Docsity
Docsity

Prepare-se para as provas
Prepare-se para as provas

Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity


Ganhe pontos para baixar
Ganhe pontos para baixar

Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium


Guias e Dicas
Guias e Dicas


Doença Trofoblástica Gestacional, Trabalhos de Patologia

doenDoença Trofoblástica Gestacional

Tipologia: Trabalhos

2020

Compartilhado em 29/04/2020

mari-araujo-9
mari-araujo-9 🇧🇷

2 documentos

1 / 6

Toggle sidebar

Esta página não é visível na pré-visualização

Não perca as partes importantes!

bg1
61
RBGO - v. 25, nº 1, 2003
Trabalhos Originais
25 (1): 61-66, 2003
RBGO
RESUMO
Objetivo: estudar a freqüência da neoplasia trofoblástica gestacional recorrente e analisar
se a evolução e o desfecho do episódio de repetição acarretam agravado risco, assim de
invasão como de malignização, e se há necessidade de maior número de ciclos de
quimioterapia e regimes mais agressivos.
Métodos: vinte e nove pacientes com mola hidatiforme recorrente foram acompanhadas e
eventualmente tratadas no Centro de Neoplasia Trofoblástica Gestacional da 33a Enfermaria
da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, entre 1960 e 2001, representando
incidência de 1,2% (29/2262). Foram revisados os prontuários médicos para determinar a
idade das pacientes, o número de gravidezes, paridade, apresentação clínica e quimioterapia,
caso tenha sido realizada. Um total de cinqüenta e oito episódios de neoplasia trofoblástica
ocorreram nas 29 pacientes. Todos os casos tiveram comprovação histopatológica. Os cálculos
estatísticos foram feitos mediante o teste de
χ
² com correção de Yates e analisados pelo
programa Epi-Info 2000, versão Windows, elaborado pelo Centro de Controle de Doenças
de Atlanta, EUA.
Resultados: ocorreu mola invasora ou coriocarcinoma, no primeiro evento molar, em apenas
uma paciente (1/29 - 3,4%); invasão ou malignização, entretanto, manifestou-se no segundo
evento em sete pacientes (7/29 - 24,1%) [RR: 8,9; IC 95% 1,5-41; p<0,05].
Conclusão: a gravidez molar recorrente cursa com agravamento histológico e aumento na
incidência de seqüela trofoblástica proliferativa, exigindo quimioterapia mais freqüente e
agressiva para induzir remissão.
PALAVRAS-CHAVES: Neoplasia trofoblástica gestacional. Gravidez molar. Quimioterapia.
Doença Trofoblástica Gestacional Recorrente
Recurrent Gestational Trophoblastic Disease
Paulo Belfort, Antônio Braga
Centro de Neoplasia Trofoblástica Gestacional (NTG) da 33ª
Enfermaria (Maternidade) da Santa Casa da Misericórdia
do Rio de Janeiro. Departamento de Assistência à Saúde
da Mulher, da Criança e da Adolescência. Faculdade de
Medicina de Valença (FMV) da Fundação Dom André
Arcoverde. Valença. Rio de Janeiro.
Correspondência:
Paulo Belfort
Avenida das Américas 3939, bloco 1, conjunto 219 – Barra
da Tijuca
22630-003 – Rio de Janeiro – Brasil
Telefone: (21) 3325-6643 / FAX: 3325-7792
Introdução
Neoplasia trofoblástica gestacional (NTG) é
doença cuja incidência tem ampla variação entre
países e mesmo dentro deles. Revela a literatura
predomínio em grupos populacionais mais pobres,
nos quais ocorre um caso em 82 nascimentos1.
Nas regiões industrializadas, como a Escandiná-
via2, a incidência é de um para 2500, enquanto
na América ocorre um a cada 1500 nascimentos3.
Estima-se que, no Brasil, ocorra um caso de mola
em cada 200 nascimentos4. Evento mais raro é a
recorrência da doença trofoblástica3-5. Sugerem
variados estudos5-8 que esse fenômeno acarreta
pior prognóstico, por aumentar a incidência de
mola invasora e de coriocarcinoma.
O antecedente de mola hidatiforme aumen-
ta dez vezes o risco de recorrência. Berkowitz et
al.9,10 afirmam que pacientes com antecedente de
mola têm risco aumentado (1%) de nova gestação
molar ao engravidarem novamente.
O termo tumor trofoblástico gestacional
(TTG) define estado patológico no qual há evidên-
cia clínica de mola invasora ou de coriocarcino-
ma com características de malignidade placentá-
ria em qualquer órgão5.
A Organização Mundial de Saúde (OMS)11 re-
conhece o diagnóstico de tumor trofoblástico ges-
tacional mediante os seguintes critérios: níveis
pf3
pf4
pf5

