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Explica como dimensionar uma transmissão
Tipologia: Resumos
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Para a escolha do tipo da correia utiliza-se o torque no veio motor T₁ = 26,74 Nm e a frequência de rotação n₁ = 700 rpm. Como o torque se encontra dentro do intervalo de 11–70 Nm indicado para a Secção A e atendendo à potência a transmitir de 1,96 kW, escolhe-se a correia trapezoidal de Secção A, cujos parâmetros estão na Tabela 2. bc [mm] bo [mm] h [mm] hc [mm] A [mm²] Lc [mm] Dmin [mm] T [Nm] 11 13 8 2,8 81 560 – 4000 90 11 – 70 Tabela 2: Parâmetros da correia de Secção A Figura 1: Geometria da correia trapezoidal
Com base no nomograma (figura 12.26 de [2]), para a Secção A, n₁ = 700 rpm e torque T₁ = 26, Nm, estima-se:
O diâmetro escolhido é superior ao mínimo recomendado D_min = 90 mm para a Secção A. ✓
v = (π · 140 · 700) / 60 000 = 5,13 m/s A velocidade encontra-se dentro dos limites admissíveis (5 … 25 m/s) para correias trapezoidais. ✓
d_c2 = 3,8244 · 140 = 535,4 mm → d_c2 = 560 mm (valor normalizado)
Estimando z ≤ 2, adopta-se C_z = 0,95: z = 1,96 / (1,240 · 0,95) = 1,66 → z = 2 correias
F_v eixo = 2 · 2 · 199 · cos(22,55°) = 4 · 199 · 0,9238 = 735 N
Onde: T_med = 2000 h; K₁ = 1,0 (choques moderados); K₂ = 1,0 (zona climática central de Moçambique). T = 2000 · 1,0 · 1,0 = 2000 horas
Como v = 5,13 m/s < 30 m/s, escolhe-se ferro fundido cinzento FC-20 para ambas as polias, material de baixo custo e fácil maquinagem.
Os parâmetros geométricos das polias (ranhuras) para a Secção A são calculados segundo a norma: Polia motora (d_c1 = 140 mm): ● Ângulo da ranhura: φ = 36° (para d_c ≥ 125 mm) ● Profundidade da ranhura: h₁ = 8,7 mm ● Passo entre ranhuras: e = 15 mm ● Distância da borda ao eixo da 1ª ranhura: f = 10 mm ● Largura da polia: B₁ = (z–1)·e + 2f = 1·15 + 20 = 35 mm Polia movida (d_c2 = 560 mm): ● Ângulo da ranhura: φ = 38° ● Largura da polia: B₂ = B₁ = 35 mm
Figura 2: Parâmetros geométricos da polia (secção da ranhura) 5.2 Cálculo do Projecto das Engrenagens Cónicas de Dentes Rectos Dados de partida para a engrenagem cónica (1.º escalonamento): ● Potência no veio motor (veio 2): P₂ = 1,862 kW ● Frequência de rotação do pinhão: n₂ = 183,04 rpm ● Frequência de rotação da coroa: n₃ = 45,76 rpm ● Relação de transmissão: U_CoDR = 4 ● Momento torsor no pinhão: T₂ = 97,149 Nm ● Tempo de vida: T∑ = 15 637 horas
Para engrenagens cónicas de dentes rectos com U ≈ 4, recomenda-se z₂ entre 17 e 20.
Relação real: U′ = 72/18 = 4,0 ✓ (igual à projectada)
Designação Material Dureza σ_r [MPa] σ_e [MPa] Pinhão (z₂=18) Aço 40X (cementado) HB 280 900 700 Coroa (z₃=72) Aço 45 (normalizado) HB 235 780 530 Tabela 3: Propriedades dos materiais do pinhão e da roda dentada movida
Coeficientes: Z_R = Z_V = K_L = K_XH = 1,0; S_H = 1,1 (cementado); S_H = 1,2 (normalizado) Coeficiente de longevidade:
N_HE2 = 60 · 183,04 · 15637 = 1,718 · 10⁸ ciclos > N₀ → K_HL2 = 1, N_HE3 = 60 · 45,76 · 15637 = 4,295 · 10⁷ ciclos > N₀ → K_HL3 = 1,
Como σ_H e σ_F nominais já estão muito abaixo destes limites, a verificação sob carga máxima fica garantida.
