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Capitulo 8, Notas de estudo de Engenharia Ambiental

Cap 8 - Cap 8

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 25/10/2010

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alan-santos-silva-6 🇧🇷

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CAPÍTULO 8 PLANEJAMENTO AMBIENTAL EM MICROBACIA HIDROGRÁFICA Rosangela Garrido Machado Botelho 1. INTRODUÇÃO Entende-se como bacia hidrográfica ou bacia de drenagem a área da superfície terrestre drenada por um rio principal e seus tributários, sendo - limitada pelos divisores de água. A bacia hidrográfica é uma célula natural que pode, a partir da definição do seu ouslet ou ponto de saída, ser delimi- tada sobre uma base cartográfica que contenha cotas altimétricas, como as cartas topográficas (Figura 8.1), ou que permita uma visão tridimensional da paisagem, como as fotografias aéreas (Figura 8.2). A delimitação de bacias hidrográficas a partir de imagens de satélites também é possível; contudo, sua maior ou menor precisão fica a cargo, não só do tamanho da bacia a ser mapeada, como, principalmente, da qualidade e riqueza de informações da imagem considerada. Além disso, os limites ou divisores de água da bacia são observáveis em campo (Figura 8.3). Sendo assim, muitos pesquisadores (Leopold er aí, 1964; Chorley, 1969; Schumm, 1977; Oyebande e Ayoade, 1986; Cooke e Doornkamp, 1990; Lombardi Neto et al. 1995; Resende et aí, 1995; Botelho, 1996; Freitas e Kerr, 1996) chamam atenção para a bacia hidrográfica como uni- dade natural de análise da superfície terrestre, onde é possível reconhecer e estudar as inter-relações existentes entre os diversos elementos da paisa- gem e os processos que atuam na sua esculturação. Compreendida dessa forma, a bacia hidrográfica passa também a representar uma unidade ideal 270 EROSÃO E CONSERVAÇÃO DOS SOLOS jo da microbacia do rio do Cantagalo (Petrópolis — RJ) em carta Figura 8.1. Delimitaç topográfica, escala original 1:50.000. de planejamento de uso das terras. Tendo sua delimitação baseada em cri- térios geomorfológicos, as bacias de drenagem levam vantagens sobre uni- dades de planejamento definidas por ourros atributos, cujos traçados dos limites podem ser bastante imprecisos, como, por exemplo, unidades defi- nidas por atributos climáticos, ou, ainda, baseadas nos tipos de vegeração, que pode não cobrir a paisagem de modo contínuo. A utilização da bacia hidrográfica como unidade de planejamento for- mal ocorre nos Estados Unidos, com a criação da Tennessee Valley Authority (IVA), em 1933, e a partir de então é adotada no Reino Unido, França, Nigéria c restante do mundo (Oyebande e Ayoade, 1986; Zinck, 1996). No Brasil, a década de 80 e, principalmente, a de 90 são marcadas por inúmeros trabalhos que têm na bacia hidrográfica sua unidade funda- PLANEJAMENTO AMBIENTAL EM MICROBACIA HIDROGRÁFICA 271 Ficura 8.2. Delimitação da mictobacia do cio do Cantagalo (Petrópolis — RJ) em foto aérea, escala original aproximada 1:25.000. FIGURA 8.3. Microbacia do rio do Cantagalo (Petrópolis — RJ) vista em campo. Ao fun do, observa-se o afloramento rochoso da serra do Cantagalo. mn a ZROSÃO E CONSERVAÇÃO DOS SOLOS 1.2. O CONCEITO DE PLANEJAMENTO AMBIENTAL A expressão planejamento ambiental (environmental planning) tem sido cada vez mais incorporada à linguagem dos profissionais que traba- lham com meio ambiente, e para ela existem muitas definições. Gómez Orea (1978) define plancjamento ambiental como “um pro- cesso racional de tomada de decisões, o qual implica necessariamente uma reflexão sobre as condições sociais, econômicas e ambientais que orientam qualquer ação c decisão futuras”. Gallopin (1981) define como uma “pro- posta c implementação de medidas para melhorar a qualidade de vida pre- sente e furura dos seres humanos, através da preservação e do melhora- mento do meio ambiente, tanto em scus aspecros localizáveis (espaciais), como não localizáveis”. Cendrero (1982) considera o planejamento ambiental ou territorial como “uma atividade intelectual por meio da qual se analisam os fatores físico-naturais, econômicos, sociológicos e políticos de uma zona (um país, uma região, uma província, um município, etc.) e se estabelecem as formas de uso do território e de seus recursos na área considerada”. Horberry (1984) define como “a tarefa de identificar, con- ceber e influenciar decisões sobre