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apostila de Prótese Total, Resumos de Odontologia

PRÓTESE TOTAL MUCOSUPORTADA RESUMO DE AULAS TEÓRICAS E COMENTÁRIOS

Tipologia: Resumos

2012

Compartilhado em 22/07/2012

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PRÓTESE TOTAL MUCOSUPORTADA
RESUMO DE AULAS TEÓRICAS E
COMENTÁRIOS
HENRIQUE CERVEIRA NETTO
Doutor em Prótese pela Faculdade Odontologia do
Campus de São José dos Campos - UNESP.
Prof. Titular de Prótese Dentária da Faculdade de
Odontologia da Universidade Metropolitana de Santos
– UNIMES.
Prof. Coordenador do Curso de Especialização em
Prótese Dentária da Faculdade de Odontologia da
UNIMES.
1999
Prefácio da 1ª ed.
CADERNOS DE PRÓTESE TOTAL
Rev. XXV de Janeiro, C.A.XXV de Janeiro da F.O.U.S.P., v.30 (número especial),
p. 29-44, Julho 1971.
Rev. XXV de Janeiro, C.A.XXV de Janeiro da F.O.U.S.P., v.30 (número especial),
p. 29-64, Outubro 1971.
O presente trabalho têm por finalidade orientar o estudo teórico das Próteses Totais
Mucosuportadas.
Não se trata de um trabalho completo sobre o assunto, nem dispensa o estudo mais
profundo nos livros didáticos.
Queremos deixar bem claro que nossa intenção foi compilar um roteiro didático que
oriente, cronologicamente, os diversos pontos de interesse no estudo da matéria.
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PRÓTESE TOTAL MUCOSUPORTADA

RESUMO DE AULAS TEÓRICAS E

COMENTÁRIOS

HENRIQUE CERVEIRA NETTO

Doutor em Prótese pela Faculdade Odontologia do Campus de São José dos Campos - UNESP. Prof. Titular de Prótese Dentária da Faculdade de Odontologia da Universidade Metropolitana de Santos

  • UNIMES. Prof. Coordenador do Curso de Especialização em Prótese Dentária da Faculdade de Odontologia da UNIMES.

Prefácio da 1ª ed. CADERNOS DE PRÓTESE TOTAL Rev. XXV de Janeiro, C.A.XXV de Janeiro da F.O.U.S.P., v.30 (número especial), p. 29-44, Julho 1971. Rev. XXV de Janeiro, C.A.XXV de Janeiro da F.O.U.S.P., v.30 (número especial), p. 29-64, Outubro 1971.

O presente trabalho têm por finalidade orientar o estudo teórico das Próteses Totais Mucosuportadas. Não se trata de um trabalho completo sobre o assunto, nem dispensa o estudo mais profundo nos livros didáticos. Queremos deixar bem claro que nossa intenção foi compilar um roteiro didático que oriente, cronologicamente, os diversos pontos de interesse no estudo da matéria.

CAPÍTULO I

Exame da boca em Prótese Total Anatomia do desdentado A mucosa e o tecido ósseo Tecidos móveis e imóveis Meios de retenção das Próteses Totais Muco Suportadas Pressão atmosférica, adesão, gravidade e tensão superficial

Introdução ao estudo: "Devemos ter sempre em mente que o campo sobre o qual apoiamos nossos aparelhos protéticos, não é estável ou fixo, porém sujeito a contínuas alterações, no espaço e no tempo."

ALDROVANDI, C. (1960)

Conceito e finalidades

"A prótese de dentaduras é o ramo da Prótese Dental que se propõe a restaurar de maneira total o paciente desprovido de dentes".

Dentro deste conceito devemos encontrar os seguintes pontos que perfariam as finalidades da prótese: 1- restaurar a função mastigatória 2- restaurar as medidas e contornos da face segundo a estética 3- corrigir os defeitos da fonética devido à perda dos dentes 4- restaurar não produzindo lesões ao paciente Notamos que esse conceito é fundamentalmente biológico pois é essencial que nossos aparelhos, ao restaurar algumas funções, não prejudiquem outras.

