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Controle de roedores, Notas de estudo de Engenharia Elétrica

CONTROLE DE RATOS ROEDORES

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 09/07/2010

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tercio-carcara-3 🇧🇷

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FUNASA
VIGILÃNCIA EPIDEMIOLÓGICA
Manual de
Controle de
Roedores
Manual de
Controle de
Roedores
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FUNASA

VIGILÃNCIA EPIDEMIOLÓGICA

Manual de

Controle de

Roedores

Manual de

Controle de

Roedores

Presidente da República Fernando Henrique Cardoso

Ministro da Saúde Barjas Negri

Presidente da Fundação Nacional de Saúde Mauro Ricardo Machado Costa

Diretor-Executivo George Hermann Rodolfo Tormin

Diretor do Centro Nacional de Epidemiologia Jarbas Barbosa da Silva Júnior

Diretor do Departamento de Saúde Indígena Ubiratan Pedrosa Moreira

Diretor do Departamento de Engenharia de Saúde Pública Sadi Coutinho Filho

Diretor do Departamento de Administração Celso Tadeu de Azevedo Silveira

Diretor do Departamento de Planejamento e Desenvolvimento Institucional Antônio Leopoldo Frota Magalhães

 2002. Ministério da Saúde. Fundação Nacional de Saúde

É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte.

Editor: Assessoria de Comunicação e Educação em Saúde/Ascom/FUNASA Núcleo de Editoração e Mídias de Rede Setor de Autarquias Sul, Quadra 4, Bl. N, Sala 517 70.070-040 – Brasília/DF

Distribuição e Informação: Centro Nacional de Epidemiologia Coordenação-geral de vigilância epidemiológica Coordenação de vigilância das doenças transmitidas por vetores e antropozoonoses SAS - Quadra 4 - Bloco N - 7º Andar - Sala 709 Telefone: 0xx (61) 226-9075 - 3146332 70.070-040 - Brasília/DF.

Tiragem: 10.000 exemplares Impresso no Brasil/Printed in Brazil

Brasil. Fundação Nacional de Saúde. Manual de controle de roedores. - Brasília: Ministério da Saúde, Fundação Nacional de Saúde, 2002.

132p.: il.

  1. Roedores - prevenção e controle. 2. Vigilância epidemiológica. 3 zoonose. I. Título.

Apresentação

A presença do roedor em áreas urbanas e rurais gera agravos econômicos e sanitários de relevância ao homem. O roedor participa da cadeia epidemiológica de pelo menos trinta doenças transmitidas ao homem. Leptospirose, peste e as hantaviroses são doenças de importância epidemiológica no Brasil por eles transmitidas. Ocorrem, em média, cerca de 3.200 casos de Leptospirose humana no país anualmente, com letalidade em torno de 12%. Já os casos de Síndrome Pulmonar por Hantavírus vêm ocorrendo no país desde 1993, com alta letalidade tendo o roedor silvestre como reservatório.

O Centro Nacional de Epidemiologia (Cenepi) da Fundação Nacional de Saúde (FUNASA) disponibiliza este Manual de Controle de Roedores aos profissionais e técnicos que atuam na vigilância epidemiológica e ambiental de doenças transmitidas por roedores, especialmente dos Centros de Controle de Zoonoses, visando fornecer subsídios para o planejamento, a operacionalização e avaliação de programas de controle de roedores nos municípios brasileiros. A importância da participação e o envolvimento da população pela educação em saúde também são abordados neste manual, além de oferecer noções de manejo ambiental para a efetividade das ações propostas.

c) Os meios de comunicação - é imprescindível identificar e buscar as fontes oficiais e não oficiais de informação e divulgação. A produção e a disponibilização dos conhecimentos, a criação de um canal de acesso das informações de forma simplificada para serem assimiladas e apropriadas, tanto pelos que lideram as políticas públicas como pela população, têm enorme importância para que possam agir no sentido da redução dos riscos de adoecer, na boa gestão ambiental e na formação da consciência pública. É necessário, então, estabelecer um programa permanente de controle de roedores a partir de um diagnóstico da ocorrência de doenças, prejuízos econômicos e incômodos na área geográfica considerada. A organização do programa deverá basear-se nas características da área-alvo e no levantamento correto de dados, que permitirão definir a metodologia mais adequada para sua implantação em caráter permanente.

