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Apostila - Apostila
Tipologia: Notas de estudo
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Compartilhado em 17/11/2010
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onde A, B s˜ao matrizes e α, β s˜ao escalares quaisquer. Logo o conjunto dos vetores e o das matrizes apresentam uma certa coincidˆencia estrutural no que se refere a um par importante de opera¸c˜oes definidas sobre eles. Nada ent˜ao mais l´ogico que estudar simultaneamente o conjunto dos vetores, das matrizes e todos os conjuntos que apresentem a mesma estrutura acima apontada.
Seja E um conjunto e seja K um corpo. Suponhamos que em E esteja definida uma opera¸c˜ao de adi¸c˜ao: (x, y) ∈ E × E → x + y ∈ E ,
e que esteja definida uma opera¸c˜ao entre os elementos de K e os elementos de E (chamada multiplica¸c˜ao por escalar): (α, x) ∈ K × E → αx ∈ E. Ent˜ao E ´e um K-espa¸co vetorial, em rela¸c˜ao a essas opera¸c˜oes, se as seguintes condi¸c˜oes estiverem satisfeitas: A 1 ) (x + y) + z = x + (y + z), ∀x, y, z ∈ E , A 2 ) x + y = y + x, ∀x, y ∈ E , A 3 ) ∃ 0(zero) ∈ E / x + 0 = x, ∀x ∈ E , A 4 ) ∀x ∈ E, ∃ − x ∈ E / x + (−x) = 0 , M 1 ) α(x + y) = αx + αy, ∀α ∈ K, ∀x, y ∈ E , M 2 ) (α + β)x = αx + βx, ∀α, β ∈ K, ∀x, y ∈ E , M 3 ) (αβ)x = (αβx), ∀ α, β ∈ K, ∀x ∈ E , M 4 ) 1 · x = x, ∀ x ∈ E. O leitor dever´a lembrar-se sempre de que, na defini¸c˜ao acima, n˜ao se especifica nem a natureza dos vetores nem das opera¸c˜oes. Assim qualquer conjunto que satisfa¸ca as oito condi¸c˜oes acima especificada ser´a um espa¸co vetorial.
Defini¸c˜ao 1.1 - Seja E um K-espa¸co vetorial. Os vetores v 1 , v 2 ,... , vk ∈ E s˜ao linearmente depen- dentes sobre K, se existem escalares α 1 , α 2 ,... , αk ∈ K, nem todos nulos, tais que:
α 1 v 1 + α 2 v 2 +... + αk vk = 0.
Observamos que essa rela¸c˜ao ´e sempre v´alida se os αi, i = 1, 2 ,... , k s˜ao todos iguais a zero. Nesse caso dizemos que os vetores s˜ao linearmente independentes.
Defini¸c˜ao 1.2 - Um K-espa¸co vetorial tem dimens˜ao n se:
a) existem n vetores linearmente independentes;
b) (n + 1 ) vetores s˜ao sempre linearmente dependentes.
Defini¸c˜ao 1.3 - Qualquer conjunto de n vetores linearmente independentes ´e chamado base de um K-espa¸co vetorial de dimens˜ao n.
Assim, qualquer vetor do espa¸co pode ser representado como combina¸c˜ao linear dos vetores da base.
Mudan¸ca de Base
Estudaremos inicialmente mudan¸ca de base em um espa¸co vetorial bi-dimensional, e a seguir, em um espa¸co de dimens˜ao n.
a) Seja E = IR^2. Sejam B 1 = {e 1 , e 2 } uma base de E e v ∈ E, como mostrados na Figura 1.1.
a 22
v 2 a 21
v′ 2 e 2
v v′ 1
e′ 1
a 12 e 1 v 1 a 11
K e′ 2
Figura 1.
