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Cultivo do trigo, Notas de estudo de Agronomia

Apresenta os principais aspectos para o plantio da cultura

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 13/08/2009

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pedro-paulo-da-silva-barros-4 🇧🇷

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A Cultura do Trigo
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A Cultura do Trigo

1. Importância O trigo é um dos cereais mais produzidos no mundo. Graças ao seu aprimoramento genético, possui atualmente uma ampla adaptação edafoclimática, sendo cultivado desde regiões com clima desértico, em alguns países do Oriente Médio, até em regiões com alta precipitação pluvial, como é o caso da China e Índia. No Brasil pode ser cultivado desde a região Sul do país até o cerrado, no Brasil Central. A região tritícola do Brasil Central abrange as áreas do cerrado localizadas nos Estados da Bahia, de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e no Distrito Federal. Seu clima apresenta condições favoráveis e caracteriza-se pela existência de duas estações bem definidas: uma chuvosa e quente e outra seca, com temperaturas mais amenas. Assim permite o cultivo de trigo nos sistemas irrigado e sequeiro “safrinha”, viabilizando duas safras/ano em rotação de cultura, além de otimizar o uso da infra-estrutura disponível, e proporciona, como resultado, a redução dos custos das culturas de verão e o aumento da renda da unidade produtiva. O cultivo de sequeiro, semeado em fevereiro e março, é de alto risco, pois o potencial de rendimento de grãos está associado à quantidade de chuvas que ocorrerão durante o ciclo da cultura. O trigo nesse cultivo é uma das culturas que melhor cobertura de solo deixa para o sistema plantio direto no Cerrado brasileiro, melhorando, portanto a sustentabilidade do sistema agrícola, através da melhoria na retenção de água no solo e de sua fertilidade. O trigo da safrinha é colhido na entre safra brasileira e Argentina. O que é interessante sob o ponto de vista de mercado, porque garante ao produtor melhor preço e consequentemente melhor renda. Em regiões marginais da Ásia e África, semelhantes ao cultivo de sequeiro no cerrado, o trigo é a melhor opção. No cultivo irrigado, semeado em abril e maio, por pivô central, o trigo é uma ótima opção no sistema de rotação de culturas, uma vez que o trigo ”quebraria” o ciclo das chamadas “cash crops”, como é o caso do feijão e de algumas olerícolas como alho, cebola, cenoura e batata. A vantagem desse cultivo é que os riscos são mínimos. O potencial de rendimento de grãos é elevado, sendo um determinante importante na lucratividade da lavoura de trigo irrigado. O Cerrado do Brasil Central tem um grande potencial para a expansão da triticultura nacional. Além, de contar com grande disponibilidade de área viável para o cultivo do trigo, possui um parque industrial instalado com potencial de expansão. A região possui uma capacidade nominal de moagem da ordem de 1,6 milhões de

  • Defesa ambiental e sanitária pelo uso de plantio direto e rotação de culturas;
  • Redução dos custos de produção dos cultivos de verão. 2. Estatística de Produção Os 10 maiores produtores mundiais de trigo são: União Européia, China, Índia, Estados Unidos, Rússia, Canadá, Austrália, Paquistão, Ucrânia e Turquia (Figura 1 e Tabela 1).

Figura 1. Produção Mundial de Trigo (FAO, 2007). Tabela 1 – Maiores produtores e exportadores de trigo no mundo.