O exame da boca reveste-se de grande importância ao levarmos em consideração que dele poderemos partir como base de diagnóstico e o que é mais importante, para o prognóstico do caso. Podemos dividir o exame propriamente dito em: Exame:

  • _VISUAL
  • TÁCTIL
  • RADIOGRÁFICO
  • DOS MODELOS DE ESTUDO_

EXAME DA BOCA PARA PRÓTESE TOTAL

Através das radiografias verificaremos:

_- focos de osteite;

  • cistos residuais;
  • raízes residuais; -dentes inclusos;
  • instrumentos fraturados, etc._ ♦ - estado da reabsorção óssea,- trabeculado ósseo: sua disposição e sua orientação,- disposição dos foramens em relação à crista óssea residual.

Tipos de radiografia: Periapical - visualização de pequena área suspeita (p.ex.: localização de raiz); Oclusal - visualização da área basal, no plano horizontal; Panorâmica - visualização de todo o terço inferior do crânio, incluindo articulações e seios maxilares.

4- Modelos de estudo

Exame mais acurado da altura, espessura e regularidade dos rebordos: delimitação prévia da área a ser recoberta pela futura prótese; detalhes que podem não ser bem visualizados no exame local e necessitam novo exame; explicação ao paciente, das possibilidades do nosso aparelho.

5- Rebordos alveolares: volume e forma

a ) assimetria de forma : quando muito pronunciada, deve ser levada em conta na montagem dos dentes pois pode comprometer a estabilidade do aparelho; b ) espículas ósseas não reabsorvidas : podem indicar avulsões recentes, necessitando cirurgia reparadora; c ) áreas de grande reabsorção : verificamos pela anamnese se são devidas a causas locais ou resultantes de tratamentos anteriores; d ) bridas cicatriciais : quando muito volumosas e extensas necessitam remoção cirúrgica; e ) avulsões muito espaçadas : rebordo irregular, exige o uso de critério na montagem dos dentes, procurando melhor distribuição de esforços; f ) grandes reabsorções, mucos flácida : quando acompanhada de hipertrofia indica remoção cirúrgica e em alguns casos, o "aprofundamento de sulco" cirúrgico; g) diferenças de densidade da estrutura óssea devidas à reabsorção : necessitam um exame local com auxílio de RX e em certos casos, exames histopatológicos com o fito de determinar as causas dessa reabsorção; h ) excessiva espessura na região anterior, ausência de espaço para montagem dos dentes : remoção cirúrgica com osteoplastia; i ) diferenças de reabsorção no maxilar e na mandíbula : pela anamnese verifica-se o histórico do uso de prótese mono-maxilar ou outro tipo de aparelho removível.

6- Relação inter-maxilar

É a relação mútua, entre maxilar e mandíbula, no sentido ântero-posterior, em relação aos rebordos e na altura das tuberosidades.

Método de Turner para verificação do espaço inter-maxilar : os dedos indicadores apoiados ao longo dos rebordos, o paciente fechando a boca, teremos a longitude somada das coroas dentais. As possibilidades encontradas nesse exame são: a) projeção da mandíbula em relação à maxila : dificuldade na montagem dos dentes (dentes anteriores montados topo a topo); b) contato das tuberosidades : geralmente devido a hipertrofias ósseas das tuberosidades; indica-se regularização cirúrgica das tuberosidades; c) espaço normal.

7- Sensibilidade bucal

Devida à presença de exteroceptores na fibromucosa, responsáveis pelo limiar de sensibilidade local. Sensibilidade exagerada ao toque, náuseas; geralmente restrita à porção mais posterior do palato e base da língua. Indica-se o uso de anestésico tópico para moldagem.

8- Prognóstico Baseia-se na coleta desses dados. Deve ser informado ao paciente para que, antes da confecção das próteses, ele saiba das limitações inerentes ao aparelho.

"Como alguém pode esperar, preparar seu paciente psicologicamente e acompanha-lo durante o período de sua volta à normalidade, sem o profundo conhecimento da anatomia, fisiologia e patologia envolvidas?".

MONSON, G.S. (1922)

9- Ficha clínica

Importante para anotação dos dados e seguimento do caso, seja durante o tratamento, seja para controles posteriores. Deve conter: a) local para registro dos dados obtidos no exame; b) esquema de PENDLETON com descrição das áreas; c) local para DIAGNÓSTICO, PROGNÓSTICO e CONTROLE posterior; d) local para anotações de controle.

