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TEXTO ESTAÇÕES RESUMIDAS DE 1 A 6 PROF. MARCELO PAIVA. UNIVERSIDADE UNYLEYA
Tipologia: Notas de estudo
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Não perca as partes importantes!





































Todos nós nos comunicamos o tempo todo. O ato de se expressar é uma das principais características do ser humano. Comunicação é a forma como trocamos informações, sentimentos, experiências em nossa vida. Fazemos isso por meio de palavras, gestos, expressões corporais, desenhos etc. A comunicação faz parte de nosso dia a dia e é essencial a uma vida pessoal, social e profissional. O ato de se comunicar ocorre entre um emissor e receptor Emissor é quem inicia o processo da comunicação (geralmente por meio de uma fala ou de um texto escrito) e receptor é quem recebe a informação (quem ouve ou lê). Na ilustração anterior, o homem sem bigode fala (emissor) e o homem com bigode ouve (receptor). A comunicação, no entanto, pode ocorrer de diversas outras formas. O emissor pode ser um sinal de trânsito, uma música, um programa de televisão. Algumas vezes, somos um emissor e outras vezes somos o receptor. Se nós dois estivermos conversando por horas, serei o emissor quando falo e você, o receptor. Quando você fala, você passa a ser emissor e eu receptor. A comunicação permite o aprendizado de novos assuntos e torna nossa vida mais ampla e cheia de possibilidades. Assim, é importante nos comunicarmos bem para sermos pessoas cada vez melhores em nossas atividades. ATENÇÃO A comunicação é essencial à vida humana e à vida social. Tudo que aprendemos ocorre por causa da comunicação. A importância da comunicação Aprender a se comunicar significa criar condições de aprender mais e se tornar melhor pessoa, como cidadão e como profissional. Ao saber se comunicar mais adequadamente, aprendemos de forma mais profunda assuntos importantes e seremos mais competentes com novas oportunidades em diversas áreas de atuação. É justamente por meio da comunicação e da dedicação que nos tornamos pessoas melhores e podemos trocar experiências, sentimentos e conhecimentos. Saber se comunicar adequadamente é considerado por diversas empresas especializadas em carreiras profissionais uma das principais competências necessárias a ser adquirida por todo trabalhador. A Catho é uma das maiores empresas do Brasil na prestação de serviços para colocação de profissionais em empresas e afirma que cada vez mais os trabalhadores de todas as áreas de atividade profissional procuram melhorar a forma de comunicação para obter o emprego desejado ou melhorar sua situação no trabalho. O termo comunicação significa tornar comum, partilhar, repartir, distribuir. O ser humano não é o único ser na natureza a transmitir ou receber informações, experiências ou sentimentos. A Comunicação está presente em toda forma de
vida e ocorre em grande parte de maneira não perceptível à nossa atenção. Uma pessoa pode dizer que está calma (comunicação consciente) e, ao mesmo tempo, manter uma postura que revela tensão (comunicação inconsciente). Trata-se de comunicação não verbal. Comunicação verbal e comunicação não verbal A comunicação não se limita apenas à linguagem escrita ou oral por meio de um código linguístico padronizado e usado por um grupo de pessoas. Trata-se de processo mais amplo e o uso de idiomas revela apenas parte do ato de transmitir ideias, experiências ou sentimentos. Limitar o estudo da teoria da comunicação a processos unicamente linguísticos é certamente a forma mais rudimentar de reduzir o conhecimento possível sobre o tema no ser humano e na natureza. Comunicação verbal e não verbal A mãe com o filho de meses ao colo se comunica sem o uso de idiomas convencionais. Animais e aves possuem código específico de proteção mútua e direcionamento em grandes movimentações pelo planeta. Geralmente, o universo acadêmico procura ensinar o conteúdo da teoria da comunicação em seu processo unicamente linguístico. Isso ocorre principalmente porque os cursos que oferecem a disciplina estão relacionados com a comunicação de massa ou o estudo do idioma. Sem dúvida, tal conhecimento e estudo são fundamentais e importantes. No entanto, outras áreas se beneficiam de pesquisas sobre causas e consequências do processo comunicativo e isso tem ocorrido em diversos países. O pesquisador americano Mehrabian concluiu que, durante uma conversa, a transmissão de uma informação entre pessoas ocorre em média com 55% por meio de linguagem corporal, 38% por meio da voz e apenas 7% por meio das palavras empregadas. Observe que mais da metade da comunicação ocorre por meio de processos quase sempre involuntários e não intencionais. O estudo acadêmico define linguagem verbal como aquela que ocorre por meio da escrita ou da fala e linguagem não verbal é aquela que ocorre por meio de imagens, símbolos, postura, gestos, música, pintura, desenhos etc.