Representa, pois, um grande desafio para a administração do controle de roedores, a busca das parcerias relevantes, considerando que diversos problemas sanitários ultrapassam a esfera de ação do setor saúde. Esta parceria é de fundamental importância na escolha da área, no diagnóstico, no controle de roedores, na educação em saúde e ambiental, na execução de medidas de combate, nos instrumentos de avaliação. Estes servirão como prognóstico e embasamento para o poder público investir na redução sistemática dos índices de infestação murina e, conseqüentemente, dos prejuízos gerados pelo roedor.

Os profissionais precisam estar capacitados para identificar o problema, definir e redefinir necessidades, adaptar estratégias locais, realizar um planejamento participativo, levando em conta as diferenças em seus sistemas locais, culturais, econômicos, e desta forma, selecionando tecnologias pertinentes, avaliando o processo e os efeitos das intervenções planejadas.

As ações que visam a proteger a população eliminando os roedores das áreas identificadas devem ser o alvo para a educação em saúde, pela utilização de uma metodologia que vise a participação, a reflexão, o debate para a auto- transformação das pessoas, voltadas para a conquista, o compromisso e a manutenção do direito ao ambiente ecologicamente equilibrado.

Desta forma, o presente manual dispõe de informações técnicas visando à uniformização de ações, atendendo à demanda dos profissionais que atuem em controle de roedores, a fim de que realizem ações eficazes, diminuindo, assim, o risco de transmissão de zoonoses ao homem por roedores.