Ent˜ao v se exprime de maneira ´unica como combina¸c˜ao linear dos elementos de B 1 , isto ´e, existem escalares v 1 , v 2 (elementos de K) tais que:
v = v 1 e 1 + v 2 e 2 , (1.1)
(onde os escalares v 1 , v 2 s˜ao as coordenadas de v na base B 1 ). Seja B′ 1 = {e′ 1 , e′ 2 }, como mostrado na Figura 1.1, uma outra base de E. Analogamente, podemos escrever: v = v 1 ′ e′ 1 + v′ 2 e′ 2. (1.2) Desejamos saber como, dadas as coordenadas de v na base B 1 (aqui denominada base antiga), poderemos determinar as coordenadas de v na base B 1 ′ (aqui denominada base nova). Sendo e′ 1 , e′ 2 elementos de E podemos, em particular, escrever cada um deles como combina¸c˜ao linear dos elementos da base B 1. Assim: e′ 1 = a 11 e 1 + a 21 e 2 , e′ 2 = a 12 e 1 + a 22 e 2.
isto ´e, cada vetor da base nova se exprime de maneira ´unica como combina¸c˜ao linear dos vetores da base antiga. Assim, em virtude de (1.1), (1.2) e (1.3) temos:
v = v 1 e 1 + v 2 e 2 = v′ 1 e′ 1 + v 2 ′ e′ 2 = v 1 ′ (a 11 e 1 + a 21 e 2 ) + v′ 2 (a 12 e 1 + a 22 e 2 ) = (v 1 ′ a 11 + v 2 ′ a 12 ) e 1 + (v 1 ′ a 21 + v′ 2 a 22 ) e 2.
Como as coordenadas de um vetor em rela¸c˜ao a uma determinada base s˜ao ´unicas, podemos igualar os coeficientes. Assim, obtemos o sistema linear: { v 1 = v′ 1 a 11 + v′ 2 a 12 v 2 = v′ 1 a 21 + v′ 2 a 22
Ent˜ao temos:
v =
∑^ n
i=
vi ei =
∑^ n
j=
v′ j e′ j
∑^ n
j=
v′ j
( (^) n ∑
i=
aij ei
∑^ n
i=
∑^ n
j=
aij v j′
(^) ei , ⇒ vi =
∑^ n
j=
aij v′ j.
Assim, na forma matricial, podemos escrever:
v 1 v 2 .. . vn
a 11 a 12... a 1 n a 21 a 22... a 2 n .. .
an 1 an 2... ann
v 1 ′ v 2 ′ .. . v′ n
ou v = A v′^ e v′^ = A−^1 v.
1.1 - Seja v = (2, 3 , 4)t^ na base canˆonica, isto ´e, na base: {(1, 0 , 0)t^ , (0, 1 , 0)t^ , (0, 0 , 1)t}. Calcular as coordenadas de v na base: {(1, 1 , 1)t^ , (1, 1 , 0)t^ , (1, 0 , 0)t}. 1.2 - Seja v = 3 b 1 + 4 b 2 + 2 b 3 , onde: b 1 = (1, 1 , 0)t^ , b 2 = (− 1 , 1 , 0)t^ , b 3 = (0, 1 , 1)t^. Calcular as coordenadas de v na base: f 1 = (1, 1 , 1)t^ , f 2 = (1, 1 , 0)t^ , f 3 = (1, 0 , 0)t^.
1.3 - Seja Kn(x) = {Pr (x) / r ≤ n} o espa¸co vetorial de todos os polinˆomios de grau ≤ n. A base canˆonica para o espa¸co dos polinˆomios ´e { 1 , x, x^2 ,.. .}. Seja P 3 = 3 + 4 x^2 + 2 x^3 e B 1 = { 5 , x − 1 , x^2 − 5 x + 3, x^3 − 4 } uma outra base. Calcular as coordenadas de P 3 em rela¸c˜ao `a base B 1.
1.4 - Sejam B 1 = { 5 , x − 1 , x^2 − 3 x} e B 2 = { 8 , 3 x + 2, 5 x^2 − 3 x} bases de K 2 (x). Seja P 2 (x) = 8{ 5 } + 4{x − 1 } + 3{x^2 − 3 x}. Calcular as coordenadas de P 2 (x) em rela¸c˜ao `a base B 2.
1.5 - Dado o polinˆomio P 3 (x) = 20 x^3 + 8 x^2 − 14 x + 28 exprim´ı-lo como combina¸c˜ao linear dos polinˆomios da sequˆencia: Q 3 (x) = 5 x^3 − 7 x + 12, Q 2 (x) = − 4 x^2 + 8 x, Q 1 (x) = 6 x − 1 , Q 0 (x) = 5.
Vamos definir aqui importantes no¸c˜oes de produto escalar e de ortogonalidade, visando introduzir, entre outras coisas o conceito de comprimento e distˆancia.
