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O trabalho versa sobre reflexões em torno dos estudos feitos pelos jovens de Benguela e não só. É fruto novo que vem contribuir para o melhor proveito dos estudos.
Tipologia: Trabalhos
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ORIENTADOR: Pe. Hermenegildo F. D. Kambiete BENGUELA – 2010
ORIENTADOR: Pe. Hermenegildo F. D. Kambiete BENGUELA – 2010
Aos meus pais que desde sempre se mantiveram fiéis à minha formação académica e às minhas exigências; ao Padre José Andrade pelas suas aulas de Língua Portuguesa, que me foram muito úteis para a elaboração deste trabalho bem como o interesse pela leitura que despertou em mim; à Paulina José Pacheco, que me auxiliou na recolha de dados para fomentar as causas que estão na base do insucesso aos estudos; aos meus irmãos que muito se dedicam aos estudos, de quem frequentemente me servi para compreender e argumentar questões ligadas à percepção e assimilação das matérias.
SANTO AGOSTINHO (Séc. IV d.C.)
1.1 – Natureza do Verbo Estudar ------------------------------------------ 12 1.2 – Estudar – o que é? ----------------------------------------------------- 12 1.3 – Decorar ou Estudar ---------------------------------------------------- 14 1.4 – Onde se pode ter um Estudo Sério -------------------------------- 15 1.5 – Como Estudar Seriamente ------------------------------------------- 16 II CAP. SITUAÇÃO ACTUAL DOS JOVENS FRENTE AO ESTUDO SÉRIO -------------------------------------------------------------------------------- 19 2.1 – Os Jovens Versus Estudo Sério ------------------------------------ 20 2.2 – Causas Deste Défice -------------------------------------------------- 21 2.2.1 – A Corrupção ------------------------------------------------------- 22 2.2.2 – A Falta de Material Didáctico nas Escolas ------------------ 23 2.2.3 – As Preocupações do Tempo Presente ---------------------- 25 2.2.4 – A Falta de Vontade dos Jovens ------------------------------- 26 2.2.5 – As cábulas --------------------------------------------------------- 28 2.3 – Os Jovens Diante do Álcool ----------------------------------------- 29 III CAP. PROPOSTAS PARA SE EVIDENCIAR UM ESTUDO SÉRIO 31 3.1 – O Silêncio Interior Como Coordenador das Actividades Intelectuais --------------------------------------------------------------------------- 32
não terem um estudo sério, um estudo que possa edificar o próprio município de Benguela bem como o País que está em crescimento. Se a juventude é a alavanca do desenvolvimento do País, como pode originá- lo se não estuda como manda a própria etimologia da palavra estudar? Só através do estudo aturado e acurado é que se desenvolve o cérebro, e por seu turno, um cérebro lúcido traz desenvolvimento. Temos como escopos neste trabalho, entender o problema em geral, apresentar ao leitor a sequência lógica do pensamento que se mostrará pela exposição dos assuntos, manifestar aos jovens estudantes o valor da dedicação aos estudos e o mérito da leitura assídua, e procurar a solução do problema em foco de forma a engrandecer os estudos realizados pela juventude do município de Benguela. Com efeito, para a edificação do trabalho em exposição, servímo- nos de dois métodos (fenomenológico e indutivo) e de uma técnica (entrevista) - fenomenológico , porque por seu intermédio tivemos a possibilidade de identificar a essência do problema, dado que este método é baseado na estrutura, essência da questão; indutivo , porque nos ajudou a entender a situação particular do jovem estudante, isto é, a sua atitude ante os estudos com o propósito de se compreender o problema bem como podermos sugerir as possíveis soluções; e entrevista, porque nos auxiliou a manter o contacto directo com alguns jovens estudantes que nos forneceram o prospecto geral das propostas que se levantaram, de modo que se possa ter um estudo sério. Dificuldades não faltaram mormente no modo como identificar as causas e solucionar o problema. Mas como a pesquisa e a reflexão são amigas da ciência, foi possível vencer e ultrapassar os problemas. Por isso, o trabalho será muito útil e proveitoso para quaisquer estudantes; ele vem mostrar ao estudante benguelense e não só, o prestígio da dedicação, sacrifício, persistência e do zelo aos estudos, porque afinal estudar é mesmo sinónimo de sacrifício, fazer esforço e de dedicação mas que tem sempre frutos surpreendentes e duradouros.