ELEMENTOS DA COMUNICAÇÃO Para entendermos como a comunicação ocorre, vamos dividi-la em seis elementos consagrados no estudo da teoria da comunicação. Observe a ilustração e a explicação a seguir. Emissor ou remetente : quem envia a mensagem (pessoa, televisão, rádio, placa de trânsito, cartazes). Receptor ou destinatário : quem recebe a mensagem.
pessoa que não transmite a mensagem com clareza prejudica o entendimento do receptor. Por sua vez, se o receptor não estiver atento, a mensagem certamente não será compreendida também. Tudo aquilo que perturba a comunicação é um ruído. A compreensão inadequada de uma mensagem provoca atitudes inadequadas muitas vezes. Ruídos da comunicação
NÍVEIS DE LINGUAGEM Linguagem é o sistema composto por códigos linguísticos pelo qual nos comunicamos. A linguagem pode ser realizada pela escrita, pela oralidade, por gestos etc. A linguagem sempre leva em consideração o contexto em que aparece. Ela é a forma como usamos a língua (língua portuguesa, por exemplo). Certamente, você não escreveria da mesma forma um texto para um adulto e para uma criança. São pessoas com capacidade de entendimento diferente. Também o seu texto deve ser diferente para cada um deles. É necessário, assim, preocupar-se e muito com quem receberá o seu texto. Veja, a seguir, os diferentes níveis. Níveis de linguagem
TEXTO A origem do termo texto é interessante. A palavra vem do latim texere com o sentido de tecer, construir. O particípio passado textus era empregado para indicar a maneira de tecer e, mais tarde, a estrutura. No século XIV, passou a ter dois sentidos: tecelagem ou estruturação de palavras. Quase todas as línguas ocidentais mantiveram relação com a origem da palavra: text (inglês), texte (francês), testo (italiano), texto (espanhol), text (catal ão), text (alemão). Assim, o sentido original do termo estava relacionado a tecido. Importante destacar que vários termos relacionados ao ato de escrever também se referem ao ato de tecer. Podemos citar, por exemplo, que da mesma forma que os fios do tecido não aparecem soltos em uma roupa, também as palavras se agrupam para formar um texto. O termo “linha”, por exemplo, vem do latim linea com o sentido de fio de linho (tecido). Da mesma forma que os fios se agrupam para formar o tecido e a roupa, as palavras se unem para organizar frases e parágrafos. Texto pressupõe interação entre emissor e receptor: emissor - texto - receptor Discurso e intencionalidade
O termo intenção originalmente apresentava o sentido apenas de esforço, alongamento, estender. Na língua portuguesa, passou a ter a representação com “ç” com o sentido de propósito. O discurso reflete muito a intenção do emissor no processo da comunicação. Há todo momento observamos que o ato de se expressar carrega em si toda uma intencionalidade no enunciado. Ao pedir algo, usamos um tom de voz. Ao exigir algo, o tom geralmente já passa a ser outro. A escolha de palavras, do momento adequado e tantas escolhas para obtermos o desejado apresenta o estudo desta lição. Campanhas eleitoras mostram o candidato em visitas a comunidades pobres com diversas promessas e aparência de realmente desejar ajudar a população. A verdadeira intenção de quase todos os candidatos na verdade é apenas conseguir o voto desejado. Facilmente, observamos a intenção na política, no marketing, no trabalho etc. Ela está presente, no entanto, em praticamente todos os momentos em que nos comunicamos ou nos propomos a realizar algo. A comunicação não é feita apenas por palavras soltas que se juntam para dar um significado. A intenção do autor ao escolher palavras em determinado contexto produz o texto. O objetivo do autor deve ser levado em consideração para compreendermos o processo da comunicação. É a intenção do autor ao escolher palavras com determinado objetivo que cria o sentido textual. Saber interpretar adequadamente essas intenções do discurso em suas