Produto Escalar
Seja E um espa¸co vetorial real. Sejam x, y elementos de E.
Defini¸c˜ao 1.4 - Chama-se produto escalar (ou produto interno) de x por y, em s´ımbolo, (x, y), qualquer fun¸c˜ao definida em E × E com valores em IR satisfazendo as seguintes propriedades:
P 1 ) (x, y) = (y, x), ∀x, y ∈ E , P 2 ) (x + y, z) = (x, z) + (y, z), ∀x, y, z ∈ E , P 3 ) (λx, y) = λ(x, y), ∀λ ∈ IR, ∀x, y ∈ E , P 4 ) (x, x) ≥ 0 e (x, x) = 0 se e somente se x = θ(nulo).
Um espa¸co vetorial real E, onde est´a definido um produto escalar ´e chamado espa¸co euclidiano real.
Daremos a seguir alguns exemplos de produto escalar.
Exemplo 1.2 - Seja E = IR^2. Sejam x = (x 1 , x 2 )t; y = (y 1 , y 2 )t. Mostrar que, definindo:
(x, y) = x 1 y 1 + x 2 y 2. (1.7)
o IR^2 torna-se um espa¸co euclidiano real.
Solu¸c˜ao: Devemos mostrar que as condi¸c˜oes P 1 , P 2 , P 3 e P 4 est˜ao satisfeitas, isto ´e, que (1.7) ´e um produto escalar bem definido no IR^2. De fato:
P 1 ) (x, y) = x 1 y 1 + x 2 y 2 = y 1 x 1 + y 2 x 2 = (y, x). P 2 ) (x + y, z) = (x 1 + y 1 )z 1 + (x 2 + y 2 )z 2 = x 1 z 1 + y 1 z 1 + x 2 z 2 + y 2 z 2 = (x 1 z 1 + x 2 z 2 ) + (y 1 z 1 + y 2 z 2 ) = (x, z) + (y, z). P 3 ) (λ x, y) = λx 1 y 1 + λx 2 y 2 = λ(x 1 y 1 + x 2 y 2 ) = λ(x, y). P 4 ) (x, x) = x^21 + x^22 ≥ 0 (evidente). (x, x) = x^21 + x^22 = 0 ⇔ x^2 i = 0 ⇔ xi = 0 , ∀i ⇔ x = θ.
Logo, (1.7) ´e uma boa defini¸c˜ao de produto escalar.
Nos pr´oximos exemplos, a verifica¸c˜ao de que as condi¸c˜oes P 1 , P 2 , P 3 e P 4 s˜ao satisfeitas, fica como exerc´ıcio.
Exemplo 1.3 - Seja E = IRn. Para x, y ∈ E, isto ´e, x = (x 1 , x 2 ,... , xn)t^ , e y = (y 1 , y 2 ,... , yn)t, definimos:
(x, y) =
∑^ n
i=
xi yi , (1.8)
como um produto escalar no IRn. (1.8) ´e chamado de produto escalar usual no IRn. Tamb´em,
(x, y) =
∑^ n
i=
wi xi yi, (1.9)
com wi fixados e positivos, define no IRn^ um produto escalar.
Assim, tanto (1.8) como (1.9) transformam o IRn^ num espa¸co euclidiano real.
Exemplo 1.4 - Seja E = C[a, b] o espa¸co vetorial das fun¸c˜oes cont´ınuas reais definidas sobre o intervalo limitado fechado [a, b]. Se para f, g ∈ C[a, b] definimos:
(f, g) =
∫ (^) b
a
f (x) g(x)dx, (1.10)
tal espa¸co torna-se um espa¸co euclidiano real. (1.10) ´e chamado de produto escalar usual em C[a, b].
Dito de outro modo:os vetores n˜ao nulos v 1 , v 2 ,... , vm, dois a dois ortogonais, s˜ao sempre linearmente independentes. Prova: Devemos provar que:
α 1 v 1 + α 2 v 2 +... + αmvm = 0 (1.12)
⇒ α 1 = α 2 =... = αm = 0. Em virtude de (1.12) podemos escrever, sucessivamente, para cada i = 1 , 2 ,... , m:
(vi , α 1 v 1 + α 2 v 2 +... + αivi +... + αmvm) = (vi, 0) = 0 ,
ou seja: α 1 (vi, v 1 ) + α 2 (viv 2 ) +... + αi (vi, vi) +... + αm (vi, vm) = 0.
onde aplicamos P 2 e P 3. Mas (vi, vj ) = 0 , i 6 = j. Da´ı, a igualdade acima se reduz a:
αi (vi, vi) = 0.
Mas sendo vi 6 = θ, temos, usando P 4 , que (vi, vi) 6 = 0, para i = 1, 2 ,... , m. Portanto, da ´ultima igualdade conclu´ımos que, αi = 0 , i = 1 , 2 ,... , m. Logo, os vetores v 1 , v 2 ,... , vm s˜ao linearmente independentes.
Defini¸c˜ao 1.6 - Seja E um espa¸co euclidiano de dimens˜ao n. Se f 1 , f 2 ,... , fn s˜ao dois a dois ortogonais, ou seja, se (fi, fj ) = 0, i 6 = j, eles constituem uma base de E, que ser´a chamada de base ortogonal.
Teorema 1.2 - A condi¸c˜ao necess´aria e suficiente para que um vetor v ∈ E seja ortogonal a um sub- espa¸co E′^ ⊂ E ´e que v seja ortogonal a cada vetor e 1 , e 2 ,... , en de uma base de E′.
Prova: A condi¸c˜ao ´e evidentemente necess´aria. Provemos a suficiˆencia. Seja x um vetor qualquer de E′. Temos ent˜ao: x = α 1 e 1 + α 2 e 2 +... + αn en,
desde que e 1 , e 2 ,... , en ´e uma base de E′. Devemos mostrar que v ⊥ x. Assim:
(v, x) = (v, α 1 e 1 + α 2 e 2 +... + αn en) = α 1 (v, e 1 ) + α 2 (v, e 2 ) +... + αn (v, en) = 0 ,
desde que por hip´otese, v ⊥ {e 1 , e 2 ,... , en}. Logo v ´e ortogonal a E′.
Teorema 1.3 - Num espa¸co euclidiano real E quaisquer que sejam x, y ∈ E, temos:
(x, y)^2 ≤ (x, x) (y, y), (1.13)
com igualdade v´alida se e somente se x e y s˜ao linearmente dependentes.
A desigualdade (1.13) ´e chamada desigualdade de Schwarz.
Prova: Tomemos o vetor v = x + λ y, onde λ ´e um n´umero real qualquer. De P 4 , resulta:
(x + λ y, x + λ y) ≥ 0 ,
e usando P 2 e P 3 , obtemos: λ^2 (y, y) + 2λ(x, y) + (x, x) ≥ 0.
Para que o trinˆomio seja sempre ≥ 0 ´e necess´ario que ∆ ≤ 0. Assim:
∆ = 4(x, y)^2 − 4(x, x)(y, y) ≤ 0 , ⇒ (x, y)^2 ≤ (x, x)(y, y).
Mostremos agora que a igualdade ´e v´alida se e somente se x e y s˜ao linearmente dependentes. Seja x = λ y. Ent˜ao:
(x, y)^2 = (λy, y)^2 = [λ(y, y)]^2 = λ^2 (y, y)^2 = λ^2 (y, y)(y, y) = (λy, λy)(y, y) = (x, x)(y, y).
Isto ´e, x e y linearmente dependentes =⇒ (x, y)^2 = (x, x)(y, y).
Suponhamos, agora que a igualdade seja v´alida em (1.13). O caso y = θ ´e trivial. Suponhamos y 6 = θ. Temos que (x, y)^2 = (x, x)(y, y) ´e equivalente a:
(x + λ y, x + λ y) = 0 com λ = −
(x, y) (y, y)
Assim, de P 4 , conclu´ımos que x + λ y = 0. Ou seja x = (x, y) (y, y) y, e isto quer dizer que x e y s˜ao
linearmente dependentes.