O trabalho está revestido de três capítulos. Cada capítulo é sequência ou reflexo de outro. O primeiro intitula-se Esclarecimentos Pertinentes, em virtude de nos descrever minuciosamente o que é um Estudo Sério, na convicção de se entender o trabalho no seu todo. O segundo capítulo – Situação Actual dos Jovens Frente ao Estudo Sério , mostra o comportamento, o quotidiano dos jovens diante dos estudos. Trata-se de um relato que vem denunciar tudo que perturba o jovem estudante e faz com que ele não estude seriamente, desde a sua atitude psicológica até às radiações, frutos da globalização que muitas das vezes são vistos de forma negativa pelo jovem não contribuindo, contundo, para o estudo sério. Finalmente o terceiro capítulo que se intitula Propostas para se Evidenciar um Estudo Sério, oferece aquilo que costumamos chamar de contributos, soluções. As propostas visam ajudar o jovem estudante a desencadear um estudo sério e acima de tudo a valorizar o hábito pela leitura assídua por causa dos méritos que ela proporciona ao estudante (aumento da capacidade intelectual, capacidade de argumentação e retenção da matéria e outros). Esperamos, portanto, que este trabalho contribua para o desenvolvimento intelectual do estudante e posteriormente com a sua dedicação, empenho, zelo aos estudos venha dar um grande avanço no crescimento do País, uma vez que Angola vive um período de restauração, renovação, construção. E a par destas exigências está o jovem, que só poderá contribuir com o seu estudo sério, sincero e honesto.
O vocábulo estudar tem sido usado por muitos estudantes, pois, faz parte do seu léxico quotidiano mesmo que seja entendido diferentemente. Por um lado, o termo estudar marca a vida de quaisquer estudantes; por outro lado, ele é só aplicado por quem exerce uma actividade mental, racional. A palavra estudar é de natureza latina; provém do verbo da 2ª conjugação «studěo, ēs, ēre, ŭi: ter gosto por; ter dedicação por; entregar-se a; trabalhar por; aplicar-se a» 1
. «É uma aplicação zelosa interessada em qualquer coisa, devoção, afeição, aplicação ao estudo» 2 . Como vimos, a ideia de estudar exposta no parágrafo anterior, dá crédito que os latinos eram homens de muita dedicação aos estudos, tinham afeição, amor, zelo pelos estudos. Deste modo, retemos esse exemplo e aplicamo-lo às actividades académicas que constituem o intento dos jovens estudantes. Portanto, estudar não é uma actividade mesquinha, fruto de indolência, de pequeno esforço; estudar exige uma acção persistente, tenaz. 1.2 – ESTUDAR – O QUE É? No item anterior sobre a etimologia do termo estudar, vimos o significado que o verbo estudar apresenta; trata-se de um rigor, de um trabalho árduo cujo efeito engrandece quem o aplica. (^1) A. Gomes FERREIRA. Dicionário de Latim – Português. Porto. Porto Editora. 1987. P. 1100. (^2) José Pedro MACHADO. Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa. 7 ed. Vol. II. Lisboa. Livros Horizontes. 1995. P. 498.
Estudar é uma realidade necessária que tem a ver com todos que almejam atingir metas e contornar obstáculos. Note-se que, Ulisses para engendrar o magno Cavalo de Tróia teve que estudar a estrutura que teria o cavalo e como este poderia entrar no território Troiano de forma a alcançar a vitória sobre os Troianos. Estudar consiste em aplicar todas as faculdades intelectuais à aquisição de novas noções, conhecimentos que visem o desenvolvimento do indivíduo, bem como a sua socialização 3 . Naturalmente, estudar sempre foi uma vantagem para o desenvolvimento do cosmos, do mundo por causa da pesquisa científica que exige estudo sério, visto que «estudar é aplicar as faculdades intelectuais à pesquisa científica» 4 . Estudar não é como diziam os sofistas – uma actividade fácil. A partir da sua etimologia, estudar é uma prática penosa que exige muita disciplina, persistência e pensamento positivo quando se quer alcançar um alvo. Estudar não é uma actividade passiva em que nos sentamos diante dum livro e lemos uma e outra vez para ver se acabamos por fixar na memória as coisas que vamos lendo. […]. Estuda-se enfrentando o livro e os apontamentos com dinamismo, sempre prontos a manejá- los, utilizá-los e dominá-los. […]^5. Em conclusão, o estudo sério não se relaciona com uma actividade passiva, indolente, porque estudar em si é uma prática inveterada na qual estão assentes a tenacidade e o sacrifício como acções activas. Logo, estudar não é uma realidade fácil, é pelo contrário, sinónimo de sacrifício que o estudante vai empreendendo no decorrer dos seus estudos e investigações. (^3) Cf. J. Almeida COSTA; A. Sampaio e MELO. Dicionário da Língua Portuguesa. 6 ed. Portugal. Porto Editora. 1991. P. 45. (^4) Ibid. P. 45. (^5) Francisco KAPITIYA. Método de Estudo. 2 ed. Benguela. Secretariado Diocesano de Pastoral. 2007. P.