Parâmetro Símbolo Fórmula e valor Ângulos dos cones divisores δ₂, δ₃ δ₂ = arctg(18/72) = 14,04° ; δ₃ = 90°–δ₂ = 75,96° Distância cónica externa R_e R_e = m_te·z₃/(2·senδ₃) = 4·72/(2·0,970) = 148,5 mm Largura da coroa b_w b_w = b_dd·R_e = 0,285·148,5 = 42,3 → 42 mm Diâmetro divisor pinhão d_e2 d_e2 = m_te·z₂ = 4·18 = 72 mm Diâmetro divisor coroa d_e3 d_e3 = m_te·z₃ = 4·72 = 288 mm Altura externa do dente h_e h_e = 2·m_te·cosδ₃ + 0,2·m_te = 1,946+0,8 = 2,75 mm Diâm. cristas pinhão d_ae2 d_ae2 = d_e2 + 2·m_te·cosδ₂ = 72 + 7,77 = 79,8 → 80 mm Diâm. cristas coroa d_ae3 d_ae3 = d_e3 + 2·m_te·cosδ₃ = 288 + 1,94 = 289,9 → 290 mm Espessura ext. dos dentes s_e s_e = 0,5π·m_te = 0,5·3,1416·4 = 6,28 mm Tabela 4: Parâmetros geométricos da engrenagem cónica Figura 3: Geometria da engrenagem cónica de dentes rectos
Diâmetro médio do pinhão:
Força tangencial no pinhão (veio 2):
Força axial no pinhão (= radial na coroa):
Força radial no pinhão (= axial na coroa):
α_n = 20° (ângulo de pressão normal normalizado).
Figura 4: Forças no pinhão cónico (Ft, Fr, Fa) 5.3 Cálculo do Projecto das Engrenagens Cilíndricas de Dentes Rectos Dados de partida (2.º escalonamento — redutor): ● Potência no veio: P₃ = 1,779 kW ● Frequência de rotação do pinhão: n₃ = 45,76 rpm ● Frequência de rotação da coroa: n₄ = 10,17 rpm ● Relação de transmissão: U_CDR = 4, ● Momento torsor no pinhão: T₃ = 371,273 Nm
Designação Material Dureza σ_r [MPa] σ_e [MPa] Pinhão (z₄=33) Aço 40X (têmpera) HB 260 850 650 Coroa (z₅=149) Aço 45 (normalizado) HB 215 740 480 Tabela 5: Materiais e propriedades da engrenagem cilíndrica Tensões admissíveis ao contacto: ● σ_Hlim⁰_pinhão = 2·260+70 = 590 → [σ_H4] = 590/1,1 = 536,4 MPa ● σ_Hlim⁰_coroa = 2·215+70 = 500 → [σ_H5] = 500/1,2 = 416,7 MPa Para o cálculo projectivo: [σ_H] = 416,7 MPa Tensões admissíveis à flexão: ● [σ_F4] = 1,8·260/1,75 = 267,4 MPa ● [σ_F5] = 1,8·215/1,75 = 221,1 MPa
Onde K_a = 49,5 (aço/aço, dentes rectos); ψ_ba = b_w/a_w ≈ 0,315; K_H = 1, a_w = 49,5 · 5,5 · ³√[ 371273·1,35 / (0,315·4,5·416,7²) ] a_w = 272,25 · ³√[ 501 219 / 248 041 ] = 272,25 · ³√2,019 = 272,25 · 1,264 = 344 mm
Figura 5: Forças tangencial e radial na engrenagem cilíndrica 5.4 Cálculo da Transmissão por Cadeia A transmissão por cadeia é o último escalonamento, ligando o veio de saída do redutor (veio 4) ao tambor (veio executivo). Dados de partida: ● Potência no veio 4: P₄ = 1,735 kW ● Frequência de rotação da roda motora: n₄ = 10,17 rpm ● Frequência de rotação da roda movida: n₅ = 2,03 rpm ● Relação de transmissão: U_cad = 5 ● Momento torsor na roda motora: T₄ = 1629,40 Nm
Para evitar pulsação excessiva da cadeia escolhe-se número ímpar de dentes na roda motora:
Adopta-se z₁_c = 19 dentes (ímpar, próximo do ideal).
z₂_c < z_max = 120 ✓
Para T₄ = 1629,4 Nm e n₄ = 10,17 rpm (baixa rotação, torque elevado), recomenda-se cadeia de rolos GOST 13568-75 de série pesada. Estima-se passo: P_c = 38,1 mm → Cadeia ПР-38,1-127000 (carga de ruptura F_r = 127 kN; massa linear q = 5,5 kg/m). Verificação da rotação admissível: n_max para ПР-38,1 = 250 rpm >> 10,17 rpm ✓
Distância interaxial óptima: a = (30…50)·P_c. Adopta-se:
Número de elos da cadeia:
L_p = 2·1524/38,1 + (19+95)/2 + [(95–19)/(2π)]²·38,1/ L_p = 80 + 57 + (12,094)²·0,025 = 80 + 57 + 3,66 = 140, Adopta-se número par: L_p = 140 elos. Comprimento da cadeia:
Distância interaxial corrigida:
a = (38,1/4) · {(140–57) + √[83² – 8·12,094²]} = 9,525 · {83 + √(6889–1170)} a = 9,525 · (83 + 75,6) = 9,525 · 158,6 = 1511 mm Distância de montagem (encolhimento de 0,4 %): a_m = 0,996 · 1511 ≈ 1505 mm.
Para passos grandes (P_c = 38,1 mm), v_c < 5 m/s é admissível. ✓
Força centrífuga:
Força do peso próprio do ramo livre (k_f = 6 para corrente horizontal):
Força total na cadeia:
F_tot = 14 106 + 0,08 + 489 = 14 595 N Coeficiente de segurança:
Comparando com o admissível para P_c = 38,1 mm e n₄ = 10 rpm: [s] = 7, s = 8,70 > [s] = 7,0 ✓ — A cadeia satisfaz o critério de resistência.
Para todos os veios do redutor (veio 2, veio 3, veio 4) selecciona-se o aço 45, beneficiado por têmpera e revenido, com as seguintes propriedades: Material Tratamento σ_r [MPa] σ_e [MPa] σ₋₁ [MPa] τ₋₁ [MPa] HB Aço 45 Têmpera + revenido 780 540 350 200 220 – 250 Tabela 7: Propriedades mecânicas do aço 45 beneficiado
Os veios são dimensionados em duas fases: ● Cálculo projectivo (preliminar): obtenção do diâmetro mínimo apenas à torção pura, aplicando coeficiente de segurança ao tau admissível. ● Cálculo testador (capítulo 9): verificação à fadiga combinada flexo-torsional na secção crítica, com factores de concentração, dimensão e acabamento. Equação de dimensionamento à torção pura:
Onde [τ] = 20…25 MPa para aço 45 em pré-dimensionamento (valor reduzido para reservar margem aos esforços de flexão).
O veio do motor eléctrico (4A112MA8Y3) tem diâmetro de saída padronizado d₁ = 32 mm, suficiente para T₁ = 26,74 Nm. Confirmação:
Mantém-se d₁ = 32 mm. A união entre veio motor e veio 2 é feita por união elástica (acoplamento — capítulo 12).
Torque T₂ = 97,15 Nm. Dimensão mínima:
O veio recebe a polia movida da correia numa consola e termina noutra consola com o pinhão cónico. Adoptam-se 5 escalões com diferentes diâmetros: Escalão Função Diâmetro [mm] Comprimento [mm] 1 Cabo da polia (consola) 30 60 2 Encosto / vedação 35 20 3 Rolamento A 40 20 4 Tramo intermédio 45 30 5 Rolamento B 40 20 6 Cubo do pinhão cónico 50 50 Tabela 8: Diâmetros e comprimentos do veio 2
Figura 7: Esboço dimensional do veio 2 (entrada — pinhão cónico em consola)
Torque T₃ = 371,27 Nm. Dimensão mínima:
O veio recebe a roda cónica num extremo e o pinhão cilíndrico no outro (talhado directamente no veio, dado d₄ = 132 mm ≈ 2,9·d_veio). Escalão Função Diâmetro [mm] Comprimento [mm] 1 Rolamento A 45 23 2 Encosto 50 15 3 Cubo da roda cónica 55 45 4 Tramo intermédio 50 60 5 Pinhão cilíndrico (no veio) 60 (raiz) 115 6 Encosto 50 15 7 Rolamento B 45 23 Tabela 9: Diâmetros e comprimentos do veio 3
Torque T₄ = 1629,40 Nm. Dimensão mínima:
O veio aloja a roda cilíndrica (d₅ = 596 mm) entre os rolamentos e a roda estrelada da cadeia em consola, o que justifica diâmetros maiores nos rolamentos para suportar a carga radial elevada. Escalão Função Diâmetro [mm] Comprimento [mm] 1 Cubo da roda estrelada (consola) 70 80 2 Encosto / vedação 75 20 3 Rolamento A 80 28 4 Cubo da roda cilíndrica 85 115 5 Encosto 80 15 6 Rolamento B 80 28 Tabela 10: Diâmetros e comprimentos do veio 4
Torque T₅ = 7780,68 Nm. Dimensão mínima (aço 45 normalizado):
Os rolamentos são seleccionados pela carga dinâmica equivalente, exigindo-se uma vida nominal mínima ligada ao tempo de serviço do redutor:
Fórmula de vida nominal (rolamentos de rolos cónicos):
Onde: C — capacidade dinâmica de catálogo; P — carga dinâmica equivalente; n — frequência de rotação do veio [rpm]. Carga dinâmica equivalente:
V = 1,0 (anel interior em rotação); K_t = 1,0 (temperatura < 100 °C); K_s = 1,1 (carga moderada com pequenos choques).