As causas mais freqüentes de falhas das P.Totais são: 1- Comprometimento psíquico; 2- Estudo prévio insuficiente e/ou mau preparo da boca; 3- Pouco cuidado na tomada das impressões; 4- Falha no estabelecimento da OC.;

Composição da fibromucosa: Apresenta-se como uma camada de epitélio escamoso estratificado repousando sobre outra camada, a túnica própria. Este por sua vez divide-se histologicamente em camada papilar e camada reticular. Epitélio e Túnica constituem a MUCOSA que se apoia na SUB-MUCOSA. Esta é constituída por um retículo de fibras elásticas frouxas e vasos. O EPITÉLIO , por razões de sua função, apresenta-se recoberto por uma camada córnea de células estratificadas nas regiões do palato duro e gengivas.

Verificamos, deste rápido apanhado, que a fibromucosa pode e é realmente, afetada pelo continente líquido do tecido, bem como por alterações endócrinas do paciente. As propriedades da fibromucosa que têm interesse protético são:

Tonicidade : sua textura ao toque, sua resistência aos deslocamentos. Pode sofrer alterações com o estado físico do paciente e/ou devidas a hiperplasias localizadas (edema

  • conteúdo histamínico). Resiliência : propriedade de devolução de esforços. Capacidade da fibromucosa de voltar ao seu estado primitivo após ter sofrido deformação devida a uma carga localizada. Está intimamente liga à tonicidade.

As alterações que ocorrem, tanto em tecidos moles como em tecido ósseo de suporte, afetam as posições das bases das próteses e portanto a OCLUSÃO. Os tecidos moles respondem rapidamente aos estímulos externos como pressão, calor, frio e aos estímulos internos como a quantidade de fluidos que contem nutrientes, sais e pressão sangüínea.

The Etiology of Mucosal Inflammation Associated with Dentures.

LOVE, William D. et al. J.Pros.Dent.,18(6):515-27, 1967 Avaliação de 522 pacientes portadores de próteses. Conclusões:

1- A adaptação da prótese tem a maior importância na condição da mucosa de revestimento; mais do que qualquer outro fator.

2- A remoção das próteses a noite reduz, drasticamente, a incidência de inflamação. Se combinada com a estimulação dos tecidos com uma escova macia, a inflamação pode ser totalmente eliminada.

A MUCOSA E O TECIDO ÓSSEO

3- A idade é um fator importante na etiologia da inflamação. O grupo MAIS JOVEM é o mais sujeito à inflamação devido ao alto potencial de resposta aos estímulos. 4- Inflamação severa e hiperplasia papilar, são relativamente menores na mandíbula do que na maxila.

5- Há necessidade de maior ênfase na educação dos pacientes quando da instalação de próteses.

6- A etiologia da inflamação é complexa e necessita de mais estudos; tanto para um tratamento efetivo, quanto para a sua prevenção.

Os Tecidos moles variam de espessura, resiliência e na sua tolerância à pressão, estando em contínua e constante adaptação e modificação de ocorro com os estímulos a que são submetidos.

ORTMAN, 1977

O TECIDO ÓSSEO

Base profunda de sustentação das próteses, interessam-nos as alterações que esse tecido pode sofrer, bem como as modificações nos rebordos alveolares quando dessas alterações. Dentre as alterações que o tecido ósseo pode sofrer, interessa-nos, diretamente, a reabsorção óssea alveolar.

Segundo Mc Call e Stilman o osso alveolar existe apenas como o elemento de fixação para os dentes. Assim sendo, a perda dos dentes eqüivaleria ao desaparecimento desse osso por falta de função.

Mac Millan, em seus estudos, demonstra que o osso alveolar comporta-se como qualquer osso do organismo, sofrendo um rearranjo estrutural devido a perda dos dentes, com a finalidade de adaptação às novas condições do sistema.

CONCEITO DE REABSORÇÃO Seria a eliminação dos componentes inorgânicos do osso pela circulação sangüínea e linfática.

LEI DE LERICHE POLICARDE -

"A compressão dos tecidos determina uma hiperatividade circulatória, em determinados pontos do osso, com a conseqüente mobilização do cálcio, acompanhada de rarefação óssea."

