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Apostila de cálculo numérico computacional da profa. Luiza Amália Pinto Catão da UNESP
Tipologia: Notas de estudo
1 / 68
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Exemplo 1. Calcule a ´area de uma circunferˆencia de raio igual a 100 m.
Resultados Obtidos:
2 ;
2 ;
2 .
Como justificar as diferen¸cas entre os resultados apresentados no exemplo 1? ´E poss´ıvel obter exatamente esta
´area?
Os erros ocorridos dependem da representa¸c˜ao do n´umero (neste caso, do n´umero π) na m´aquina utilizada 1 e
do n´umero m´aximo de d´ıgitos usados na sua representa¸c˜ao.
O n´umero π, por exemplo, n˜ao pode ser representado atrav´es de um n´umero finito de d´ıgitos decimais. No
exemplo 1, o n´umero π foi escrito como 3.14, 3.1416 e 3.141592654 respectivamente. Para cada representa¸c˜ao
foi obtido um resultado diferente, e o erro neste caso depende exclusivamente da aproxima¸c˜ao escolhida para π.
Qualquer que seja a circunferˆencia, a sua ´area nunca ser´a obtida exatamente de forma num´erica!
Logo, qualquer c´alculo que envolva n´umeros que n˜ao podem ser representados atrav´es de um n´umero finito de
d´ıgitos n˜ao fornecer´a como resultado um valor exato.
Um computador ou calculadora representa um n´umero real no sistema denominado aritm´etica de ponto flutu-
ante. Ou seja, um n´umero pode ser representado com ponto fixo, por exemplo, 12.34 ou com ponto flutuante
4
. Assim, o n´umero r ser´a representado na forma:
± 0 .d 1 d 2 d 3... dt × 10
e
onde:
(^1) Calculadora ou computador.
Cap´ıtulo 1. Introdu¸c˜ao `a Teoria de Erros e Estabilidade CNC
Exemplo 2. Sejam trˆes d´ıgitos na mantissa (t = 3) e um expoente e ∈ [− 5 , 5].
Os n´umeros ser˜ao representados na seguinte forma nesse sistema:
0 .d 1 d 2 d 3 × 10
e , 0 ≤ dj ≤ 9 , d 1 6 = 0, e ∈ [− 5 , 5].
O menor n´umero ser´a m = 0. 100 × 10
− 5 = 10
− 6 , e o maior n´umero, M = 0. 999 × 10
5 = 99900, ambos em
valor absoluto.
Considere o conjunto dos n´umeros reais R e o seguinte conjunto:
G = {x ∈ R / m ≤ |x| ≤ M}.
Dado um n´umero real x, trˆes situa¸c˜oes poder˜ao ocorrer:
Caso (1) x ∈ G:
por exemplo: x = 235.89 = 0. 23589 × 10 3
. Se nesta m´aquina houver precis˜ao de trˆes d´ıgitos significativos
na mantissa, ent˜ao x ser´a representado por 0. 235 × 10 3 ou por 0. 236 × 10 3 ;
Caso (2) |x| < m:
por exemplo: x = 0. 345 × 10 − 7 e e ∈ [− 5 , ∞). Neste caso, a m´aquina acusa a ocorrˆencia de underflow e
geralmente ajusta para zero.
Caso (3) |x| > M:
por exemplo: x = 0. 875 × 10 9 e e ∈ (−∞, 5]. Neste caso, a m´aquina acusa a ocorrˆencia de overflow e leva
a falhas na computa¸c˜ao.
O formato de um n´umero em aritm´etica de ponto flutuante limita a mantissa em k d´ıgitos decimais. Existem
duas maneiras de obter essa limita¸c˜ao. Um m´etodo, chamado de truncamento, consiste em simplesmente cortar
os d´ıgitos dk+1dk+.. ..
O outro m´etodo, chamado de arredondamento trunca a mantissa em k d´ıgitos (como no caso acima), por´em
duas situa¸c˜oes podem ocorrer:
Exemplo 3. Podemos escrever o n´umero π na forma de aritm´etica de ponto flutuante com 5 d´ıgitos usando:
1 .
Estes dois processos geram erros nos c´alculos num´ericos e s˜ao conhecidos como erros de truncamento e erros
de arredondamento, respectivamente.
Cap´ıtulo 1. Introdu¸c˜ao `a Teoria de Erros e Estabilidade CNC
(1/3)x
3
5
. Calcule o erro absoluto e o erro relativo para as seguintes aproxima¸c˜oes de π utilizando
o polinˆomio em lugar da fun¸c˜ao arcotangente:
(a) 4
arctan
(Aprox. 3.14557613, EA = 3. 983 × 10
− 3 e ER = 1. 268 × 10
− 3 )
(b) 16 arctan
− 4 arctan
(Aprox. 3.14162103, EA = 2. 838 × 10
− 5 e ER = 9. 032 × 10
− 6 )
e relativos comparando-os com o valor exato determinado com pelo menos cinco d´ıgitos.
(a) 133 + 0. 921 (Aprox. 134, EA = 0.079 e ER = 5. 9 × 10
− 4 )
(b) 133 − 0. 499 (Aprox. 133, EA = 0.499 e ER = 3. 77 × 10 − 3 )
(c) (121 − 0 .327) − 119 (Aprox. 2.00, EA = 0.327 e ER = 0.195)
(d) (121 − 119) − 0. 327 (Aprox. 1.67, EA = 0.003 e ER = 1. 79 × 10 − 3 )
(e)
13 14
6 7
2 e − 5. 4
(Aprox. 1.80, EA = 0.154 e ER = 0.0786)
(f) − 10 π + 6 e −
(Aprox. − 15 .1, EA = 0.0546 e ER = 3. 6 × 10
− 3 )
(g)
(Aprox. 0.286, EA = 2. 86 × 10 − 4 e ER = 10 − 3 )
(h)
π −
22 7 1 17
(Aprox. 0.00, EA = 0.0215 e ER = 1.00)
2
x 1 =
−b +
b 2 − 4 ac
2 a
e x 2 =
−b −
b 2 − 4 ac
2 a
Considere a equa¸c˜ao x 2
C´alcule a equa¸c˜ao acima utilizando arredondamento para quatro d´ıgitos e posteriormente avalie o erro abso-
luto e relativo para cada raiz.
os valores aproximados mais precisos para as ra´ızes das equa¸c˜oes quadr´aticas a seguir. Calcule os erros
absolutos e relativos.
(a)
x
2 −
x +
(b)
1 3 x
2
123 4 x −
1 6
(c) 1. 002 x
2 − 11. 01 x + 0.01265 = 0
(d) 1. 002 x 2
Quest˜ao x 1 EA ER x 2 EA ER
7 − 0. 02 2. 4 × 10
− 1 − 62. 1 3. 2 × 10
− 4
8 (a) 92. 26 0. 1542 1. 672 × 10
− 4
− 7
− 4
(b) 0. 005421 1. 264 × 10
− 6
− 4
− 3
− 3
− 5
(c) 10. 98 6. 875 × 10
− 3
− 4
− 8
− 8
− 5
(d) − 0. 001149 7. 566 × 10 − 8
A solu¸c˜ao de um sistema de equa¸c˜oes lineares ´e provavelmente o processo num´erico mais utilizado para simular
situa¸c˜oes do mundo real. ´E uma etapa fundamental na resolu¸c˜ao de v´arios problemas que envolvam, por exemplo,
equa¸c˜oes diferenciais, otimiza¸c˜ao, regress˜ao e sistemas n˜ao-lineares. Portanto, ´e de extrema importˆancia que se
tenha uma implementa¸c˜ao eficiente do m´etodo para solu¸c˜ao do sistema linear, pois geralmente esta ´e a fase que
demanda a maior parte do tempo de processamento para resolver o problema.
Veremos aqui t´ecnicas diretas e iterativas para resolver o sistema linear:
a 11 x 1 + a 12 x 2 +... + a 1 nxn = b 1
a 21 x 1 + a 22 x 2 +... + a 2 nxn = b 2
. . .
an 1 x 1 + an 2 x 2 +... + annxn = bn
para x 1 , x 2 , · · · , xn, dadas as constantes aij para cada i, j = 1, 2 , · · · , n e bi para cada i = 1, 2 , · · · , n.
As t´ecnicas diretas s˜ao m´etodos que d˜ao uma resposta em um n´umero finito de passos, sujeitos apenas aos
erros de arredondamento. As t´ecnicas iterativas geram, a partir de uma solu¸c˜ao inicial, uma seq¨uˆencia de solu¸c˜oes
que deve convergir para a solu¸c˜ao do sistema.
Uma outra maneira de escrever o sistema (2.1) ´e usando a forma matricial, denotada por Ax = b e generica-
mente apresentada como:
a 11 a 12 · · · a 1 n
a 21 a 22 · · · a 2 n
. . .
an 1 an 2 · · · ann
x 1
x 2
. . .
xn
b 1
b 2
. . .
bn
Note que An×n denota a matriz de coeficientes, x o vetor das inc´ognitas e b o vetor com os valores do lado direito
do sistema (2.1).
Se admitirmos que A ´e uma matriz invers´ıvel, ou seja, A
− 1 A = AA
− 1 = I, onde I ´e a matriz Identidade,
ent˜ao o sistema (2.1) ou (2.2) tem solu¸c˜ao ´unica x = A − 1 b. Por´em, calcular explicitamente A − 1 e em seguida
− 1 b ´e desaconselh´avel, uma vez que o n´umero de opera¸c˜oes envolvidas ´e grande, o que torna este processo n˜ao
competitivo com os m´etodos que estudaremos aqui.
Cap´ıtulo 2. Sistemas de Equa¸c˜oes Lineares CNC
Dado n, An×n (matriz triangular superior), bn× 1 e xn× 1
1: Fa¸ca xn =
bn
ann
2: Para k = n − 1 at´e k = 1 fa¸ca
3: soma = bk
4: Para j = k + 1 at´e j = n fa¸ca
5: soma = soma − akj xj
6: Fim do la¸co
7: xk =
soma
akk
8: Fim do la¸co
Algoritmo 1: Solu¸c˜ao de Sistemas Triangulares Superiores
Dado n, An×n (matriz triangular inferior), bn× 1 e xn× 1.
1: Fa¸ca x 1 =
b 1
a 11
2: Para k = 2 at´e k = n fa¸ca
3: soma = bk
4: Para j = 1 at´e j = n − 1 fa¸ca
5: soma = soma − akj xj
6: Fim do la¸co
7: xk =
soma
akk
8: Fim do la¸co
Algoritmo 2: Solu¸c˜ao de Sistemas Triangulares Inferior
Os m´etodos diretos mais comuns tˆem como base as seguintes propriedade elementares de sistemas de equa¸c˜oes
lineares.
Propriedade 1. A solu¸c˜ao do sistema Ax = b n˜ao se altera se o submetermos a uma seq¨uˆencia de opera¸c˜oes do
tipo:
Estas opera¸c˜oes geram um sistema
Ax = ˜b equivalente ao sistema original Ax = b
O m´etodo de Elimina¸c˜ao de Gauss usa esta propriedade para transformar a matriz A numa matriz triangular
superior equivalente. Suponha aqui, que det(A) 6 = 0.
Reescrevemos a matriz A e o vetor b na forma de uma matriz expandida:
Cap´ıtulo 2. Sistemas de Equa¸c˜oes Lineares CNC
a 11 a 12 a 13 · · · a 1 n b 1
a 21 a 22 a 23 · · · a 2 n b 2
. . .
ai 1 ai 2 ai 3 · · · ain bi
. . .
an 1 an 2 an 3 · · · ann bn
l
(1) 1
l
(1) 2 . . .
l
(1) i . . .
l
(1) n
os elementos l
(1) i , para i = 1, 2 ,... , n, representam as equa¸c˜oes do sistema linear (2.1) a ser triangularizado.
Suponha que a 11 6 = 0. Para eliminar a inc´ognita x 1 das n − 1 equa¸c˜oes, subtra´ımos a primeira linha multiplicada
pelo fator
mi 1 =
ai 1
a 11
de todas as outras linhas li , i = 2, 3 ,... , n
Dessa maneira, l
(2) i = l
(1) i − mi 1 l
(1) 1 , para^ i^ = 2,^3 ,... , n, ou ainda,
Para i = 2 : n a
(2) ij = aij − mi 1 a 1 j , j = 2 : n
b
(2) i = bi − mi 1 b 1.
O ´ındice superior
(2) indica que usaremos um segundo valor para aij e bi.
No final deste est´agio, os coeficientes da matriz aumentada foram modificados de modo que a matriz assume
a seguinte configura¸c˜ao:
a 11 a 12 a 13 · · · a 1 n b 1
0 a
(2) 22 a
(2) 23 · · ·^ a
(2) 2 n b
(2) 2
0 a
(2) i 2 a
(2) i 3 · · · a
(2) in b
(2) i
0 a
(2) n 2 a
(2) n 3 · · ·^ a
(2) nn b
(2) n
l
(1) 1
l
(2) 2
l
(2) i
l
(2) n
Para eliminar a inc´ognita x 2 das n − 2 ´ultimas equa¸c˜oes repetimos o procedimento anterior tomando agora a
segunda linha como auxiliar no processo de elimina¸c˜ao, isto ´e:
l
(3) i = l
(2) i − mi 2 l
(2) 2 , i = 3 : n, onde mi 2 =
ai 2
a 22
, i = 3 : n,
supondo que a 22 6 = 0.
Os coeficientes ser˜ao modificados segundo as rela¸c˜oes:
Para i = 3 : n a
(3) ij = a
(2) ij − mi 2 a
(2) 2 j , j = 3 : n
b
(3) i = bi − mi 2 b
(2)
Cap´ıtulo 2. Sistemas de Equa¸c˜oes Lineares CNC
Use quatro d´ıgitos na representa¸c˜ao em ponto flutuante e arredondamento ao desprezar o quinto d´ıgito.
Troque a ordem das equa¸c˜oes lineares e resolva novamente o problema usando o mesmo algoritmo.
Solu¸c˜ao 1. Para eliminarmos x 1 , obtemos m = 105. 8 e:
− 1689 x 2 = − 1688
Cuja solu¸c˜ao obtida ´e x 1 = 12. 50 e 0. 9994. A solu¸c˜ao correta do sistema ´e x 1 = 10 e x 2 = 1. 0. Calcule o erro
relativo da solu¸c˜ao obtida.
Resolvendo o mesmo problema com a ordem das equa¸c˜oes trocadas temos m = 0. 9456 × 10
− 2 e:
423 x 1 − 24. 72 x 2 = − 20. 49
96 x 2 = 15. 96
cuja solu¸c˜ao ´e x 1 = 10 e x 2 = 1, que ´e a solu¸c˜ao exata do sistema.
O procedimento usado no exemplo 4 para obter a solu¸c˜ao correta do sistema ´e chamado de estrat´egia de
pivoteamento, que consiste na troca sistem´atica das linhas, de modo que o pivˆo seja o maior elemento, em valor
absoluto, da coluna que estamos eliminando. Assim,
|ar k | = max i≤k≤n
|aik |;
O algoritmo (4) ilustra esta estrat´egia.