diversidades é uma técnica que interessa a diversos profissionais e acadêmicos. Observe o texto a seguir para diferenciar aspectos explícitios e implícitos em um simples comentário de Alexandre sobre o atraso da colega de trabalho Patrícia. Primeiro comentário: Patrícia chegou no horário para a reunião. Segundo comentário: Patrícia não chegou atrasada hoje para a reunião. Os dois comentários apresentam a mesma informação: Patrícia chegou no horário para a reunião (ideia explícita). O segundo comentário, no entanto, intenciona também expressar certa crítica aos atrasos anteriores de Patrícia (ideia implícita). Isso é justamente o discurso, ou seja, a intencionalidade do autor. Texto e discurso Um texto deve ser analisado em seu contexto para se chegar à intenção real do conteúdo. Para isso, o receptor (leitor ou ouvinte) precisa dominar os aspectos gramaticais e semânticos do texto, além de observar detalhadamente o contexto apresentado pelo autor. Um estudante de graduação compreenderá melhor um texto apresentado pelo professor se dominar conceitos relacionados à sua área de atuação e abordados no texto indicado pelo professor. Para aprofundar seu conhecimento sobre os temas desta Estação, leia a Aula 1 de seu Caderno de Estudos
parte significativa da população não tem condições ou acesso a livros ou à internet (muitos sequer têm acesso à educação básica).
ERROS DE LEITURA Extrapolar Trata-se de um erro muito comum. Ocorre quando o autor sai do contexto, acrescentando ideias que não estão presentes. A interpretação fica comprometida. Frequentemente, relacionamos fatos reais a outros contextos. Reduzir Trata-se de um erro oposto à extrapolação. Ocorre quando se dá atenção apenas a uma parte ou aspecto do texto, esquecendo a totalidade do contexto. Destaca-se, desse modo, apenas um fato ou uma relação que pode ser verdadeira, porém insuficiente se for levado em consideração o conjunto das ideias. Contradizer Ocorre quando se chega a uma conclusão que se opõe ao texto. Associam-se ideias que, embora no texto, não se relacionam entre si. Erros de leitura
CARACTERÍSTICAS DE UM TEXTO PARA BOA INTERPRETAÇÃO Unidade Um texto só pode ser considerado como tal se possuir uma unidade de entendimento. Não se trata apenas de uma expressão sem significado coerente e coeso. Como já vimos, a origem do termo texto está relacionada a “novelo”, ou seja, um emaranhado de assuntos. Assim, todo texto apresenta uma ideia maior desenvolvida em partes. Observe como isso se dá no texto a seguir. Destruir a natureza é a forma mais fácil de o homem se aniquilar da face da terra. Dizimando certas espécies de animais, por exemplo, interfere na cadeia alimentar, e causa desequilíbrios que produzem a extinção de seres essenciais à harmonia do planeta. Ao jogar diariamente toneladas de produtos químicos poluentes, o ser humano causa a destruição do meio ambiente. Perceba que o parágrafo anterior está dividido em três períodos, cada um com uma ideia específica. No entanto, o tema principal é a destruição do meio ambiente. Aí está a unidade. Nos três períodos, o assunto sempre se mantém unido, coerente e coeso. Clareza
Inúmeras são as vezes em que a má redação compromete o entendimento. O texto claro é aquele que não permite dificuldade de entendimento. A compreensão deve ser imediata. Observe trecho de circular produzida pelo Banco Central do Brasil com falta de clareza. Os parentes consanguíneos de um dos cônjuges são parentes por afinidade do outro; os parentes por afinidade de um dos cônjuges não são parentes do outro cônjuge; são também parentes por afinidade da pessoa, além dos parentes consanguíneos de seu cônjuge, os cônjuges de seus próprios parentes consanguíneos. Fonte: Circular n. 2 do Banco Central do Brasil, de 11 de junho de 1965. Já trabalhei o texto acima diversas vezes em sala de aula e é difícil compreender exatamente o que deseja deixar claro o autor. A forma como