a atividade econômica, de forma que esta não reduza a produtividade dos sistemas naturais nem a qualidade ambiental”. Na realidade, existem várias definições para a expressão planeja- mento ambiental. Almeida es aí. (1993) identificaram duas linhas princi- pais do processo de planejamento: a linha de demanda, na qual o “plane- jarmento ambiental consiste em um grupo de metodologias c procedimen- ros para avaliar as conseqiiências ambientais de uma ação proposta e iden- tificar possíveis alternativas a esta ação”; e a linha de oferta, onde existe “um conjunto de metodologias e procedimentos que avalia as cantraposi- ções entre as aptidões e usos dos territórios a serem planejados”. Desse modo, percebe-se que o termo planejamento ambiental é uti- lizado de forma abrangente e que pode ser utilizado para definir todo e qualquer projeto de planejamento de uma determinada área que levc em consideração fatores Íísico-naturais c sócia-econômicas para a avaliação das possibilidades de uso do território e/ou dos recursos naturais, ainda que haja, de acordo com os objetivos e metodologias de cada projeto, cer- ta ênfasc em determinado fator. PLANEJAMENTO AMBIENTAL EM MICROBACIA IIDROGRÁFICA 275 Existem, ainda, outras expressões que tratam da rarefa da planifica- ção do espaço e que, em certos casos, podem ser consideradas como sinô- nimas, e, em outros, diferem em função da maior ênfase dada a algum fator ou etapa específicos, tais como: planejamento conservacionista, pla- nejamento ecológico, planejamento de uso do solo, ordenamento territo- rial, avaliação de terras, gestão ambiental, entre outras. O planejamento conservacionista, em geral, refere-se aos estudos de planejamento que priorizam a utilização racional e a preservação dos recursos naturais, principalmente o solo e à :a, com fins agrícolas. Para tal, requer o levantamento da capacidade de uso dos solos ou classes de aptidão de uso das terras. O planejamento ecológico (ecological planning) constitui um termo de uso bastante restrito e enfatiza o conhecimento dos recursos naturais, a fim de garantir a sobrevivência a longo prazo dos mesmos. O planejamento de uso do solo ou do terzitário (land use planning) busca estabelecer de modo integrado as formas de utilização consideradas mais adequadas em função da capacidade de supor:e do meio. Quanto aos termos ordenamento territorial c gestão ambiental (environmental management), apesar de utilizados muitas vezes como sinô- nimos de planejamento ambiental, envolvem, respecrivamente, as etapas de estabelecimento e promulgação das normas de uso e suas aplicações e, como tais, deveriam ser utilizados nos casos em que o processo de plancja- mento atinge de fato essas esferas. Acredita-se que os termos gestão e tam- bém manejo estejam condicionados à execução das propostas de uso, seu acompanhamento e controle. A expressão avaliação de terras (land evaluation) ganhou caráter genérico e tem sido utilizada para denominar diversos projetos de plancja- mento. Contudo, a avaliação de terras deve corresponder apenas a uma etapa ou fase de trabalho referente à avaliação das potencialidades ou limi- tações do meio físico. Em alguns casos, tal fase refere-se exclusivamente ao estudo das potencialidades e limitações de uso dos solos. Não cabem aqui, ainda que válidas, a definição e discussão de todos os termos que são utilizados pelos profissionais da área ambiental par: nomear seus projetos de planejamento. Vale, contudo, à tentativa de reco- nhecer neles atributos diferenciadores que facilitem a escolha, por parte do pesquisador, do termo que melhor defina de fato seu trabalho, desde a fase EROSÃO E CONS VAÇÃO DOS SOLOS ce definição de seus objetivos até a possibilidade de implementação e con- trole dos tesultados, Maiores informações sobre alguns desses termos pocem ser encontradas em Dent é Young (1981), FEEMA (1992), Ber- toni e Lombardi Neto (1993), Pundek (1994), Tauk-Tornisiclo er al. (1995) e Zink (1996). Em relação ao planejamento ambiental em microbacias hidrográfi- cas, entretanto, talvez uma das tarefas mais dificeis e importantes seja a seleção da área ou, no caso, da microbacia que será avaliada e/ou testada. 