Existem dois casos nos quais o m´etodo de elimina¸c˜ao pode ser aplicado sem pivoteamento:
j 6 =i
|aij |, i = 1, 2 ,... , n,
para todo i.
T = A e positiva definida x
T Ax > 0, para todo vetor x 6 = 0.
Os m´etodos de Elimina¸c˜ao de Gauss e Elimina¸c˜ao de Gauss com Pivoteamento podem ser usados economi-
camente quando precisamos resolver v´arios sistemas com a mesma matriz dos coeficientes A e diversos termos
independentes b.
Uma op¸c˜ao seria guardar os coeficientes mij calculados no processo de elimina¸c˜ao e us´a-los na atualiza¸c˜ao dos
termos independentes b. Computacionalmente, esta alternativa ´e conhecida como Fatora¸c˜ao LU da matriz A.
Suponha que seja poss´ıvel fatorar a matriz A num produto de uma matriz triangular inferior (com elementos
da diagonal principal iguais a 1) L, e uma matriz triangular superior U, isto ´e:
A = LU =⇒ Ax = b ⇐⇒ LUx = b.
O sistema LUx = b permite o desmembramento em dois sistemas triangulares:
Ly = b e Ux = y.
Cap´ıtulo 2. Sistemas de Equa¸c˜oes Lineares CNC
Dado n, An×n, bn× 1 e xn× 1.
1: Para k = 1 at´e k = n − 1 fa¸ca
2: w = |akk | e r = k
3: Para j = k at´e j = n fa¸ca
4: Se |akj | > w ent˜ao
5: w = |ajk | e r = j
6: Fim do condicional
7: Fim do la¸co
8: Se w = 0 ent˜ao
9: A n˜ao ´e invers´ıvel. PARE
10: Caso contr´ario
11: Troque a linha k com a linha r
12: Fim do condicional
13: Para i = k + 1 at´e i = n fa¸ca
14: m = mik =
aik
akk
15: bi = bi − mbk
16: Para j = k + 1 at´e j = n fa¸ca
17: aij = aij − makj
18: Fim do la¸co
19: Fim do la¸co
20: Fim do la¸co
21: Execute o algoritmo (1).
Algoritmo 4: Solu¸c˜ao de (2.2) via Elimina¸c˜ao de Gauss com Pivoteamento
Resolvendo o primeiro sistema, calculamos y que, usado no segundo sistema, fornecer´a o vetor procurado x.
Teorema 1. Dada uma matriz An×n, seja Ak a matriz constitu´ıda das primeiras k linhas e colunas de A. Suponha
que det(Ak ) 6 = 0 para k = 1, 2 ,... , (n − 1). Ent˜ao, existe uma ´unica matriz triangular inferior L = (mij ), com
mii = 1, 1 ≤ i ≤ n e uma matriz triangular superior U = (uij ) tais que LU = A. Ainda mais, det(A) =
u 11 u 22 · · · unn.
Exemplo 5. Resolva o sistema linear a seguir usando a fatora¸c˜ao LU:
3 x 1 + 2 x 2 + 4 x 3 = 1
x 1 + x 2 + 2 x 3 = 2
4 x 1 + 3 x 2 + 2 x 3 = 3
Cap´ıtulo 2. Sistemas de Equa¸c˜oes Lineares CNC
Se no sistema Ax = b os elementos da diagonal s˜ao diferentes de zero, aii 6 = 0, i = 1, 2 ,... , n, ent˜ao
podemos explicitar x 1 usando a primeira equa¸c˜ao, x 2 usando a segunda equa¸c˜ao e assim sucessivamente. Ou seja,
reescrevemos o sistema (2.1) numa forma que ´e conveniente para os m´etodos iterativos:
x 1 =
b 1 −
n ∑
j=
a 1 j xj
(^) /a 11
xi =
b i −
n ∑
j 6 =i
aij xj
(^) /a ii
xn =
b n −
n− 1 ∑
j=
anj xj
(^) /a nn
Neste m´etodo, as equa¸c˜oes (2.5) s˜ao usadas para calcular uma seq¨uˆencia de vetores aproxima¸c˜oes x
(1) ,
x
(2) ,.. ., x
(k)
. Dada uma aproxima¸c˜ao inicial x
(0) , usamos o primeiro termo `a direita da i-´esima equa¸c˜ao para
definir uma nova aproxima¸c˜ao para xi :
x
(1) i
b i −
n ∑
j 6 =i
aij x
(0) j
(^) /a ii ,^ i^ = 1,^2 ,... , n.^ (2.6)
Usamos agora o vetor x (1) nas equa¸c˜oes (2.5) para calcular o novo vetor das aproxima¸c˜oes, x (2) = (x
(2) 1
x
(2) 2 ,.. ., x
(2) n )
T
. Em resumo, o m´etodo de Jacobi consiste em calcularmos as componentes dos vetores x (1) ,
x (2) ,... usando (2.5).
Verificamos se este m´etodo converge fazendo:
max 1 ≤i≤n
∣x
(k+1) i − x
(k) i
∣ < ou max 1 ≤i≤n
∣x
(k+1) i − x
(k) i
∣x
(k+1) i
onde ´e uma tolerˆancia suficientemente pequena. Em testes computacionais usamos tamb´em como teste de
parada um n´umero m´aximo de itera¸c˜oes.
Para iniciar o processo iterativo ´e necess´ario fornecer uma aproxima¸c˜ao inicial x (0)
. Na falta de informa¸c˜ao
sobre a solu¸c˜ao, tomamos x
(0) = 0.
Este m´etodo consiste em uma modifica¸c˜ao do m´etodo de Jacobi. Nele, as itera¸c˜oes ser˜ao calculadas usando as
equa¸c˜oes (2.5), mas aproveitando os c´alculos j´a atualizados de outras componentes, para atualizar a componente
que est´a sendo calculada. Assim, o valor rec´em calculado para x
(k+1) 1 ser´a usado no c´alculo de x
(k+1) 2
Cap´ıtulo 2. Sistemas de Equa¸c˜oes Lineares CNC
Dado n, An×n, bn× 1 e x
(0) n× 1 , max,
1: Para k = 0 at´e k = max fa¸ca
2: Para i = 1 at´e i = n fa¸ca
3: x
(k+1) i
aii
b i −
n ∑
j=1, j 6 =i
aij x
(k) j
4: Se max 1 ≤i≤n
∣x
(k+1) i − x
(k) i
∣ < ^ ou
∣x
(k+1) i − x
(k) i
∣x
(k+1) i
< ent˜ao
5: x = x
(k+1)
6: Caso contr´ario
7: Se k = max ent˜ao
8: PARE: n˜ao houve convergˆencia.
9: Fim do condicional
10: Fim do condicional
11: Fim do la¸co
12: Fim do la¸co
Algoritmo 6: M´etodo de Jacobi
Dado n, An×n, bn× 1 e x
(0) n× 1 , max,
1: Para k = 0 at´e k = max fa¸ca
2: Para i = 1 at´e i = n fa¸ca
3: x
(k+1) i
aii
bi −
i− 1 ∑
j=
aij x
(k+1) j
n ∑
j=i+
aij x
(k) j
4: Se max 1 ≤i≤n
∣x
(k+1) i − x
(k) i
∣ < ou
∣x
(k+1) i − x
(k) i
∣x
(k+1) i
< ent˜ao
5: x = x (k+1)
6: Caso contr´ario
7: Se k = max ent˜ao
8: PARE: n˜ao houve convergˆencia.
9: Fim do condicional
10: Fim do condicional
11: Fim do la¸co
12: Fim do la¸co
Algoritmo 7: M´etodo de Gauss-Seidel
Exemplo 6. Resolva o sistema abaixo usando os m´etodos de Jacobi e Gauss-Seidel:
00 x 1 + 0. 24 x 2 − 0. 08 x 3 = 8. 00
09 x 1 + 3. 00 x 2 − 0. 15 x 3 = 9. 00
04 x 1 − 0. 08 x 2 + 4. 00 x 3 = 20. 00
Cap´ıtulo 2. Sistemas de Equa¸c˜oes Lineares CNC
T {
03 x 1 + 58. 9 x 2 = 59. 2
31 x 1 − 6. 10 x 2 = 47. 0
19 x 1 + 2. 11 x 2 − 100 x 3 + x 4 = 1. 12
2 x 1 − 0. 122 x 2 + 12. 2 x 3 − x 4 = 3. 44
100 x 2 − 99. 9 x 3 + x 4 = 2. 15
T
πx 1 − e x 2 +
2 x 3 −
3 x 4 =
π 2 x 1 + e x 2 − e 2 x 3 +
3 7
x 4 = 0 √ 5 x 1 −
6 x 2 + x 3 −
2 x 4 = π
π 3 x 1 + e 2 x 2 −
7 x 3 +
1 9 x 4 =
(a) Resolva os sistemas acima usando o m´etodo de Elimina¸c˜ao de Gauss e opera¸c˜oes aritm´eticas com
aproxima¸c˜ao de trˆes d´ıgitos por truncamento.
(b) Repita o item acima usando o m´etodo de Elimina¸c˜ao de Gauss com Pivoteamento.
(c) Resolva os sistemas acima usando Fatora¸c˜ao LU e opera¸c˜oes aritm´eticas com aproxima¸c˜ao de trˆes
d´ıgitos por truncamento.
(d) Calcule o erro relativo dos itens acima.
(e) Verifique se os sistemas acima s˜ao convergente se aplicarmos os M´etodos Iterativos de Jacobi e Gauss-
Seidel. Justifique sua resposta.
(a)
x 1 − 0. 5 x 2 + 0. 5 x 3 = 3
x 1 + x 2 + x 3 = 12
− 0. 5 x 1 − 0. 5 x 2 + x 3 = 3
(b)
x 1
x 2
x 3
x 4
Resolva-os usando os m´etodos de Jacobi e Gauss-Seidel e verifique a convergˆencia dos m´etodos. Justifique
os resultados. [ (a) x = (2, 4 , 6)
T , (b) x = (3, − 1 , 5 , 7)
T ]
(a)
x 1 − 3 x 2 + 5x 3 + 6x 4 = 17
− 8 x 1 + 4x 2 − x 3 = 29
3 x 1 + 2x 2 − 2 x 3 + 7x 4 = − 11
x 1 + 2x 2 + 5x 3 − 4 x 4 = 7
(b)
x 1
x 2
x 3
usando o m´etodo de Elimina¸c˜ao de Gauss com e sem pivoteamento. Compare e verifique os resultados. [
(a) x = (− 4. 6077 , 0. 3757 , 3. 1215 , 1 .1878)
T ]
Cap´ıtulo 2. Sistemas de Equa¸c˜oes Lineares CNC
(a)
x 1
x 2
x 3
(b)
x 1 + 2x 2 + 3x 3 = 17
− 5 x 1 − x 2 + 4x 3 = − 2
2 x 1 + 4x 2 + x 3 = 25
usando Fatora¸c˜ao LU. Verifique a unicidade e a exatid˜ao das solu¸c˜oes.
(a)
− 2. 132 x 1 + 4. 096 x 2 − 7. 013 x 3 = − 5. 049
(b)
− 4. 0231 x 1 + 6. 0000 x 2 + 1. 1973 x 4 = − 6. 1593
− 1. 0000 x 1 − 5. 2107 x 2 + 1. 1111 x 3 = 3. 0004