o autor escolheu os termos e a relação entre as ideias comprometeu o entendimento da intenção que ele desejava transmitir. Isso deve ser evitado. Coerência Coerência é a organização lógica presente no conteúdo. Ela envolve o texto como um todo de forma que o leitor considere as ideias razoáveis e possíveis. Observe exemplo de texto incoerente. Brasília é a melhor cidade do Brasil. A qualidade de vida apresenta dados que se destacam no cenário nacional: baixa criminalidade, alto poder aquisitivo e boas opções de lazer. Também o clima propicia agradáveis dias durante o ano inteiro. Infelizmente, muitas pessoas que moram aqui reclamam dos preços cobrados nos aluguéis de apartamentos apertados. O parágrafo aborda inicialmente uma visão positiva em relação à cidade e, no final, explora uma ideia contrária à ideia principal. Observe agora texto coerente com ideias que se relacionam de forma lógica. A União Europeia completa 50 anos como a mais bem-sucedida experiência de integração regional do planeta. Quando a Guerra Fria começava a mergulhar Estados Unidos e União Soviética numa era de auto-suficiência e competição, os europeus concretizavam sua aposta na cooperação como diferencial para enfrentar desafiosdo século 21. Os problemas do bloco são vários, mas os benefícios inegáveis dão a outros países duas importantes lições sobre desenvolvimento. Coesão A coesão é o tijolo que une as partes de um texto. Geralmente, ela ocorre com conectivos (portanto, porque, pois, conquanto etc.). Assim, o texto coeso é aquele em que as palavras, as orações, os períodos e os parágrafos estão interligados e coerentemente dispostos. Observe alguns elementos de coesão. Conjunção: Meu irmão estudou muito, portanto passou.
Observe que a moça fala bem inglês, espanhol, francês, italiano e alemão. No entanto, ela não domina o próprio idioma português. A intenção do autor é indicar que muitas vezes a pessoa procura emprego à espera de que apenas o conhecimento de outros idiomas seja o importante e não sabe falar português corretamente. Isso pode comprometer o interesse de quem contrata. Observe outro exemplo. Não, senhores, não pode mais A explosão das denúncias de assédio sexual e as novas condutas pautadas pelo feminismo fazem empresas vetar caronas, beijinhos e outras interações entre homens e mulheres. Os códigos de conduta entre os sexos estão passando por uma transformação radical, impulsionada pela explosão das denúncias de assédio e pela crescente afirmação feminina. E há gente confusa com isso – em particular, homens criados no tempo em que era aceitável virar a cabeça diante da passagem de um derrière feminino. Mas, ei, isso também não pode mais? Não, senhores, não pode. O mundo não apenas mudou – mudou rapidamente. Daí o fato de muitos homens reagirem com perplexidade aos olhares de repressão provocados por algo que eles sempre fizeram e que ninguém antes lhes havia dito que não podiam fazer. Como costuma acontecer em momentos de grandes e velozes transformações, as novas regras ainda não estão claras para todo mundo. O que “pode” e o que “não pode” se embaralham, a depender do ambiente e dos protagonistas da ação Gestos como abrir a porta para uma mulher, por exemplo, uma manifestação de cavalheirismo para a maioria, já podem parecer ofensivos para algumas mulheres, que enxergam ali um galanteio indevido (…). Segundo o Conselho Nacional de Justiça, 88% das ações de assédio sexual em 2016 se deram na esfera trabalhista. O assédio, evidentemente, pertence a uma categoria bem diferente da que abrange carona e beijo no rosto. No país, o assédio é crime previsto no Código Penal desde 2001. Fonte: REVISTA VEJA. São Paulo, edição 2564, ano 51, 10 de janeiro de 2018. Vamos analisar com atenção o texto anterior. PRATICANDO Na sua opinião, em qual opção a seguir temos resumo da ideia principal do texto? a) As regras não ficam claras em momentos de grandes transformações.