Pré-visualização parcial do texto

Baixe Doença Trofoblástica Gestacional e outras Trabalhos em PDF para Patologia, somente na Docsity!

Trabalhos Originais

RBGO 25 (1): 61-66, 2003

RESUMO

Objetivo: estudar a freqüência da neoplasia trofoblástica gestacional recorrente e analisar

se a evolução e o desfecho do episódio de repetição acarretam agravado risco, assim de

invasão como de malignização, e se há necessidade de maior número de ciclos de

quimioterapia e regimes mais agressivos.

Métodos: vinte e nove pacientes com mola hidatiforme recorrente foram acompanhadas e

eventualmente tratadas no Centro de Neoplasia Trofoblástica Gestacional da 33a^ Enfermaria

da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, entre 1960 e 2001, representando

incidência de 1,2% (29/2262). Foram revisados os prontuários médicos para determinar a

idade das pacientes, o número de gravidezes, paridade, apresentação clínica e quimioterapia,

caso tenha sido realizada. Um total de cinqüenta e oito episódios de neoplasia trofoblástica

ocorreram nas 29 pacientes. Todos os casos tiveram comprovação histopatológica. Os cálculos

estatísticos foram feitos mediante o teste de χ ² com correção de Yates e analisados pelo

programa Epi-Info 2000, versão Windows, elaborado pelo Centro de Controle de Doenças

de Atlanta, EUA.

Resultados: ocorreu mola invasora ou coriocarcinoma, no primeiro evento molar, em apenas

uma paciente (1/29 - 3,4%); invasão ou malignização, entretanto, manifestou-se no segundo

evento em sete pacientes (7/29 - 24,1%) [RR: 8,9; IC 95% 1,5-41; p<0,05].

Conclusão: a gravidez molar recorrente cursa com agravamento histológico e aumento na

incidência de seqüela trofoblástica proliferativa, exigindo quimioterapia mais freqüente e

agressiva para induzir remissão.

PALAVRAS-CHAVES: Neoplasia trofoblástica gestacional. Gravidez molar. Quimioterapia.

Doença Trofoblástica Gestacional Recorrente

Recurrent Gestational Trophoblastic Disease

Paulo Belfort , Antônio Braga

Centro de Neoplasia Trofoblástica Gestacional (NTG) da 33ª Enfermaria (Maternidade) da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro. Departamento de Assistência à Saúde da Mulher, da Criança e da Adolescência. Faculdade de Medicina de Valença (FMV) da Fundação Dom André Arcoverde. Valença. Rio de Janeiro. Correspondência: Paulo Belfort Avenida das Américas 3939, bloco 1, conjunto 219 – Barra da Tijuca 22630-003 – Rio de Janeiro – Brasil Telefone: (21) 3325-6643 / FAX: 3325- e-mail: [email protected]

