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• Compreender as associações que ocorrem entre os seres vivos, com ênfase na relação desarmônica do parasitismo; • Conhecer os principais artrópodes parasitas humanos
Tipologia: Resumos
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Protozoários Sanguíneos: Malária e Tripanossomíases
OBJETIVO DE APRENDIZADO
**- Introdução;
UNIDADE Protozoários Sanguíneos: Malária e Tripanossomíases
Introdução
Nesta unidade, trataremos dos protozoários que têm como ciclo de vida uma passa- gem pela corrente do hospedeiro vertebrado e são transmitidos, geralmente, por vetores hematófagos, que se alimentam do sangue desses hospedeiros. A primeira doença sobre a qual trataremos é uma enfermidade que afeta toda a re- gião tropical do planeta, deixando muitos mortos no continente africano e considerada um dos maiores problemas de saúde pública do mundo.
Malária
Mais antiga doença infecciosa conhecida da humanidade, causada por protozoários do gênero Plasmodium , a malária afeta diferentes mamíferos e distribui-se tanto nas cidades quanto nas florestas tropicais, como a Amazônia, Mata Atlântica e Floresta Subsaariana, na África, colocando mais de 3 bilhões de pessoas sob risco de contaminação em 95 países diferentes, sendo meio bilhão no Brasil. Destes, em torno de 150 milhões adoecem anual- mente com um número de óbitos em torno de 1 milhão por ano em todo o globo. A doença também é denominada como impaludismo, paludismo, febre palustre e febre intermitente. O gênero Plasmodium compreende mais de quinze espécies espalhadas por dife- rentes continentes, sendo cinco causadoras de doenças em seres humanos: P. vivax , P. ovale , P. malriae , P. falciparum e P. knowlesi , este último descrito recentemente como causador de doença em humanos, estando associado anteriormente a doença em macacos existentes no Velho Mundo, principalmente na Malária.
A malária apenas pode ser transmitida ao homem por meio da picada de fêmeas de mosquitos do gênero Anopheles (Figura 1).
Fonte: Getty Images
Essa transmissão ocorre normalmente ao final do dia e no período da noite, porém, para haver a transmissão, é necessário que o mosquito vetor tenha adquirido o parasita de outro hospedeiro (seres humanos). A transmissão também pode ser acidental, por meio de transfusão de sangue contaminado ou pelo uso de agulhas e seringas infectadas.
UNIDADE Protozoários Sanguíneos: Malária e Tripanossomíases
O continente africano é o que mais sofre com esse tipo de malária, sendo que no Brasil a incidência maior é de P. vivax. Após a picada do mosquito transmissor, o P. falciparum permanece incubado no corpo do indivíduo infectado por, no mínimo, sete dias, e a seguir surge um quadro clínico com diferentes sinais e sintomas, como: calafrios, febre alta (com frequência de três em três dias – febre terçã maligna), sudorese e dor de cabeça. Também é comum que ocorra mialgia, taquicardia, esplenomegalia e, em alguns casos, delírios devido à febre alta. Na infecção por P. falciparum , 10% dos pacientes podem ainda desenvolver malária cerebral, responsável por cerca de 80% dos casos letais da doença. Na malária cerebral, além da febre, pode aparecer dor de cabeça, ligeira rigidez na nuca, perturbações sensoriais, desorientação, sonolência ou excitação, convulsões, vômitos, podendo o paciente chegar ao coma. Já na malária causada por Plasmodium vivax (Malária não complicada) os sintomas incluem mal-estar, calafrios, febre (com padrão de intervalo a cada dois dias), seguida de suor intenso e prostração. Quando o agente causador é o P. malariae (Malária não complicada), os sintomas são bastante semelhantes, porém com febre mais baixa, que se repete a cada três dias (febre terçã benigna).
Diagnóstico de Malária
Como a doença ocorre em regiões endêmicas, cuja incidência é alta, o diagnóstico clínico normalmente é acertado, entretanto o exame laboratorial é imprescindível para fechar o diagnóstico, sendo realizado por uma técnica simples denominada “Gota Espessa” (Figura 3).
Fonte: Divulgação
Na Figura 3, pode-se observar as diferenças morfológicas dos estágios em anel ma- lárico, trofozoíto, esquizonte e gametócito das diferentes espécies de Plasmodium detec- tados na corrente sanguínea de indivíduos com Malária.
