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Conservação do Momento Linear, Notas de aula de Engenharia Mecânica

físicia aula

Tipologia: Notas de aula

2013

Compartilhado em 19/10/2013

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jose-cruz-7 🇧🇷

4.8

(40)

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6 – Conservação do Momento Linear
6.1 – Centro de massa
Até agora os objetos têm sido tratados como se fossem partículas, isto é, os objetos
possuem massa, mas não têm dimensões. No movimento de translação de um corpo, um de
seus pontos, à medida que o tempo passa, sofre o mesmo deslocamento de qualquer
outro, de tal maneira que o movimento de uma partícula representa o movimento de todo o
corpo. Mas, mesmo quando o corpo roda ou vibra, enquanto se desloca, há um ponto no corpo,
denominado de centro de massa, que se desloca da mesma maneira que se deslocaria uma
única partícula, sujeita ao mesmo sistema de forças externas.
Sejam duas partículas que interagem entre si através de forças de contato (por exemplo,
colisão entre dois discos). As equações de movimento correspondentes são dadas por:
(1)
onde e são os momentos lineares (quantidades de movimento) das partículas 1 e 2, e é
a força sobre a partícula 1 devida à partícula 2 (analogamente para ).
Somando membro a membro as equações (1), obtém-se
(2)
onde
(3)
é, por denição, o momento linear total do sistema de duas partículas.
Como as forças e constituem um par ação-reação, elas são iguais e opostas (o que
equivale neste caso à 3a lei de Newton), então da equação (2) tem-se que
(4)
ou seja, o momento linear total se conserva.
Forças internas ao sistema que obedecem ao princípio da ação e reação, como e no
exemplo acima (forças de contato numa colisão), são chamadas de forças internas
newtonianas.
Seja, agora, o caso mais geral, em que, além das forças internas ao sistema, também
atuam sobre as partículas forças externas (que poderiam ser forças gravitacionais, atrito,
campos elétricos e magnéticos externos, etc.). Se é a força total que atua sobre a partícula 1
e é a força externa total sobre a partícula 2, as equações (1) são substituídas por
(5)
Somando membro a membro, obtém-se:
Como só estão sendo consideradas forças internas newtonianas, de modo que ca
(6)
onde é a resultante das forças externas que atuam sobre o sistema.
A equação (6) mostra que, para que valha a conservação do momento linear do sistema
de duas partículas, não é necessário que ele seja um sistema isolado, ou seja, que não atuem
forças externas. A condição necessária e suciente para que o momento linear total de um
sistema de duas partículas se conserve é que a resultante das forças externas aplicadas ao
sistema se anule, ou seja, que
(7)
Isto equivale a de modo que as forças externas, se não nulas, devem formar um binário
(ou conjugado), ou seja, um par de forças de mesma magnitude, porém antiparalelas.
A equação (6) é também a equação de movimento de uma partícula única de momento
linear sujeita a uma força Neste sentido, portanto, pode-se tratar o sistema de duas
partículas, como um todo, como se fosse uma partícula, de momento linear igual ao
momento linear total do sistema, sobre o qual atua a resultante das forças externas. É natural
então perguntar também se é possível associar uma posição bem denida a essa “partícula
representativa do sistema como um todo”. Isto realmente ocorre, e esta posição é o que se
chama o centro de massa do sistema.
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6 – Conservação do Momento Linear

6.1 – Centro de massa

Até agora os objetos têm sido tratados como se fossem partículas, isto é, os objetos possuem massa, mas não têm dimensões. No movimento de translação de um corpo, um de seus pontos, à medida que o tempo passa, sofre o mesmo deslocamento de qualquer outro , de tal maneira que o movimento de uma partícula representa o movimento de todo o corpo. Mas, mesmo quando o corpo roda ou vibra, enquanto se desloca, há um ponto no corpo, denominado de centro de massa , que se desloca da mesma maneira que se deslocaria uma única partícula, sujeita ao mesmo sistema de forças externas. Sejam duas partículas que interagem entre si através de forças de contato (por exemplo, colisão entre dois discos). As equações de movimento correspondentes são dadas por:

onde e são os momentos lineares (quantidades de movimento) das partículas 1 e 2, e é a força sobre a partícula 1 devida à partícula 2 (analogamente para ). Somando membro a membro as equações (1), obtém-se

onde (3) é, por definição, o momento linear total do sistema de duas partículas. Como as forças e constituem um par ação-reação, elas são iguais e opostas (o que equivale neste caso à 3 a^ lei de Newton), então da equação (2) tem-se que