A área de produção de trigo no Brasil encontra-se dividida em três regiões distintas: Sul, Centro-Sul e Brasil Central, de acordo com características climáticas, variedades e sistemas de produção. A região do Cerrado, no Brasil Central, apresenta um dos maiores potenciais para a produção de trigo no mundo, podendo proporcionar produtividades superiores a 6.000 kg/ha. Isso corresponde a uma eficiência de produção de 50kg de trigo por hectare ao dia, um recorde mundial. Essa região, que no século passado chegou a exportar trigo para outros estados, atualmente importa quase todo o trigo necessário ao seu consumo. Naquela época, devido à falta de variedades adaptadas e produtivas, o trigo perdeu espaço para as culturas tropicais, como o milho, mandioca e arroz, e foi sendo esquecido. Por isso, não foi criada a tradição de se cultivar trigo nas pequenas propriedades. Nos últimos anos, por motivos estratégicos e em busca da auto-suficiência de trigo no Brasil , a Embrapa, Emater de diversos estados, cooperativas e escolas de agronomia da região, vêm realizando pesquisas com o trigo no Cerrado. Os resultados dessas pesquisas têm sido utilizados com sucesso apenas pelos médios e grandes produtores. Isso porque foi criado o mito de que o cultivo de trigo e seu beneficiamento só são possíveis com o emprego de máquinas e equipamentos sofisticados. Nas últimas safras a área semeada com trigo no Brasil Central, foi em torno de 50 mil hectares no regime irrigado e aproximadamente 15 mil hectares no sequeiro. No curto prazo podemos atingir facilmente uma área de mais de 120 mil hectares somadas as lavouras em regime irrigado e de sequeiro. A região produziria mais de 700 mil toneladas de trigo anualmente, colhido em uma época de escassez de trigo no mercado, de junho a setembro, e quando os preços de mercado geralmente estão com os valores máximos durante o ano. Em maio do ano passado o Brasil importava trigo da Argentina por US$ 120 a tonelada. Atualmente o produto está sendo comprado por US$ 200. Mesmo com essa alta, o trigo argentino é o que chega com melhor preço ao Brasil, pois as regras do Mercosul oneram muito e até inviabilizam as importações procedentes de outros países. Por isso, a farinha de trigo e o pão estão encarecendo. Não há escassez de trigo no mundo. O problema é regional. A Argentina, que sempre foi o maior fornecedor do Brasil, não vem conseguindo acompanhar o aumento da demanda e instituiu uma política interna que restringe as exportações. A produção brasileira de trigo também encolheu, de quatro milhões para dois milhões de toneladas. O trigo brasileiro é caro, mas serve como regulador de mercado.

azedado. Para corrigir o erro, o padeiro adicionou mais massa fresca àquela massa azeda. Quando a nova massa foi cozida, cresceu, resultando em um pão mais leve, nunca antes produzido. Depois desta descoberta, o homem passou a considerar o trigo como “rei dos cereais”, e seus hábitos alimentares foram modificados significativamente. Grãos de trigo carbonizados, que datam de mais de 6 mil anos, foram encontrados por arqueologistas nos países considerados por um longo período. Os grãos mantêm as características de qualidade mesmo quando armazenados por um longo período. A chegada do trigo no Brasil remonta ao período colonial. Ainda no século 16, os portugueses que para cá vieram tentaram o cultivo deste cereal, no centro do país, como a iniciativa de Martin Afonso de Souza, em 1531, de cultivar trigo na Capitania Hereditária de São Vicente, que hoje corresponde ao Estado de São Paulo. Depois o trigo migrou para o sul, encontrando ambiente, clima e solo mais adequados às suas exigências. Os açorianos, que chegaram em meados do século 18, foram os protagonistas da experiência mais difundida historicamente sobre o cultivo de trigo no Brasil. E vieram as epidemias de ferrugem, as guerras, a abertura dos nossos portos às nações amigas e o trigo quase desapareceu das terras brasileiras. Com a independência do Brasil e a fase imperial, chegaram os alemães, em 1824, que mantiveram o trigo nas colônias germânicas do Rio Grande do Sul. Depois, foi a vez dos italianos, em 1875, dando um novo impulso ao trigo no Brasil. Fim do século 19 e veio a República. No início do século 20 houve fracassos com importações de sementes não adaptadas. Depois de diversos fracassos da cultura, principalmente em função de doenças, o Ministério da Agricultura procurou incentivar o plantio do cereal com a criação, em 1919, de duas Estações Experimentais – em Ponta Grossa no Paraná, e em Veranópolis, no Rio Grande do Sul. Estímulos por um lado – com a criação de estações experimentais específicas para trigo e o surgimento do trigo Frontana, nos anos 1940 – e, por outro, as fraudes do trigo-papel e o acordo de compra de trigo americano. Mais uma vez a triticultura brasileira estava sendo relegada a um segundo plano. O estímulo do governo à triticultura passou a ser mais efetivo depois da Segunda Guerra Mundial, em 1954, quando surgiram as primeiras lavouras mecanizadas no estado do Rio Grande do Sul. A consolidação da cultura aconteceu apenas muitas décadas depois, por volta de 1960, com a política de amparo à triticultura e à moagem