  • In Aldrovandi, C. (1960)

Na MAXILA a reabsorção dá-se, predominantemente, as custas da tábua óssea vestibular, persistindo uma forma delgada.

Coletamos as opiniões de alguns autores sobre o assunto: assim é que Clark cita a pressão e a dor provocadas por dentaduras defeituosas como uma das causas principais da reabsorção óssea. Mc Millan crê que as modificações ao nível dos rebordos alveolares são devidas a estímulos de ordem fisiológica ou a ausência desses estímulos. Grohs (In Aldrovandi, C. [1960]): "O osso se reabsorve em pontos de excessiva pressão; os tecidos moles atrofiam-se ou hipertrofiam-se, dependendo do estímulo a que são submetidos". "A compressão dos tecidos determina uma hiperatividade circulatória em determinados pontos do osso, com a conseqüente mobilização do cálcio, acompanhada de uma rarefação óssea".

O osso basal apresenta um complexo suprimento sangüíneo, originário de duas fontes:

_- periósteo

  • sistema interno arterial "A pressão excessiva da base da dentadura sobre o osso do rebordo residual, pode gerar insuficiência circulatória que acelera a reabsorção. Um dos fatores dessa pressão é o tipo de oclusão criado pelo dentista"._

ORTMAN (1977)

d) Estados patológicos

Page considera a reabsorção como sendo devida a influências orgânicas de ordem geral ligadas a insuficiência do estímulo local. Acredita, esse autor, que pode haver diminuição do processo pela correção de insuficiências endócrinas e o uso de uma dieta balanceada. Já Key estabelece uma diferença entre ATROFIA, que afetaria todo um osso ou ossos e REABSORÇÃO óssea, que afetaria partes de um mesmo osso. Segundo Key a atrofia é devida ao desuso, inflamação ou traumatismo enquanto a reabsorção seria devida à pressão, distúrbios neurotróficos ou atividade celular. Schour e Massler, em estudos sobre os efeitos das glândulas endócrinas no crescimento do esqueleto facial, confirmam os estudos de Page.

"Na construção de próteses totais, o objetivo principal é a preservação dos rebordos alveolares; os objetivos secundários serão a eficiência mastigatória e a estética".

TRAPOZZANO, V.R. (1959)

Podemos, para fins de estudo e análise dividir os tecidos de sustentação em tecidos: MÓVEIS E IMÓVEIS.

TECIDOS MÓVEIS a fibromucosa e tecidos adjacentes; TECIDOS IMÓVEIS o tecido ósseo de suporte.

Essa classificação tem cunho exclusivamente didático pois, como vimos, nem a fibromucosa é um tecido eminentemente móvel nem o osso é absolutamente estável em suas dimensões.

Feito este apanhado preliminar podemos passar ao estudo dos:

RETENÇÃO é a capacidade da prótese de resistir às forças extrusivas que tendem a desloca-la de sua posição.

Neste item, estudaremos o que mantém as próteses mucosuportadas em posição, quais as forças envolvidas nessa retenção e como poderemos tirar melhor partido deste ou daquele meio de retenção. Como fator de retenção poderemos citar: a atividade muscular exercida, inconscientemente, pelo próprio paciente, mantendo a adaptação dos tecidos circunjacentes às bordas da prótese. É evidente que não poderemos contar com esta capacidade do paciente ao confeccionarmos próteses e sim devemos criar as condições necessárias para que isso ocorra.

Vamos nos valer de meios FÍSICOS de retenção:

a) Gravidade : força que age de maneira positiva para a mandíbula e negativa para a maxila. Houve época em que se utilizava a gravidade como um auxiliar para a retenção de próteses mandibulares, aumentando o peso das dentaduras mandibulares. Como já vimos ao estudarmos as causas de reabsorção óssea, esta sempre acompanha o aumento de pressão; notadamente quando esta pressão faz-se de maneira irregular e arbitrária. Mesmo não levando em consideração o desconforto causado ao paciente, o simples conhecimento das leis de reabsorção já contra-indica o uso da gravidade como fator auxiliar na retenção de dentaduras.

b) Adesão : podemos conceituar a adesão como a força de atração inter-molecular existente entre as moléculas da superfície de um determinado corpo e as moléculas superficiais de outro, quando em íntimo contato. Para melhor compreendermos a adesão devemos estudar outra força inter-molecular que é a COESÃO. Poderíamos conceituar a coesão como aquela força inter-molecular existente entre as moléculas de um mesmo corpo, força essa que mantém a unidade da substância como um corpo. As forças de coesão é que são responsáveis pela TENSÃO SUPERFICIAL nos líquidos.

