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Leishmaniose e Toxoplasmose: Doenças Parasitárias Importantes para a Saúde Pública, Resumos de Parasitologia

Compreender as associações que ocorrem entre os seres vivos, com ênfase na relação desarmônica do parasitismo; • Conhecer os principais artrópodes parasitas humanos.

Tipologia: Resumos

2023

Compartilhado em 21/02/2023

priscila-lopes-88
priscila-lopes-88 🇧🇷

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Parasitologia
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Baixe Leishmaniose e Toxoplasmose: Doenças Parasitárias Importantes para a Saúde Pública e outras Resumos em PDF para Parasitologia, somente na Docsity!

Parasitologia

Protozoários Teciduais: Leishmaniose e Toxoplasmose

  • Compreender os mecanismos de transmissão, epidemiologia, ciclo de vida, diagnóstico e tratamentos das doenças causadas por estes parasitos.

OBJETIVO DE APRENDIZADO

**- Introdução;

  • Leishmaniose;
  • Toxoplasmose;
  • Outros Coccídios de Importância Clínica.**

UNIDADE Protozoários Teciduais: Leishmaniose e Toxoplasmose

Introdução

Nesta unidade, iremos tratar dos protozoários que causam infecções no tecido de hospedeiros vertebrados, incluindo os seres humanos.

Iremos abordar duas enfermidades de grande importância do ponto de vista da Saúde Pública, que além de tudo são perigosas também para os animais de estimação: a leish- maniose, que afeta os cães, tornando-os reservatórios do parasita; e a toxoplasmose, que afeta os gatos e demais felinos, transformando-os em transmissores em potencial desta parasitose.

Leishmaniose

Existe uma grande controvérsia sobre a origem das leishmanioses: uma teoria pro- põe que a enfermidade surgiu na região mediterrânea efoiintroduzida nas Américas e, consequentemente, no Brasil pelos fenícios ou sírios, que supostamente chegaram ao nordeste brasileiro ainda na Antiguidade, muito embora tais viagens na antiguidade ja- mais tenham sido provadas historicamente ou arqueologicamente.

Já a segunda teoria é de que a doença tem origem andina. Muitos acreditam que esta seja mais aceita, pois há peças de cerâmica pré-colombiana, denominadas huacos peru- anos (Figura 1), que retratam figuras humanas com deformidades faciais que remetem à leishmaniose mucocutânea.

Conheça mais sobre a história das leishmanioses. Disponível em: https://bit.ly/3pYAonz

Figura 1 – Huaco peruano representando a leishmaniose

mucocutânea nas populações pré-colombianas

Fonte: Institute of Tropical Medicine Antwerp

UNIDADE Protozoários Teciduais: Leishmaniose e Toxoplasmose

Tabela 1 – Relação entre as espécies do gênero Leishmania e o acometimento aos seres humanos

Espécie Lesões causadas no homem Distribuição geográfica L. (Viannia) braziliensis Cutâneas e mucosas^

América Central e do Sul até o norte da Argentina

(V.) peruviana Predominante cutâneas^ Altos vales andinos e encostaocidental dos Andes

L. (V.) guyanensis Predominante cutâneas^ Noroeste e Norte da América doSul até o rio Amazonas

L. (V.) panamensis Predominante cutâneas^ América Central e costa pacíficada América do Sul L. (V.) lainsoni Casos raros com lesões cutâneas^ Norte do Estado do Pará L. (V.) shawi Casos raros com lesões cutâneas Região Amazônica L. (V.) naiffi Casos raros com lesões cutâneas Região Amazônica L. (V.) colombiensis Cutâneas e mucosas Colômbia Panamá e Venezuela L. (Leishmania) mexicana

Cutâneas eventualmente mucosas difusas México e América Central

L. (L.) amazonenses Cutâneas eventualmentecutâneas difusas

América Central, Norte, Nordeste, Centro Oeste, Sudeste e Sul do Brasil L. (L.) pifanoi Cutâneas eventualmentecutâneas difusas Venezuela L. (L.) venezuelensis Cutâneas Venezuela L. (L.) garnhami Predominantemente cutâneas Andes Venezuelanos L. (L.) infantum = L. (L.) chagasi Lesões viscerais (calazar)^

Sul do México ao Norte da Argentina, Brasil

No Brasil, sua transmissão se dá por meio da picada de um inseto conhecido po- pularmente como “Mosquito Palha” (Figura 3), apesar de na verdade se tratar de um Flebotomíneo, inseto pertencente a uma família de moscas hematófagas transmissoras de agentes patogênicos ligados a diferentes doenças, a Lutzomia longipalpis.

Figura 3 – Flebotomídeo, Phlebotomus pappatasi, conhecido como mosquito palha

Fonte: Wikimedia Commons

Dentro destes insetos, o parasita do gênero Leishmania apresenta-se como célula afilada, possuidora de um único flagelo e uma estrutura celular na porção posterior localizadapróxima ao corpo basal do flagelo, chamada cinetoplasto (forma promasti- gota) (Figura 4).

Já no hospedeiro vertebrado, o protozoário apresenta-se como uma célula arredon- dada, por vezes ovoide, com flagelo internalizado (forma amastigota).

Saiba mais sobre a Leishmaniose. Disponível em: https://bit.ly/3hOV7au

Figura 4

Fonte: Adaptado de NEVES, 2009

Representação esquemática da ultraestrutura das diferentes fases evolutivas de uma Leishmania. A) forma amastigota. B) forma promastigota. As letras significam: B, blefaroplastos; F, flagelo; G, aparelho de Golgi; K, cinetoplasto; L, inclusões lipídicas; M, mitocôndria; mt, microtúbulos sob a membrana ce- lular; N, núcleo; RE, retículo endoplásmico; Rs, reservatório ou bolso flagelar.

Uma diferença interessante da doença nas Américas e no Velho Mundo se dá ao fato de que por aqui os cães domésticos são importantes reservatórios da doença e assim como os seres humanos são acometidos pelo parasita com lesões cutâneas e viscerais.

baixa de glóbulos brancos e plaquetas. Metodologias que utilizam a amplificação do DNA do parasita também podem ser úteis nos casos em que há poucos parasitas.

Figura 5 – Esfregaço de medula óssea corado pelo método Giemsa,

evidenciando formas amastigotas de Leishmania

Fonte: rmmg.org

Importante!

Tanto no diagnóstico da Leishmaniose tegumentar como visceral, é importante a obser- vação das amastigotas internalizadas nos macrófagos.

Tratamento

O tratamento para todas as formas da leishmaniose é feito com injeções de uma dro- ga chamada antimonial pentavalente, medicamento descoberto por Gaspar Vianna em 1913 e aplicado na forma de pomada nas lesões dos pacientes (Figura 6). Comercializa- do atualmente como antimoniato de meglumina e estibogluconato de sódio com o nome de Glucantime®^ e Pentostan®, é a principal forma de combater o parasita. As aplica- ções acontecem diariamente durante um período que varia de 20 a 40 dias, conforme o protocolo adotado, entretanto seu uso deve ser bem controlado, pois os efeitos colaterais apresentam efeito de toxicidade para o rim, fígado e pâncreas e, sobretudo, para o co- ração, levando a arritmias que podem ser graves e até fatais.

No caso de necessidade para pacientes que não respondem, ou relatam intolerân- cia ao medicamento, utiliza-se como segunda escolha outros medicamentos, como a Anfotericina B, um antifúngico que se mostrou eficiente no combate do protozoário. Nos casos de leishmaniose tegumentar, é necessário que se faça tratamento local nas lesões para evitar infecções secundárias (bacterianas, por exemplo).

UNIDADE Protozoários Teciduais: Leishmaniose e Toxoplasmose

Figura 6 – Tártaro emético, desenvolvido por Gaspar Vianna

Fonte: farmacia-museoaramburu.org

Conheça mais sobre Gaspar Vianna. Disponível em: https://bit.ly/3opKuNN

Profilaxia

Os métodos preventivos para esta doença são básicos e se relacionam com o combate ao mosquito e evitar sua picada por meio do uso de repelentes e inseticidas. Manter os cães longe do inseto transmissor também é um método importante de prevenção, com uso de coleiras e por meio de vacinas já disponíveis comercialmente. Não há vacinas para seres humanos.

Saiba mais sobre o assunto em: https://bit.ly/2XlOwuV

Leishmaniose visceral: transmissão e prevenção. Disponível em: https://youtu.be/4l91S4k0g1w

Toxoplasmose

A toxoplasmose, também conhecida como “doença do gato”, é causada por um protozoário coccídeo intracelular denominado Toxoplasma gondii e apesar de ter alta prevalência mundial (podendo variar de 25% até 80% em alguns países), costuma ser grave apenas em algumas situações de baixa imunidade, como nos pacientes com AIDS, infectados previamente com Toxoplasma ou no caso de gestantes infectadas durante o período gestacional. A infecção pode ter como hospedeiros intermediários vários animais, entre aves, répteis e mamíferos, sendo que o principal é o homem. Qualquer felino pode ser transmissor da doença por meio de suas fezes, entretanto o de maior importância clínica é o gato, visto que ele é um animal domesticado e frequentemente transmite o protozoário ao homem.

UNIDADE Protozoários Teciduais: Leishmaniose e Toxoplasmose

Nos seres humanos de todo o mundo, a doença se mantém subclínica ou assintomática.

Os problemas começam, como já dito anteriormente, quando uma gestante que nunca entrou em contato com o parasita se infecta. O grande problema neste caso é para o feto, que é altamente susceptível à infecção, podendo desenvolver desde lesões oculares (coriorretinite) até danos severos no sistema nervoso central, muitas vezes gerando quadros incompatíveis com a vida (microcefalia, hidrocefalia, retardamento mental), nesse caso a infecção é denominada infecção pré-natal (Figura 8). Já na do- ença observada em pacientes imunossuprimidos, uma das principais causas de morte ocorre por encefalite.

Figura 8 – Toxoplasmose congênita

Fonte: saude.pr.gov.br

Diagnóstico

O diagnóstico, via de regra, é realizado por meio de sorologia (testes imunoenzimá- ticos, como o teste de ELISA e o de aglutinação direta ou indireta). Pode ser realizado também o método direto, que consiste na identificação do parasita em líquidos orgâni- cos, como líquido cefalorraquidiano e lavado brônquico. Outras técnicas menos usuais são a biópsia, o PCR (sigla em inglês para Reação em Cadeia da Polimerase) e o isola- mento em animais de laboratório.

Veja o Protocolo de notificação e investigação: Toxoplasmose gestacional e congênita do Ministério da Saúde. Disponível em: https://bit.ly/3hQF8bU

Para mulheres que estão no período gestacional é extremamente importante realizar os exames sorológicos para detecção de anticorpos contra Toxoplasma gondii , a fim de verificar se a gestante já teve contato, não teve contato ou ainda possa estar na fase aguda da parasitose. O comportamento dos anticorpos estão dispostos no Fluxograma.

Sorologia IgG e IgM

IgG (+) e IgM (+)

IgG (+) e IgM (–)

IgG (–) e IgM (–)

< 18 semanas > 18 semanas

Teste de avidez IgG

Baixa avidez Alta avidez PCR (–) PCR (+)

Espiramicina ultrassom

Tratamento modificado

Avidez intermediária

Infecção aguda Infecção aguda Infecção crônica

Pesquisa de infecção natal

SUSCETÍVEL orientações higienodietéticas

Infecção aguda (???) Iniciar espiramicina

Infecção passada pré-natal normal

Figura 9 – Fluxograma de conduta da Toxoplasmose

Profilaxia

A contaminação pelas fezes de gatos normalmente ocorre em locais onde os gatos depositam suas fezes contendo os oocistos (Figura 10). Assim, uma das formas de evitar a infecção é não manter caixas de areia em escolas e parques infantis. Mas a infecção também pode ser adquirida ao ingerir carne mal cozida, sendo esta a causa mais comum de toxoplasmose. Portanto, deve-se evitar o consumo de alimentos nestas condições, dando preferência sempre pelas carnes fritas ou cozidas e de origem conhecida.

