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Atividade complementar do curso de odontologia
Tipologia: Trabalhos
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ATIVIDADE DE ESTUDO PROGRAMADA - AEP
ATIVIDADE DE ESTUDO PROGRAMADA - AEP
Cristharley Erminio Oliveira da Silva; Matheus Leonel paggi; Isabella G.Coimbra. RESUMO O processo de envelhecimento populacional está ficando cada vez mais rápido e intenso criando-se a preocupação com a necessidade de se estruturar melhor os serviços e programas de saúde que possam responder às demandas emergentes do novo perfil do País. Em 2019, o número de idosos no Brasil chegou a 32,9 milhões. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a tendência de envelhecimento da população vem se mantendo e o número de pessoas com mais de 60 anos no país já é superior ao de crianças com até 9 anos de idade. Muitos pacientes idosos apresentam alterações na cavidade bucal em consequência das manifestações de doenças sistêmicas, deficiências nutricionais ou efeitos colaterais pelo uso de fármacos, dentre outras razões. Este trabalho teve como objetivo formular o desenvolvimento de um atlas digital que apresente as alterações fisiológicas da cavidade bucal que ocorrem com o processo do envelhecimento, propostas esta que sera feito a partir da revisão deliteratura, voltadas para contribuir para a capacitação profissional do cirurgião-dentista da atenção básica, visando uma melhoria da saúde bucal e da qualidade de vida desses pacientes. PALAVRAS-CHAVE: saúde bucal na terceira idade, idosos no brasil, odontogeriatria, alterações fisiológicas nos idosos.
ATIVIDADE DE ESTUDO PROGRAMADA - AEP 1 INTRODUÇÃO A população brasileira está envelhecendo e os vários setores da sociedade, assim como os profissionais da saúde, devem se preparar para dar suporte e contribuir para uma melhoria da qualidade de vida desta nova parcela da população. A Estratégia de Saúde da Família (ESF) é uma estratégia para reorientação do modelo assistencial focada em ações de promoção da saúde, prevenção, recuperação, reabilitação de doenças e agravos mais freqüentes. A inclusão da odontologia na ESF representa uma grande contribuição para a melhoria da qualidade de vida da população, haja vista que saúde bucal comprometida pode afetar o nível nutricional e bem estar físico e mental, repercutindo na saúde geral do indivíduo. A saúde bucal do idoso tem um papel relevante em sua qualidade de vida uma vez que possibilita uma boa mastigação, fonação, estética e melhora a sensibilidade gustativa. A introdução da geriatria e da gerontologia na área odontológica vem sendo feita de forma lenta e não sistematizada no Brasil e na maioria dos países emdesenvolvimento que estão passando pela transição demográfica (SHINKAI e CURY, 2000) havendo ainda um despreparo dos cirurgiões-dentistas para atender adequadamente às necessidades de saúde bucal da população idosa. A abordagem de pacientes idosos difere daquela direcionada à população em geral devido a alterações fisiológicas que predispõem os idosos a apresentar, com freqüência, condições patológicas típicas do envelhecimento. Certas condições decorrentes do envelhecimento predispõem ao desenvolvimento de algumas morbidades no sistema estomatognático, como, por exemplo, o câncer bucal, que apresenta a variável idade como fator de risco (INCA, 1996; INCA, 1999; SALISBURY, 1997 apud SHINKAI e CURY, 2000). É necessário conhecer as alterações fisiológicas e patológicas que acometem o organismo do paciente idoso, bem como os aspectos psicossociais de interesse para este indivíduo. O papel da odontologia em relação a essa faixa populacional é o de manter os pacientes em condições de saúde bucal que não comprometam a alimentação normal nem tenham repercussões negativas sobre a saúde geral e sobre o estado psicológico do indivíduo (ROSA et al., 2008).
ATIVIDADE DE ESTUDO PROGRAMADA - AEP Esta revisão da literatura teve como objetivo contribuir para a capacitação profissional do cirurgião – dentista da atenção básica para que o mesmo conheça aspectos relacionados à saúde geral de idosos e saiba relacionar esses aspectos com a saúde bucal de indivíduos nessa faixa etária. Espera-se assim contribuir para uma melhoria da qualidade de vida deste paciente.
2.1 Objetivo geral: Contribuir para a capacitação profissional do cirurgião-dentista da atenção básica no que diz respeito às particularidades da saúde geral e bucal do paciente idoso. 2.2 Objetivo específico: Desenvolver um atlas digital que apresente as alterações fisiológicas da cavidade bucal que ocorrem com o processo do envelhecimento. No presente caso, espera-se que a obra aborde aspectos anatômicos (clínicos e radiográficos) imunológicos e epidemiológicos da população idosa, no que tange à atenção odontológica. O objetivo da obra finalizada será compilar e universalizar o conhecimento específico com estudantes e profissionais da área da saúde bucal.
Realizou-se um levantamento na literatura a partir de artigos científicos de publicações on-line, trabalhos publicados na língua portuguesa e inglesa na forma de artigos e monografias. livros técnicos e base de dados Google Acadêmico. utilizando- se os seguintes descritores: “saúde bucal na terceira idade”, “idosos no Brasil”, “odontogeriatria”, “alterações fisiológicas nos idosos”.
As alterações anatômicas e fisiológicas são inevitáveis, surgem de maneira normal, e atingem todos os indivíduos. O processo de senescência caracteriza-se pela
ATIVIDADE DE ESTUDO PROGRAMADA - AEP Fig. 2 - Alterações da mandíbula – mulher jovem (esquerda) e idosa (direita) (Ghaffari, 2013). As principais alterações na articulação gonfose incluem: Pode ocorrer anquilose dentária. Pode-se observar também a perda das estruturas de suporte do dente que culminam com a perda dentária. Na articulação temporomandibular: Na ATM (Fig. 3) os processos degenerativos, como artrose, degeneração e/ou perfuração do disco radicular, alteração do formato do côndilo são os achados mais comuns no envelhecimento. Histologicamente, diversos estudos demonstraram um afilamento da cartilagem, degeneração amiloide e osteoesclerose do disco articular. (SILVEIRA, 2016) Fig. 3 - Anatomia da ATM – boca fechada (Choi et al., 2012).
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O enfraquecimento do aparelho mastigatório, em consequência da perda dos dentes, causa alterações na estrutura dos maxilares. (Figs. 1 e 2). Na mandibula nota-se: 1. As espinhas mentoniana podem estar no mesmo plano horizontal do rebordo residual, a ponto de exigir alívio na confecção da dentadura para evitar lesão traumática da mucosa que as cobre. 2. O forame mentoniano passa a situar- se próximo ao rebordo residual e ate mesmo sobre ele para evitar que seu conteúdo sofra compressão no tratamento protético, o local correspondente deve ser aliviado na prótese. 3. O teto do canal da mandíbula aproxima-se do rebordo residual e pode tornar- se tão delgado ao ponto de se exteriorizar. 4. A linha milo-hióidea na regia molar pode ficar no mesmo nível e até mesmo acima do rebordo residual. 5. Com a linha oblíqua pode acontecer o mesmo 6. Uma elevação chamada toro mandibular, característica da região prémolar, pode surgir ou então aumentar de tamanho se já existia, por estar na ou próxima da zona de suporte, pode exigir remoção cirúrgica. (SILVEIRA, 2016) Fig. 1 - Mandíbula com rebordo alveolar residual extremamente reabsorvido. Observar a posição do forame mentoniano. (MADEIRA, [sd])
ATIVIDADE DE ESTUDO PROGRAMADA - AEP É preciso destacar que o avançar da idade esteve sempre relacionado com a perda de dentes. O homem velho estava fadado a tornar-se um desdentado. Hoje em dia, felizmente, isto não é necessariamente verdade; um número crescente de pacientes geriátricos conservam muito bem os seus dentes. Fig. 3 - Maxilar com rebordo alveolar residual extremamente reabsorvido. Notar posição do forame incisivo e aplainamento do palato. (MADEIRA, [sd])
A perda dentária é considerada um problema de saúde pública mundial, crônica com impactos funcionais, sociais, estéticos e psicológicos, que afeta as populações mais vulneráveis: a idosa e a população mais desfavorecida economicamente. (AMARAL,2018). No Brasil, os dados do Projeto SBBrasil 2010 evidenciam um edentulismo elevado, sendo frequente na maioria da população idosa (53,7%). (BRASIL,
ATIVIDADE DE ESTUDO PROGRAMADA - AEP afetada, assim como toda a musculatura adjacente, o que diminui a função mastigatória, compromete a estética e pode dar origem a danos psicológicos e sociais (ATWOOD, 2001). O tratamento para o edentulismo inclui desde a abordagem com próteses totais convencionais até as sobredentaduras e próteses totais fixas sobre implantes (KUTKUT ET AL., 2018), as quais apresentam melhores resultados de performance mastigatória e qualidade de vida (KUTKUT ET AL., 2018; BOVEN ET AL., 2015;CARDOSO ET AL.,
ATIVIDADE DE ESTUDO PROGRAMADA - AEP qual, a elasticidade da pele da pálpebra superior desaparece com a idade, o que causa um excesso de pele não suportada que leva a dobras, As dobras nas pálpebras criam uma aparência facial cansada ou “velha” (SADICK, 2009) A perda de suporte temporal para a sobrancelha lateral, juntamente com a perda de plenitude na pálpebra superior, cria a impressão de ptose da sobrancelha (COLEMAN, 2004). O esgotamento do tecido subcutâneo infra-orbitário acentua o efeito do tônus intrínseco no músculo orbicularis oculi na pele sobreposta, dando origem a rítidas canthal laterais e a coloração escura da pele infraorbital pode, no entanto, também ser atribuível à deposição de melanina dermal (COLEMAN, 2004).
Na região médio-facial, a deposição de gordura nas bochechas começa a desaparecer com o avanço da idade. Os ligamentos associados que seguram a almofada de gordura malar no lugar enfraquecem e uma dobra nasolabial se desenvolve junto com a mudança da almofada de gordura malar. Essa mudança da almofada de gordura malar e a redução da gordura fazem com que as bochechas pareçam ocas. O deslocamento do coxim adiposo malar e o aparecimento de pregas nasolabiais também foram relatados por (Sadick et al.2009) e o presente estudo está de acordo com o mesmo. As observações relatadas no movimento para frente e para baixo do nariz, com a progressão de idade, como reportado no presenre estudo, são bem suportadas por varios outros relatos na literatura. Examinando a largura, comprimento, e medidas relevantes do ouvido, areas do ouvido, angulo relativo a linha central da face e simetria em indivíduos entre 4 e 73 anos (SFORZA, 2009), pesquisadores relataram um efeito significativo da idade à medida que as distâncias lineares, áreas e simetria aumentaram desde a infância até a senescência.
Na parte inferior da face, os ritídeos verticais tendem a se formar acima da bordado vermelhão devido ao afinamento da pele com a idade e estes aumentam gradualmente até a senescência. Reece e Rohrich relataram que as bochechas se formam como resultado de vários mecanismos que incluem perda de gordura e volume,deslocamento e movimentação de gordura devido à gravidade e alterações na
ATIVIDADE DE ESTUDO PROGRAMADA - AEP mandíbula (Sforza et al.2009). coletaram dados sobre dimensões labiais de ambos os sexos com idades entre 4 e 73 anos. Verificou-se que o comprimento do lábio superior aumentou cerca de 1,4 mm entre a década de 40 e o final da década de 50. Além disso, (Pecora et al.2008) observaram que, à medida que o comprimento do lábio superior aumentava, também ocorreu um afinamento significativo do lábio superior. Lábios superiores afinados em uma média de 3,6 mm do final da adolescência até a década de 40 e cerca de 1,4 mm dos anos 40 até o final dos anos 50 (Pecora et al.2008).
Como visto, o envelhecimento afeta nosso corpo de maneira qualitativa e quantitativa. Diversas alterações fisiológicas acontecem. E o sistema imunológico não é uma exceção a esta regra. Assim, chamamos de Imunossenescência as alterações imunológicas observadas durante o envelhecimento (JULIANA.., 2018). A principal função do sistema imunológico é a de combater os agentes infecciosos e eliminar células malignas. Esta tarefa desafiadora é efetuada por dois mecanismos de defesa que interagem intimamente, definidos como imunidade inata e imunidade adaptativa. O sistema imunológico constitui um sistema dinâmico altamente dependente do poder de regeneração das células precursoras hematopoiéticas e cuja homeostase sofre ameaças constantes (Le Saux S, 2012). Alterações progressivas ocorrem com a idade, atingindo em particular a imunidade adaptativa, que é regida por mecanismos complexos que pressionam o sistema imunológico para a procura do equilíbrio entre a manutenção da homeostase e a adaptação às agressões externas. O envelhecimento imunológico, portanto, abrange tanto a experiência, adquirida pelocontato com diversos antígenos, assim como o armazenamento mantido pela memória imunológica. Consequentemente, a principal manifestação clínica do envelhecimento imunológico é o aumento da susceptibilidade às infecções, sejam elas novas, crônicas ou latentes (AGONDI et al., 2012). É importante notar que ambas as respostas imunes, inata e adaptativa, mostram alterações relacionadas à idade que parecem ser cruciais para o envelhecimento saudável e a sobrevida (Ostan R et al., 2008), assim, imunossenescência é responsável pelo aumento da suscetibilidade a doenças infecciosas, assim como pela