(4) ou seja, o momento linear total se conserva. Forças internas ao sistema que obedecem ao princípio da ação e reação, como e no exemplo acima (forças de contato numa colisão), são chamadas de forças internas newtonianas. Seja, agora, o caso mais geral, em que, além das forças internas ao sistema, também atuam sobre as partículas forças externas (que poderiam ser forças gravitacionais, atrito, campos elétricos e magnéticos externos, etc.). Se é a força total que atua sobre a partícula 1 e é a força externa total sobre a partícula 2, as equações (1) são substituídas por

Somando membro a membro, obtém-se:

Como só estão sendo consideradas forças internas newtonianas, de modo que fica (6) onde é a resultante das forças externas que atuam sobre o sistema. A equação (6) mostra que, para que valha a conservação do momento linear do sistema de duas partículas, não é necessário que ele seja um sistema isolado, ou seja, que não atuem forças externas. A condição necessária e suficiente para que o momento linear total de um sistema de duas partículas se conserve é que a resultante das forças externas aplicadas ao sistema se anule, ou seja, que

(7) Isto equivale a de modo que as forças externas, se não nulas, devem formar um binário (ou conjugado), ou seja, um par de forças de mesma magnitude, porém antiparalelas. A equação (6) é também a equação de movimento de uma partícula única de momento linear sujeita a uma força Neste sentido, portanto, pode-se tratar o sistema de duas partículas, como um todo, como se fosse uma só partícula, de momento linear igual ao momento linear total do sistema, sobre o qual atua a resultante das forças externas. É natural então perguntar também se é possível associar uma posição bem definida a essa “partícula representativa do sistema como um todo”. Isto realmente ocorre, e esta posição é o que se chama o centro de massa do sistema.

Seja um sistema de duas partículas de mesma massa nas posições e em relação a um referencial inercial. Tem-se então

Como se quer representar o movimento do sistema como um todo por uma única partícula, essa partícula deve ter massa igual à massa total do sistema:

(9) Das equações (6), (8) e (9) tem-se (10) com (11) indicando que é o vetor de posição do ponto médio do segmento que liga a partícula 1 com a partícula 2. Logo, para um sistema de duas partículas de mesma massa, de posições instantâneas e sob a ação de forças internas (newtonianas) e de forças externas quaisquer, o ponto médio do segmento que une as posições das duas partículas se move de acordo com a equação (10), como uma partícula única de massa igual à massa total do sistema, sobre a qual agiria uma força igual à resultante das forças externas. É importante notar que as partículas podem ter um movimento arbitrário em relação ao centro de massa (), que é denominado movimento interno do sistema : podem estar girando em torno dele, aproximando-se ou afastando-se (mantendo-se, naturalmente, sempre eqüidistantes do neste caso de massas iguais), sem alterar em nada o fato de que o se move sob a ação unicamente da força externa total. Seja agora um sistema de duas partículas de massas quaisquer, e Em lugar das equações (8) e (9), tem-se

(12) com (13) e (14) sendo o vetor de posição do do sistema. Se as coordenadas do são dadas por:

No caso mais simples do sistema de duas partículas e a distâncias e respectivamente, de uma origem O centro de massa () do sistema é definido como um ponto à distância da origem, dada por:

Este ponto tem a seguinte propriedade: o produto de sua distância à origem pela massa total do sistema é igual à soma dos produtos de cada uma das massas pela sua respectiva distância à origem; isto é,

(17) Se tivermos partículas, ao longo de uma linha reta, por definição, o centro de massa destas partículas, em relação a uma origem, é:

onde são as distâncias das massas à origem em relação à qual foi medido. Para um grande número de partículas coplanares, o centro de massa estará em e dados por:

em que é a massa total do sistema. Para um grande número de pontos materiais, não necessariamente situados num plano,

A quantidade de movimento (ou momento linear) de um ponto material é o vetor definido como o produto de sua massa pela sua velocidade

(27) Newton, em seu famoso Principia , expressou a 2 a^ lei do movimento em termos do momento linear: A taxa de variação do momento linear é proporcional à força resultante e na mesma direção desta:

Quando a massa de um corpo é constante, a 2 a^ lei pode ser colocada sob a forma usada até agora. Entretanto, para o caso de um corpo cuja massa varia com o tempo, a forma não será mais a equação do movimento. Considerando uma mudança na massa com o tempo, a 2 a^ lei afirma que:

Se, ao invés de um ponto material único, tem-se um sistema de pontos materiais de massas de tal modo que a massa total seja dada por

Então, o sistema todo terá um momento linear total dado por:

(30) Diferenciando esta equação em relação ao tempo, obtém-se:

O segundo membro da equação (31) pode ser substituído pela soma das forças externas, de modo que:

Seja o movimento de um sistema de pontos materiais. Qualquer que seja o movimento interno de um corpo ou sistema de pontos materiais, o movimento do centro de massa pode ser obtido supondo-se toda a massa concentrada naquele ponto e todas as forças externas atuando no mesmo. Da equação (26) tem-se que:

de modo que:

Daí

(35)

O momento linear total de um sistema de pontos materiais é igual ao produto da massa total do sistema pela velocidade do seu centro de massa.

6.4 – Conservação do Momento Linear

No capítulo anterior, foi mostrado que a energia mecânica total de um sistema é ou não conservada, dependendo do caráter conservativo ou não das forças que atuam. Conquanto seja verdade que, se a definição de energia for ampliada para abranger formas não mecânicas, então a energia total será sempre conservada, é também pertinente perguntar se há qualquer quantidade puramente mecânica que seja conservada independentemente da natureza conservativa ou não do sistema. Acontece que, como será visto uma propriedade chamada momento linear (ou quantidade de movimento ) pode ser definida para qualquer sistema, a qual é conservada em todas as instâncias, sendo o sistema conservativo ou não, contanto que tal sistema seja isolado ou que a resultante das forças externas seja nula. Se a resultante das forças externas que atuam em um sistema for nula, então da 2 a^ Lei de Newton:

A equação (36) mostra que se a resultante das forças externas que atuam em um sistema é nula, o vetor momento linear do sistema permanece constante. Este resultado simples, mas realmente geral, é chamado princípio de conservação do momento linear. Os momentos lineares individuais das partículas que compõem o sistema podem sofrer variações, mas a sua soma permanece constante, se não há resultante para as forças externas. As partículas podem interagir entre si, mas estas interações não irão modificar o momento linear do sistema, pois as forças de interação mútua entre duas partículas constituem um par ação-reação , não contribuindo para mudar o momento linear total do sistema de partículas. Do princípio de conservação do momento linear tem-se que um sistema não pode deslocar o seu CM sob a ação puramente de força internas. Além disso, o resultado obtido na Equação (36) leva a uma generalização da lei da inércia: se a resultante das forças externas que atuam sobre um sistema se anula, o CM do sistema permanece em repouso ou em movimento retilíneo uniforme.

6.5 – Sistemas de Massa Variável

Os resultados obtidos até aqui parecem implicar que o deslocamento de um corpo só é possível se existirem forças externas capazes de impulsioná-lo. Assim, somos capazes de caminhar porque empurramos o solo para trás e o atrito com o solo nos impele para frente. Entretanto, existe outro método de propulsão de grande importância prática, exemplificado pelo recuo de um canhão: mesmo na ausência de atrito com o solo, o canhão se deslocaria para trás ao disparar a bala. Isto é possível porque a massa inicial (canhão + bala) diminui após o disparo, se for considerado só o deslocamento do canhão (o do sistema canhão + bala permanece em repouso). Assim, se a massa de um corpo é variável, ele pode ser impulsionado sob a ação puramente de forças internas.

Supondo que num instante (figura acima) um astronauta estivesse flutuando no espaço, longe de qualquer campo gravitacional (). Ele estaria se deslocando com movimento retilíneo uniforme com velocidade em relação a um referencial inercial. O astronauta segura um revólver, e no instante dispara uma bala de massa Se a massa do astronauta + revólver (vazio) é a massa inicial do sistema é

(37) Seja a velocidade com que a bala escapa em relação ao revólver. A velocidade da bala em relação ao referencial inercial é dada por

(38) Num instante após o disparo, a massa do astronauta + revólver é (39) e sua velocidade é (40) Como por hipótese, o momento linear total do sistema, se conserva. Assim: (41) (42) de forma que a conservação do momento linear implica: (43) o que dá

A variação de massa do sistema cuja velocidade variou de é (45) ou seja, é negativa (o sistema do astronauta perdeu a massa da bala). A equação (44) pode então ser rescrita como: