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Abordagem sobre robotica industrial, robos manipuladores, etc.
Tipologia: Notas de estudo
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Departamento de Engenharia Mecânica
Universidade de Aveiro
2003-
iii
Capítulo 1
Introdução
Robótica Industrial – V. Santos
Introdução 1-
1.1 Origem do termo 'robot'
escravos, e teve a sua divulgação numa peça de 1921 de Karel Čapek. Numa evolução do mito passando pelo sonho de Čapek (entre outros) até à ficção dos tempos correntes, o conceito de robot ou servo do homem tem ocupado a mentalidade do ser humano. Um exemplo contemporâneo dessa realidade foi dado pelo grande contributo de Isaac Asimov, que chegou a definir as Leis da Robótica por volta de 1950: 1ª Lei: Um robot não pode maltratar um ser humano, ou pela sua passividade deixar que um ser humano seja maltratado. 2ª Lei: Um robot deve obedecer às ordens dadas por um ser humano, excepto se entrarem em conflito com a 1ª lei. 3ª Lei: Um robot deve proteger a sua própria existência desde que essa protecção não entre em conflito com a 1ª ou 2ª lei.
1.2 Algumas definições de Robot e Robótica
Texto da FAQ comp.robotics "Dispositivos electromecânicos pré-programáveis para execução de uma variedade de funções." Dicionário Webster: "Dispositivo automático que executa funções normalmente atribuídas a humanos ou uma máquina com a forma de um humano." E SHED Robotics, 1984 "Um robot é um braço mecânico; um manipulador concebido para levar a cabo muitas tarefas diferentes, e capaz de ser programado sucessivamente. Para levar a cabo as tarefas atribuídas, o robot move componentes, objectos, ferramentas e outros dispositivos especiais por meio de movimentos e pontos pre-programados." Em 1986, P. McKerrow propôs para robot a seguinte definição: "Um robot é uma máquina que pode ser programada para fazer uma variedade de tarefas, do mesmo modo que um computador é um circuito electrónico que pode ser programado para fazer uma variedade de tarefas." McKerrow "Robótica é a disciplina que envolve: a) o projecto, construção, controlo e programação de robots; b) o uso de robots para resolver problemas; c) o estudo dos processos de controlo, sensores e algoritmos usados em humanos, animais e máquinas, e; d) a aplicação destes processos de controlo e destes algoritmos para o projecto de robots." The Robot Institute of America “Um robot é manipulador multi-funcional, programável, projectado para mover materiais, componentes, ferramentas ou dispositivos especiais através de movimentos programáveis variáveis para a execução de uma variedade de tarefas.” Standard International ISO 8373:1994(E/F) : “Manipulating industrial robot: Automatically controlled, reprogrammable multipurpose manipulator programmable in three or more axes, which may be either fixed to place or
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1960 – Primeiro robot “Unimate”. Princípios de controlo numérico e actuadores hidráulicos. No ano seguinte foi instalado na Ford. 1968 – Um robot móvel desenvolvido no Stanford Research Institute: “Shakey”. Câmara de vídeo e sensores de contacto. 1971 – O braço de Stanford desenvolvido pela Universidade de Stanford com actuação eléctrica. 1973 – Primeira linguagem de programação de robots: WAVE seguida em 1974 pela linguagem AL. As duas deram lugar mais tarde ao aparecimento da VAL, linguagem comercial da Unimation 1978 – PUMA introduzido pela Unimation 1979 – SCARA desenvolvido na Univerisdade de Yamanashi com introdução comercial em
1981 – Robot com actuação directa (“direct drive”) desenvolvido na CMU 1983 – Projecto para uma linha flexível de montagem automatizada com o uso de robots. 1997 – A Honda anuncia o primeiro robot humanóide que sobe escadas.
1.5 Os manipuladores robóticos
As três categorias principais de robots são
O braço é a parte do manipulador que está normalmente associada ao posicionamento (x, y, z) no espaço físico cartesiano, ou operacional. O punho afecta essencialmente a orientação (θ,φ,ψ) da garra, pinça ou outros end-effector. Todavia, é muito comum que haja efeitos cruzados – o braço afectar também a orientação e o punho afectar a posição cartesiana Estes componentes de um manipulador são constituídos por partes rígidas, os
Figura 1.1 - Elos e junta de um manipulador
Unidade capaz de gerar informação de activação de um ou mais actuadores com base num algoritmo de controlo. Esse algoritmo pode levar em linha de conta o comando desejado, o estado corrente do actuador,
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e o próprio ambiente. Os algoritmos mais comuns recorrem ao chamado controlo PID (proporcional-integral- diferencial). Quando não existente em separado, o controlador chega a incluir a unidade de potência, ou seja, o elemento que liga directamente ao actuador fornecendo-lhe a energia que necessita com base numa informação de baixo teor energético, como são os sinais eléctricos à saída de muitos controladores. Por vezes, o controlador faz parte de um sistema maior de interligação com o utilizador exterior, como é o caso de um computador pessoal. Nestes casos o controlador pode assumir a forma de uma carta de expansão do próprio computador, ou ser um dispositivo exterior que comunica com o computador de uma forma padrão, como por exemplo, uma ligação série RS232. Esta integração num computador, devido ao abundante número de ferramentas de interface disponíveis, permite mais facilmente especificar os comandos desejados para o controlador, ou até de os gerar de forma automática, como fazem muitos programas (software).
Dispositivos que geram e impõem movimento a uma qualquer parte mecânica pelo desenvolvimento de forças e binários baseada num princípio físico de conversão de energia. Podem ser, por exemplo, motores eléctricos, cilindros hidráulicos, ou pneumáticos, electro-imanes, etc. Têm muitas vezes associados elementos adicionais de transmissão mecânica. Fazem a actuação
Elementos destinados à medição do estado interno do manipulador bem como à percepção do ambiente exterior. Principais tipos de sensores usados num manipulador: codificadores, fins-de-curso, sensores de força, detectores de proximidade capacitivos e indutivos, etc. Fazem a percepção.
Controlador (decide que medida deactuação deve ser imposta)
Unidade de potência actuador com base nas(fornece energia ao ordens do controlador)
Actuador (gera deslocamentolinear ou rotacional)
energia paraFonte de os actuadores
Sensor
Comandodesejado
Figura 1.2 - Um sistema de controlo tradicional
1.6 O robot e a automação
A automação pode ser de dois tipos fundamentais: rígida e flexível (programada)
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Introdução 1-
A atestar a importância do robot industrial vêm os números expressos nos gráficos das figuras seguintes que mostram como o parque robótico mundial tem evoluído muito nos últimos 10 anos na indústria (Fonte: Revista Robótica 1999 )
Figura 1.6 - Número de robots vendidos por ano e número estimado de robots industriais em serviço.
Figura 1.7 - Número de robots por 10 000 trabalhadores na indústria
Capítulo 2
Estrutura e Tipologia de
Manipuladores
Robótica Industrial – V. Santos
Estrutura e Tipologia de Manipuladores 2-
De notar o tipo de forças/movimentos aplicados e os resultados nas diversas situações. Saliente-se a garra do topo direito que pode servir para agarrar objectos de dimensão variável graças à sua mola. Ou ainda, a garra na última ilustração, na região inferior direita, cujos dedos (pinças) de deslocam de forma perfeitamente linear. Além das garras do tipo pinça há ainda aquelas de funcionamento baseado em:
Figura 2.2 - Mão (garra) antropomórfica
Nas ferramentas a variedade é muito grande mas as principais incluem as seguintes:
Os componentes que utilizam uma fonte de energia para fazer mover as juntas; são de três tipos essenciais. Eis uma breve comparação dos três tipos de actuadores:
Característica^ Tipos de actuadores
Controlo Fácil. Possibilidade deser elaborado.
Hoje em dia mais facilitado com as electro servo-válvulas
Muito difícil devido a questões de compressibilidade do ar Velocidades Grande Média/Grande Muito grande Binário a baixa velocidade
Precisão Boa. Limitada pelo usode transmissão Boa Má, excepto em operações aposições fixas. Funcionamento em situação estática Mau. Requer travões.^
Excelente. Trata-se de funcionamento normal.
Bom. Não há risco de danificação do sistema.
Questões ambientais
A presença de arcos eléctricos pode ser indesejável.
Perigo de fugas de óleo.
Sistemas limpos. Risco de poluição sonora de componentes, compressores e das fugas. Custos Relativamente baixos Altos Relativamente baixos Tabela 2-I - Breve comparação dos principais tipos de actuadores Em cada junta há normalmente um actuador. Ao contrário, no corpo humano, há normalmente 2
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Estrutura e Tipologia de Manipuladores 2-
músculos por cada junta para a moverem em direcções opostas.
Directa - O elemento móvel do actuador é acoplado à junta directamente. Indirecta - o elemento móvel do actuador é acoplado à junta mediante um sistema de transmissão.
Actuação indirecta
Actuação indirecta
Actuação directa
Motor
Figura 2.3 - Ilustração da actuação directa e indirecta Os motores eléctricos são normalmente usados em actuação indirecta (indirect drive) devido à combinação alta velocidade/binário baixo. São excepções os casos dos motores especiais como os motores
binários a baixas rotações. Porém, alguns destes tipos são por enquanto motores de grandes dimensões e peso, portanto limitados a poucas aplicações nos manipuladores; é possível encontrá-los na base, ou seja, a actuar a primeira junta do manipulador.
Fornecem informação ao controlador, nomeadamente em que local estão as diversas juntas do manipulador Além destes sensores internos há também os interruptores de fim de curso que delimitam as deslocações extremas das juntas. Existem também os sensores externos dedicados a recolher informação adicional sobre o ambiente.
Figura 2.4 - Um potenciómetro como indicador de posição angular
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2.2 Tipos de juntas
As juntas são essencialmente de dois grandes tipos:
Rotacional (revolute) Prismática (linear) Esférica (3 rotacionais) (sphericalor ball-and-socket)
Figura 2.7 - Tipos de juntas Na maioria dos manipuladores, as juntas são normalmente divididas em dois grupos:
um dispositivo pode efectuar. Um cubo no espaço a 3 dimensões pode deslocar-se ao longo dos três eixos, e também rodar em torno de cada um deles, dando assim um total de 6 graus de liberdade para a sua movimentação. Algo diferente são os graus de mobilidade, associados ao número de juntas existentes. Um exemplo comum desta diferença são os tripés: na verdade em cada pé temos várias juntas prismáticas que afectam o mesmo o mesmo movimento, isto é ao longo daquele eixo em particular. Se em cada pé houver 3 juntas, teremos um tripé com 3 graus de liberdade mas 9 graus de mobilidade. Exemplos de graus de liberdade necessários para certas tarefas:
Para mudar esta peça e rodá-la são necessários 4 graus de liberdade apenas. (nota: o manipulador ilustrado poderá não ter a possibilidade de o fazer, para certas orientações)
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Para colocar esta peça no encaixe (que pode ter uma orientação arbitrária) são necessário 6 graus de liberdade: 3 para as posições xyz e 3 para as 3 orientações do encaixe. (o manipulador ilustrado não o permite)
Figura 2.8 - Graus de liberdade necessários para dois exemplos de movimento
Frequentemente, em diversa literatura existe uma simbologia própria para representar de uma forma padrão um manipulador e as suas juntas. De seguida ilustra-se um caso para um manipulador RRP e mais uma junta esférica.
Figura 2.9 - Representação de um manipulador com as juntas RRPS, num total de 6 DOF
Cada braço humano, excluindo a mão e os dedos, dispõe de 7 graus de liberdade:
Figura 2.10 - Graus de liberdade do braço humano
2.3 Espaço de trabalho e tipos de manipuladores
Quando se classifica um robot pela sua estrutura cinemática, isto é, pelo seu espaço de trabalho, apenas as juntas principais são usadas. Assim, há essencialmente 5 categorias de estruturas cinemáticas