b) O Conselho Nacional de Justiça afirma que 88% das ações de assédio se deram na esfera trabalhista. c) O que “pode” e o que “não pode” ainda estão embaralhados. d) Empresas estão alterando suas regras como vetar algumas interações entre homens e mulheres por causa da transformação radical nos códigos de conduta promovida pelas denúncias de assédio sexual. e) Os homens ainda estão confusos sobre como devem agir para evitar o assédio sexual no ambiente de trabalho.
IDEIAS EXPLÍCITAS E IDEIAS IMPLÍCITAS Outra preocupação ao analisar um texto é observar a existência ou não de ideias explícitas (a interpretação está realmente escrita no texto) e ideias implícitas (a interpretação não está escrita, mas o autor desejou expressar outras ideias de forma indireta). Interpretação explícita Geralmente, a primeira interpretação envolve a observação de ideias explícitas apresentadas pelo autor. Vamos procurar analisar qual a ideia explícita que podemos interpretar com certeza do texto a seguir. A televisão procura atender ao gosto da população. Assim, não propõe programas novos educativos e com mais cultura. Por isso, encontramos tantos programas sem graça e sem conteúdo. PRATICANDO Qual opção, na sua opinião, apresenta interpretação explícita do texto anterior? a) porque se dirige a um público sem cultura e pouco inteligente, a televisão não se preocupa com a qualidade de seus programas. b) a televisão não se preocupa em melhorar o nível de seus programas, pois o público não é sério. c) a televisão tem interesse em manter o público sem educação e sem cultura. d) a televisão está interessada em produzir programas novos, pois o público tem interesse por isso. e) o gosto do público acaba definindo os conteúdos apresentados pela televisão.
Interpretação implícita A interpretação implícita exige mais atenção do leitor ou do ouvinte. O autor não transmite literalmente a ideia desejada. Ele apresenta ideias que podem provocar no receptor interpretações dedutivas ou indutivas. A interpretação de ideias implícitas merece mais atenção. Observe o texto a seguir. Para entendermos bem o assunto. Li que a espécie humana é um sucesso sem igual na natureza. Nenhuma outra com uma proporção parecida de peso e volume se iguala à nossa em termos de sobrevivência. E tudo se deve à agricultura. Como controlamos a produção do nosso próprio alimento, somos a primeira espécie na história do planeta a poder viver fora de seu lugar de nascimento. Isso nos permitiu andar pelo mundo e conhecer novas pessoas e isso nos salvou da extinção. Bichos de tamanho equivalente não conseguiram sucesso assim. É por isso que não temos mudado muito, mas também não desaparecemos. Fonte: Luiz Fernando Veríssimo, Recursos Humanos, in: O Desafio Ético , org. de Ari Roitman. PRATICANDO Peço a você refletir e observar quais construções a seguir apresentam interpretações implícitas do texto (não estão escritas pelo autor, mas podemos considerar adequadas). I - Mede-se o sucesso pela capacidade de sobrevivência. II - Se a espécie humana tivesse outro peso e volume com certeza não teria sobrevivido. III - Viver fora do lugar de nascimento depende da capacidade de criar o próprio alimento. IV - O tamanho de outros bichos impediu que eles andassem pelo mundo. V - A história da espécie humana poderia ser outra se não houvesse agricultura. VI – As grandes mudanças que ocorrem no homem permitiram que ele sobrevivesse. Ideias explícitas e ideias implícitas