2, SELEÇÃO DE MICROBACIAS REPRESENTATIVAS Por se :rarar de uma pequena área, a microbacia hidrográfica a ser definida como área de estudos para o desenvolvimento de um projeto de planejamento precisa ser cuidadosamente selecionada. É essencial que a s físicas 2 sócio-econômicas microbaciá seja representativa das condiç locais. Desse modo, os resultados c experiências gerados a partir dela pode- rão scr implementadas com sucesso nas demais microbacias da região. Tal faro exige, portanto, um levantamento geral prévio das características do quadro natural da região, como clima, geologia, relevo, solos e vegetação, que pode ser conseguido através de pesquisas bibliográficas e cartográficas sobre a área em questão, as quais também podem e devem, se possível, ser acompanhadas de rápido reconhecimento de campo. É importante ressaltar que tais dados, geralmente compilados de projetos nacionais, como RADAMBRASIL zados pela EMBRAPA e às publicações de Geografia do Brasil por regiões levantamento de solos reali- pelo IBGE, servem apenas para o conhecimento geral da área, não poden- do ser utilizados como referência para a microbacia selecionada, como ocorre er alguas casos de projetos de pesquisa, principalmente a nível acadêmico. O trabalho em microbacias exige uma escala de análise dera lhada que, em geral, precisa se: produzida pelo pesquisador ou equipe envolvida. Ao utilizar dados gezados em escalas pequenas (no:malmente iguais ou menores que 1:400.000, como «10 caso dos projetos nacionais mencionados), o pesquisador cria um lapso de informação e lança mão de am grau de abstração não permissíveis e intoleráveis em projeros de plane- jamento locais, como na microbacia hidrográfica. PLANEJAMENTO AMBIENTAL EX MICROBACIA HLDROGRÁFICA z gy a Talvez a dificuldade de recursos financeiros ou de domínio de conhe- cimentos multidisciplinares explique a maior ocorrência desses casos no meio acadêmico. Contudo, é preciso fazer o esforço de realizar uma ciência comprometida com a realidade e com as soluções de seus problemas, posst- veis apenas a partir do seu conhecimento, suas causas e implicações. Pode-se dizer o mesmo do levantamento das condições sócio- econômicas, que tem nos censos do IBGF apoio e tespaldo bastante importantes, mas que em relação à microbacia hidrográfica precisa ser acrescido de informações locais, oriundas de inquéritos à população resi- dente e usuária, diretamente envolvida, e consulta a jornais locais. Dessa forma, é possível conhecer os interesses dos proprierários das terras, se produzem, o que produzem, se existem problemas que afetam a produção (real ou potencial) e quais seriam eles. Tais informações devem scr levadas em consideração ao estabelecer os objetivos do plancjamento, para que seus resultados sejam, de fato, aplicáveis Quanto à dimensão da microbacia, como dito anteriormente, não existe um consenso por parte dos pesquisadores. Contudo, acredita-se que, para a realização de um planejamento ambiental, áreas entre 25 e 45lun? scjam as mais adequadas. 3. FaroRrES DO MEIO Físico NECESSÁRIOS AO PLANEJAMENTO AMBIENTAL Sabe-se que para o conhecimento das reais potencialidades e limita- ções de uso e ocupação de uma determinada área é preciso levantar dados acerca de seus atributos físicos, como clima, geologia, relevo, solos, rede de drenagem e vegetação, No caso do planejamento em microbacias hidto- gráficas é necessário um levantamento detalhado desses atributos. Esse le- vantamento geral não se encontra disponível e deve, então, ser produzido com à devida atenção para a necessidade de garantir um nível de investi- -as adoradas, sem gação ou detalhamento equilibrado entre as variáveis fi que haja privilégio de uma sobre a outra. Sendo assim, discuriremos a seguir, de forma sucinte, a participação dessas variáveis em estudos de planejamento em microbacias. 280 EROSÃO E CONSERVAÇÃO DOS SOLOS Vários autores têm destacado a importância dos mapcamentos gco- mosfológicos em projetos de planejamento ambiental (Franzle, 1970; ftoppmair, 1980; Cooke e Doornkamp, 1990; Marques er al, 1993; Ross, 1996; Argento, 1998; Christofolemi, 1998). O uso da cartografia e informação geomorfológicas objetiva representar a fisionomia da paisa- gem, tendo em vista à identificação dos elementos ou ambientes de acumulação e uansporte, caracterização dos processos morfogenéticos, « as implicações da ação antrópica. Sob o ponto de vistz ambiental, as formas de selevo são consideradas fatores que exercem influência sobre as condi- ões locais e criam condições hidrológicas (e topoclimáticas) específicas. Realizado. principalmente, a partir da interpretação de fotografias 5.000 e observações de campo, aéreas em escalas maiores ou iguais a para o caso de microbacias hidrográficas, o mapeamento dos fatos geo- morfológicos pode conter uma enorme quantidade de informa ões e pos- iante do conflito entre um suir uma legenda extremamente variada. mapa como um estoque de dados e outro como meio de comunicação (Hole + Campbell, 1985), que contenha informações selecionadas como de maior valor, considerando o tema abordado, sugere-se a segunda opção. Dessa forma, é aconselhável a adoção de uma legenda, cujo conteú- do, considerado subsídio para a identificação de ambientes diferenciados e tomada de decisões quanto ao uso potencial do solo, não deixe de repre- sentar áreas referentes a afloramentos rochosos, depósitos de talus, rampas de colúvio, terraços, planícies de inundação e cicatrizes de feições erosivas e movimentos de massa, além, é claro, dos cursos de água e feições de ori- gem antrópica, como aterros e áreas de material de empréstimo. Um atributo geomorfológico bastante importante e que quase sem- pre merece a elaboração de um mapa temático próprio é a inclinação das vertentes, que, caso contrário, satuzaria o mapa de feições gemorfológicas rtas de declividade ou clinográfica descritas anteriormente. O valor ds para realização de estudos ambientais e de planejamento, tanto em áveas rurais, como urbanas, tem sido reconhecido por diversos pesquisadores (De Biasi, 1970; Aguiar e Kreling, 1984; Sanchez, 1993; Santos er al, 1993; Botelho e Soares da Silva, 1997). Aliada a outras variáveis, como cobertura vegetal e rugosidade do terreno, a inclinação das encostas é res- PLANEJAMENTO AMBIENTAL EM MICRO3ACIA HIDROGRÁFICA 281 ponsável pela maior ou menor velocidade dos fluxos de água, que, por sua vez, podem conduzir à atuação de processos erosivos. Para a elaboração da carta de declividade de vertentes, podem ser adotadas a já consagrada metodologia de De Biasi (1970 e 1992) cas con- tribuições de Sanchez (1993), as quais permitem a construção do 4baco radial, considerado de mais fácil manuscio que o tradicional ábaco trian- gular proposto por De Biasi (1970), e do ábaco complementar, utilizado para áreas definidas, na carta topográfica, por curvas de nível de igual valor, como topos de morro e fundos de vale. Existem também programas de computador que realizam a tarefa automaticamente, mediante a entra- da dos dados (base cartográfica com as curvas de nível digital adas e os intervalos de classe). Contudo, a cficiência desses sofiwares na execução desse tipo de mapeamento, principalmente para áreas pequenas, aínda é discutível. Alguns trabalhos buscam comparar e discutir as vantagens e desvantagens da elaboração de cartas de declividade através de métodos tradicionais (manuais) e computacionais (Pereira Neto e Valério Filho, 1993; Áglio et ai, 1997; Pacheco, 1997). A escolha da eqiidistância entre curvas de nível e das classes de declive deve atender aos abjetivos da pes- quisa e às características de relevo da área c deve ser bastante cuidadosa, visto que terá influência direta sobre o nível de detalhamento da carta, notadamente em microbacias com forte variação topográfica. Solos. O estudo e mapeamento dos solos como subsídio aos projetos de planejamento ambiental são considerados essenciais (Troppmair, 1980; Barroso, 1986; Porta Casancllas e: a, 1994; Botelho e Silva, 1995; EMBRAPA, 1995; Tasolo, 1996; Guerra e Botelho, 1996 e 1998; Pal miere e Larach, 1996; Zink, 1996). Vários são os fatores ambientais que exercem influência sobre a paisagem, porém o “material dinâmico a ser crodido, transportado e depositado a curto prazo, ou mesmo curtíssimo prazo, se houver interferência antrópica não plancjada, é o material intem- perizado: o solo” (Troppma , 1980). A despeito do que o autor entende como sendo solo, vale destacar seu caráter dinâmico, pois, talvez, o fator mais diretamente afetado pela ação humana de caráter irracional deva ser o solo por ela ocupado. 282 EROSÃO E CONSERVAÇÃO DOS SOLOS A justificativa principal do uso do mapa pedológico no plancjamen- ro ambiental é atingir aquilo que, em última análise, representa seu maior objetivo: “subdividir áreas heterogêneas em parcelas mais homogêneas, que apresentem a menor variabilidade possível, em função dos parâmetros de classificação e das características utilizadas para a distinção de solos” (EMBRAPA, 1995). No Brasil, os levantamentos pedológicos são, em sua grande maioria, a nível exploratório, como os do Projeto RADAMBRASIL, e de reconhe- cimento, como os executados pela EMBRAPA. Contudo, apesar dos benefícios gerados por esses tipos de mapeamento, as necessidades atuais e futuras em termos de planejamento ambiental em imicrobacias exigem a produção de informações mais detalhadas, alcançadas apenas nos levanta- mentos semidetalhado, detalhado e ultraderalhado (Tabela 8.1). Para tal, é imprescindível o uso de fotografias aéreas em grandes escalas (nunca meno- res que 1:60.000) e, no caso, principalmente, do mapeamento de ultrade- talhe, o acompanhamento da variação da cobertura pedológica através de seções de encosta transversais ao canal fluvial (ropossegiências), que permi- tem a reconstituição bidimensional da paisagem (Boulet es aí, 1982; Queiroz Neto, 1988; Ruellan er aí, 1989; Castro, 1989; Salomão, 1994; Soares da Silva, 1997). No caso do mapeamento de solos em microbacias hidrográficas utilizando toposseguências, é preciso estar atento à localiza- ção dessas seções, de modo que elas possam abranger diferentes tipos de relevo, com inclinação, forma e comprimento de encosta distintos. Rede de drenagem O estudo da rede hidrográfica, suas nascentes, padrão, densidade, tipos de canais fluviais e seus perfis longitudinais, velocidade, turbidez e qualidade da água, entre outros parâmetros, permite avaliar desde a dispo- nibilidade de recursos hídricas para irrigação até o estado de degradação das terras adjacentes, em função da constatação da alta carga de sedimen- os transportados e/ou assoreamento do leito do rio. Sabe-se que o arranjo da rede de drenagem é reflexo de um conjun- to de variáveis físicas, como clima, relevo, solos, substrato rochoso e vege- erca dessas variáveis, a tação, Desse modo, é possível tecer considerações « partir da análise criteriosa da sede hidrográfica. Tal análise, contudo, tem PLANEJAMENTO AMBIENTAL EM MICROBACIA HIDROGRÁFICA 28 Tabela 8.1. Diferentes tipos de levantamentos pedológicos e suas princi- pais características. Tipos de Objusivos Mawdosde | Material [a Levantamentos prospecção cartográfico Esquemático —-| Visão geral da Generaliaçãoe | Mapas plaxiahi- | £1:1.090.000 distribuição dos | correlação com | méticos, vagens solos o meio ambiente | de radar e satélios Esploratório Infocmação Exrrapolação, | Mapas pluniaki- | 152.500,00 a generalizada generalização, mécricos, ima; 1:750.000 sobre os solos correlação e de radar e satélites observação de | e fotofadices Reconhecimento | Estimativa Extrspolação e 30.000 à de Baixa qqualraciva de | mésticos, imagens 0.000 Intensidade do recurso do campo de radar e sntélies solo ecarte-imagem Reconhecimento | Estimativa Correlação Mapas pleminki | 1:250.000 a de Média qualitativa e | solofpaizagem | métricos, imagens | 1:100.600 Inensidade semiquantia- everificação de | de radar e satálics tiva dos solos capo e cartacimagem e fotos aéreas Reconhecimento | Avaliação semi | Cucrelação Mapas plamialti- | 1:100.000 a di Alta quantitativa de soloizaisagem | métricos, car” | 1:50,000 Intensidade áreas priocitrias | eweificaçõode | imagem e fotos campo aéreas, Semideralhado | Planejamento | Coração * 11.009,00 ou implanaçãode | solofeuperficie | £ 1:59.000, de projetos agrícolas | gecmáriica e ruições, levanta- | preferência eccengenharia | everificaçiode | mentos topog civil campo em topos- | fico e fixos segiências aéreas | Detalhado Projetos deuso - | Correlação Mapas planialti- | 1:20,00€ intensivo do solo | sololsupe:f: métricas e gesti- tuições, levanta- mentes topegtá- campo em ficos e fotos Ê topossegiiências | aéreas Ultradesalhado | Estudos especíicos | Malhas Plantas <1:5.000 | Fonte: EMBRAPA, 1995. 286 EZROSÃO E CONSERVAÇÃO DOS SOLOS (potencial). Desse modo, é possível cleger as áreas prioritárias paca o início da etapa de implantação do projeto de planejamento ambiental. — Quanto ao mapeamento da cobertura vegetal em microbacias, vale ressaltar a necessidade de bases cartográficas não só em escalas apropriadas (que seriam tanto maiores, quanto maiores forem as variações ou modifi- cações no tipo de vegetação), mas também em datas apropriadas. Neste caso, é importante produzir informações bastante atualizadas, o que pode não ser muito fácil, visto que vôos aeroforogramétricos recentes nem sem- pre estão disponíveis. O uso de imagens orbitais contribui sobremaneira para a atualização