Podemos entender o mecanismo da adesão com um esquema: Há coesão entre as moléculas da fibromucosa; coesão entre as moléculas da saliva. Se tivermos um íntimo contato entre a saliva e a fibromucosa, rompendo a tensão superficial da saliva, essa força se exercerá, em forma de adesão tendendo a manter unidas a película de saliva e a fibromucosa, como um corpo único. Por outro lado temos coesão entre as pérolas de resina da base da dentadura; coesão entre as moléculas da saliva ; se

MEIOS DE RETENÇÃO DAS PRÓTESES TOTAIS MUCOSUPORTADAS

às superfícies de contato, sendo que, quanto maior for a área de contato maior será a adesão.

2. Pressão atmosférica : atualmente não se indicam recursos protéticos que utilizem a pressão atmosférica como elemento de retenção. 3. Suporte : representado pelas estruturas sobre as quais se assenta o aparelho protético. Essas estruturas receberão os esforços decorrentes da mastigação. 4. Selamento periférico : representado pela adaptação das bordas da dentadura aos tecidos moles e de suporte. O selamento periférico é devido à adaptação das bordas da dentadura aos tecidos circunvizinhos, na região do sulco gêngivo-labial, fundo de saco gêngivo-bucal, limite palato duro/mole e fornix.

Resumindo: "A base da dentadura deve recobrir tanta superfície de suporte e tecidos circunvizinhos quanto possível, sem interferir com os movimentos dos músculos e bridas susceptíveis de deslocar o aparelho protético de sua posição ou causar injúrias ao paciente"

_- limites gerais da área chapeável da maxila

  • zonas de suporte, selamento periférico, alívio e borda posterior
  • limites gerais da área chapeável da mandíbula
  • zonas de suporte, selamento periférico, alívio e borda posterior
  • músculos que influem na estabilidade da prótese total músculos paraprotéticos_

Introdução:

Denominamos área chapeável ou área basal, aquelas áreas da mandíbula e da maxila que serão recobertas pela base da dentadura.

Levando em consideração que cada paciente é um caso diferente, não podemos estabelecer medidas rígidas, mas somos obrigados a nos guiar por uma série de princípios biomecânicos e fisiológicos que nos orientarão no reconhecimento e delimitação dessa área. Dessa maneira, baseando-nos em conhecimentos já adquiridos anteriormente, estabelecemos os:

Visto o que pretendemos quando falamos em área chapeável, podemos, agora, estabelecer os limites gerais que nos orientarão no desenho e confecção da base de nossas próteses.

  • Rebordo alveolar em toda a sua extensão (de tuberosidade a tuberosidade);
  • Paredes vestibulares do rebordo alveolar até o sulco gêngivo-labial e geniano
  • Abóbada palatina em toda a sua extensão até sua borda posterior, limite palato duro/palato mole
  • Contorno das inserções musculares e bridas vestibulares

Dentro desses limites e conforme a magnitude do esforço recebido pelo tecido de suporte nessas regiões, podemos dividi-las em zonas. Devemos essa divisão a Pendleton:

_1. zona principal de suporte

  1. zona secundária de suporte
  2. zona de selamento periférico
  3. zona de selamento posterior (post-daming ou dicagem posterior)
  4. zona de alívio_ 1. Zona principal de suporte : é a zona de maxila que irá receber o maior esforço durante a mastigação. Ela compreende o rebordo alveolar em toda a sua extensão incluindo as tuberosidades. Essa região, recebendo o maior esforço durante a mastigação é, também, a que maiores alterações sofre com o correr do tempo. Notamos intensas reabsorções ósseas

CAPÍTULO II.

