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E AS SETE LINHAS DE UMBANDA, Notas de estudo de História

O ESPIRITISMO, A MAGIA E AS SETE LINHAS DE UMBANDA

Tipologia: Notas de estudo

2020

Compartilhado em 08/04/2020

joao-manuel-moreda
joao-manuel-moreda 🇵🇹

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LEALDESOUZA
RIODEJANEIRO
1933
OESPIRITISMO,AMAGIAEAS
SETELINHASDEUMBANDA
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LEAL DE SOUZA

RIO DE JANEIRO

O ESPIRITISMO, A MAGIA E AS

SETE LINHAS DE UMBANDA

LEAL DE SOUZA

O E S P I R I T I S M O ,

A MAGIA E AS SETE

LINHAS DE UMBANDA

  • I EXPLICAÇÃO INICIAL________________________________________________ SUMÁRIO
  • II OS PERIGOS DO ESPIRITISMO _______________________________________
  • III AS SUBIDIVISÕES DO ESPIRITISMO __________________________________
  • IV A TRANSFUSÃO DO PENSAMENTO___________________________________
  • V OS MÉDIUNS CURADORES _________________________________________
  • VI MATERIALIZAÇÃO _________________________________________________
  • VII O COPO, A PRANCHETA, A MESA ____________________________________
  • VIII FENÔMENOS DE MATERIALIZAÇÃO E EFEITOS FÍSICOS ESPONTÂNEOS __
  • IX A CURA DA OBSESSÃO_____________________________________________
  • X O FALSO ESPIRITISMO _____________________________________________
  • XI O BAIXO ESPIRITISMO _____________________________________________
  • XII A FEITIÇARIA _____________________________________________________
  • XIII A MACUMBA ______________________________________________________
  • XIV A MAGIA NEGRA __________________________________________________
  • XV A LINHA BRANCA DE UMBANDA E DEMANDA __________________________
  • XVI OS ATRIBUTOS E PECULIARIDADES DA LINHA BRANCA _________________
  • XVII O DESPACHO _____________________________________________________
  • XVIII AS SETE LINHAS BRANCAS _________________________________________
  • XIX A LINHA DE SANTO ________________________________________________
  • XX OS PROTETORES DA LINHA BRANCA DE UMBANDA ____________________
  • XXI OS ORIXÁS _______________________________________________________
  • XXII OS GUIAS SUPERIORES DA LINHA BRANCA ___________________________
  • XXIII O CABOCLO DAS SETE ENCRUZILHADAS _____________________________
  • XXIV AS TENDAS DO CABOCLO DAS SETE ENCRUZILHADAS _________________
  • XXV A TENDA NOSSA SENHORA DA PIEDADE _____________________________
  • XXVI A TENDA DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO _______________________
  • XXVII A TENDA NOSSA SENHORA DA GUIA _________________________________
  • XXVIII AS FESTAS DA LINHA BRANCA ______________________________________
  • XXIX OS QUE DESENCARNARAM NA LINHA BRANCA ________________________
  • XXX O AUXÍLIO DOS ESPÍRITOS NA VIDA MATERIAL ________________________
  • XXXI O KARDECISMO E A LINHA BRANCA DE UMBANDA _____________________
  • XXXII A LINHA BRANCA, O CATOLICISMO E AS OUTRAS RELIGIÕES ____________
  • XXXIII OS BATIZADOS E CASAMENTOS ESPÍRITAS ___________________________
  • XXXIV A INSTITUIÇÃO DE UMBANDA _______________________________________
  • XXXV O FUTURO DA LINHA BRANCA DE UMBANDA _________________________

sua edição matutina de 8 de novembro de 1932, o “Diário de Notícias”, da Capital Federal, anunciou:

“A larga difusão do espiritismo no Brasil é um dos fenômenos mais interessantes do reflorescimento da fé. O homem sente, cada vez mais, a necessidade de amparo divino, e vai para onde o arrastam os seus impulsos, conforme a sua cultura e a sua educação, ou para onde o conduzem as sugestões, do seu meio. E o que se observa em nosso país assinala-se, igualmente, nos Estados Unidos e na Europa, atacada, nestes tempos, de uma curiosidade delirante pela magia.

Mas em nenhuma região o espiritismo alcança a ascendência que o caracteriza em nossa capital. É preciso, pois, encará-lo com a seriedade que a sua difusão exige.

No intuito de esclarecer o povo as próprias autoridades sobre culto e praticas amplamente realizados nesta cidade, o “Diário de Notícias” convidou um especialista nesses estudos, o Sr. Leal de Souza para explaná-los, no sentido explicativo, em suas colunas.

Esses mistérios, se assim podemos chamá-los, só podem ser aprofundados por quem os conhece, e só os espíritas os conhecem. Convidamos o Sr. Leal de Souza por ser ele um espírito tão sereno e imparcial que, exercendo até setembro do ano próximo findo o cargo de redator-chefe de “ A Noite”, nunca se valeu daquele vespertino para propagar a sua doutrina e sempre apoiou com entusiasmo as iniciativas católicas.

Em

I

EXPLICAÇÃO INICIAL

O Espiritismo não é clava para demolir, é uma torre em construção, e quanto mais se levanta tanto mais alarga os horizontes e a visão de seus operários, inclinando-os à tolerância, pela melhor compreensão dos fenômenos da vida.

Como nos ensina o seu codificador, o espiritismo não veio destruir a religião, porém consolidá-las e revigorar a fé, trazendo-lhes novas e mais positivas demonstrações da imortalidade da alma e da existência de Deus.

As religiões, sabem-nos todos, são caminhos diversos e às vezes divergentes, conduzindo ao mesmo destino terminal. O indivíduo que abraça com sinceridade uma crença e cumpre, de consciência reta, os seus preceitos, está sob a assistência de Deus, pois mesmo as regras que aos seus contrários parecem absurdas ou degradantes, como a confissão, no catolicismo, ou a benção solicitada aos pais de terreiro, no espiritismo de linha, revelam um grau de humildade significativo de radiosa elevação espiritual.

Seria negar a Deus os atributos humanos da inteligência e da justiça o fato de admitirmos que o Criador fosse capaz de desprezar ou punir as suas criaturas porque não o amam do mesmo modo, orando com as mesmas palavras, segundo os mesmos ritos.

Deus não tem partido e atende a todos os seus filhos de onde quer que o chamem, com amor e fé; parta a prece do coração de um cardeal, ajoelhado na glória suntuosa de um altar, ou saia da oração do peito de um sertanejo, caído no silencio pesado da selva. Os homens são quem escolhem, pela sua cultura ou pelas tendências de cada alma, em seus

núcleos de evolução, a maneira mais propícia de cultuar e servir a Divindade.

Com estas idéias, é claro que não venho provocar polêmicas, e seria desconhecer os intuitos do Diário de Notícias, ou aventurar-me a propaganda agressiva dos meus princípios. Pretendo, nestes artigos, esclarecer, quanto permitam os meus conhecimentos, práticas amplamente celebradas nesta capital, estabelecendo diferenciações, para orientação popular, e mostrando a importância de coisas que, parecendo burlescas, são, com freqüências, sérias e até graves.

E, pois que tratarei também, e, principalmente, do espiritismo de linha, na formula da Linha Branca de Umbanda: - salve a quem tem fé; salve a quem não tem fé.

ruptura dos elos essenciais a existência material, o seu espírito por outro espírito.

A obsessão que se confunde com a loucura não é determinada pelo espiritismo, e só o espiritismo pode curá-la. É fora dos recintos espíritas, no ambiente livre à ação de todas as entidades, que as pessoas possuidoras de predicados mediúnicos, e também as que não os possuem, são dominadas pelos obsessores que as levam para os hospícios, se não as socorre a caridade dos espiritistas.

Certas pessoas fazem leituras espíritas no isolamento, e, sofrendo abalos que lhes despertam forças psíquicas, adormecidas, sentem angustias, anseios, perturbações aflitivas. Para esse estado há recursos de eficácia quase imediata.

Em algumas sessões, quando se intensifica o trabalho de natureza fluídica, os indivíduos que se iniciaram nelas experimentam, segundo a sua constituição, uma sensação esquisita de mal-estar, porém, os trabalhadores do espaço, e mesmo os da Terra, facilmente os acalmam, harmonizando-lhes os fluidos com os do ambiente.

Alarmam-se as famílias, observando a agitação dos doentes espirituais nos dias em que devem comparecer as sessões, mesmo quando ignoram que vão assisti-las. Isso representa e exprime a reação das entidades que o molestam, empenhando-se em impedir-lhes o acesso a um lugar onde elas serão reprimidas e afastadas.

Também depois do tratamento, já liberto dos obsessores, o reintegrado em si mesmo, cai em mole prostração e necessita, muitas vezes, revigorar-se com tônicos, porque o seu organismo se ressente da ausência de fluidos alheios do mesmo modo que se perturba, com a supressão do álcool, o organismo de um ébrio.

Perigos reais no espiritismo só os há para os médiuns que desviam a vida social e cometem erros conscientes. Esses, perdendo a assistência dos espíritos protetores, ficam sendo espelhos em que se refletem todos os transeuntes.

III

AS SUBDIVISÕES DO ESPIRITISMO

O espiritismo no Rio de Janeiro, como em toda parte, varia em modalidades, dividindo-se em ramificações.

Possuímos, nesta capital, centros ligados pela orientação e pelos ritos à tradição dos velhos tempos egípcios. Temos as diversidades das lojas teosóficas, a que faço, com simpatia, estas referências receosas, pelo dever de constatar-lhes a existência, pois muitos teosofistas não gostam de ser confundidos com os espíritas. Contam-se, também, institutos moldados com adaptações locais sobre antigos modelos indianos.

O espiritismo cientifico, com o rigor integral de suas pesquisas, é o menos cultivado na antiga capital do Brasil, certamente pelos pendores religiosos de nosso povo.

O kardecismo, que reputa os seus aderentes os únicos praticantes da doutrina, como a pregava Allan Kardec, igualmente varia, onímodo^1 , em seus processos e práticas. Há centros representativos da intransigente pureza do espiritualismo sem liga, e os há revestidos de altiva nobreza intelectual, a par dos humílimos, constituídos dos chamados pobres de espírito.

(^1) Que não tem restrições; ilimitado.

Com as mesmas designações, e mediante o mesmo processo, procura- se reabastecer de fluidos, à distância, um indivíduo de forças psíquicas depauperadas.

Neste caso, as mentalizações são comparáveis a transfusão do sangue com que um indivíduo sadio concorre fraternalmente para a restauração de um enfermo, e quem as faz também se despoja, em benefício do próximo, de energias necessárias ao equilíbrio de seu organismo. Os praticantes das mentalizações, porém, fazendo-as coletivamente, não se exaurem, e com facilidade, ajudados, às vezes, pelos seus guias, mediante o simples repouso das horas noturnas, readquirem os fluidos com que acudiram o irmão abatido e prostrado.

Aliás, em todos os centros, ocorre diariamente esse fenômeno da transfusão de energias psíquicas aos débeis e doentes, pois na maioria dos casos, os passes são, sem que o saiba com clareza quem os dá, uma satisfação da pobreza enfermiça de uns, com a abundância saudável de outros.

E não só nos centros, é principalmente nos lares que se opera, nos transportes do carinho materno, esse milagre de transfusão. Junto ao leito dos filhos atingidos pelas moléstias, as mães, no desesperado receio de perdê-los, desprendem de seu organismo poderosas ondas de fluidos magnéticos, que os envolvem e completam a ação dos remédios.

V

OS MÉDIUNS CURADORES

Há quase totalidade das crianças revela portentosos predicados mediúnicos, porém só uma pequena minoria de adultos é constituída de médiuns. Assim, na quase totalidade dos indivíduos, a mediunidade se embota precocemente. Devemos, porém, considerá-las uma faculdade concedida à generalidade nas criaturas humanas, em grau diferente, dependendo o seu aproveitamento das circunstâncias adversas ou favoráveis de cada existência.

Parecem, a primeira vista, que para defender e conservar a mediunidade deveríamos desenvolvê-la na meninice. A experiência e os guias ensinam o contrário, pois o desenvolvimento em tenra idade perturba e compromete o organismo em constituição. As crianças, antes dos 12 anos, não devem ser admitidas nas sessões que não sejam de preces, ou doutrinação, pois nas outras, basta o reflexo dos trabalhos pra lhes abrir a mediunidade, e, portanto, prejudicá-las.

Entre os médiuns, os mais conhecidos e procurados são, naturalmente, os curadores, os receitistas (Médiuns receitistas: têm a especialidade de servirem mais facilmente de intérpretes aos Espíritos para as prescrições médicas). Importa não os confundir com os médiuns curadores, visto que, absolutamente, não fazem mais do que transmitir o pensamento do Espírito, sem exercerem por si mesmos influência alguma). A medicina os combatem e a justiça os perseguem. Sem examinar, nestes escritos, os direitos daquelas, e as razões desta, direi, apenas que a mediunidade curativa se exerce em nome da caridade e não pode ter por objetivo negá-la aos médicos, tirando-lhes, como concorrente gratuita, os recursos de subsistência.

A um desses clínicos acompanhei, por algum tempo. Curioso, avidamente observando os trabalhos dizia, em face dos resultados obtidos:

  • Eu acho isso tudo absurdo, mas devo estar em erro, porque no fim sai certo.

No terceiro mês de suas investigações, descobriu que tinha qualidades de médium, e quis aproveitá-las, na esperança de facilitar as suas pesquisas. Começou a receber espíritos. Eu marcava, no relógio, a hora de sua incorporação e a da desincorporação. O maior período daquela dói de uma hora e vinte minutos. Ao reintegrar-se em sua personalidade, perguntou-me:

  • Que fiz nessa hora? Não me lembro. Parece-me que estive dormindo, mas estou cansado. O meu protetor trabalhou?
  • Trabalhou e brilhantemente.

Sério, o médico considerou:

  • Pode ser que ele faça maravilhas, mas desde com o meu corpo, e sem o meu conhecimento, não me serve a companhia:

Acrescentou:

  • Os espíritos são egoístas, não revelam o que sabem. Aqui não se aprende nada. Deixo a Tenda e deixo o espiritismo.

E confessou num sorriso:

-Estou quase arrependido de ter emprestado o meu corpo. Receio que esse ilustre defunto possa encarapitar-se no meu lombo, sem o meu consentimento, e faça brilharetos^2 que me comprometam.

Foi dissipado esse receio.

(^2) Atuação ou posição brilhante

VI

MATERIALIZAÇÃO

O estudo cientifico do espiritismo, com objetivo experimental, não deve ser feito em locais onde se realizem trabalhos espíritas de outra natureza. Sei, por experiência própria, que nos centros de caridade os resultados dessas tentativas são mais ou menos precários, pois os espíritos chamados sofredores invadem o recinto e perturbam as observações, sem que a finalidade dos centros permita afastá-los. Todos os pesquisadores que no Brasil chegaram à constatação positiva dos fenômenos de materialização efetuaram suas experiências em instalações especiais.

O ilustre médico Dr. Oliveira Botelho, ministro da Fazenda, no último governo constitucional, viu operar-se diante de seus olhos a ressurreição transitória de uma de suas filhas, por ele conduzida ao cemitério, sendo também consagradas pelo êxito pleno, outras das experiências realizadas sob fiscalização rigorosa pelo sábio, engenheiro Dr. Américo Werneck, e algumas das quais assisti.

O Dr. Werneck mandara preparar instalações adequadas à fiscalização, gradeando-as a ferro. Coube-me, de uma feita, a incumbência de exercê-la. Abri e fechei a única porta de acesso ao recinto, conservando comigo a chave; introduzi na sala as outras pessoas convidadas para a reunião; examinei o camarim destinado a retenção do médium; a mesa e as seis cadeiras existentes na sala.

Para não dar caráter religioso à reunião, o Dr. Werneck não fez a prece inicial das sessões espíritas, limitando-se a pedir aos crentes que fizessem breve oração mental. Entramos no recinto, sob a minha fiscalização, seis pessoas além do médium, e meia hora depois éramos

  • Pode ver. São antigas.

Ousei insinuar:

  • Como seriam as sandálias, no seu tempo...
  • No meu tempo eram chinelas, respondeu, e caminhando até a mesa existente no fundo da sala, voltou uma pequena bilha e um copo.

Ofereceu e serviu água a todos os assistentes, trocando frases com eles, e depois de cumprimentar-nos, avisando que se retirava, repôs a bilha e o copo na mesa, e começou a esbater-se, desfazendo-se até desaparecer.

Também no Estado do Pará, em Belém, antes das desta capital, verificaram-se e foram até oficialmente constadas em atas assinadas pelo presidente e pelo chefe da policia do Estado, admiráveis materializações alcançadas com a médium Anna Prado. Testemunhou- se também, e descreveu-as, o Sr. M. Quintão, que fez uma viagem ao norte para observá-las e viu um espírito materializado modelar a mão em cera de carnaúba, quente.

Os guias que trabalham com o Dr. Werneck, disse-me este, eram enviados de João, o espírito que trabalhava com D. Anna Prado. Deve, pois, haver analogia entre as materializações desta capital e as de Belém, que o Sr. M. Quintão assim descreve:

“A ansiedade do auditório era grande, profundo silêncio, quando alguém exclamou: - Eis o fantasma, a desenhar-se no canto da câmera escura, à direita. Não o vê? Não víamos... Olhe agora, ali, no outro canto, junto à parede.

“De fato, no canto indicado a nossa frente, oscilava como que um lençol, uma massa branca, que se foi condensando; e resvalando-se, cosida a parede – não havia três metros da câmara ao lugar em que me encontrava – chegando ao ponto em que estavam os dois baldes já de

nós conhecidos e uma garrafa com aguarrás, destinada a temperar a cera para a confecção dos moldes e flores.”

“O fantasma, sempre mais nítido, insinua-se bem perto, estaca de fronte do balde. Fixamo-lo a vontade: era um homem moreno, orçando pelos seus 40 anos, trazendo a cabeça um capacete branco, pelas mangas largas de amplo roupão também branco, saiam-lhe as mãos trigueiras e grandes. Os pés, não lhos divisamos.”

“Chegou, cortejou, palpou os baldes, ergue com a mão direita o que continha a cera quente com a esquerda, elevando a garrafa de aguarrás à altura do rosto, como que dosou o ingrediente. Depois se arriando o balde, como para confirmar o seu feito, arrastou-o no chão, produzindo o ruído característico natural. Os seus gestos e movimentos eram perfeitos, naturais, humaníssimos, como se ali estivesse uma criatura humana. Isto posto, afastou-se e conservou-se a um canto da câmara escura, enquanto do outro canto surgia uma menina de seus treze anos, que dá o nome de Anitta.

Assim, tivemos uma dupla manifestação. Visíveis ao mesmo tempo, João, um homem, e Anitta – uma quase criança, enquanto ouvíamos iterativamente o médium suspirar na “câmara escura” e o Sr. M. Quintão largamente descreve as atitudes e ação dos fantasmas, nessa e em outras reuniões.

De algumas das materializações verificadas em Belém, tiraram-se fotografias, mediante uma fórmula especial, constante do livro “O trabalho dos mortos” do Senhor Nogueira de Faria.

Como se sabe, o espírito se materializa com os fluidos do médium. Entrando este em transe, começa a constituição do fantasma, e ao passo que a sua forma se acentua, o médium como que de perece, às vezes respirando em haustos e, não raro, exalando suspiros quase angustiosos. Os guias desses trabalhos exigem que não se aperte a mão, nem órgão algum do espírito materializado, porque imediatamente o médium se recente e com freqüência adoece.