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Apresenta os principais aspectos para o plantio da cultura
Tipologia: Notas de estudo
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1. Importância e Indicadores Econômicos O Brasil é o principal produtor e o maior exportador mundial de café, sendo que na safra 2006/2007, estima-se uma produção de 41.600.000 sacas. Os principais Estados produtores estão apresentados no Quadro 1. No Brasil as áreas cafeeiras estão concentradas no centro-sul do país, destacando-se quatro estados como grandes produtores: Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo e Paraná. Em segundo plano, situam-se Rondônia e Bahia, e como pequenos produtores: Mato Grosso, Rio de Janeiro, Goiás, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Pará e Ceará. Quadro 1 – Produção de Café Beneficiado na Safra 2005/06. Fonte: (CONAB, 2006) Figura 1. Estimativa da produção de café na safra 2006/07, por unidade da federação. (Fonte: CONAB, 2006).
econômico brasileiro e a história nacional têm repercussões da expansão do café no território brasileiro e do desbravamento de regiões por essa cultura. A primeira planta de café foi introduzida no Brasil, em 1727, pelas mãos do sargento-mor Francisco de Mello Palheta. As plantas foram cultivadas em Belém do Pará, de onde o café irradiou-se para o Maranhão e estados vizinhos e chegou a Bahia em 1770. Chegando ao estado do Rio de Janeiro em 1774, desenvolvendo-se nos contrafortes da Serra do Mar, indo em direção ao Vale do Paraíba, onde chegou em 1825, espalhando-se, em seguida por São Paulo e Minas Gerais. O movimento do café, em sua marcha à procura de novas terras, sempre férteis, abriu estradas, criou cidades, gerou riquezas. Assim aconteceu em todas as regiões em que foi cultivado, com o melhor exemplo em São Paulo, onde o café chegou ao Oeste Paulista (em Campinas e Ribeirão Preto) em 1835 e 1840. No Brasil são mais de trezentos mil cafeicultores. Além do setor produtivo, a comercialização movimenta um considerável número de pessoas e de dinheiro no país, sendo incalculável o número de profissionais que atuam nessa área. Existem cerca aproximadamente 150 empresas com registro de exportação e 1700 indústrias de torrefação e moagem, 11 indústrias de café solúvel, além de cooperativas, maquinistas e corretores que atuam no mercado diariamente efetuando negócios com café. O Brasil responde por cerca de 27% (vinte e sete por cento) da atual produção mundial, que é superior a 105 milhões de sacas (60 quilos. c.u.) de grãos de café verde e é o segundo consumidor mundial, atrás apenas dos Estados Unidos. O consumo interno no Brasil absorve 14% do café produzido no país. O café verde é exportado em grão, resultado da colheita dos frutos maduros ou bagas, despolpados previamente para a retirada e secagem dos grãos. Das espécies cultivadas, a robusta tem plantada no Brasil apenas a variedade denominada conillon, enquanto a arábica tem diversas variedades, como Icatu, Obatã, Catuai. A preparação da bebida envolve, previamente, a cocção, a torrefação e a moagem dos grãos de café verde, processos esses que, ao lado da qualidade e sanidade das plantas e dos frutos, das condições de solo e clima, e dos tratos culturais e a colheita, secagem, seleção dos graus, e a estocagem, emprestam os atributos finais de aroma, sabor, intensidade e persistência do gosto, adstringência, acidez ao produto final consumido.
3. Botânica e Cultivares O cafeeiro pertence ao grupo das plantas Fanerógamas Classe: Angiosperma Subclasse: Dicotiledônea Ordem: Rubiales Família das Rubiáceas Tribo: Coffea Subtribo: Coffeinae Gênero: Coffea É uma planta de porte arbustivo ou arbóreo, de caule lenhoso, lignificado, reto e quase cilíndrico. O pé de café frutifica em média após cinco anos do plantio, exigindo tratos constantes nesse intervalo. São produzidos em média 2,5 quilos de frutos ("cerejas") ao ano, por pé, de que resulta 0,5 kg (meio quilo) de café verde, em seguida obtendo-se 0,4 quilo do café torrado. A brota do café depende do clima e da altitude de seu cultivo, e a flor dá um fruto de cor vermelha, de 10 a 15 milímetros de diâmetro, com dois grãos geminados de cor cinza amarelado. Mais informações sobre os aspectos botânicos do cafeeiro serão ilustrados com os vídeos apresentados em sala de aula. As principais espécies do gênero Coffea são: - Coffea eugenioides Moorea - Coffea congenis Froehner - Coffea canephora Pierre - Nas regiões quentes e úmidas os arbustos podem chegar a 5,0m de altura; - As folhas são grandes (9 a 20 cm), elípticas, lanceoladas com bordos bem ondulados, nervuras salientes e de um verde bem mais claro que as de Coffea arabica ; - As flores são de cor branca, em grande número por inflorescência e por axila foliar; - Os frutos possuem em média 1,5 cm de comprimento por 1,2 cm de largura com formas variadas entre as diferentes variedades; - Os frutos apresentam coloração vermelha ou amarea, quando maduros;
A espécie Coffea arabica L. é originária de regiões de altitude mais elevada, de clima úmido e de temperaturas amenas. Apresentam restrições, principalmente, com relação à temperatura média anual, que deve situar-se na faixa de 18oC a 22,5oC. Ex.: Típica, Angustifólia, Cera, Mokka, Erecta, Maragogipe, Caturra, Bourbon, Bourbon Amarelo, Mundo Novo, Acaía, Catuaí Vermelho, Catuaí Amarelo, Rubi, Topázio, Icatu, Catimor, Obatã, Tupã, IAPAR-59, Caticaí. "Café Robusta" é uma denominação generalizada que agrupa as variedades da espécie Coffea canephora Pierre ex Froehner. A espécie é nativa das florestas baixas da África equatorial. Atualmente, é cultivada em alguns países da África Central e Ocidental, no sudeste da Ásia e na América do Sul. Sua utilização é mais comum no preparo de "ligas" ou misturas, nas quais é adicionado ao café arábica, podendo compor até 50 % do produto final. Por possuir maior teor de sólidos solúveis que o café arábica e apresentar maior rendimento após o processo de torração, o café robusta é componente essencial dos cafés solúveis. Ex.: Conillon, Apoatã, Guarini, Robusta, Laurenti.
**4. Café Orgânico – Vídeo
É difícil prever uma taxa de precipitação ótima, 1200 mm anuais são suficientes. Recomenda-se, também, o uso da irrigação para suprir a deficiência hídrica. A necessidade de luz dependerá da fase de desenvolvimento em que o cafeeiro se encontra: quando pequeno, ou seja, em viveiros, desenvolvem-se melhor a meia luz; quando o cafeeiro cresce, obtêm maior desenvolvimento e produção a pleno sol. O cafeeiro é cultivado em altitudes que variam de 400 a 1200 metros. Com relação aos solos de Cerrado, estes devem apresentar profundidade mínima de 1 metro, serem bem drenados e não muito arenosos. No preparo do terreno todas as operações necessárias são realizadas (aração, gradagem, subsolagem, marcação das ruas etc). A calagem é feita com base na análise de solo. Na formação do cafezal, V=70%; no cafezal formado, V=50%. O calcário calcinado pode trazer problemas se não for bem incorporado, levando a formação de grumos, difíceis de separar dos grãos após a colheita. A gessagem também é utilizada com base na análise de solo. Se for constatado o teor de Ca2+^ inferior a 4 mmolc/dm^3 e/ou saturação de alumínio acima de 50%. O gesso pode ser distribuído sobre o terreno não havendo a necessidade de incorporação. As quantidades podem ser dimensionadas de acordo com a textura do solo através da fórmula: argila (g/kg)x6 = kg/ha de gesso. Com relação a adubação, serão feitas recomendações para a adubação de plantio, de formação e de produção. Na adubação de plantio, a adubação orgânica é benéfica para o desenvolvimento da planta. Aplica-se 20 litros de esterco de curral ou 5 litros de cama de galinha. A literatura apresenta uma análise nutricional da casca do café, quando estas recomendações são utilizadas: 15 g de N/kg, 0,1 g de P/kg e 25 g de K/kg. A adubação mineral é realizada conforme análise de solo. Quando o solo apresentar teor de argila inferior a 35%, recomenda-se reduzir a quantidade de boro em 50%, em função da toxidez. Após o pegamento das mudas, aplicar 4 g de N por cova, de 30 em 30 dias até as chuvas. A adubação de formação é iniciada no segundo ano ou seja, no primeiro ano após o plantio. Nos meses de setembro a março, recomenda-se aplicar 8 g de N, 4 vezes a cada 45 dias. A adubação de produção é realizada no terceiro ano, segundo ano após o plantio.
A utilização de tubetes acelera em 1 a 2 meses a formação de mudas para o transplantio. Estrias internas existentes nestes tubetes impedem o enovelamento das raízes, fazendo com que estas se desenvolvam verticalmente, impossibilitando o surgimento do pião torto. A mistura utilizada nos recipientes é composta por 1 metro cúbico de subsolo mais 330 litros de esterco de curral ou 80 litros de esterco de galinha ou 15 litros de torta de mamona, adicionando-se 5 kg de SS, 0,5 kg de KCl e 2 kg de calcário. O material da mistura é destorroado e peneirado, adicionando-se ainda brometo de metila (150 cm^3 / m^3 de mistura), e descansando por 48 horas. Após este período, a mistura estará pronta para o uso. O café germina lentamente, 50 a 60 dias após a semeadura, podendo chegar a 90 dias em regiões com baixa temperatura. Se removido o pergaminho, a uma temperatura de 30oC, tanto para o C. arabica como o C. canephora germinam em 3 a 4 semanas. A semeadura pode ser feita de três maneiras: diretamente nos sacos plásticos, em germinadores de areia ou utilizando-se sementes pré-germinadas. Na condução do viveiro, os cuidados são com a irrigação; aplicação do nitrogênio quando as plântulas emitirem o segundo par de folhas; capina manual; aclimatação das mudas, a partir do terceiro par de folhas, 30 dias antes do plantio; e a seleção das mudas para o transplantio.
7. Plantio e Tratos Culturais Não existe regra geral para o espaçamento. Espaçamentos mais adensados proporcionam maior produção, mas há a limitação dos tratos culturais não serem mecanizados. A partir de certa idade, a lavoura necessita ser podada ou ter as ruas eliminadas devido ao fechamento. Existem algumas recomendações de espaçamento para os sistemas de livre crescimento e adensado, conforme os Quadros 2 e 3, apresentados abaixo. Quadro 2 – Espaçamento do cafeeiro para o sistema de livre crescimento. Variedades Espaçamento entre linhas (m) Espaçamento entre covas (m) Número de mudas na cova Mundo Novo, Acaiá e Icatu
Catuaí Vermelho ou Amarelo, Obatã e Tupi
Quadro 3 – Espaçamento do cafeeiro para o sistema de livre adensado. Variedades Espaçamento entre linhas (m) Espaçamento entre covas (m) Número de mudas na cova Mundo Novo, Acaiá e Icatu
Catuaí Vermelho ou Amarelo, Obatã e Tupi 1,5 a 2,0 0,5-1,0 1 Antes do preparo das covas, o terreno deve ser sulcado para marcação das covas no espaçamento desejado. O enxadão é utilizado apenas para fazer um acerto no local da cova. O plantio deve ser feito em nível no período chuvoso, utilizando-se 2 mudas por cova, de 15 a 20 cm de distância. A muda deve apresentar de 4 a 5 pares de folhas bem acostumadas ao sol, e o colo da planta deve ficar ao nível do solo, por ocasião do plantio. Tradicionalmente manual, o plantio ainda pode ser feito utilizando-se plantadeiras que se acoplam a tratores, o que reduz bastante os custos com a mão-de- obra. O cafeeiro pode ser cultivado intercalado com culturas geralmente de porte baixo, como feijão, soja, arroz e amendoim. Das culturas de porte alto, a mais utilizada e recomendada é o milho. Cafezais em chapadas ou em faces sul, sudeste e leste são bastante prejudicados por ventos. Até os 4 anos de idade os cafezais são bastante suscetíveis aos ventos, devido estes causarem ferimentos nas folhas, derrubada de flores e frutos, e abalo das mudas em plantios novos. Além disso, os ventos são responsáveis indiretamente pelo agravamento das doenças. Daí a importância de se utilizarem quebra-ventos, que podem ser temporários (guandu); anuais (milho, arroz, sorgo, crotalárias) e permanentes ( Grevilla robusta e o Pinus ). Com relação aos tratos culturais, são recomendados as capinas, arrumação e esparramação, fechamento e poda, recepa e o esqueletamento ou poda lateral, todos descritos a seguir. As capinas podem ser manuais, mecânicas e químicas. As manuais devem ser realizadas em intervalos de 30 a 45 dias, mas apresentam baixo rendimento. As
**9. Colheita, Beneficiamento, Armazenamento e Classificação – Vídeo
Malavolta, E.; Yamada, T.; Guidolin, J.A. Nutrição e Adubação do Cafeeiro. Piracicaba: Instituto de Potassa & Fosfato, 1981. 224p.
ABIC – Associação Brasileira da Indústria de café - http://www.abic.com.br CoffeeBreak – http://www.coffeebreak.com.br Companhia Nacional de Abastecimento – CONAB - http://www.conab.gov.br Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - MAPA http://www.agricultura.gov.br
Monsanto - http://www.monsanto.com.br Sistema Brasileiro de Informação do Café - http://www.sbicafe.ufv.br Sistema de Produção – http://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br