de trigo. A Embrapa Trigo, implantada em Passo Fundo em outubro de 1974, teve papel fundamental no desenvolvimento da lavoura.

4. Botânica O trigo pertence à família Gramineae , tribo Triticeae , subtribo Triticinae. A espécie cultivada Triticum aestivum , é hexaplóide (2n = 6x = 42 cromossomos). É uma espécie autógama, com flores perfeitas que, em condições normais de cultivo, apresenta baixa freqüência de polinização cruzada. A planta de trigo possui de seis a nove folhas, cada uma composta de bainha e lâmina foliar, dispostas de forma alternada. O sistema radicular é do tipo fasciculado ou cabeleira, sendo originado a partir da semente (raízes seminais, importantes até a fase de perfilhamento) e da região da coroa (raízes permanentes e definitivas). O colmo é cilíndrico e oco (fistuloso), possuindo de seis a nove entrenós (Figura 2). As flores (figuras 3 e 4) aparecem em espigas compostas de várias espiguetas, dispostas de forma alternada e opostas ao longo da ráquis (eixo central).

Figura 2. Planta de Trigo.

O grão de trigo, do tipo cariopse, é pequeno e seco, chegando a medir 6 mm de comprimento. Possui três partes importantes: o endosperma, a casca e o embrião. O endosperma, a parte maior, é a mais importante, por ser a fonte de farinha branca. É rico em amido, e possui três quartos da proteína do grão. O embrião é rico em proteína, gorduras e minerais. A casca é rica em minerais e vitaminas. O grão de trigo é uma excelente fonte de energia (carboidratos, proteínas e fibras). O trigo é, também, uma importante fonte de ferro, e vitaminas B1 e B2 (Figuras 5 e 6, Tabela 2).

Figura 5. Grão de trigo: Endosperma, casca e embrião (germe).

Tabela 2 – Composição química do trigo (%).

Figura 6. Grãos de trigo: Cariopse

Basicamente, cinco fases de desenvolvimento podem ser definidas durante o período de crescimento da planta de trigo: fase de plântula, de perfilhamento, de alongamento, de espigamento e de maturação. Após a germinação da semente, o sistema radicular começa a penetrar no solo e uma pequena folha, o coleóptilo, cresce e rompe a superfície do solo, entre cinco a sete dias após o plantio. O coleóptilo não é uma folha verdadeira, tendo somente a função de proteger o ponto de crescimento da planta até esta aparecer na superfície. A partir daí, começa a fase de plântula, com a primeira folha verdadeira saindo do coleóptilo e abrindo, vindo, em seguida, a segunda e terceira folha. Esta fase termina quando a planta começa a lançar seus perfilhos, o que ocorre, em geral, de dose a 16 dias após a emergência (aparecimento das plântulas na superfície do solo). Na segunda fase de desenvolvimento, ou seja, a fase de perfilhamento, ao mesmo tempo em que novas folhas se abrem, aparecem os perfilhos. No perfilhamento, dependendo da variedade, bem como do espaçamento entre plantas, podem aparecer poucos ou muitos perfilhos, onde as plantas aparecem por volta de sete a oito perfilhos. As plantas são baixas nesta fase. A fase de perfilhamento dura de quinze a 17 dias. Após o aparecimento dos últimos perfilhos, começa a terceira fase, a de alongamento. Na fase de alongamento, que se inicia com o aparecimento do primeiro nó do colmo, as plantas crescem, aparecem os outros nós e a folha-bandeira, a última folha da planta. A bainha da folha-bandeira envolve a espiga, formando uma região grossa no colmo, estando então a planta emborrachada. Logo após esta etapa, a espiga sai,