Introdução

Neoplasia trofoblástica gestacional (NTG) é doença cuja incidência tem ampla variação entre países e mesmo dentro deles. Revela a literatura predomínio em grupos populacionais mais pobres, nos quais ocorre um caso em 82 nascimentos 1. Nas regiões industrializadas, como a Escandiná- via^2 , a incidência é de um para 2500, enquanto

na América ocorre um a cada 1500 nascimentos 3. Estima-se que, no Brasil, ocorra um caso de mola em cada 200 nascimentos^4. Evento mais raro é a recorrência da doença trofoblástica3-5^. Sugerem variados estudos5-8^ que esse fenômeno acarreta pior prognóstico, por aumentar a incidência de mola invasora e de coriocarcinoma. O antecedente de mola hidatiforme aumen- ta dez vezes o risco de recorrência. Berkowitz et al.9,10^ afirmam que pacientes com antecedente de mola têm risco aumentado (1%) de nova gestação molar ao engravidarem novamente. O termo tumor trofoblástico gestacional (TTG) define estado patológico no qual há evidên- cia clínica de mola invasora ou de coriocarcino- ma com características de malignidade placentá- ria em qualquer órgão^5. A Organização Mundial de Saúde (OMS)^11 re- conhece o diagnóstico de tumor trofoblástico ges- tacional mediante os seguintes critérios: níveis

elevados de hCG por período maior de 4 semanas após esvaziamento molar (teores séricos superio- res a 20.000 mU/mL); níveis crescentes de hCG em qualquer tempo após o esvaziamento molar (mínimo de três valores em 1 mês); evidência his- tológica de coriocarcinoma ou de tumor trofoblás- tico do sítio placentário em qualquer órgão e pre- sença de metástases no cérebro, rins, fígado e sis- tema gastrintestinal ou nos pulmões, de mais de 2 cm de diâmetro ou em número superior a três. Conquanto mola completa, parcial e invaso- ra apresentem elevados índices de remissão es- pontânea, entre 8 e 29% dos casos de mola com- pleta podem evolver para tumor trofoblástico 12,^. Neste estudo retrospectivo de casuística pre- tendeu-se determinar: o risco de recorrência de NTG; o perfil obstétrico da paciente com mola de repetição; a diferença (se houver) no tratamento dos eventos molares e o risco de ocorrer mola in- vasora ou coriocarcinoma na mola recorrente. A natureza, o número e o tipo de gestações anteriores não parecem, entretanto, influenciar o risco de vir a ter uma gestação molar^5. As neoplasias trofoblásticas originadas do epitélio trofoblástico são representadas histopato- logicamente pela mola hidatiforme, parcial e com- pleta (MHP, MHC), mola invasora e coriocarcino- ma; distinguem-se, portanto, do tumor trofoblásti- co do sítio placentário que se origina do trofoblasto do leito placentário, das células do trofoblasto in- termediário. Clinicamente as neoplasias trofoblás- ticas incluem a mola hidatiforme, a mola invaso- ra, o coriocarcinoma e o tumor trofoblástico do sí- tio placentário, assim as formas benignas como as malignas.

Pacientes e Métodos

Entre janeiro de 1960 e janeiro de 2001, fo- ram acompanhadas 2262 pacientes com NTG no Centro de Neoplasia Trofoblástica Gestacional (CNTG) da 33ª Enfermaria (Maternidade) da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro (SCMRJ). Destas, 29 apresentaram episódio de recorrência molar, confirmado histopatologicamente. O protocolo de acompanhamento deste cen- tro especializado consiste - além da avaliação clí- nica da paciente e de diversos outros parâmetros