de dados, mas a resolução da imagem pode comprome- ter o detalhe da informação para o caso de microbacias. Além disso, é pre- ciso estar atento à variação da resposta espectral do alvo (no caso, a vege- tação), que difere de acordo com a época do ano (maior ou menor insola- ção e umidade), periodicidade da vida vegetativa, estágio de crescimento do cultivo, época do pousio, ere 4, INTEGRAÇÃO E AVALIAÇÃO DE DADOS AMBIENTAIS 4.1, INTEGRAÇÃO DE DADOS AMBIENTAIS E DEFINIÇÃO DAS CÉLULAS DE PLANSJAMENTO Os mapas temáticos produzidos para cada parâmetro ambiental, ratamente, tornam-se documentos apropriados para utilização por usuá- rios não especialistas, tendo em vista a complexidade das informações e de graride parte da legenda empregada, representando dados que, em geral, não são relevantes ao interesse imediato do usuário final. Daí a importân- cia da integração desses dados e da criação de um único mapa, que apre- sente uma legenda mais simples, que contenha informações que possam ser mais facilmente compreendidas por récnicos, administradores, fazen- deiros, etc. Cooke e Doornkamp (1990) nomeiam essa tarefa de processo de “tradução”, onde, baseados não apenas em mapas temáticos, mas tam- bém em análise e interpretação de outros dados, realizam-se mapas deriva- dos, apresentados numa forma mais valiosa para os usuários. : . São vários os métodos pelos quais são integradas as variáveis ambien- sais. A partir deles, são definidas as células ou unidades de planejamento, PLANEJAMENTO AMBIENTAL EM MICROBACIA HIDROGRÁFICA 287 que buscam sintetizar as informações levantadas durante a etapa de diag- nóstico ou inventário ambiental e sobre as quais serão efetuadas as propos- tas de uso é ocupação do território. A integração dos dados ambientais pode ocorrer através de procedi- “mento sintético ou analítico. No primeiro caso, as informações são conju- gadas ao mesmo tempo em que são definidas as células cartográficas básicas. A análise do território é realizada a partir da interpretação de imagens orbi- tais e fotografias aéreas é se traduz na definição de ambientes e subam- bientes, de acordo com a escala de detalhamento e variáveis consideradas, como é o caso das pesquisas de land-systesms (Dent e Young, 1981; Cooke e Doornkamp, 1990). Nestas, o inventário ou levantamento das variáveis físicas ocorre apés a definição das unidades de planejamento, durante as pesquisas de campo de verificação. Tal procedimento, entretanto, parece ser mais adequado a grandes áreas + projetos de planejamento nacionais € regionais. Para o caso de microbacias hidrográficas é preferível o método anali- tico, onde são conjugadas informações referentes a cada parâmetro ambiental selecionado, originando um mapa cujas células cartográficas correspondem a áreas o mais homogêneas possível, Tal procedimento parece ser mais eficiente para pequenas áreas, visto que os parâmetros ambientais são estudados mais detalhadamente, sendo gerado para cada um deles um mapa temático específico, resultante não só de interpretação de imagens, mas principalmente de levantamento prévio de campo. As áreas homogêneas são reconhecidas por Hole e Campbell (1985) como sendo aquelas em que as variações de lugar para lugar são contínuas & se processam à uma distância que varia em função da uniformidade de cada unida le. Segundo os autores, em condições ideais as unidades de mapeamen: + devem scr definidas como sendo tão uniformes quanto pos- sível em relação às propriedades de interesse, Contudo, admitem que, em função da comple: idade da paisagem, muitas vezes é necessário definir unidades de mapeamentos compostas, como aquelas referentes às associa. ções de solos, e citam Robinove (1981, jn Hole e Campbell, 1985), que destaca que a uniformidade não está, de modo geral, presente na natureza, o que pode ser efetivamente utilizado como base para o mapeamento da paisagem, e que as unidades de mapeamento devem ser definidas para reconhecer esse faro, descrevendo a complexidade que está presente, mais 288 EROSÃO E CONSERVAÇÃO DOS SOLOS da que buscando uma “ilusória uniformidade”. Desse modo, é que sc pre- ferem: chamar as áreas homogêneas de unidades ambientais. O mapcamento de unidades ambientais busca representar a análise da paisagem, organizando espacialmente as informações sobre ela levanta- das. Variações de lugar para lugar representam uma qualidade inerente da paisagem, que constitui um