LIMITES GERAIS DA ÁREA BASAL DA MAXILA

1. Zona principal de suporte : constituída pelos rebordos alveolares em toda a sua extensão, bem como, as suas vertentes vestibular e lingual, englobando o trígono retromolar. 2. Zona secundária de suporte: seriam as vertentes vestibular e lingual do rebordo alveolar. Convém notarmos que na mandíbula as zonas secundárias de suporte confundem-se com zona principal de suporte. Uma das zonas que nos oferece grande possibilidade de apoio, que seria aquela situada na região da linha oblíqua externa, onde há osso compacto. Poderia estar classificada tanto como zona secundária de suporte, pela sua posição relativa, quanto como zona principal de suporte, pela sua função de apoio. 3. Zona de selamento periférico : aqui também há certa coincidência pois, na mandíbula, o selamento periférico dá-se tanto às custas de limite gêngivo-labial (na região de fundo de saco gêngivo-labial) como às custas da face do rebordo alveolar vestibular e lingual. 4. Zona de selamento posterior: segundo alguns autores seria a zona constituída pela área retromolar. Porém, não há limite nítido entre a zona de selamento posterior e a zona de selamento periférico, nessa região. Para efeito didático consideraremos a zona de selamento posterior, como sendo aquela região posterior à papila retromolar. 5. Zona de alívio : da mesma maneira, é discutida a sua conveniência (como para a maxila) poderíamos citar como zonas de alívio:

  • Rebordo alveolar terminando em crista fina e alta , com possibilidade de lesões da fibromucosa * Buracos mentonianos: Quando de grandes reabsorções ósseas com localização alta dos foramens mentonianos e possibilidade de compressão dos filetes nervosos que daí emergem. * Porção posterior da linha oblíqua interna: quando esta se apresenta afilada e cortante. Na maioria dos casos procura-se não atingir ou, pelo menos, não apoiar a base da dentadura nessa região. * Torus mandibular: limitar o bordo lingual da prótese à altura do torus quando discreto ou remover cirurgicamente o osso.

Diz-se da retenção ATIVA, quando obtida por meio de artifícios de técnica, como as moldagens p.ex. Diz-se da retenção PASSIVA, quando obtida pela eliminação dos fatores que criam as forças extrusivas, como o recorte muscular e a oclusão p.ex..

Quando nos referimos ao selamento periférico dissemos que procuramos um ajuste o mais próximo possível entre a base da dentadura e os tecidos circunvizinhos. Sabemos que esses tecidos são móveis e que suas posições relativas variam em consonância com a tensão exercida por determinados músculos. Vemos a necessidade de conhecer quais os músculos que podem interferir com a base da dentadura e como se daria essa interferência, para que possamos usá-los em nosso proveito e não contra nós.

Aprile agrupa, sob a denominação de músculos paraprotéticos , uma série de massas musculares que inserindo-se no maxilar e na mandíbula mantém, direta ou indiretamente, relações com a prótese. Os músculos paraprotéticos carecem de importância (em relação à prótese) quando em estática porém, quando em função dinâmica, na mastigação, fonação, deglutição, mímica, podem provocar o deslocamento das próteses, se suas bordas se estenderem até a zona de ação desses músculos. Podemos reconhecê-los clinicamente, por palpação, na zona de selamento periférico, notadamente se pedirmos ao paciente que execute movimentos que envolvam contrações musculares, ou estirando os tecidos moles da boca e examinando os pontos de inserção desses músculos.

De acordo com sua posição determina-se uma linha que contorna as inserções musculares, ligamentos e freios, que foi denominada LINHA DE INSERÇÃO (Aprile; Saizar; Lüders).

"É uma linha imaginária, irregular, que determina até onde pode estender-se a borda da prótese, para conseguirmos um selamento periférico perfeito, sem causar irritações nem perturbar a nutrição dos tecidos, sem alterar a fonação nem provocar traumatismos" (Fournet).

A ação desses músculos manifesta-se pelas alterações que sofre o fundo de saco vestibular, tanto superior como inferior, bem como o limite lingual do assoalho da boca durante a dinâmica.

Para seu estudo poderemos dividir os músculos paraprotéticos em:

  • _Músculos de ação direta
  • Músculos de ação indireta_

Ação direta : quando interferem com a base da dentadura pela sua contração própria. Suas inserções ou seu trajeto coincidem com os limites da prótese.

Ação indireta : quando pela sua contração mobilizam outras massas musculares ou teciduais adjacentes que interferem com a base da dentadura.

1. Músculos paraprotéticos da maxila:

a) O rbicular dos lábios : insere-se na fossa mirtiforme e estende-se até as comissuras labiais- pela sua contração pode interferir com a borda vestibular anterior da prótese. b) Canino : este músculo tem sua inserção ao nível da fossa canina estendendo-se até a comissura labial. É o responsável pelo movimento de elevação e depressão do sulco vestibular anterior; responsável, também, pelo aparecimento dos chamados freios laterais na altura de pré-molares.

MÚSCULOS QUE INTERFEREM NA ESTABILIDADE DAS DENTADURAS:

MÚSCULOS PARAPROTÉTICOS

de uma dentadura mandibular que, sob todos os outros aspectos, pode ter um prognóstico favorável.

Podemos terminar citando G.H. Wilson: "Nenhum fator tem tanta importância na retenção das dentaduras artificiais, como os tecidos moles". "Entre os fatores mais importantes na retenção das dentaduras encontram-se os músculos e suas inserções".

Assim como citamos os inconvenientes do aproveitamento deficiente desses elementos, também sua correta utilização assegura a retenção e estabilidade às próteses totais mucosuportadas.

Se a base da dentadura for a reprodução, em negativo, absolutamente fiel dos tecidos de suporte sua justeza a esses tecidos será perfeita e a retenção será obtida em valores mais que satisfatórios para a nossa finalidade. Para tanto se faz mister que possamos COPIAR essas estruturas de maneira exata. Isso é conseguido por intermédio de uma série de manobras a que denominamos MOLDAGENS.

_- uma definição de moldagem

  • conceito de moldagem anatômica
  • moldagem anatômica da maxila
  • posição do paciente e do operador
  • escolha da moldeira e técnica de moldagem
  • moldagem anatômica da mandíbula
  • acidentes que podem ocorrer durante as moldagens_ 1. Histórico : embora o uso de aparelhos protéticos remonte ao tempo do inicio da sociedade humana, na antigüidade não se fazia uso de moldagens. A base do aparelho era esculpida, paulatinamente, através de medidas que se tomavam, com um compasso, diretamente no paciente. A primeira moldagem de que se tem notícia é atribuída a Pfaff , dentista de “Frederico o Grande”, que empregou cera de abelhas como material de moldagem. Como sabemos, a cera, embora copie as estruturas, é um material instável, que se deforma espontaneamente e de difícil manuseio, pois altera-se ao simples toque. A demanda por próteses provocou um crescente interesse na procura de um material que apresentasse estabilidade dimensional associada à capacidade de moldar fielmente. Em 1844 Duning utiliza gesso como material de moldagem obtendo resultados animadores. Porém, a técnica de trabalho com gesso é bastante desconfortável, tanto para o paciente como para o profissional. Embora o material apresente boa estabilidade dimensional não permite correções. Fratura-se com facilidade em contato com a saliva e é de difícil separação do modelo em positivo. Por volta de 1857 Charles Stent, aperfeiçoa um material resinoso, termoplástico, que seria o precursor da godiva. Os irmãos Greene (1900) aperfeiçoam a godiva e aproveitando-se das características desse material introduzem a técnica das moldagens sucessivas. Os fundamentos dessa técnica são utilizados até os nossos dias. Hupert Hall (1915-1920), em experiências com o novo material desenvolve a godiva preta , dura , e apresenta uma técnica em que esse material é utilizado como moldeira individual. Baseia-se na necessidade de maior adaptação da moldeira e material de moldagem, aos tecidos a serem moldados. Entre 1919 e 1928 Campbell e Pendleton aperfeiçoam os métodos existentes utilizando os novos materiais: godiva em lâminas, placas, bastões, de maior ou menor plasticidade. Renato Prado (1933) apresenta sua técnica. Emprega godiva em lâminas diretamente na moldeira individual.

Com o crescente desenvolvimento das pesquisas e técnicas, procura-se correlacionar a Anatomia, Fisiologia, Biologia e Mecânica. Assim é que, Harris Mc Millan e

CAPÍTULO III

Introdução ao Estudo das Moldagens.