1.6 - Em rela¸c˜ao ao produto escalar usual do IR^3 , calcule (x, y) nos seguintes casos:
a) x = (1/ 2 , 2 , 1)t^ , y = (4, 1 , −3)t;
b) x = (2, 1 , 0)t^ , y = (4, 0 , 2)t;
1.7 - Determinar (f, g) =
0 f^ (t)g(t)dt^ para cada um dos seguintes pares de vetores de^ K^2 (t). a) f (t) = t , g(t) = 1 − t^2 ;
b) f (t) = t − 12 , g(t) =^12 −
t − (^12)
1.8 - Sejam x = (x 1 , x 2 )t^ e y = (y 1 , y 2 )t^ dois vetores quaisquer do IR^2. Mostre que:
(x, y) =
x 1 x 2 a^2
y 1 y 2 b^2
com a, b ∈ IR fixos e n˜ao nulos define um produto escalar sobre o IR^2.
1.9 - Considere no espa¸co vetorial IR^2 o produto escalar dado por: (x, y) = x 1 y 1 + 2x 2 y 2 , para todo par de vetores x = (x 1 , x 2 )t^ e y = (y 1 , y 2 )t. Verificar se x e y s˜ao ortogonais em rela¸c˜ao a esse produto escalar nos seguintes casos:
a) x = (1, 1)t^ e y = (2, −1)t;
b) x = (2, 1)t^ e y = (− 1 , 1)t;
b) x = (3, 2)t^ e y = (2, −1)t;
bem definida no IRn. De fato:
N 1 ) ‖ x ‖E =
∑n
i=
x^2 i ≥ 0 (evidente).
‖ x ‖E =
∑n
i=
x^2 i = 0 ⇔
∑^ n
i=
x^2 i = 0 ⇔ xi = 0, ∀i ⇔ x = θ.
N 2 ) ‖ λx ‖E =
∑n
i=
λ^2 x^2 i =
√λ 2
∑^ n
i=
x^2 i = |λ|
∑n
i=
x^2 i = |λ| ‖ x ‖E.
N 3 ) ‖ x + y ‖^2 E =
∑^ n
i=
(xi + yi)^2 = (x 1 + y 1 )^2 + (x 2 + y 2 )^2 +... + (xn + yn)^2
= x^21 + 2x 1 y 1 + y^21 + x^22 + 2x 2 y 2 + y^22 +... + x^2 n + 2xnyn + y^2 n
=
∑^ n
i=
x^2 i + 2
∑^ n
i=
xiyi +
∑^ n
i=
y^2 i
∑^ n
i=
x^2 i + 2
∑n
i=
x^2 i
∑n
i=
y i^2 +
∑^ n
i=
y i^2 ,
onde usamos a desigualdade de Schwarz, isto ´e:
∑^ n
i=
xiyi ≤
∑n
i=
x^2 i
∑n
i=
y i^2.
Portanto, ‖ x + y ‖^2 E ≤ ‖ x ‖^2 E + 2 ‖ x ‖E ‖ y ‖E + ‖ y ‖^2 E = (‖ x ‖E + ‖ y ‖E )^2.
Assim: ‖ x + y ‖^2 E ≤ (‖ x ‖E + ‖ y ‖E )^2. Extraindo-se a raiz quadrada de ambos os membros, temos que: ‖ x + y ‖E ≤ ‖ x ‖E + ‖ y ‖E. Logo, (1.14) ´e uma boa defini¸c˜ao de norma.
No pr´oximo exemplo, a verifica¸c˜ao de que as condi¸c˜oes N 1 , N 2 e N 3 s˜ao satisfeitas, fica como exerc´ıcio.
Exemplo 1.9 - Seja E = IRn, e seja x = (x 1 , x 2 ,... xn)t. Definimos ent˜ao:
‖ x ‖∞ = max 1 ≤i≤n |xi| ,
‖ x ‖ 1 =
∑^ n
i=
|xi| ,
‖ x ‖ =
(x, x) ,
como normas no IRn.
Observa¸c˜oes:
(x, x) corresponde `a no¸c˜ao intuitiva de comprimento ou m´odulo de um vetor.
√∑n i=1 x
2 i =^ ‖^ x^ ‖E^.
Exemplo 1.10 - Seja x = (− 1 , 10 , 3 , 4 , −20)t. Calcular ‖ x ‖E , ‖ x ‖∞ e ‖ x ‖ 1.
Solu¸c˜ao: Aplicando a defini¸c˜ao de cada uma das normas, obtemos:
‖ x ‖E =
‖ x ‖∞ = max (| − 1 |, | 10 |, | 3 |, | 4 |, | − 20 |) = 20 , ‖ x ‖ 1 = | − 1 | + | 10 | + | 3 | + | 4 | + | − 20 | = 38.
Como vocˆe pode observar a aplica¸c˜ao de cada uma das normas definidas anteriormente fornece um resultado diferente. Entretanto, no IRn, todas as normas s˜ao equivalentes.
Defini¸c˜ao 1.8 - Duas normas ‖ · ‖a e ‖ · ‖b s˜ao equivalentes se existem constantes k 1 e k 2 tais que:
k 1 ‖ x ‖a ≤ ‖ x ‖b ≤ k 2 ‖ x ‖a , ∀ x ∈ E. (1.15)
Exemplo 1.11 - Como exemplos de normas equivalentes, no IRn, temos:
a) ‖ x ‖∞ ≤ ‖ x ‖ 1 ≤ n ‖ x ‖∞ , b) ‖ x ‖∞ ≤ ‖ x ‖E ≤
n ‖ x ‖∞ ,
c)
n
‖ x ‖ 1 ≤ ‖ x ‖E ≤
x ‖ x ‖ 1.
Vamos verificar que o item a) ´e verdadeiro; a verifica¸c˜ao das demais fica como exerc´ıcio.
Solu¸c˜ao: Temos:
‖ x ‖∞ = max 1 ≤i≤n
|xi| = max{|x 1 |, |x 2 |,... , |xn|}
= |xk| ≤ |xk| +
k∑− 1
i=
|xi| +
∑^ n
i=k+
|xi| =
∑^ n
i=
|xi| = ‖ x ‖ 1
= |x 1 | + |x 2 | +... + |xn| ≤ {|xk| + |xk| +... + |xk| ︸ ︷︷ ︸ n vezes
= n|xk| = n max 1 ≤i≤n |xi| = n ‖ x ‖∞.
Teorema 1.4 - A desigualdade de Schwarz (1.13) pode ser escrita como:
|(x, y)| ≤ ‖ x ‖ ‖ y ‖. (1.16)
Prova: A prova deste teorema fica como exerc´ıcio.
Um vetor x, de E, ´e unit´ario se seu comprimento ´e igual a 1, isto ´e, se ‖ x ‖= 1.
Defini¸c˜ao 1.9 - Seja E um espa¸co euclidiano de dimens˜ao n. Os vetores f 1 , f 2 ,... , fn formam uma base ortonormal de E se eles forem vetores ortonormais, ou seja, se:
(fi, fj ) = δij =
1 se i = j, 0 se i 6 = j.
Solu¸c˜ao: Usando cada uma das defini¸c˜oes dadas anteriormente, obtemos:
||A||∞ = | 6 | + | 3 | + | 4 | = 13 , ||A|| 1 = | 3 | + | 6 | + | − 1 | = 10 , ||A||E = (9 + 4 + 1 + 36 + 9 + 16 + 1 + 4 + 1)^1 /^2 = 9.
Como no caso de vetor, as normas de matrizes tamb´em s˜ao equivalentes, isto ´e, satisfazem uma rela¸c˜ao do tipo (1.15), com o vetor x substitu´ıdo pela matriz A. A verifica¸c˜ao das desigualdades no pr´oximo exemplo fica como exerc´ıcio.
Exemplo 1.14 - Como exemplos de normas equivalentes, no espa¸co vetorial das matrizes de ordem n, temos:
a)
n
n ‖ A ‖∞ ,
b)
n
‖ A ‖ 1 ≤ ‖ x ‖E ≤
n ‖ x ‖ 1 , c) ‖ A ‖∞ ≤ n ‖ A ‖ 1 , d) ‖ A ‖ 1 ≤ n ‖ A ‖∞.
Defini¸c˜ao 1.12 - Dada uma norma de vetor, podemos definir uma norma de matriz, que ser´a chamada de subordinada a ela do seguinte modo:
‖ A ‖= sup ‖x‖=
‖ Ax ‖.
Observe que a norma de matriz assim definida pode ser interpretada como sendo o comprimento do maior vetor no conjunto imagem {Ax} da esfera unit´aria {x / ‖ x ‖= 1} pela transforma¸c˜ao x → Ax.
Defini¸c˜ao 1.13 - Se uma norma de matriz e uma norma de vetor est˜ao relacionadas de tal modo que a desigualdade: ‖ Ax ‖ ≤ ‖ A ‖‖ x ‖ ,
´e satisfeita para qualquer x, ent˜ao dizemos que as duas normas s˜ao consistentes.
Note que existe um vetor x 0 tal que: ‖ Ax ‖=‖ A ‖‖ x ‖. Nestas condi¸c˜oes: ‖ A ‖= mink tal que ‖ Ax ‖≤ k ‖ x ‖.
1.14 - Considere os vetores do IR^6 : x = (1, 2 , 0 , − 1 , 2 , −10)t^ e y = (3, 1 , − 4 , 12 , 3 , 1)t. Calcule a norma de cada um desses vetores usando as normas definidas no exemplo 1.9.
1.15 - No espa¸co vetorial IR^4 , munido do produto escalar usual, sejam x = (1, 2 , 0 , 1)t^ e y =
(3, 1 , 4 , 2)t^. Determine: (x, y), ‖ x ‖, ‖ y ‖, d(x, y) e x^ +^ y ‖ x + y ‖
1.16 - Prove que num espa¸co euclidiano normado:
a) ‖ x + y ‖^2 + ‖ x − y ‖^2 = 2(‖ x ‖^2 ‖ +y ‖^2 ),
b) | ‖ x ‖ − ‖ y ‖ | ≤‖ x − y ‖.
1.17 - Sejam u e v vetores de um espa¸co euclidiando tais que ‖ u ‖= 1, ‖ v ‖= 1 e ‖ u − v ‖= − 2. Determine (u, v).
1.18 - Considere as seguintes matrizes:
Calcule a norma de cada uma delas usando as normas definidas no exemplo 1.12.
Em diversos problemas relacionados com espa¸co vetorial, a escolha de uma base para o espa¸co fica a crit´erio da pessoa que se propˆos a resolver o problema. E claro que sempre a melhor estrat´´ egia ser´a escolher a base que melhor simplifique os c´alculos. Em espa¸cos euclidianos, tem-se muitas vezes o caso em que a melhor escolha da base ´e aquela onde todos os seus vetores s˜ao mutuamente ortogonais ou ortonormais. Vimos anteriormente que uma sequˆencia ortonormal de vetores ´e sempre linearmente independente. Vamos agora mostrar que ´e sempre poss´ıvel construir, a partir de uma sequˆencia de vetores linearmente independentes {f 1 , f 2 ,... , fn}, uma sequˆencia ortogonal {e 1 , e 2 ,... , en}. Para obtermos uma sequˆencia ortonormal {e∗ 1 , e∗ 2 ,... , e∗ n}, basta fazer:
e∗ i =
ei ‖ ei ‖
, i = 1 , 2 ,... , n.
Teorema 1.6 - Todo espa¸co euclidiano n dimensional tem uma base ortogonal e uma base ortonormal.
Prova: Todo espa¸co euclidiano E ´e um espa¸co vetorial, e, portanto tem uma base. Seja f 1 , f 2 ,... , fn uma base desse espa¸co euclidiano. Vamos construir a partir de f 1 , f 2 ,... , fn uma base ortogonal de E. Seja {e 1 , e 2 ,... , en} a base procurada. Tomamos e 1 como sendo igual ao primeiro elemento da sequˆencia dada, isto ´e:
e 1 = f 1.
O elemento e 2 ser´a tomado como combina¸c˜ao linear do segundo elemento da sequˆencia dada e e 1 , ou seja: e 2 = f 2 + α 1 e 1 ,
onde α 1 ´e escolhido de tal maneira que e 2 seja ortogonal a e 1. Assim: (e 2 , e 1 ) = 0 → (f 2 + α 1 e 1 , e 1 ) = 0. Portanto, segue que:
α 1 = −
(f 2 , e 1 ) (e 1 , e 1 )
Vamos supor que j´a temos constru´ıdo os vetores: e 1 , e 2 ,... , ek− 1 , dois a dois ortogonais. O elemento ek ser´a tomado como combina¸c˜ao linear do ko^ elemento da sequˆencia dada e todos os ei, j´a calculados, isto ´e: ek = fk + αk− 1 ek− 1 + αk− 2 ek− 2 +... + α 1 e 1 ,