sistema espacial, ao menos em regiões defini- das, notadamente a bacia hidrográfica, onde as interações espaciais ocor- rem por meio de escoamento subsuperficial, rastejamento, escoamento s de erosão, transporte e deposição. A possibilidade de reconhecimento e pria evolução da pai- superficial, movimentos de massa, transporte cólico e outros process mapeamento de unidades ambientais decorre da p; que conduz a uma certa ordenação de sagem como um sistema espacial seus elementos físicos, como bem demonstra a identificação de catenas, topossegiiências, associações de solos e outros conceiros análogos. Assim, o mapeamento de unidades ambientais em microbacias hi- drográficas segue o modelo cartográfico de superposição de planos de informação distintos, como descrito por Llano e Soba (1983), e que é cada vez mais favorecido pelos avanços na área de sistemas de compuração, mais mas Geográficos de Informação (SGIs), que per- especificamente cos S; mitem manusear um grande volume de informações sobre o meio físico, uso do solo e sistemas de cultivo, e estabelecem estratégias para facilitar a tomada de decisões. O uso do computador e dos Sistemas Geográficos de Informações permite uma exploração mais exaustiva das informações levantadas sobre a área de estudo (clima, topografia, solos, rede viária, etc), é sua combinação é capaz de gerar mapas interprerativos, sob a demanda de usos concretos. 4.2, AVALIAÇÃO DAS UNIDADES DE PLANEJAMENTO A realização de um estudo de plancjamento ambiental compreende várias fases, que vão desde a compilação e levantamento de dados, descri- ção do meio físico, estabelecimento das unidades cartográficas básicas, até a aplicação de um método de avaliação dessas unidades. A escolha do método « ser utilizado é função principalinente dos objetivos traçados. Segundo Porta Casanellas et aí. (1994), o mérodo de avaliação pode FLANEJAMENTO AMBIENTAL EM M.CROBACIA HIDROGRÁ 289 ser direto ou indireto, qualitativo ou quantitativo, atual ou potencial. É direto quando se comprovam os resultados de determinado uso através de seu ensaio, e indireto, geralmente mais utilizado, quando se considera uma maior ou menor viabilidade de certos usos, em função das qualidades dos ambientes definidos; é qualitativo quando a opinião sobre os usos alterna- tivos se expressa dessa forma, e quantirarivo, quando os resultados são expressos em estimativas quantitativas; atual, quando se refere ao estado atua] de uma determinada unidade de planejamento, e potencial, quando sc refere à valorização futura da unidade após melhorias (adubação do solo, obras de irrigação ou drenagem, terraccamentos, etc.). De acordo com Boix (1996), a avaliação pode estar apoiada no estu- do das capacidades ou potencialidades de uso e ocupação de um determi- nado território (avaliação de capacidade) ou no estudo dos impactos que a implantação e desenvolvimento dessas atividades produziriam ao meio ambiente (avaliação de impacto). Acredita-se que o segundo caso mencionado pelo autor difere um pouco do que se entende por planejamento ambiental tal qual apresenta- do no início deste capítulo. Apesar de muitas vezes presente nas etapas de avaliação das unidades de planejamento, na forma de considerações sobre as restrições de uso, os estudos de impacto formam uma categoria à parte denrro do âmbiro da análise ambiental, que são os chamados Estudos de Impacto Ambiental (ELAs). Tais estudos visam à avaliação da implemen- tação de uma ou mais atividades específicas, não apresentando como resul- tado um leque de possibilidades de uso e ocupação, que são consideradas essenciais em um projeto de planejamento ambiental, A avaliação da capacidade ou porencialidade ou possibilidades de uso, na verdade, pode preceder a etapa de delimitação de unidades ambientais. Para tal, é necessário realiz: o julgamento de todos os arribu tos ou elementos considerados essenciais na determinação da capacidade do meio físico de suportar ou acolher determinada atividade em cada pon- ra do território considerado. Menos utilizada do que a avaliação realizada após a identificação das unidades, à avaliação feira previamente apresenta como grande inconve- niente, ou desvantagem, o fato de que as unidades definidas estão vincula- das a determinada atividade ou uso específicos, estabelecidos anteriormen- te ao julgamento dos diferentes graus ou níveis de capacidade. O conheci 22 ERCSÃO E CONSERVAÇÃO DOS