Sumário

  • Capítulo 1 - Biologia e comportamento de roedores sinantrópicos
    • 1.1. Classificação dos roedores
      • 1.1.1. Classificação quanto à espécie
      • 1.1.2. Classificação quanto ao grupo etário
      • 1.1.3. Classificação quanto aos tipos de vida
    • 1.2. Roedores Sinantrópicos comensais
      • 1.2.1. Ratazana - Rattus norvegicus
      • 1.2.2. Rato de telhado - Rattus rattus
      • 1.2.3. Camundongo - Mus musculus
    • 1.3. Roedores Sinantrópicos não comensais (silvestres) - sinantrópicos não comensais mais comuns no Brasil 1.3.1. Comportamento e principais características dos roedores - 1.3.1.1. Akodon spp - 1.3.1.2. Bolomys spp - 1.3.1.3. Calomys spp - 1.3.1.4. Cavia spp - 1.3.1.5. Delomys spp.......................................................................... - 1.3.1.6. Echimys spp - 1.3.1.7. Euryzygomatomys spp - 1.3.1.8. Galea spp - 1.3.1.9. Holochilus spp - 1.3.1.10. Juliomys spp - 1.3.1.11. Kerodon spp - 1.3.1.12. Nectomys spp - 1.3.1.13. Oligoryzomys spp - 1.3.1.14. Oryzomys spp - 1.3.1.15. Oxymycterus spp - 1.3.1.16. Proechimys spp - 1.3.1.17. Rhipidomys spp - 1.3.1.18. Thaptomys spp - 1.3.1.19. Trichomys spp - 1.3.1.20. Trinomys spp - 1.3.1.21. Wiedomys spp - 1.3.1.22. Wilfredomys spp
  • Capítulo 2 - Diagnóstico de situação do problema roedor
    • 2.1. Como diagnosticar o problema roedor
    • 2.2. Identificação e caracterização do município
      • e à economia do município 2.3. Levantamento dos problemas causados por roedores à população
      • 2.3.1. Denúncias da população/meios de comunicação
        • causados por roedores 2.3.2. Ocorrência de leptospirose e outros agravos à saúde
      • 2.3.3. Ocorrência de prejuízos econômicos
    • 2.4. Levantamento do índice de infestação predial - busca ativa
      • 2.4.1. Definição da área
      • 2.4.2. Metodologia de amostragem para o levantamento de índice..................
        • uma tabela de números aleatórios 2.4.3. Como selecionar uma amostra aleatória utilizando-se
    • 2.5. Inspeção
    • 2.6. Organização e apresentação dos dados levantados..........................................
      • 2.6.1. Diagnóstico da situação de roedores na área
      • 2.6.2. Discussão e conclusão
      • 2.6.3. Indicação de soluções
    • 2.7. A quem apresentar o relatório
  • Capítulo 3.Elaboração de um programa de controle de roedores
    • 3.1. Como elaborar um programa
    • 3.2. Caracterização da área....................................................................................
      • 3.2.1. Dados demográficos
      • 3.2.2. Dados geográficos e pluviométricos
      • 3.2.3. Condições socioeconômicas, saneamento e habitação
      • 3.2.4. Levantamento de dados de agravos transmitidos pelos roedores..........
    • 3.3. Recursos humanos
      • 3.3.1. Gerencial
      • 3.3.2. Operacional
    • 3.4. Recursos Materiais
      • 3.4.1. Locomoção
      • 3.4.2. Uniformes
      • 3.4.3. Equipamentos/utensílios
      • 3.4.4. Raticidas
      • 3.4.5. Espaço físico
    • 3.5. Metodologia
    • 3.6. Monitoramento e avaliação
      • 3.6.1. Censo por consumo
      • 3.6.2. Avaliação por contagem de tocas..........................................................
      • 3.6.3. Levantamento do índice de infestação de áreas controladas
  • Capítulo 4. Metodologia de controle
    • 4.1. Manejo Integrado de roedores urbanos
      • 4.1.1. Inspeção
      • 4.1.2. Identificação
      • 4.1.3. Medidas preventivas e corretivas (anti-ratização)
      • 4.1.4. Desratização
      • 4.1.5. Avaliação e monitoramento
    • 4.2. O efeito bumerangue
    • 4.3. Técnicas de controle........................................................................................
      • 4.3.1. Métodos mecânicos e físicos
        • 4.3.1.1. Armadilhas
        • 4.3.1.2. Ultra-som
        • 4.3.1.3. Aparelhos eletromagnéticos
      • 4.3.2. Controle biológico
      • 4.3.3. Controle químico (raticidas)
        • 4.3.3.1. Raticidas agudos
        • 4.3.3.2. Raticidas crônicos
        • 4.3.3.3. Formulações
        • 4.3.3.4. Equipamentos
        • 4.3.3.5. Técnicas de aplicação dos raticidas
    • 4.4. A resistência
    • 4.5. Medidas de segurança no uso de raticidas
      • 4.5.1. Sobre o meio ambiente
      • 4.5.2. Sobre os operadores
    • 4.6. Toxicidade dos raticidas anticoagulantes
    • 4.7. Legislação
  • Capítulo 5. A operacionalização do programa
    • 5.1. Estratégias de trabalho
      • 5.1.1. Atendimento de denúncias
      • 5.1.2. Áreas de risco
      • 5.1.3. Controle permanente
    • 5.2. Divisão da área do programa de controle
    • 5.3. Cadastramento
    • 5.4. Operações de campo
      • 5.4.1. Medidas preventivas
      • 5.4.2. Tratamento
      • 5.4.3. Avaliação
  • Capítulo 6. Treinamento para pessoal de campo
    • 6.1. Parte teórica
      • 6.1.1. Noções básicas sobre biologia e comportamento de roedores
      • 6.1.2. Noções sobre medidas preventivas
        • de controle na comunidade 6.1.3. Etapas para a implantação de um programa
      • 6.1.4. Ações educativas
      • 6.1.5. Medidas de controle ambiental
    • 6.2. Parte prática
      • 6.2.1. Treinamento do pessoal junto à população
      • 6.2.2. Treinamento do pessoal para inspeção e cadastramento
      • 6.2.3. Levantamento de dados
      • 6.2.4. Tratamento químico das áreas afetadas
      • 6.2.5. Biossegurança
  • 1 - Tabela de números aleatórios Anexos
  • 2 - Fichas de atividade de controle de roedores
  • 3 - Medidas preventivas no controle de roedores
  • Referências Bibliográficas

FUNASA - dezembro/2002 - pág. 11

Capítulo 1

Biologia e comportamento de roedores sinantrópicos

1.1. Classificação dos roedores

Os roedores pertencem à ordem Rodentia, cujo nome deriva da palavra latina rodere que significa roer. A principal característica que os une é a presença de dentes incisivos proeminentes que crescem continuamente.

Fonte: Centro Médico Nacional Audiovisual do Serviço de Saúde Pública dos EUA e OPAS.

Existem cerca de 2.000 espécies de roedores no mundo, representando ao redor de 40% de todas as espécies de mamíferos existentes.

Os roedores vivem em qualquer ambiente terrestre que lhes dê condições de sobrevivência. Apresentam extraordinária variedade de adaptação ecológica, suportando os climas mais frios e os mais tórridos, nas regiões de maior revestimento florístico e nas mais estéreis; suportam grandes altitudes e em cada região podem mostrar um grande número de adaptações fisiológicas.

Algumas espécies são consideradas sinantrópicas por associarem-se ao homem em virtude de terem seus ambientes prejudicados pela ação do próprio homem.

Neste manual as diversas espécies de roedores estão separadas em Roedores Sinantrópicos Comensais, isto é, aqueles que dependem unicamente do ambiente do homem e Sinantrópicos não Comensais ou Silvestres, ainda não inteiramente dependentes do ambiente antrópico^2.

Foto 2 - Dentes incisivos de crescimento contínuo de roedor

  1. Ambiente antrópico - ambiente modificado pelo homem.

FUNASA - dezembro/2002 - pág. 13

Crânio: a estrutura dos ossos do crânio difere entre os diversos gêneros, de maneira que a sua observação constitui o meio mais efetivo para determinação do gênero a que pertence o roedor. Para isso é necessário preparar o crânio de maneira adequada, o que implica previamente na morte do animal.

Cauda: a presença ou ausência da cauda permite distinguir entre as famílias de uma subordem, e o comprimento e o seu aspecto (cônica ou afilada, pilosa ou nua, anéis visíveis ou não, distribuição dos pêlos quando presentes, tipo e coloração dos pêlos) ajudam a distinguir os diferentes gêneros e/ou até as espécies.

Patas: o comprimento das patas em relação ao tamanho do animal, a presença ou ausência de pêlos, o tipo e a distribuição dos pêlos quando presentes, a presença ou ausência de membranas interdigitais, número de calos e cor das patas, constituem detalhes que ajudam a reconhecer o gênero a que pertence o animal.

Foto cedida por Alzira de Almeida.

Foto 4 - Mensuração de pé posterior

Unhas: a presença ou ausência das unhas, seu comprimento e forma também servem para reconhecer os gêneros. Orelhas: o comprimento das orelhas e a presença ou ausência de pêlos, também constituem características de certos gêneros.

Foto cedida por Alzira de Almeida.

Foto 5 - Mensuração de orelha interna

FUNASA - dezembro/2002 - pág. 14

Pêlos: a pelagem do animal é uma importante característica que ajuda a reconhecer a espécie, dependendo dos seguintes aspectos:

Tipo de pêlo: macio, áspero, duro-espinhoso Comprimento dos pêlos: longos, curtos Cor dos pêlos: em relação à cor da pelagem, devem ser observadas as diferenças de coloração entre as partes do corpo do animal. A coloração dos pêlos pode ser uniforme por todo o corpo ou contrastante entre a parte dorsal e ventral e pode apresentar gradações que resultam na formação de manchas ou listras de localização especiais.

Medidas externas: comumente costuma-se tomar as seguintes medidas: comprimento da cabeça e do corpo, comprimento da cauda, comprimento da orelha (parte interna da orelha esquerda), comprimento do pé (posterior esquerdo) e peso corporal. Este conjunto de medidas varia entre os gêneros e algumas espécies do mesmo gênero, constituindo, portanto, outro importante aspecto a ser observado para a identificação dos roedores. Entretanto, é imprescindível levar em consideração a idade do animal (animais subadultos apresentam medidas inferiores às dos adultos) e, no caso das fêmeas, se estão gestantes ou não (fêmeas gestantes apresentam peso mais elevado). Os roedores desenvolvem-se rapidamente, de maneira que, do segundo ao terceiro mês de vida, algumas das suas medidas externas atingem as dimensões máximas. Isto acontece principalmente com as orelhas e os pés. O comprimento das orelhas, dos pés e das caudas são bastante uniformes entre os exemplares adultos da mesma espécie; entretanto o peso corporal varia grandemente entre os adultos da mesma espécie.

Foto cedida por Alzira de Almeida.

Foto 6 - Mensuração de cabeça e corpo de roedor

1.1.2. Classificação quanto ao grupo etário

Usualmente os roedores são reunidos nos seguintes grupos: (JJ) Jovem: animal recém-desmamado, até cerca de um mês de vida. (JA) Subadulto: entre dois e três meses de vida. (AA) Adulto: animal em plena capacidade reprodutiva, o que ocorre em geral em torno do terceiro mês de vida. Os roedores adultos caracterizam-se pelos seguintes aspectos: as fêmeas apresentam orifício vaginal aberto, tetas bem desenvolvidas e podem estar prenhes ou amamentando. Os machos apresentam testículos bem desenvolvidos, localizados no saco escrotal. Com o envelhecimento, os dentes (molares) do animal vão se desgastando e perdendo suas características.

FUNASA - dezembro/2002 - pág. 16

Foto 9 - Pata de Nectomys sp com membranas interdigitais

  • Galerícolas: vivem em galerias construídas sob a vegetação herbácea, entre o emaranhado de folhas caídas e raízes finas, nas matas, capoeiras, campos cultivados, etc. Possuem cauda curta, pelagem densa, orelhas muito curtas, olhos minúsculos, crânio forte e achatado, incisivos muito desenvolvidos, patas fortes com unhas alongadas e fossoras, isto é, que servem para cavar.
  • Rupícolas: o formato dos pés proporciona segurança de deslocamento pelas pedreiras e permite escalar árvores.
  • Arvícolas: possuem pés longos, saltatórios, são capazes de subir em pequenos arbustos e saltar e correr com agilidade.

Fotos cedidas por Alzira de Almeida.

Foto cedida por Alzira de Almeida.

Foto 10 - Exemplar de Oryzomys sp como exemplo de roedor arvícola

  • Terrícolas: são animais velozes na corrida e saltam com muita facilidade. Em virtude dessas diferenças de hábitos, as espécies de roedores estão associadas a determinados tipos de vegetação, solo, etc, resultando numa distribuição característica que tem grande influência em diversos aspectos, principalmente no tocante ao controle.

FUNASA - dezembro/2002 - pág. 17

Foto 11 - Exemplar de Rattus norvegicus

Foto cedida por Alzira de Almeida.

  1. Fossorial- hábito de cavar.

1.2. Roedores sinantrópicos comensais

Os ratos e os camundongos, pertencem à subordem Sciurognathi, família Muridae, subfamília Murinae ; são considerados sinantrópicos por associarem-se ao homem em virtude de terem seus ambientes prejudicados pela ação do próprio homem.

Das espécies sinantrópicas comensais, a ratazana ( Rattus norvegicus ), o rato de telhado ( Rattus rattus ), e o camundongo ( Mus musculus ), são particularmente importantes por terem distribuição cosmopolita e por serem responsáveis pela maior parte dos prejuízos econômicos e sanitários causados ao homem. No quadro 1 encontram-se informações acerca da biologia, comportamento e morfologia dessas três espécies comensais.

1.2.1. Ratazana - Rattus norvegicus

A ratazana, também conhecida como rato de esgoto, rato marrom, rato da Noruega, gabiru, etc., é a espécie mais comum na faixa litorânea brasileira. Vive em colônias cujo tamanho depende da disponibilidade de abrigo e alimento no território habitado, podendo atingir um grande número de indivíduos em situações de abundância alimentar. É uma espécie de hábito fossorial^5 , seu abrigo preferencial fica abaixo do nível do solo. Com o auxílio de suas patas e dentes, as ratazanas cavam ativamente tocas e/ou ninheiras no chão, formando galerias que causam danos às estruturas locais. Encontram-se facilmente em galerias de esgotos e águas pluviais, caixas subterrâneas de telefone, eletricidade, etc. Podem, também, construir ninhos no interior de estruturas, em locais pouco movimentados, próximos às fontes de água e alimentos. Embora possam percorrer grandes distâncias em caso de necessidade, os indivíduos desta espécie têm raio de ação (território) relativamente curto, raramente ultrapassando os 50 metros. Na área delimitada por feromônios constroem seus ninhos, onde se alimentam, procuram e defendem seus parceiros sexuais. Este território é ativamente defendido de intrusos que são expulsos por indivíduos dominantes da colônia.

Costumam apresentar marcada neofobia, isto é, desconfiança a novos objetos e/ou alimentos colocados no seu território. Este comportamento varia de população para população e de indivíduo para indivíduo, sendo mais acentuado naqueles locais onde há pouco movimento de pessoas e objetos. Nestes locais, o controle é mais lento e difícil de ser atingido, em virtude da aversão inicial dos indivíduos às iscas, porta-iscas e armadilhas colocadas no ambiente. Já nos locais onde haja movimento contínuo de pessoas, objetos e mercadorias, a neofobia é menos acentuada ou inexistente e os novos alimentos (iscas) e objetos (armadilhas) são imediatamente visitados, tornando-se, desta forma, mais fácil o seu controle.

FUNASA - dezembro/2002 - pág. 19

O papel do Rattus rattus na transmissão de doenças como a leptospirose ainda é pouco conhecido, mas seu hábito intradomiciliar permite um contato mais estreito com o homem. Sendo assim, é necessário que o potencial desta espécie como transmissora de doenças seja melhor estudado, para que a necessidade de controle da espécie seja fundamentada também sob o ponto de vista sanitário.

1.2.3. Camundongo - Mus musculus

O camundongo, também conhecido por mondongo, catita, rato caseiro, rato de gaveta, rato de botica, muricha e ainda por outras denominações regionais, é a espécie que atinge maior nível de dispersão, sendo encontrado praticamente em todas as regiões geográficas e climáticas do planeta. É originária das estepes da Ásia Central, região onde se acredita, tenha se desenvolvido inicialmente a agricultura. Neste período, os camundongos tornaram-se comensais do homem ao invadirem os locais onde os cereais colhidos eram estocados. Sua associação com o homem é, portanto, bastante antiga, sendo a habitação humana compartilhada com esses roedores há alguns milhares de anos.

São animais de pequeno porte que raramente ultrapassam 25 g de peso e 18 cm de comprimento (incluindo a cauda); dessa forma, são transportados passivamente para o interior das residências, tornando-se importantes pragas intradomiciliares. Uma vez em seu interior, podem permanecer longo período sem serem notados, sendo sua existência detectada quando a infestação já estiver estabelecida. Seu raio de ação é pequeno, raramente ultrapassando os 3 m. Camundongos costumam fazer seus ninhos no fundo de gavetas e armários pouco utilizados, no interior de estufas de fogões e em quintais onde são criados animais domésticos. Neste último caso, podem cavar pequenas ninheiras no solo, semelhantes às das ratazanas, podendo formar numerosos complexos de galerias onde houver grande oferta de alimentos.

Foto cedida por Alzira de Almeida.

Foto 13 - Um exemplar de Mus musculus

São onívoros como a ratazana e o rato de telhado, ou seja, alimentam-se de todo tipo de alimento, embora demonstrem preferência pelo consumo de grãos e cereais. São animais curiosos e possuem o hábito de explorar ativa e minuciosamente o ambiente em que vivem (neófilos), não apresentando o comportamento de neofobia, característico dos ratos de telhado e ratazanas. Podem penetrar em 20 a 30 locais por noite em busca de alimento, trazendo sérios problemas de contaminação de alimentos em despensas e depósitos em geral, além de dificultar o seu controle por raticidas. Apesar dos riscos que a sua presença pode trazer nas habitações humanas, os camundongos nem sempre são tidos como nocivos sendo até tolerados por grande parte da população. Além disso, há poucas informações sobre a real incidência desta espécie no Brasil, não havendo dados confiáveis a respeito de sua distribuição, dispersão e seu papel na transmissão de doenças.

FUNASA - dezembro/2002 - pág. 20

Figura 1

  • Espécies de roedores sinantrópicos comensais de importância médica

Fonte: Manual Prático de Controle de Roedores/Constâncio de Carvalho Neto.

Rato Norueguês