula nervosa, as moléculas ionizadas de anestésico local se ligam a receptores específicos nos canais de sódio, reduzindo ou impedindo a entrada do íon na célula. Isso resulta no bloqueio da condução nervosa e, consequentemente, na percepção da dor.

Ou seja, os anestésicos irão diminuir a taxa de despolarização do neurônio através do fechamento dos canais de sódio. Eles agem no axolema (onde encontram-se os canais de sódio), ligando-se internamente nos canais por um receptor especifico. Os anestésicos locais são bases fracas, pouco solúveis em água e instáveis quando expostos ao ar. Para uso clínico, são adicionados ao ácido clorídrico, formando um sal, o cloridrato, que apresenta maior solubilidade e estabilidade na solução. Na forma de cloridrato, apresentam pH ácido, variando de 5,5 (soluções anestésicas sem vasoconstritor) a 3,3 (soluções com vasoconstritor). Quanto à configuração química, os anestésicos locais exibem três porções em sua estrutura:

 Porção hidrofílica, que permite sua injeção nos tecidos;  Porção lipofílica, responsável pela difusão do anestésico através da bainha nervosa;

 Cadeia intermediária, que une as porções hidrofílica e lipofílica e, de acordo com sua estrutura química, permite classificar os anestésicos locais em ésteres ou amidas.

Os ésteres foram os primeiros anestésicos locais a serem sintetizados, tendo como precursor a cocaína. Desses, a benzocaína é o único atualmente empregado em odontologia, apenas como anestésico de superfície em mucosas, na forma de pomadas ou géis (pois são muito alergênicos). As amidas surgiram a partir de 1948, com a síntese da lidocaína. A menor capacidade de produzir reações alérgicas foi determinante para o sucesso desse grupo de anestésicos. Além da lidocaína, fazem parte do grupo: mepivacaína, prilocaína, articaína, bupivacaína, ropivacaína e etidocaína.

Anestésico local mais empregado em todo o mundo, com início de ação (tempo de latência) entre 2-4 min. Devido a sua ação vasodilatadora , o que promove sua rápida eliminação do local da injeção, a duração da anestesia pulpar é limitada a apenas 5-10 min. Quando associada a um agente vasoconstritor, proporciona entre 40-60 min de anestesia pulpar. Em tecidos moles, sua ação anestésica pode permanecer em torno de 120-150 min. É metabolizada no fígado e eliminada pelos rins. Sua meia-vida plasmática é de 1,6 h. Toxicidade : os níveis plasmáticos para o início de reações tóxicas são de 4, μg/mL no SNC e de 7,5 μg/mL no sistema cardiovascular. A sobredosagem promove a estimulação inicial do SNC, seguida de depressão, convulsão e coma.

A mepivacaína tem potência anestésica similar à da lidocaína, com início de ação entre 1,5-2 min. Produz discreta ação vasodilatadora. Por isso, quando empregada na forma pura, sem vasoconstritor (na concentração de 3%), promove anestesia pulpar mais duradoura do que a lidocaína (por até 20 min na técnica infiltrativa e por 40 min na técnica de bloqueio regional).

ANESTÉSICOS – LIVRO

LIDOCAÍNA

MEPIVACAÍNA

Sofre metabolização hepática, sendo eliminada pelos rins. Meia-vida plasmática de 1,9 h. Toxicidade semelhante à da lidocaína.

Potência anestésica similar à da lidocaína, com ação tendo início entre 2-4 min. Por sua baixa atividade vasodilatadora (50% menor do que a da lidocaína), pode ser usada sem vasoconstritor, na concentração de 4%. É metabolizada mais rapidamente do que a lidocaína, no fígado e nos pulmões e sua eliminação é renal. Meia-vida plasmática de 1,6 h.

 Apesar de ser menos tóxica do que a lidocaína e a mepivacaína, em casos de sobredosagem produz o aumento dos níveis de metemoglobina no sangue. Portanto, é recomendado maior cuidado no uso deste anestésico em pacientes com deficiência de oxigenação (portadores de anemias, alterações respiratórias ou cardiovasculares).

A articaína apresenta rápido início de ação, entre 1-2 min, com potência 1,5 vezes maior do que a da lidocaína.  Possui baixa lipossolubilidade e alta taxa de ligação proteica. É metabolizada no fígado e no plasma sanguíneo. Como a biotransformação começa no plasma, sua meia-vida plasmática é mais curta do que a dos demais anestésicos (~ 40 min), propiciando a eliminação mais rápida pelos rins. Sua toxicidade é semelhante à da lidocaína.

 Por essas características farmacocinéticas, a articaína reúne as condições ideais de ser o anestésico de escolha para uso rotineiro em adultos, idosos e pacientes portadores de disfunção hepática.  A presença de um anel tiofeno em sua estrutura química parece ser responsável pela maior difusão tecidual da articaína, permitindo seu uso em técnica infiltrativa, mesmo na mandíbula, dispensando assim o uso de técnicas anestésicas de bloqueio (associada a um aumento

na incidência de parestesia, provavelmente divido à concentração 4%).

Sua potência anestésica é 4 vezes maior do que a da lidocaína. Por ser mais potente, sua cardiotoxicidade também é 4 vezes maior em relação à lidocaína. Por isso, é utilizada na concentração de 0,5%. Ação vasodilatadora maior em relação à lidocaína, mepivacaína e prilocaína.

 Quando associada à epinefrina, apresenta, em técnica de bloqueio do nervo alveolar inferior, tempo de latência variando de 10-16 min na região de molares e pré-molares. Possui longa duração de ação. No bloqueio dos nervos alveolar inferior e lingual, produz anestesia pulpar por 4 h e em tecidos moles, por até 12 h.

Meia-vida plasmática de 2,7 h. É metabolizada no fígado e eliminada pelos rins.

 Embora seja indicada para o controle da dor pós-operatória, tem sido demonstrado que este é mais efetivo do que o proporcionado pela lidocaína apenas nas primeiras 4 h após o procedimento cirúrgico. Após 24 h do procedimento, a bupivacaína promove aumento da concentração de prostaglandina E (PGE2) no local da aplicação, aumentando a intensidade da dor sentida pelo paciente.

Não é recomendada para pacientes < 12 anos, pelo maior risco de lesões por mordedura do lábio, em razão da longa duração da anestesia dos tecidos moles.

Anestésico do grupo éster empregado apenas como anestésico tópico ou superfície.

 Não deve ser empregada em indivíduos com história de hipersensibilidade aos ésteres.

Na concentração de 20%, a benzocaína, após aplicação por 2 min, promove anestesia da mucosa superficial

PRILOCAÍNA

ARTICAÍNA

BUPIVACAÍNA

BENZOCAÍNA

nenhuma ação nos receptores β1. Apesar de apresentar apenas 5% da potência vasoconstritora da epinefrina, na concentração empregada (1:2.500), pode promover vasoconstrição com duração mais prolongada. Em contrapartida, nos casos de sobredosagem de fenilefrina (relativa ou absoluta), os efeitos adversos também são mais duradouros, como o aumento da pressão arterial e cefaleia na região occipital. Não apresenta qualquer vantagem em relação à epinefrina.

Análogo sintético da vasopressina (hormônio antidiurético), está contida em soluções cujo sal anestésico é a prilocaína. A vasoconstrição promovida pela felipressina é decorrente de sua ação sobre os receptores V1 da vasopressina, presentes no músculo liso da parede dos vasos sanguíneos, com ação muito mais acentuada na microcirculação venosa do que na arteriolar com ativação da fosfolipase C e liberação de cálcio. Por esse motivo, tem valor mínimo no controle da hemostasia, o que explica o maior sangramento observado durante os procedimentos cirúrgicos, quando se empregam soluções que contêm esse vasoconstritor, em relação às que contêm epinefrina ou outros agentes simpatomiméticos.

 Nas soluções anestésicas locais que contêm vasoconstritores adrenérgicos (epinefrina, norepinefrina, corbadrina e fenilefrina), é incorporada uma substância antioxidante, o bissulfito de sódio, que impede a biodegradação do vasoconstritor pelo oxigênio, que pode penetrar no interior do tubete quando este for envasado ou difundir-se através do diafragma semipermeável durante o armazenamento.  O princípio é simples: o bissulfito de sódio reage com o oxigênio, antes que ele possa agir sobre o vasoconstritor. A reação entre o bissulfito de sódio e o oxigênio gera o bissulfato de sódio, que possui pH mais ácido do que o primeiro.  Algumas soluções anestésicas podem conter ainda uma substância

bacteriostática, geralmente o metilparabeno (altamente alergênico – por isso é pouco usado), para impedir a proliferação de microrganismos.  O cloreto de sódio é eventualmente adicionado ao conteúdo de uma solução anestésica local para torná-la isotônica em relação aos tecidos do organismo. A água bidestilada é usada como diluente para aumentar o volume da solução.  Todos os anestésicos locais atravessam facilmente a barreira hematocefálica. Por isso, a toxicidade sistêmica dos anestésicos locais, após sua absorção para a corrente sanguínea, ocorre primariamente pela depressão do SNC, mais sensível à ação desses fármacos.

FELIPRESSINA

OUTROS COMPONENTES