SOLOS cepção intermulridiscipliaar, onde haja intercâmbio de informações e experiências entre profissionais de diferentes áreas das chartadas Ciências da Terra, ampliando « valorizando os resultados da pesquisa. Quanto maior à quantidade e a qualidade dos dados levantados, maiores serão as alternativas de uso que poderão ser consideradas ao final. No caso do planejamento ambiental em microbacias hidrográficas, a esapa de levantamento ou diagnóstico ambiental ganha ainda maior importância, em função da menor área do terrizório considerada, que exi- ge maior detalhamento das informações. O desenvolvimento de técnicas de modelização, computação e dos Sistemas Gcográlicos de Informações (SGIs), a partir da década de 80, tem permitido manusear um grande volume de informações sobre o meio físico, uso do solo, sistemas de cultivo e rede viária, entre outras, possibili- tando estabelecer estratégias para facilitar a tomada de decisões O uso do geoprocessamento na edição e conjugação das carras temá- ticas represenra um forte aliado, que não deve ser dispensado. À entrada de dados no SG], além de permitir várias possibilidades de conjug ção, man- tém esses dados disponíveis para eventuais repetições, Vale lembrar, entre- tanto, que cle não substitui os conhecimentos sobre a área adquiridos em campo, e nem tampouco os conhecimentos do pesquisados, que podem ser exigidos, por exemplo, no momento da correção de imperfeições na geometria das feições mapeadas. Assim, acredita-se que à parre mais importante de um sistema de aveliação reside no levantamento dos dados do meio físico e de sua conju- gação e interpretação pata o estabelecimento das unidades cartográlicas de ó), ma e cultivo e, vale acrescentar, de geomorfologia, geologia, hidrografia e condições de solo, cli- planejamento. Como afirma Buriugk uso do solo prerérito c atua! são intensivamente estudadas, praticamente qualque: método de avaliação da terra pode ser aplicado com resultados eficientes. 5. CONCLUSÕES O planejamento ambiental em microbacias hidrográficas exige, em função da escala de trabalho a nível local, um levantamento intenso de mento das variáveis de análise sele- dados sobre a distribuição e comporta PLANEJAMENTO AMBIENTAL LM MICROBACIA HIDROGRÁFICA 293 cionadas, Neste capítulo, chama-se a atenção para o fazo de não haver, em geral, muitos dados disponíveis na escala desejada, o que implica a elabo- ração de inapeamentos temáticos, responsáveis por grande parte do tempo dedicado à pesquisa. Trabalhar sobre dados cartográficos anteriormente claborados representa, na maioria dos casos, incoerências a nível de escala, que são refletidas nas avaliações e resultados da pesquisa. A delimitação de unidades ambienta is como resultado da integração de diferentes fatores ou elementos do meio físico revela-se extremamente úril ao processo de planejamento, na medide em que busca expressar a complexidade existente na paisagem, c garante um nível de deralhamento equilibrado entre as variáveis físicas adoradas. Acredita-se que o planejamento ambiental em microbacias hidrogr: ficas possa minimizar a ocorrência de impactos ambientais decorrentes da ação antrópica indiscriminada. É preciso orientar a ocupação humana & fim de que sejam resguardadas as áreas destinadas à preservação ambiental, tendo em vista a conservação dos recursos naturais, a forte instabilidade ou fragilidade ambientais c a alta suscetibilidade à erosão c movimentos de massa que certas porções da paisagem podem apresentar. Respeitando as limitações ou capacidade de acolhida apresentada pelo meio físico à implantação das atividades huma nas, é possível conciliar crescimento econômico e preservação ambiental, na tentativa de atingir 0 chamado “desenvolvimento sustentável”. Contudo, o mais importante é que o planejamento ambiental enfatiza a importância do estudo e avalia- ção prévios do meio ambiente para a implementação de projetos diversos. “Lrata-se da postura preventiva antepondo-se c sobrepondo-se à postura curativa, que, na maioria das vezes, revela-se mais onerosa e nem sempre é eficiente no combate à ocorrênci: de impactos ambientais, como a erosão dos solos, 6. BIBLIOGRAFIA ÁGLIO, M.D.; CARVALHO JUNIOR, W.; OLIVEIRA, RP. SOUZA, ).8., e BONAN, V. Modelagem topográfica de declividade para classificação de solos: uma comparação metodológica. XXVI Congresso Brasileiro de Ciência do Solo, CD-ROM, Rio de Janeiro, 19