Esta técnica consiste em observar o parasita em uma lâmina no microscópio, a partir de uma gota de sangue do paciente. Outros testes enzimáticos são importantes quando a visualização do parasita não for possível, principalmente em regiões que não são en- dêmicas e podem surgir dúvidas sobre o diagnóstico.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) sugere, para áreas endêmicas ou em casos de surtos, o uso de testes rápidos de diagnósticos ( Rapid Diagnostic Tests – RDTs ). O diagnóstico precoce é essencial para o bom prognóstico do paciente e depende da suspeição clínica.
Tratamento da Malária
O tratamento para malária dependerá da espécie infectante. Para infecção causa- da por P. falciparum , utilizam-se terapias combinadas com derivados de artemisinina (ACTs), tornando o medicamento mais eficaz. Essas combinações não devem ser utili- zadas como monoterapia oral. A combinação de dois ingredientes ativos diferentes em único comprimido é mais recomendada do que o uso de vários comprimidos ou cápsu- las, por facilitarem a adesão ao tratamento.
Já os casos de infecções por P. vivax devem ser tratados com cloroquina em áreas onde o medicamento ainda é eficaz, como a maior parte do Brasil, associada à prima- quina para a eliminação das formas hepáticas latentes. Em áreas resistentes à cloroquina, deve ser utilizado um ACT.
Em casos de malária grave utiliza-se a administração de artesunato injetável (intra- muscular ou intravenosa), seguido de um tratamento à base de ACT assim que o paciente estiver apto a tomar medicamentos orais. Ainda não há vacinas para malária, porém estudos em modelos experimentais mostram que certamente isso contribuirá para o controle mais eficaz da doença.
Profilaxia da Malária
Para controle da doença, as medidas preventivas mais eficientes ainda são a redução ou eliminação dos criadouros dos mosquitos e o uso de inseticida, de repelentes e de medicamentos supressores da doença em zonas endêmicas.
A doença deverá ser notificada às autoridades locais de saúde, a fim de evitar o contato do paciente infectado com o meio ambiente e submetê-lo imediatamente ao tratamento específico.
O programa médicos sem fronteiras realizam um papel extremamente importante no com- bate a malária em áreas endêmicas, confira: https://bit.ly/2XpDX9X
Ciclo de vida
O ciclo primitivo do parasita é de natureza eminentemente enzoótica, ou seja, entre reservatórios silvestres, e ocorre provavelmente ao longo da maior parte do continente americano há milhares de anos.
Apresentando diferentes formas evolutivas entre seus hospedeiros, nos vertebrados, o que inclui o ser humano, apresenta-se nas formas tripomastigota e amastigota, circulando pela corrente sanguínea e diferentes tecidos musculares, principalmente tecido cardíaco.
Apesar de sua forma cardíaca ser a mais conhecida, causando aumento do órgão (megalocardia), entre outras complicações, outros órgãos também são atingidos por essa infecção, causando doenças no trato digestivo (megacólon e megaesôfago) e no sistema nervoso central.
Dentro do inseto vetor, o parasita apresenta-se na forma epimastigota e se aloja na porção terminal do intestino do triatomíneo, sendo eliminado junto às fezes após o repasto sanguíneo. Uma substância urticante liberada nesse momento faz com que a pessoa coce a região picada e espalhe as fezes do inseto sobre a pele, facilitando a entrada no organismo.
O ciclo de vida do parasita, como descrito, se divide entre o hospedeiro vertebrado e o inseto, apresentando diferentes formas evolutivas, sendo a epimastigota a forma infectante que passa do vetor ao vertebrado (Figura 6).
Fonte: Adaptado de Wikimedia Commons
Sinais e sintomas da Doença de Chagas
Existem diferentes maneiras que podem caracterizar as principais formas de trans- missão da doença de chagas, entre elas:
UNIDADE Protozoários Sanguíneos: Malária e Tripanossomíases
Após a infecção por uma dessas vias, o período de incubação da doença começa a aparecer da seguinte forma: na transmissão vetorial é de 4 a 15 dias, na transmissão transfusional ou por transplante é de 30 a 40 dias, na transmissão oral ocorre com cerca de 3 a 22 dias e na transmissão acidental pode ocorrer em até 20 dias.
A tripanossomíase americana apresenta diferentes formas da doença, desde infecção assintomática, que pode perdurar por anos sem ser percebida ou diagnosticada, passan- do por uma fase aguda (Doença de Chagas Aguda – DCA), que pode ser sintomática ou não, e uma fase crônica, que pode se manifestar nas formas indeterminada, cardíaca, digestiva ou cardiodigestiva.