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O envelhecimento aumenta a vulnerabilidade para várias doenças bucais devido às alterações funcionais fisiológicas próprias do idoso (REZENDE, 2005; BORAKS, 2002). Todos os tecidos da cavidade oral sofrem atrofia e perda de elasticidade, desde a mucosa até as estruturas ósseas, passando pelos tecidos de sustentação e estruturas musculares (ALENCAR e CURIATTI, 1994). Muitos problemas odontológicos encontrados no idoso são, na realidade, complicações de processos patológicos acumulados durante toda a vida do indivíduo, devido à higiene bucal deficiente, iatrogenia, falta de orientação e de interesse em saúde bucal e ao não-acesso aos serviços de assistência odontológica (PUCCA Jr., 1996). A cavidade bucal da pessoa idosa apresenta mudanças decorrentes do envelhecimento relacionado ao funcionamento normal e/ou patológico de suas estruturas. Algumas dessas alterações são observadas em consequência das manifestações de doenças sistêmicas, deficiências nutricionais, efeitos colaterais pelo uso de fármacos, repercutindo no funcionamento dos tecidos periodontais, na dentição, nas glândulas salivares e mucosas orais (PEREIRA et al., 2004). A maioria das drogas prescritas mais freqüentemente aos idosos têm potencial de efeitos colaterais na boca. As reações mais comuns são xerostomia, alterações no paladar e estomatites. Também pode ocorrer hiperplasia gengival decorrente de efeito colateral de anticonvulsivantes (PAUNOVICH et al.,1997). Cárie coronária e radicular, periodontopatias, edentulismo, desgastes dentais (atrições, abrasões e erosões), lesões de tecidos moles (ulcerações, hiperplasias inflamatórias traumáticas e medicamentosas, infecções etc.), xerostomia, dores orofaciais, desordens têmporo-mandibulares, problemas de oclusão e câncer bucal (não estão citados em ordem de prevalência ou de relevância clínica) são relatados como os problemas de saúde bucal mais prevalentes no idoso (PUCCA Jr, 1996; RUTKAUSKAS, 1997). Rosa et al. (2008) relatam as seguintes condições clínicas fisiológicas decorrentes do processo de envelhecimento que podem estar presentes na cavidade bucal do idoso: redução da capacidade gustativa, alteração das glândulas salivares, alterações no periodonto, alterações no sistema mastigatório, alterações na estrutura dental e mucosa oral.
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De acordo com os dados disponíveis em nível mundial, a cárie é o principalproblema bucal dos indivíduos com sessenta anos ou mais (ETTINGER, 1993). Alguns fatores, como a redução do fluxo salivar pelo uso de medicamentos, a dificuldade de higienização por problemas psicomotores e a alteração da dieta, potencializam a ação da doença nessa população (SILVA e VALSECKI Jr, 2008). A doença cárie (Fig. 1) está entre as maiores causas das perdas dentárias na população idosa, cujo maior fator de risco é a higiene bucal inadequada (SHIP, 1993). Fig. 1 – imagem ilustrativa de dente cariado (Lage,2019) A função motora ou mental dos idosos, com uma certa frequência, limita a higiene bucal, levando à deterioração dos tecidos periodontais e, na medida em que a susceptibilidade à infecção dos tecidos periodontais aumenta, o risco de recessão gengival e exposição da superfície radicular também crescem, predispondo o indivíduo ao aparecimento de cáries de raiz (BARBOSA e BARBOSA, 2002; LELIS et al.,2009; BORAKS, 2002). As causas da cárie dental nos idosos são idênticas às de pessoas jovens; entretanto, pelo fato de os dentes dos idosos terem sido expostos aos potentes efeitos do ambiente por um maior período de tempo, eles apresentam maior risco de desenvolver cárie do que os mais jovens (ACEVEDO et al., 2001).
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A erosão por abrasão ou atrição é geralmente (Fig. 1) mais prevalente no idoso, assim como a retração da polpa dentária, resultante da formação de dentina secundária ou calcificação pulpar (ROSA et al., 2008).
A perda total de dentes (Fig 1 e 2) edentulismo ainda é aceita pela sociedade como algo normal e natural com o avanço da idade, e não como reflexo da falta de políticas preventivas de saúde (PUCCA Jr, 2000).