Forças que actuam no veio 2: ● Força da correia sobre a polia movida: F_v,corr = 735 N (radial, ponto a c = 60 mm de A em consola) ● Pinhão cónico em consola a a = 50 mm de B, com d_m2 = 61,8 mm: ● — F_t = 3143 N (tangencial, horizontal) ● — F_r = 1110 N (radial, vertical) ● — F_a = 277 N (axial, criando momento M_Fa = F_a · d_m2/2 = 8559 N·mm) Distância entre rolamentos: l = 70 mm. Figura 8: Esquema de cargas no veio 2 (apoios A, B; consola da polia à esquerda e do pinhão cónico à direita)
Plano horizontal (eixo X): Considerando o pior caso (força da correia oposta a F_t):
Plano vertical (eixo Y):
Reacções resultantes:
Pelos diâmetros do veio (d = 40 mm na zona dos rolamentos) e pela existência de carga axial significativa (F_a = 277 N) escolhe-se o par de rolamentos de rolos cónicos 7208 (GOST 27365-87, série média, equivalente ISO 32208). Designação d [mm] D [mm] T [mm] C [N] C₀ [N] e Y 7208 (32208) 40 80 20 65 500 46 000 0,37 1, Tabela 11: Características do rolamento 7208 para o veio 2 Apoio mais carregado (B):
L_h_B = 91,07 · (9,366)^3,333 = 91,07 · 1735 = 158 050 h L_h = 158 050 h >> L_h_min = 13 140 h ✓ — O rolamento 7208 satisfaz com larga margem. 7.3 Veio 3 — veio intermédio Diâmetros nos rolamentos d = 45 mm. Escolhe-se o rolamento 7209 (32209). Designação d [mm] D [mm] T [mm] C [N] C₀ [N] e Y 7209 (32209) 45 85 20,75 72 500 53 000 0,40 1, Tabela 12: Características do rolamento 7209 para o veio 3 Estimativa conservadora das reacções (combinando forças da roda cónica — F_t = 3143, F_a_cônica = 1110, F_r_cônica = 277 — e do pinhão cilíndrico — F_t = 5625, F_r = 2047):
Apoio mais carregado:
Designação d [mm] D [mm] B [mm] C [N] C₀ [N] 22215 75 130 31 138 000 195 000 Tabela 14: Características do rolamento 22215 para o veio executivo Reacções estimadas no tambor: R ≈ 8500 N por apoio.
L_h >> L_h_min ✓ 7.6 Resumo dos rolamentos seleccionados Veio Rolamento d × D × T [mm] C [N] L_h calculado [h] Veio 2 (n=183 rpm) 7208 (32208) 40×80×20 65 500 158 000 Veio 3 (n=46 rpm) 7209 (32209) 45×85×20,75 72 500 1,66·10⁶ Veio 4 (n=10 rpm) 7216 (32216) 80×140×28,25 176 000 690 000 Veio exec. (n=2 rpm) 22215 75×130×31 138 000 6,6·10⁷ Tabela 15: Resumo dos rolamentos seleccionados
O corpo do redutor é fabricado em duas partes (corpo inferior e tampa) unidas por parafusos, em ferro fundido cinzento FC-20 (GOST 1412-79), por: ● Boa capacidade de amortecimento de vibrações ● Resistência à abrasão e à corrosão ● Facilidade de fundição em formas complexas ● Baixo custo em comparação com aço fundido ou liga de alumínio
A espessura mínima das paredes é determinada em função da distância interaxial do escalonamento cilíndrico (que define a parte maior do corpo):
Espessura das paredes da tampa:
Espessura da flange superior (tampa):
Espessura da flange inferior (corpo):
Espessura das patas (apoio no chassis):
Número de parafusos de fundação: 4 (um em cada canto da pata do corpo).
Aplicáveis às quatro tampas (2 do veio 2, 2 do veio 4) — número de parafusos por tampa = 4– 6 conforme o diâmetro D do rolamento.