Figura 9. Plantas na fase de alongamento e início do emborrachamento.

Figura 10. Plantas no início do espigamento.

Figura 11. Plantas na fase de maturação.

Como descritores varietais para a cultura do trigo, têm-se as seguintes características taxonômicas: hábito de crescimento, ciclo, altura, folhas, colmo, espigas, glumas, grãos e presença de antocianina (influenciada pela luz e temperatura). O hábito de crescimento refere-se à posição das plantas no início do seu desenvolvimento, em relação à superfície do solo, podendo assumir porte ereto, semi- ereto, ou rasteiro (Figura 12). Quanto ao ciclo, as variedades de trigo podem ser classificadas como precoces (variedades que possuem germoplasma mexicano, por exemplo), intermediárias, tardias (ciclo longo, mais utilizadas na região Sul) e muito tardias (variedade de trigo de inverno, não cultivadas no Brasil). A altura é medida do solo até o ápice das espigas, sem incluir as aristas, no momento em que as plantas apresentarem seu maior desenvolvimento (um mês após o espigamento). É uma característica muito influenciada por fatores edafoclimáticos, sendo válidas apenas comparações entre variedades cultivadas em uma mesma condição ambiental. As folhas são constituídas pela bainha e lâmina, encontrando-se na base da lâmina, a lígula e aurículas. As características foliares mudam muito de uma variedade para outra, sofrendo também forte influência de fatores ambientais. Para diferenciar variedades são utilizadas as características: pilosidade das bainhas, posição, cor, e torção da lâmina, cor e pilosidade das aurículas e cerosidade. As características do colmo utilizadas como descritores varietais são: cor, comprimento do pedúnculo, forma (Figura 13) e pilosidade do nó superior, diâmetro e espessuras das paredes do colmo. As espigas são caracterizadas pelas aristas (Figura 14), quanto à forma (Figura 15), comprimento, densidade e posição (Figura 16). As características das glumas são muito utilizadas para a diferenciação de variedades por serem muito influenciáveis por variações ambientais: pubescência, cor, comprimento, largura, forma e largura do ombro, forma da quilha, largura, forma e comprimento do dente. As características dos grãos variam para grãos provenientes de diferentes partes de uma mesma espiga de trigo, motivo pelo qual devem ser medidas, para efeito de descrição varietal, em grãos colhidos na porção mediana da espiga (forma, comprimento, cor, textura, pincel, germe e sulco).

Figura 15. Classificação quanto à forma das espigas.

Figura 16. As três posições assumidas pelas espigas.

Especialmente, nos estágios iniciais de desenvolvimento, o trigo assemelha-se muito a outros cereais de inverno, como a cevada, o centeio, a aveia ou o alpiste. Sua diferenciação pode ser feita baseada nas seguintes características: lígula, aurícula, folha e bainhas. Uma curiosidade: o triticale é proveniente do cruzamento do trigo com o centeio, guardando maiores semelhanças com o trigo, em face dos sucessivos retrocruzamentos e seleções feitos visando recuperar as qualidades do grão deste cereal. Em decorrência, sua técnica de cultivo se assemelha mais com a preconizada para o trigo. Foi introduzido no Brasil há mais de vinte anos, mas somente em 1984 se consolidou como cultivo de importância econômica pelo reconhecimento oficial dos resultados da

pesquisa desde então conduzida com este novo cereal, consubstanciado na Portaria CMN nº 420/84, que equiparou o triticale ao trigo quanto às políticas de comercialização, preço, financiamento e industrialização.

5. Cultivares Atualmente, cultivam-se trigos de inverno e de primavera. Os trigos de inverno, em seu estádio inicial de desenvolvimento, necessitam passar por um período de vernalização, a temperaturas próximas a zero grau centígrados, para completar o ciclo reprodutivo. O trigo cultivado no Brasil é de hábito primaveril e a maioria das cultivares é insensível ao fotoperíodo. A pesquisa liderada pela Embrapa (Tabela 3) vem redirecionando seus objetivos no sentido de compatibilizar as demandas da industria moageira da região com o trigo produzido pelo agricultor. As cultivares criadas pela Embrapa, Embrapa 22, Embrapa 42, BRS 207 e BRS 210 indicadas para cultivo irrigado e BR 18 e Embrapa 21 para cultivo de sequeiro, estão disponíveis no mercado atualmente, e algumas delas como a Embrapa 22, Embrapa 42 e BR 18 possuem qualidade industrial excelente para a panificação, nos mesmos padrões de qualidade dos trigos importados. As cultivares BRS 207, BRS 210 e Embrapa 21 possuem qualidade industrial excelente para fabricação de massas, pão doméstico e biscoitos. Em 2006, a Embrapa lançou duas novas cultivares para o sistema irrigado da região, BRS 254 e BRS 264. Cultivares com alto potencial de rendimento de grãos e excelente qualidade industrial para panificação. Nas safras 2003, 2004 e 2005 no cultivo irrigado, houve vários triticultores que obtiveram rendimentos de grãos superiores a 7 toneladas/ha utilizando a cultivar BRS

  1. Com a utilização do redutor de crescimento (trinexapac-ethyl) nas cultivares Embrapa 22 e Embrapa 42, os produtores tem alcançado rendimentos de 6 toneladas de grãos/ha. Entretanto a média da região está em torno de 5 toneladas/ha. No cultivo de sequeiro a média é de aproximadamente 1,5 toneladas/ha, as melhores produtividades podem chegar até 3,0 toneladas/ha, em anos que a chuva se estende até finais de abril. Para a expansão da cultura do trigo no cerrado (Figura 17), há necessidade da pesquisa com o uso da moderna tecnologia, desenvolver maior número de cultivares, pelo uso de marcadores moleculares, mapeamento molecular de genes, aumento da diversidade genética e aprimoramento na técnica de obtenção de genótipos duplo- haplóides. A produção de linhagens “Duplo-haplóides” reduziu o tempo de criação de novas linhagens de trigo para apenas dois anos. Isso representou um aumento na

Tabela 3 – Relação de cultivares de sequeiro ou irrigado, indicado para o Brasil Central, estados, ciclo, altura, reação ao acamamento e classe comercial.

(^1) Aproximadamente uma semana mais precoce que os demais cultivares classificados como precoces. 2 Aproximadamente 10 cm mais alta que os demais materiais classificados como baixos.classificados como baixos. 4 R = Resistente, MR = Moderadamente Resistente, MS = Moderadamente Sensível ao acamamento. 3 Aproximadamente 10 cm mais alta que os demais materiais (^5) Qualidade de panificação inferior aos demais materiais classificados como pão.

6. Clima, Solo, Adubação e Calagem. Os fatores climáticos que condicionam a adaptação do trigo a diversas regiões são a temperatura, luminosidade e água. A Tabela abaixo apresenta, em linhas gerais, as exigências climáticas da cultura em função do estágio de desenvolvimento.

Tabela 4 – Exigências climáticas para a cultura do trigo de acordo comk o estágio de desenvolvimento. Estágio Temperatura Umidade Emergência Do solo em torno de 15ºC 120 mm (50-200 mm) Até o perfilhamento 8 e 18ºC 55 mm/mês (30-80 mm) Fim do perfilhamento ao espigamento 8 e 20ºC 40 mm/mês Espigamento à maturação 18ºC Nunca acima de 60mm/mês

Os solos devem ser, preferencialmente, de textura média (arenosos), profundos, drenados, férteis, pH 6,0, saturação de bases entre 40 e 60%, em áreas planas ou com pouco declive. Evitar solos cascalhentos e áreas sujeitas a encharcamento. O trigo requer, para sua nutrição, os macronutrientes Nitrogênio (N), Fósforo (P 2 O 2 ), Potássio (K 2 O), Cálcio (CaO), Magnésio (MgO), Enxofre (S). Os micronutrientes exigidos são Boro (B), Cloro (Cl), Cobre (Cu), Ferro (Fe), Manganês (Mn), Molibdênio (Mo) e Zinco (Zn). A falta ou baixo teor no solo, de qualquer um desses nutrientes, resulta em menor crescimento das plantas e menor produção de grãos. Os fertilizantes minerais (adubos) contêm um ou mais nutrientes em elevada concentração, e a prática da adubação visa complementar as quantidades de nutrientes presentes nos solos, para garantir bons rendimentos de grãos. Adubos orgânicos, como os estercos, contêm todos os nutrientes, mas em concentrações baixas, sendo necessária a aplicação de doses elevadas para fornecer esses nutrientes em quantidades suficientes às plantas.

Não se dispondo da análise química do solo, sugere-se aplicar para o trigo de sequeiro, cerca de 500kg/ha da fórmula 4-14-8, ou 250kg/ha da fórmula 4-30-16 (mais concentrada em fósforo e potássio), que são facilmente encontradas no comércio. Para o trigo irrigado, recomendam-se doses maiores de fertilizantes, pois o potencial de rendimento de grãos é maior. Além disso, há a garantia de que, sob irrigação, não haverá o problema de quebra de rendimentos devido aos veranicos, o que frequentemente ocorre no sistema de sequeiro. Assim, sugere-se para o trigo irrigado, doses em torno de 350kg/ha da fórmula 4-30-16, que corresponde a 105 e 56kg/ha de fósforo e potássio, respectivamente. As fórmulas de baixa concentração, como a 4-14-8, contêm, além de NPK, o enxofre (S), o que não ocorre com as fórmulas de alta concentração de nutrientes, como a 4-30-16. Assim, para que haja a garantia de que o enxofre não falte ao trigo, sugere-se dar preferência às fórmulas de baixa concentração, ou utilizá-las pelo menos uma vez a cada três anos. Outras opções para garantir o suprimento de enxofre são a aplicação de gesso agrícola, ou utilização na adubação nitrogenada em cobertura, o sulfato de amônio, que contêm enxofre. Quanto ao nitrogênio, recomenda-se aplicar apenas uma pequena dose (10 a 20kg/ha), através das formulações NPK, sendo a maior parte aplicada em cobertura, no início do perfilhamento, cerca de duas a três semanas após a emergência. A dose depende, principalmente, do sistema de cultivo (sequeiro ou irrigado) e da variedade plantada. Não é necessário aplicar os demais nutrientes em cobertura, pois não se perdem facilmente pelo excesso de chuvas. Os adubos devem ser aplicados à lanço, próximo à data da semeadura, e em seguida incorporados com arado ou grade, ou manualmente, com enxada. Alguns micronutrientes são deficientes em muitos solos do Brasil Central. Para o trigo, as deficiências mais generalizadas são as de Zinco e Boro, sendo a deficiência de cobre mais comum em solos arenosos ou solos orgânicos de várzeas (pretos na camada superficial). As deficiências de boro ou cobre causam o chochamento do trigo. Muitas espiguetas permanecem chochas (sem grãos), o que resulta em menor rendimento. O aspecto visual da espiga com chochamento, causado pela deficiência do boro, pode ser observado na Figura 18.