  • de dosagens semanais da subunidade beta da gonadotrofina coriônica humana (beta-hCG). Ob- tidas três dosagens consecutivamente negativas, dosa-se o hormônio após 15 dias e, a seguir, men- salmente, até completar seis meses (em caso de remissão espontânea) ou um ano (nos casos de doença trofoblástica submetidos à quimioterapia),

encontrando-se a paciente em remissão definiti- va e em condições de ter alta do seguimento. É a paciente, durante o seguimento, subme- tida a rigorosa contracepção - de preferência hor- monal oral, sendo liberada, à ocasião da alta, para engravidar novamente, se esse for o seu desejo. Estabeleceu-se, de modo preciso, o interva- lo de tempo entre os sucessivos episódios mola- res, em especial quando os dois eventos tinham as mesmas caraterísticas histopatológicas (MHC/ MHC ou MHP/MHP) para que não pairasse dúvida sobre a natureza de repetição da mola. Sendo a mola diferente, na repetição, não foi necessário caracterizar o intervalo entre os dois episódios. O diagnóstico de mola invasora ou de corio- carcinoma baseia-se na nivelação, na elevação dos níveis de hCG em três ou mais dosagens conse- cutivas ou na demonstração de metástases (me- diante exame pélvico, ultra-sonográfico, radiogra- fia do tórax ou tomografia axial computadorizada dos pulmões, do cérebro ou de outros órgãos), idealmente por meio de exame histopatológico. Comprovado o diagnóstico, estabelecido o estadiamento clínico e calculado o risco consoan- te a classificação internacional da FIGO/OMS, mostrada na Tabela 1, inicia-se a quimioterapia. Nos estadiamentos I e II de baixo risco (le- são limitada ao útero ou à pelve) o tratamento é iniciado com monoquimioterapia utilizando-se metotrexato (MTX) com resgate de ácido folínico (fator citrovorum - FC) ou actinomicina-D (ACT- D). Nos estádios III e IV (metástases pulmonares, cerebral e/ou hepática) e em praticamente todos os casos de alto risco (até mesmo, às vezes, do es- tádio I - raro - e II) merece preferência universal o regime EMA/CO (associação de etoposida, metotrexato, actinomicina-D, ciclofosfamida e vincristina). Foram revistos os prontuários das pacien- tes com recorrência molar a fim de se determina- rem idade, perfil obstétrico, apresentação clínica da mola hidatiforme e tratamento, quando se fez necessário. Os dados estatísticos foram analisados pelo Epi-Info 2000, versão Windows, elaborado pelo Cen- tro de Controle de Doenças (Atlanta, EUA), medi- ante teste do χ^2 , com correção de Yates, conside- rando-se significativos eventos com p<0,05 e não significativos (NS) (p>0,05) para intervalo de con- fiança de 95%.

Resultados

Vinte e nove casos de recorrência molar ocorreram em 2262 pacientes do CNTG da SCMRJ,

A agressividade da recorrência molar pode ser também avaliada pelo número de pacientes que necessitaram quimioterapia: 4/29 (13,7%) no primeiro episódio molar e 7/29 (24,1%) na recorrência. O número médio de ciclos de quimio- terapia necessários para induzir remissão da doença constitui, também, parâmetro para ava- liar a agressividade do evento molar. Foi preciso dobrar o número médio de ciclos de MTX/FC e ACT- D nas pacientes com mola de repetição a fim de induzir remissão. Como não houve poliquimiote- rapia (regime EMA-CO) por ocasião da primeira mola, não se pode quantificar o aumento de sé- ries à ocasião da recorrência, cuja média foi de 2,8 ciclos. Refere a literatura que 35 a 40% das pacien- tes que têm segunda mola desenvolvem doença trofoblástica persistente 5,8,14^. A primeira discus- são acerca do aumento no risco de invasão ou de doença trofoblástica metastática foi suscitada por Acosta-Sison 12 , em 1959, quando relatou quatro pacientes com recorrência molar, sendo três ca- sos complicados de invasão ou seqüela metastáti- ca, havendo, portanto, porcentual de malignização da ordem de 75% quando da recorrência. Dez anos depois, em 1969, Kronfol et al. 6 cotejaram os da- dos de Acosta-Sison 12 com os seus, ao relatar cin- co casos de repetição de mola hidatiforme, não tendo, porém, consignado nenhum caso de TTG. Em 1980, Federschneider et al.^16 , do “New England Trophoblastic Disease Center”, relataram sete casos de mola recorrente. Por ocasião da pri- meira mola nenhuma paciente necessitou trata- mento, após o esvaziamento uterino, para alcan-

çar remissão. Na recorrência, ao revés, 5 de 7 pacientes (71,4%) necessitaram quimioterapia no seguimento pós-molar ao evolverem para TTG, mostrando aumento na incidência de invasão e de metástases. Conquanto sugestiva a ocorrência de maior freqüência de malignização no episódio de recorrência, persistia certa resistência à aceita- ção de tais índices à conta da pequena população até então estudada. Dois encorpados estudos ul- teriormente surgidos na literatura puderam diri- mir a questão. O primeiro deles, de Sand et al.^17 , traz dados do “John Brewer Trophoblstic Disease Center” da “Northwestern University Medical School”, com 22 casos de mola de repetição. No primeiro evento molar, 2 (9,0%), evoluíram para mola invasiva (tratados com 4 ciclos de MTX/FC) e 1 (4,5%) sendo diagnosticado como coriocarcino- ma associado a gravidez de termo (tratado com 4 ciclos de MTX/FC e ACT-D alternando com 2 ci- clos de MTX/FC, ACT-D e ciclofosfamida), repre- sentando total de 14,0% de malignização no pri- meiro evento. Na recorrência molar, três pacien- tes tiveram mola incompleta (14,0%) e quatro evoluiram para coriocarcinoma (18,0%). As sete pacientes (32,0%) foram submetidas a quimiote- rapia: quatro a regime de monoquimioterapia (MTX/FC), uma, a ACT-D e ciclofosfamida, e ou- tra recebeu monoquimioterapia seguida por MTX/ FC, ACT-D e ciclofosfamida. O óbito único ocorreu após malogro com MTX/FC, ACT-D, ciclofosfami- da, regime de vários agentes de Bagshawe (CHAMOCA/CHAMOMA) e altas doses de MTX/FC. O risco relativo de malignização na mola recor-

Tabela 3 - Incidência de mola de repetição em 14 centros de referência.

Autor

Chelsey et al. 14

Hertig e Sheldon 15

Acosta-Sison 12

Yen e Mac Mahon 13

Matalon e Modan 18

Federschneider et al 16

Takamizawa e Kobayashi 19

Sand et al. 17

Mutch & Hammond 20

Yapar et al. 21

Andrade JM et al. 22

Viggiano et al. 23

Lorigan e Coleman 24

Belfort e Braga (presente trabalho)

Total

Ano

Pacientes

n 1 1 4 8 9 7 8

Pacientes com mola de repetição

rente foi, portanto, 2,8 vezes maior do que na pri- meira mola. O segundo trabalho desenvolvido por Rice et al. 7 do Centro de Doenças Trofoblásticas de New England, cujas conclusões foram poste- riormente confirmadas por Berkowitz et al.^10 que apresentou 15 casos de recorrência molar. No pri- meiro evento, apenas uma paciente (6,6%) desen- volveu tumor persistente; nos eventos de recorrência, ao revés, seis pacientes (33,0%) evoluiram para TTG na segunda mola. Neste es- tudo o risco relativo para as formas invasoras e metastáticas da mola foi cinco vezes maior na recorrência, resultado próximo daquele por nós achado na SCMRJ, cujo risco relativo de TTG foi 8,9 vezes maior na recorrência. Consoante a literatura 5,9^ , cerca de 20% das pacientes com MHC desenvolvem seqüelas e, des- sas, 85% têm lesão localizada no útero. Menos de 4% das mulheres com MHP evoluem para formas persistentes da doença 5,9. Tumor trofoblástico con- seqüente a MHP é, quase sempre, mola invasora, não costuma exibir metástases, respondendo pron- tamente à quimioterapia 5. Duas observações são contingentes à análi- se da recorrência molar. Diz respeito a primeira à história natural da gravidez molar de repetição, na qual se evidencia aumento na incidência de TTG e de coriocarcinoma. A segunda e relevante observação relaciona-se ao futuro reprodutivo da paciente. À ocasião da alta deve ser recomendado que a próxima gestação seja acompanhada, prefe- rentemente, no mesmo serviço em que a mola foi tratada, a fim de identificar a sua natureza e de examinar a placenta à ocasião do parto. Não será demasia tal recomendação, a fim de precisar o perfil reprodutivo das pacientes que tiveram doença trofoblástica gestacional, assim facilitando a detecção precoce da mola recorren- te, único modo de assegurar acompanhamento rigoroso e seu tratamento pontual, quando neces- sário.

Referências

  1. Seoud M, Khalil A, Frangieh A, Zahed L, Azar G, Nuwayri-Salti N. Recurrent molar pregnancies in a family with extensive intermarriage: report of a family and review of literature. Obstet Gynecol 1995; 86:692-5.
  2. Patek E, Johnson P. Recurrent hydatidiform mole: report of a case with five recurrences. Acta Obstet Gynecol Scand 1978; 57:381-3.
  3. Bilgin T, Esmer A, Kuckerdogan IB. Recurrent molar pregnancy: brief communication. Int J Gynaecol Obstet 1997; 57:185-6.
  4. Belfort P, Viggiano M. Epidemiological features of gestational trophoblastic neoplasia in Rio de Janeiro and in Goiania - Brazil. In: Belfort P, Pinotti JA, Eskes TAB, editors. Proceedings of the 12 th^ World Congress of Gynecology and Obstetrics; 1990 October 23-28, Rio de Janeiro, Brazil. Cambridge: Parthenon; 1990.p.227-32.
  5. Kim SJ. Epidemiology. In: Hancock BW, Newlands ES, Berkowitz RS, editors. Gestational Trophoblastic Disease. 1st^ ed. London: Chapman & Hall Medical; 1997.p.145-50.
  6. Kronfol NM, Iliya FA, Hajj SN. Recurrent hydatidiform mole: a report of five cases with review of the literature. J Med Liban 1969; 22:507-20.
  7. Rice LW, Lage JM, Berkowitz RS, Goldstein DP, Bernstein MR. Repetitive complete and partial hydatidiform mole. Obstet Gynecol 1989; 74:217-9.
  8. Narayan H, Mansour P, McDougall WW. Recurrent consecutive partial molar pregnancy. Gynecol Oncol 1992; 46:122-7.

ABSTRACT

Purpose: to study the frequency of recurrent gestational trophoblastic neoplasm and to analyze whether the features and the outcome of the repetitive disease lead to a higher risk of invasion or of malignization and the need for more courses of chemotherapy and more aggressive regimens. Methods: twenty-nine patients with recurrent hydatidiform mole were followed up at the Santa Casa da Misericórdia Trophoblastic Disease Center (Rio de Janeiro, Brazil) between 1960 and 2001, showing an incidence of 1.28% (29/2262). The medical charts were examined to determine the patient’s age, number of pregnancies, parity, clinical

presentation and chemotherapy. A total of fifty-eight trophoblastic neoplasm episodes occurred in these 29 patients and all were reviewed regarding their pathology. Statistical data were determined by the χ^2 test with Yates correction and analysis was performed using Epi-Info software for Windows 2000. Results: invasive mole or choriocarcinoma occurred at the first event of hydatidiform mole in only one patient (1/29 – 3.44%), whereas invasion or malignization occurred in the second event in seven patients (7/29 - 24,13%) [OR: 8.9; CI 95%: 1.5 – 41; p<0.05]. Conclusion: recurrent molar pregnancy was associated with histological worsening and an increase in the incidence of proliferative trophoblastic sequelae in the consecutive episodes of hydatidiform mole, more frequent and aggressive chemotherapy being necessary.

KEY WORDS: Gestational trophoblastic neoplasia. Molar pregnancy. Chemotherapy.