Veja medidas de prevenção da Toxoplasmose. Disponível em: https://youtu.be/pJ_uAfA1h

Figura 10 – Oocistos de Toxoplasma gondii observados em fezes de gatos

Fonte: FRENKEL, 1977

Conheça melhor o ciclo de vida do parasita. Disponível em: https://bit.ly/2XlIH0l

Isospora belli

Outra enteroprotozoonose de importância clínica em pacientes imunocompro- metidos, especialmente aqueles com AIDS, é a Isospora belli , coccídeos intestinais encontrados em fezes humanas. Podem ainda pertencer a outra espécie do mesmo gênero: Isosporahominis.

Os casos ao redor do mundo relacionados a este parasita aumentaram com o ad- vento da imunossupressão dos pacientes com AIDS, não sendo muito comuns os achados em imunocompetentes.

A transmissão da doença não depende de hospedeiros intermediários, sendo feita por meio da contaminação de água e alimentos com oocistos não esporulados do para- sita, que posteriormente são ingeridos pelo paciente.

O diagnóstico normalmente se dá por meio de pesquisa de oocistos (Figura 12) nas fezes do paciente e o tratamento é realizado por meio de reposição de líquidos e um medicamento denominado cotrimoxazol, utilizado no combate de bactérias, fungos e protozoários. A prevenção está relacionada a hábitos de higiene básica, saneamento básico e cozinhando-se bem os alimentos, principalmente a carne de porco.

Figura 12 – Oocisto recém-eliminado de Isospora belli, contendo um único esporocisto

Fonte: icb.usp.br

Quer saber mais sobre a Isospora belli? Então acesse: https://bit.ly/2MHVgBf

UNIDADE Protozoários Teciduais: Leishmaniose e Toxoplasmose

Material Complementar

Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:

Vídeos

O Ciclo de Vida da Leishmania no Inseto https://youtu.be/kRRlapcxDFs O Ciclo de Vida da Leishmania no Homem https://youtu.be/AUUYsYNl-AY Ciclo de Vida do Toxoplasma gondii https://youtu.be/uNyF1Js6g

Leitura

Parasitologia Clínica – Protozoários de Interesse Médico ARRUDA, E. Escola Superior da Amazônia – ESAMAZ. Parasitologia clínica – protozoários de interesse médico. https://bit.ly/3bigbVO Toxoplasmose https://bit.ly/2L3TQka Tratamento da Neurotoxoplasmose com a Associação Sulfametoxazoil-trimetoprim https://bit.ly/3bfoNfF Caracterização Molecular de Isolados Clínicos de Leishmania braziliensise Leishmania guyanensise sua associação com a Respostaterapêutica ao Antimoniato de Meglumina no Brasil TORRES, D. C. Caracterização molecular de isolados clínicos de Leishmania braziliensise Leishmania guyanensise sua associação com a respostatera- pêutica ao antimoniato de meglumina no Brasil. Instituto Oswaldo Cruz. Dis- sertação de mestrado. Orientadores: Elisa Cupolillo e Alberto M. R. Dávila. Rio de Janeiro, 2009. https://bit.ly/3s0lNtz Manual de Vigilância da Leishmaniose Tegumentar Americana BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica. Manual de vigilância da leishmaniose tegumentar americana. 2ª ed. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2007. 182 p. Série A. Normas e Manuais Técnicos. https://bit.ly/3s35xrT