Na fase aguda os sintomas costumam ser mais brandos e podem aparecer: febre pro- longada (mais de 7 dias), dor de cabeça, fraqueza intensa, inchaço no rosto e nas pernas.
Quando aparece o inchaço na região em torno dos olhos, damos um nome específico de Sinal de Romaña (Figura 7). Este sinal é sui generis para essa doença. Quando na fase crônica, os casos sintomáticos caracterizam-se pelo aumento do órgão afetado.
Fonte: usp.br
UNIDADE Protozoários Sanguíneos: Malária e Tripanossomíases
Fonte: Wikimedia Commons
Recomenda-se usar medidas de proteção individual (repelentes, roupas de mangas longas etc.) durante a realização de atividades noturnas (caçadas, pesca ou pernoite) em áreas de mata.
É importante o trabalho de educação dos moradores de regiões endêmicas do inseto vetor, orientando-os a: não esmagar, apertar, bater ou danificar o inseto, proteger a mão com luva ou saco plástico, os insetos deverão ser acondicionados em recipientes plásticos, com tampa de rosca para evitar a fuga, preferencialmente vivos, sendo que as amostras coletadas em diferentes ambientes (quarto, sala, cozinha, anexo ou silvestre) deverão ser acondicionadas, separadamente, em frascos rotulados com as seguintes informações: data e nome do responsável pela coleta, local de captura e endereço.
Em relação à transmissão oral, as principais medidas de prevenção são: intensificar ações de vigilância sanitária e inspeção em todas as etapas da cadeia de produção de alimentos suscetíveis à contaminação, com especial atenção ao local de manipulação de alimentos.
Para saber mais sobre a Doença de chagas e sua transmissão, patologia, sinais e sintomas, diagnóstico, prevenção e tratamento acesse o link: https://bit.ly/3991G3Z
Tripanossomíase Africana (Doença do Sono)
Outra tripanossomíase importante é a que ocorre no continente africano, transmitida por uma mosca do gênero Glossina, popularmente conhecida como Tsé-Tsé.
Os parasitas causadores dessa enfermidade são o Trypanosoma brucei gambiense , encontrado nas regiões oeste e central da África, e o Trypanosoma bruceir hodesiense , encontrado nas regiões leste e sul da África. Os casos de tripanossomíase humana africa- na foram reduzidos de 37 mil novos casos em 1999 para menos de 3 mil casos em 2015.
Os sintomas, quando existem na fase inicial, porém no primeiro estágio da Doença do Sono, são prodrômicos, como febre, dores de cabeça, fraqueza, coceira e dores nas arti- culações. Nessa fase, a doença é facilmente tratável, mas de difícil diagnóstico. Sem tra- tamento, o parasita chega ao sistema nervoso central da pessoa infectada, iniciando-se assim o segundo estágio da doença.
Esta é a fase mais preocupante e avassaladora, pois a partir desse momento os sinto- mas são mais específicos, podendo ocorrer confusão mental, comportamento violento ou convulsões.
A doença tem o nome de seu sintoma mais marcante: os pacientes vivenciam a inabili- dade de dormir durante a noite, mas são frequentemente vencidos pelo sono durante o dia.
Para saber mais sobre a doença do sono acesse: https://bit.ly/39dJy8S
Referências
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Coordenação-geral de Desenvolvimento da Epidemiologia em Serviços. Guia de Vigilância em Saúde. 1. ed. atual. Brasília: Ministério da Saúde, 2017. v. 3. Disponível em: <https://www.hc.ufu. br/sites/default/files/tmp//volume_3_guia_de_vigilancia_em_saude_2017.pdf>.Acesso em: 18/11/2019.
________. Guia Prático para o Controle das Geo-helmintíases. Brasília: Ministério da Saúde, 2018. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_pra- tico_controle_geohelmintiases.pdf>. Acesso em: 18/11/2019.
COURA, J. R. Dinâmica das doenças infecciosas e parasitárias. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013. ( e-book )
FERREIRA, M. U. Parasitologia contemporânea. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,
FREITAS, E. O.; GONC ALVES, T. O. F.̧ Imunologia, parasitologia e hematologia aplicadas a ̀ biotecnologia. São Paulo: Érica, 2015. ( e-book )
MARTINS, M. A. et al. (ed.). Clínica médica: alergia e imunologia clínica, doenças da pele, doenças infecciosas. Barueri, SP: Manole, 2009. v. 7. ( e-book )
REY, L. Parasitologia: parasitos e doenças parasitárias do homem nos trópicos ociden- tais. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2018. ( e-book )