Vamos observar agora outro texto para tentar encontrar interpretação explícita e interpretação implícita. Monteiro Lobato foi o primeiro brasileiro a adaptar a história de Peter Pan. Dona Benta conta à turma do Sítio do Picapau Amarelo as aventuras de Peter Pan, que ficou conhecido em livro no Brasil antes da Disney fazer filmes nos Estados Unidos. PRATICANDO Qual opção a seguir apresenta ideia explícita? a) Monteiro Lobato nasceu no Rio de Janeiro. b) Monteiro Lobato não gostava do Brasil. c) Monteiro Lobato era amigo pessoal do proprietário da Disney. d) Monteiro Lobato adaptou a história de Peter Pan antes de qualquer outro brasileiro. e) Monteiro Lobato tinha admiração pela Disney. PRATICANDO Agora, vamos encontrar a opção que apresenta ideia implícita do mesmo texto. a) Monteiro Lobato trabalhava na Disney e fez filmes nos Estados Unidos. b) Dona Benta era esposa de Monteiro Lobato. c) Monteiro Lobato era escritor brasileiro. d) Peter Pan era filho de Dona Benta. e) Peter Pan morou no Sítio do Picapau Amarelo. Para aprofundar seu conhecimento sobre os temas desta Estação, leia a Aula 2 de seu Caderno de Estudos
Sou brasileiro e, por isso, gosto de temperaturas bem frias. O texto não mantém relação de ideias razoáveis, pois não há relação entre ser brasileiro e temperaturas bem frias (temos, na verdade, justamente a ideia contrária). A construção acima apresenta falha de coerência também pelo motivo da contradição. A mesma frase poderia se tornar coerente em outro contexto ou com outro conectivo. Sou brasileiro, mas gosto de temperaturas bem frias. Sabemos que o Brasil é um país de temperaturas quentes em quase todo o território (exceto regiões do Sul e do Sudeste). Nosso país é conhecido no mundo pelo calor, pela alegria, pelo samba, pelo futebol, pelas praias. Ao usar o conectivo “mas”, o autor da frase “sou brasileiro, mas gosto de temperaturas bem frias” soube relacionar duas ideias contrárias (na visão geral de como o Brasil é conhecido) com o uso adequado de um conectivo com ideia adversativa. Isso tornou o texto coerente. Geralmente, o texto coerente apresenta informações relacionadas e progressão de ideias. Assim, as informações acrescentam novas ideias e tornam o texto interessante. Coerência é como manter um fio condutor entre os enunciados presentes no texto. A característica de um texto é a expressão de palavras e frases que se agrupam em um contexto com significado. As ideias devem possibilitar interpretação clara por parte do leitor ou ouvinte. A principal característica da coerência é a compreensão e aceitação por parte de quem lê ou ouve em relação ao texto. Mesmo que o leitor ou ouvinte não concorde com a ideia em si, ele deve concordar que a ideia é possível de ocorrer. Observe exemplo. Gosto muito de Brasília, pois a cidade é organizada. Uma pessoa de São Paulo pode receber o texto acima e não concordar com o gosto do autor (gostar de Brasília), mas certamente considerará a ideia do texto coerente (Brasília realmente é uma cidade organizada). Observe exemplo incoerente. Portugal deve ser campeão na próxima Copa do Mundo, pois já foi campeão em outras Copas disputadas fora da América do Sul. Trata-se de informação incorreta e incoerente, pois Portugal nunca foi campeão do mundo até hoje. Ao ler ou ouvir o texto acima, sabemos que temos uma incoerência informativa. Vamos observar a coerência em um parágrafo.