Contudo, estudar confina-se na reflexão, no raciocínio, com o objectivo de se compreender a matéria para depois ser gravada na mente com naturalidade. Decorar e estudar são dimensões distintas, mas não se estuda só e nem se decora só, ambas dimensões equivalem-se de tal maneira que o que se estudou seja assimilado ou gravado na mente. 1.4 – ONDE SE PODE TER UM ESTUDO SÉRIO «O isolamento é o laboratório para o Espírito; a solidão interior e o silêncio são as asas com que ele voa. Todas as artes, simples Homens ou Homens-Deus, todos pagaram tributo ao isolamento, à sua vida silenciosa […]». SARTILIANGES A Sociologia da Educação exerce um poder coercivo quanto a este ponto, porque ela prima pela organização e tranquilidade do lugar onde se providenciam quaisquer trabalhos intelectuais. Efectivamente, o estudo sério carece de um lugar que não cause falta de vontade ao estudar. O estudo sério surte efeito quando o lugar onde se vai produzir qualquer assunto seja propício e agrade ao sujeito a fazer a produção. Esse lugar deve ser «calmo, arrumado e confortável» 10 , de modo que o estudo venha a ser frutífero. Tal como o isolamento é o laboratório para o Espírito, o ambiente de estudo deve ser um lugar isolado de distracção, perturbação e incómodo, uma vez que o «trabalho fecundo não se compadece com a dispersão duma vida agitada e caprichosa» 11 . (^10) António ESTANQUEIRO. Aprender a Estudar: Um Guia Para o Sucesso Na Escola. 6 ed. Lisboa. Texto Editora. 1995. P. 18. (^11) Francisco KAPITIYA. Op. Cit. P. 34.
Efectivamente, o lugar de estudo exige condições que já foram descritas nos parágrafos anteriores: silencioso, tranquilo, arrumado, confortável e que desperte o poder volitivo do sujeito. Mas, para além dessas condições, o lugar para se ter um estudo sério deve ter «iluminação adequada sem reflexos» 12
. Essa iluminação deve vir pela esquerda, dado que a Biologia sustenta a ideia de que os seres humanos tendem mais a olhar pelo lado esquerdo ao invés do direito; razão pela qual a luz deve manifestar-se pelo lado esquerdo. A vantagem de uma boa iluminação justifica-se pela razão de ela reduzir a fadiga do estudo e proteger os olhos 13 . Com toda a certeza, o lugar de estudo é um dos requisitos para o sucesso escolar, para se ter um estudo sério que possa dissipar dúvidas e abrir horizontes de um estudante. Assim, esse lugar não pode ser um qualquer; pelo contrário, deve ser silencioso, calmo, bem iluminado, ventilativo e acima de tudo deve ser um lugar que dê um bom moral ao estudante. 1.5 - COMO ESTUDAR SERIAMENTE Até aqui dissemos que o estudo sério obedece a muitos factores. Um deles é o lugar que deve ser calmo, tranquilo e proporcionador de motivação ao estudante. Mas, será, na realidade, o lugar a condição mais exequível para se ter um estudo sério? Ou temos que ter em consideração a atitude psicológica do próprio estudante, para que consiga estudar seriamente? Na verdade, a psicologia influi bastante na compreensão deste assunto, uma vez que o estudo sério tem repercussões no cérebro do (^12) DESPERTAI. Op. Cit. P. 143 (^13) Cf. Id. P. 143.
extra-sensorial, bem como tornar mais aguda a intuição 20
. Com efeito, estudando neste nível, o estudante aprende com mais facilidade e grava melhor na memória. Um dos aspectos de estudar seriamente no nível alfa é gostar da matéria que se vai estudar; se nunca se gostou, é evidente que se procurem razões, argumentos, algo que faça gostar, dado que se aprende mais, gasta-se menos energia, pois, se evitaram conflitos de intenções 21 . Portanto, apresentamos, em seguida, algumas técnicas para se providenciar um estudo sério: Ler atentamente uma ou mais vezes o que se deve aprender, procurando compreendê-lo bem; Gravar o aprendizado na mente por partes, não passando ao ponto seguinte sem se ter antes aprendido bem e decorado os conceitos anteriores; Aprendida a lição, decora-se por inteiro e com pausa, como se a estivesse a recitar na aula 22 . 20 Cf. Id. P. 58. (^21) Cf. Ibid. P. 60. (^22) Cf. Marcelo González MARTÍN. Op. Cit. P. 543.
No 1º capítulo vimos o que é ‘estudar seriamente’, isto é, apresentámos o tema na sua originalidade. No presente capítulo, o objectivo será saber como é que os jovens encaram o estudo sério; é o confronto do 1º capítulo com a realidade dos nossos dias, na perspectiva de se saber se os jovens estudam seriamente, e se não, identificar quais as principais causas deste défice.