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Controle integrado do capim annoni
Tipologia: Notas de estudo
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CONTROLE INTEGRADO DO CAPIM ANNONI-2 ( Eragrostis plana Nees).
Pelotas, 2005
CONTROLE INTEGRADO DO CAPIM ANNONI-2 ( Eragrostis plana Nees).
Dissertação apresentada ao programa de Pós-Graduação em Zootecnia da Universidade Federal de Pelotas, como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em Ciências (área de conhecimento: Pastagens).
Orientador: Prof. Dr. Pedro Lima Monks Co-orientador (es): Prof. Ph. D. Lotar Siewerdt
Pelotas, 2005
Banca examinadora:
Prof. Dr. Pedro Lima Monks (FAEM/UFPEL)
Prof. Ph. D. Lotar Siewerdt (FAEM/UFPEL)
Prof. Dr. Manoel de Souza Maia (FAEM/UFPEL)
Dra. Andréia Mittelmann (EMBRAPA CPACT)
A Deus primeiramente, por mais esta etapa vencida. Aos meus pais pelo apoio, estímulo e compreensão. Ao conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) pela concessão da bolsa de estudo. A Universidade Federal de Pelotas, Programa de Pós-Graduação em Zootecnia, pela oportunidade de realizar o curso. Ao professor Pedro Lima Monks, pela orientação durante o curso. Aos professores do Departamento de Zootecnia pela amizade e ensinamentos passados durante o curso. A Embrapa Clima Temperado e em especial ao pesquisador José Carlos Leite Reis pela orientação, paciência e colaboração para a realização deste trabalho. A minha esposa e fonte inspiradora, Patrícia Rossi, pelas palavras de incentivo, carinho, amor, compreensão, ensinamentos, apoio, e pela paciência em ajudar quando também precisava de meu carinho, amor e minha atenção. Aos colegas de curso, em especial André Borba Affonso, Dirceu Brum de Menezes Neto, Otoniel Geter Lauz Ferreira, Carlos Eduardo Pedroso e Marcela Bicca Bragança Corrêa pela amizade, apoio, incentivo, convívio e companheirismo. Aos funcionários do Departamento de Zootecnia pela constante e incansável ajuda, Roger Marlon Gomes Esteves e Lindoufo Mota (Seu Mota).
aplicados por dois ciclos agrícolas, diminuíram significativamente o banco de sementes viáveis do capim Annoni-2, sendo igualmente eficientes nesta diminuição. Dois anos após a semeadura de Pensacola, realizada ao final do segundo ciclo agrícola, a área de solo coberto por capim Annoni-2 foi em média, inferior a 4%, porém no campo nativo invadido foi de 65%. Foi analisada também, com base na produção de grãos e forragem, a viabilidade econômica das culturas durante os dois anos do estudo. A sucessão de sorgo-forrageiro x aveia-preta e soja x aveia-preta apresentaram resultados satisfatórios, ao contrário da sucessão sorgo-granífero x aveia-preta.
Palavras-chave: Eragrostis plana Nees. Sucessão de culturas. Sorgo. Soja.
Abstract
MORAES, DUTRA PEDRO VALÉRIO Controle integrado do capim Annoni- ( Eragrostis plana Nees). 2005. 72f. Dissertação (Mestrado) – Programa de Pós- Graduação em Zootecnia. Universidade Federal de Pelotas, Pelotas.
In October 1995, a field study was initiated at Estação Experimental Terras Baixas (Capão do Leão, RS, Brazil), to evaluate forms of controlling Annoni-2 grass in an invaded native grassland area. Three different crop successions were used: soybeans, grain sorghum and forage sorghum sown in Summer and black oats in Winter, in the years of 1996 and 1997. All treatments were fallowed by a Pensacola pasture ( Paspalum notatum cv. Pensacola) at the end of cropping successions. Pre-emergence herbicide Metolachlor (DUAL 960 E) was used for soybeans and atrazine (GESAPRIN) for both sorghums. The following variables were evaluated: covered area, floristic composition, soil seed banks, production of forage and grain, as well as an economic analysis of the weed control system. A complete randomized block design was used, with six replications and the following treatments: soybeans + black oats; forage sorghum + black oats; grain sorghum + black oats and a control treatment represented by the native grassland. Crop successions were applied in the agricultural cycles of 1995/96 and 1996/97. All treatments significantly lowered soils seed banks (viable seed of Annoni- grass), with the same efficiency. Two years after Pensacola sowing, the area
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No Brasil a área total de pastagens (cultivadas e nativas) ocupava em 1996 aproximadamente 178 milhões de hectares (IBGE, 1996). No Rio Grande do Sul, 45% da superfície é coberta por pastagens, sendo que 95% são pastagens naturais (Machado, 1999). Medeiros et al. (2004), relatam que as pastagens naturais do RS têm uma composição florística bastante rica, formada por cerca de 400 espécies de gramíneas e 150 de leguminosas, entre outras famílias representativas. Apesar das pastagens naturais da Região Sul do Brasil serem a principal fonte de alimento volumoso para bovinos de corte e ovinos, e contribuírem com a conservação do solo, da água e da biodiversidade, este importante recurso natural tem sido degradado pelo avanço da agricultura e do excesso de pastejo, com diminuição da presença de espécies de melhor qualidade. Além disso, esta degradação provoca a abertura da comunidade vegetal, a compactação do solo, redução da taxa de crescimento da pastagem, da cobertura do solo e da infiltração da água (Gomes et al., 1998; Medeiros et al., 2004). A pastagem nativa do Rio Grande do Sul é formada por um tapete de espécies com características peculiares, que podem ser agrupadas de acordo com a duração do ciclo, família, época, e hábito de crescimento (Machado, 1999). Gonçalves et al. (1998), agruparam a vegetação de um campo nativo, de acordo com o tipo de solo do RS, indicando a existência de diferentes tipos de campo (vegetação). Em função disto, as práticas de manejo utilizadas visando elevar a
Segundo Reis (1993) o capim Annoni-2 é uma gramínea polêmica que, ao ser julgado segundo as manifestações veementes a seu respeito, desperta ou ódio ou paixões. O capim Annoni-2, gramínea perene de verão, originário da África, foi introduzido no RS, por acaso, na década de 1950. Inicialmente era visto com entusiasmo, pois, chamava atenção por seu porte vigoroso e pela produção de biomassa e sementes (Reis & Coelho, 2000). Foi difundida com entusiasmo como forrageira alternativa, capaz de promover aumentos de produção na pecuária gaúcha. A partir de 1979 foi proibida a comercialização e o transporte de sementes e mudas de capim Annoni-2, em todo o RS, passando esta gramínea a ser considerada invasora e não mais planta forrageira (Reis & Coelho, 2000). Na primavera-verão, esta espécie não apresenta vantagens sobre o campo natural (Gonzaga & Souza, 1999), na produção e qualidade de forragem, sendo inferior em relação às espécies do campo nativo. A principal forma de dispersão do capim Annoni-2 é por sementes (cariopses). A espécie possui grande capacidade de produção de sementes diminutas com alto poder de germinação, ampla época de produção e facilidade de dispersão. A dispersão ocorre pelo transporte das sementes daqueles locais onde está presente ou é dominante, que são as fontes de disseminação, para as áreas adjacentes, ou mais distantes, através dos agentes de disseminação. Os agentes de disseminação podem ser vento, máquinas agrícolas, automóveis e amimais (Reis, 1993). Apesar do constante alerta dos pesquisadores para a ameaça do capim Annoni-2, pouco tem sido feito para evitar que continue invadindo novas áreas (Coelho, 1993). Os impactos produzidos pelo capim Annoni-2 resumem-se, portanto, à total substituição da vegetação campestre nativa, implicando perda de diversidade biológica de flora e fauna, assim como impactos econômicos e sociais decorrentes da redução da capacidade produtiva de áreas rurais e dos custos de controle (www. institutohorus.org.br).
Várias técnicas têm sido testadas para o seu controle. Entre estas podem ser citadas: sucessão de culturas, uso de herbicidas, controle mecânico. As opções de controle vão depender da severidade da invasão, podendo ser desde enxada e aplicação de herbicidas para invasões iniciais; para áreas dominadas deve-se eliminar plantas e esgotar sementes do solo através de práticas agrícolas (Reis & Coelho, 2000 e Boggiano et al., 2004). Este trabalho de resultado técnico de sucessão de cultura no controle do capim Annoni-2 descende de um projeto da Embrapa Pecuária Sul (Bagé), onde o projeto original intitulava-se “Utilização, manejo e preservação de recursos forrageiros dos campos naturais no sul do Brasil (código: Embrapa 01.0.94.781, unidade responsável Embrapa Pecuária Sul). Um dos subprojetos componentes foi ”Controle de invasoras do campo natural” (cód. Embrapa 01.0.94.781.08). No subprojeto, entre os experimentos conduzidos, houveram ações para estudar o controle do capim Annoni-2. Na Embrapa Clima Temperado (Pelotas), conduziu-se o trabalho “Sistemas de recuperação de áreas invadidas por capim Annoni-2” sob a responsabilidade do pesquisador José Carlos Leite Reis. Um dos experimentos foi “Sucessão de culturas no controle do capim Annoni-2” no período de outubro de 1995 até janeiro de 1999. A integração da agricultura/pecuária consiste na diversificação da produção, através de sucessão de culturas, possibilitando o aumento da eficiência da utilização dos recursos naturais e preservação do ambiente, resultando em incrementos e maior estabilidade da renda do produtor rural. O sistema de integração lavoura/pecuária é um sistema em que predomina a agricultura com espécies anuais durante a estação quente, sendo que na estação fria são cultivadas espécies de pastagens anuais, que são usadas para terminação de animais, com retorno da lavoura na safra do verão seguinte (www.planetaorgânico.com.br). Neste trabalho foram analisados, técnica e economicamente, os resultados deste sistema integrado de controle do capim Annoni-2. Os resultados técnicos, apenas parcialmente divulgados anteriormente, (Reis & Coelho, 2000), são apresentados e discutidos. No entanto, uma recomendação de um “sistema
Sucessão de culturas no controle de capim Annoni- ( Eragrostis plana Nees).
( Eragrostis plana NEES)^1
PEDRO VALÉRIO DUTRA DE MORAES^2 , PEDRO LIMA MONKS^3 , JOSÉ CARLOS LEITE REIS^4
RESUMO – O objetivo do trabalho foi analisar tecnicamente os sistemas de sucessão de culturas, para reduzir o número de plantas e banco de sementes de capim Annoni-2 no solo, em área infestada há vários anos. Foram utilizados soja, sorgo-forrageiro e sorgo-granífero no verão e aveia-preta no inverno. No final do experimento foi semeada pensacola juntamente com aveia-preta. Ao final de cada ciclo foram realizadas avaliações de sementes viáveis de Eragrostis plana, bem como um ano após o término das sucessões. Foi acompanhado o número de plantas emergidas em bandejas e área coberta do solo pelos componentes da vegetação. O delineamento utilizado foi de blocos completos ao acaso, com seis repetições. As sucessões culturais foram igualmente eficientes no controle de plantas de capim Annoni-2 e do banco de sementes no solo, a partir do primeiro ciclo agrícola. O controle do banco de sementes de capim Annoni-2 é mais efetivo após a aplicação do segundo ciclo de culturas de verão seguido de aveia-preta.
Palavras chave: banco de sementes, herbicidas pré-emergentes, soja, Sorghum spp., aveia-preta.
(^1) Artigo a ser enviado a Revista Pesquisa Agropecuária Gaúcha (^2) Eng. Agr° Acadêmico do Programa de Pós-Graduação em Zootecnia da Ufpel. E-mail [email protected] (^3) Eng. Agr° Dr. Professor Adjunto do Departamento de Zootecnia da Ufpel. E-mail: [email protected] (^4) Eng. Agr° Msc. Pesquisador Embrapa Clima Temperado. E-mail: [email protected]
O capim Annoni-2 ( Eragrostis plana Nees) é uma gramínea perene e exótica, com centro de origem no sul da África estando presente em várias regiões do Rio Grande do Sul (Reis & Coelho, 2000). É a mais agrassiva invasora de pastagens naturais e cultivadas que surgiu no sul do Brasil (Reis, 1993). O aparecimento desta espécie no Rio Grande do Sul ocorreu na década de
colonização de campos, pastagens cultivadas, acostamentos de estradas, estradas vicinais, corredores internos em áreas rurais, e terrenos perturbados ou não. Portanto uma espécie dominante e de difícil erradicação (Reis & Coelho, 2000). O capim Annoni-2 embora prefira solos secos e moderadamente drenados, não apresenta um nicho ecológico definido e vegeta em todas as regiões e tipos de solo (Reis & Coelho, 2000). Acredita-se que em torno de 500 mil ha de terras no RS, já tenham o capim Annoni-2 como espécie contaminante e/ou dominante, e este começa a se expandir para o Mercosul, tomando conta das margens das estradas uruguaias e argentinas, indicando sua expansão descontrolada (Maciel, 2003). Além de ser a invasora mais agressiva e de mais difícil controle nos Campos Sulinos, estando presente em Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso e Brasília (Ala dos Ministérios). Invasora também no Havaí, EUA (www.institutohorus.org.com). O capim Annoni-2 agride o ambiente, rompe o equilíbrio, torna-se dominante, em quase uma monocultura. A espécie tem ativos mecânicos de defesa e preservação, isto é, apresenta grande produção de sementes viáveis, competitividade por água, luz e nutrientes, pastejo seletivo e alelopatia, sendo estes os principais responsáveis pela sua disseminação/invasão/dominância (Reis, 1993). A velocidade de disseminação, invasão e dominação dependem do tipo de solo e vegetação, da maior ou menor abertura da comunidade vegetal, do uso agrícola e da intensidade com que as fontes e os agentes de disseminação atuam no ambiente (Reis & Coelho, 2000). A principal forma de dispersão do capim Annoni-2 é por sementes. A espécie tem muitas sementes diminutas, com alto poder de germinação, acima de 96%, com ampla época de produção e facilidade de dispersão. A produtividade média de sementes do capim Annoni-2 é de 232 kg/ha/ano, variando no início e fim do verão. (Coelho, 1983). As sementes são pequenas e leves, altamente viáveis, podendo permanecer viáveis por mais de 10 anos (www institutohorus.org.com).