Assim como milhões de brasileiros, os habitantes da Mata Atlântica estão sentindo na pele os efeitos da crise econômica. As verbas são curtas, a fiscalização é pouca, e, com isso, as leis de proteção nem sempre são respeitadas. Resultado: mesmo sendo uma das mais importantes florestas tropicais do mundo – portanto, essencial à sobrevivência do planeta – pouco a pouco a Mata Atlântica vai desaparecendo do mapa. O texto acima é formado por três períodos relacionados à Mata Atlântica. O primeiro período introduz a ideia de que os habitantes da Mata Atlântica estão sentido a crise econômica. O segundo período demonstra como a falta de verbas e pouca fiscalização provocam o desrespeito às leis de proteção. O terceiro período conclui com a informação do desaparecimento gradual da Mata Atlântica. Trata-se de um parágrafo com coerência, pois todas as ideias apresentam compreensão possível e lógica. As informações presentes no texto estão bem relacionadas e o leitor observará organização na apresentação e na realidade. Coerência está, pois, ligada à compreensão, à possibilidade de interpretação daquilo que se diz ou escreve. Assim, a coerência é decorrente do sentido contido no texto, para quem ouve ou lê. Uma simples frase, um texto de jornal, uma obra literária (romance, novela, poema...), uma conversa animada, o discurso de um político ou do operário, um livro, uma canção"..., enfim, qualquer comunicação, independentemente de sua extensão, precisa ter sentido, isto é, precisa ter coerência. Vamos novamente analisar a unidade coerente em apenas um parágrafo e, depois, como o mesmo parágrafo pode se relacionar a outros parágrafos sem perder a ideia principal. Análise de coerência em apenas um parágrafo. Observe o texto a seguir. O Uber, aplicativo de prestação de serviço de transporte urbano, enfrenta diversos problemas nos últimos meses. Depois de um período de bom relacionamento com a opinião pública, a empresa se vê envolvida em escândalos. O modelo de negócios revolucionário ocultou por muito tempo fraudes regulatórias e um ambiente propício ao assédio. Você observa que o texto apresenta três períodos. O primeiro período introduz a ideia principal (O Uber enfrente diversos problemas). O segundo período faz referência a um bom momento de relacionamento anterior ao atual. O terceiro período cita dois problemas sérios para o aplicativo. Nos três parágrafos, a textualidade envolve a ideia principal. Agora, vamos analisar o mesmo parágrafo relacionado com mais dois parágrafos. O Uber, aplicativo de prestação de serviço de transporte urbano, enfrenta diversos problemas nos últimos meses. Depois de um período de bom relacionamento com a opinião pública, a empresa se vê envolvida em
da tecnologia da informação fez surgir o fenômeno do contato entre culturas. Na argumentação, o autor afirma que Napoleão já observava o fenômeno. Temos aí um problema de coerência temporal, pois Napoleão viveu muito tempo antes da tecnologia da informação. Assim, a coerência deve buscar se organizar sem fazer relações impossíveis ou contraditórias.
COESÃO Na Estação anterior, estudamos a coerência. Agora, chegou a vez de aprofundarmos nosso conhecimento de coesão. A coesão é responsável por criar uma rede de ligação entre palavras e ideias dentro do texto. Assunto de grande importância a quem deseja interpretar e produzir textos com clareza, objetividade, correção e adequação. Geralmente, ela ocorre com conectivos (portanto, porque, pois, conquanto etc.), mas observaremos na aula que também substantivos, numerais e pronomes exercem a função coesiva. Coesão
INTRODUÇÃO À COESÃO Coesão é apresentar relação adequada entre orações, períodos e parágrafos por meio de conectivos e termos que relacionem ideias adequadas em relação ao aspecto semântico e sintático do texto. Observe exemplos simples no início do tema para entendermos bem o assunto. Depois, detalharemos com exemplos em construções mais específicas. Vamos analisar juntos a construção a seguir. Paula estudou muito e entendeu bem todo o conteúdo, portanto não passou na prova. PRATICANDO O período apresenta três orações: